8 a 10/12/2011
“Eu acredito na amizade e a exerço” (Jorge Amado) ou “(…) a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada.” (Guimarães Rosa)
Nosso grupo desafia até mesmo a professora que leciona as disciplinas “Redes Sociais” e “Gêneros Digitais”. Por ofício naveguei por chats, fóruns, blogs, Orkut, Facebook. Pelas mãos do Déo cheguei ao dcpv. Com carinho fui recebida por Edu, Mingão e Débora. Por prazer, fiquei. Por acaso – feliz acaso, nas palavras de Edu, no primeiro ISB – outros foram chegando: Eymard, Lourdes, Sueli, Jorge, Regina. Em julho de 2010 surgia, oficialmente e a partir da inveja de Eymard, Sueli e minha própria, o ISB: Inter dos Sem Blogs. Alguns mais extrovertidos, outros um pouco menos; uns cozinham, outros, não; muitos bebem, uma não; engenheiros, advogado, dentista, psicóloga, pedagoga, socióloga; paulistas, mineiros, carioca. Somos assim… diferentes.
Para cada encontro, um relato. Olhares distintos. Textos diferentes. Sentimentos comuns. De Neruda a Guimarães Rosa, iniciamos, em São Paulo, nossa travessia de sabores, saberes e amizades compartilhadas. Em Brasília, cumprindo o desejo de Niemeyer, fomos muito felizes. Em Belo Horizonte, “era dia comum e virou festa.” Era preciso manter neste post – síntese de todos os outros ISB – o estilo dos posts anteriores: citações, muitas citações, daí dois títulos se o editor assim o permitir. O ISB em Ferraz de Vasconcelos é a síntese de todos os outros ISBs, porque fechou um ciclo; síntese, porque estivemos todos juntos, o tempo todo; síntese, porque aconteceu onde tudo começou, ainda que virtualmente.
Introduzido o tema… (sim, isso foi só a introdução)
Sei que este é um blog gastronômico, que o “mote” dos encontros é a culinária, mas no ISBFV a comida, ainda que deliciosa, foi coadjuvante. O sorvete de parmesão, os ovos recheados e a salada caprese da entrada estavam deliciosos. A massa com molho de tomate com polpetinni acompanhada com o stracetti também (soube que o molho de abobrinhas estava divino, mas esse não experimentei). A crostatta di ricotta e pera com sorvete de baunilha uma maravilha. Mas a alegria, o carinho e a comunhão foram os atores principais.
A alegria
Talvez seja pleonasmo falar da alegria de um ISB. Ela está na essência de nossos encontros. Como definir o que aconteceu dentro daquela van, com seus brindes, as piadas do Déo, um GPS que insistia em apontar caminhos desconhecidos até mesmo pelos nativos, os memoráveis “Top 5” de Mingão, Edu e Déo, que aos poucos foram incorporados ao ISB?
E afinal, qual seria o Top 5 do ISB FV?
1. Claro que começaria com um mineiro: “amigo é coisa para se guardar. Debaixo de sete chaves, dentro do coração…”
2. Nossa faixa etária não deixaria Titãs de fora, afinal, “a gente não quer só comida, a gente quer a vida como a vida quer…”
3. E como somos contemporâneos, cantaríamos Gil: “Eu quero entrar na rede, promover um debate, juntar via Internet…”
4. E Vinícius nos lembraria como tudo isso começou: “Há dias que eu não sei o que me passa. Eu abro o meu Neruda e apago o sol; misturo poesia com cachaça…”
5. Para finalizar, Gonzaguinha, com aquela que poderia ser a nossa trilha sonora oficial: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz…”
Se muito se comeu, se muito se bebeu, se muito se cantou, se muito se falou naquele dia, alegria foi o que transbordou na casa de Edu, Débora e Renata.
O carinho
Edu, para esse ISB, fez mais do que nos receber. Abriu sua cozinha para os leigos. O carinho com que passou o fogão para Jorge e Eymard fez do chef um professor. Acredito que só conseguimos ensinar alguma coisa a alguém quando demonstramos o prazer que aquele conhecimento nos proporciona. O resultado pode não vir na primeira aula, mas isso, ao professor não importa. Ele tem paciência. E não importou a Edu, “arriscar” nosso almoço, deixando que os alunos o preparassem. E os alunos não decepcionaram: o molho de abobrinha e os “bifinhos” foram aprovados por todos. Ponto para professor e alunos! Às vezes nos deparamos com alunos um pouco mais tímidos, que observam de longe, mas que também conseguem se deixar contagiar pelo prazer do conhecimento. Sinto que a cada ISB venho me aproximando do fogão. Mérito do professor, de seu carinho e sua “metodologia” de presentear seus alunos com máquinas de fazer macarrão!
O carinho esteve presente também em outros momentos, como na troca de presentes. Ali não havia amigos ocultos, só amigos declarados. Os presentes materializavam o carinho do pensar no outro, de preparar-se para o encontro. Muito carinho também no sorriso de Flora e Cleide, ao ver aquele grupo invadindo a cozinha e vestindo seus aventais, previamente selecionados pela Dé.
A comunhão
Está no dicionário…
Comunhão: ato ou efeito de comungar; ação de fazer alguma coisa em comum ou o efeito dessa ação.
Confraternização: com + fraternização.
Fraternização: fraternizar + ção
Fraternizar: unir-(se) como irmão
O dcpv começou da amizade de irmãos de sangue e de vida que, desafiando a correria do dia a dia, se confraternizam toda terça-feira. O ISB começou do desejo de confraternizar-se com novos amigos. O ISBFV selou a amizade, com uma confraternização em torno da mesa e da massa. Nada, nesse encontro, foi mais significativo para mim do que a massa preparada a vinte mãos. Um quilo de farinha de trigo 00, 10 ovos e 10 porções de amizade, misturados delicadamente, incorporando cada um dos ingredientes. Até a aluna tímida colocou a mão na massa, com a ajuda de Déo e sob o olhar atento e muito riso de todos os outros.
Esse foi nosso ISBFV: uma alegre e carinhosa comunhão de amigos. Assustei-me ao perceber que o relato desse ISB, síntese de todos os outros, ficara menor que os demais. Mas foi então que me lembrei de um provérbio chinês que diz: “Às vezes, as palavras mais significativas são aquelas que não são ditas”.
NR – Este foi o 3º relato sobre o encontro iessebeviano, o da Drix (os outros dois foram o meu e o da Sueli). Ainda restam o do Eymard e o do Mingão (que garantiu que vai escrever! rs). Aguardemmmmmmmm!
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