jour cinc – uma paris diferente da nossa

é paris mesmo?
07/02/10

Jour cinc  – Uma Paris diferente da nossa.

Após ficarmos 4 dias andando pela região do Marais, resolvemos nos aventurar um pouco mais pela grande Paris (nada a ver com a grande FV).

Acordamos tarde como de costume e resolvemos andar até St Germain de Prés.

Pra isso, atravessamos a Ile de St Louis, pegamos um pedaço da Ile de la Cité e fomos direto pra estação de Metro St Michel onde começaríamos  efetivamente o nosso roteiro. Se bem que só este trechinho já se revelaria um grande prazer.

É claro que toda esta caminhada foi altamente produtiva. Até o Quasímodo nós vimos.

Passamos pelo Hotel de Ville com a sua pista de patinação no gelo …

… e  pela Rue du Chat-qui-Pêche.

Andamos pela rue St Andre-des-Arts até encontramos uma fillial  da Mariage Frères, a espetacular casa de chá.

É claro que usamos a desculpa de nos protegermos do frio pra tomarmos uns belos chás…

… e comermos doces de fazer qualquer um ajoelhar e agradecer pela baixa temperatura.

 

Continuamos, seguindo até a Eglise Saint-Germain-des-Prés

… e fizemos a parada óbvia no Les Deux Magots pra nos sentirmos como Hemingway/Picasso comendo o nosso Croque Monsieur  e filosofando sobre como a vida é boa.

Em busca de doces perfeitos, passamos pelos mestres pastisseurs Ladurée

…. e Pierre Hermé, com os seus macarons premiados…

 … enquanto  subimos até o Jardin du Luxembourg onde o frio realmente disse a que veio.

Tentamos passar no Sadaharu Aoki, o pastisseur nipônico que está arrebentando na cidade luz, mas estava fechado (vamos retornar. Certeza!) e finalizamos o roteiro conhecendo o Le Bon Marché e, principalmente, a  La Grande Epicerie De Paris.

Este é certamente o nirvana dos sex shops do mundo.

O lugar é uma beleza e você encontra a nata da nata da gastronomia por lá. Só não nos desesperamos pois certamente voltaremos pra fazer o nosso “farnelzinho” de viagem.

Pegamos o metrô, voltamos pro  apê, encontramos a Re e fomos jantar no Les Philosophes (mais um restaurante do livro do Alex Herzog, o Bistros Paris ), um bistrô autêntico e com comida mais ainda.

Pedimos uma sopa de cebola (pra Dé),…

… uma salada thai (pra Re) e…

… um bifão com batatas sauté e legumes pro fominha, eu mesmo.

Acompanhados de uma limonada (pra Re) e …

… de um  maravilhoso Gigondas pra mim e pra Dé.

Tremendo lugar prum (mais um) tremendo dia em Paris.

Só nos restou voltar a pé pro apê (5 minutinhos) e aguardar, pois amanhã é dia de Alain Ducasse em plena Torre Eiffel. Ai, ai!!

D´accord!!

.      

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20 Responses to “jour cinc – uma paris diferente da nossa”


  1. 1 Ameixinha março 15, 2010 às 7:36 am

    A inveja é feia mas como eu não sou bonita… tenho inveja he he

  2. 2 claudia março 15, 2010 às 10:07 am

    Foram quantos dias de viagem a ultima ida a Paris? estou perguntando so pra saber… quantos post posso esperar, porque a cada um que aparece, fico maravilhada, aguardando pelo proximo..
    voce esta de parabens pela forma leve que escreve. Nao pare nunca, de viajar e de escrever…
    abracos,
    Claudia.

  3. 3 Majô março 15, 2010 às 2:09 pm

    Nooossa Edu, que programa perfeito de vocês, e de dar água na boca 😉
    La Grande Épicerie é um luxo 🙂 Saudaaades.

  4. 4 Mô Gribel março 15, 2010 às 5:31 pm

    Edu,
    Tentei ir no Les Philosophes, mas não consegui. Saía gente pelo ladrão, ou pela calçada, como queira! rsrs
    Eu gostei muito de caminhar em St. Germain, meu hotel era super perto (só atravessar o rio) e eu vivia por lá.
    Você não foi no Patrick Roger? Meu deus! O que são aqueles chocolates?!!
    Beijos!!!

  5. 5 Adriana março 15, 2010 às 8:55 pm

    Edu, lendo seus os posts e os comentários dos frequentadores do DCPV observo como os olhares das pessoas são diferentes… Rubem Alves, em um de seus textos – já não me lembro em qual – escreveu que notícia vem de notar e esse notar varia de corpo para corpo. Assim, urubu não nota madressilva e beija-flor não nota carniça. Daí jornal de beija-flor ser diferente de jornal de urubu. Também os relatos de nossas viagens podem evidenciar esses diferentes “notares”.

    Já disse isso uma vez e repito: só mesmo sua generosa recepção para me fazer sentir tão à vontade em um ambiente tão diferente do meu… Explico… Na universidade, nossa Semana Santa tem dez dias (o recesso de segunda a sexta, o fim-de-semana anterior e o posterior e uma eventual “emendadinha”). Como coincide com o início da primavera no hemisfério norte, é minha viagem preferida do ano. E faz tempo que Paris é a cidade escolhida (ainda que esse ano esteja indo para Nova York). Já caminhei por aquela cidade, certamente mais quilômetros do que caminhei em BH, onde acabo usando o carro. Já comi em inúmeros restaurantes, experimentei os mais diversos doces, em diferentes “quartiers”… Mas não sou capaz de lembrar-me do nome de um desses locais. Quando vejo vocês citando nominalmente restaurants, brasseries, boulangerie, pâtisseries, épiceries… penso: blog de confrade do DCPV é diferente de blog de quem não sabe o que é salsa e o que é cebolinha. Certamente já estive em alguns desses lugares que citou, mas de alguma forma seus relatos me apresentam uma Paris que desconheço… Quem sabe a conheço na Semana Santa de 2011…

    O livro “Paris secret et insolite”, que indiquei em comentário anterior, relata um outro notar… O francês não será problema, Edu… Renata já estará doutora em francês, quando voltarem.

    Abraços,

    Adriana

    By the way… Onde consigo comer um saboroso filet a milanesa com salada de batata em Nova York? 🙂

    E a revista com as receitas peruanas chegou? En relación con su hermano… Definitivamente, Ed brigou comigo! 😦

  6. 6 eymard março 16, 2010 às 10:16 pm

    Eduardo,

    comeco com a Adriana, citando Ruben Alves: os notares…Seus posts sao otimos.Sao notares de lugares que ja passei e, muitos, que nao notei. A gente vai viajando junto e virando as ruas….gosto de Saint Germain. Da ultima vez, a vista da nossa janela era a pracinha da Igreja…Debrucados sobre ela…Nao conheci o Aoki…mas que saudade do Pierre Herme…ja estou ansioso com o seu post com o Ducasse.
    Agora, uma das fotos me intrigou. Enxergo uma bola ao fundo (no Luxemburgo). Seria uma lua; um sol desmaiado..ou eu estou vendo coisas???
    abs Eymard

  7. 7 Luciana março 18, 2010 às 2:05 am

    Oi Edu,
    Descobri seu blog por acaso procurando por algo no Google que nem me lembro mais, rs, e cá estou há horas lendo todos os posts sobre sua viagem a Paris e muitos dos comentários dos leitores e suas respostas. Bom, apesar de ter me deliciado com todas as suas aventuras gastronômicas gostaria de saber algo que na verdade não tem a ver com isso, mas sim com o curso de francês que a sua filha Renata foi fazer em Paris,rsrs! Estou procurando cursos em Paris ou em Bruxelas (onde vou morar por alguns meses depois de Agosto) e estou em busca de indicações, portanto será que ela poderia me passar informações básicas sobre ele, como nome e site, e também, claro, saber o que ela achou, se valeu a pena!
    Muito obrigada,
    Luciana Duarte

  8. 8 eduluz março 19, 2010 às 4:25 pm

    Ameixa, a inveja só é feia quando vem de alguém invejoso!! O que não é, absolutamente, o teu caso!! rsrs

    Claudia, foram 13 dias. Portanto, não estou nem na metade. Grato pelos elogios e fique tranquila que não deixaremos nem de postar e muito menos, de viajar. 🙂

    Grande síndica Majô (tá chegando a hora da Rio/VnV!!), a Grande Epicerie é demais. Mas vou te contar uma coisa: acabamos não voltando lá! Teremos que voltar a Paris urgentemente! (Ôba!)

    Mo, nós demos sorte pois chegamos sem reservar e entramos na mesma hora.
    Quanto ao Patrick, não fomos. Mais um motivo pra retornarmos! (Ôba)

    Adriana, mais um comentário brilhante com referências tanto quanto. Só não me conformo com esta mania de não diferenciar salsinha de cebolinha!! rsrsr
    Quanto ao bife, somos os menos indicados pra fazer indicação neste caso já que eu tento sempre comer coisas diferentes, especialmente em NY e a Dé quer distância de carne.
    Que tal o Benoit, pra ficar no mesmo assunto, ou seja, Monsieur Ducasse?
    A revista chegou, é muito boa e brevemente reprisarei a culinária andina!
    Finalmente, passarei a dica do livro pra Re(ela tá craque) e aí, ela faz uma bela resenha pra mim!
    Ah! O meu irmão é um facínora de marca maior!!rsrsrs

    Eymard, bela visão a sua. Também olhei bastante e poetizei, achando que era a lua. Mas não era.
    Era uma balão de propaganda!!:)
    E não achei o Aoki tão bom assim! Na próxima vez, experimente e nos passe as suas preciosas e precisas impressões.

    Luciana, grato pela visita e já passei as tuas perguntas pra Re. Ela irá te responder, certo?
    O que eu posso afirmar é que o curso foi muito bom e ela voltou falando um francês de primeira.

    Abs a todos.

  9. 9 Liliane março 19, 2010 às 5:58 pm

    Quem não se encanta com seus textos e as fotos da Dé, só pode ser “ruim da cabeça ou doente do pé”, como diz um frevo pernambucano. Encantada.
    Liliane

  10. 10 Hugo março 19, 2010 às 6:05 pm

    Eduardo, depois conta para a gente como você consegue encontrar lugares tão espetaculares. Você olha antes, alguém indica, ou é sorte mesmo?

  11. 11 eduluz março 24, 2010 às 12:21 pm

    Liliane, grato pelo “encanto”. Se bem que também ficamos por Paris.

    Hugo, olho antes, alguém indica e vou na sorte. Desta vez, usamos mais a última alternativa, se é que é ter sorte achar ótimos restaurantes em Paris.

    Abs a todos.

  12. 12 Felicio outubro 17, 2011 às 4:01 pm

    Uma rolha do Castelo Banfi, seria um bom fruto da sangiovesi? A recepção é sedutora, mas faltou um “Fermett Marbeuf”, uma “Maison Blanche”, e até mesmo um “Budha Bar”. Um recato como a Roseraire, ou mesmo um bom terroir para degustar queijos e azeites, um livaraux ao menos.

  13. 13 eduluz outubro 18, 2011 às 7:21 am

    Felício, belo comentário, o teu, com este estilo meio
    djavaniano. O luar …

    Abs açaíanos pra você

  14. 14 Felicio outubro 18, 2011 às 5:32 pm

    Falou Edu, mas comer ( tem que fazer reserva) sob a verrière do “Fermette Marbeuf”, com explêndida mesa, ou na “Maison Blanche” na Av. Montaigne,ou mesmo, e também na Bastilha no “Bofinger” onde se reuniu a política fazendo as grandes viradas da França, apreciando seus pratos da mesma família que lá está faz tempo, sucessão centenária, é uma Paris diferente. Mas os “jacentes” dos reis de França na monumental St. Denis, referência do gótico mundial abrigado pelo Abade Suger, com o mármore mostrando os corpos quando da partida, já corrompidos, ainda que não seja um “Rapto de Proserpina ” do inigualável Bernini em Roma, na galeria Borghese, seria uma sinalização de uma paris diversificada do chavão, com visita ao Hotel Meurice, centro do comando alemão na guerra hitleriana, na Rivoli, onde o o Comandante nazista, Von Stoltz, poupou Paris de ser dinamitada por amá-la profundamente, contrariando a ordem de Hitler. E tantas e tantas coisas que fazem sair da mesmice de olhar Paris somente por um prisma de ver uma ou outra árvore e desconhecer a imensa floresta, mas é preciso conhecer história.

  15. 15 Felicio outubro 19, 2011 às 11:32 am

    PARIS E SEUS SEGREDOS, CONHECIDOS POR POUCOS.

    Li faz pouco tempo algumas referências no site sobre a monumental Paris, pensei em colocar neste espaço um pouco daquela fantástica cidade que me seduz e a minha mulher de forma envolvente.

    Paris, cidade luz, é como dizia o Rei Carlos V, um mundo. Não sem razão, o nobre afirmava que “As outras cidades são cidades, Paris é um mundo”.

    Assim, nesta certeza, sendo “um mundo”, Paris para ser conhecida é preciso dedicação, tempo e pesquisa. Mas vale a pena, o retorno é imenso. Desde a primeira vez que fui, diante de meu encantamento e de minha mulher – que por tanto caminhar em Paris ganhou um “neuroma de Morton” em seu pés, o que motivou uma operação e o elogio do cirurgião, ao dizer que “este era um pequeno sofrimento dentro dos grandes prazeres alcançados”, ele também um apaixonado pela cidade – não conseguimos parar de voltar. E assim Paris foi minha porta de entrada e saída da Europa, por longos vinte anos, embora tenha cidadania italiana por força de berço.

    Realmente Paris é um mundo, o mais belo mundo que se pode encontrar em termos de cidade, principalmente quem gosta de arte e gastronomia, isto dentro de seus segredos e fora do curricular trânsito turístico, também e muito, de inestimável valor para os olhos.

    Mas Paris e seus arredores são muito mais, a “pequena e grande cintura”; necessita-se, contudo, de tempo e pesquisa para conhecer tais espaços. Não é em vão que muitos que lá foram, como meu amigo Jorge Sader, em sua lua de mel, datam muitos anos, quer voltar, como disse em artigo ficcional, neste Domínio Cultural, “nem que seja por quinze dias”, e também outro amigo , Paulon, teceu considerações sobre o café “De Flore”, “ au coeur de Saint-Germain-des-Prés, na famosa esquina onde se encontram os intelectuais, próximo ao “Les Deux Magots” e “Brasserie Lipp”, local onde Camus, Malraux, Sartre e tantos outros freqüentavam, também Hemingway, mas não foi lá que se deixava ficar a escrever, mas no “Closerie de Lilás”, onde o dono nada cobrava aos célebres, mas pedia suas assinaturas em um festejado livro de famosos, tendo Salvador Dali se recusado a assinar, mas mesmo assim nada a ele se cobrou. Mandou trazer de novo o livro e disse: Não vou só assinar, abra no meio em duas folhas, e fez um rápido desenho a lápis, dizendo após assinar “agora este livro vale mlhões”; e passou a valer. Somente um brasileiro tem nele seu nome; Pelé.

    Logicamente, nunca assinei o livro, mas do local tenho um velho e antigo “cendrier”, cinzeiro, um “cadeaux” (presente) forçado. Fui lá várias vezes. É um lugar encantador.

    Afastados os máximos ícones parisienses turísticos, de todos que lá foram conhecidos, ainda que em excursões, tais como Arco do Triunfo, Torre Eifel, Campos Elísios, Notre Dame, Praça da Concórdia, Louvre, etc, Paris descortina sutilezas e segredos para degustação dos sentidos apurados, nos deixando sempre com vontade de voltar.
    É preciso tempo e incontáveis retornos como fiz para realmente conhecê-la, é mais do que um mundo, é uma mágica.

    No Louvre, de difícil visita diante de suas proporções, não se pode deixar de admirar a Vitória (Nike) de Samotrácia, bem ao vestíbulo (é um segredo) depois do Laoconte, encontrável no Museu do Vaticano, é a mais festejada escultura de todos os tempos, de autor desconhecido, ou ainda a pedra preta de diorito, que encerra o mais antigo código formal do mundo, o de Hamurabi, ou ainda a carismática mas feia Monalisa, retrato de Lisa de Guerardini, pago o retrato por seu marido, conhecida como “La Gioconda”, ou a incrível coroação de Napoleão, de Luis David, artista expressionista comparável aos grandes El Greco ou Velasques, ou ainda a Vermeer em suas sombras e luzes.

    Os escravos de Michelangelo podem ser vistos também, mas perdem para o que se pode ver em Florença, capital do renascentismo, onde se tropeça em obras de artes nas ruas. Mas “os escravos” deixam o traço do inigualável escultor, que só perdeu em movimento quando entronizado o barroco por Bernini, tirando da imobilidade o David, maximamente visitado em Florença, em seu gigantismo, distante contudo, quando empunhando a funda o David de Bernini, em movimento, tornando-se incrivelmente mais expressivo, estando em Roma na Galeria Borghese, nos arredores da cidade eterna.

    Paris é o mercado de Bucci, de alimentos, no antigo estômago de Paris, próximo ao “Les Halles”, onde se fica extasiado, ou a Roseraire, centro floricultor das mais exclusivas rosas do mundo, verdadeiros repolhos em tamanho, que põem de joelhos a capital planetária das flores, a Hollanda, ou as mulheres feitas “`a canivete” do “Crazy Horse”, todas iguais em seus corpos nús e esculturais, dançarinas exímias, que se engordarem quinhentas gramas são descartadas dos shows, onde os japoneses de terno e gravata (obrigatório) gritam como loucos nas primeiras cadeiras por preços proibitivos, sendo os falados “Lido” e “Molin Rouge” casas de quinta categoria frente ao famoso espetáculo da Avenue George V. O lugar em que est já demonstra o que é, ou a Maison Blanche, na Avenida Montaigne, onde oito garçons servem aos clientes em meio a arranjos de flores de seis metros de altura, ao final de indescritíveis pratos de resistência, os mais incríveis “petit four”, ou o Fermette Mabeuf, maravilha de “verrière”, cúpula de cristal colorido, que nos coloca em permanente contato com a mágica da arte em vidro, ou o Bofinger, na Bastilha, local de inusitada gastronomia e raríssimos vitrais, em que se reuniu a esquerda para as grandes viradas na França, anfiteatro de rara beleza dos anos 1800, ou o “Train Bleu”, fantástico restaurante que nos desvia dos delicados pratos para apreciar seus também fantásticos vitrais de quinhentos anos, ou a Rue Moufetard, uma das mais antigas de Paris, onde se degusta azeites e queijos após descer da Igreja de Saint Genevieve du Mont, com “jubée”, púlpito rendilhado, que atravessa o adro, inigualável em todo o mundo, ou o Monte dos Mártires, Montmartre, com seus artistas e restaurantes festejados pelos nostálgicos, elevado onde Saint Dennis chegou levando em suas mãos sua cabeça decapitada, ou os jacentes em mármore de quase todos os Reis de França na Catedral de Saint Denis, a parecer diante da realidade que estamos diante de seus verdadeiros corpos nus, já violados pela putrefação, ou ouvir a orquestra nacional da França em acerto de afinação dentro das imensas igrejas para seus eventos, noticiado com antecedência pelo pariscope, mas ainda e também o RER, que nos leva a bucólicas “Banlieus”, arredores, como “Saint Germain Em Laye”, em trinta minutos, de onde não mais se quer voltar, transporte coletivo eficientíssimo abaixo do “Metro” (o maior e mais antigo do mundo), como dizem os parisienses, desembarcando em poucos minutos em meios a campos e atraentes comunidades que se acreditava não mais existirem, quase uma Suíça, ou ainda descer ou subir o Sena para visitar o túmulo de Van Gogh e de seu irmão Théo, em Auvers Sur Oise, próximo a Giverny, local da casa de Monet, hoje invadida de visitantes.

    E tantas e tantas maravilhas e segredos, o Marais e suas escondidas livrarias especializadas,o Vosges, o “Louvre des Antiquaires”, museu vivo ao lado do Louvre, conhecido por poucos, a maior concentração de antiquários de qualidade da Europa com tudo para venda, o Museu “Nissin de Camondo”, próximo a um dos mais lindos parques do mundo, o Monceau, casa do século XV como era na época de Louis XV, deixada para o Estado por financista em memória do filho morto na primeira guerra mundial, tudo informações que inundam minhas estantes e pesquisas em vinte anos de freqüentes visitas, estando agora mais difícil de entrar com calma em alguns lugares em Paris do que anos atrás, porém e felizmente, isto se dá, face a grande enchente de pessoas pela descoberta da cultura francesa e européia pelos “práticos americanos” e pela liquidez de moeda no mundo.

    Mas sempre é bom voltar a paris e ao interior da França que tive o prazer e o privilégio de conhecer praticamente todo, de carro e de trem, este último meio confortável e rápido sem a mesma liberdade do carro.

    Mas em minha última ida, com todo terror que tem de túmulos e sepulturas, minha mulher admitiu ir pela segunda vez a lugar memorável, o Cemitério Père Lachaise, tendo consentido pela primeira vez, por ter dito eu que lá estavam como estão, Abelard e Heloise, cuja história tanto quanto a inauguração do cemitério com seus corpos é longa, os eternos amantes que motivaram filme de enorme sucesso e que abriram o cemitério, sendo unidos em jacentes para abrir o que seria (e que não é em termos atuais, mesmo muito arborizado) o primeiro cemitério parque do mundo.

    O Père Lachaise não tem comparação com nenhum cemitério, nem mesmo com o reconhecido cemitério de Milão em termos artísticos. Relato a última visita que ocorreu.

    Já estando em débito com minhas exigências interiores e de minha mulher, fui lavar o espírito revendo a perfeição dos primeiros em artes plásticas, de Rodin à Caillobote e até mesmo o quase contemporâneo Wandy Warrol, em magnífica visão de Marilyn Monroe, que apaixona pela interpretação, em exposição que ocorre de dois em dois anos no Grand Palais, exposição dos maiores antiquários da Europa.

    Revisitava nossa segunda cidade e no dia da volta, pela manhã, lendo revista semanal que é publicada em Paris, Pariscope, dando todos os acontecimentos da semana em geral, eventos, desde concertos em igrejas sem ônus para a recita até exposições, etc. , li em “promenades”, passeios, “visita guiada ao cemitério Père Lachaise”, com especialista no sítio. Indicado o local de encontro para lá me dirigi, espaço que já visitei, não com tanta informação como as agora obtidas, onde celebridades várias da história mundial, de todos os matizes, se encontram sepultadas, local de arte invulgar da estatuária, doado pelo Rei Sol, Luiz XIV, ao seu confessor, Padre Lachaise, transformado em cemitério anos após, resolvendo problema sanitário sério.

    No portão indicado para o encontro estava o guia Thiery Le Roy, era seu nome. Indaguei se era ele o guia e travamos o primeiro contato. Figura interessante, amante do Rio de Janeiro onde desfilou em várias escolas de samba; Beija-Flor, Portela e outras. Elogiou a estatuária do São João Batista, que inclusive tem em seu site o túmulo de Santos Dumont. O guia não era uma pessoa qualquer. Como indicava o anúncio era extremamente culto, conhecia toda a vida dos célebres sepultados bem como dos escultores famosos, cercando suas considerações de notável humor, a ponto de ao referir-se a um dos Presidentes da França, com jacente sobre o túmulo (corpo inteiro em realismo impressionante) disse: “est mort de ecstase”, ao que pensaram alguns ser de tétano. Uma senhora francesa que passava com o marido e não estava no grupo de aproximadamente cinqüenta pessoas, ouvindo o vocábulo e entendendo, surpresa, perguntou: morreu de quê? E o guia, bastante afetado, respondeu “orgasme madame, orgasme”, “ce la vie”.

    E mostrava o retrato do momento após a morte, cercado pela família o falecido e idoso Presidente, e dizia: que situação, morrer nessa idade dessa forma. E exibia o retrato da jovem que estava com ele na hora do fato.

    O guia em três horas e meia de brilhantismo encerrava seus comentários sobre as celebridades, todas poderosas, principalmente quanto aos marechais de Napoleão como Lefebvre, dizendo, mas estão aqui, também, todos mortos. O mesmo com Proust, La Fontaine, Molière, Balzac, Delacroix, Piaff, Chopin o próprio Kardec e tantos e tantos outros. Era seu acento permanente a mostrar que somos todos iguais, o que poucos entendem, independente de poder, talento ou riqueza.

    Somente a Napoleão, o primeiro, ele referiu que, para ver onde está sepultado, há que se ir aos “Invalídes”. Mas acrescentou, mas também está morto, “ce lá tuée”. E lá está o grande conquistador, Napoleão I, em sete caixões de ébano, chumbo e de várias madeiras, que me impressionou a primeira vez que lá fui, no monumental “Invalídes”, inválidos, homenagem aos mortos e sequelados nas guerras napoleônicas, cercado de doze virgens esculpidas por Pradier, renomado escultor da época, com a abóbada do edifício vista brilhando de quase toda Paris em dia de sol, já que coberta de camada de ouro de alguns milímetros de espessura, reposta a cada cinco anos. Mas está morto, também, como deixava sempre patente no Père Lachaise, Thiery Le Roy, o notável guia. Monumento majestático, ao qual fui algumas vezes diante da suntuosidade e beleza; mas guarda restos mortais.

    O especialista e preparado guia nos deu prospectos. Em um deles está escrito, “O Cemitério Pére Lachaise é um Teatro onde vivem os mortos e se colocam em cena sobre o tema das paixões e das vaidades humanas. Eu vos convido a me acompanhar ao grande espetáculo da vida e da morte”.

    Lendo o prospecto lembrei da vaidade humana, o grande mal da humanidade, do que Napoleão I era mestre e profissional.

    Napoleão, o grande conquistador, exercendo ao máximo sua vaidade, colocou-se em estátua vestido como um Imperador Romano no alto da colunata, na Place Vendôme, com 43 metros de altura, cópia da coluna Trajano Romana, em formato cilíndrico com grafias evocando suas conquistas, construida com o bronze dos canhões conquistados na batalha de Waterloo. A coluna da vaidade.

    Paris precisa ser visitada e revisitada muitas vezes para saciar os espíritos irrequietos e sedentos de invadir o espírito da beleza que esbanja sem medidas e doa a quem quer verdadeiramente encontra-la. Só há um perigo; não mais deixá-la.

    CIDADE LUZ.

    É COMO NASCER DE NOVO CAMINHAR POR VOCÊ EDESCOBRIR SEUS SEGREDOS;

    VIVER COM FORÇA A COLETA DO ESPÍRITO NAS SENDAS GENEROSAS DO TEMPO;

    PASSEAR SUAS EMOÇÕES;

    BUSCAR O INESGATÁVEL DE SUA HISTÓRIA, MESCLA DO ONTEM, PLASMA DE HOJE – PLENA REALIZAÇÃO DOS SENTIDOS;

    TURBILHÃO INFINDÁVEL DE TALENTOS QUE MIGRARAM POR SUAS EXPECTATIVAS;

    MECA DA ARTE, NORTE DE TUDO E DE TODOS, MESTRA DE GÊNIOS;

    LUZ PERMANENTE IMERSA E PERENE NOS ESPÍRITOS IRREQUIETOS;

    PARIS.

    Fiz data muito tempo em preito à cidade que tanto me deu de realização e felicidade.
    Celso Panza.

  16. 16 eymard outubro 21, 2011 às 8:30 pm

    Felicio….o melhor de Paris é que quanto mais se vai a ela, mais se sente que “faltou” conhecer alguma coisa ou ir em algum lugar e…que chato…precisamos voltar e voltar e voltar…..
    Bela sua “ode” em prosa para a Paris que a todos encanta.

  17. 18 eduluz outubro 25, 2011 às 12:53 pm

    Felício, já anotei este teu roteiro. Aguarde novidades e brevemente.
    Grato pela colaboração.
    E valeu pelo texto. Acho que só uma pessoa ficou triste com ele: a Drix, já que o recorde dela de maior comentário do dcpv foi batido.

    Sócio, vamos fazer uma parte do circuito Felício?

    Felício, sem negativismo. Eu prefiro encontrar filas e aeroportos cheios em Paris.

    Abs flanados pra todos.

  18. 19 Felicio outubro 29, 2011 às 10:04 am

    Eduluz, se afirma, não há nada igual no mundo, reserva com três meses de antecedência.

    Bienvenue sur taillevent.com, nous sommes le 29/10/2011.

  19. 20 eduluz outubro 31, 2011 às 7:30 am

    Felício, este não é brincadeira. Ainda chegamos lá!! 🙂

    Franco-abraços pra você.


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