Arquivo para fevereiro \26\UTC 2009

bologna – a terra do molho a bolonhesa

molhado                                                                                     out/08

                     Bologna – A terra do molho à Bolonhesa

O vôo (tranquilo) da TAM foi SP/Milão. Chegamos, pegamos o carro na Hertz, conhecemos a Maria Joaquina ( a voz do GPS), ignoramos solenemente o bife à milanesa e partimos diretamente pra Bologna, pro molho à bolonhesa.

3 horas de auto-estrada ( e 1 pit-stop no Auto Grill, um posto de conveniências muito legal) com direito a nos abastecer e chegamos a Bologna por volta das 17:00 hs pra fazer o check-in no hotel I Portici .

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É um hotel design bem “esquisitinho”, mas confortável e muito bem posicionado, já que se localiza na  Via Independenza , uma das tantas ( são mais de 40 km) providas de calçadas cobertas por arcos e que são providenciais pra andar em dias chuvosos ou com muito sol.

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Jantamos num daqueles restaurantes típicos, o Il Moro ( é, aquelas armadilhas turísticas!) e comemos “pasta com molho à bolonhesa”, prego ! Inclusive com o vinho meia boca da casa !

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Além de mortadela, prego de novo !

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Bologna ( que novidade!) é uma cidade bastante gastronômica (esta foi um dica da correspondente/DCPV em Roma, a Maria!). Existem vários estabelecimentos vendendo o melhor em frutas ….

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… legumes …

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… salumerias …..

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…. e tudo o mais.

Pra culminar, fizemos um jantar espetacular no restaurante do próprio hotel.

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Reservamos com o próprio maitre que por si só já era uma “figuraça”! Todo bronzeado artificialmente e com a sobrancelha tirada, parecia um daqueles vilões de novelas  mexicanas.

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Exatamente as 21:30 hs, começamos nosso giro culinário bolonhês e, sózinhos. Não tinha mais ninguém no restaurante que é muito bonito pois fica num teatro antigo com direito a balcão, palco e tudo o que existe numa daquelas salas de espetáculos de antigamente.

Iniciamos com um belo prosecco e um amuse buche (com as honras da casa !)  

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Entradinhas …

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… e eu pedi um tris de conchas.

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A Dé, uma lasagnetta de tonno (ô, affetaccione!!) como principal.

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E eu, uma lagosta azul com purê de baunilha.

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Pra culminar, o melhor Petit Gateau que a Dé comeu até hoje ( segundo ela mesmo! E ela falou agitando as mãos !!!). Ele veio com sorvete de baunilha, molho de  café e frutas vermelhas. De fechar o “mercatto” ! 

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Vinho de sobremesa e docinhos foram nos “regalados”.

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Ah! Também tomamos um vinho branco Chardonnay Bramito 2007 Umbria  que o maitre tez questão de nos presentear com o rótulo (é muito legal este processo de adesivar e retirar, sem  rasgar!).

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Olha! Foi um banquete e provavelmente com o melhor serviço e custo/benefício que tivemos na viagem. Sem contar que era só pegar o elevador e subir até o 4º andar pra estarmos em “casa”, abrir a janela e apreciar a paisagem !

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Bologna tem que ser visitada  pois é uma cidade grande, bonita, confortável, ótima pra andar, com comida de primeira e bastante romântica!

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E não esquecendo que Bologna é uma bela parada intermediária pra ir pra Toscana, passando por Lucca…

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… Pisa e o maior imã do mundo, a Torre …

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… San Gimignano ( a Manhattan italiana)…

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… e chegando a Siena com o seu belo Duomo.

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Arrivederci !!

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histórias budistas no dcpv

oooommmm                                                                   29/01/09

                          Histórias Budistas no DCPV

Esta história se passa num mosteiro no Tibet. Um grande mestre quer ensinar os alunos a alcançarem o Nirvana.
 Ele diz o tempo todo :
Esvaziem a mente ! Esvaziem a mente !
Os alunos não aguentavam mais e perguntaram : Mestre, por que esvaziar?
O mestre respondeu : Eu quero que hoje à noite, todos venham com copos cheios de vinho na mão !
Anoiteceu, os alunos vieram e o mestre disse :Peguem garfos e facas e batam nos copos. O som resultante foi bastante fraco.
Então ele falou: Bebam o vinho e batam nos copos. Todos bateram nos copos vazios e o som foi intenso.
Aí, um aluno levantou a mão e afirmou : Entendi, mestre. Mente cheia, não ilumina. Mente vazia, ilumina !

            E o Ilan disse : Terminou a história !

Pra acompanhar esta história, a Joana ( agora, efetivada como chefe do projeto Degustação de Histórias) serviu um chá verde com creme de leite e melado de cana. Leve, saudável e budista. Parecia que iríamos levitar.

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Iríamos, quem? Onde ?
Quem? Eu, a Dé, a Emília e o Marc, esposo dela.  A  Emília é a titular do excelente blog A Turista Acidental e também seguidora do Viaje na Viagem, o  VnV  do Ricardo Freire que fica no ViajeAqui. Nos conhecemos virtualmente através da comunidade VnVista e havia um tempão que tentávamos marcar uma mini-petiz ConVnVenção. Que foi devidamente realizada lá na Livaria da Vila da Vila Madalena no projeto  Degustação de Histórias com o Ilan Brenman (por sinal, o post sobre Histórias Eróticas é o campeão de acessos do DCPV!).

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Desta vez, as histórias contadas pelo Ilan, seriam budistas e escoltadas por comidas com raízes também budistas. Ou seja, naturistas, saudáveis e vegetarianas. A mulherada adorou !

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“Buda estava conversando com seus discípulos. Mais ouvia do que falava.
De repente, chega um estrangeiro, olha pra Buda e diz : Quero brigar com você !
Pra surpresa de todos, o Mestre se levanta e abre-se uma roda. Buda olha para ele e faz uma reverência.
O estrangeiro pega terra e joga na cara de Buda. Cospe na cara de Buda e xinga Buda insistentemente. Buda nada fala!
Uma hora depois e cansado de tanta baixaria, o estrangeiro vai embora!
Os alunos dizem a Buda : Quanta humilhação! Por que o mestre não fez nada !
Buda se limpou e disse : Quando alguém vai a sua casa e te leva um presente, com quem fica o presente ? Pois bem, se alguém te insulta, cospe, xinga, com quem ficam estes sentimentos se você não os aceita ?

E o Ilan disse : Terminou a história !

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Belíssima história acompanhada por uma bela salada de shimeji com pimentão e cebola. Bem temperada e bastante alegre. Quase nos levou ao Nirvana !

Existem dois animais no Tibet: o iaque ( uma espécie de lhama) que vive nas alturas e o búfalo, que vive em lugar baixo. Esta história é uma fábula. Portanto, os animais falam !
Um dia, os dois se encontraram e surgiu uma afinidade entre eles. O iaque disse : Búfalo, você é bacana. Até corinthiano você é, assim como eu. Amanhã você vai até a minha casa !
O búfalo foi e subiu, subiu e ficou sem ar. E disse : Não tá dando, iaque. Amanhã, você é que vai até a minha casa !
O iaque foi e desceu, desceu e acostumado ao frio, disse : Porque tanto ar, búfalo! Estou passando mal! Não consigo ficar aqui. Vou embora.
Como manter esta amizade? O búfalo foi até o lama, que o  aconselhou: Você, meu caro búfalo, vá subindo e pare aonde der. Avise ao seu amigo iaque para descer até o seu limite.
No outro dia, fizeram o que o lama aconselhou e perceberam que se encontraram num local onde ambos se sentiam bem. Estava criado o ponto de equilíbrio.
A amizade se encontra no Ponto de Equilíbrio!”

E o Ilan disse : Terminou a história !

Comemos a seguir, pastéis de cenoura e repolho, parecidos com guioza. Olha, estava tão bom( e o papo também) que a Dé se esqueceu de tirar as fotos. Pra ilustrar melhor, fiquem com o registro da dançarina de música indiana que deixou a noite com cara de Caminhos da Índia ( no bom sentido!). A Dé e a Emília acharam a roupa dela tão bonita que estavam loucas pra perguntar onde ela tinha comprado.

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” Um brâmane (está na moda) tinha uma bela casa e na frente dela,um rio.
Ele gostava muito de tomar leite fresquinho de cabra  toda manhã e no mesma hora.
Ele falava pra entregadora que em alguns dias não chegava no horário :
  Olha a hora !
Ele respondia : A culpa é do rio. No que o brâmane retrucava :
Se você fosse crente e acreditasse, andaria sobre as águas! 
Passaram-se vários dias e as entregas eram feitas regularmente no mesmo horário. O brâmane perguntou o que aconteceu. A moça respondeu :
Eu aprendi a andar sobre as águas !
O brâmane pensou : Eu que ensinei! Eu também consigo. E tentou andar mas afundou. Mas não desistiu.Ele treinou, treinou e em um ano e com muita fé, conseguiu andar sobre as águas. Pensou : Preciso mostrar isto pra alguém.
Vou chamar Buda !
Buda veio  e o brâmane disse :
Mestre, eu sei andar sobre as águas !
Buda perguntou :
Quanto tempo você demorou pra aprender isso?
O brâmane respondeu :
12 meses!!
E Buda finalmente deu o seu parecer : Pois então você perdeu 12 meses da sua vida. Pra que serve andar sobre as águas se já existem os barcos !”

E o Ilan disse : Terminou a história !

Nada melhor do que sustância (rsrs). Uma bela sopa de macarrão com legumes, cebolinha, brotos de feijão e bambu . Um lídimo representante da raw-food. Harmonizou-se perfeitamente com o espírito da noite. Sentimo-nos como se estivéssemos num mosteiro  !

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” Um aluno quer chegar a iluminação de qualquer jeito e o mais rápido possível.
Para tanto, ele jejua demais e recita muito mais  mantras que o normal.
O mestre percebe como ele é afoito e diz pra ele : Meu amigo, pra que tanta pressa? Pra alcançar a iluminação? Quem disse que ela está na sua frente? Ela pode estar atrás de você! Descanse, pense e quem sabe, talvez ela te alcance !”

E o Ilan disse : Terminou a história !

Ooooooooooommmmmmmmmm! Já estávamos todos em ressonância e iluminados quando a Joana anunciou: sobremesa ! E é arroz doce com especiarias.

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Canela, cardamomo, cravo. Estava tudo lá ! E reunidos harmoniosamente com o clima da noite budista.

Como o próprio Ilan disse, a noite foi especial e parecia que estava rolando uma empatia grande entre todos. No nosso caso, a empatia com o casal Emília/Marc foi instantânea.  Tanto que esperamos encontrá-los outras vezes e que se tudo der certo, que seja numa outra noite de contação de Histórias.
Fica a sugestão de um tema : Histórias Italianas  ( e com toda a epopéia gastronômica que representa!! Eu e o Marc agradeceremos! rs)

Até  e terminou o post !

 

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projeto y-4 : marizé, lpontes e dcpv – tecno e emocional

Só eu e a Dé                                                             sabadão, 31/01/09

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    Projeto Y-4 : Marizé, LPontes e DCPV – Tecno e Emocional

Fala-se muito em cozinha tecnoemocional. Segundo uma pesquisa que eu fiz, ela é  … técnica porque parte de um pensamento racional, de estudos com bases científicas e experimentações com máquinas e utensílios novos. E emocional porque deriva das raízes e culturas de cada chef!

O objetivo desta edição, a 4º, do projeto Y é nos iniciar (ou terminar a carreira! rs) na parte tecno descrita acima  e ao mesmo tempo, utilizarmos a emocional já que teremos além de receitas com espumas do Ferran Adriá,  receitas de pratos comfort-food do Alex Atala ( sim senhores, estou justificando a outorga do premio Paladar de ” Melhor comida Caseira” pra ele!).

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Como não chamar de emocional, um mingauzinho de requeijão que o Alex faz pro seu filho ? Ou um arroz com feijão e picadinho que representa tudo aquilo o que pensamos quando o assunto é cozinha com pedigree, com história, quem sabe uma cozinha da mamãe ou da vovó?

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Já fizemos 3 versões anteriores deste projeto que nada mais é do que a vontade da interação de 3 foodies ( veja quando eu no , o LPontes no e a Marizé no indicamos os menus) que além de descobrirem coisas novas, também estão afim de dividirem uma das coisas mais antigas : a boa amizade!

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Isto posto, vamos ao menu tecnoemocional, muito mais emocional do que tecno, que eu indico pro nosso projeto Y.

Bebidinha tecno  – Gin Fizz

Este é um Gin Fizz reinventado (desconstruído ?) pelo Ferran Adriá.

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Inicialmente faça um xarope com 150g de açúcar e 150ml de água misturados e fervidos. Tire do fogo, espere esfriar e guarde na geladeira. Logo em seguida, faça uma espuma quente. Bata 4 claras. Junte 125 g  ( são gramas mesmo!) de suco de limão, 75 ml de gim e metade do xarope acima. Peneire e coloque no sifão. Carregue a cápsula, sacuda e mantenha em  banho-maria em 65ºC.

Faça também uma granita, misturando 250 ml de suco de limão, 150 ml de gim e a outra metade do xarope. Coloque tudo na sorveteira.

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Encha metade de cada taça com a granita e termine com a espuma quente. A idéia é usar uma colher pra misturar a parte gelada ( a granita) com a parte quente ( a espuma ).

Eu acho que este rapaz vai longe, este Ferran ! E espero que a Marizé e o LPontes tenham gostado deste Gin Fizz !! rs

Entrada emocional – Brouillade de Ovos e Requeijão  (Alex Atala)

Simplesinha e gostosinha. 100 g de manteiga, 100 ml de leite e 1 copo de requeijão misturados a frio e levados pra derreter em banho-maria por volta de 40ºC.

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Bater 6 ovos separadamente e juntar com a mistura acima, mexendo bastante. Cozinhe até chegar a uma consistência que você goste. Salgue a gosto e sirva imediatamente. É bom demais, sô !

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Entrada tecno – Espuma de Batata, a Tortilla do século XXI ( Ferran Adriá)

Esta é uma desconstrução total da tortilla tradicional. Basicamente é uma espuma quente de purê de batatas ( elas, creme de leite e azeite de oliva num sifão), cebolas caramelizadas ( cebola em tirinhas, azeite e água) e um zabaione ( gemas e água fervente em banho-maria).

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 Pra montar é só colocar uma colherada da cebola num copo alto …

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… cubrir com uma camada do zabaione e …

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… terminar com a espuma quente de batata.

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Espetacular e muito gostoso de fazer e de comer. Certamente, a Marizé e o LPontes adoraram também estas entradas.

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Principal emocional – Arroz, feijão e picadinho ( Alex Atala) + farofa ( Eduardo)

O arroz seria um agulhinha.  Estávamos com pressa e fizemos um Basmati ! Que bela troca !

O feijão é feito com alho, cebola, couro de bacon, louro, pé de porco fresco ( segundo o Alex, por ter  gelatina, dá um pouco mais de persistência aos sabores), bacon, ciboulette e coentro.

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Já no picadinho vai alcatra, tomates, cenoura, cebola, alho, coentro, cebolinha verde, sal e pimenta do reino.

E a farofinha, fiz uma base com alho poró, pancetta, manteiga de ervas e uma farinha de mandioca amarela de primeira.

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Duas montagens foram feitas. A primeira ficou um pouco mais feinha ( se bem que com a Dé tirando fotos, é covardia!).

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E a mais bonita, que mostra o porque de ter sido escolhida pra este 4º Y. Espero que a Marizé e o LPontes tenham aprendido o “segredo” do arroz-com-feijão brazuca/ataliano ! E que tenham gostado !

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Ainda acompanhamos com tinto Bonarda Portal Andino 2003 da Finca San Juan Mendoza que segundo o próprio enólogo é indicado pra “feijão bem temperado com arroz e picadinho”. Bingo !!

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Sobremesa tecno – Espuma de Manga, Iogurte e Framboesa ( Ferran Adriá)

No sifão foram colocados 200 g de polpa  fresca de manga diluída em água e folhas de gelatina. Logo após, esta mistura ficou na geladeira por pelo menos, 30 minutos.

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Pegue um pote de geléia de framboesas e misture framboesas frescas para criar duas texturas.

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Finalmente, monte colocando um pouco de geléia no fundo, iogurte natural por cima e termine com a espuma gelada de manga.

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É bastante refrescante, mas achamos a receita menos gostosa de todas. Seria por causa da quantidade de coisas comidas anteriormente? Ou por causa do Gin Fizz ? rsrs

Máquina de calcular ou computador? Carta ou e-mail? Vinil ou CD ? Foto analógica ou digital? Vídeo-cassete ou blu-ray? Cozinha tecnoemocional ou cozinha tecno ou emocional? Sei lá ! Cada um escolhe o que quer e no final, o que mais vale é o prazer de comer bem ( e bem acompanhado) !

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Bom, missão cumprida ! Mais uma etapa do nosso (meu, da Marizé e do LPontes) projeto Y. Aguardo a próxima missão onde o Luís indicará o Y5  !

Câmbio  e desligo !

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dcpv – paladar, receitas de verão

número 204                                                                               28/01/09

                                  Paladar, Receitas de Verão

Verão… alegria…. movimento….. rádio DCPV !!

O suplemento Paladar ( Estadão, todas as quintas) continua me surpreendendo, por incrível que pareça, né Luiz,Patrícia ?

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Além de ser, atualmente,  a melhor informação sobre gastronomia na mídia, encartou na sua última edição, um livrinho com 30 receitas de pratos fáceis e com a cara do verão .

O nome do livrinho ? Paladar, Receitas de Verão ( nada a ver com as daquela “gordinha-sexy”, a Nigella!).

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Imagine a minha surpresa ao receber junto com o meu exemplar (por sinal muito bom  e sobre ervas gastronômicas), este belo livrinho. Só o subtítulo já valeria à pena :  ” Fique frio, 30 pratos pra espantar o calor“.

É claro que juntando o calor reinante com a minha disposição  pra fazer coisas gostosas e com a cara do verão,  o motivo desta noite já estava mais do que escolhido.

Vou plagiar o texto de introdução do livro e seguir uma bela máxima : “Verão pede sombra e comida fresca“. Então, vamos à comida fresca pois a  sombra ( até por ser de noite) já está garantida. Ê, Paladar !

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Inicialmente, colocamos os maiôs e tomamos algumas Pinas Coladas.

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Logo após passarmos o bloqueador solar, começamos a degustar o menu Paladariano de Verão.

Como entradinha, Bolinhos de Arroz com Sementes de Papoula. Arroz cozido, ovos batidos, queijo ralado, salsinha, farinha de trigo e sal formam a massa.

Aí é só formatar os bolinhos, passar em ovos batidos e na farinha de rosca misturada com papoula ( eu sei que está proibida a importação deste ingrediente muito “perigoso”, mas ainda tenho um pouco dos meu antigo fornecedor, o sr  Lingua! rs).

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 Frite 3 de cada vez em óleo quente até dourar por igual.

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Pra dar um upgrade, dê uma molhadinha nos bolinhos numa passatta de tomates ( tomates maduros sem peles e sementes, passados no processador e temperados com sal, azeite e manjericão). É muito bom !

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Se eu fosse dono de uma daquelas barraquinhas na praia, venderia estes bolinhos no lugar daqueles manjados quitutes tais como “pastéis, coxinhas, porquinhos, lulas, camarões fritos !!”. Ficaria rico!!!

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Falou em verão, falou em sopa fria, não é Nina Horta ? Então aqui vai um Creme Gelado de Cenoura com Curry. Extremamente refrescante, pra fazê-lo é só refogar no azeite, cenoura, batata e salsão. Cubrir com caldo de legumes  e juntar um pouco de curry, sal e cozinhar até que os legumes estejam macios. Bata no liquidificador e ponha na geladeira.

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Sirva com cubinhos de pimentão vermelho, abobrinha e cenoura crus.

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Estas entradas parecem aquela famosa brisa marítima que chega pra dar uma amansada naquele calorão. Manja?

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E com toda essa comida praiana, uma cervejinha pra acompanhar, não é ? Errado, aqui no DCPV, a nossa cervejinha é um belo vinho branco bem gelado ( ou melhor, na temperatura adequada) Sauvignon Blanc Leon de Tarapacá 2008  Chile  e que afirmou em bom carioquês, sou ” limento, maresia, aeroquina, schweppes “.

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Como principal, uma bela pasta. Um Espaguete com Pesto de Rúcula e Gorgonzola que é facílimo de fazer e mais ainda de degustar. E olha que já tínhamos jogado um pouco de frescobol !

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Um pesto feito no processador ( viva a praticidade!) com rúcula, alho, amêndoa, queijo ralado e azeite que é acrescentado gradualmente até se obter uma pasta densa e granulada. Coloque numa tigela e guarde na geladeira. Dá pra fazer antes de ir à praia !

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Depois de voltar da bela orla marítima, faça o macarrão e misture com o pesto, adicione pedaços de um bom gorgonzola e decore com folhas de rúcula. Eu ainda coloquei um pouco da água de cozimento pro molho ficar um pouco mais fluido.

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Olha, é um tremendo up-grade daqueles macarrões que comíamos (??) quando íamos em turmas, ainda jovens,  rumo ao litoral. Ainda bem que evoluímos !!

Como não somos de ferro ( ainda bem, pois enferrujaríamos com a maresia!), tomamos um vinho tinto, o  Tanat/Cabernet Franc Corte Dos Catamayor 2005 Uruguai , que se comportou como um verdadeiro salva-vidas e disse, sou “adstringente, apestado, corte mayor, graposo“.

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Estamos cansados. Afinal de contas descansar na praia, cansa! Mas mesmo assim vamos pro sacrifício. À sobremesa !!!

Um Arroz Doce com Gengibre e Caramelo.

O arroz doce é feito do jeito tradicional com a adição de gengibre ralado.

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O caramelo é uma simples calda de açúcar e água.O resultado é esta belezura.

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E a certeza de que o nosso grande companheiro, o Paladar nos ajudou ( mais uma vez) a transformar uma noite num belo dia de verão.

Leia abaixo o que os ratos de praia acharam de tudo :

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É, mermão! Vem chegando as receitas do verão ! (Eduardo)
Perfeito como uma tarde em Itapuã! ( no verão, é claro!) (Mingão)
Excelente! Pesto mais que delicioso. (Déo)

Bom, é tempo de levantar acampamento, tirar a areia do corpo todo, sofrer um pouquinho pra tomar banho devido à vermelhidão ( mesmo com todo aquele bloqueador) e passar hidratante a vontade.

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É tempo de aproveitar as outras 26 receitas que ainda não foram feitas !

Até amanhã, na mesma praia !

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dcpv – nina horta : umas tapas no nosso bar

número 213                                                                               21/01/09

                        Nina Horta : Uma tapas no nosso bar

Todo mundo que gosta de comida/gastronomia/bom texto/sacadas incríveis acompanha a coluna da Nina Horta na Folha às quintas-feiras.Nós ( eu e a Dé) somos umas destas pessoas. Sempre lemos e comentamos  internamente com bastante entusiamo ( mesmo as mais “PCs”).

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Tudo bem que ultimamente ela andou discorrendo ( bem também) sobre resenhas de livros, convites para festas ( esta foi hilária!), etc , mas como ela mesmo escreveu : ” O leitor quer um descanso de resenha de livros, de sociologês barato, quer comida barata, isso sim“.

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Isto posto, e utilizando como base uma série de receitas que apareceram no excelente texto “Umas tapas no nosso bar” ( crônica do dia 15/01 e que não consegui achar no arquivo da Folha de jeito nenhum. Uma pena, pois o texto é demais ! Em tempo, a Daniela conseguiu e  ela está no final do post) , estava dado o motivo pra mais uma das nossas belas noites.

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Vamos às tapas espanholas e como não poderia deixar de ser, vou também aproveitar o trocadilho ( como a própria Nina o fez)  : estes tapinhas não doem !

Como um pequeno beliscão, caipiroskas de limão e melancia by Absolut Vanilia. Simplesmente !

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Acompanhadas de azeitonas marinadas ( azeitonas verdes, alhos amassados, raspas de tangerina, rodelas de limão, azeite, louro, pimenta em flocos, uma pitada de cominho. Deixar cinco dias marinando)  e …

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… uma lata de atum ( Coqueiro, sim senhor !) misturada a cebola roxa cortada e um pouco de vinho tinto ( o mesmo que usei na Sangria). A noite vai ser boa … ( Já dizia Claúdio Zolli).

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Como entrada , uma Sopa de Morango com Funcho.

Sopa fria é com eles ( com todo mundo, menos nós). São refrescantes, mas não fazem o nosso estilo. Falta de costume, só isso, ninguém com sede e fome pode dispensar um gazpacho geladinho” escreveu e disse muito a Nina.

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Esta sopa tem como base uma xícara de pão velho sem casca e demolhado. Cozido com morangos e batido . O funcho entra cru, fatiado em pequenos filetes. Muito boa e com o calor reinante, mais do que necessária !

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E uma saladinha russa! A famosa e “indefectível” salada russa ( batata, cenoura, ervilhas, ovos duros picados e Maionese Hellmanns. É, hoje o jabá está pesado!). Como a Nina salientou  ” sem saber porque, aquela lembrança súbita de almoço de domingo“.

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Levante a mão aquela que nunca comeu uma salada russa na casa da mamãe . É realmente uma comida com DNA!

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Acompanhamos com um vinho branco Sauvignon Blanc/Chardonnay Mapu 2007 Chile que  disse, sou: ” cítrico, refreshing, chão de vinícola, mapu tá vinho, jardinesco“.

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Como principal (se é que podemos chamar alguma tapa como entrada/principal!), um prato que a Nina mais gosta e que lhe foi ensinado por uma querida amiga espanhola.

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Lentilhas feitas com peras duras inteiras, com cabo e tudo e que eram servidas num prato fundo com azeite e vinagre bons, num fio, por cima.

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A Nina escreveu ” Uhm” e nós vamos complementando o coro . Hummm!! ( o da Nina, não o daquela da Globo!).

Pulei a “sardinha frita muito sequinha” (“magina” que a nossa casa iria ficar cheirando “anos a fio” !) e o frango do Adriá ( uma Tv de cachorro com um montão de coisas pra enobrecer o molho. Coisas daquele menino espanhol metido a cozinheiro! rs) e fui pro camarão pois era só pegar cumbucas individuais, encher de azeite quente, juntar com alho com casca e uma pimenta inteira.

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Depois, levar ao forno e quando ferver, juntar dois camarões também com casca por uns 3 minutos. Pãozinho no azeite e está tudo certo !

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Este camarão frito  no azeite quente é tão bom que equivale a um tapa de luva de pelica.

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Pra acompanhar tapas deste naipe, só uma bela sangria. E ainda bem que não é desatada!

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Feita com um vinho tinto Otazu espanhol, rodelas de limão e laranja, suco de limão, açúcar e muito gelo ! Ficou ” perfumada, comfortfoodável, sangre bom, bom“.

Como sobremesa e já que a Nina não citou nenhuma na crônica, usei uma das minhas criações ! (modesto, não?).

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Sorvete de mascarpone com calda de goiaba vermelha e açúcar gay. Bom demais !

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Nós, como fiéis leitores, não tínhamos pedido esta crônica. Mas agradeço imensamente que alguém o tenha feito pois através desta solicitação, tivemos a possibilidade de ler um texto excelente e pela primeira vez ( talvez isto seja inédito), comer literalmente o texto !  Foi uma noite espetacular !

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Leia o comentário dos boxeadores :

Viva as tapas ! Abaixo o sociologês ! (Eduardo) 
Esse tapa não doeu nada ! (Mingão)
Tudo “duca “com o auxílio do Romeu e Julieta desconstruído ! (Déo)

Termino com a frase final do texto da Nina :
Pronto, caro leitor, um dia sem papo cabeça para o seu alívio.”

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Os nossos cérebros e  estômagos  agradecem !!

Hasta !

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PS – E como a Daniela mandou ( e a própria Nina autorizou) segue abaixo a íntegra do precioso texto :

 

NINA HORTA

Umas tapas no nosso bar


O leitor quer um descanso de resenhas de livros, de sociologês barato, quer comida barata, isso sim


UM TAPINHA não dói! Principalmente na Espanha. Comer tapas, tapear, bebericar e conversar. Um cheiro de presunto cru no ar.
Um leitor me escreveu dizendo ter saudades das receitas. Quer receitas? Mas nem pensar em desagradar a um leitor, nem pensar.
Imagino que as tapas espanholas vão caber neste nosso bar.
Duas xícaras de azeitonas verdes marinadas com uns seis alhos amassados, duas colheres de raspa de tangerina, umas rodelas de limão, azeite, louro, pimenta em flocos, uma pitada de cominho. Cinco dias.
Entendi, o leitor quer um descanso de resenhas de livros, de sociologês e filosofês barato, quer comida barata, isso sim.
Os espanhóis têm ótimas coisas em lata, e nós curtimos nossos preconceitos de latarias há muito tempo. Em minha casa, nunca entrou uma lata de extrato de tomate, nem sei o gosto. Em compensação, fizemos uma experimentação às cegas, de atum, e ganhou o brasileiro Coqueiro. Foi uma alegria. É só abrir a lata. Uma cebola terá sido previamente cortada e posta a marinar em vinho tinto. (Para falar a verdade, nem precisa marinar em nada.) Na hora, é só escorrer e misturar. Pode pôr uma colherinha de maionese e umas torradas boas ao lado.
Sopa fria é com eles (com todo mundo, menos nós). São refrescantes, mas não fazem nosso estilo. Falta de costume, só isso, ninguém com sede e fome pode dispensar um gazpacho geladinho. E as invenções em torno dele são tantas. Sopa de morango com funcho, tendo como base uma xícara de pão velho sem casca, demolhado por uns dez minutos e cozido com os morangos em um caldo. Bate-se. O funcho entra no fim, cru, em filetes mínimos.
Muita gente, principalmente os políticos, se lembra da salada russa. Batata, cenoura, ervilhas, ovos duros picados e, talvez, o indefectível atum. Maionese Hellmann’s e amasse bem, não tanto como um patê, mas que deixe as pessoas confusas, sem saber porque aquela lembrança súbita de almoço de domingo.
Uma espanhola querida me ensinou um dos pratos de que mais gosto. Fazia a lentilha com pequenas peras duras, inteiras, com cabinho e tudo. E, na hora de servir, prato fundo, uma concha de lentilhas, uma pera em pé, azeite e vinagre bom num fio, por cima… Uhm.
Um dos melhores petiscos é sardinha frita muito sequinha, que se pode comer toda, inclusive o rabo, mas quase impossível fazer numa casa, pois fica cheirando por anos a fio.
Não adianta um exaustor de última geração. Não adianta. Tudo que é feito com grão-de-bico é bom. Lembro de um espanhol recém-chegado que foi trabalhar na nossa casa e se recusava a comer. “E as codornas com grão-de-bico?”
Sabem que o Ferran Adrià escreveu um livro de comida caseira com ingredientes de supermercado? Por exemplo, compra uma galinha bem assada, pronta. Depois, faz um molho com ameixas, damascos, pignoli, um pouco de raspa de laranja e limão, vinho do Porto, canela, uma xícara de caldo (será de quadradinho?). Daí, separa o frango em partes, arruma numa forma de ir à mesa, despeja o molho por cima.
Dez minutos mais ou menos e pode servir para as visitas. (Chi, esqueci que falávamos de tapas, mas ponha um pedaço em cada prato pequeno e vira tapa.) Detesto galinha com damasco e ameixa; se é para simplificar, deixa com farofa mesmo. Não falei em camarão por causa do preço, mas pode-se pegar uma cumbuca individual daquelas pequenas, encher de azeite quente, juntar um alho com casca, uma pimenta inteira. Levar ao forno e, quando ferver, juntar dois camarões também com casca por uns três minutos. Uma cumbuca por pessoa, claro. Comer com pão.
Pronto, caro leitor, um dia sem papo cabeça para o seu alívio.

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