Arquivo para 9 de março de 2010

dcpv – da cachaça pro vinho – 25° interblogs – ana elisa e o la cucinetta no dcpv

número 245
02/03/10

dcpv – 25º interblogs Ana Elisa  e o La Cucinetta no dcpv

Eis o resumo da criação deste Inter Blogs (quer saber o que é?):
20/12/08 – “Oi, Ana. Sou fã dos seus blog, texto e fotos. E gostaria de te fazer uma proposta…”

 

21/12/08 – “Oi, Eduardo. Claro que eu topo! Dê-me mais detalhes a respeito …”
28/12/08 – “Oi, Eduardo. OK, então vou ficar maturando durante um ano (hehehe) e pensar num cardápio bem legal…”

08/12/09 – “Oi, Ana. Você lembra de mim? rs Pois é, já passou um ano desde que começamos a conversar sobre os interblogs …”
08/12/09 – “Oi, Eduardo.Vamos lá … uma das coisas que mais gosto na comida italiana é a abundância de legumes e o fato dos italianos comerem tudo, todo tipo de mato, partes de qualquer vegetal. Não há desperdício nenhum e acho isso lindo. Podemos pensar num cardápio regional e super sazonal? … “

08/12/09 –  “Oi, Ana. … comida italiana é com a gente …”
28/01/10 – ” … E cheguei ao seguinte cardápio, bastante italiano, sazonal e vegetariano (a Dé adorou!)
Antipasto – Caponata com Piadine feito na hora
Primo – Tortelli di zucca com manteiga e sálvia
Secondo – Torta di porri
Contorno – Salada de verde com nozes e mosto
Dolci – Timballo di mele
Cantuccini e Vin Santo”

Bom, deu pra perceber que dá um pouquinho de trabalho participar dos interblogs. Mas o prazer (pelo menos o nosso) é proporcional.
Ainda mais neste caso, já que toda a influência da cultura italiana na família foi aguçada.

Vamos lá ao 25º interblogs (e consequente 25º capítulo do nosso livro), o Italianíssimo menu indicado pela Ana Elisa do excelente blog La Cucinetta.

Avanti!

BebidinhaCaipiroska de Serigüela com Absolut Vanilia.

Tem alguma coisa de italiana? Nadinha, mas ficou muito boa!! rs

Caponata (D. Maria Cecília)

Antes de mais nada, vou dizendo que não darei todas as receitas completas. Se quiser, peça pra Ana Elisa.
E também aproveito pra informar que esta receita é familiar e que a D. Maria Cecília é a mãe da Ana. Ela informou que como é toda feita no “olho”, cada um pode fazer a sua versão.

E foi o que eu fiz. Ingredientes: azeite, cebola, folhas de louro, pimentões vermelho e verde, berinjela, orégano e sal.

Segundo a Ana Elisa, “a caponata é receita da minha mãe, que, para mim, é a melhor de todas, porque ela não usa vinagre. Ela sempre fazia quantidades homéricas e deixava na geladeira porque sabia que abriríamos a geladeira e colocaríamos colheradas no pão a qualquer horário, até no café da manhã, se duvidar.”

 

E acompanhamos (estou esperando o próximo café da manhã!) com a Piadine (Sabores da Toscana, de Stephanie Alexander e Maggie Beer) que “é um pão chato, típico da Toscana. Sempre quis fazê-las em casa, pois são muito fáceis, mas nunca me lembro ou dá tempo. Elas devem ser feitas na hora e grelhadas até estufarem e murcharem.”

 

São feitas de  farinha do trigo (comprei uma especial pra isso e no sex shop, que a Ana Elisa conhece muito bem), manteiga, sal e água morna.

Abrimos o vinho branco português Alentejano Reguengos 2008 (não é italiano, mas…), que os amici acharam “personalizado, ítaluso, paneleiro, azedinho”.

Era só o antipasto e a noite prometia demais! Continuemos!

E com um Tortelli di zucca com manteiga e sálvia (Culinária Italiana, edit Könemann).
“O tortelli é meu prato favorito. Comi pela primeira vez em Bologna e fiquei completamente obcecada. É ter abóbora e amêndoas dando sopa que eu os preparo. Cada vez de um jeito, no entanto, dependendo do parmesão, se tenho amaretti ou não, etc”, escreveu a Ana Elisa.

E estes Tortelli são especiais mesmo.

A Dé fez uma massa com farinha, ovos  e 1 colher de sopa de leite (dica essencial pra tornar a massa suficientemente elástica).

O recheio é uma mistura de abóbora (que foi cozida e transformada num purê), biscoito amaretti, mostarda de Cremona, parmesão, cebola, noz moscada e sal.

E o molho é um noisette com sálvia. Ou seja, aquele gostinho de amêndoa proveniente do aquecimento da manteiga harmoniza perfeitamente com a própria “doçura” do recheio. Perfeito!

Continuamos bebendo o vinho branco e apreciando o conjunto de toda a obra de  arte formada pelos tortelli. Sabor, fragrância, textura e suavidade. Ana Elisa; indicação perfeita!!

Como secondo (não perca as contas!), uma Torta de Porri (La Cucina, Marcella Hazan).
Uma verdadeira Torta de Alho-Poró, que é “piemontesa e foi a primeira torta que fiz na vida, quando ainda morava com meus pais. Ela fica alta e linda, com uma camada grossa de ovos e queijo bem dourada, escondendo o alho-poró quase desfeito embaixo”.
O recheio? Alho-poró, manteiga, sal, ovos, parmeggiano, creme de leite fresco e noz moscada.

A Dé, nossa especialista em massas, fez a própria com farinha de trigo, manteiga, água e sal.
A montagem é feita através da abertura da massa num papel alumínio,…

…, colocação da camada dos alho-porós refogados …

… e a finalização com o recheio formado pelo restante dos ingredientes (que é quase que um omeletão).

Boa, mas tão boa que comemos muitos pedaços (com direito a re-bis do Mingão e do Déo ).

E em mais, a torta foi acompanhada por uma bela salada verde com nozes e mosto (Sabores da Toscana – Stephanie Alexander e Maggie Beer).
“A salada verde é uma das coisas mais mal compreendidas e subestimadas do mundo. Isso de torta e salada é muito minha cara e costuma lembrar os almoços com amigos num bistrozinho perto da Consolação”.

Olha, a receita deste mosto eu sou obrigado a dar.
Pegue 1,4 kg duma uva preta doce e coloque pra cozinhar em fogo médio por 10 minutos com água pela metade e numa panela com fundo grosso.

Amasse as uvas (como se fosse um purê) , reduza o fogo pra mínimo e cozinhe por mais uma hora.

Passe este líquido por uma peneira fina, coloque numa panela menor e leve a fogo médio-baixo por cerca de 20 minutos (ou até o líquido reduzir a um xarope que recubra as costas duma colher).

Remova do fogo e misture este xarope (na verdade é uma deliciosa geleia natural!!) na proporção de 3:1 com um vinagre com baixa acidez.
Pronto! Este é o mosto (2 colheres) que formará o molho da salada junto com suco de limão siciliano (2 colheres), óleo de nozes (meia xícara), sal e pimenta. Um spetacollo!!

E a Ana Elisa mais uma vez acertou na mosca, pois ao terminar a parte salgada da noite com este prato, ela nos transportou diretamente pro Piemonte.

Ainda mais tomando o vinho tinto Villa Borghetti Valpolicella 2008, que foi “tânico, ítaloítalo, d.Anina, mamma”, segundo os italianinhos desde “bambini”, nós mesmos.

E a sobremesa? Timbalo di Mele ( La Cucina, Marcela Hazan)

“Como as maçãs Gala estão de volta a época e acho que elas combinam muito com o alho-poró, achei que era pertinente uma sobremesa leve com elas. Então vi esse Timbalo e achei perfeito. Aliás, perfeitamente  minha cara fazer pela primeira vez uma sobremesa quando tenho convidados (sempre faço isso, apesar de desaconselhar a todos).”

Este doce é uma beleza, com uma cara de italiano e relativamente fácil de fazer (se bem que foi a Dé que fez! rs)

Ele é formado por maçãs Gala cozidas com açúcar, cravos e canelas até se transformarem numa polpa e colocadas num processador.

Adicione claras em neve a este purê e coloque numa forma com caramelo no fundo.

Cozinhe no forno em banho-maria, deixe esfriar, desenforme e coma! Foi o que fizemos e com um imenso prazer.

Pra não perder o embalo, experimentamos alguns Cantuccini com a escolta de um belíssimo Vin Santo Badia del Coltibuono que foi definido unanimemente por todos, Dé inclusa, como “italiano“. É claro quer não deixamos de molhar o biscoito! (opa!)

Eis as opiniões dos esforçados “oriundi”:

Formidabile! Viva a Itália! (Edu)
Italianíssima (maestro Zaccaro). (Mingão)
Paesano! Belíssimo! (Déo)

Que grande noite! A Ana Elisa nos indicou um menu de raízes com receitas autênticas.

A Caponata que a D. Maria Cecília faz e o mosto já seriam motivos suficientes pra transformar esta noite em inesquecível.

Imagine juntar todo o restante e acrescentar um ótimo papo com grandes risadas. Pois foi isso o que aconteceu aqui no dcpv. Um interblogs magnífico e que entrou pra história da confraria .

E pra não esquecer, aqui vão as nossas tradicionais flores virtuais pra Ana Elisa …

… com as legítimas cores italianas.

“Pensei justamente; se eu fosse receber minha família numa noite quente de fevereiro:
– o que eu gostaria de comer?
– o que está na época?
– o que vai manter meus pais nostálgicos e felizes?”

Ana Elisa, este menu cumpriu exatamente o que você imaginou. É gostoso de comer, utilizou produtos da época e apesar de não sermos seus pais, ficamos nostálgicos e extremamente felizes!

Grato pela participação e pela quantidade de informações culturais/gastronômicas que você nos proporcionou.

Arrivederci!

PS – O Próximo IB, o 26º, será o da  Luciana do Cafezinho das Cinco que nos mostrará uma outra face da cozinha italiana.

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