Arquivo para março \30\-03:00 2010

dcpv – da cachaça pro vinho – jour neuf – paris e o quarteirão latino

frio? vinho
12/02/10

dcpv – Paris e o Quarteirão Latino.

Desta vez o frio veio pra ficar. 3 graus negativos com sensação (pra nós, tupiniquins) de -10º C. Ou -20ºC. Ou -30ºC…

Mesmo assim, estávamos em Paris. Então, vamos flanar. Quase congelados, mas vamos.

Iniciamos o dia  tomando um belo e lauto café da manhã no apê.

Tínhamos um compromisso oficial: levar a Re até a escola de francês e ao mesmo tempo conhecer o namorado dela, o Hugo. Namorado e escola aprovados (e a Re indo pra Londres com a turma dela passar o final de semana), só nos restou aproveitar a nossa cidade.

Pegamos o metrô (prepare-se pra usá-lo frequentemente quando não estiver a pé) e fomos andar.

Passamos pela famosa livraria Shakespeare and Company e…

… tivemos belas e diferentes vistas de Notre Dame.

Belíssimas!

Paramos pra dar uma abastecida no restaurante franco-marroquino Degrés de Notre Dame, …

…onde, além de nos escondermos do frio e comermos bem, ainda tomamos um belo vinho tinto marroquino.

A comida? Um magret de pato com molho de mel e mostarda pra mim …

… e um cuscus de legumes com mergués (esta vai pra pra Elissa, pra Fabrícia e pro Mohamed) e frango. Note que bela apresentação já que o caldo com os legumes são servidos separados.

 

Experimente! O lugar é bastante típico.

Subimos pro Quartier Latin, um lugar bacana com uma arquitetura diferenciada e várias lojas especializadas.

Em gorros (você precisará de um), em gibis…

… em rugbi, em meias e meias-calças (segundo a Dé, você precisará de várias).
Continuamos o nosso tour, passando pela  Sorbonne (onde dizem que o FHC deu aula. Alguém assistiu?)…

… e pelo Pantheon.

Terminamos na rue Mouffetard que é bem bonitinha e com muitas lojas e restaurantes.

Como o frio se intensificou, resolvemos voltar de metrô. E já que era no caminho(perto do Jardim de Luxembourg) , passamos pela doceria do Sadaharu Aoki, um patisseur japonês que anda fazendo furor por aqui.

Confesso que compramos alguns doces e chocolates dele que eram bonitos, mas não foram os que mais nos agradaram. Gosto pessoal, eu sei!

Voltamos pro apê, tomamos banho e fizemos uma das coisas que mais nos deram prazer nesta viagem (e olha que foram tantas): escolher o restaurante pra jantar pela “cara” que ele tinha.

Passávamos na frente e achávamos legal; pronto, era esse o lugar.
Desta vez foi o restaurante
 le colimaçon, escolhido pela Dé muito mais pra fugir do frio e porque era pertíssimo.
E esta escolha foi acertada pois o jantar foi memorável. Vou tentar descrever da melhor maneira possível já que esquecemos a máquina e não tiramos fotos. A experiência foi bem francesa.
Entramos e não tínhamos feito reserva (era sexta a noite). O lugar é aconchegante e pequeno. Exatamente, 20 lugares.
Não tinha nenhuma mesa vaga, mas eles fizeram uma coisa bastante comum por aqui: nos colocaram numa mesa onde já estavam 5 pessoas. Sentamos e ficamos olhando a fauna. Literalmente,  já que o Marais é um bairro extremamente alternativo. Só nos éramos não-franceses.
E a comida foi um espetáculo: tomamos um vin rouge Sancerre e como não estávamos com muita fome, dividimos uma entrada e um prato principal. Confesso que todos os franceses ao nosso lado (nestes restaurantes pequenos, as mesas são coladas uma as outras e as vezes você tem a impressão que os vizinhos vão participar da sua conversa) se escandalizaram com o nosso pedido. Petit, pensavam eles!! rs
Que foi totalmente acertado já que os pratos são bem grandes. A entrada chegou e era uma MilleFoglie de Tomate com legumes crocantes. Totalmente delicioso com os franceses estranhando o prato no meio da nossa mesa e sendo aproveitado por nós dois.
Mais um tempinho de conversa e chega o principal: uma Galette com molho thai, gengibre e afins.  Mais uma delícia que, apesar da surpresa (não imaginávamos que Galette fosse um peixe!! rsrs), foi devida e totalmente degustada por nós.
É incrível como este pequenos restaurantes são interessantes. É claro que os Robuchons, Ducasses e Savoys da vida são bons, mas o que surpreende é a quantidade de locais pequenos não divulgados pela grande mídia que oferecem uma grande experiência gastronômica
E tudo isto com uma estrutura enxutíssima. Dificilmente se vê mais do que 3 pessoas trabalhando em cada um deles (incluindo a cozinha!).
Enfim, um bom conselho e indicação gastronômica pra quem vem a Paris é: escolha com os olhos e o coração e depois verá se acertou ou não. Simples, né?

E tudo isso, apesar do frio, torna Paris uma cidade cada vez mais quente!

Au revoir.

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dcpv – da cachaça pro vinho – tudo certo como um e um são dois (cozinha contemporânea)

dois é pouco
28/02/10

dcpv – Tudo certo como um e um são dois (cozinha contemporânea).

Adoro coisas simples. E bacanas. É o caso do restaurante dois cozinha contemporânea.

A casa (mesmo porque é uma casa) dos chefs/proprietários Felipe Ribenboim e Gabriel Broide tem uma simplicidade (tudo a ver com a onda bistronomique que assola a cidade) e uma categoria que impressionam.

Agora, imaginem passar um fim de semana com pizza na Bráz (tudo bem que estava tão cheia que resolvemos pedir e levar pra casa), almoço no sábado no Ping Pong, show ( na faixa) do Zeca Baleiro no Ibirapuera, cinema no Cinemark Prime do Cidade Jardim (filme Simplesmente Complicado, bem meia-boca) e culminar com um belíssimo almoço no Dois?

Primeira boa notícia: eles fazem reservas. E pra qualquer horário. Portanto, liguei no domingo de manhã e marquei prás 13:30 hs.

Segunda boa notícia: o lugar é muito bonito e extremamente bem cuidado. Obras de arte às pencas,…

… árvores frutíferas e orquídeas (veja que belo exemplo criativo dum orquidário),…

… e louças de primeira.

Enfim, tudo muito bacana. Mas estamos num restaurante, né mesmo?

Terceira excelente notícia: a comida é boa de doer!

Começamos com um couvert singelo: pãezinhos quentinhos com uma coalhada, azeite e flor de sal. Como a Dé afirmou, “simples e delicioso“.

O próprio Felipe veio trazer um amuse, um chips de batata doce que além de ser extremamente fotogênico, tinha uma crocancia surpreendente.

Pulamos (a contragosto) as entradas e pedimos os nossos pratos principais. Antes disso, uma garrafa dum vinho tinto Shiraz Penfolds muito bom.

A Dé foi de Nhoque de Cará, Ragu de Galinha D`Angola, Quiabo Frito e Redução de Galinha. Molho extremamente denso com o quiabo super crocante e o nhoque levíssimo. Nem parecia cará!

Eu fui de rabada.

Mas não era uma rabada qualquer. Era uma Rabada desfiada, Cogumelos, Brotos de Agrião e Azeite texturizado de zimbro. (Emília e Arnaldo, vocês precisam experimentar!)

Na verdade é um tremendo ragu de rabada. Ao se mistura o líquido da rabada com o pó do azeite, surge um molho daqueles de “rabada” mesmo. Grossão!!

Acrescente os agriões precoces e já dá pra imaginar a resultado!!

Sobremesa? Sim, senhor e no esquema 2 (colheres) pra uma (sobremesa).
Uma Tartelette de Frutas de Verão, Caramelo Fondant de Lavanda e Sorvete de Brioche (sorry, Caco Antibes).

Leve, saboroso, bonito e o fechamento de ouro duma grande refeição.

Olha, o dois cozinha contemporânea é um lugar pra se voltar sempre e de preferência, chegar lá e perguntar pro Felipe/Gabriel o que é que está mais fresco naquele dia.

Certamente, faremos isto. E tem mais.
Tem coisa mais simples, prática e inventiva do que denominar um restaurante com dois chefs de dois?

Hasta !

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dcpv – da cachaça pro vinho – jour huit – champs elysées ou melhor, campos elísios

avenidaça
11/02/10

dcpv – Jour Huit – Champs Elysées ou melhor, Campos Elísios.

Elísios lembra alísios.

Alísios = Diz-se dos ventos regulares que sopram constantemente sobre quase uma terça parte da superfície do globo, das altas pressões subtropicais para as baixas pressões equatoriais: o alísio do hemisfério Norte sopra do nordeste para o sudoeste, o alísio do hemisfério Sul, do sudeste para o noroeste.

Ou seja, juntando-se a definição acima com o frio (cite-se, muito frio) que estávamos passando nesta manhã na Champs Elysées, você teria a exata sensação que tivemos: parecia que estávamos numa geleira. E com vento.

E por incrível que pareça, tudo era muito divertido. Veja só o tamanho da nossa turma!

Chegamos de metrô e fomos direto pra saída da estação Charles de Gaulle-Etoille.
Saímos na cara do 
Arco do Triunfo e com um frio de fazer japonês não tirar fotos.

Descemos pelo lado esquerdo da Champs Elysées onde encontramos de tudo um pouco: lojas de automóveis espetaculares tais como a Peugeot,…

… Toyota, …

…. Mercedes, …

Renault, …

… e Citroen com o seu prédio de arquiteturas externa …

… e interna marcantes.

Além dum Bar à Éclairs da Fauchon no último andar! É claro que comemos uma.

Pode? Ainda fiz uma brincadeirinha e recebi esta maravilha de foto por e-mail. Fotogênica, não?

Ah! Vimos também a casa onde habitou o nosso Pai da Aviação .

Marcamos presença em vários sex shops como o dos cosméticos (Sephora) e os dos eletro-eletrônicos/cds e afins (Virgin e fnac)…

… além dos de alimentação.
Pausa pra explicação: há uns 10 anos, estivemos em Paris e eu vi um restaurante que oferecia somente  Moulles (mariscos)  et Frites.
Por alguma razão, acabamos não comendo lá e isto ficou na  história da nossa família (e principalmente, do meu estômago).

Pois bem: desta vez topei com o restaurante Leon de Bruxelles e esta refeição se transformou em realidade. E isto em plena Champs.

A Dé pediu risolis de batata e queijo e uma salada de queijo de cabra e verdes. Ela adorou mesmo porque era uma das poucas coisas do cardápio que não continham mariscos.

Eu, realizando o meu  sonho dourado, uma panelinha (800g) de Mariscos ao modo Leon e fritas à la vonté …

… além duma cerveja preta belga Chimay espetacular.

Olha, foi tão bom que eu fiz a Dé me prometer que retornaríamos .

Resumindo: desejo realizado e melhor, resgatando o sabor que eu imaginava deste simples prato.
Só Paris pra te proporcionar este prazer.

Ainda demos uma passada no Ladurée onde descobrimos um bar lindíssimo atrás da loja …

… e aproveitamos pra tomar chá e café bem quentes, além de comermos dois bons (achamos um pouco pesados) doces (uma millefoglie de caramelo e um St Honoré).

E não é a toa que o consumo aumenta muito no frio já que pra se proteger dele, você é obrigado a entrar em cada uma destas tentadoras lojas.

Ainda tivemos tempo de passar na Printemps pra comprar (mais uma) mala e fomos jantar em mais um restaurante pequeno e aconchegante no Marais.
Ele é italiano e se chama Caffé Boboli. Aproveitamos o frio pra pedir uma garrafa dum Chianti Banfi 2007 e duas belas pastas.

Um rigatoni ao sugo pra Dé e…

… uma lasagna a bolognese pra mim.

Pronto! Comidinha confortável, ambiente mais ainda e um tremendo upgrade.
Estávamos ao lado ao apê.

À demain.

 .

dcpv – da cachaça pro vinho – jour sept – se alimentar num museu, comer obras de arte num restaurante

louvre/robuchon
10/02/10

dcpv – Se alimentar num museu, comer obras de arte num restaurante.

Eu já falei sobre isso uma vez. Se bem que só fiz uma analogia sem ter ido a museu algum.

Neste caso, aconteceu. Vamos aos fatos.
O dia amanheceu lindo em Paris. Parecia que ia ser totalmente ensolarado.

Eis que de repente, o sol desaparece e começa a nevar pesado. Mas pesado mesmo, quase uma nevasca.
E foi aí que Paris mostrou a sua face camaleônica.

Ficamos praticamente a manhã toda flanando dentro do apê pois iríamos almoçar no L’Atelier Joel Robuchon.

Já tínhamos ido no de NY e a expectativa era muito grande.

O restaurante fica no Hotel Pont Royal Paris, próximo da rue du Bac. Chegamos um pouco mais cedo pra conhecer a região que é bem bacana e merece uma passeada.

No horário da reserva (14:00hs) estávamos lá e foi bom, pois começou a nevar pesado novamente.

Duas taças de champanhe e já estávamos prontos pra pedir.

Antes, demos uma bela olhada no lugar e percebemos que é bem parecido com o de NY.
Só que muito mais charmoso e neste, todos os lugares são no balcão onde se pode ver a belíssima cozinha trabalhando.

Ficamos bem na frente de tudo.

É claro que optamos, eu e a Dé, (a Re estava no “animado” carnaval de Colônia, Alemanha) pelo menu de experimentação onde você pede pequenas porções, quase uns tapas dos pratos.

Escolhemos a  l`aubergine, confite de mille-féulle a la mozzarella et au basilic (é uma tremenda quase-caprese de abobrinha),…

le foie gras, frais de canard cult au troichon (sinceramente, o melhor foie que comi na minha vida), …

le crabe, a soft shell en tempura sur une purée d`avocate acidulée (“galinhá do manguê” muito bem temperada), …

le coquille saint jacques, au berre d`algues acidulée (vieiras com molho na sua concha que era tão bom que tivemos que apelar pro pãozinho), …

la langoustine, en raviolle truffée à l`eluvée de chou vert (ravioli levíssimo com uma salsa, quase um pesto de salsinha de chorar) e …

le pigeon, en supréme au chou et ao foie gras (sim, pomba e que pomba já que é francesa, cozida com foie gras e enrolada com salsinha e bacon além de uma salada de minirúculas soberba).

Tomamos mais duas taças dum excelente Pouilly Fumê e pedimos uma sobremesa pra dividirmos.

Foi a l`arabica, mousse au cafe forte, morceuax de brownies à la confiture de citron, légêreté craquante (uma musse muito boa com um enfeite sensacional que tinha a textura de uma hóstia, só que de café).

Puxa, certamente foi um tour de “force et plaisir“.
Tudo espetacular e certamente ficamos com a impressão de que a matriz é muito superior a filial.

 Robuchon francês derrotou o  Robuchon nova-iorquino.

Pra continuar no pique, resolvemos passar a tarde toda no Louvre (ainda mais que era numa quarta e o museu fica aberto até as 21:45 hs).

Andamos muito e conseguimos ver tudo o que já tínhamos visto anteriormente e gostado muito.

O Egito antigo, …

… a Venus de Milo, …

… a Mona Lisa …

… e o Código de Hamurabi. Quem não ouviu falar sobre eles na escola?

Ah! Vimos pela primeira vez a ala dos aposentos de Napoleão e de toda a corte francesa.

E é sensacional.
É imperdível descobrir como e onde eles jantavam (será que era comida francesa? rs), …

… se embelezavam,…

… esperavam (sabe que que era uma boa esperar o “home” num lugar assim?), …

… e até trabalhavam (acho que eles também tinham um Philippe Starck naquela época).

Esta cadeira ouvia/via muita adulação. Não resisti e comprei uma almofadinha do Napoleão!

Enfim, o acaso (ou não?) fez com que no mesmo dia conseguíssemos alimentar a nossa alma no museu do Louvre e que víssemos/comêssemos verdadeiras obras de arte no L´Atelier Joel Robuchon.

Ces´t  la vie.

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dcpv – da cachaça pro vinho – paladar de frio

número 245
23/02/10

dcpv – Paladar de Frio

É duro voltar de 13 dias em Paris (no meu caso, engordando como um ganso!) e pensar em comida. Ainda mais pela comparação.

Mas como uma das missões do dcpv  é também apresentar novos cardápios, resolvi novamente apelar pro amigão Paladar.

E não é que ao folhear todos os jornais acumulados no período, me deparei com mais um Guia de Receitas, coma enquanto está frio (pratos pra aplacar o calor).

Todas as C.N.T.P. indicavam que a coisa iria dar certo: as receitas da Fabiana Badra Eid, a praticidade e rapidez de execução e o principal, o calor infernal reinante na grande FV.

Em dias de alta temperatura, o negócio é simplificar a vida e manter os pratos frios – ou no máximo, em temperatura ambiente. Por isso, esta edição especial Paladar Guia de Receitas traz uma seleção de entradas, pratos e sobremesas que aliam frescor e simplicidade de preparo. Vamos deixar as receitas mais elaboradas pra próxima estação?”.

Vamos!

Bebidinha – Pra não perder o pique, uma caipiroska (com a Absolut Vanilia) de Clementines.

Afetado, mas gostoso.

Vichyssoise de agrião

Esta sopinha é deliciosa e refrescante. Não preciso nem dizer que a Dé adorou.
Cozinhe uma batata pequena em pedaços, uma cebola picada, duas xícaras de caldo de galinha (de preferência, feito em casa) e uma xícara de creme de leite fresco em fogo baixo até a batata ficar macia.

Junte 4 xícaras de agrião cortado grosseiramente, cozinhe mais um pouquinho e bata tudo no liquidificador. Tempere.
Deixe esfriar e leve à geladeira por duas horas. Sirva e delicie-se.
Ainda fritamos alguns quadrados de pão sírio pra acompanhar. Bom, bom e bom.

Fez uma ótima dupla com a Mussarela com pesto de pimenta.

Simples  mussarelas de búfala cortadas em fatias e temperadas com um pesto formado por pimenta dedo-de-moça, azeitonas pretas, salsinha, casca ralada de limão siciliano e azeite.

Não vou dar as proporções pois acredito que cada um tenha que encontrar as suas. Eu, por exemplo, não gosto muito de  azeitona preta e só a utilizei pra aromatizar.

Monte o prato distribuindo o pesto sobre a mussarela e salpique a legítima flor de sal (viva!).

Pra melhorar, só acompanhando com um vinho rosé Gran Feudo Edición 2008 Navarra que foi “fresco, verde, greengay, magnifique” segundo os ursos polares.

Cumbuca de siri com arroz de leite de coco

Eu tinha certeza que existia siri nas profundezas do nosso freezer.
Ledo engano. Mas nada que eu não pudesse consertar substituindo-o por patas de galinha-do-mangue, mariscos e vôngole.

 

Refoguei-os com cebola no azeite, juntei tomates sem pele e sementes picados, suco de limão e coentro.

Coloquei em belas formas refratárias e polvilhei farinha de mandioca.

Levei ao forno até a farinha dourar e servi junto com um belo arroz (basmati) feito com leite de coco.

Prontíssimo: um prato lindo e supersaboroso. Parece uma moqueca-limonada e o contraste com o docinho do arroz foi perfeito.
Até a Dé, que normalmente passa o prato principal, comeu tudo. Não precisa nem falar do Déo e do Mingão, né não?

Acompanhamos com um velho companheiro pós-viagens, o vinho branco australiano Jacobs Creek 2008 Vintage que foi “untuoso, suntuoso, nicole`s creek, fantastique” segundo os sorbets, nós mesmos.

Smoothie de papaia, gengibre e hortelã

Este nem precisa de muita explicação.
Bata papaia, cubos de gelo, iogurte natural, mel, gengibre, suco de limão siciliano e água.

Faça como no pesto: crie a sua proporção.

Extremamente refrescante e um smoothie pra tomar a qualquer hora.

Eis a opinião dos saudosos confrades sobre a noite:

Cardápio equilibrado e com uma tremenda cara de inverno no verão. (Edu)
Deliciê, sensacionê e espetaculê!!! (Mingão)
Nous avons le “printemps” no verão bresilien ! (Deo)

Bom, é isso aí! Mais uma vez o grande Paladar salvou a noite.

Pô, pessoal do Estadão, já passou da hora deste caderno virar uma bela revista gastronômica.

Até.

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dcpv – da cachaça pro vinho – jour six – o dia em que comemos nas alturas parisienses

frio? que frio?
09/02/10

dcpv – O dia em que comemos nas alturas parisienses

Torre Eiffel tem uma história estranha.

Ela foi construída entre 1887/89 e exclusivamente pra exposição universal de Paris. No planejamento constava que ela seria desmontada em 20 anos.

Foi recebida muito mal inicialmente. Charles Garnier, o arquiteto da Ópera e Guy de Maupassant foram seus mais duros adversários.
Guy chegou, inclusive, a organizar um picnic embaixo das pilastras pois lá seria “o único lugar de onde não se vê essa desprezível construção”.

Corta pra hoje (pois o resto já é história). Por ironia do destino, fizemos quase a mesma coisa só que a 123 m de altura.

Fomos almoçar no Le Jules Verne, o restaurante que o Alain Ducasse tem na Torre Eiffel.

Estava um frio de rachar coquinho e ainda por cima, nevando…

… o que fazia, por incrível que pareça, Paris ficar mais bonita ainda.

Chegamos e a mordomia já se apresentou. Um elevador particular nos levaria ao restaurante.

Subida rápida e cá pra nós, nem Julio Verne com a sua imaginação poderia pensar em tamanha proeza.

Fomos alocados numa bela mesa com vista pra todo o Champ de Mars nevado e começamos a verificar todos os detalhes do lugar.

As louças são incríveis e …

 

… os copos mais ainda. Sim, o que está acima é um prato.

Eu e a Dé escolhemos a formule onde você opta por uma entrada, um prato principal e uma sobremesa de uma lista, além dos copos de vinho harmonizando com cada um dos pratos.
Um de espumante, um de vinho branco, outro de tinto e um Sauternes de sobremesa.

A Re que é um pouquinho mais “enjoada”, escolheu um prato principal e uma sobremesa.

Começamos com um amuse bouche, um purê levíssimo de batatas e creme fraiche.
Não era efeito da altura, mas o purê do Ducasse nos fez flutuar.

A Dé pediu Endivées de pleine terre, jambom, truffe e comté como entrada (uma delícia e parecendo um Croque Monsieur de mar e terra) …

… um Vollaile de bresse en fricassée aux écrevisses, sucs de cuisson marbrés (um enroladão que tinha um molho acentuado e bem denso) …

… e como sobremesa, Chocolat a mer en fine barre, sorbet orange sanguine (uma sobremesa digna do Ducasse com o chocolate meio amargo contrastando com o gosto acentuado da laranja. A Dé amou!)

A Re, foi de Selle d’Agneau à la brouche, l’epaule confit, legumes primeurs étuvés, sucs di coisson (coxa de frango cozida com trufas e vários minilegumes refogados. Um prato delicadíssimo e ela comeu tudo) …

… e uma L’Ecrou au chocolat el praliné crostillant, glace noisette (uma tremenda  mousse de chocolate que era tão bonita quanto gostosa).

Eu, fui de Fin pithiviers blond de canard, foie gras e truffe noire (praticamente um prensado de pato, foie e trufas ou seja, uma beleza), …

Juie de Boeuf cuisinée comme un bourguignon, champignons et lardons (um tremendo cozido com um molhaço acompanhado por minicogumelos macios e um bacon de fazer qualquer um doido) …

… e um Savarin a l`Armagnac de votre choix, chantilly peu fouettée (um bolão molhado com um Conhaque que eu escolhi e um chantilly cremoso ao extremo).

Tudo perfeito com uma visão cinza de Paris, mas não menos bela.
E mais ainda, com docinhos, mimos e uns tremendos macarons de menta que o Monsieur Ducasse nos ofertou.

Resumindo, se estiver a fim de subir na Torre com estilo, o Le Jules Verne é a grande solução.
Tá certo, é mais caro, mas vale cada Euro gasto.
Nos despedimos da Re (ela foi pra Amsterdã) e ainda demos uma passada pela Place de la Madeleine onde além de entrarmos na igreja,…

… revisitamos outro templo, o verdadeiro sex shop, a Fauchon que é uma loja de alimentos simplesmente genial.

 

Quer dizer, foi propriamente um dia em que comemos e vivemos na altura máxima.
Paris, Paris, Paris!

Au revoir.

dcpv – da cachaça pro vinho – jour cinc – uma paris diferente da nossa

é paris mesmo?
07/02/10

dcpv – Jour cinc  – Uma Paris diferente da nossa.

Após ficarmos 4 dias andando pela região do Marais, resolvemos nos aventurar um pouco mais pela grande Paris (nada a ver com a grande FV).

Acordamos tarde como de costume e resolvemos andar até St Germain de Prés.

Pra isso, atravessamos a Ile de St Louis, pegamos um pedaço da Ile de la Cité e fomos direto pra estação de Metro St Michel onde começaríamos efetivamente o nosso roteiro. Se bem que só este trechinho já se revelaria um grande prazer.

É claro que toda esta caminhada foi altamente produtiva. Até o Quasímodo nós vimos.

Passamos pelo Hotel de Ville com a sua pista de patinação no gelo …

… e pela Rue du Chat-qui-Pêche.

Andamos pela rue St Andre-des-Arts até encontramos uma fillial da Mariage Frères, a espetacular casa de chá.

É claro que usamos a desculpa de nos protegermos do frio pra tomarmos uns belos chás…

… e comermos doces de fazer qualquer um ajoelhar e agradecer pela baixa temperatura.

 

Continuamos, seguindo até a Eglise Saint-Germain-des-Prés

… e fizemos a parada óbvia no Les Deux Magots pra nos sentirmos como Hemingway/Picasso comendo o nosso Croque Monsieur e filosofando sobre como a vida é boa.

Em busca de doces perfeitos, passamos pelos mestres pastisseurs Ladurée

…. e Pierre Hermé, com os seus macarons premiados …

… enquanto  subimos até o Jardin du Luxembourg onde o frio realmente disse a que veio.

Tentamos passar no Sadaharu Aoki, o pastisseur nipônico que está arrebentando na cidade luz, mas estava fechado (vamos retornar. Certeza!) e finalizamos o roteiro conhecendo o Le Bon Marché e principalmente, a  La Grande Epicerie De Paris.

Este é certamente o nirvana dos sex shops do mundo.

O lugar é uma beleza e você encontra a nata da nata da gastronomia por lá.
Só não nos desesperamos, pois certamente voltaremos pra fazer o nosso “farnelzinho” de viagem.

Pegamos o metrô, voltamos pro  apê, encontramos a Re e fomos jantar no Les Philosophes (mais um restaurante do livro do Alex Herzog, o Bistros Paris ), um bistrô autêntico e com comida mais ainda.

Pedimos uma sopa de cebola (pra Dé),…

… uma salada thai (pra Re) e…

… um bifão com batatas sauté e legumes pro fominha, eu mesmo.

Acompanhados de uma limonada (pra Re) e …

… de um  maravilhoso Gigondas pra mim e pra Dé.

Tremendo lugar prum (mais um) tremendo dia em Paris.

Só nos restou voltar a pé pro apê (5 minutinhos) e aguardar, pois amanhã é dia de Alain Ducasse em plena Torre Eiffel. Ai, ai!

D´accord!!

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dcpv – da cachaça pro vinho – jour quatre – nada como fazer uma feirinha em paris

xepá?
07/02/10

dcpv – Nada como fazer uma feirinha em Paris.

Domingão. Nublado e frio. Mas com um belo upgrade: em Paris.

Dizem que não tem muita coisa aberta aos domingos por aqui. E é verdade, mas aproveitamos pra realizar um dos meus sonhos que é ir à feira, escolher bons ingredientes e cozinhar. Em Paris!

E foi o que fizemos. Aproveitamos pra dar uma passeada pela praça da Bastilha (pertinho do apê) e fomos conhecer o Marché d’Aligre (metrô Ledru-Rolin), que fica um pouco adiante.

É uma grande feira livre que tem somente um pecado: não tem pastel. No restante é pra qualquer um babar e se admirar com a quantidade de ingredientes fantásticos, fresquíssimos e com o mais absoluto pedigree. Legumes, …

… verduras, …

… carnes e …

… muito mais. Tudo de ótima procedência.

Voltamos andando (e é certo que este é o segredo dos franceses serem tão esbeltos apesar de comerem tanto! rsrs) e ainda deu tempo de passarmos no  marché de la Bastille e verificar que ele é tão bom ou melhor que o d`Aligre.

 

Flores, …

… cogumelos …

…  e frutos do mar. E que frutos do mar!

Mon Dieu, é demais!

Pra não perder a viagem, encaramos uns belos macarrons e algumas éclairs do Lenôtre.

Tudo prontíssimo pro almoço no apê.
Fiz um risotto de alho poró com bacon, peito de frango com molho de alho poró e creme de leite e batatas duchesse.

Tudo isto numa mesa montada com vista pra multidão que passeava na Rue des Rosiers, já que além da região do Marais ser fantástica, parece que toda Paris se desloca pra lá aos domingos.

A Re (que tinha passado o final de semana na Disney) estava acompanhada da Carol, uma amiga dela e aproveitamos bastante o almoço familiar.

Ah! Tomamos um belíssimo vinho branco Saint-Véran que, infelizmente, não tinha nada a ver com o nosso estabelecimento comercial da grande FV.

Passamos a tardinha batendo pernas pelo Marais em meio a multidão e descobrindo lojinhas espetaculares.
Entre elas, a Mariage Frères, especializada em chás e com um restaurantezinho muito bonito. Não entramos pois a fila era imensa, mas ficou anotado no caderninho.
Aguardem.

Pra aplacar a fome, uma passadinha no Chez Hanna, pra comer um belo falafel.
Esta região de Paris é tida como o melhor lugar pra comer esta iguaria e existe uma série de estabelecimentos especializados nele por aqui.

Voltando ao Chez Hanna, ele é quase um sujinho, mas que é simpático ao extremo e com uma decoração charmosa e barata.

O falafel do Chez Hanna é imperdível. Pedi um completo, com hommus, legumes crus, pasta de tomates, repolhos, berinjela frita e pão sírio.

A Dé, mais modesta, foi só de pasta de tomate e pimentões .

Ah! E duas taças dum belo vinho rosé israelita (não se esqueçam que o Marais também é um bairro judeu).

Devidamente alimentados, andamos um pouquinho num tremendo (literalmente) frio e fomos pro apartamento felizes da vida.

Quer saber duma coisa? Alugar apartamento é legal demais.
E quer saber de outra? Viajar slow é mais legal ainda.

À demain, que eu vou de leve.

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dcpv – da cachaça pro vinho – 25° interblogs – ana elisa e o la cucinetta no dcpv

número 245
02/03/10

dcpv – 25º interblogs Ana Elisa  e o La Cucinetta no dcpv

Eis o resumo da criação deste Inter Blogs (quer saber o que é?):
20/12/08 – “Oi, Ana. Sou fã dos seus blog, texto e fotos. E gostaria de te fazer uma proposta…”

 

21/12/08 – “Oi, Eduardo. Claro que eu topo! Dê-me mais detalhes a respeito …”
28/12/08 – “Oi, Eduardo. OK, então vou ficar maturando durante um ano (hehehe) e pensar num cardápio bem legal…”

08/12/09 – “Oi, Ana. Você lembra de mim? rs Pois é, já passou um ano desde que começamos a conversar sobre os interblogs …”
08/12/09 – “Oi, Eduardo.Vamos lá … uma das coisas que mais gosto na comida italiana é a abundância de legumes e o fato dos italianos comerem tudo, todo tipo de mato, partes de qualquer vegetal. Não há desperdício nenhum e acho isso lindo. Podemos pensar num cardápio regional e super sazonal? … “

08/12/09 –  “Oi, Ana. … comida italiana é com a gente …”
28/01/10 – ” … E cheguei ao seguinte cardápio, bastante italiano, sazonal e vegetariano (a Dé adorou!)
Antipasto – Caponata com Piadine feito na hora
Primo – Tortelli di zucca com manteiga e sálvia
Secondo – Torta di porri
Contorno – Salada de verde com nozes e mosto
Dolci – Timballo di mele
Cantuccini e Vin Santo”

Bom, deu pra perceber que dá um pouquinho de trabalho participar dos interblogs. Mas o prazer (pelo menos o nosso) é proporcional.
Ainda mais neste caso, já que toda a influência da cultura italiana na família foi aguçada.

Vamos lá ao 25º interblogs (e consequente 25º capítulo do nosso livro), o Italianíssimo menu indicado pela Ana Elisa do excelente blog La Cucinetta.

Avanti!

BebidinhaCaipiroska de Serigüela com Absolut Vanilia.

Tem alguma coisa de italiana? Nadinha, mas ficou muito boa!! rs

Caponata (D. Maria Cecília)

Antes de mais nada, vou dizendo que não darei todas as receitas completas. Se quiser, peça pra Ana Elisa.
E também aproveito pra informar que esta receita é familiar e que a D. Maria Cecília é a mãe da Ana. Ela informou que como é toda feita no “olho”, cada um pode fazer a sua versão.

E foi o que eu fiz. Ingredientes: azeite, cebola, folhas de louro, pimentões vermelho e verde, berinjela, orégano e sal.

Segundo a Ana Elisa, “a caponata é receita da minha mãe, que, para mim, é a melhor de todas, porque ela não usa vinagre. Ela sempre fazia quantidades homéricas e deixava na geladeira porque sabia que abriríamos a geladeira e colocaríamos colheradas no pão a qualquer horário, até no café da manhã, se duvidar.”

 

E acompanhamos (estou esperando o próximo café da manhã!) com a Piadine (Sabores da Toscana, de Stephanie Alexander e Maggie Beer) que “é um pão chato, típico da Toscana. Sempre quis fazê-las em casa, pois são muito fáceis, mas nunca me lembro ou dá tempo. Elas devem ser feitas na hora e grelhadas até estufarem e murcharem.”

 

São feitas de  farinha do trigo (comprei uma especial pra isso e no sex shop, que a Ana Elisa conhece muito bem), manteiga, sal e água morna.

Abrimos o vinho branco português Alentejano Reguengos 2008 (não é italiano, mas…), que os amici acharam “personalizado, ítaluso, paneleiro, azedinho”.

Era só o antipasto e a noite prometia demais! Continuemos!

E com um Tortelli di zucca com manteiga e sálvia (Culinária Italiana, edit Könemann).
“O tortelli é meu prato favorito. Comi pela primeira vez em Bologna e fiquei completamente obcecada. É ter abóbora e amêndoas dando sopa que eu os preparo. Cada vez de um jeito, no entanto, dependendo do parmesão, se tenho amaretti ou não, etc”, escreveu a Ana Elisa.

E estes Tortelli são especiais mesmo.

A Dé fez uma massa com farinha, ovos  e 1 colher de sopa de leite (dica essencial pra tornar a massa suficientemente elástica).

O recheio é uma mistura de abóbora (que foi cozida e transformada num purê), biscoito amaretti, mostarda de Cremona, parmesão, cebola, noz moscada e sal.

E o molho é um noisette com sálvia. Ou seja, aquele gostinho de amêndoa proveniente do aquecimento da manteiga harmoniza perfeitamente com a própria “doçura” do recheio. Perfeito!

Continuamos bebendo o vinho branco e apreciando o conjunto de toda a obra de  arte formada pelos tortelli. Sabor, fragrância, textura e suavidade. Ana Elisa; indicação perfeita!!

Como secondo (não perca as contas!), uma Torta de Porri (La Cucina, Marcella Hazan).
Uma verdadeira Torta de Alho-Poró, que é “piemontesa e foi a primeira torta que fiz na vida, quando ainda morava com meus pais. Ela fica alta e linda, com uma camada grossa de ovos e queijo bem dourada, escondendo o alho-poró quase desfeito embaixo”.
O recheio? Alho-poró, manteiga, sal, ovos, parmeggiano, creme de leite fresco e noz moscada.

A Dé, nossa especialista em massas, fez a própria com farinha de trigo, manteiga, água e sal.
A montagem é feita através da abertura da massa num papel alumínio,…

…, colocação da camada dos alho-porós refogados …

… e a finalização com o recheio formado pelo restante dos ingredientes (que é quase que um omeletão).

Boa, mas tão boa que comemos muitos pedaços (com direito a re-bis do Mingão e do Déo ).

E em mais, a torta foi acompanhada por uma bela salada verde com nozes e mosto (Sabores da Toscana – Stephanie Alexander e Maggie Beer).
“A salada verde é uma das coisas mais mal compreendidas e subestimadas do mundo. Isso de torta e salada é muito minha cara e costuma lembrar os almoços com amigos num bistrozinho perto da Consolação”.

Olha, a receita deste mosto eu sou obrigado a dar.
Pegue 1,4 kg duma uva preta doce e coloque pra cozinhar em fogo médio por 10 minutos com água pela metade e numa panela com fundo grosso.

Amasse as uvas (como se fosse um purê) , reduza o fogo pra mínimo e cozinhe por mais uma hora.

Passe este líquido por uma peneira fina, coloque numa panela menor e leve a fogo médio-baixo por cerca de 20 minutos (ou até o líquido reduzir a um xarope que recubra as costas duma colher).

Remova do fogo e misture este xarope (na verdade é uma deliciosa geleia natural!!) na proporção de 3:1 com um vinagre com baixa acidez.
Pronto! Este é o mosto (2 colheres) que formará o molho da salada junto com suco de limão siciliano (2 colheres), óleo de nozes (meia xícara), sal e pimenta. Um spetacollo!!

E a Ana Elisa mais uma vez acertou na mosca, pois ao terminar a parte salgada da noite com este prato, ela nos transportou diretamente pro Piemonte.

Ainda mais tomando o vinho tinto Villa Borghetti Valpolicella 2008, que foi “tânico, ítaloítalo, d.Anina, mamma”, segundo os italianinhos desde “bambini”, nós mesmos.

E a sobremesa? Timbalo di Mele ( La Cucina, Marcela Hazan)

“Como as maçãs Gala estão de volta a época e acho que elas combinam muito com o alho-poró, achei que era pertinente uma sobremesa leve com elas. Então vi esse Timbalo e achei perfeito. Aliás, perfeitamente  minha cara fazer pela primeira vez uma sobremesa quando tenho convidados (sempre faço isso, apesar de desaconselhar a todos).”

Este doce é uma beleza, com uma cara de italiano e relativamente fácil de fazer (se bem que foi a Dé que fez! rs)

Ele é formado por maçãs Gala cozidas com açúcar, cravos e canelas até se transformarem numa polpa e colocadas num processador.

Adicione claras em neve a este purê e coloque numa forma com caramelo no fundo.

Cozinhe no forno em banho-maria, deixe esfriar, desenforme e coma! Foi o que fizemos e com um imenso prazer.

Pra não perder o embalo, experimentamos alguns Cantuccini com a escolta de um belíssimo Vin Santo Badia del Coltibuono que foi definido unanimemente por todos, Dé inclusa, como “italiano“. É claro quer não deixamos de molhar o biscoito! (opa!)

Eis as opiniões dos esforçados “oriundi”:

Formidabile! Viva a Itália! (Edu)
Italianíssima (maestro Zaccaro). (Mingão)
Paesano! Belíssimo! (Déo)

Que grande noite! A Ana Elisa nos indicou um menu de raízes com receitas autênticas.

A Caponata que a D. Maria Cecília faz e o mosto já seriam motivos suficientes pra transformar esta noite em inesquecível.

Imagine juntar todo o restante e acrescentar um ótimo papo com grandes risadas. Pois foi isso o que aconteceu aqui no dcpv. Um interblogs magnífico e que entrou pra história da confraria .

E pra não esquecer, aqui vão as nossas tradicionais flores virtuais pra Ana Elisa …

… com as legítimas cores italianas.

“Pensei justamente; se eu fosse receber minha família numa noite quente de fevereiro:
– o que eu gostaria de comer?
– o que está na época?
– o que vai manter meus pais nostálgicos e felizes?”

Ana Elisa, este menu cumpriu exatamente o que você imaginou. É gostoso de comer, utilizou produtos da época e apesar de não sermos seus pais, ficamos nostálgicos e extremamente felizes!

Grato pela participação e pela quantidade de informações culturais/gastronômicas que você nos proporcionou.

Arrivederci!

PS – O Próximo IB, o 26º, será o da  Luciana do Cafezinho das Cinco que nos mostrará uma outra face da cozinha italiana.

.

dcpv – da cachaça pro vinho – jour troix – chuva em paris é outra coisa

que chuva, heim?
06/02/10

dcpv – Jour troix Chuva em Paris é outra coisa.

Tem alguma coisa pior do que chover nas férias? Ainda mais nas sua férias?

Pois foi o  que aconteceu. Choveu praticamente o dia inteiro. E fez um frio “duca”.
Mas vamos pensar com praticidade: eram frio e chuva com pedigree já que eram parisienses. E melhor, totalmente esperados em pleno inverno.
Portanto, como dizia aquele filósofo contemporâneo, o consideramos  um “plus a mais” na nossa viagem.

Vamos aos fatos: acordamos tarde pra chuchu e lá pelo meio-dia resolvemos tomar café no apê (frios e baguetes da  boulangerie Aux Désirs de Manons. Coma e não se arrependerá!).

Saímos pra passear (de guarda-chuvas e tudo o mais) pelas Iles. A St Louis e a da Cité.

 

Começamos pelo lugar mais tranquilo de Paris: a Île Saint-Louis. E conseguimos dar uma boa olhada em todos os belos “hotéis” e o pior que nem experimentamos o sorvete da Berthilon. Pra ver como estava frio!

Entramos na Notre Dame (fizemos o passeio ao contrário já que começamos pelo Marais) pra apreciar a beleza da catedral …

… e pra nos protegermos do frio. Aproveitamos pra desejar felicidades aos noivos.

Estávamos com fome e aproveitamos pra andar bastante até o Café Blanc. Lugar francês (éramos os únicos turistas)  com comida tipicíssima.

A Dé foi de sopa de tomates com manjericão e uma salada de aspargos com frango …

 

… e eu, de entrecote com batatas da “tante” e salada.

Tudo regado a um belo Crozes-Hermitage Chaubayou. Perfeito pra acompanhar e ajudar a combater o frio.

Devidamente abastecidos, rumamos pro Jardin de las Tuileries, não sem antes passarmos pelas Pirâmides do Louvre

… e, ao final, termos uma visão noturna sensacional da  Torre Eiffel junto do Obelisco. Lindo! (como toda Paris).

Pensamos em voltar  a pé, mas além da distância, ainda tínhamos reservado um dos restaurantes que não conseguimos ir ontem: o Au Petit Thai.
Então, tome metrô!

As 20:30 estávamos lá, já que ele é praticamente ao lado do apê. E petit é apelido. Ele é petititíssimo.

Mas é grande no sabor. Comida thai extremamente bem temperada (diga-se apimentada) num ambiente agradabilíssimo.
As fotos estão ruins porque o lugar é bem escuro, mas muito bonito com pétalas de rosa em todos os lugares.

A Dé pediu um Frango (Poulée) com molho de gengibre.

Eu, um belo Chablis e um prato de Frutos do Mar (vieiras, camarões, mariscos, etc) cozidos num molho de anis estrelado. Simplesmente maravilhosos e nos fizeram prometer que voltaremos à casa com mais apetite ainda.

Só nos restou passar no mercadinho pra comprar algumas coisas básicas (água Perrier, vin Blanc, pain perdu, chocolate Varlhona, etc), passar na padoca,  comprar baguete e croissants e achar que a vida é muito boa.

Ô, se é ! E que venha a chuva.

Au revoir.

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