12/11/2011
Giorno Cinque – Roma – Itália - Mamma Mia na terra dela mesma.
Parece brincadeira e coincidência, mas no mesmo no dia da renúncia do signore Berlusconi, o bungabunga, o sol continuou a brilhar.
Aproveitamos pra dormir um pouquinho mais (se anda muuuuito em Roma) e como iríamos ao teatro a tarde (e não era o de Marcello), subimos a pé pela Via del Corso (que se chama assim justamente por causa dos desfiles de carnaval que eram feitos nela) e entramos no Foro Romano.
Como o ingresso pro Coliseu (aquela beleza) vale também pro Forum e por dois dias, aproveitamos pra entrar e passear por uma autêntica aula de História.
Antes passamos pela Máquina de Escrever e pelo Capitolino, até seguirmos totalmente o passeio 3 do guia Roma – Roteiros pra você explorar a pé, intitulado o “Berço de Rômulo e Remo“.
Como escrito lá, “o antigo Forum era o centro político, econômico e religioso do Império Romano. Foi aqui dos seus púlpitos que figuras históricas como César falaram às massas, discutiram nos tribunais e moldaram o destino da Europa moderna“.
E não é que é exatamente isso?
Você anda pela Via Sacra e realmente se sente pisando no mesmo caminho dos imperadores triunfantes quando voltavam da guerra (é claro que violências à parte).
E vê a sigla SPQR (Senatus Populesque Romanus) e o antigo selo da República Romana em toda a parte.
Passa pelos famosos arcos de Settimio Severo e di Tito, …
… além de ver um tributo a Nero com direito a arvore genealógica (é, ele tinha mãe!) …
… a Casa das Virgens Vestais …
… e fique pensando o tempo todo em “como foi que estes caras fizeram isto tudo naquela época?”.
Vê até rúculas selváticas floridas no meio de toda esta História. Será que o Nero gostava de rúcula? rs
Passamos também pelo Palatino, que tem uma vista linda da cidade, …
… circundamos o Coliseu …
… com a possibilidade de ver ângulos …
… diferentes …
… desta beldade …
… e cruzamos a Domus Aurea pra chegar ao teatro. Pra quem não sabe, a Domus Aurea é a mansão que o doido do Nero construiu do lado do Coliseu e num terreno onde ele optou por botar fogo pra fazer todo mundo sair de lá.
Pra ver a maluquice dele, basta ler este parágrafo do Guia: “o imperador Nero sucedeu a seu padrasto Cláudio aos 16 anos de idade, depois que a sua mãe, Agripina, envenenou o marido pra colocar o filho no poder. Mas ele foi mais do que ingrato e mandou matar a mãe com uma surra. Depois assassinou a esposa, encontrada com os membros amarrados e as veias cortadas dentro duma banheira. Ele se casou com a amante, mas matou-a a pontapés quando estava grávida”.
Ou seja, todos os romanos seriam suspeitos se ele tivesse sido morto, ao invés da suposto suicídio.
Finalmente chegamos ao Teatro Brancaccio. E pra ver a versão italiana do musical Mamma Mia!
Trocamos os ingressos reservados pela Internet e fomos almoçar numa trattoria próxima dali, a Monti.
Como não tínhamos reservado e não existiam mesas disponíveis, recebemos um “não” quando perguntamos se tinham algum lugar vago. Estávamos quase na rua quando o garçom veio nos avisar que uma senhora que estava sentada sozinha numa mesa pra quatro, dispôs de dois lugares.
Ela era da Estônia e pudemos conversar bastante. Disse que ficou com pena da gente, já que a comida da Monti é insuperável. E é mesmo!
Estávamos com pressa e a Dé pediu como entrada uma porção de fritos (flor de abobrinha, azeitonas e uma massa de milho) …
… e eu, um carpaccio de bacalhau.
Tomamos uma jarra de 1/2 litro dum Verdicchio e como principais, pedimos Fetuccine alla Bolonhesa pra Dé e …
… um tremendo espaguetti pra mim, que originalmente seria com anchovas, mas que segundo o atendente, excepcionalmente seria com pulpitos. Bingo!
E a a estoniana estava certo. Tudo esteve absolutamente perfeito.
Saímos correndo pra entrar no teatro e tudo bem que não pudemos tirar fotos, mas foi muito legal.
A adaptação de tudo, a platéia totalmente lotada, a passionalidade italiana. Enfim, assistir a Mamma Mia! com os diálogos e as músicas em italiano, foi puro divertimento.
Aconselho firmemente assistir a algum espetáculo pra sentir o verdadeiro clima do lugar.
Voltamos ao hotel a tempo de nos preparamos pro jantar. E num restaurante próximo da Piazza Navona. Era na Osteria dell’Antiquario.
Como o próprio nome induz, é um lugar antigo, o que não seria nenhuma novidade em se tratando de Roma.
E especialmente, e você verá, tudo é old fashion.
Iniciamos com duas taças de Prosecco e um menu bem eclético pra fazermos as escolhas.
A Dé, que está fazendo uma pós em Caprese, escolheu uma quente temperada com azeite e manjericão.
Eu fui de camarões com caponata e raspas de limão siciliano.
Tudo fresco e muito bem feito. Tomamos uma meia garrafa dum bianchetto e pedimos os principais (é, Mamma Mia! dá fome!): a Dé optou por um Agnolotti à Matriciana e …
.. eu, por um Fetuccine ao ragu de lagosta, com a carcaça da própria adornando o prato.
Excelentes e com uma apresentação mais do que antigona.
O que resultou numa comida reparadora, de memória e muito saborosa.
Passamos direto pelas sobremesas, e devido a quantidade de comida digerida, resolvemos voltar a pé pro hotel.
Estava bastante frio, mas mesmo assim foi bacana passar pela Piazza Navona …
… e pelo Pantheon iluminados pela luz da lua …
… até ultrapassarmos a multidão de pessoas que ainda se aninhavam na região da Piazza da Spagna e …
… que se confraternizavam pelo término da era ítalo-bungabunganiana.
Arrivederci.
Acompanhe os outros dias desta viagem:
Giorno uno – Roma – Mucho gusto. Molto ‘Gusto.
Giorno due –Roma – A primeira (e a segunda, e a terceira, e a enésima) vez na Pizzerie Bafetto a gente nunca esquece.
Giorno Tre – Roma – Itália – Aquarela do Brasile nos jardins do Vaticano.
Giorno Cuatro – Roma – Itália – A biga moderna.
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