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22º Inter Blogs – Gourmandise no DCPV

01/12/09
Número 238

22º Inter Blogs – Gourmandise no DCPV

“Oi, Edu. Que bom que gostaram! Tentamos montar receitas com poucos ingredientes e de fácil execução, assim todos que lerem o seu blog poderão fazer em casa também. Imaginei que estaria calor na época da execução dos pratos, por isso pensamos em fazer um menu com coisinhas refrescantes”

Foi assim que a Nina respondeu ao meu e-mail sobre as impressões deste 22º Inter Blogs (quer saber o que é?).

E pela resposta dá pra imaginar o que foi que eu escrevi sobre o jantar!

Vamos ao princípio: em 16/09/08, convidei a Nina e o Marcel do excelente blog Gourmandise pra indicarem um menu pra nós. Tivemos algumas idéias (comida japonesa, utilização de um ingrediente comum a todas as receitas, etc) e de repente, já que a conversa versava sobre legumes; porque não fazer um menu veggie?

Daí foi um pulo pra eles pensarem em usar chá em todas as receitas, agregados a um conceito ovo-lácteo-vegetariano.

Pronto! O tempo passou (mais de um ano) e o menu foi enviado por eles. Ele tem uma simplicidade e um toque tão pessoal que só de ler, já dá pra imaginar como ele é bom!

Os pratos são de rápida confecção mesmo e utiizam chás e infusões.
Antes de mais nada, deixa eu definir a exata diferença entre este dois:

Chás  – são compostos apenas por Camellia Sinensis em água quente.
Infusões – quando são elaborados com flores, frutas, ervas e outros líquidos.

É claro que esta definição foi da Nina e que aproveitei (IB também é cultura!) pra aprender e divulgar pros meus pares!
Portanto, com este clima zen e com a característica de ter uma comida saudável, leve e saborosa; vamos ao 22º Inter Blogs, o Gourmandise no DCPV  ( e consequente 22º capítulo do nosso livro).

Bebidinha – Mojito de Capim Santo.

Facílimo de fazer e refrescante : macere capim santo com açúcar e junte H2O limão. Coe e encha um copo com muito gelo. Pronto!

Antepasto – Tomates frescos e Cidreira.

Este prato é instigante pois o contraste dos legumes com o mel e a pimenta dedo-de-moça além da junção  do chá de cidreira, o tornam inesquecível.

Basta fazer uma infusão com 2 saquinhos de cidreira, espremer os saquinhos e reservar. Antes disso, corte cebola em brunoise e deixe de molho em água fervente por 15 minutos.

Aí é só misturar o tomate sem pele e sem sementes também em brunoise ( em bom português, em cubinhos), alho amassado, coentro e salsa picados, sal, mel, dedo-de-moça picada e juntar à  infusão de cidreira.
Sirva com finas fatias de baguete torrada.

Iniciamos o serviço  tomando uma bela água com gás saborizada com rodelas de laranja pera, hortelã e muito gelo (mais uma indicação deles).

Salada de pepino, queijo de cabra e hortelã.

Como a própria Nina disse, estes pratos são refrescantes e leves, compatíveis com o calor reinante. E são mesmo!

Uma salada de pepino japonês cortado em rodelas …

… queijo de cabra esfarelado … 

… e um molho fotográfico ao extremo composto de azeite, vinagre de framboesa (uma delícia), mel, sal e folhas de hortelã branqueadas rapidamente pra logo após, frear a cocção através duma banho na água gelada.

  

Acabei montando os dois, tanto o antepasto como a entrada num prato só.
Foi aprovadíssimo e louve-se que a Dé já incorporou as duas receitas ao menu aqui de casa.

Continuamos com a água saborizada, e abrimos um vinho branco com a uva indicada pelo Marcel, a Sauvignon Blanc, o De Los Man 2004 Chile, que foi “delicado, bicho grilo, insípido, que vinho?” segundo os animados ovo-lácteo-vegetarianos, nós mesmos.

Principal – Pasta alla Carbonara Veggie.

O primeiro prato que elaboramos pra este menu foi o principal, o Pasta alla Carbonara Veggie. No lugar do guanciale, usamos o LapSang Souchong, um chá preto chinês defumado. O aroma lembra muito o do bacon, mas o paladar é muito mais leve e já que a referência dele era italiana, achamos que seria plausível utilizar a mesma linha pros outros pratos”.

Parece simples, né não?  E é, além de ser extremamente confortável e saboroso!
A grande sacada foi usar o chá como especiaria. Neste caso ele é triturado no almofariz.

No restante, é uma Pasta alla Carbonara comum só que com a utilização de ótimos ingredientes: gemas de ovos caipira ( veja a cor)…

… creme de leite fresco, Parmegiano Reggiano italiano, sal, pimenta e espaguete grano duro.

Todo mundo amou e comeu duas vezes. Inclusive a Dé que estava maravilhada com o sabor, a cremosidade e a delicadeza do prato.

Tomamos, seguindo uma pista do Marcel, um tinto italiano, o Colle Secco Montepulciano D’Abruzzo 2005 que além de ter uma bela e bojuda garrafa, foi ” coadjuvante, italianaço, bello antonio potente, que vinho!” segundo os macrobióticos, nós mesmos.

Sobremesa – Panna cotta com Earl Grey.

A panna cotta é um clássico da confeitaria italiana, só recebeu um toque de Earl Grey (composto por chá preto e bergamota) para perfumar.”

Foi assim que a Nina indicou o princípio da receita que a Dé executou. E o doce ficou perfeito.

A Panna Cotta contém leite integral, creme de leite fresco, acúcar, gelatina incolor e a infusão (aprendi!) Earl Grey.

Ela ainda fez um Crème anglaise (leite integral, gema de ovo, açúcar e fava de baunilha).

Finalizei com uma farofinha de biscoito Amaretti (by sex shop)  e que coroou esta magnífica noite ovo-láctea-vegetariana-italiana-infusionada.

Terminamos tomando (e o Marcel me permita desviar das indicações dele) um tremendo Anizete feito pela D. Anina. S-pe-ta-co-lo!!

Eis a opinião dos bichos-grilos:

Simples e uma super-produção. Ovo-lácteo-saboroso! (Edu)
Espetacular! Bela produção. (Mingão)
Majestoso ( simples e “amplo”). (Déo)

E aí vão as nossas famosas flores virtuais ( eu juro que elas são ovo-lácteas-vegetarianas. rs)

Nina e Marcel , foi o maior prazer ter a participação de vocês aqui no DCPV e prazer maior ainda de verificar que o simples é cada vez mais delicioso desde que acompanhado de grandes idéias e ingredientes.
Como vocês podem, perceber, nós gostamos muito de tudo e espero que todos que estejam nos lendo tenham a oportunidade de reproduzir este menu em casa! Vão adorar!

Gratíssimo e até o próximo (semana que vem), que fechará o ano e será um mini Thanksgiving light (ôba, o que será isso?) indicado pela divertidíssima Cris do excelente From Our Home to Yours.

Abs a todos!

PS – Os capítulos 36º e 37º do nosso livro serão escritos pelos menus da Re e da Fran do Frango com Banana e do Vitor Hugo do Prato Fundo. Aguardem pois serão janeiro/fevereiro de 2011.

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a segunda chance do Dalva e Dito

põe comfort food nisso!
15/11/09

A segunda chance do Dalva e Dito

É, fomos ao Dalva e Dito, o restaurante de receitas da cozinha brasileira  do genial ( nós o achamos  genial!) Alex Atala.

E por que segunda chance quando na verdade foi a primeira vez que fomos  lá? 
Ora, porque o restaurante simplesmente foi metralhado quando da sua inauguração. “‘É muito ruim!”; “a comida é pretenciosa demais“; “é caro demais“; ” o Alex perdeu a noção“: estas foram algumas das declarações/críticas que despontaram após as primeiras visitas dos clientes.

E não nos surpreenderam muito pois estivemos numa palestra-aula com o próprio Alex e o Alain Poletto que seria o responsável pela cozinha e apesar do entusiasmo deles, nos pareceu que a idéia de utilizar o cozimento à baixa temperatura em quase todos os pratos não seria, digamos assim, muito apropriado. Portanto, não demos nem a primeira chance pra ele!!

 Bom, o tempo passou. O restaurante realmente não começou muito bem; o Alain saiu da cozinha ( não da sociedade); o Alex assumiu as panelas e de repente, ouvia-se aqui e acolá que o Dalva e Dito estava tomando o seu verdadeiro rumo.

Com toda esta história com requintes de suspense, drama e provável final feliz, resolvi que havia chegado a hora de experimentarmos a tal cozinha brasileira de história.

Primeiro ponto positivo: liguei pra saber se fazem reservas e a atendente me informou que sim e até as 13:30hs. Resultado: reservei pra mim e pra Dé pro último horário e como me informaram que poderia atrasar até 15 minutos, o meu horário já foi pras 13:45. Ôba!

Segundo ponto positivo : a arquitetura do lugar é incrível. O Marcelo “Lar Doce Lar” Rosenbaum fez o projeto e ele é muito bom. Dois salões super bem decorados  (ficamos no terraço) com um visual bem brasileiro e com detalhes que o transformam num local acolhedor.
Muita madeira e ladrilhos hidráulicos.

 

Enfim, um lugar bonito!

Terceiro ponto positivo : o atendimento é muito bom! Desde a recepção até todos os garçons, passando pelos maitres (todos super-atenciosos) e a sacada de retornar com a tradição de se fazer a última preparação do prato na frente do cliente.  Antes da comida chegar ao seu prato, você já sente prazer!

Quarto ponto positivo : a comida é demais!
Começamos com o couvert que é muito bom. Pães servidos quentinhos com acompanhamentos de primeira e fotogênicos: um purê adocicado de beringela assada, a famosa cabeça de alho assada do Atala; um purezinho de feijão preto (que harmonizava perfeitamente com a pimenta biquinho, um das quatro que nos foram oferecidas) e uma manteiga Aviação aerada servida charmosamente numa mini-latinha  da própria Aviação…

… além de gostosos bisquis de polvilho.

 

Pulamos as entradas (deixamos pruma outra vez, pois certamente voltaremos) e escolhemos os pratos principais depois de taças de vinho branco chileno pra Dé e dum Anghebein tinto pra mim.
Eu escolhi um que me lembra não somente a comida da minha mãe, a D. Anina, como também um dos que mais gosto lá em casa: Bife à Milanesa com Salada de Batata.

Generoso e crocante, contrastando com a maciez e o geladinho da salada de batata. É isso que esta escrito no (excelente) menu. E eu acrescento que ele é crocantíssimo e que a salada além de crocante também tem um toque de raspa de limão de deixar qualquer um babando!

A Dé pediu o prato que eu estava namorando: Polvo com mandioca rústica!

Cazzo, pra começar são os tentáculos de polvo mais fotogênicos que eu já vi na vida!! E os mais gostosos também pois eles são assados por 15 minutos no forno, o que lhes dá uma crocância externa incrível, mas ao mesmo tempo a maciez interna não é perdida!

Espetáculo e ainda mais com o acompanhamento dum purê rústico de mandioca e dum belíssimo creme de espinafre!! Genial!!

Pra terminar, aí vai a foto da sobremesa:

E sabe o que é isso? É um Romeu e Julieta feito pelo Alex Atala. Quando escolhi, a Dé ainda me disse: Romeu e Julieta? 
Agora me diz se uma mistura de Catupiry, queijo fresco, goiabada cascão, creme de goiaba e sorbet de goiaba  não é um “Senhor” Romeu e Julieta ?  

Pronto! Terminamos a refeição com a sensação de que esta segunda chance (que na verdade foi a  primeira) já teve um propósito: o de mostrar que o Dalva e Dito (segundo o próprio Atala, o nome deriva da sua veneração pela Estrela Dalva e por São Benedito) chegou pra ficar na nossa lista dos lugares queridos.
E voltaremos brevemente pra mostrar pra Renata ( que bela desculpa!) o que ela perdeu!

Quinto ponto positivo: não costumo informar, mas vou. A conta foi de R$ 210,00. Justíssimo pro que nos foi apresentado!
E como última reflexão, existe uma seção do cardápio, intitulada “Para matar a saudade da vovó, das tias” que pra nós, dá o tom exato da comida do Dalva e Dito.

É uma comida extremamente confortável e que poderia ter sido feita tanto pela sua avó, como por aquela tia que cozinha muuuuito!
É uma comida que te faz recordar de bons momentos, de encontros de família, enfim, de comida com memória!

Alex, os cães ladram e a caravana passa (com a Dalva e Dito lá dentro)…

Até.

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Qosqo I – Cusco e o Soroche (o mal da altitude!)

ai, que dor de cabeça!
11/10/09

Qosqo I – Cusco e o Soroche (o mal da altitude)

Voo de Lima pra Cusco. 1:15 hs depois, chegamos.
Todo mundo nos prevenindo sobre o provável mal estar que teríamos devido a altitude da cidade (3360 m), o tal do soroche.

Antes de sentirmos alguma coisa, ficamos maravilhados com a visão toda marrom da cidade. Alguma coisa parecida com uma daquelas cidades toscanas ( guardadas  as devidas proporções, óbvio!)

Fizemos o checkin no hotel Monastério e descobrimos o quão bonito e majestoso ele é.
Um verdadeiro Mosteiro reformado, com o pátio interno ajardinado …

… e várias obras de arte da escola Cusquenha, inclusive nos quartos. Esta por exemplo, estava dentro do nosso!

Fomos fazer o reconhecimento da área e almoçamos no Granja Heidi, um veggie muito bom onde comemos batatas a la Huancaina

…  lomo saltado (ele parece feio e um pouco com o do Olivier, mas é gostoso) …

…uma bela massa com pimientos, ajis, rocotos

… e tomamos mais algumas chichas moradas. Estávamos começando a ficar viciados nelas!

Voltamos ao hotel e o nosso guia, o excêntrico Pepe Vilhena já nos esperava pra nos mostrar o Centro Histórico de Cusco.

Tomamos um chá de folhas de coca ( é, o soroche já estava dando sinais de vida!) e fomos pra Plaza de Armas, onde tudo acontece. Foi lá que toda a cultura peruana, inclusive a  inca se desenvolveu e esta praça era usada pra fins cerimoniais.

Lá também ficam La Catedral e a Iglesia de La Compañia.

 

Fomos ao Convento Santo Domingo e ao Qorikancha, um templo construído em honra a Inti, o Deus-Sol e que tinha os muros de pedra revestidos de ouro e pedras preciosas. Uma beleza!

 

Pudemos ver também os famosos encaixes perfeitos de pedras  de construções incas, uma marca registrada.

E ainda a fortaleza de Sacsayhuaman (diz-se SexyWoman), um exemplo da inteligente (e,em alguns casos, megalômana) arquitetura inca.

Pedras de até 80 t ( imagine o transporte disto) se encaixam perfeitamente formando 3 níveis de muros em ziguezague que se estendem por uns 300 m. Um absurdo de grande! 

Com a cabeça estourando (o soroche atacou a mim e a Dé), voltamos ao hotel, tomamos mais chá de coca, mascamos folhas de coca e fomos jantar no Chez Maggy, um lugar mais bicho-grilo ainda que o Granja Heidi.

 

Decoração estranhíssima com gente mais estranha ainda. Eu não sabia se era o soroche que estava atacando ou se o lugar é assim mesmo. Fico com as duas hipóteses!!

 

De qualquer maneira, a pizza de lá é excelente!

Comemos e voltamos pro hotel, não sem antes esbarrar num daqueles vendedores de pinturas que se intitulava Ronaldinho Gaúcho e que me “empurrou” uma bela pintura em crayon da Catedral por exatos U$ 32.

É, acho que o soroche nos atacou profundamente!!

Hasta.

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