Arquivo para 1 de setembro de 2008

come-se chuchu no dcpv

número 188                                                                      27/08/08

                                 Come-se Chuchu no DCPV

Como transformar um vegetal insípido, sem personalidade, coadjuvante da canja e da salada ( e que além disso tem cor de comida de hospital) em receitas tão saborosas e tão deliciosas que nem parecem feitas com um ingrediente sem graça, pouco apetitoso e quase irrelevante (cujo nome não tivemos a coragem de escrever na capa do caderno) .” 


  Não tem nada a ver, mas os ipês da nossa casa estão lindos ! 

Este texto foi estampado na capa do excelente caderno Paladar do Estadão do último 07/08. É claro que ele se referia ao insípido, coadjuvante, sem graça, irrelevante …. chuchu !

E qual não foi a minha surpresa ao encontrar a matéria fundamentada numa pesquisa da Neide do Come-se. Faz um tempão que eu quero fazer uma noite (uma versão dos Inter-Blogs não autorizada!) com os ensinamentos que a Neide apresenta lá no blog dela onde você fica sabendo tudo sobre a riqueza dos alimentos genuinamente brasileiros e na maioria das vezes, desconhecido pelos próprios, nós mesmos. Se você gosta de informação útil e contada de uma maneira agradável, você tem que visitar o Come-se.

Voltando ao nosso homenageado, o chuchu, que inclusive, a Dé adora de paixão ( depois de mim, é claro!), fiquei sabendo que ele é composto de 95 % de água, é tecnicamente uma hortaliça-fruto, é da família das cucurbitaceae ( a mesma da abóbora, pepino e melão) e seu nome técnico é sechium edule. Bastante coisa prum negócio que é tido como sem graça, né ?

           

Como a idéia de todo o Paladar foi desafiar chefes famosos a criarem receitas com o belo “picolé de água” ( e foram 22 as tais), eu aproveitei e escolhi as que formariam o nosso prestigioso menu. E olhe que ainda sobrou o suficiente pra fazer a Noite do Chuchu II, A Vingança !

Vamos, então, ao Banquete dos Sentidos ou melhor dizendo, Receitas com o Ingrediente Mais Sem Graça ( pelo menos até aqui) do Mundo : o CHUCHU !

I – Entradas

Sanduiche de Chuchu – Lourdes Hernandez – Casa dos Cariris
Chuchu a Milanesa – Leila Kuczynski – Arábia
Salada de Chuchu em Fitas – Neide Rigo – Come-se

Já que a onda é inventar, aproveitei pra inventar também. Criei  Chuchuroskas ( o nome não é muito bonito) que foram muito bem executadas pelo Déo.

Uma foi de chuchu, maple syrup, pimenta rosa e Absolut Vanilia.

A outra de chuchu, açúcar, limão, pimenta rosa e Absolut Vanilia.

Ficaram  deliciosas pois a com a Absolut Vanilia, até água sanitaria !!  Neste caso o chuchu foi apenas uma presença cenográfica !!!

 

Já o sanduíche é feito com chuchus médios cozidos cortados ao meio e sem a polpa, recheados com a própria polpa, presunto cru e curry. Depois é só polvilhar queijo mussarela e levar ao forno por 15 minutos. Só vou dizer uma coisa : faça e experimente!

                    

O chuchu à milanesa é feito exatamente igual a um bife à milanesa. Fatie o chuchu no sentido longitudinal, cozinhe-o levemente em água e sal e empane com farinha de trigo, ovos e farinha de rosca. Deliciosos e pra dizer a verdade ainda incrementei com uma fatia de surubim defumado que deixou o bifinho de chuchu com um sabor bem diferenciado.

            

Pra completar, o que era pra ser uma simples saladinha de chuchu cortado em fitas utilizando um descascador de legumes e aferventadas em água fervente salgada com um molho formado por gergelim preto tostado, vinagre branco, óleo de milho, açúcar, sal e gengibre ralado (ufa!!), se transformou numa salada crocante, saborosa e certamente, o melhor prato da noite. A Neide caprichou. E a Dé, que é uma chuchuzóloga e chuchuzólatra de carteirinha, aprovou !

Acompanhamos com um espumante rosé Il Vino  di Poeti Bottega Itália que após espremermos muito saiu só água e  foi “romã, alka seltzer, taste of xuxu “.

                         

II – Principal

Camarão com Chuchu – Renata Braune – Le Chef Rouge

Aí é covardia, você vai dizer! Qualquer coisa com camarão é gostoso, quem diria chuchu ! É quase igual a fazer a tal sopa de pedra !

            

Mas, este prato é simples mas é uma delícia. Pra fazer, basta refogar cebola  e alho no azeite, adicionar tomates picados (sem pele e com sementes) e deixar cozinhar por 20 minutos.   Logo após, adicione um maço de coentro amarrado (que vai ser retirado no final) e o chuchu cortado em cubos pequenos. Mais 5 minutos e coloque o camarão que foi temperado com sal, pimenta e limão. Pronto!  Ainda fiz uma basmati básico com coentro.

Realmente muito bom com o chuchu representando uma bela “batata light” pois a consistência era a mesma .

E junto com o Chuchu com Camarões ( a ordem certa é esta), tomamos um vinho branco Chardonnay Etchart 2007  Salta que foi “mel, azeitona, green chuchu, almiscarado”. Você já viu opiniões tão contraditórias ? 

III – Sobremesa

Tartelete de chuchu, nozes e damascos turcos – Amanda Lopes – Douce France

Uma tortinha recheada com chuchu em cubos, damascos, nozes, fava de baunilha, água e açúcar com um creme composto de ovos, açúcar e creme de leite. E por cima, um crumble de manteiga, açúcar e farinha de trigo.

Neste caso, o chuchu se mostrou um verdadeiro camaleão pois ele absorveu bastante o doce e se transformou numa espécie de fruta cristalizada. Excelente !

Veja a opinião dos confrades sobre as maravilhas deste belo e aguado hortaliça/fruto/legume :

                      

Eduardo – Chuchu beleza ! Saborizado, com textura, doce, amargo. Viva o chuchu !
Mingão – The very best “xuxu” of the world.
Déo – Nunca comi um chuchu tão delicioso em toda a minha vida (sic… Mingão,rsrsrs)

Até a Dé opinou, por ser expert no assunto : Meu chuchu ! ( O Edu, é claro!). Ficou um chuchu !

Bom, conforme a própria Neide escreveu, o chuchu que é considerado o quarto estado da água ( sólido, líquido, gasoso e chuchu!); que dizem ter 3 vitaminas – a A ( água), a B ( bagaço) e a C ( casca); que informam, está concorrendo a prefeitura de São Paulo em forma de picolé é um ingrediente  ( e ficou provado no nosso menu) poderoso e que participa, sim, com a sua personalidade no bom resultado final dos pratos.

Enfim, ficou provado que o chuchu não é tão insípido, inodoro e incolor ( ôpa, cor ele sempre teve!) como se diz por aí !  c.q.d.

Até !

 

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