12/11/2011
Giorno Sei - Roma – Itália – Ben (o) Hur(so) amico.
Parece incrível e redundante, mas tivemos mais um belo amanhecer. Muito sol e até um calorzinho que não estava nas previsões.
Como tínhamos um espetáculo épico marcado pra tarde, aproveitamos pra fazer um passeio curto (assim como um bom expresso).
E foi no novo (pros padrões romanos, já que foi inaugurado há 2 anos) museu Maxxi.
Incrível como os romanos menosprezam o novo. Fomos de taxi e quando disse que queríamos ir até o museu, o motorista disse não saber o que e onde era. Como eu tinha me informado, passei o endereço pra ele e lá fomos nós pela histórica Via Flaminia.
Chegamos e a impressão inicial é marcante. Você não espera ver um prédio tão impactante e moderno numa cidade em que a unidade de tempo pra atrações turísticas é medida em séculos.
Tudo impressiona.
A parte externa, onde a afamada arquiteta Zaha Hadid conseguiu transformar concreto em curvas, …
… vidro em espelho …
… e a maluca parte interna com divisões incríveis, …
… além de junções de paredes com placas de ferro …
… e barras de cano vermelhas cruzando todo o espaço.
E claro que como em todo museu deste formato (vide Guggenheim), a grande atração é o prédio. Portanto, a coleção ficou prum segundo plano e tratamos de voltar a pé pro hotel.
O caminho todo foi interessante, já que passamos por um bairro de vizinhança e do dia-a-dia romano.
Vimos vários carros do Mr Bean, …
… uma feira tipicamente italiana, …
… um sex shop fantástico, o Castroni, …
… e chegamos a tempo de nos trocar, pegar um taxi e ir pra nova Fiera Roma.
Pra quem não conhece, é um tipo de Anhembi dos romanos.
E é longe, bem longe. Fica perto do aeroporto.
Nós fomos até lá pra assistir ao espetáculo Ben Hur. Comprei as entradas pelo Ticket One e ao chegarmos, troquei o voucher pelos ingressos.
Quando vi que a nossa fileira era a X, fiquei decepcionado. Só que usando a lógica e os algarismos romanos, cheguei a óbvia conclusão que era a 10.
A idéia principal seria mostrar ao público um espetáculo antigo, romano, com um visual impressionante, boa música (a trilha foi composta por nada mais, nada menos do que Stewart Copelland, ex-Police) e o que nos atraiu bastante: uma corrida de bigas.
O lugar todo é imenso. São pelo menos 14 galpões iguais a este que entramos. E quase tudo foi entregue.
Porque quase? Porque faltou um pouco do calor humano da platéia.
Os lugares estavam ocupados em mais ou menos 10%. O que significou que os atores eram maioria em relação ao público.
E como não tinhamos almoçado, tivemos que apelar e comer alguns panini na lanchonete.
Mezza boca, sim senhores, mas a organização, a plasticidade e a beleza compensaram.
Voltamos pra região do hotel a tempo de tomarmos um legitimo chá inglês na Babington’s Tea Room, aos pés da Scalinatta da Piazza di Spagna.
O lugar é tradicionalíssimo (está lá desde 1892) e já foi palco de discussões de grandes ícones da literatura (Kytes, Shelley, Goethe) e da blogosfera mundiais (não citarei os nomes devido a modéstia).
Pedimos dois ótimos chás …
… e uma degustação de mini-doces.
Pra variar, encontramos mais uma brasileira trabalhando no lugar e ela nos prometeu facilidades pra importar alguns deles pra cidade co-irmã de Ferraci di Vasconcelli. Faremos esta ponte ítalo-brasileira.
Enquanto isso, planejamos o nosso jantar.
Que seria num restaurante próximo ao hotel (e dica do próprio), o AdHoc.
Pensamos em fazer um menu degustação de trufas brancas, pra matar as saudades piemontesas. Chegamos e fomos direto ao cardápio que indicava o tal menu. Perguntamos sobre ele e a dona nos disse que não seria possível, porque o tartufo tinha acabado.
Paciência! Partimos pro sacrifício e fomos pesquisar o menu. Antes de mais nada, frise-se que o lugar é muito bonito, super bem cuidado e homenageia as famílias visitantes.
Optamos por tomar duas taças dum tinto do Castelo di Ama e…
… escolhemos um mix de entradas (aspargos/carpaccio/mil folhas de batata e cogumelos). Perfeito!
Ah! Antes, nos foi oferecido um agrado do chef, uma polentinha verde.
A degustação de pães também foi incrível, ainda mais upgradeada por um excelente azeite toscano.
Quanto aos principais, a Dé escolheu um fresco Maltagliatti com Limão Siciliano …
… e eu, o melhor prato que comemos até agora, a Trilogia de Matriciana.
São 3 interpretações do chefe: uma, a tradicional, outra com cogumelos e a última, a grande revelação da noite; a com trufas negras, certamente das mais aromáticas que comemos até hoje.
A impressão era a melhor possível, especialmente após pedirmos mais duas taças dum bianchetto.
Com o nível de toda a refeição, não poderíamos deixar de experimentar alguma sobremesa: um tremendo Tiramisú.
Bom, foi isto. Imperdível e ainda ganhamos uma garrafa dum espumante dolci como presente.
Terminou mais um dia romano. Começou com a Zaha, continuou com o Ben Hur e finalizou com o AdHoc.
Semanticamente estranho; sensitivamente, exatamente o contrário.
Arrivederci.
Acompanhe os outros dias desta viagem:
Giorno uno – Roma – Mucho gusto. Molto ‘Gusto.
Giorno due –Roma – A primeira (e a segunda, e a terceira, e a enésima) vez na Pizzerie Bafetto a gente nunca esquece.
Giorno Tre – Roma – Itália – Aquarela do Brasile nos jardins do Vaticano.
Giorno Cuatro – Roma – Itália – A biga moderna.
Giorno cinque – Roma – Itália – Mamma mia na terra dela mesma.
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Informação de inutilidade pública: vocês passaram na frente da minha ex-casa. Deu uma saudadona…
Nós fomos ao MAXX também, nesta última viagem, e ficamos chocados com a mesma coisa: nossos amigos não entendiam porque queríamos conhecer essa coisa tão “moderna”.
Maxxi muito contemporaneo para os Romanos! Mas, como disse voce, vale pelo lugar e a arrojada arquitetura. Sinceramente tem muito do que se chama de “arte contemporanea” que nao consigo nem compreender.
Sensacional. Estou louco Pará conhecer esse tour.
Parabéns!!!!
Marcie, que dizer que não nos encontramos fisicamente, mas …
Sócio, é mesmo. Elas acham um absurdo o prédio não ter pelo menos, mil anos!
E como você não consegue entender a arte contemporânea?
Flávio, grazie. E que tour? rs
Abs maxximizados pra todos