final de semana em Brasília
22 a 24/06/2012
ISBSB - “Onde quer que haja mulheres e homens, há sempre o que fazer, há sempre o que ensinar, há sempre o que aprender.” Paulo Freire (by Sueli OVB)
E assim funciona essa turma enxerida dos ISB, que, curiosíssimos, chegamos muito mais para aprender e aprender-se que para ensinar, num convívio onde intuição, compreensão e parceria falam mais alto que conhecimento e experiência .
Como das outras vezes, antes do dia D, muita troca de e-mails, confabulações, arranjos e decisões, que nem sempre são cumpridas à risca. Ainda bem! Ficou combinado que os elaboradores e protagonistas do novo menu seriam Eymard, Adriana e Jorge, o resto da turma daria suporte.
SERIAM, perceberam o tempo do verbo? Seriam, se todas as condicionais se mantivessem, mas o Jorge logo pulou fora. Ele prefere ser conduzido a comandar.
Eymard e Adriana nem chegaram a estabelecer um acordo e quem resolveu mesmo o menu foi o Edu, com total aprovação do Eymard. Os dois haviam acabado de chegar da Borgonha, onde fizeram uma aula gastronômica, e acharam que alguns dos pratos, pela simplicidade de elaboração, poderiam ser reproduzidos no nosso almoço.
Mas se esqueceram que Adriana é “menina mimada” e ainda não apurou o paladar. Dizem os especialistas que um novo alimento, para ser aceito por uma criança, deve ser oferecido no mínimo sete vezes. Considerando que só estávamos no nosso 5º encontro, ainda não havíamos repetido pratos e que a Adriana está longe de ser criança, fazê-la aceitar certas extravagâncias seria caso perdido.
Resultado: Não fosse a “aula” de como fazer omelete “rico” e “pobre”, as gougères (que são praticamente um pão de queijo metido a besta) e a torta de maçã (que estava acompanhada de sorvete), ela teria saído a ver navios. Mas na verdade eu acho que a Adriana se alimenta é da bagunça e das diferenças.
No meio de uma grande reforma, provas de final de semestre e viagens havia um ISB, e felizmente ele aconteceu em Brasília, do contrário não sei se eu daria conta. E com minha cabeça “Zero” para tomar providências, o casal Loguércio assumiu, de maneira irretocável, o papel de anfitriões, as reservas de restaurantes e o roteiro turístico.
Mingão e Regina furaram mais uma vez. Déo, a gente nem comenta mais e depois de uma sequência de atrasos de voos e complicações na reserva do hotel da Adriana, a sexta-feira terminou deliciosamente no restaurante da Grand Cru, lugar agradável, salão privado para os ISBs, comida correta e bem apresentada, atendimento cordial e profissionalíssimo, vinhos de qualidade. Tudo perfeito.
O sábado estava lindo e começamos nosso tour pela estonteante Catedral Metropolitana de Brasília, onde a arquitetura de Niemeyer e os vitrais de Marianne Peretti nos enlevam. Encanto geral para iniciantes, iniciados e viciados. Impossível ser indiferente!
Do outro lado da rua, uma visita externa ao Museu da República, mais recente obra de Niemeyer na capital, onde uma manifestação tornava o ambiente meio caótico.
Um pouco mais à frente, seguindo pela Esplanada dos Ministérios, o Palácio do Itamaraty, obra grandiosa, que não deixa dúvida quanto à genialidade e talento do arquiteto Oscar Niemeyer, do engenheiro estrutural Joaquim Cardoso, do paisagista Burle Marx e tantos outros artistas ali representados, com destaque para Bruno Giorgi, que assina o “Meteoro”, escultura que, apesar de seu peso e tamanho, parece flutuar sobre o espelho d’água à frente da fachada de magníficos arcos, o que lhe rendeu primeiramente o nome de Palácio dos Arcos.
Para felicidade geral, a visita guiada estava liberada e aguardamos ansiosos pelo espetáculo.
Lá de cima, através dos arcos do maior hall sem colunas do mundo, 2.800m² de área, tem-se uma visão privilegiada do Congresso Nacional, do Palácio da Justiça e da Esplanada dos Ministérios, além de sua beleza interna, com jardins abertos de Burle Marx e inúmeras esculturas.
No decorrer da estimulante visita, lembranças de décadas atrás foram aflorando em mim. Difícil saber quem mais se encantou com tanta modernidade, criatividade e suntuosidade discreta, se a menina do primário, deslumbrada com aquela beleza inusitada ou a mulher adulta, um pouco viajada e entrosada com as artes. De qualquer forma, Brasília e seus monumentos sempre me deslumbraram.
Depois, seguiu-se uma rápida e pouco proveitosa visita ao foyer do Teatro Nacional; já se fazia tarde e tínhamos um almoço a executar.
A linda mesa posta que nos esperava na casa do Eymard e da Lourdes, e os mimos graciosamente dispostos sobre um móvel, completavam o ciclo de belezas do dia.
Mimos para cá, mimos para lá, brinde borbulhante, todos paramentados de cozinheiros, e a hora já ia longe!
Muvuca é pouco para definir o que virou a cozinha dos Loguércio. Mas sob a batuta do mestre Edu e colaboração de todos, chegamos brilhantemente ao final.
As gougères ficaram uma beleza; a salada gelada de cogumelos com suco de clementines, queijo e rapadura, surpreendente; o risoto de abóbora, uma maravilha; a torta de maçãs quentinha, contrastando com o geladinho do sorvete e as mignardises servidas com o café um exagero de bom.
Terminamos o almoço junto com a tarde. Calibradíssimos – menos a Adriana, claro, coca-cola e água não dão barato – e ainda tínhamos um jantar pela frente.
Não fosse pela companhia, o visual incrível do lugar e as instalações do restaurante, eu diría que o jantar no SOHO foi sofrível. Só isso!
E como sempre há uma boa dose de realidade, de rotina e de obstáculos em nossas vidas, embora esse tenha sido um obstáculo para lá de bom, eu e Jorge abrimos mão do tour de domingo para ficarmos um pouco com nosso filho e nora, que sequer puderam ficar hospedados em nossa casa, e nos encontramos, todos, para almoçar no Oliver, um lugar do qual gostamos muito e o primeiro restaurante onde levamos nossa norinha, quando ela veio nos conhecer. A paella deles é imbatível e o nosso prato predileto.
Os amigos foram embora mais cedo e ainda nos restou um fim de tarde para abrandar as saudades e massagear o coração com o filho e a nora.
Abri e vou fechar o texto com palavras de Paulo Freire: “A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria”.
Por isso a gente continua se procurando, se encontrando, ensinando e aprendendo uns com os outros, sempre cercados por belezas e com muita alegria.
Até o próximo ISB! Que ele nos promova alegrias e ensinamentos, como todos os outros.
Acompanhe o meu relato sobre os 3 dias da viagem a Brasília:
Primeiro dia – ISBSB – Lá vamos nós pra Brasília.
Segundo dia – Um almoço ecumênico e miscelânico.
Terceiro dia – A torre Eiffel de Brasília.
E a visão da Drix : Experiências de aprendizagem pessoal e coletiva… ou, como ser um bom professor!
.

































Comentários