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dcpv – da cachaça pro vinho – 3º interblogs – comidas caseiras no dcpv

número 174
26/03/08

dcpv – 3° interblogsComidas Caseiras no dcpv

Fala a verdade! Quando você lê as palavras “comidas caseiras”, não dá aquela saudade?
Saudade daquela comidinha que só a mamãe (ou a vovó, a titia, a mainha, a empregada, etc) fazia? E que você comia com tanto prazer que consegue lembrar até hoje daquele sabor tão especial?
Pois bem!
Através dos comentários do post sobre o 3º Encontro Inter-Blogs com a indicação do menu pela gentilíssima Marizé do estrelado blog Tachos de Ensaio, fiz contato com o LPontes, admirador das Comidas Caseiras e condutor do blog com o mesmo nome onde o objetivo  principal segundo a descrição dele mesmo é ” LPontes ambiciona organizar uma espécie de museu ou livro de memórias gustativas da cozinha das mães e avós”.

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Bom, conversa vai, conversa vem; comentário meu no Comidas vai, comentário do LPontes no dcpv vem; e-mail vai, e-mail vem e aí propus pra que ele indicasse um menu Português com receitas de outrora.
Ele aprimorou a ideia e disse : “Já que estamos na Páscoa porque não fazer um menu Pascoalino Português de outrora?”.
Grande ideia que nos levou a este encontro que tentou reproduzir “um jantar familiar de festa, ou seja, Sopa, Prato de Peixe, Prato de Carne, Sobremesa, Café e Aguardentes ou Licores” (ufa!!!).
Ora, vamos antão ao “sacrifício”!

Comida caseira inesquecível da Dé: creme de palmito feito pela mamãe (e minha querida sogrinha) Vera.

A – Creme Aveludado de Feijão

Já que o assunto é comida caseira e consequentemente lembranças de coisas tradicionais, nada melhor do que começar a noite com belas caipirinhas de limão (taiti e cravo) e pinga. É, parece que hoje vamos realmente da cachaça pro vinho!

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O Creme é verdadeiramente aveludado (daria até pra fazer uma calça de veludo com ele!). É uma receita bastante demorada mas imagine um  belo caldo feito com tutano de ossos misturado ao feijão Catarino?demolhado por 18 hs e que foi cozido com alho, sal e azeite. E além disso, você ainda frita uns cubos de pão no azeite pra acompanhar. Bom, bom e bom !
Se você quiser a receita completa, vá dar uma passeada no Comidas Caseiras! Você não vai se arrepender!

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Comida caseira inesquecível do Edu: bolinhos de arroz feitos pela minha querida esposa Dé (xiii, tem a farofa da minha mãe também).

B – Bacalhau com Broa de Milho

“Este prato que é um antepassado dos modernos peixes en crôute de pão, tem sobre as crôutes de sal a vantagem de se comer também esta deliciosa carapaça estaladiça, que constitui seu acompanhamento.”

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Foi assim que o LPontes descreveu esta receita. E não precisou dizer mais nada porque o bacalhau ficou dos deuses, pois além de fritar as postas rapidamente no azeite, coloquei-as no forno sobre uma cama de cebolas roxas e com uma crosta formada de broa de milho esfarelada, azeite, alho, leite, vinho branco, colorau e pimenta.

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O contraste entre o salgado do bacalhau com o doce da crosta é que faz este prato ser tão diferentão e gostoso!
Simples e excelente !

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E ainda mais acompanhado de um belíssimo vinho tinto (sim, escolhemos um tinto pois como o próprio LPontes diz “bacalhau não é peixe, bacalhau é bacalhau!!”) Flor de Castro Douro 2004 que se mostrou “perfeito, bacalhoso, chicobuarqueano, per-fumoso” segundo os miúdos, nós mesmos!

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Comida caseira inesquecível do Mingão: bacalhau e feijão branco ao leite de côco feitos pela mamãe Maria Cristina.

C – Ensopado de Borrêgo

Comidas caseiras é o nosso assunto, certo? O LPontes confirmou esta ideia ao indicar esta receita por ser feita ” por nossa querida empregada alentejana, a Gina, que honrando a sua origem achava que Páscoa não era Páscoa sem um ensopado”.
E reafirmando, querendo esta receita visite o Comidas Caseiras pois ela foi, inclusive, dedicada ao “Eduardo Luz, que um dia destes, lá na lonjura de São Paulo, vai ter um jantar Pascal bem Português!”
É Luis, chegou  o dia ou melhor, a noite! Oba!!!

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Resumindo, é um prato em que o borrêgo (o cordeiro) foi cozido à exaustão e um caldo espetacular foi formado. Aí foi só montar com fatias de pão, folhas de hortelã, o caldo e pedaços do borrêgo. Novamente o contraste entre a carne, o molho, o pão ( ai que saudades daqueles pães “molhados”) e o hortelã foi de “parar o trânsito”! ( se bem que aqui em SP esta afirmativa não está valendo muito atualmente. Vamos melhorar… foi de fazer o trânsito fluir tranquilamente !!! Aí, sim!!! ).

Tomamos um Cabernet Sauvignon Quinta da Bacalhoa 2005 que segundo os lusos-brasileiros, nós mesmos, foi “oxidado, iodado, loborgeano, tanoso“. Ou seja, cumpriu com a sua missão!

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Comida caseira inesquecível do Déo – macarrão caseiro ralado da calabresa mamãe (a nossa) Anina.

D – Pão de Rala

Reza a lenda: O jovem D Sebastião reinava no final do sec XVI e fez uma visita real ao convento de Sta Helena do Calvário, em Évora. E como estava muito sol (estava a “zurzir a charneca” ) foi lembrado a madre abadesa que deveria oferecer um “refrigério” a Sua Majestade. A monja respondeu que só havia “pão ralo, azeitonas e água”. O Monarca comeu, apreciou e voltando ao Paço, mandou uma boa recompensa ao pobre convento. Em agradecimento, a criatividade monástica criou o Pão de Rala que é uma mistura de gemas, açúcar, amêndoas peladas e raladas, raspas de limão e recheado com doce de Gila, fios de ovos e ovos moles. No final, se polvilha com açúcar e é só comer!!
Este é o que podemos chamar de um verdadeiro doce conventual na acepção da palavra. E pra cultura geral, doce de Gila nada mais é do que doce de abóbora (menina) feito sem qualquer contato com objetos cortantes (ou seja, como antigamente mesmo!).

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E conforme indicado pelo LPontes, acompanhamos com uma bela dose do Porto Adriano Ramos Pinto Reserva que nos fez sentir como verdadeiros monarcas.

Comida caseira inesquecível do LPontes (ele me disse pra eu escolher no blog): Batatas com Alecrim (a murro) feitas pela esposa Maria José.

Pra continuar com a nossa tradição, aqui vai o nosso presente virtual pro LPontes que é uma comida super caseira por aqui, a nossa feijoada. Infelizmente não poderei mandar, mas fica o convite: quando vier ao Brasil, a feijoada (ou melhor, o risotto de feijoada como o do prato) está garantida!!!

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E os nossos agradecimentos ao LPontes por nos proporcionar uma noite tão agradável; pela comida tão Portuguesa e preparada de uma maneira tão Portuguesa; pelas informações contidas em cada uma das receitas ou seja, por tudo!

Fica um desafio: se você que está nos lendo tem também uma comida caseira inesquecível que lhe traz grandes recordações, aproveite e deixe um comentário citando qual é esta comida e quem a faz (ou fazia). Vamos lá, dê sua opinião!

Grandes lembranças pra todos e até o próximo interblogs (o 4º) que será em abril com a indicação do menu pela brasileira-californiana Fer do Chucrute com Salsicha.
Até !!

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dcpv – da cachaça pro vinho – marilyn monroe disse: happy birthday to you, déo!

número 172
05/03/08

dcpv – Marilyn Monroe disse: Happy Birthday to You, Déo!

O decano do DCPV, o meu irmão Déo, fez aniversário ontem (04/03). E aproveitando este belo acontecimento, fizemos uma festinha totalmente italiana pro nosso querido confrade.
Ele é o responsável por escrever todas as introduções dos posts regulares, um barman de primeira linha (nem ele sabe disso !)  e um ítalo-santista emérito! Apaixonado por tudo o que é tipo de comida , inclusive dobradinha (ôpa, arraia de jeito nenhum!), é um cara muito legal além de gostar bastante de computador.
É disparado o melhor irmão que eu tenho (do sexo masculino, óbvio!) e é muito bom ter as abobrinhas e o bom humor dele por perto. Deixa eu parar por aqui porque,  família italiana…  sabe como é . Daqui a pouco tá todo mundo chorando !

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E já que o assunto é Itália (mama Anina nasceu na Calábria), optei por fazer um menu italiano basicão : risoto à milanesa, abobrinhas (olha elas aí em forma de alimento) em marinada, spaghetti de grano duro (feito pela Dé) com rúcula e pudim de melancia. Pudim de melancia? Eu explico depois!

Feliz aniversário, Déo, e muitos anos (e consequentes  quartas-feiras ) de vida!

Drinque : Green Apple Martini

Consegui a permissão de todos pra servir o drinque que o Michel colocou lá no Khodair . Se não é italiano, deveria ser de tão gostoso que é. Trata-se de um martini que leva 1 dose de Monin Green Apple, 2 doses de Vodka (usei a Absolut 100) e 2 doses de suco de maçã verde coado milimetricamente nove vezes. Não me pergunte o porque, mas com 9 coadas ele ficou sensacional. Tomamos aos “litros”!

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Música incidental :
Chegou a hora de apagar a velinha. E de cantar aquela musiquinha. Parabéns (tá,tá,tá), parabéns (tá,tá,tá). Pelo seu aniversário!

Entrada : Abobrinhas Marinadas

Como entrada, uma bela abobrinha marinada, receita tirada do livrinho Itália (Folha, pag 17).
Ela foi cortada em fatias longitudinais, frita, misturada com vinagre, alho, sal e curtida 24 hs na geladeira. Uma delícia !

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Primo Piatto : Risoto à Milanesa .

Dar a receita de um risoto à Milanesa é uma verdadeira piada. Todo mundo que cozinha já fez um destes pelo menos uma vez na vida (e qualquer coisa, o Google taí!) mas a novidade (pelo menos pra mim) é serví-lo como primeiro prato.
E a opção por ele foi pra homenagear o Déo com uma das mais tradicionais comidas italianas: o risoto al dente!

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Tomamos pra acompanhar, um Espumante Rosé Aliança Bruto Português que comportou-se como “com ‘buinhas’, ítalo-lusitano, os brutos também amam, saaresco, buoníssimo¨ segundo a opinião do mafioso Déo e seus asseclas!

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Mais música incidental :
Parabéns a você, parabéns! Muitas felicidades! Muito anos de vida também. E sempre a nossa amizade!

Secondo – Spaghetti com Rúculas e Pimenta Dedo de Moça.

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Veja que bela massa a mama Dé fez!

Receita simples: massa feita em casa (1 ovo para cada 100 g  de farinha de grano duro ). Rúcula cortada e levemente refogada em azeite; pimenta dedo de moça (sem as sementes); manteiga derretida; parmesão (granna padano!!) em pedaços e manjericão pra decorar. Uma pena o computador não conseguir passar o cheiro deste prato! Lindo, tradicional e … italianíssimo!
Não é por nada, mas além de ser uma bela massa ainda tem as cores da bandeira italiana !

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Acompanhamos com um Tinto Briccolo Cabernet Friuli 2004 (Itália) que, após conversas com as mãos, ficou decidido que era “D. Anina, vinho macarrônico, nino o italianinho, competentíssimo, maravilhoso” segundo, os gondoleiros de Veneza, nós mesmos!

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E tome música incidental :
Feliz aniversário! Luz dos olhos meus. São os meus ardentes votos. Feliz aniversário pra você!

Postre – Pudim de Melancia

Pudim de melancia? Italiano? Eu não tenho nada com isso. Apenas peguei uma receita do livro Sabores da Sicília que mostra este pudim de melancia com calda de chocolates como uma sobremesa tipicamente siciliana, portanto, italiana. E olha, não é só cara que está boa!

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Ainda tomamos uma pequena dose do Limoncello Pellegrino, o italianíssimo e rebatemos com o a anisete da mama Anina, que estava presente no aniversário do filhinho! (Ah! A Re também deu cano na escola e o quorum esteve altíssimo!)

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Leia o que os carcamanos, nós mesmos, acharam do aniversário do Déo:
Os melhores abobrinhas, risoto, spaghetti e pudim de melancia que eu comi na vida!! (Mingão, oops, Edu)
Faço minhas as suas palavras ! (Edu, ops, Mingão)
Faço minhas, vossas palavras! (Mingão, ops, Edu, ops, Déo)

E já que a mamãe veio na nossa bela quarta, encerramos este relato com uma foto dela e do aniversariante, um dos 3 tenores, o Déo  Viva o Déo!!!

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Última música incidental (eu prometo!)
Era eu, era eu! Era eu, era eu! Era eu, a criancinha! Era eu, era eu! Era eu, era eu!. A alegria da minha mãezinha!!

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dcpv – da cachaça pro vinho – ó xente, bixim!

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número 95
16/11/05

dcpv – Ó Xente, Bixim!

Introdução – Meio sem “voglia”, porém cumprindo o dever assumido, registramos mais um prazeroso encontro “quartafeiral”. Grafar “maravilhas esperadas” seria um pleonasmo exaustivamente usado! Melhor brandir os talheres e “virar os olhinhos”!

Vinhos

Rosé Mont Gras

Tinto Monte Viejo

Menu 

Entrada – Espaguete de tapioca ao pesto nordestino (Prazeres da Mesa Nov – pag 108)

Principal – Filé trançado de presunto com ervas (Prazeres da Mesa – Out)

Sobremesa – Manga + Abacaxi + Sorbet de limão com ervas gastronômicas(Edu)

Observações finais

Comida boa. Timão péssimo! (Edu)

Adorei a noite!! (Déo)

Time f.d.p.! (Mingão)

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Fotos da decoração da  mesa do restaurante Al Mahara do Burj Al Arab (é claro que as fotos eram proibidas, mas demos um jeitinho (viva o Brasil) e de um pot au feu de frutos do mar espetacular que eu tive o prazer de comer completamente acompanhado de um belo Chablis que eu não lembro o produtor. Preste atenção na crocância dos legumes e na maciez do peixe, da vieira, do marisco …. Deu pra eu me sentir um verdadeiro sheik !!!

Explicação – Fiz um espaguete de tapioca que ficou bem diferentão e bastante saboroso. E a mistura de frutas (abacaxi e manga) com ervas gastronômicas (manjericão e tomilho) e azeite continuava fazendo muito sucesso. Agora o Timão… estava a mesma bomba de sempre !( e olhe que ainda não imaginávamos o que viria pela frente!)

A HORA DAS ESPECIARIAS

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Gengibre – De sabor picante, ele é ricamente usado pela cozinha oriental.Na África, aromatiza o cuscuz. Os jamaicanos usam em biscoitos. No Brasil, o gengibre está na cocada nordestina e no quentão. Use também em geléias e combinado com cravo e canela.
E em algumas caipiroskas (a de abacaxi com gengibre é um  espetáculo)! 

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dcpv – da cachaça pro vinho – gorgonzola: doce e salgado !

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número 94                                                                               09/11/05

Gorgonzola : Doce e Salgado !

Introdução – “Batatinha quando nasce, esparrama a rama pelo chão; quando a comida (as quartas) vem no prato; não sobra nada não !!!
Exercendo o sacrossanto direito de livre arbítrio literário !!! Tava com vontade de escrever abobrinhas nesse TG’s day !

Bebida

Hi-Fi

Vinhos

Pinot Noir Dal Pizzol Brasil

Chardonnay Errazuriz 2004

MENU

Entrada – Emulsão de gorgonzola (JT)

Crepaze de agrião com queijo gorgonzola (Toigros)

Principal – Salmão caramelizado com gergelim e arroz integral (Troisgros)

Sobremesa – Maçãs condimentadas com aniz (Boticário)

Observações finais

Doce + salgado + suave + amargo = muito bom ! (Eduardo)

Salmão imperdível !!! Sobremesa maravilhosa . (Mingão)

Melravilhoso o salmel ! (Déo)

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Fotos do interior do Burj Al Arab em Dubai, visto de baixo para cima; repare que cada um dos pontos coloridos corresponde a um andar e que tudo que aparenta ser ouro, realmente é . E de prato que a Débora comeu no almoço do Al Mahara, o restaurante submarino do Burj. Repare que tudo que parece ser ouro no prato, é ouro ! Ela comeu um risoto de cogumelos, aspargos, trufas e …. folhas de ouro ! Brega ? Talvez , mas a comida estava uma delícia !!!  E a saga continua no próximo post !

Explicação – Mistureba danada. Gorgonzola + maçã  condimentada + aniz + salmão + agrião + gorgonzola. Uma verdadeira “ONU” dos alimentos !
E olha que eu não sabia que seria  convidado (mesmo porque o post é de nov/05!!) pra assistir à pré-estréia do Estômago, o filme,  pois sem querer estava prevendo que um dos ingredientes marcantes da película seria o… Gorgonzola !

A HORA DA ESPECIARIA

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Zimbro – É ótimo para temperar carnes de caça, além de molhos, patês, conservas, refogados de carne e receitas com batata. Estimulante do sistema digestivo, é usado no chucrute ( com salsicha?), para aromatizar o gim inglês e uma cerveja sueca. Experimente no cozimento do feijão. ( Ainda não experimentei mas vou experimentar !)

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dcpv – da cachaça pro vinho – teorema de neruda: mar + terra = céu

número 171
27/02/08

dcpv – Teorema de Neruda : Mar + Terra = Céu

Uma amiga do Déo, a Adriana Simões (a Drix) de BH, mandou um cartão postal pra ele. Ela escreveu o seguinte :
Saber vem do latim “sapere” – ter gosto e por isso não significa apenas “conhecimento”. Significa também “ter sabor”. Poeta é aquele que com sua sabedoria, que vem dos sentimentos, dá sabor as palavras. Com seus poemas, Neruda nos sacia a alma.
Felices Miércoles! Besos, Ed
!” Adriana, 29/01/08

Dá uma olhada no cartão postal :

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E leia o que está escrito nele :

ODA AL CALDILLO DE CONGRIO

En el mar tormentoso de Chile vive el rosado congrio, gigante anguila de nevada carne.
Y en las ollas chilenas, en la costa, nació el caldillo grávido y suculento, provechoso.
Lleven a la cocina el congrio desollado, su piel manchada cede como un guante y al descubierto queda entonces el racimo del mar, el congrio tierno reluce ya desnudo, preparado para nuestro apetito.
Ahora recoges ajos, acaricia primero este marfil precioso, huele su fragancia iracunda, entonces, deja el ajo picado caer con la cebolla y el tomate hasta que la cebolla tenga color de oro.
Mientras tanto se cuecen con el vapor los regios camarones marinos y cuando ya llegaron a su punto, cuando cuajó el sabor en una salsa formada por el jugo del océano y por el agua clara que desprendió la luz de la cebolla, entonces que entre el congrio y se sumerja en gloria, que en la olla se aceite, se contraiga y se impregne.
Ya solo és necesario dejar en el manjar caer la crema como una rosa espesa, y al fuego lentamente entregar el tesoro hasta que en caldillo se calienten las esencias de Chile, y a la mesa lleguen recién casados los sabores del mar y de la tierra para que en ese plato tú conozcas el cielo
.”
Pablo Neruda.

Eu juro que não conhecia este poema! Mas é lindo demais e é uma belísssima receita que você faz na proporção que lhe convier (pra nós que gostamos de cozinhar não tem receita melhor do que esta!).
Traduzindo para o português a parte final do poema (me recuso a traduzir o restante pois ele, pelo menos pra mim, é mais bonito ainda com a sonoridade do castelhano!) fica assim:
E a mesa chegam recém-casados, os sabores do mar e da terra, para que neste prato tu conheças o céu“.
Vou insistir! É lindo demais e como eu descobri alguns outros poemas de Neruda sobre alimentos (e sobre o vinho também) estava montada a nossa noite de quarta-feira.
Felices Miércoles para nosotros !

Uno – Papa e Cebolla

Começamos a noite com uma pequena adaptação. Como não achei a receita do Pisco Sauer, o Déo improvisou (magnificamente, por sinal) e fez um Pisco Sun Rise. Muito bom !

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Com estas duas maravilhosas Odas …

Cebolla –

Cebolla, luminosa redoma, pétalo a pétalo, se forma tu hermosura.
Escamas de cristal te acrescentaron y en el secreto de la tierra oscura,
Se redondeó tu ventre de rocio
“… Neruda

Patata –

Papa, te llamas papa y no patata, no nasciste con barba, no eres castellana: eres oscura como nuestra piel, somos americanos, papa, somos indios“… Neruda

… escolhi uma Sopa Creme de Batata Doce e Gengibre (Batatas – pag 30) que é quase um mingauzinho salgado e ardido pela presença do gengibre. Acompanhamos com Cebolas Marinadas (Cozinha Mediterrânea – pag 52) e Minicebolas Carameladas (Claude Troisgros -pag 52). Estou econômico nas descrições pois a como a comida se encaixou perfeitamente com as poesias, o silêncio já falava por si.

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Tomamos um Rosé Syraz Petit Verdot 2006 Vina Chocolan (Chile) que mostrou-se “swetty, irmão gêmeo da sopa, poesia, nerudesco” e que, certamente, Neruda tomaria quando estivesse em La Chascona!

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Dos –  Congrio, Limon y Tomates

A receita mais simples e provavelmente (até pelo encanto) a mais saborosa que eu já fiz na minha vida (ó o Mingão baixando em mim!!).
Leia a Oda ao Caldillo de Congrio novamente e você sentirá o sabor do caldillo que é pura poesia !

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Vamos a mais Odas:

Limon –

De aquellos azahares desatados, por la luz de la luna, de aquel olor de amor exasperado, hundido en la fragancia, saliò del limonero el amarillo, desde su planetario bajaran a la tierra los limones“… Neruda

Tomate –

La calle se llenó de tomates, mediodia, verano, la luz se parte en dos mitades de tomate, corre por las calles el jugo“… Neruda

E este belo Congrio foi maravilhosamente acompanhado por uma arroz Basmati “limonado” (by Edu) que foi formado pelo arroz misturado a limão siciliano confitado e temperado com um espetacular sal de limão.

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O vinho ? Um Chardonnay Chateau los Boldos 2007 (Chile) que foi “siciliano, lemon wine, lemoncello, nerudesco” segundo, a esta hora, os poetas, nós mesmos! E é claro que Neruda cansou de tomar este vinho em La Sebastiana !

Tres – Vino

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E infelizmente, a última Oda :

Vino –

Vino color de dia, vino color de noche, vino con pies de purpura o sangre de topacio, vino, estrellado hijo de la tierra,“… Neruda

Fiz um sagu de vinho com calda de chocolate (receita tirada do blog do Luiz Horta ). Ele foi  feito com suco de uva fresca e com um Cabernet Sauvignon Casa Perini 2002 (Brasil). O morango entrou como efeito estético pra realçar a produção fotográfica. Chique, não ?
Outra poesia em forma gastronômica que bem poderia passar por uma obra de Miró!

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Acompanhamos com uma bela dose de Lemoncello Pellegrino  uma homenagem italiana ao nosso querido Neruda) pois o limão junto com o caldillo do prato principal ainda estavam na nossa memória gustativa.
E certamente, quando Neruda estivesse com “larica”, ele comeria/beberia esta dupla lá na Isla Negra.

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Bom, é isso aí!
Grato a Adriana, a Drix, por através desta bela lembrança nos levar a uma tão ou mais  bela, pois ficamos sem saber onde começava a poesia e onde terminava a gastronomia. Uma coisa é certa : este menu seria muito pior (ou menos bom) sem a poesia de Neruda.
Pra terminar, ficam as impressões dos andinos, nós, sobre a noite:
“Neruda descreveria esta noite com uma Oda às Quartas”! (Edu)
Esta pequena homenagem ao Poeta valeu o prêmio Nobel da Gastronomia“. (Mingão)
Inesquecível! A conotação correlativa com as “odas” de Neruda se materializou! Soberbo! (Déo).

Até a próxima !

Amo sobre una mesa, cuando se habla, la luz de una botella de inteligente vino “.
(Pablito. Depois deste jantar, Neruda ficou íntimo de todos nós !)

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dcpv – da cachaça pro vinho – confraregina: fumo e fumo (ê, timão!)

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número 93
02/11/05

dcpv – Confraregina : fumo e fumo (ê, timão!)

Introdução – Sessão extraordinária, não fúnebre, recebendo com todo o prazer a cara consorte do Mingão, Sra Regina (tava meio mamadinha mas, quem não estava!). Destarte, somente enriquecimento prazeroso nesse dia de mais um presente liqui-gastro-saboroso ….

Vinhos

Haras del Pirque Branco

Alemão Branco (que bela descrição!)

MENU

Entrada – Lulas da TV

Principal – Papillote de camarão (Claude Troisgros)

Macarrão ao alho e óleo + sálvias (Edu)

Sobremesa – Abacaxi com limão e azeite de lima (Edu)

Observações finais (na verdade, observação única) 

Excelente! E o Corinthians está cada vez pior ! (Edu)

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Fotos do Burj Al Arab com a sua iluminação mutante noturna e de prato da sobremesa de um almoço feito no restaurante de frutos do mar chamado Al Mahara que fica abaixo do nível do mar no próprio Burj.
Bom, entrar no Burj já é um espetáculo. Pode-se chamar de brega? Sim. Pode-se chamar de espetacular? Mais sim ainda! Nós (eu e a Dé) consideramos a visita imperdível e assim que você cruza a porta, parece que está num daqueles parques da Disney. Bom, continuo o relato e as fotos do almoço no próximo post ….

Explicação – Visita da Regina à nossa casa e consequentemente (olha o Casagrande aí!) ao dcpv. Pra variar o Corinthians ainda não estava jogando (e continuaria por não sei quanto tempo…) nada, mas o camarão no papilote do nosso querrrrrido Claude ajudou a amenizar o sofrimento. E note-se que só eu escrevi as observações finais. É, a coisa estava “triste”!

A HORA DA ESPECIARIA

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Cardamomo – Suas sementes são consumidas no café nos países árabes ( tomamos um belíssimo café nas ruínas de Jerash na Jordânia) e na Índia. Os suecos usam para fazer bolos e os escandinavos para pastéis. Apesar de ser típico em doce, também é ótimo no preparo de fígado, porco e alguns peixes. Quatro sementes equivalem a 1/4 da clher (chá) de pó.
E fica excelente com arroz Basmati.

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dcpv – da cachaca pro vinho – esse lula é bom!

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número 92
26/10/05

dcpv – Esse Lula é bom!

Introdução – “Em rio que tem piranha, jacaré nada de costas”.
“Amor sem beijo é macarrão sem queijo”.
“Nada como uma quarta após a outra”.
“O diabo atenta, a faca entra”.
“O silêncio vale ouro”
“A união faz … açúcar”.

Bebida

Surf driver – vodka, vermouth doce, granadine, sucos de laranja e limão, gelo picado.

Vinhos

Equus Savignon Blanc

Yauquen Cabernet/Malbec

Menu

Entrada – Lulas da TV

Principal – Penne com tomate, kani, rúcula e canela (Boticário)

Peixe com erva-doce (J Oliver)

Sobremesa – Pudim de panetone com canela e sorvete de creme (J Oliver + Flora)

Observações finais

Boníssimo. Canela com tudo é muito bom! (Eduardo)

Jantar perfeito! A melhor massa que eu comi na minha vida.(Mingão)

Chute na canela dói e é ruim! Massa com canela é surpreendentemente maravilhoso!! (Déo)

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Fotos de almoço no restaurante do hotel XVA que fica em Bastakyia no centro histórico de Dubai. O lugar é muito legal pois é um hotel boutique (coisa rara em Dubai!) com galerias de arte, um espaço pra comida muito bonitinho onde eu e a Dé comemos um sanduíche de pão sírio com pastas de legumes (naturebíssimo) acompanhados de fatias de melancia (bela idéia!), tomamos sucos de abacaxi com hortelã, chá de menta e quase participamos de reuniões (eram feitas nas mesas ao nosso lado!) entre  marchands e artistas. Foi muito diferente e graças a uma dica que o Riq (Vnv) nos deu! Thanks!

Explicação – Na verdade este menu foi muito mais “canelado” do que “lulado”. A canela imperou e deixou aquele perfume inebriante.
E caso alguém tenha alguma dúvida, o Boticário indicado na receita da massa é o Boticário-perfumes  mesmo que distribuiu  um pequeno livro de receitas “perfumadas” nas revistas há um tempão e que eu, como bom “fuinha” que sou, guardei e utilizei!

A HORA DA ERVA GASTRONÔMICA

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Cebolinha japonesa – Também conhecida como nirá, ela é parente da cebolinha verde. Menos picante, é usada no preparo de peixes, camarões, risotos, yakissoba, guioza e outras receitas da cozinha oriental. Bonita e delicada, é ótima pra decorar pratos.
Os nirás aqui de casa deram um montão de flores este ano (ainda estão dando!). Graças à Nina  eu consegui descobrir como utilizá-las e ficou muito bom!

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dcpv – da cachaça pro vinho – borgonha+borgonha = dobradinha!

número 170
20/02/08

dcpv – Borgonha + Borgonha = Dobradinha!

Berço de dois vinhos mais reputados e caros do mundo, o tinto Romaneé-Conti e o branco Montrachet, pode-se dizer que a Borgonha se traduz em sua rica gastronomia e em seus grandes vinhos “.

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Esta é a frase inicial do livro “Os sabores da Borgonha” do chef (hoje no Skye da “melancia” Unique) Emanuel Bassoleiul que é indicado pra quem gosta de cozinhar, pois tem um montão de receitas tradicionais da Borgonha (6% do território francês, 1600000 habitantes e localizada na Grande Leste, conjunto formado por Alsácia-Lorena, Champanhe-Ardene e Franché-Comté ) e pra quem gosta de viajar, pois as primeiras 70 páginas são praticamente um guia desta bela região com indicações de passeios, hotéis, restaurantes e muitas outras coisas.

A Borgonha gerou Napoleão Bonaparte, os prêmios Nobel Romain Rolland e Louis Renault, Gustave Eiffel (o da torre), Colette (a escritora, não a loja!) e a mostarda. E como aqui é uma confraria eno-gastronômica, vamos aproveitar e utilizar mostarda (a l’ancienne, tradicional e em grãos) .
Infelizmente (pra nós, principalmente), o Romaneé Conti ficará pruma próxima vez! Bon apetit!

Un – EntradasCougères en couronne e Soupe au lard

Voltando a escola de idiomas dcpv, vamos à aula de francês: Gougères en couronne nada mais é do que uma coroa de Gougéres ou melhor, uma rosca de pão que resulta muito próxima de um pão de queijo grande e leve. Uma mistura básica de manteiga, água, sal, farinha de trigo, ovos e queijo gruyére (do sex shop, óbvio!).
E a Soupe au lard é uma sopa de toucinho que vai um monte de legumes (cebolas, cenouras, alho-francês(aprendi!), nabo, repolho verde), água, toucinho, joelho de porco (isso mesmo, eisnbein!), bouquet garni, cravo, sal e pimenta .
Uma sopa portentosa, saborosa e que segundo o chef Bassoleuil é uma “receita sempre presente na hora do jantar na casa dos agricultores da Borgonha. Ela só é o prato principal“. Ele tinha me dado a pista! Eu explico melhor mais pra frente!

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E pra acompanhar um Muscadet Sevre Et Maine 2006 Les Carotiers que foi, segundo os perfumados ou seja, nós, “vert, mineral, vegetal, gostoset“.

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Deaux – PrincipaleTripes à la bourguignonne

Continuando com o francês, Tripes é o que você imagina que é mesmo: tripas ou melhor, dobradinha! Portanto, a tradução é Dobradinha à moda de Dijon. São dobradinhas cortadas finas, fervidas, empanadas na farinha de rosca, cozidas em manteiga e fritas em óleo quente. E com um molho Bourguignonne tradicional ou seja, echalotes (diretamente do sex-shop), manteiga, alho amassado, sal , pimenta e flambado com conhaque.

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Pra montar o prato é só colocar as tiras (as terríveis dobradinhas) fritas, dispor o molho quente por cima finalizando com salsinha picada e servir com uma salada de alfaces crespa e frisée. Ah ! Não esquecer de acompanhar com mostardas de Dijon extra-forte e a l’ancienne.” (rs,rs,rs!!), escreveu Bassoleiul.

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Onde foi que eu errei  ou o jogo dos 7 erros

1 – Este prato (a dobradinha) deveria ser a entrada e não o principal.
2 – Consequentemente, o prato principal deveria ser a sopa.
3 – Na execução da dobradinha, pulei a parte de cozinhá-las na manteiga. Resultado: ficaram duras pra chuchu!
4 – Não coloquei a salsinha.
5 – Não servi as  mostardas.
6 – Não temperei corretamente a dobradinha. Ficaram, além de duras, um tanto quanto sem graça!
7 – Como gostamos de tudo (exceto arraia!) não perguntei pro Mingão se ele gostava de dobradinha e descobri que ele odeia dobradinha (mesmo frita).
Resultado: eu e o Déo (que gostamos) tivemos que comer tudo, inclusive a parte do Mingão. Nossas mandíbulas estão doendo até agora de tanto mastigar!
E é claro que a Dé também não gosta em hipótese nenhuma!
Mas, sou teimoso e ainda farei esta dobradinha do jeito certo, quando o Mingão não estiver por perto!

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E, continuando, tomamos um Chateau La Bastide 2003 Corbiéres que aparentou ser “amanteigado, frutas vermelhas mesmo,francês da Guiana, franc-forte ” segundo os dobradinhas, nós.

Trois – Sobremesa Flamuse

Praticamente uma cuca só que de maçãs verdes (Granny Smith). Leva açúcar, farinha, manteiga, ovos e leite. É uma sobremesa honesta. Não muito mais do que isso!

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A sorte dela foi ter sido acompanhada por um belo shot de Absolut Vanilia que dispensa qualquer comentário.

Resumindo: foi realmente uma comida camponesa  e como não somos homens do campo (remember Dom e Ravel!!), o jantar teve um resultado bastante desigual. Na seca: não foi bom mesmo!
Sopa ótima, crocbradinha duríssima (inclusive de engulir) e sobremesa razoável! Que saudades da comida Portuguesa!

E pra tornar o post (pelo menos) mais informativo e ao mesmo tempo me desculpar pelo “esquecimento”, seguem abaixo os tipos e utilizações das mostardas:
à l’ancienne : carnes vermelhas e cozidos
tradicional de Dijon : carnes, peixes, legumes e saladas
estragon : aves e carnes brancas
poivre vert : carnes vermelhas e grelhados
miel : carnes brancas e assados de porco, frango e coelho
fines herbs : saladas
basilic : carnes, salsichas, linguiças e frios em geral
provençale : peixes, crustáceos e queijos

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A salada acima estava deliciosa e pasmem, o Mingão escreveu que a “dobradinha foi honesta, melhor que a da D Isaura!“. E deve ter sido a melhor dobradinha (e a última) que ele comeu na vida!

Até a próxima! Até a próxima! (Só pra não esquecer da dobradinha!)

.

dcpv – da cachaça pro vinho – extra… extra… noite persa II

sem número
29/02/08

dcpv – Extra …. Extra…. Noite Persa II

Se alguém prestar atenção na data verá que é uma sexta-feira. Uai, o que aconteceu? As reuniões do dcpv não são somente as quartas?
É verdade mas eu e Dé fomos a um jantar Persa no novo espaço da Carla Pernambuco e ele foi tão bom que não tive como não postar uma edição extra em territórios paulistanos ( a conhecida praia).

Segue o relato: (desculpem se as fotos não estão grande coisa. Estava com receio de “dar bandeira” e acabei levando uma lambe-lambe digital. Prometo que levo a câmera titular no próximo!)

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Gastro Pop Etapa 1 – Cozinha Persa
Stúdio 768 e Carla Pernambuco
29 de fevereiro de 2008
Chef convidado – Carlos Siffert

“Diversidade de paladares pode ser o melhor termo pra interpretar a cozinha persa tradicional. Pérsia ou Irã?” …
Este é o início do excelente material que foi distribuído pela própria Carla (pra quem ainda não juntou o nome à pessoa, é ela mesmo, a Carla do Carlota!) onde está toda a explicação do que e como é formada a comida persa. Além das informações ainda estão encartadas várias receitas de entradas, pratos principais, sobremesas e drinques especiais pra você reproduzir uma noite totalmente Persa na sua casa.
Adivinhe se eu não vou fazer? Aguarde e verás !

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Acima, a Carla Pernambuco

A ideia toda é trazer chefes convidados uma vez por mês (neste caso foi o Carlos Siffert, ex-Tambor e com mais mil e uma qualidades, além da extrema simpatia) pra fazerem juntos (o chef, a Carla e a Carolina) um jantar étnico/temático.
O lugar, o Stúdio 768 (que fica em frente ao Carlota) é lindo, moderno e despojado além do toque pessoal que a Carla deu a ele com livros e revistas de culinária aos borbotões. Cozinha à mostra, mesa grande e única pra 25 pessoas, ambiente descontraído no formato legal e não formal, contato direto com os chefes e conversas das mais variadas.

Ainda tivemos o prazer de encontrar casualmente o Ricardo Freire, o Riq, guru de várias de nossas viagens e bigboss do blog ViajenaViagem (que é como um grande encontro de grandes viajantes) além do Nick, um grande papo e simpaticíssimo.

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O Nick, o Riq e este que vos escreve

O Cardápio consistiu de: (prepare-se pra mais uma aula do curso dcpv de línguas, desta vez de iraniano!)

ENTRADAS

Sanbouseh (pasteizinhos picantes de cordeiro)
Torshi-e Havij (relish de cenoura)
Torshi-e Havij (pickles de uva)
Dolme-E Barg-e Mo e Poloor (charutinhos de folha de uva e pasta de iogurte misturado com feta)
Kuku-e Sabzi (fritada de ervas)
Boorâni-ye Esfenâj (salada de espinafre com coalhada)

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PRINCIPAIS

Mahi-o Somagh (peixe com crosta de batata e sumac com molho de pistache)

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Chelow Ba Tah Dig (arroz com crosta)
Albadu tu-por (codorna recheada)
Fesenjan ( molho de nozes e romã)

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SOBREMESA

Bâghlavâ (baklava de amêndoas e pistache)

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BEBIDAS

Foram servidos Pom Royale (coquetel de champagne e romãs) e um vinho rosé Libanês 2006 que sinceramente não marquei o produtor (mas que lendo o fotolog do Riq lá no VnV consegui “relembrar”: é um Chateau Musar 2001).

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GRANDE RESUMO DA NOITE

As entradas praticamente formaram uma mezzé de primeiríssima linha com tudo condimentado na medida certa e dando uma bela indicação do que estaria por vir. Foram servidas num coquetel no andar de cima do Stúdio 768 e com o acompanhamento do fresquíssimo Pom Royale.

A salada de espinafre abriu o jantar quando já estávamos sentados à mesa. A seguir foi servido o Robalo (que pra mim é o frango dos peixes!) devidamente enrolado em fios de batata com um molho de pistache formado por ghee, coentro em grão, pimenta de caiena, alho poró (ou francês), alho, cúrcuma, pimenta preta, caldo de frango, cominho em grão, cebola, creme de arroz, sal, sucos de limão e laranja. (Ufa! Isto parece a descrição da seção de temperos e especiarias do Santa Luzia, o sex-shop). E o resultado, como não poderia deixar de ser, foi formidável!

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Ainda viria a codorna (uma mini-codorna se é que isto existe?) recheada com moyashi, bulgur (em homenagem à Lídia) e dill que estava muito, mas muito tenra mesmo a ponto da Dé comer mesmo não apreciando muito este tipo de carne. E ainda por cima acompanhada de um arroz Basmati (parece perseguição mas o nosso queridinho dos arrozes está sempre por perto!) bastante temperado com o legítimo açafrão iraniano. Espetáculo!

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E pra terminar, uma sobremesa típica Persa que como o próprio Riq disse, parecia um pé-de-moleque persa (só que com o pequeno detalhe da troca do amendoim por amêndoas e pistache) e com uma calda sensacional de água de rosas e açúcar cristal.

Pra colocar a pá de cal, cafezinho by Carlota !

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Que noite maravilhosa! E, de acordo com a própria Carla, o grupo que estava lá casou completamente com a concepção da ideia e tudo parecia harmonizado como um grande vinho à uma bela refeição!
Bom, só nos resta felicitar a Carla, a Carolina e o Carlos pela grande ideia e pela realização deste evento memorável.
Vamos aguardar pela segunda noite que (segundo a Carla) deverá ser Polonesa! Nos inclua dentro dessa! Estaremos lá!

PS (este é um post-scriptum mesmo pois foi escrito um dias depois)

A Nina Horta também esteve lá e escreveu sobre o jantar na coluna dela da Folha de ontem (05/03). Leia um trecho da excelente crônica (novidade!) “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” (ela me autorizou a reprodução por e-mail) :

... ” Gostamos todos do jantar. Difícil reproduzir os nomes, tipo kuku-e-sabszi, que não passava de uma fritada de ervas simplesmente deliciosa que já vou copiar hoje mesmo. Apesar de levar como ingrediente um pouquinho de bicarbonato de ódio. Erro de digitação, é claro. Mas não seriam as emoções os principais ingredientes? Fritadinha com ódio, nem imagina que ótima!”…

Infelizmente, o texto inteiro só está disponível pra assinantes da Folha no UOL mas vou ver se consigo e o coloco aqui !
Grato Nina, pelo belo texto e pela autorização! Até!

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dcpv – da cachaça pro vinho – itailíndia (só!)

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número 91
19/10/05

dcpv – Itailíndia (Só!)

Introdução – O “hiato” de registro das delícias deve-se a:
1 – em 05/10 – degustação de vinhos, formal (quase), impecável procedimento (quase também!)
2 – feriado religioso em 12/10.
Hoje segue a procissão, também como “Dantes nos mares do Abrantes”, “avemus rangus”!

Vinhos

MasterPeace Shiraz

Espumante Moet Chandon

Menu

Entrada – Pequenas guloseimas (nabo, curry, côco, molho apimentado, pesto) no Naan.

Principal – Magret ao tamarindo (Boa Mesa)

Sobremesa – Frutas assadas com marshmellow (J Oliver – pag 198)

Observações finais

Muito bom! Entrada e principal excelentes, sobremesa clássica !! (Edu)

Esplêndido de ponta à ponta !!! (Déo)

Maravilhoso! A entrada foi uma obra prima; o prato principal foi o melhor pato que eu comi na minha vida, sobremesa perfeita. (Mingão) .

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Foto  (exótica) de algumas das principais bebidas que se podem tomar fora dos lugares licenciados na Jordânia e Dubai: água e Coca-Cola. E de prato que parece um ser vivo (repare nos belos olhos!) com outra configuração das tais mezzés. E é gostoso !

Explicação – Quando se mistura comida tailandesa com indiana, a única resolução é … ajoelhar e comer bastante porque ambas têm aquilo que mais gostamos em qualquer situação: cor, aroma, sabor e “quentura”. Um espetáculo! Viva a Tailíndia !

A HORA DA ERVA GASTRONÔMICA

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Hortelã – Condimento celebrado pela culinária árabe, é usado para temperar tabule, quibes, recheios de esfihas e charutos de folhas de uva. Vai bem com carne de carneiro, peixes, iogurte com pepino, licores, doces e chás. Experimente com sorvete de creme ou faça geléia. De aroma forte, sabor mentolado e refrescante, é muito usado pra decoração. E cá pra nós, amassar uma folha e cheirar o  hortelã é muito bom!

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