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dcpv – da cachaça pro vinho – trufas, trufas e trufas!

trufado
16/09/08

 dcpv – Trufas, trufas e trufas!

Através de um post do excelente blog Bistrô Pimenta, escrito pela Luciana Lancelotti, descobri sobre um festival que iria acontecer no restaurante Ravioli Cucina Casalinga, do chef Roberto Ravioli (também com este nome só poderia ser italiano e bom!).

E o jantar seria totalmente sobre trufas. O chefe e proprietário da vinícola toscana que leva o seu sobrenome, Claúdio Savitar veio ao Brasil pra divulgar os seus produtos ( trufas, manteigas trufadas, azeites trufados, vinhos que não são trufados, etc) e pra cozinhar à 4 mãos (junto com o Ravioli), um menu todinho calcado no Tarfufo Nero de Nórcia.


Ele, o Tartufo

Imagine ver uma travessinha igual à acima, ao seu lado, pegar uma delas (do tamanho de uma batata!) e fatiá-la sobre um risotto quentinho  Se isso não é comfort food, então eu não sei o que é?
Pois bem, vamos ao jantar:

Per cominciare
Crostini Toscani al Burro Tartufato.

Este burro vale à pena comer! Uma bela manteiga trufada faz toda a diferença numa torradinha desta. É quase igual a comer um perfume “diferentão”. Uma delícia!

Antipasto
Baccalá Mantecato com Polenta Tartuffata alla Griglia

Traduzindo: bacalhau amanteigado delicioso com uma polenta grelhada deliciosa e deliciosamente trufada! Tá bom assim?

Pedi (e agradeço respeitosamente à Lei Seca), 1/2 garrafa de um Cabernet Sauvignon  Montes Alpha Chile que se comportou à altura da trufa.

Primo
Gnocchi con Zabaglione di Bottarga al Profumo di Tartuffo

Pela foto dá pra perceber o que foi este gnocchi? Brilhoso, derretendo na boca e com aquele sabor terroso da trufa. A Bottarga só deu uma bela personalizada.
Segundo a Dé, o ponto alto da noite. Pra mim, todos os pontos foram altíssimos.

Secondo
Noce di Vitello Uruguaio con Risottino al Tartuffo e Velutata di Porcini

Outra tradução livre: nossa (!) de vitela uruguaia (e por isto pedi o vinho chileno) com risotinho trufado e molho de funghi aveludado. A única observação: chamar este “risotaço” de “risotinho” foi uma grande sacanagem. E outra observação: foi neste prato que as trufas foram fatiadas ao vivo e em cores, quer dizer em preto, sobre os nossos pratos. Vero espetacolare!


A Dé tirou uma foto de nu explícito pra PlayBoy gastronômica

Dessert
Formaggio com Miele Tartufado

Mais uma maravilha da natureza. Queijos (natureza) com mel (natureza) trufado (natureza). A natureza é realmente sábia e gostosa!
Já chegávamos ao fim (só faltava pagar a conta e ir embora) e devo confessar uma coisa: nunca fui um adorador de trufas. Achava até meio esquisito as pessoas gostarem tanto. Mas e ainda bem, a minha opinião mudou radicalmente (a da Dé não muito, pois ela já gostava mais do que eu) e hoje, saio dum jantar destes agradecendo a existência dela, a trufa, e dos cachorrinhos treinados que as encontram.

Como a própria Luciana escreveu lá no Bistrô Pimenta, “não há muito o que comparar quando a missão é descrever o sabor particular que as trufas conferem aos pratos. Elas brindam o olfato com um aroma envolvente e arrebatam o paladar com um sabor raro e singular

Bravíssimo!

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dcpv – da cachaça pro vinho – desin na entrada! desin na saída!

número 110
16/05/06

dcpv – Desin na entrada! Desin na saída!

Introdução – Tudo dentro. As “coisa” estão indo melhor, aos poucos vão indo! Pra onde? Precisa saber? Vou deixar a vida me levar! Pra’s quartas feiras, que são maravilhosas! Let’s go!

Bebidas

Experiência – “grog” de vodka com licor de pêssego (médio mas, dá pro gasto)

Vinhos

Santa Rita ????

Tinto Fausto Pizzatto

Menu

Entrada – Sopa Thai (Rita Lobo – pag 70)

Principal – Picadinho oriental com abacaxi ( Rita Lobo – pag 116)

Sobremesa – Gelatina de Menta com Espuma

Observações finais

Coquetel e sobremesa parecidos e médios. E entrada e principal excelentes! (Edu)

Delicioso! Sem considerar os “extremos”! (Déo)

Perfeito o meio (menos o drinque e a sobremesa). (Mingão)

Explicação – Pra quem não sabe, Desin é uma marca de desinfetantes. E como a bebida e a sobremesa eram praticamentes iguais e com gosto de desinfetante, o título do post foi mais do que apropriado!
É, existem algumas noites em que a diversão maior é achar os defeitos das receitas que não deram certo!

A HORA DAS FLORES

Vou abrir uma exceção e mostrar, neste post, fotos das flores que nós vimos no Canadá. E continuo pensando que o Brasil seria muito melhor ou pelo menos, mais bonito ainda, se tivéssemos, os brasileiros, o hábito de cultivar flores.




Flower power!

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dcpv – da cachaça pro vinho – casa boa mesa

decorado
11/09 /08

dcpv – Casa Boa Mesa

E lá fomos nós pra São Paulo pra fazer mais um workshop (chic, né?) e por tabela, aproveitar pra ver belos ambientes decorados por arquitetos da moda. Sim, fomos ao Casa Boa Mesa, lá no Jockey Club onde a ideia é aproveitar e misturar a boa gastronomia com um design modernoso, além da presença de vários chefs famosos (Bel Coelho, Tatiana Szeles, Carla Pernambuco, Rodrigo OLiveira, Morena Leite, Ana Soares, etc) dando aulas e conselhos.
Só pela recepção do lugar, dá pra perceber o que nos esperava.

Ainda passamos pelo restaurante Badebec onde a atmosfera “philipstarckeana” imperava devido a presença  das cadeiras gigantescas e as cabeças dos animais na parede. Eu estou desconfiado que já tinha visto algo parecido lá no Faena em BsAs.

O ambiente da cozinha gourmet é lindo e com detalhes que te deixam com vontade de cozinhar por ali.

E é claro que ela não é tão prática, mas que é um charme ter especiarias dispostas deste jeito na bancada, ah, isto é! Além do lustre formado por copos de vinho.

O tema do workshop era mais do que interessante (ainda mais pra nós): A Cozinha da Toscana. O chef Pier Paolo Picchi do restaurante Picchi, nos ensinou pratos típicos toscanos e mais interessante, teríamos uma bancada pra fazer cada um dos pratos.

 

Como era um fogão por dupla, eu e a Dé pilotamos um e fizemos um Duo de Bacalhau com Torta de Grão de Bico.
Um dos bacalhaus era uma posta com azeite, alecrim e cozinhada no forno em baixa temperatura (80°C). Eu ainda vou ter um forno destes!
E o outro era uma brandade com purê de batata, bacalhau desfiado, alho e cebola picados, salsinha, leite, sal e pimenta.

A tortinha é somente farinha de grão de bico hidratada e frita como uma panquequinha. Ficou “feinho” mas muito gostoso. O único senão é que eu temperaria um pouco melhor a tal tortinha talvez com um pouco de queijo ralado.
E é claro que que aprendemos a fazer uma massa. O Pici ao Burro e Sálvia.
Calma, pra quem não sabe, burrro é manteiga. Portanto, nada de achar que íamos comer o animal com pouca inteligência! A massa é feita com 500g de farinha de trigo, 130 ml de vinho branco, 100 ml de água (potável, segundo o Pier Paolo) e um pouquinho de sal. Aí é só sovar bem, mas bem mesmo e deixar descansar por uns 30 minutos envolvida em filme plástico.
Enrolar e cortar como um gnocchi pequenininho, além de afinar mais ainda na mão até parecer um fio “gordinho”.

Depois disso é cozinhar com água fervendo e servir com o burro, a sálvia fresca e um pão italiano cortado em pequenos pedaços e frito no azeite com um pouco de sálvia também. Uma delícia!

O Casa Boa Mesa vai até o dia 30/09. Aproveite e dê um pulinho lá!
Além de toda a decoração, ainda tem lojinhas de temperos, ervas (gastronômicas), aventais, conservas, roupas de mesa, etc. Todas com a mesma característica: a qualidade de seus produtos.
E ainda dá pra aproveitar degustações de primeira e umas boas bocas livres.

Afinal de contas, ter um aulinha numa sala igual à acima já vale qualquer visita, né?

Até !

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dcpv – da cachaça pro vinho dcpv x chef – banana da terra – a escolha da ana bueno

número 191
17/09/08

dcpv – Banana da Terra – A escolha da Ana Bueno  

A culinária caiçara possui um requinte autêntico que não passa, fundamentalmente, pela alquimia e pelo paladar, mas sim pela possibilidade de lidar com ingredientes frescos obtidos na pesca, caça ou roça, extraindo da natureza e de todos os seus ciclos o essencial para manter uma vida simples e aconchegante no litoral sul e sudeste do Brasil. É nesta sábia simplicidade que reside o grande diferencial da cozinha caiçara“.
Este é um trechinho da contracapa do excelente livro Culinária Caiçara da chef Ana Bueno, proprietária do não menos excelente restaurante Banana da Terra em Paraty.

Tivemos a oportunidade de conhecer a Ana num dos Gastro Pops e a partir daí, surgiu a idéia de convidá-la a participar do DCPV x Chef, onde cozinheiros de primeira indicam as próprias receitas . Desafio aceito, a Ana gentilmente indicou as receitas do seu livro que formariam  um menu ideal e que representariam muito bem esta cozinha de ingredientes frescos e receitas simples.

Vamos ao Menu Caiçara da Ana Bueno

Caipirinha

E já que o assunto é comida simples e coisas da terra, nada melhor do que tomar uma bela caipirinha (sim senhores, de boa cachaça Adega de Minas, viu Bernardo!) de laranja selvagem (selvagem porque é do meu quintal e ela tem um umbigo, mas não é Bahia. Alguém sabe qual é? Neide ?), anis estrelado e açúcar. Muito boa , uai!

Mais um trechinho do livro: “Salada Quilombola, como foi chamada na praia da Fazenda, usa um ingrediente inusitado, o coração da bananeira. Depois de cortado em rodelas e bem cozido, é só temperar com cebola, salsinha, vinagre e azeite de oliva“.

Entrada
Vieiras Gratinadas ( pag 13)

Sábia escolha da Ana. As vieiras tem um frescor tão grande que normalmente são consumidas in natura. Nesta receita, elas são temperadas com sal e pimenta, “puxadas” no azeite bem quente por 1 minuto e colocadas na concha de 3 em 3.

Na mesma panela, deglace com conhaque, adicione creme de leite e gotas e raspas de limão siciliano.
Coloque este molho sobre as vieiras, cubra com farinha de pão, queijo parmesão e salsa e leve ao forno para gratinar. Sirva com raspas de limão siciliano! Fresquíssimas e saborosas!

Tomamos ou melhor, estreamos, um vinho branco Jordaniano (sim senhores, Jordânia!), um Chardonnay/Sauvignon Blanc Zumot Machareus 2005 que foi segundo os matutos, nós mesmos, “amargo, “divino”, “maravilhoso”, azedinho”. Esse dá pra dizer que nem Jesus salva! É muito ruim!

A Ana não tinha indicado mas como eu tinha poucas vieiras (não deu tempo de ir ao sex shop, rs), acabei fazendo um prato muito representativo da culinária caiçara e paratyana: o Camarão Casadinho (pag 49)

São 2 camarões VG cortados na barriga, unidos por palitos com a cabeça de um no rabo do outro (sem conotações sexuais, please!) após serem recheados por uma farofa feita com azeite, cebola picada, alho, camarão miúdo, pimenta dedo de moça, farinha de mandioca, salsa, cebolinha, coentro e alfavaca picados.
Após esta pequena “suruba”, passe na farinha de trigo e frite! Uma delícia caiçara!


Eis a entrada inteira : vieiras e camarões

Trechinho do livro: “Os ranchos de pesca são estrategicamente construídos na foz dos rios, enquanto as casas ficam na mata protegidas do mau tempo!”.

Principal
Peixe em Crosta de Pimenta Limão (pag 67)

Mais uma receita simples e deliciosa. Postas de robalo temperadas com sal, pimenta e colocadas numa vasilha refratária. Coloque por cima do peixe, uma farofa de farinha de pão grossa e pimenta limão. Em volta dele, o peixe, o caldo do próprio. É só cobrir com papel alumínio e levar ao forno. Quando estiver pronto, retire o papel e deixe a crosta ficar crocante (eu coloquei na salamandra!).
Para acompanhar um risotto básico de palmito.

Isto é o que podemos chamar de um prato genuinamente caiçara!

O vinho ? Este sim era bom. Um branco Riesling Cono Sur Bicicleta 2007 Chile que foi “herbáceo, caipirão, patagônico, dcpv”.

Mais um trechinho: “A goma é um subproduto da mandioca que misturada ao café ou ao leite de coco resulta em um paladar singular“.

Sobremesa
Torta de Banana com Vinho do Porto (pag 97)

Esta sobremesa foi de parar o trânsito de canoas no rio.
1 – Uma torta de banana básica formada de camadas de massa de manteiga, açúcar e farinha; colocada num tabuleiro e intercalada com camadas de bananas nanicas cortadas em rodelas. Duas de cada. E termina com açucar e canela.

2 – Uma redução de vinho do Porto (vinho do Porto, vinho tinto, açúcar e grãos de pimenta do reino)

3 – Um sorvete de canela (250 ml de leite, 4 gemas, 125 g de açúcar, 1 e 1/2 colheres de canela em pó e 200 g de creme de leite fresco)

1 + 2 + 3  = Delícia total! De comer ajoelhado na canoa!

Trechinho: “Nenhuma fruta se compara à importância da banana na culinária caiçara. Dizem os mais velhos que os bananais eram plantados pelos rios que durante as cheias carregavam as mudas e as espalhavam por toda a mata“.

Leia agora a opinião dos 3 canoeiros (ou seriam canoístas?). Melhor dizer, caiçaras:

Comida de ingredientes mesmo! Que sobremesa, que vieiras, que robalo, que …. (Edu)
Este jantar é a prova de que os caiçaras levavam um vidão (gastronômico). (Mingão)
Muito bom! Camarões perfeitos! Robalo delicioso! (Déo)

Pelo que os caiçaras acima escreveram, dá pra perceber como foi a comida, né?
Agradecimentos totais a Ana Bueno por ter topado participar desta brincadeira, pois além de excelente chef, ela é uma pessoa bastante afável, gentil e disposta a dividir os seus conhecimentos.
E por falar em conhecimentos, se você quiser ampliar os seus, especialmente sobre a culinária caiçara, esta é a minha dica :


O livro Culinária Caiçara da Ana Bueno

Último trecho do livro: “A imagem do pescador e sua canoa é a melhor síntese do povo caiçara. A construção da canoa caiçara é um intenso conhecimento transferido  através de muitas gerações.”

Inté!

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dcpv – da cachaça pro vinho – enoteca do empório santa maria

trabalho?
14/09/08

dcpv – Enoteca do Empório Santa Maria

Pra quem conhece, o Empório Santa Maria nunca foi um sex shop. Era um mercado de luxo meio metido à besta com uma boa seção de vinhos (a Expand !) e algumas coisa legais localizadas.

Pois bem! Ele foi vendido pro grupo St Marché e passou por uma tremenda recauchutagem. Na verdade, uma verdadeira plástica de corpo inteiro com direito a lipo, enchimento de lábios, silicone, etc. E não é que o resultado ficou bom ?

Além dos espaço de compras mais definidos, da bela programação visual, um café no piso térreo e a manutenção da área de vinhos a cargo da Expand, eles implantaram uma máquina de experimentar vinhos, a Enomatic, num espaço chamado Vinoteca, junto ao restaurante no mezanino que é sensacional.
A ideia é a seguinte (ou 6 passos pra felicidade)

1 – Você escolhe um entre os 35 vinhos que estão na máquina.

2 – Coloca o seu cartão no local indicado no segmento da máquina em que está o vinho.

3 – Seleciona  a dose que pode ser de 30, 60 ou 120 ml (olha a Lei Seca!)

4 – Posiciona a taça no bico (da máquina!) onde está o vinho pretendido.

5 – Pressiona o botão e aguarda. Dica: coloque o copo embaixo do bico antes de apertar, senão o seu vinho vai pra cucuia…

6 – Pronto! Aproveite e peça umas entradinhas pra acompanhar/harmonizar com os vinhos tomados. Este é um jogo muito gostoso de fazer com os amigos.

Olha, vale a pena ir lá e conhecer (beber) a máquina. Tem vinhos bastantes bons (Don Melchor, Antinori, Amélia, Cloud Bay, etc) e certamente, será divertido!


Uma das entradas: mini-hamburgueres com molhos variados.

O preço? É o preço da garrafa (acrescentado de 10% do serviço) vendido na Expand, dividido por 750 ml e multiplicado pela dose. Vamos dar um exemplo: caso você fosse tomar uma dose de 120 ml de um “vinhaço” de R$ 250,00, pagaria R$ 44,00. Pô, esse é caro! Então vamos prum vinhozinho de R$ 40,00. Este já sai R$ 7,00 a taça Riedel (pois todas são).

 
Outras entradas: frango e samosas com vários molhos

Preço honesto! Vá experimentar. E de preferência, de táxi! Ou com um amigo abstêmio!!

Até!

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dcpv – da cachaça pro vinho – chicago – moto, uma grande experiência

Chicago
25/07/08

dcpv – MOTO – Uma grande experiência

Passando por Chicago nos 2 últimos dias da viagem ao Canadá, eu teria que escolher um bom restaurante. Afinal de contas, a cidade é considerada a meca da gastronomia mundial com restôs como o Alínea e o Charlie Trotter’s.

Já tinha pesquisado (e continuei a escolha com indicações da Ale Forbes) sobre o MOTO, um restaurante modernoso que tem o chef Homaru Cantu como o responsável pelas panelas (se é que um restaurante como este tem panelas).

Reservei pelo OT, daqui mesmo e pra variar deu tudo certo. Fomos de carro (lá, naquele país, os USA, a Lei Seca é mais justa!) e chegamos ao local um tanto quanto desconfiados, pois a localização é bem estranha num bairro, digamos, não muito usual para este tipo de negócio!
Entramos e surpresa! Estávamos no restaurante errado: aquele era o OTOM, uma nova proposta do Homaru que quer oferecer uma comida mais despojada num ambiente de lounge com coquetéis inovadores. Uma pena não termos tempo para verificar se esta proposta deu certo. Fica pra próxima! De qualquer maneira, andamos uns 5 metros (é, eles são um ao lado do outro!) e chegamos ao….

… MOTO.
Eu e a Dé (pois a Re tinha ido assistir pela enésima vez o musical Wicked rs) fomos instalados na nossa mesa e aí começou uma verdadeiraa viagem gastronômica!
A explicação sobre o menu já é um city-tour especial. Você tem 3 tipos de escolha a fazer: o five, onde a degustação é de cinco pratos; o ten, onde o total é de dez e o gtm (grand tour moto) onde a “farra” será com 20 pratos!!

Após uma pequena reunião (a Dé queria o five, eu o gtm) optamos pelo ten (nada como o bom e velho consenso!).
O mesmo processo aconteceu nos vinhos: five pra 5 vinhos, ten para 7 e gtm para 14. Escolhemos o five (eu estava dirigindo!),mas a quantidade de pessoas que optaram pelo gtm era demonstrada pelo altura do som da sala.

O primeiro prato (e que não conta na degustação) foi justamente o menu: isto mesmo, você come o menu!
O Homaru patenteou um processo em que ele dá sabor e formato de papel a uma espécie de pão. Então, após escolher o que vai comer, você come literalmente o menu (que por sinal é muito gostoso!) e parte pra degustação.

A sequência de 10 pratos foi a seguinte: (mais uma vez a iluminação não ajudou nas fotos, mas de qualquer maneira, vale pelo registro! Até pra celular eu apelei e dá pra perceber. Tem  um monte de fotos azuladas).

1 – GREEK Salads

Uma saladinha de polvo com emulsão de salsinha e blue cheese com um torresmo bem frito e um squeeze com uma mistura de azeite e alguma coisa parecida com água do mar. Você coloca a salada na boca, pega o squeeze e aperta dentro da boca. Bom mesmo!

2 – NITRO Pineapple

Um peixe (black cod) espetacular. Mas o mais interessante são os cubos de abacaxi que ficam com o terço de baixo congelados e que tem um gosto defumado bastante forte. Muito curioso e o resultado é imperdível.

3 – HOUSE – made pequim chile quail

 

Uma perdiz com repolho e cenoura (cole slow) acompanhado de um molho de pimenta concentrado e um papel comestível apimentado. Mais um “treco” surpreendente e saboroso!

4 – WATERMELON & aloe  

Melancia em 3 estágios: cubo congelado, caramelizada e líquida com gás. Fantástico!

5 – EGGPLANT parmigiano

Um tomate recheado com creme de beringela. A ideia é comer de uma vez só pois o tomate explode na boca. Isso é o que podemos chamar de “explosão de sabores”! Ainda acompanhava aceto balsâmico reduzido e um palito de parmesão.

6 – BBQ beef & slaw    

Uma carne muito bem cozida por doze horas com purê de feijão e polenta acompanhada de um pote de espaguete de cenoura congelado. Uma outra delícia!
Detalhe: estava tão bem cozida (a carne) que até a Dé comeu!

7 – BRAISED duck

Pato desfiado (fazendo uma analogia com a “carne louca” era um “pato louco”) e muito bem temperado com molho de beterraba, pimentão amarelo, um purê de marshmellow e sal marinho preto. Sensacional e a Dé comeu também!

8 – GRAPEFRUIT

Um prato maluco! Também pra comer de uma vez só. Chama-se chuveirada de grapefruit com espumex de cõco, raspa de limão e película de grapefruit. Na colher, temos uma grapefruit desconstruída pois ao mordê-la, a película se rompe e a sensação é que se está bebendo uma grapefruit. E depois é só misturar com os “grãos ” da grapefruit e o marshmellow dentro da boca . A foto não ajuda muito mas, a grapefruit tem aparência de uma jelly fish.

9 – POPCORN ball

Esta  é fantástica! Parecem aqueles docinhos inocentes de aniversário de criança. Mas, eles são de chocolate branco e ao mordê-los, sai um líquido doce gostoso e as pequenas partes crocantes ficam explodindo na garganta durante um bom tempo. Sabe aquelas balas que explodem na boca? É a mesma experiência. Na verdade tem gosto de pipoca doce e retrogosto de explosão (existe isso?).

10 – S’MORES

 

Um doce sensacional. Como o prato tem dois andares, o bombom que está na parte de cima estoura e o recheio cai, se juntando ao marshmellow que está na parte de baixo. Demais!
Como demais, espetacular, sensacional, extravagante e surpreendente foi toda esta experiência no MOTO.
Eu acho que o nome do restaurante é bastante apropriado(pelo menos pra nós que falamos português), pois a refeição toda tem similaridade com andar de motocicleta numa praia num belo dia de verão!

E tudo isto numa cidade em que num mesmo parque convivem a genialidade do Frank Gehry….

…com a genialidade do Anish…

… Kapoor.

Bye, bye !!

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dcpv – da cachaça pro vinho – 9° interblogs – sopa vermelha no dcpv

número 190
10/09/08

dcpv – 9º interblogs – Sopa Vermelha no dcpv

Denominação oficial – República da Tunísia
Capital – Tunis
Chefe de Estado – Zine El Abidine Ben Ali
Litoral – 1300 km
População – 9.300.000 habitantes
Clima – mediterrâneo (médias de 12°C no inverno e 29ºC no verão)
Moeda – dinar tunisiano ( ~0,75 euros)
Língua – oficial, o árabe. Mas o francês é falado por quase toda a gente!
Cidadãos ilustres – Fabrícia e Mohamed

Ôpa, aula de geografia? Não, é o nosso 9°interblogs (Quer saber ?) e consequente 9º capítulo do nosso futuro livro que por sinal foi uma ideia da Fabrícia do excelente blog tunísio/canadense/brasileiro Sopa Vermelha .
Sim, além de sugerir fazermos o livro (e que se tudo der certo, virará realidade após a realização do 25° Inter Blogs ), a Fabrícia e o Mohamed (que é o seu maridoco) indicaram pra gente um legítimo menu tunisiano.


A Fabrícia, o Mohamed e o histórico

Vou contar a história desde o princípio (a do Inter Blogs, não a da Tunísia ) porque vale à pena: até briefing canadense nós fizemos!
Tudo começou quando, logo após a realização do 4º Inter Blogs com a Fer do Chucrute com Salsicha , a Fabrícia comentou:
Parabéns. Ficou tudo perfeito. Quem sabe, não teremos em breve a Tunísia ou a província de Quebec… ahahah!”

Comentário que foi prontamente respondido por mim:
Fabrícia, a iniciativa só é boa quando tem blogueiros legais do outro lado. Está marcado, em novembro teremos a comida Tunisiana do Sopa Vermelha!”

A partir daí, trocamos vários e-mails. Leiam alguns trechos dos mesmos:
A sobremesa ainda é um mistério. Tenho uma em mente… talvez seja perfeita… bem tradicional.
Especificamente, não conheço quase nada da comida tunisiana mas já imagino os temperos, as especiarias, talvez o couscous!”.
Um dos vinhos que gostaríamos de sugerir, pra acompanhar o prato principal, seria o Chateau Mornag“.

Pronto, estava montado o esqueleto de toda a noite. E aproveitando a nossa viagem pro Canadá, marcamos de nos encontrar no Marché Jean Talon em Montreal, cidade onde eles moram. Além da conversa super agradável e do lugar ser espetacular, a Fabrícia e o Mohamed nos trouxeram uma “cesta básica tunisiana” de primeira contendo vinho, couscous (que na verdade não era!), temperos, incenso, chá verde, copos,semolina além de um histórico completo com tradições, receitas e tudo o mais pra tornar a nossa noite inesquecível.
Caramba, a responsabilidade aumentou bastante, mas ao mesmo tempo, tive a certeza que o evento seria muito bom, pois foi a primeira vez que antes de fazermos o interblogs, tivemos um contato pessoal com os mentores. E criamos tanta afinidade que combinamos recebê-los por aqui no final do ano, onde o chef Mohamed terá a oportunidade de mostrar os seus dotes culinários numa versão ao vivo dos interblogs. Estamos aguardando.

Portanto, vamos à mística Soirée Tunisiana:

MENU TUNISIEN

Pra vocês que já estão acostumados e esperando por tal, criei uma caipiroska tunisiana formada por laranja pera, Absolut Vanilia, açucar e água de rosas.
O Mingão fez no maior capricho e putz, ficou muito boa mesmo!

Começamos, seguindo  o ritual ao pé da letra e ouvindo a agitada e contagiante música tunisiana que eles nos mandaram.
Logo em seguida, todos os convidados (o Mingão, o Déo, eu e a Dé) tiveram as boas vindas no formato tunisiano, ou seja,  cada um colocou um pouco de água de rosas nas mãos, esfregou e passou no seu rosto além de beber um pouco de água bem gelada temperada com água de rosas. Ficamos cheirosos por fora e por dentro!

Continuando, comemos amêndoas confeitadas, pois elas segundo a tradição, trazem sorte aos donos da casa. Ôba!

Ainda aproveitei pra servir tâmaras recheadas com manteiga e cobertas com açúcar (olha o açúcar colorido de novo !) já que no Ramadã (e estamos nele), os tunisianos quebram o jejum com um copo de leite e as próprias. Eu ainda dei uma “inventadinha” e recheei algumas com Io Io Crem. Olha, é tão simples mas tão gostoso e reconfortante que o único conselho que eu posso dar pra vocês é que as façam.
Não vão se arrepender!

Entrées 

Antes de mais nada, a Fabrícia me autorizou a dizer que quem estiver interessado na versão integral das receitas, é só mandar um e-mail pra ela.
Primeiramente, fiz o Kobz F’tir, um pão bérbere à base de semolina de trigo. Quer dizer, eu não fiz nada neste pão, só comi! A Dé fez a massa que consistiu de semolina, sal, água morna e azeite.

O  Déo abriu com a espessura perfeita.

O Mingão dobrou em 3 e fritou numa frigideira untada com azeite. Um espetáculo e além de delicioso, o pão serve de talher nas refeições tunisianas, pois ao comer com as mãos, na verdade ,o pão é o meio pra levar a comida do prato à boca! E a equipe dcpv brilhou!

Pra comer com o Kboz F’tir, fiz a Omek Houreya, um purê de cenouras, harissa, cominho, tabel karouia, azeite (muito azeite), sal e pimenta do reino .

 

E a salada Méchouia, que é formada por legumes (pimentões verdes, tomates maduros, cebolas inteiras, dentes de alho assados e triturados (mas não muito) e temperados com cominho, harissa, azeite (muuito azeite), pimenta do reino e sal.

 

Ambas devem são servidas como cervejas bem geladinhas. E aqui cabe uma explicação já que ela, a harissa, vai participar constantemente deste jantar. Ela, a harissa, é um purê de pimentas vermelhas secas ao sol junto com uma mistura de especiarias. E os temperos que eu usei foram preparados pela sogra da Fabrícia (a mãe do Mohamed). Um luxo e muito gostosos ( os temperos, é claro !).
Segundo os próprios tunisianos, a harissa dá “força pra trabalhar” e “abre o apetite mesmo quando faz calor”.
Compondo o prato, azeitonas temperadas com harissa e azeite ( muito …)

 

Esta entrada foi eleita unanimemente, a melhor que comemos até hoje! E olha que não foi somente o Mingão que falou!

Procurei dar uma harmonizada com um espumante rosé Pinot Noir Codorniu Espanha que foi “refrescante e delicado, trilha vinífera, oasístico, arabesco” segundo os bárbaros bérberes, nós mesmos! (Olha o Zeca Baleiro de novo aí!).

Como a Fabrícia escreveu, o “incontornável” Brick é uma referência na comida tunisiana.

E o Brick é um pastelzinho de massa phyllo recheado com purê de batatas e atum temperado com alcaparras, azeitonas, coentro e cebolas picados, sal, pimenta e azeite.

Depois é só colocar no forno (ou fritar, depende do tunisiano!) e comer. Este também fez parte da entrada genial e é pra fazer em casa! E continuamos tomando o espumante.

Couscous a la Tunisienne

Eu adoro couscous e faço constantemente. Mas, confesso que este modo de fazer o deixa muito mais gostoso e temperado além do sabor ser muito mais intenso.


 Este é o caldo (o perfume) depois de coado.

Pra chegar neste resultado, o processo é bem mais demorado que o usual já que o caldo que hidratará o couscous será proveniente do cozimento do cordeiro que terá uma base de alho, salsão, alho poró, cebolinha, harissa em pó (o felfel), coentro em pó e endro. E de vários legumes (pimentão verde, abóbora moranga, repolho verde (usei o roxo), cebolas, cenouras, batatas) além de extrato de tomate, grão de bico e água quente.

 

Separados a carne e os legumes, a hidratação se dará na proporção 1/1 = um copo de caldo para cada copo de couscous.

E aí está a grande diferença: o sabor deste caldo temperado é transferido diretamente pro couscous. E sem mentira nenhuma, este caldo poderia ser vendido como perfume tamanha a concentração de odores e sabores.  Quem sabe o nome Soirée Tunisien não ajudaria a alavancar as vendas? Sublime!

Tomamos um belíssimo vinho tinto Chateau Mornag 2002 Tunísia (sim , o mesmo dos e-mails iniciais e que a Fabrícia e o Mohamed nos enviaram na cesta básica) que disse em bom e belo francês: Je suis – “incensado, narguilado, tamaresco, tunisiano“.  Bon c’esta ça!

Dessert

Yoyo

Este docinho é tão gostoso que o nome justifica: você come tanto deles que parece que se está brincando com um ioiô, tamanha a quantidade de vezes que ele vai do prato pra boca.

São bolinhos feitos de ovos, óleo, suco e raspas de laranja, açúcar de baunilha, farinha de trigo, fermento em pó e frito em óleo . Depois é só mergulhá-los numa calda de açúcar, limão, água e água de flor de laranjeira.

Seguindo o cerimonial, tomamos um chá vert  com bastante espuma, pois esta é proporcional a distância que o bule tem da xícara quando o chá é servido. Para os tunisianos, este chá é uma tradição milenar. Eles o tomam até mesmo quando a temperatura está acima dos 40°C . Pra dar um pouco mais de sabor, coloca-se pinoli ou amendoim dentro do copo e algumas folhas de hortelã.
Olha, foi uma grande experiência cultural e já que a demonstração de alegria e felicidade, é chamada de you you, a Dé aproveitou pra emitir um som alto e agudo, já que só as mulheres produzem este som: youuuuuuuuu, youuuuuuuuuuu….

Aproveitamos pra acender o incenso (bkhour) que normalmente tira o mau-olhado e as energias negativas além de perfumar e defumar o ambiente.

E pra não perder a ocasião, fumamos um narguillé básico com fumo de maçã, como a Fabrícia e o Mohamed indicaram,  já que nem tínhamos estreado o souvenir (e que eu achava que era um berimbau!) da nossa viagem à Dubai!

   

Que banquete! Que soirée! Parabéns Fabrícia e Mohamed!

Veja o opinião dos tunisianos, desde criancinhas :

Ferraz se transformou em Tunis. Aromas, sons, sabores e as tâmaras… Espetáculo! (Edu)
De alfa a ômega, perfeição! Uma sinopse digna das 1001 noite tunisianas. (Mingão)
Comida en’tunisia’stica! (Déo)

Chegou a hora das flores pra Fabrícia e que por serem também pro Mohamed, são ….. comestíveis já que ele é um dos nossos, ou seja é um “draga” ou melhor, um “trator de esteira”!
Sendo assim, flores pra Fabrícia e comidinha pro Mohamed :


Flores de nirá, cebolinha e capuchinha

Agradecemos especialmente pela acolhida, pela dedicação, pelo interesse e podem ter certeza, que vocês, como membros honorários do dcpv, participaram ativamente desta celebração tunisiana tantas as vezes em que foram citados nominalmente no jantar!
Ficou mais do que claro que este interblogs nos possibilitou (assim como todos os outros) aumentar em muito a nossa cultura e também ajudou a aumentar a nossa nacionalidade que agora é  angolana/lusa/pernambucana/californiana/indiana/francesa/tunisiana além de brasileira, é claro!

Au revoir!

PS – O próximo Inter Blogs será moquequístico. A extrovertida Aline (do Moqueca com Pimenta) vai nos mostrar o caminho.
E com a adesão do Prof Michel, da Amorinha, da Odete e da versão Quebecois da Fabrícia, já estamos com a programação fechada até julho de/09. Faltam 6 vagas pra participar do nosso livro! Quem se habilita?

A cozinha me transporta pra distantes doçuras. Como se, no embaciado dos seus vapores, se fabricasse não o alimento , mas o próprio tempo” – Mia Couto.

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dcpv – da cachaça pro vinho – simples como o timão!?

número 109
26/04/06

dcpv – Simples como o Timão!?

Introdução – Dia de “virar os olhinhos”, aliás “noite” de gostosuras, de boas surpresas. Bem dito, poucos lugares permitem uma “quase” (dando um desconto) garantia absoluta de boa surpresa garantida (nossa, hoje quase um Rolando Lero).

VINHOS

Tinto La Bastide

Canepa Late Harvest

Menu

Entrada – Salada de verdes, manga, cebola, alho poró, etc (Mani)

Principal – Spaghetti fino com carne de sol.

Sobremesa – Abacaxi assado ao mel.

Observações finais

Comida caseira e boa! O risotto de spaghetti estava “buono”!! (Edu)

Maravilhoso o spgaghetti! Pelo amor de Deus, Corinthians!!! Ganha o jogo! (Mingão)

Excelente! Trés agreable! Bão demais! (Déo)

Fotos de Chicago . A de lá de cima é de uma das lojas que compõe o passeio Food, Taste and Cultural Tour, a Old Town Oil que é especializada em azeites e acetos. Dá pra imaginar o que é visitar uma loja destas com direito a tastes e explicações? Ainda vou postar sobre este passeio integralmente. E a acima, do maravilhoso skyline com a presença inconfundível da arquitetura de Frank Gehry .

Explicação – Esse eu me lembro muito bem da comida. Esta receita de spaghetti era feita como se fosse um risotto: colocando o caldo aos poucos pra que o macarrão o absorvesse e cozinhasse. É interessante e ficou muito bom. Agora, do Timão eu não lembro, mas pelo comentário do Mingão, deve ter perdido como sempre!

A HORA DO CONVITE

Quem acompanhou, sabe que fizemos a primeira experiência do projeto Y que consistiu de nós 3 (eu, a Marizé e LPontes), fazermos o mesmo menu (indicado por mim) e postarmos também simultaneamente com as impressões de cada um.
Pois bem, chegou a hora da segunda edição. E desta vez, quem bolou o menu inteiro foi o LPontes. A novidade é que estamos convidando a quem quiser participar , que vá até o Comidas Caseiras, imprima as receitas e se prepare pois no próximo dia 27/09 (sábado) estaremos todos fazendo as receitas ao mesmo tempo. Desta maneira, conseguiremos nos aproximar o mais perto possível de estarmos comendo todos juntos que é justamente a mola mestra deste projeto!

Vá até lá e participe! Até o beija-flor que está na foto do meu ipê disse que vai participar.

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dcpv – da cachaça pro vinho – sob o sol da toscana

número 189
03/09/08

dcpv – Sob o Sol da Toscana 

Ciao!
É claro que estou legislando em causa própria !
Veja só: estamos (eu e a Dé) com viagem marcada pra Toscana no final de outubro. Comemoração de aniversário de casamento ( 25 anos de satisfação, meu amor !).
E entre as pesquisas óbvias, estou relendo Sob o Sol da Toscana da Frances Mayes (e a Bella Toscana também).

O filme é bem legal, mas o livro (pra variar) é infinitamente melhor. Acompanhar tudo o que ela tenta passar sobre viver na Toscana com a perspectiva de morar lá é maravilhoso. Você lê e passa a se teletransportar pro lugar. E como além da excelente narrativa, ela ainda nos brinda com receitas toscanas da gema, aproveitei e escolhi algumas pra “confortar” a nossa quarta-feira.
Então, vamos ao Menu Toscano! Avanti, ragazzi!

Antipasto
Pimentões vermelhos (pag 139)

Começamos a noite tomando uma bela dose de Absolut Vanilia congelada devidamente colorida por uma misturinha de manjericão com hortelã.
Mas a Polônia não é a Itália e muito menos a Toscana, você diria? E eu respondo que a Vodka mais ítalo-toscana do mundo é justamente a Vanilia (opinião imparcial de todo o dcpv!)

Já os pimentões deram aquele toque toscano pois foram cozidos com azeite e aceto, a grande dupla biodinâmica! Agora, imagine-os com belas fatias de pão italiano grelhadas com azeite e alho cru passado sobre elas. Toscaníssimo!

Leia o que o Frances escreveu sobre eles: “Os pimentões imensos, lustrosos e espiralados nos tons primários de vermelho, verde e amarelo são meu legume preferido no verão porque dão vida a muitos pratos“.

Primo Piatto
Sopa de Alho (pag 140)

Com a palavra a Frances: “Como no frango com 40 dentes de alho (lembra ?), a quantidade de alho não é nenhum motivo de alarme. O processo de cozimento atenua o ardor mas mantém o sabor.”

Uma sopa básica: refogue uma cebola pequena picada no azeite. Acrescente duas cabeças (isto mesmo, 2) de alho descascadas até ele ficar macio, sem dourar. Adicione cubos cozidos de duas batatas médias e 1 xícara de caldo de galinha. Deixe abrir fervura e cozinhe por 2 minutos em fogo brando.
Passe tudo no processador, coloque de novo na panela e acrescente mais 4 xícaras de caldo de galinha e uma colher de sopa de tomilho. Acrescente 1/2 xícara de creme de leite, tempere com sal, pimenta e resfrie. Antes de servir, acrescente tomilho ou cebolinha picada. Eu coloquei os dois!

Esta sopa merece um comentário  eu a servi completamente fria e ela é de-li-ci-o-sa. Esta eu vou mandar pra Luna!
Acompanhamos com um vinho branco Albariño Mar de Frades Rias Baixas 2007 Espanha (e garrafa azul!) que foi “, segundo os brunellos, nós mesmos, “delicado, limoncello, solar, garboso“.

Mezzopasto
Sorbet de hortelã e manjericão (pag 139)

Leia mais um trechinho do Sob o Sol da Toscana :”Provei este sorbet incomum mas fascinante na antiga fattoria-que-virou-restaurante Locanda dell’Amorosa, aqui perto em Sinalunga“.

E como todo bom sorbet, este serviu pra dar uma bela limpada no paladar além de refrescar bastante.
Simplesinho, ela nada mais é do que uma calda de água e açúcar fervida (1 xícara de cada), batida no liquidificador com hortelã e manjericão na mesma proporção. Acrescente um pouco mais de água e uma colher de sopa de limão. Daí, pra máquina de sorvete e pronto! Fresquíssimo!

Secondo Piatto
Coelho com tomate (pag 246)
Flan de alho (pag 248)

Um belo coelhinho em pedaços, passado na farinha de trigo e dourado no azeite de oliva. Basta colocá-lo numa assadeira e cobrí-lo com um molho de tomate com balsâmico, cebola, alho cúrcuma, sal, pimenta e sementes de funcho torradas. Esta é a típica receita onde vale a máxima da cozinha Toscana: faça utilizando os ingredientes na proporção que você mais gostar. O importante é ter uma boa taça de vinho pra te acompanhar !

Ainda fiz um flan de alho pra acompanhar (purê de alho, creme de leite, noz moscada, sal, pimenta e gemas de ovo). Delícia pura e depois deste jantar, vampiro na Toscana, jamais!

O nosso vinho tinto foi um Cabernet Sauvignon Volpi Salton 2000 (uma raridade) que se não era uma maravilha, serviu de “chuchu” (bom coadjuvante) pro grande “coniglio”. Nós o achamos “H2O, coniglioso, harmonicetônico, não compremetedor“.

Eu acho que eu vi um “conigliozinho”! E não sobrou nada!

Dolci
Peras em creme de requeijão cremoso (pag 152)

Esta é uma versão italiana das tortas rústicas de frutas que eu devo ter provado pela primeira vez aos seis meses de idade no sul dos USA, onde quase sempre são feitas com pêssegos ou amoras”.
Opa, tudo bem que eu gosto bastante de comida, mas não sou tão precoce assim. Na verdade, este é mais um trecho do livro onde a Frances explica qual é a origem desta torta.

São 6 peras médias descascadas, fatiadas e arrumadas no fundo de uma forma untada. Aí é só salpicar uma colher de açúcar, colocar por cima um creme formado por 4 colheres de sopa de manteiga e 1/2 xícara de açúcar batidos até ficar fofo e adicionar um ovo e 2/3 de xícara de requeijão cremoso finalizando com 2 colheres de farinha de trigo. Leve ao forno a 175°C por cerca de 20 minutos.
Olha, não é porque foi a Frances que passou a receita e muito menos porque é totalmente toscana, mas ficou muito bom!

E ainda acompanhamos com um legítimo limoncello Pellegrino que não é da região, mas o foi o mais perto que eu consegui, já que não tinha nenhum vin santo!

Veja  a opinião dos Ninos, os italianinhos:

Bramasole baixou por aqui! Alho, balsâmico e sabores toscânicos! (Edu)
Viagem à Toscana em 5 piattos. (Mingão)
Belíssimo! Estupendo! (Déo)

Bom, obrigado a Frances Mayes por escrever e descrever tão bem e por transformar a frase que Goethe imortalizou no livro Viagem à Itália que relata a sua estréia no país no século 18, em realidade: “Tudo é como eu imaginava e tudo é novo!”.

Auguri !

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dcpv – da cachaça pro vinho – montreal/ mercado (marché) jean talon

Belle
25/07/08

dcpv – Montreal/ Mercado (Marché) Jean Talon

Montreal é uma cidade bastante cosmopolita. Imagine um lugar onde se fala predominantemente francês; em que o autódromo de F-1 é numa ilha (a Ile de Notre Dame), onde você pega o seu carro alugado (como nós pegamos) e dá voltas no circuito que é de rua (e olha que a pista estava escorregadia!!). E melhor, um passeio totalmente gratis!

Onde existem restaurantes excelentes (Toque, Tru, Au Pied Couchon) e que, por uma das coincidências da vida, nós acabamos não indo em nenhum deles mas em compensação, aproveitamos pra comer um sanduíche de carne defumada num sujinho chamado Schwartz que é um espetáculo.

Ah! A Vila Olímpica também é imperdível.

E a Biodome, o ex-velódromo olímpico,  é um lugar fantástico que reproduz vários ecossistemas do mundo, inclusive a floresta amazônica e por incrível que pareça, onde  conseguimos ver pela primeira vez na vida um … mico leão dourado! Pô, esta é pra não esquecer.

O Jardim Botânico, que é ao lado da Vila, é uma ilha de tranquilidade onde você passa a não acreditar que aquilo tudo tem que ser recomposto ano a ano devido ao frio rigorosíssimo.

 

Tem também um mercado, o Jean Talon, que nos foi apresentado pela Fabrícia (do blog  Sopa Vermelha) e pelo seu esposo, o Mohamed.
Marcamos um encontro lá em Montreal através de e-mails e deu tudo certo. E como deu!


 A Fabrícia e o Mohamed

Vimos uma variedade imensa de frutas …

 

… belas e ….

 

… este pesseguinho tortinho aí de cima é uma delícia.
Também vimos e cheiramos ervas gastronômicas , cenouras roxas …

… cebolas (e que cebolas !!) e tomatinhos.

 

Passamos numa linguiçaria (existe este nome ?) de primeira.

Comemos, através das dicas dos dois, um belíssimo sanduíche de Merguéz (uma linguiça de carneiro muito boa e ardida) …

… com umas belas (e as melhores de lá, segundo o Mohamed) batatas fritas, que estavam crocantes e deliciosas.

Ainda aproveitamos pra fazer uma reunião “comercial”: a Fabrícia e o Mohamed nos entregaram uma “cesta básica tunisiana” contendo uma garrafa de vinho tinto tunisiano, temperos e especiarias, cuscus, dragées, chás e copos pros mesmos, etc.
Além disso tudo, um histórico completo sobre a Tunísia com 3 menus diferentes e 2 cds com a legítima música tunisiana.

Tudo isto pra compor o nosso interblogs que será feito em 10 de setembro (depois de amanhã). Um luxo só! Esperem e verão!

Resumindo: foi uma visita superagradável e mais agradável ainda foi ter conhecido este casal tão bem humorado e tão alto astral.
Esperamos retribuir esta acolhida quando eles estiverem por aqui no final do ano. Desde já, eles tem o título de confrades honorários do dcpv!


Mohamed (com a cesta básica), a Fabrícia, a Dé, eu e a Re.

E o Mohamed, se morasse por aqui, seria um dos nossos confrades pois ele é um “draga” igual a nós!
Pelo visto o  caldo está engrossando pois tanto o Mohamed como o Diogo (dos Destemperados que por sinal acabaram de lançar o excelente Guia Gastronômico de Porto Alegre) tem a nossa principal característica, são “fominhas” também (e apreciadores da boa gastronomia, é claro!)

Até depois de amanhã !

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