Arquivo para dezembro \30\-03:00 2009

dcpv – da cachaça pro vinho – blogueando, comendo, conversando, assistindo filme

isso é que é vida
27/28 e 29/11

dcpv – Blogueando, comendo, conversando, assistindo filme

Este final de semana na praia foi muito bom.

Não tinha muito sol; até choveu um pouco. O calor continuou desértico, mas a agenda era tão interessante que nada nos desanimaria.

Sexta- 20:30hs

Jantar reservado no ICI Bistrô .

E parecia que eu estava adivinhando que o chef Benny Novak ganharia dois prêmios do excelente Paladar: melhor sobremesa, o Pain Perdu e melhor prato de bistrô, o Moules et Frites.
Iríamos encontrar a Márcia (ex Le Fouet e atual Guigão vem aí  !!!) e o maridão, o leonino (fanático torcedor do rebaixado Sport Recife) Marco Aurélio.

Saímos da grande Ferraz de Vasconcelos por volta das 17:30 hs.
4 hs depois (sim, senhores), as 21:30 hs, a Dé estava ligando pra Márcia dizendo que atrasamos muito (nunca vi trânsito assim. E olha que somos especialistas em congestionamentos!) e que já tinha desreservado (existe esta palavra?).

Como somos teimosos (a Márcia e o Marco nos acompanharam na teimosia), retornamos ao plano inicial e chegamos ao Ici pra jantar as 23:00 hs.
E foi excelente. Comida muito boa com um papo melhor ainda. Sabe aquela empatia que acontece à primeira vista? Pois foi isso o que aconteceu!

Comemos rãs, magrets, pato confit, peixe assado, pain perdu, tomamos duas garrafas de vinho e falamos bastante sobre tudo: viagens, futebol, filhos (“o Guigão está uma graça”, “a Renata também” rs).
As fotos estão um horror pois o lugar é escuro pacas!!

 

Enfim, Márcia e Marco, nos aguardem em Recife!!

Sábado – 13:00 hs

Hora de conhecer o restaurante D’olivino.

Ele tem uma proposta mediterrânea e a ideia, que não é original, mas é interessante, de harmonizar azeites com os pratos oferecidos.

O couvert é trivial e pra variar, pedi um polvo de entrada, um pulpo gallego com bastante páprica (acho que vou entrar pro APA, a associação dos polvólogos anônimos).

A Re pediu um Risotto Toscano, que tinha linguiça artesanal, vinho tinto, radicchio e azeite aromatizado com alecrim.
Estava bom, mas ainda acho que muitos chefs acham tão fácil fazer um risotto que não prestam atenção ao ponto do arroz. Modéstia a parte, os meus são muito melhores.

A Dé pediu uma massa estupenda, um Casoncelli Due Formaggi ao Limone, recheada com ricota de búfala, queijo pecorino e limão siciliano ao molho pomodoro e azeite com manjericão .

E eu, um Tagliatelli Nero a la Pescatora, uma massa fresca com tinta de lula, acompanhada de camarão, polvo (olha ele aí de novo!) e lula, com um toque de vinho e azeite . Extremamente al dente e com gosto de mar!

Nada de sobremesa; só mais uma breve olhada na arquitetura do lugar.

Sábado – 20:00hs

E não pedimos sobremesas pois tínhamos marcado um jantar na sede com o grande Flávio Federico e a sua esposa, a Ângela, esteios da incrível Sódoces.
E melhor, um jantar peruano.

Imagina a responsa. Eu, cozinhando pra Ângela e pro Flávio?
Deu tudo certo. Ceviche, causa e lomo saltado depois ….

  

… e o Flávio resolveu mostrar o seu talento e fazer um Suspiro de Brasileña já que ele adaptou alguns ingredientes pro nosso gosto.

Fez o creme, mas adicionou pêssego fresco em cubos (que eu cortei! Esta vai pro meu currículo). Também fez o suspiro, mas juntou amêndoas tostadas.

E finalizou com a destreza de um mestre além de criar uma florzinha de pêssego. Sensacional!

E tem mais: quem quiser experimentar é só passar na Sódoces. O Flávio colocou este doce pra vender por lá. É muito bom!

Domingo – 20:00 hs

Satisfeitíssimos com o desfecho da rodada do Brasileirão (uma vez Flamengo, sempre…) fomos assistir a Julie&Julia. Achei mais ou menos e se a Merryl Streep resolvesse não fazer o filme, certamente seria uma película de Sessão da Tarde (uma daquelas bem ruinzinhas de segunda-feira rs).

É melhor aguardar um filme só com a vida da “tremenda” Julia Child!!

The End.

And Happy New Year.

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dcpv – da cachaça pro vinho – qosqo III – trem hiram bingham e cidade/hotel bicho-grilo.

Ferraz, querido e saudoso Ferraz
14/10/09

dcpv – Qosqo III – Trem Hiram Bingham e cidade/hotel bicho-grilo

Quando eu vi que do pacote da Teresa Perez (eu já contei que a própria, a lendária e extremamente simpática D. Teresa viajou conosco?) constava o translado Cusco-Águas Calientes pelo trem do Orient Express, o Hiram Bingham, falei pra Dé: Nós vamos comprar este tour!

E a experiência é inesquecível!

Imagine! Em pleno aniversário de Ferraz de Vasconcelos (14/10) e nós, pela manhã, em Cusco e nos dirigimos a estação onde embarcaríamos no lendário trem.

Shows típicos, espumante de boas-vindas e o trem partiu pruma viagem de 4 hs, percorrendo 120 km de distância.

 

O trem é super-confortável e as paisagens são lindas.
Campos, transformação da vegetação, pessoas interessantes, enfim, tudo passa pela janelinha.

Ah! Fique do lado esquerdo, pois é possível ver até pessoas fazendo rafting já que o rio Urubamba te persegue o tempo todo com as suas corredeiras.

A comida também é excelente. Brunch na ida, de manhã …

… e um belo jantar na volta, que no nosso caso foi na noite posterior.

Chegamos rapidamente à Águas Calientes, (já dizia o grande filósofo contemporâneo Edu, que quando a gente está se divertindo, o tempo passa rápido) que é praticamente uma Guaianases, atravessamos um mar de lojinhas com camisetas da Inka Cola e congêneres sobre as inúmeras utilizações da folha de coca e chegamos ao hotel Inkaterra Machu Picchu.
Que por sinal, é muito bonito!

Ele é inserido na floresta; tem vários bangalôs afastados um do outro e é encravado num terreno bem acidentado …

… com direito a um santuário de beija-flores…

… plantação de chá verde…

…passeio explicativo sobre polinização de orquídeas …

… e pasmem, um projeto de recuperação e manutenção de ursos peruanos, dos quais, sinceramente jamais tínhamos ouvido falar (a foto é quase um “Onde está Wally, ou melhor, Zé Colmeia!).

Ou seja, é um hotel bichogrilesco como convém a um lugar tão próximo de Machu Picchu.

Ainda tínhamos um chá da tarde (está incluído no preço da pasagem do trem) no hotel Sanctuary Lodge Machu Picchu, que fica na entrada da cidadela.

Para chegar até lá, toma-se um micro-ônibus que percorre um percurso emocionante parecido com uma montanha-russa e numa velocidade compatível com tal, só que sem os trilhos! rsrs

Chegamos lá em cima, vimos e degustamos o tal chá com sanduichinhos e docinhos.

E estávamos pertíssimo de conhecer uma das 7 maravilhas do mundo já que o portão de entrada de Machu Picchu estava a poucos metros.
Pelo menos vimos Wayna Picchu.

Ainda não foi desta vez, mas amanhã, esta ubermodel não nos escapa. A bateria reserva da câmera fotográfica está carregada!

E o nosso estoque de “ohhhhhs!” também!

Hasta, cidadela!

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dcpv – da cachaça pro vinho – aniversário no spa

spa? eu?
20 a 22/11

dcpv – Aniversário no Spa

Imagine passar o aniversário num Spa?

Pois foi o que aconteceu. Estávamos (eu e a Dé) devendo essa pra Re há um tempão, mais ou menos uns 3 anos.
Ela nos pediu pra passar um final de semana relaxando e fazendo alguns tratamentos num hotel bacana.

E neste quesito, o Unique Garden hotel&spa é campeão.

O lugar é ecologicamente correto. Toda a comida é feita com o máximo de ingredientes produzidos lá mesmo. São estufas com alfaces dos mais variados formatos..

.. quiabos ( já tinha visto a flor deles?)…

… repolhos imensos (veja a comparação com a mão da Dé) …

…  tomates…

… e framboesas. Incrível, não é  mesmo?

Ah! Os tomates são fantásticos e tem as mais diferentes cores, tamanhos e sabores.

 

Ainda vimos daonde provém as Physalis (acreditem, elas não nascem nos supermercados!) e estas, especialmente, são deliciosas. Na verdade, são muito mais saborosas que as importadas do sex shop.

 

Toda a horta é exemplar e são as verduras mais frescas que comemos até hoje (excetuando-se as de casa!).

Vou dizer uma coisa: se todo spa for assim, pode me colocar na fila!

Além do lugar ser lindo. Ambientes agradáveis…

… e “zens”.

As flores são de deixar qualquer um maluco :

E as massagens então?
Fizemos a indiana (onde saímos parecendo aquelas pastéis de botequim: totalmente oleosos!), com bambu, oriental, pedras quentes, vichy shower (a água de todo hotel vem duma fonte que tem características que a tornam um verdadeiro “tônico de beleza”) e até numa mesa-lira onde o massagista tocava o instrumento pra que a frequência das notas musicais reverberassem. Fantástico!

Ainda vimos os lugares onde os animais como tucanos, lobos guará, macacos, corujas, araras e mais um montão são preservados …

… e macacos tão bem educados, que dão a mão pros visitantes.

Ah! Antes que o pessoal do Peta apareça por aqui fazendo protestos, aviso que todos os que estão aptos são devolvidos ao seu habitat.
Aí você pergunta? Spa? Onde está o spa?

E eu respondo: a comida é totalmente balanceada, mas dizer que passamos fome é uma deslavada mentira. Veja só o que comemos:

Pensando bem, isto é que é presente de aniversário.
A família, ou seja, nós nos divertimos muito!

No próximo ano quero ir prum spa (e prum jardim desses) de novo!

Até.

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dcpv – da cachaça pro vinho – qosqo II – cusco e o vale sagrado

Aqui, a lhama é sagrada
12/10/09

dcpv – Qosqo II – Cusco e o Vale Sagrado

Foi uma noite muito mal dormida. Na altitude de Cusco  (3360 m), o  soroche atacou e tivemos dor de cabeça a noite toda.

Mas com um pouco de adaptação e somando-se o fato de ser uma segunda-feira e feriado na Grande Ferraz de Vasconcelos, o dia prometia.

Fomos, logo cedo,  passear de ônibus pelo Vale Sagrado.
E porque é sagrado? Porque num lugar onde a vegetação é escassa e a água mais ainda, ter um rio (o Urubamba) faz a diferença.

A primeira parada foi em Pisac.  Povoada desde o seculo X, foi uma importante capital regional desde a chegada dos incas.

E o resquício disto tudo é exatamente o Mercado de Artesanato, uma grande mistura de Guaianazes e São Miguel Paulista Peruanos onde você tem que esforçar pra achar produtos legais pra comprar, já que a maioria vende praticamente as mesmas coisas. Sabe aqueles vendedores de biju no caminho pra praia? rs
Se bem que compramos um joguinho de xadrez onde os incas enfrentam os espanhóis que é muito legal!!

Foi em Pisac que tivemos o primeiro contato com a variedade de batatas  (segundo eles, mais de 2000!!) …

…e com os mais de 80 deliciosos tipos coloridos de milhos!

Teresa Perez (agência que fizemos o pacote pela região Cusco/Machu Picchu) organizou um belo almoço-picnic na beira da estrada …

 

… e de frente pras famosas terraças onde os peruanos, especialmente os incas, plantavam todos estes produtos.

Fomos sempre acompanhados por simpaticíssimos habitantes do lugar.

A tarde, conhecemos Ollantaytambo, uma fortaleza espetacular que é praticamente uma cidade inca viva.

O grupo se dividiu pois tínhamos que subir um montão de degraus pra conhecer tudo (é claro que fomos!) e o nosso guia, o midiático Pepe Villena aproveitou pra nos explicar exatamente como os incas conseguiam transportar as famosas pedras pros seus devidos lugares. Reparem nas rampas feitas no formato de cunha.

E até monitor de vídeo os incas tinham! (um tanto ultrapassados pois não eram de LCD! rs).

Voltamos pra nossa base em Cusco, o hotel Monasterio e conseguimos ver um lindo por do sol.

A noite fomos jantar no MAP, o restaurante que fica dentro do Museu Pré Colombino e que é totalmente de vidro! O restaurante, óbvio! Ele é muito perto do hotel!

Lindo e com uma comida de primeira.  O soroche atacava mais timidamente, então a Dé pediu Ravioli com aji …

… e eu, fui de Cuy.

Ou melhor. Pernas crocantes e torresmentas de Porquinhos da Índia. Uma delícia!
Um grande dia. Um dia sagrado!

Hasta.

PS – Antes que eu me esqueça e acho que alguém teve a curiosidade: Qosqo é Cusco em quíchua, uma das línguas nativas do Peru e significa “umbigo do mundo”! 

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dcpv – da cachaça pro vinho – roberta sudbrack, cozinhando no dcpv

número 238
17/11/09

dcpv – Roberta Sudbrack, cozinhando no DCPV

Ela foi a primeira chef do Palácio do Alvorada! Calma, é claro que não foi na dinastia Lula!

Na verdade, ela ficou 7 anos pilotando a cozinha de lá, mostrando o seu talento pra família Henrique Cardoso e por tabela, pra reis, rainhas, presidentes e outros menos votados.

Desde 2001, ela comanda a cozinha do seu próprio restaurante, o Roberta Sudbrack, o RS no RJ, onde faz uma comida que poderíamos definir como robertasudbrackiana ou seja, extremamente personalizada e com uma brasilidade incrível, além de usar métodos completamente usuais (chapas, mixers, etc) obtendo resultados vanguardísticos.

E tem mais uma: a sudequipe comandada por ela, estuda exaustivamente ingredientes (maxixe, chuchu, mangarito, etc) a fim de obter sabores/texturas/formatos inimagináveis.

Com este currículo, só faltava ela cozinhar aqui no dcpv!
Portanto, prepare-se: a descrição das cenas que virão a seguir são fortes e podem causar um fenômeno estranho: você babará!! rsrsrs

Esta é a noite da RS no dcpv. Acho que nós nunca mais seremos os mesmos!
Abrimos os trabalhos com uma bela caipiroska de Morango com Limão Siciliano. Ela precisava descontrair!

Entrada – Canelone de Atum e Tartare de Chuchu

A própria Roberta disse: “não temos cardápios fixos. Alternamos todos os dias a partir do que encontram de melhor”.

E coisa boa e barata aqui em Ferraz de Vasconcelos é o chuchu! Dá em qualquer cerca!
Portanto, aproveitamos a matéria-prima pra comer uns belos caneloni. Com um pequeno detalhe: os caneloni são de atum mesmo!

Escalopes de atum são achatados com um batedor de carne até obter uma lâmina fina.

Obviamente, não vou poder passar as receitas completas aqui por uma questão de copyright (se me pedirem por baixo dos panos, eu passo! rs)
Continuando, este canelone de atum é recheado com chuchu em cubinhos refogados em água e sal e temperados com azeite, sal, açúcar e peperoncino em flocos moído.

E montados sobre uma farofinha de pão com amêndoas e um vinagrete de melado de cana (ele e azeite) ligando tudo!

Lindo e extremamente saboroso! A crocancia da farofa e a doçura do melado fazem o chuchu brilhar!

Nos sentimos como ex-presidentes!
Acompanhamos este prato excepcional com a nova onda do momento (sic), um tinto de verano, formado pelo Quinta do Seival 2005 Campanha Br, uma fatia de limão siciliano, H2O limão, muito gelo e uma gota de vermouth.

Como diria o grande Lula: Crise? Que crise!

Principal – Lagostins em lâminas de chuchu e leite de amendoim

A Roberta estava preocupada com a qualidade do peixe. Na verdade, ela iria fazer um Pargo Pochê em Vinagrete Crocante de Maxixe.

Mas como ela mesmo falou “não sou eu que decido qual peixe será servido e sim o mar e o pescador!”. Portanto, Jorge, o nosso vizinho pescador nos trouxe uns belos lagostins, que foram devidamente servidos em lâminas de chuchu e leite de amendoim.

Outro espetáculo de sabores. O chuchu é cortado em lâminas e grelhado até ficar um pouco chamuscado.
Logo depois, enrolamos estas lâminas nos lagostins, temperamos com Flor de Sal (xô, proibição!)  e cozinhamos no steamer até ficarem rosados.

São servidos sobre uma paçoquinha líquida (amendoim torrado moído, uvas passas e manteiga) e finalizados com uma infusão de amendoim (amendoim fervido com leite integral, creme de leite, coado e temperado com sal e açúcar).

Todo mundo pirou quando este prato foi servido. O amendoim que estava tanto na paçoquinha como na infusão elevou o lagostim e o chuchu a uma potência desconhecida por nós.

Ficamos todos de joelhos e dissemos: Ave, Roberta!!

Continuamos bebendo o tinto de Verano em pleno Verão (com um patrocínio dos supermercados Veran).

Sobremesa – Consomé de Chocolate, Pele de Leite e Rapadura

“Algo muito mais do que comida, algo que transforma cada cotidiano mutante e irracional em experiências sensoriais e emoções íntimas. Um lugar de sensações e lembranças para se viver a experiência do gosto!”
É isto mesmo! Foi isto o que sentimos ao comer um dos últimos experimentos da Roberta. Um belíssimo Consomé de Chocolate (chocolate amargo 70% derretido em creme de leite) …

… com uma pele de nata (nata reduzida a uma camada fina e congelada)…

… acompanhado duma casquinha de rapadura  (biscoitinhos finíssimos de rapadura, manteiga, clara de ovo e farinha de trigo)…

… finalizado por quinoa frita e polvilhado por açúcar de confeiteiro.

Ge-ni-al! Só isso!

Ainda mais acompanhado de um branco alemão, o Riesling Spätlese 2004 Selbach que foi aquele cara que abre a porta do carro pra sua acompanhante. Sacou?

Eis a opinião dos seguidores da seita RS:

Altíssima gastronomia. RS arrasou em SP, ou melhor, em FV. (Edu)
Perfeito! Fernando Henrique é que era feliz. (Mingão).
Dudu Sudbrack é bom mesmo! (Déo)

Lá no RS, a Roberta tem um espaço chamado Teacher&Diner onde ela ensina, uma vez por mês, ou melhor, incentiva todos os participantes a vivenciarem o processo da execução das receitas e mostra pra todo mundo como pode ser divertido experimentar a cozinha.

E é claro que ela não veio aqui (seria um sonho se viesse!).
Na verdade, ela veio dar uma aula no Wilma Kövesi, o wkcozinha e eu e a Dé fomos lá pra ver “o que que a Roberta tem?”
Uma boa parte das fotos foi feita lá e outra, do jantar que realmente fiz (a Dé fez a sobremesa)) por aqui.
Resumindo, a Roberta é tudo isso o que falam dela (simpática, gosta do que faz, entusiasta) e melhor, dá gosto ver alguém tão apaixonado pelo seu trabalho.

Fica só um desejo que precisamos realizar: conhecer o que ela faz lá no RS (o Diogão dos Destemperados já foi!).
E melhor ainda, conseguir um belo desconto ao marcar esta visita através do Twitter (ela é uma twitteira e tanto e costuma deixar todo mundo que a segue com água na boca ao informar os pratos que vai fazer/está fazendo no restaurante).

Quem sabe na próxima temporada dos mangaritos??

Até.

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dcpv – da cahaça pro vinho – 23º interblogs – thanksgiving e a cris no dcpv

Glacias
número 230 – 08/12/09

dcpv – 23º interblogs – Thanksgiving e a Cris no dcpv

Iniciei a conversa com a Cris, owner do excelente From Our Home To Yours através da Fabrícia (do blog Sopa vermelha e mamãe fresquíssima da Elissa. Parabéns pra ela e pro Mohamed).
Foi há mais de um ano (19/09/08) e ela (que é esposa do Junior e mão de 3 belos filhos) pensou em indicar um menu Tex-Mex com predominância de comida americana. Topei na hora, pois ainda não tínhamos experimentado este tipo de culinária por aqui.

Pra variar, o tempo passou e há uns 2 meses retornamos o contato. Adaptando uma coisa aqui, outra acolá  e adicionando a lembrança positiva que a Cris tem da cultura americana à data da realização deste interblogs (quer saber o que é?), rapidamente ela chegou ao Thanksgiving.

“Nos USA, a primeira celebração do Dia de Ação de Graças aconteceu em 1621 e foi feita pelos peregrinos ingleses que fundaram a colônia de Plymouth que mais tarde virou o estado de Massachusets. A comemoração foi feita junto com os índios da tribo Wampanoag com o objetivo de comemorar a benevolência de Deus pra com eles num período em que mais da metade dos peregrinos tinha morrido por causa do inverno rigoroso pelo qual passaram. Neste dia, as famílias se reunem para o famoso “Thanksgiving Dinner”. Assim como na celebração de uma ótima colheita, faz parte do ritual desta data preparar e comer uma grande refeição composta de pratos simples que preservem a memória rústica do campo. A data oficial é a quarta quinta-feira de novembro.”

É claro que estamos fazendo um Thanksgiving Light, um TL (como a própria Cris batizou, já que segundo ela, americano ama “siglas ) pois seria impossível fazer todas receitas que compõe um legítimo jantar de Ação de Graças.

De qualquer maneira, vamos apresentar (e surpreender a maioria das pessoas que acham que a a comida americana é feita de gorduras e porções monstruosas!! rs) através das receitas que a Cris nos mandou, uma ideia legal de tudo os que os americanos comem (e celebram) neste dia tão especial.

Vamos  então, ao 23º interblogs, o Thanksgiving Light do da cachaça pro vinho, ou melhor, o  IBTLdcpv (americanos e brasileiros gostam  de siglas!).

Starters
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Um dos preparativos pro Thanksgiving é colocar cartões com os nomes dos convidados em frente ao lugar que vão sentar. É claro que fizemos isso e ainda adotamos sobrenomes americanos pra dar um certo colorido!!)


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one – Brie with Apricot and Pepper Jam Toppings

Fazer esta receita é uma moleza. E esta facilidade é inversamente proporcional ao impacto e sabor que ela produz!

Basta retirar a casca da parte de cima do queijo brie, espalhar a geleia (usei de rosas e de pimenta) e assar, sem cobrir, a 180ºC por uns 10 minutos.

Sirva com torradas de pão pita e delicie-se! É de lamber o prato. Graças!

two – Turkey Tortillas Spirals and Nachos With Salsa.

Este foi um resquício da ideia original, o cardápio Tex-Mex.

Tem mais uma coisa: a Cris é superorganizada. Cheguei inclusive a comentar que ela tem estilo de professora, tamanho o didatismo e a plasticidade do menu que ela me enviou.
Ahahaha, estilo professora. Foi boa essa. Gostei! Foi assim que ela respondeu!
Mas vê se alguém que manda um croqui do prato e capa de cardápio, não merece esta observação?

Voltando à tortilla, aqueça uma a uma na frigideira (pode usar o Rap10 da Pullmann). Coloque duas fatias de peito de peru, uma fina camada de tomates em fatias finas …

… pimentão verde em fatias finas, uma folha de alface, queijo cheddar ralado e molho de salada tipo ranch.
Enrole e corte em fatias de 1,5 cm!

O restante do prato foi feito com produtos vindos diretamente do sex shop: molho de queijo Cheddar, salsa mexicana (hot) e nachos.
Tudo muito agradável e saboroso. Este tipo de comida te faz conversar, se relacionar e dar graças por ter uma vida boa. Tudo a ver com o espírito da noite, né mesmo?

three – Harvest Layered Salad

Esta é que eles chamam de uma salada da colheita .

Montei nas taças, camadas de azedinha, rúcula e agrião. Tudo da colheita daqui de casa. Em seguida, cenoura ralada, pepino japonês fatiado fino e com casca, alface, pimentão vermelho em rodelas, croutons e queijo parmesão.

Foram devidamente temperados por um molho de vinagre de vinho tinto, água, azeite, açúcar, cranberries secas (que são um dos símbolos do Thanksgiving), sal e pimenta.

É, este foi o ano das boas colheitas!! E das boas entradas também!

Pra acompanhar, uma boa cerveja alemã, a Aecht Schlenkeerla Rauchbier, uma defumada (sim defumada!!) que foi “excêntrica, barbecue” segundo os pioneiros da Grande Ferraz de Vasconcelos, nós mesmos.

Main and Accompaniments
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Cornucópia – Se o anfitrião quiser colocar a mão na massa e fazer como os pilgrims faziam… Uma cornucópia ou chifre tradicional da abundância, é um símbolo de generosidade e boa colheita. Demos uma gambiarrada (ê, brasileiro) e misturamos flores com frutas).


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Maple glazed sweet potatoes

Batata doce com maple syrup não poderia faltar. Sempre vi nos filmes e gostei muito quando a Cris disse que indicaria esta receita.
É simplesmente batata-doce (roxa que é mais macia) cortada em 8 pedaços e colocada no fundo dum refratário untado com manteiga.

Derreta manteiga, misture açúcar mascavo  e mexa até dissolver. Adicione maple e cozinhe tudo. Derrame esta mistura sobre as batatas, polvilhe sal, pimenta, noz moscada e cubra com papel alumínio. Asse de 30 a 45 minutos ou até ficar macio.

E ficam!! Macias por dentro e tão caramelizadas que mais pareciam um doce salgado de marrom glacê!

Brown Butter Mashed Potatoes and Gravy

Um purezaço de batatas feitos com leite e manteiga queimada (noisette): é isto o que é !!
Montado em ramequins com este purê até 1/3…

… uma camada de gorgonzola…

… e um molho formado por nozes picadas, alecrim, salsinha, uma pitada de açúcar e de sal.

Extremamente delicioso com o gorgonzola fazendo o contraponto perfeitamente.

Herb-Crusted Turkey Breast

Outra presença obrigatória: o famoso peru.E neste caso, em forma de peito.

Mais uma facílima de fazer (viva a praticidade dos americanos!) com a necessidade de somente preparar uma manteiga de ervas (cebolinha, salsinha, tomilho e sálvia picadas e misturadas a manteiga com sal e pimenta do reino moída na hora) …

… passar no peito de peru pra logo após rolá-lo num farelo de pão (pão velho passado no processador) e esperar o termômetro subir.

Este peito ficou macio, úmido e super-crocante.
O Déo não veio por conta do verdadeiro dilúvio que caiu hoje (é os interblogs estão contabilizando acidentes. Vide o apagão da Dadivosa).
Com essa baixa, eu certamente farei excelentes sanduíches com a sobra deste “breast” tão bonito e não-siliconado!!! rsrs

E o molho Chilli Gravy (óleo, farinha, alho em pó, cominho em pó, orégano, conhaque e caldo de galinha) complementou este verdadeira ação de graças!

Honey Baked Mini-Ham

Outra presença imprescindível: um tender-bolinha com cravos espetados!!

Só o cheiro dos cravos já valeria a experiência. E melhor, quando o tender é fatiado este odor é elevado e ampliado. Marcante!

Ainda mais com um molho formado por suco de laranja, maple syrup, mostarda, caldo de galinha e maizena.

E o conjunto da obra resultou numa verdadeira maravilha norte-americana.

Tomamos um vinho tinto, o Família Bianchi Syrah 2008 Chile, que foi “delicado, elegante e chic, gentleman” segundo os cantores da música dos Fevers, Cândida, com a sua famosa passagem … “não passo de um peregrino“…!!!

Dessert
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Árvore do agradecimento – Antes de iniciar a refeição (foi duro segurar o Mingão! rs), algumas famílias gastam alguns minutos falando os motivos que tem pra dar graças naquele ano e aproveitam pra escrevê-los e colocá-los numa árvore. A Dé improvisou e ficou bem bacana!


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Apple Crisp with Vanilla Ice Cream

É lógico que pra encerrar a noite, teríamos mais uma receita prática e saborosa.
Maçãs descascadas, fatiadas e colocadas numa tigela intercaladas por uma mistura de suco de limão, açúcar, noz moscada e canela.

A Dé (que fez a receita toda) montou tudo em ramequins. Maçãs em forma de pirâmide (mais uma tradição segundo a Cris) e polvilhadas com um dedo de mistura de bolo Festa (é aquela que você acha em qualquer supermercado!) e finalizada com manteiga derretida, indo ao forno pré-aquecido por 30 minutos, a 180ºC.

Também aproveitei pra fazer um belo sorvete de baunilha (com a consultoria remota da especialista Verena) na minha nova máquina.

Prontíssimo! Grande  happy end prum mais feliz Thanksgiving Dinner.

Pra completar toda a “graça”, tomamos a última nesga do branco equilibrado e romântico, Selbach Riesling Spätlese 2004.

Eis a opinião dos colonos que acreditam que este ano e este jantar realmente merecem orações e graças:

Nunca um “top one” foi tanto um “tope um”! Graças e thank you, Cris! (Edu)
Cris ! Unforgetable, irresistible, nowords, insuperável. Obrigado! (Mingão)
Déo, como diria o portuga, você é uma besta por ter perdido este jantar! (Edu e Mingão)

Vamos encerrando este verdadeiro banquete que a Cris nos proporcionou com a certeza de que isto tudo que comemos prova que a cozinha americana é uma verdadeira descoberta: sabores concentrados, praticidade, apresentação exemplar, odores inimagináveis (ah, o cravo com o tender!), comida pra compartilhar e melhor, neste caso acompanhada da mística do Thanksgiving.

E graças (sem trocadilhos) a Cris que com seu bom humor, altas informações (a Dé nunca recebeu tantas dicas pra belíssima montagem de tudo que ela fez), organização e didatismo (viu, professora?).

Ah! Antes que eu esqueça, aqui vão as nossas flores virtuais Thanksgivinguinianas já que se elas, as flores, não são comestíveis, as frutas do arranjo, são.

Thanks, Cris.

See you!

PS – E as estrepolias dos IB continuam em janeiro com a dupla eletrizante, Bia e Leo do blog de haute gastronomie Trivial ou nem tanto.
Eles estão dizendo que virão aqui cozinhar, comer e conversar! Aguardem!

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dcpv – da cachaça pro vinho – limpando o freezer. com molhos!

faxina geral
número 237 – 24/11/09

dcpv – Limpando o freezer. Com molhos!

Putz! Era pra eu ter feito o IB ovo-lácteo-vegetariano (aprendi, heim??) da Nina e do Marcel do Gourmandise nesta noite.

Mas além de eu ter me atrapalhado todo por causa de termos passado o feriado num spa (esta eu prometo que conto!), ainda voltei com a missão de limpar/organizar o freezer daqui de casa.

E não sei se acontece com vocês, mas toda vez que eu vou ao sex shop, tenho a mania de comprar “aquela costeleta de cordeiro linda” ou “estas vieiras incríveis” ou ainda “aquele peito de pato que estava precisando”!

É claro que tudo isso acaba indo pro freezer e pra sair de lá, demora um pouquinho, as vezes, anos! rs
Resultado: resolvi limpá-lo na hora do almoço (eis uma das facilidades de se almoçar em casa!) e separei alguns ingredientes pra fazer um menu:  galantine e massas do Mesa 3 da Ana Soares (é praticamente um mini e especializado sex shop ); costeletas de cordeiro e vitelo; um pedacinho do lombo de porco que sobrou do 20º IB chinês da Lud  do The Inner Life of Food e a estréia da minha super-mega-hiper-blaster sorveteira que a Dé gentilmente me presenteou.

Pronto, estava planejada a noite da limpeza do freezer no dcpv.
E daonde vem a “molhada”?
Vem justamente da utilização de receitas do excelente livro, Molhos com Azeite de Oliva Espanhol pra combinar com cada um dos pratos. Este livro é incrível e não me canso de usá-lo!

1 – Bebida – Caipiroska de Lima da Pérsia e Romã.

Sem comentários. Ou melhor, faça!!

2 – Entradas :

A- Galantine com Salada de Verdes e Molho de Creme de Leite e Mostarda

A Galantine é da Ana Soares. Tem alguma coisa de ricota, abóbora, tomate, berinjela e é muito bem temperada! (perdi o rótulo e não sei o que tinha realmente! rs)

Caiu muito bem com uma saladinha de verdes extremamente frescos que trouxemos do spa…

… e um molho composto de azeite, creme de leite, suco de limão, mostarda, ervas frescas e sal. Todos batidos!

B – Lombo de Porco com Molho de Tâmaras com Amêndoas

O lombo (na verdade não é um lombo, é mais um presuntão!) foi assado, cortado em tiras e frito com um pouco de alho.

E o molho (curiosíssimo) é formado por azeite, tâmaras, amêndoas, cebola, salsinha, canela, coentro e gengibre em pó, sal e pimenta tabasco. Todos refogados.

Ele é mais um farofa do que um molho. E ficou perfeito com o porco por causa, principalmente, do caramelo que se formou através da junção da tâmara com a canela e as especiarias.

A + B = ….

Este prato certamente não foi pro lixo.
Tomamos mais uma garrafa de rosé Santa Digna Cabernet Sauvignon 2008 Reserva que foi “ácido, vinagroso, rososo, frutoso” segundo os garis, nós mesmos.

3 – Principais – Sobras de Massa com a mesma coisa de carnes.

Este prato é ecologicamente correto. Foi formado por coisas que provavelmente seriam jogadas fora.
Dois restinhos de massas recheadas da Ana Soares do Mesa 3 (uma de abóbora e outra de alcachofra) acompanhadas de um belíssimo molho de espinafre (o próprio, leite, caldo de legumes, azeite, farinha de trigo, creme de leite e pimenta do reino).

Com a parceria de carnes variadas: costeletas de cordeiro e de vitela fritas além de um carré de vitela assado.

Molhinhos que acompanharam: o óbvio de hortelã ao limão (hortelã, suco de limão, leite, creme de leite, azeite, farinha de trigo, casca de limão ralada e sal) e uma rémoulade (salsinha, estragão, cerefólio, alcaparras, pepinos em conserva, anchova, maionese, azeite, sal e pimenta).
Mais uma bela combinação. As carnes estavam extremamente macias apesar da idade! rs

Tentamos salvar um vinho do sacrifício, um tinto australiano Concanon gentilmente cedido pela D Vera, a minha sogra, mas foi impossível. Ele foi direto pro ralo pois já estava alaranjado e cheirando a mofo.

Abrimos um clássico, o tinto Norton Cabernet Malbec 2004 Chile que foi “herboso, edward, suloso, gozozo” segundo os caras que limpam o Sambódromo após a passagem das escolas de samba, nós mesmos.

4 – Sobremesa – Sorvete de Piña Colada

Este não veio da limpeza da freezer.
Mas, sim, da despensa  já que  apelei pruma lata vencida de Coco Cream (by sex shop) e juntei suco de abacaxi. Direto pra máquina novíssima de sorvete e pronto!

Foi só colocar um fundo de rum na taça, sorvete perfeitamente cremoso de piña, algumas sementes de romã (não tinha cereja) e uma bela phisallis.

Uma piña colada estilizada e deliciosa.

Veja a opinião dos catadores de material reciclável:

Lixo? Aonde? Aproveitamento 100%. (Edu)
A melhor sobra que eu comi na minha vida. (Mingão)
Delicioso “garbage”! (Déo)

Em tempo de responsabilidade social, nada melhor do que ser responsável, né não?
Portanto, aproveite a oportunidade pra limpar o seu freezer e com a descoberta de ingredientes esquecidos, fazer uma grande refeição com eles.

Nós fizemos e nos sentimos, no mínimo, de bem com natureza e com os nossos estômagos!

Peace (and green).

.

dcpv – da cachaça pro vinho – 22º interbBlogs – gourmandise no dcpv

01/12/09
Número 238

dcpv – 22º interblogs – Gourmandise no dcpv

“Oi, Edu. Que bom que gostaram! Tentamos montar receitas com poucos ingredientes e de fácil execução, assim todos que lerem o seu blog poderão fazer em casa também. Imaginei que estaria calor na época da execução dos pratos, por isso pensamos em fazer um menu com coisinhas refrescantes”.

Foi assim que a Nina respondeu ao meu e-mail sobre as impressões deste 22º interblogs (quer saber o que é?).

E pela resposta dá pra imaginar o que foi que eu escrevi sobre o jantar!

Vamos ao princípio: em 16/09/08, convidei a Nina e o Marcel do excelente blog Gourmandise pra indicarem um menu pra nós. Tivemos algumas idéias (comida japonesa, utilização de um ingrediente comum a todas as receitas, etc) e de repente, já que a conversa versava sobre legumes; porque não fazer um menu veggie?

Daí foi um pulo pra eles pensarem em usar chá em todas as receitas, agregados a um conceito ovo-lácteo-vegetariano.

Pronto! O tempo passou (mais de um ano) e o menu foi enviado por eles. Ele tem uma simplicidade e um toque tão pessoal que só de ler, já dá pra imaginar como ele é bom!

Os pratos são de rápida confecção mesmo e utilizam chás e infusões.
Antes de mais nada, deixa eu definir a exata diferença entre este dois: Chás  – são compostos apenas por Camellia Sinensis em água quente. Infusões – quando são elaborados com flores, frutas, ervas e outros líquidos.

É claro que esta definição foi da Nina e que aproveitei (interblogs também é cultura!) pra aprender e divulgar pros meus pares!
Portanto, com este clima zen e com a característica de ter uma comida saudável, leve e saborosa; vamos ao 22º interblogs, o Gourmandise no dcpv (e consequente 22º capítulo do nosso livro).

Bebidinha – Mojito de Capim Santo.

Facílimo de fazer e refrescante : macere capim santo com açúcar e junte H2O limão. Coe e encha um copo com muito gelo. Pronto!

Antepasto – Tomates frescos e Cidreira.

Este prato é instigante pois o contraste dos legumes com o mel e a pimenta dedo-de-moça além da junção  do chá de cidreira, o tornam inesquecível.

Basta fazer uma infusão com 2 saquinhos de cidreira, espremer os saquinhos e reservar. Antes disso, corte cebola em brunoise e deixe de molho em água fervente por 15 minutos.

Aí é só misturar o tomate sem pele e sem sementes também em brunoise (em bom português, em cubinhos), alho amassado, coentro e salsa picados, sal, mel, dedo-de-moça picada e juntar à infusão de cidreira.
Sirva com finas fatias de baguete torrada.

Iniciamos o serviço tomando uma bela água com gás saborizada com rodelas de laranja pera, hortelã e muito gelo (mais uma indicação deles).

Salada de pepino, queijo de cabra e hortelã.

Como a própria Nina disse, estes pratos são refrescantes e leves, compatíveis com o calor reinante. E são mesmo!
Uma salada de pepino japonês cortado em rodelas …

… queijo de cabra esfarelado …

… e um molho fotográfico ao extremo composto de azeite, vinagre de framboesa (uma delícia), mel, sal e folhas de hortelã branqueadas rapidamente pra logo após, frear a cocção através duma banho na água gelada.

  

Acabei montando os dois, tanto o antepasto como a entrada num prato só.
Foi aprovadíssimo e louve-se que a Dé já incorporou as duas receitas ao menu aqui de casa.

Continuamos com a água saborizada e abrimos um vinho branco com a uva indicada pelo Marcel, a Sauvignon Blanc, o De Los Man 2004 Chile, que foi “delicado, bicho grilo, insípido, que vinho?” segundo os animados ovo-lácteo-vegetarianos, nós mesmos.

Principal – Pasta alla Carbonara Veggie.

O primeiro prato que elaboramos pra este menu foi o principal, o Pasta alla Carbonara Veggie. No lugar do guanciale, usamos o LapSang Souchong, um chá preto chinês defumado. O aroma lembra muito o do bacon, mas o paladar é muito mais leve e já que a referência dele era italiana, achamos que seria plausível utilizar a mesma linha pros outros pratos”.

Parece simples, né não? E é, além de ser extremamente confortável e saboroso!
A grande sacada foi usar o chá como especiaria. Neste caso ele é triturado no almofariz.

No restante, é uma Pasta alla Carbonara comum só que com a utilização de ótimos ingredientes: gemas de ovos caipira ( veja a cor)…

… creme de leite fresco, Parmegiano Reggiano italiano, sal, pimenta e espaguete grano duro.

Todo mundo amou e comeu duas vezes. Inclusive a Dé que estava maravilhada com o sabor, a cremosidade e a delicadeza do prato.

Tomamos, seguindo uma pista do Marcel, um tinto italiano, o Colle Secco Montepulciano D’Abruzzo 2005 que além de ter uma bela e bojuda garrafa, foi “coadjuvante, italianaço, bello antonio potente, que vinho!” segundo os macrobióticos, nós mesmos.

Sobremesa – Panna cotta com Earl Grey.

A panna cotta é um clássico da confeitaria italiana, só recebeu um toque de Earl Grey (composto por chá preto e bergamota) para perfumar”.
Foi assim que a Nina indicou o princípio da receita que a Dé executou. E o doce ficou perfeito.

A Panna Cotta contém leite integral, creme de leite fresco, acúcar, gelatina incolor e a infusão (aprendi!) Earl Grey.

Ela ainda fez um Crème anglaise (leite integral, gema de ovo, açúcar e fava de baunilha).

Finalizei com uma farofinha de biscoito Amaretti (by sex shop) e que coroou esta magnífica noite ovo-láctea-vegetariana-italiana-infusionada.

Terminamos tomando (e o Marcel me permita desviar das indicações dele) um tremendo Anisete feito pela D. Anina. S-pe-ta-co-lo!!

Eis a opinião dos bichos-grilos:

Simples e uma super-produção. Ovo-lácteo-saboroso! (Edu)
Espetacular! Bela produção. (Mingão)
Majestoso ( simples e “amplo”). (Déo)

E aí vão as nossas famosas flores virtuais (eu juro que elas são ovo-lácteas-vegetarianas. rs)

Nina e Marcel, foi o maior prazer ter a participação de vocês aqui no dcpv e prazer maior ainda  verificar que o simples é cada vez mais delicioso desde que acompanhado de grandes ideias e ingredientes.
Como vocês podem, perceber, nós gostamos muito de tudo e espero que todos que estejam nos lendo tenham a oportunidade de reproduzir este menu em casa! Vão adorar!

Gratíssimo e até o próximo (semana que vem), que fechará o ano e será um mini Thanksgiving light (ôba, o que será isso?) indicado pela divertidíssima Cris do excelente From Our Home to Yours.

Abs a todos!

PS – Os capítulos 36º e 37º do nosso livro serão escritos pelos menus da Re e da Fran do Frango com Banana e do Vitor Hugo do Prato Fundo. Aguardem pois serão janeiro/fevereiro de 2011.

.

dcpv – da cachaça pro vinho – a segunda chance do dalva e dito

põe comfort food nisso!
15/11/09

A segunda chance do Dalva e Dito

É, fomos ao Dalva e Dito, o restaurante de receitas da cozinha brasileira do genial (nós o achamos  genial!) Alex Atala.

E por que segunda chance quando na verdade foi a primeira vez que fomos  lá?
Ora, porque o restaurante simplesmente foi metralhado quando da sua inauguração. “‘É muito ruim!”; “a comida é pretensiosa demais“; “é caro demais“; “o Alex perdeu a noção“: estas foram algumas das declarações/críticas que despontaram após as primeiras visitas dos clientes.

E não nos surpreenderam muito pois estivemos numa palestra-aula com o próprio Alex e o Alain Poletto que seria o responsável pela cozinha e apesar do entusiasmo deles, nos pareceu que a ideia de utilizar o cozimento à baixa temperatura em quase todos os pratos não seria, digamos assim, muito apropriado. Portanto, não demos nem a primeira chance pra ele!

Bom, o tempo passou. O restaurante realmente não começou muito bem; o Alain saiu da cozinha (não da sociedade); o Alex assumiu as panelas e de repente, ouvia-se aqui e acolá que o Dalva e Dito estava tomando o seu verdadeiro rumo.

Com toda esta história com requintes de suspense, drama e provável final feliz, resolvi que havia chegado a hora de experimentarmos a tal cozinha brasileira de história.

Primeiro ponto positivo: liguei pra saber se fazem reservas e a atendente me informou que sim e até as 13:30hs. Resultado: reservei pra mim e pra Dé pro último horário e como me informaram que poderia atrasar até 15 minutos, o meu horário já foi pras 13:45. Oba!

Segundo ponto positivo: a arquitetura do lugar é incrível. O Marcelo “Lar Doce Lar” Rosenbaum fez o projeto e ele é muito bom.
Dois salões super bem decorados (ficamos no terraço) com um visual bem brasileiro e com detalhes que o transformam num local acolhedor.
Muita madeira e ladrilhos hidráulicos.

 

Enfim, um lugar bonito!

Terceiro ponto positivo: o atendimento é muito bom! Desde a recepção até todos os garçons, passando pelos maitres (todos super-atenciosos) e a sacada de retornar com a tradição de se fazer a última preparação do prato na frente do cliente. Antes da comida chegar ao seu prato, você já sente prazer!

Quarto ponto positivo: a comida é demais!
Começamos com o couvert que é muito bom. Pães servidos quentinhos com acompanhamentos de primeira e fotogênicos: um purê adocicado de berinjela assada, a famosa cabeça de alho assada do Atala; um purezinho de feijão preto (que harmonizava perfeitamente com a pimenta biquinho, uma das quatro que nos foram oferecidas) e uma manteiga Aviação aerada servida charmosamente numa mini-latinha da própria Aviação …

… além de gostosos bisquis de polvilho.

Pulamos as entradas (deixamos pruma outra vez, pois certamente voltaremos) e escolhemos os pratos principais depois de taças de vinho branco chileno pra Dé e dum Anghebein tinto pra mim.
Eu escolhi um que me lembra não somente a comida da minha mãe, a D. Anina, como também um dos que mais gosto lá em casa: Bife à Milanesa com Salada de Batata.

Generoso e crocante, contrastando com a maciez e o geladinho da salada de batata. É isso que esta escrito no (excelente) menu. E eu acrescento que ele é crocantíssimo e que a salada além de crocante também tem um toque de raspa de limão de deixar qualquer um babando!

A Dé pediu o prato que eu estava namorando: Polvo com mandioca rústica!

Cazzo, pra começar são os tentáculos de polvo mais fotogênicos que eu já vi na vida!! E os mais gostosos também pois eles são assados por 15 minutos no forno, o que lhes dá uma crocância externa incrível, mas ao mesmo tempo a maciez interna não é perdida!

Espetáculo e ainda mais com o acompanhamento dum purê rústico de mandioca e dum belíssimo creme de espinafre! Genial!

Pra terminar, aí vai a foto da sobremesa:

E sabe o que é isso? É um Romeu e Julieta feito pelo Alex Atala. Quando escolhi, a Dé ainda me disse: Romeu e Julieta?
Agora me diz se uma mistura de Catupiry, queijo fresco, goiabada cascão, creme de goiaba e sorbet de goiaba  não é um “Senhor” Romeu e Julieta?

Pronto! Terminamos a refeição com a sensação de que esta segunda chance (que na verdade foi a  primeira) já teve um propósito: o de mostrar que o Dalva e Dito (segundo o próprio Atala, o nome deriva da sua veneração pela Estrela Dalva e por São Benedito) chegou pra ficar na nossa lista dos lugares queridos.
E voltaremos brevemente pra mostrar pra Re (que bela desculpa!) o que ela perdeu!

Quinto ponto positivo: não costumo informar, mas vou. A conta foi de R$ 210,00. Justíssimo pro que nos foi apresentado!
E como última reflexão, existe uma seção do cardápio, intitulada “Para matar a saudade da vovó, das tias” que pra nós, dá o tom exato da comida do Dalva e Dito.

É uma comida extremamente confortável e que poderia ter sido feita tanto pela sua avó, como por aquela tia que cozinha muuuuito!
É uma comida que te faz recordar de bons momentos, de encontros de família, enfim, de comida com memória!

Alex, os cães ladram e a caravana passa (com a Dalva e Dito lá dentro)…

Até.

.

dcpv – da cachaça pro vinho – qosqo I – cusco e o sSoroche (o mal da altitude!)

ai, que dor de cabeça!
11/10/09

dcpv – Qosqo I – Cusco e o Soroche (o mal da altitude)

Voo de Lima pra Cusco. 1:15 hs depois, chegamos.
Todo mundo nos prevenindo sobre o provável mal estar que teríamos devido a altitude da cidade (3360 m), o tal do soroche.

Antes de sentirmos alguma coisa, ficamos maravilhados com a visão toda marrom da cidade. Alguma coisa parecida com uma daquelas cidades toscanas (guardadas  as devidas proporções, óbvio!)

Fizemos o checkin no hotel Monastério e descobrimos o quão bonito e majestoso ele é.
Um verdadeiro Mosteiro reformado, com o pátio interno ajardinado …

… e várias obras de arte da escola Cusquenha, inclusive nos quartos. Esta por exemplo, estava dentro do nosso!

Fomos fazer o reconhecimento da área e almoçamos no Granja Heidi, um veggie muito bom onde comemos batatas a la Huancaina

…  lomo saltado (ele parece feio e um pouco com o do Olivier, mas é gostoso) …

…uma bela massa com pimientos, ajis, rocotos

… e tomamos mais algumas chichas moradas. Estávamos começando a ficar viciados nelas!

Voltamos ao hotel e o nosso guia, o excêntrico Pepe Vilhena já nos esperava pra nos mostrar o Centro Histórico de Cusco.

Tomamos um chá de folhas de coca (é, o soroche já estava dando sinais de vida!) e fomos pra Plaza de Armas, onde tudo acontece.
Foi lá que toda a cultura peruana, inclusive a  inca se desenvolveu e esta praça era usada pra fins cerimoniais.

Lá também ficam La Catedral e a Iglesia de La Compañia.

 

Fomos ao Convento Santo Domingo e ao Qorikancha, um templo construído em honra a Inti, o Deus-Sol e que tinha os muros de pedra revestidos de ouro e pedras preciosas. Uma beleza!

 

Pudemos ver também os famosos encaixes perfeitos de pedras  de construções incas, uma marca registrada.

E ainda a fortaleza de Sacsayhuaman (diz-se SexyWoman), um exemplo da inteligente (e em alguns casos, megalômana) arquitetura inca.

Pedras de até 80 t (imagine o transporte disto?) se encaixam perfeitamente formando 3 níveis de muros em ziguezague que se estendem por uns 300 m. Um absurdo de grande!

Com a cabeça estourando (o soroche atacou a mim e a Dé), voltamos ao hotel, tomamos mais chá de coca, mascamos folhas de coca e fomos jantar no Chez Maggy, um lugar mais bicho-grilo ainda que o Granja Heidi.

 

Decoração estranhíssima com gente mais estranha ainda. Eu não sabia se era o soroche que estava atacando ou se o lugar é assim mesmo. Fico com as duas hipóteses!

 

De qualquer maneira, a pizza de lá é excelente!

Comemos e voltamos pro hotel, não sem antes esbarrar num daqueles vendedores de pinturas que se intitulava Ronaldinho Gaúcho e que me “empurrou” uma bela pintura em crayon da Catedral por exatos U$ 32.

É, acho que o soroche nos atacou profundamente!!

Hasta.

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