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Provence – Septième Jour – Tomates verdes (e multicoloridos) fritos (e feitos de outras formas)

10/07/2010

Provence – Septiéme Jour – Tomates verdes (e multicoloridos) fritos (e feitos de outras formas).

O dia prometia.  Acordamos cedo, demos uma bela olhada na horta do chef que fica praticamente ao lado do nosso quarto no La Cabro d’Or e descobrimos que além de tudo crescer facilmente por lá (tomate, manjericão, tomilhos, etc) …

… ainda vimos um montão de coisas diferentes e gostosas. Quer um exemplo? Sauge ananas que mais parecia um manjericão abacaxizado.

E as flores então? Lindas e curiosas também. Por exemplo, a da alcachofra que a Dé adora!

Corremos um pouquinho, fizemos o checkout e partimos pra Avignon, a terra dos papas

Esta história é boa: em 1309, o papa Clemente VI colocou na cabeça que queria porque queria mudar o papado de Roma e escolheu Avignon.  É claro que além de querer, ele também tinha uma série de problemas com os romanos.

E ao se transferir pra Avignon, modificou toda a rotina da cidade além de construir um tremendo palácio.

Avignon se transformou na sede papal e ficou deste jeito por 70 anos, até que os cardeais italianos se rebelaram e aconteceu o que foi chamado de Cisma. A partir daí, os papas de cidade Provençal eram considerados anti-Papas.

Antes de conhecermos o Le Palais des Papes, paramos na estação do TGV pois a Re estava vindo de Nice e passaríamos o final de semana juntos.

Vimos a bela francesa, a Re, matamos a saudade e aproveitamos pra ir conhecer a Pont du Gard (fica a uns 20 km de Avignon).

Ela é parte de um tremendo aqueduto que os romanos construíram durante 15 anos e em 50A.C.
No meu caso, era uma fixação pois desde a primeira vez que a vi, planejei que iríamos até lá.

E é linda! Que bela obra de engenharia!

Além do mais, a Pont du Gard fica num tremendo parque com várias sombras (mais do que necessária com aquela “lua”),…

… muita gente passeando e nadando, …

… e ela, a ponte, impávida, bem no centro das atenções.

Voltamos pra Avignon pois tínhamos um almoço reservado no Restaurant Chistian Etienne.

A cidade estava em festa por causa dum festival de teatro. Cartazes por todos os lugares, apresentações no meio da rua, enfim, tudo muito curioso e divertido!

Chegamos ao restaurante no horário e caímos (eu e a Dé) matando no menu degustação de tomates (este a Dé aprovou!!).

Foram 7 pratos formando uma verdadeira sinfonia sobre este fantástico legume/fruta.

Veja, leia e babe (se você for um tomatólogo como nós) na sequência de 10 passos :

1 – Uns amuses  básicos: gaspacho, pão de forma com molho e palitos de tomate. O outro eu não lembro.

2 – Vinho branco provençal, óbvio. 

3 – Um pãozinho que só poderia ser de tomate.

4 – Um royale de tomate St -Pierre, jus de céleri branche a la mente. Refrescante.

5 – Um traditionnel tartare de tomates en trois varietés: au basilic, salade d’ eté à l’huile d’olive. Crus e saborosos.

6 – Um flan de seiche à l’encre, tomates “Olivettes” confites, écume de vinaigre de citron au basilic

7 – Um belíssimo consommé de tomates “Marmande” au cumin, brunoise e legumes Provençaux. Que caldo!

8 –Bille d’agneau en croute de basilic, concassée de tomates “Coeur de boeuf”, émulsion au parmesian. Um croquetaço atomatado.

9 – Um caillé de chèvre aux Picholines, mousseux de tomate “Noire de crimée”, “tomato gressini”. Lindíssimo.

10 – E a sobremesa foi um biscuit tomate-thé matchá accompagné d’une salade de tomates cerises et fraises, sorbet tomate, praliné au sésame.
Incrível  como todos os tomates eram saborosos, doces e harmoniosos.

A Re pediu a la carte (ela não suporta tomates!! Pode?) mesmo assim se divertiu:  um lindo canon d’agneau roti a la sarriette, papeton d”aubergines, sauce poivron.

E uma dessert, a l’abricot et la canelle en différentes textures.

Cafezinhos, docinhos (é claro que o macaron era de tomate!) e a certeza de que independente do que acontecer daqui pra frente, esta foi uma das melhores refeições da viagem.

Depois do almoço e pra fazer a digestão, o famoso “quilo”, aproveitamos pra fugir do calor e fizemos um tour pelo Le Palais des Papes.

Taí um passeio instrutivo e divertido.

Através dum caminho obrigatório, você conhece todo o interior dele e as transformações pelas quais passou quando cada um dos papas morava lá.

Rumamos pra Joucas (perto de Gordes) no centro do Luberon, onde faríamos o checkin no  Le Mas des Herbes Blanches. Hotel bacana, quarto também e com uma varandinha que tinha uma tremenda vista particular pro vale.

Pra não perder tempo (olha o slow!!), demos um pulo em Roussillon .

E no caminho pra lá, o primeiro grande contato com as lavandas em flor. Era só um aperitivo!

Voltando a Rossillon, pra variar um pouco é uma cidadezinha totalmente diferente das que vimos até agora já que ela é toda alaranjada.

São vários tons de laranja e que, por causa da luz do final da tarde (eram 19:30 hs), as nuances eram mais acentuadas ainda.

Eis outro lugar imperdível por aqui.

Ainda deu tempo de tomarmos um belo banho (mais do que necessário) e jantarmos no restaurante estrelado do próprio hotel.

Desta vez, nada de menu degustação. Somente a bela vista do vale do Luberon,…

… uns amusesinhos excelentes, …

… um ótimo foie gras de entrada (tive que comer sozinho pois a Dé achou muito gordo!), …

… um belo vinho rosé da casa, uma carne com gnocchi pra Re (repare que vieram 2 nhoques!), …

… um peixe com tempurá pra Dé (o chef é oriental), …

… um Boeuf com bok shoy (???, legume chinês por aqui?) pra mim, …

… um carpaccio de ananás com sorvete de alecrim …

… e uma salada de frutas vermelhas e tomates (ei-los novamente) com sorvete de baunilha pra dividirmos no esquema 2 pra 3.
Se bem que a Re só experimentou o sorvete.

Pronto, dia terminado. Andamos uns 20 passos e estávamos na cama.
Amanhã iremos realmente às lavandas. Uau!

Au revoir.

.

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1º ISB – Feliz acaso?

 1º ISB –  Feliz Acaso

Bom, finalizarei esta série de posts.
Foram 4  jeitos de olhar o mesmo acontecimento, escritos e publicados na seguinte ordem: Sueli
(que escreveu o primeiro), Drix (que escreveu o segundo) , Eymard  (que escreveu o terceiro) e finalizando, euzinho escrevendo o abaixo
Expressam  a visão de cada um dos participantes/escritores do lunchinner que fizemos num sábado também, 23/07/10. E lunchinner porque?
Ora, por que  o encontro dos que se conheceram através da Internet (de que maneira? Vocês saberão logo, logo) começou no almoço, atravessou a tarde, passou pelo jantar e terminou na madrugada de domingo.
Com vocês o 1º ISB, ou seja, o 1º Inter dos Sem Blogs. E o 4º e último post sobre o 1º, a minha visão
.

1º ISB – Feliz acaso? (by eu)

Acaso? O que é o acaso?
Segundo o pai dos burros, ele é  ” Causa fictícia de acontecimentos que aparentemente só estão subordinados à lei das probabilidades: confiou no acaso e venceu. / Acontecimento imprevisto: o acaso daquele encontro. /  Imprevistamente, porventura: se acaso voltar, faça-o esperar. / Ao acaso, a esmo, sem refletir, sem medir as conseqüências.”

Pois eu me permito discordar disto tudo. Acaso, pra mim foi encontrar e melhor, através da Internet que teoricamente é um meio um tanto quanto controvertido, uma turma tão bacana.

É claro que aí sim, ocorreram algumas “coincidências”:
1 – Eu ter gostado de cozinhar (gracias, Mingão); a Dé ter aderido produzindo/fotografando deste jeito que vocês veem por aqui; o Déo e o Mingão de comer muito além de dividirmos, todos juntos, grandes momentos semanais.
É claro que a comida é somente um grande motivo pra tudo isso!

2 – A Adriana, a Drix, através do Déo ter se aproximado e se transformado numa das comentaristas mais admiráveis, conscientes e poéticas do DCPV.

3 – Eu ter conhecido o excelente blog da Lina, o Conexão Paris e através de lá, chegado ao Eymard. Ou será que foi o Eymard que apareceu por aqui através do Conexão?

E subsequentemente, a Sueli, com provavelmente o mesmo caminho que o Eymard?

Ou ainda será que eles gostaram daqui por causa do post que fiz sobre o cartão-postal que a Drix mandou pro Déo de Santiago do Chile e no qual constava um poema/receita espetacular, a Oda al Caldillo de Congrio do grande Neruda?

Pra culminar e parar com os acasos, todos resolvemos intervir e marcar o que seria (literalmentte) a versão tupiniquim d’ A Festa de Babette (assistiu?).

Começamos os entendimentos pensando em fazer um jantar. Evoluímos pra fazer o que eu chamei de ISB, na verdade o 1º (espero que de muitos) Inter dos Sem Blogs.

E do menu pra passarmos prum happening iniciado no almoço de sábado com macarrão feito em casa pela Dé,..

                                 

… depois refeito e ralado pela Dé e pela Sueli (tivemos até sangue),…

    

… com molho da D. Anina,…

         

…  frango assado e…

              

… umas bruschettinhas de tomate …

                       

…  além das batidas (limão, lima da Pérsia e tangerina com canela) que o Mingão fez, foi um passo. Muitos e-mails hilários foram trocados até que a programação final fosse definida.

Dela constava, inclusive, um show emocionante do Jorge Drexler (na noite anterior) que, inicialmente, iríamos a Dé, eu, a Adriana, a Lourdes e o Eymard. A Sueli e o Jorge só viriam pra SP no sábado.
E este iríamos foi porque fortuitamente e ao acaso, a Lourdes e o Eymard tiveram uma notícia nada boa e não conseguiram ver/vir.
Encontramos a Adriana (e não foi nenhum acaso gostarmos dela à primeira vista), a Re acabou cantando “Nada se pierde, todo se transforma!” e a minha primeira e última tentativa de me transformar num cambista foi infrutífera..
Já no sábado de manhã, fomos (a Dé, eu, a Regina e o Mingão) ao badalado sex shop pra comprar o que precisávamos pra festa. E aí não aconteceu acaso algum já que todos sabem do nosso apreço por este belo estabelecimento comercial (cadê a forcinha, seu Álvaro?) .

Por volta das 14:00 hs, fui buscar a Adriana, a Sueli e o Jorge, o esposo dela no Blue Tree que fica pertinho da casa da praia. Mais uma constatação de que as coisas só poderiam dar certo. 
A Lourdes e o Eymard chegaram um pouquinho mais tarde, mas a tempo de almoçarmos todos juntos. Tá certo, eles perderam as apresentações e as caipirinhas, mas, certamente isto não afetou em nada o clima e o entrosamento da turma toda. Ainda mais com o simples “espumante” que eles trouxeram, além daquela simpatia toda.

E, incrível, começamos a planejar o jantar logo após o almoço!!
A Sueli organizou tudo. Cortou cebolas minuciosamente (nos seus míiiiiiiiinimos detalhes),…

… instruiu a Lourdes e o Mingão a cortar tomates e pimentões minuciosamente ( nos seus míiiiiiiiinimos detalhes) e  …

          

… ensinou a Regina a fazer uma farofa crocante e deliciosa! (quem diria?)

                        

Enquanto isso, ficamos, os homens meio que zanzando em torno da cozinha (eu juro que tentei, mas… rs), beliscando e fazendo o que o provável acaso nos proporcionou:  conversar, dar risadas, ver o tempo passar duma forma lenta, gradual e prazerosa. Foram umas 4 horas de tudo o que se possa imaginar. Acabamos não saindo do apartamento nem pra trocar de roupa!! rs
Começamos o jantar efetivamente “trupicando” e bebendo.

Tomamos um rosé provençal Pere Anselme 2009 que foi “curuca, graprefruitiano, Skol, suave, não compraria, Donald, festivo, aguadin” segundo os não tão por acaso,  amigos.

E deixa eu explicar melhor o tal do trupico : a Adriana passou esta receita como sendo uma especialidade que o pai dela fazia. Segundo as palavras dela, “este prato era simplesmente um queijo de minas curado cortado em fatias e misturado com pimenta malagueta, enrolado como um omelete e cortado como nhoque”.

A Sueli tentou fazer cortando o queijo em pedaços. Ficou bom, mas não igual as lembranças da Adriana.

Eu cortei umas fatias finas, derreti o queijo e adicionei a pimenta dedo-de-moça picada. Enrolei e acabou parecendo um omelete.
Tudo bem que eu acho que tive uma ajuda externa (né, Drix?), mas enfim, “trupicamos”.

A entrada também foi bem bacana. E não vamos nos esquecer que quem indicou todas as receitas, com exceção óbvia do famoso trupico, foi a Sueli.

Um relish de pepino (feito anteriormente lá na matriz), uma salada de laranjas, amêndoas, uvas passas, cenoura, maçãs verdes com um molho agridoce (cítricos, mel, geléias, molho inglês, mostardas, etc) no qual, sinceramente, senti e muito a falta da geléia de laranja (esqueci de comprar!! rs) e …

… uma singela casquinha, na verdade um creme de siri montado numa panelinha de cerâmica. As coquilles eu fiz questão de esquecer!! rs

    

E acho que o prato ficou bem bonito e, melhor, delicioso.   

Com esta entrada refrescante e saborosa (parabéns, Sueli) mais um coincidente belo vinho que o Eymard trouxe, o alemão Fritz Haag 2007 Riesling Trocken (seria uma homenagem ao simpático casal Helena/Hans?).
Segundo, neste momento, os amigos desde criancinhas, ele foi “ beleza, superb, combinação perfeita, esqueça liebfraumilch, Zeppelin, brisa, o melhor que eu já experimentei, frutas secas”.

Já eram 23:00 hs quando a “pièce de résistence”  da Sueli foi servida. Uma bela moqueca de camarões, lagosta e robalo.

Linda e não por acaso, um prato ecumênico, fraterno e cheiroso.

Tudo perfeito (apesar de termos usados uma wok já que as minhas panelas de barro eram pequenas) e com uma apresentação pra lá de agradável.

Mais uma coincidência: todos gostaram da moqueca!! rs

O nosso sommelier, o Eymard ousou e indicou um tinto, mais um dos que ele trouxe, o Vicars Choice Pinot Noir 2008 New Zealand que foi “cereja, límpido, viciante, misturante, rosé tinto, muquequiano, não cheguei, tinté, comprava, vicarista” segundo os, já agora, planejadores do 2º ISB. Várias cidades se candidataram pra sediar o evento: a favorita Brasília, a bela BH e a terceira via, a grande Ferraz de Vasconcelos.

Era chegada a hora da despedida. E ela teria que ser doce.
Iniciamos, por acaso com o trupico da Adriana e terminamos com os doces maravilhosos que ela trouxe. Por sinal, deliciosos e muito bem arrumados na travessa por ela mesmo. Esta moça é um talento na cozinha!! rs

Faz um café Nespresso que é um espetáculo!! A madrinha dela na gastronomia, a Dé, aprovou o resultado final.
Cafés extremamente bem tirados. Baristas do Brasil, cuidem-se!

E também fizemos um Toffee Gelado, uma especialidade da Sueli e que os netos dela adoram. É bem fácil de executar, se bem que tem um pulo do gato. (e que, pra variar, acabei não fazendo corretamente! Prof Sueli não gostou nada!! 🙂 ).
Cozinhe uma lata de leite condensado numa panela de pressão e deixe ficar bem escuro (é este o pulo!). Bata 4 gemas e 100 g de manteiga. Junte o leite condensado cozido, uma lata de creme de leite e as 4 claras batidas em neve. Leve ao congelador numa forma de bolo inglês forrada com filme. Fiz uma receita deste jeito.

E conforme uma sugestão da Sueli, fiz uma outra idêntica só que a terminei na minha Ferrari das sorveteiras. Qual a melhor versão?

Na minha opinião as duas ficaram excelentes. Ainda mais com um toquezinho de sementes de lavanda comestíveis e daquelas bolinhas provençais de bolo de casamento.  E cá pra nós, a esta altura o empate seria mais do que obrigatório.

O vinho de sobremesa foi guardado pro próximo encontro, mas ainda tomamos Pastis, Marc e o famoso anisete da D. Anina que inclusive, deve ser um dos primeiros produtos da grife DCPV, né sócio?

Finalizamos o lunchinner certos de que uma nova confraria se iniciou.

Acaso? Tenho certeza que não foi.
Certamente foi afinidade. E das boas!

Até o próximo ISB!

PS – Pra quem sentiu a falta da tradicional opinião dos participantes sobre a noite e que eu acabei esquecendo de pedir, fica a seguinte sugestão: que todos (Adriana, Sueli, Jorge, Lourdes, Eymard, Regina, Mingão, Deo (é, o homem deu uma passadinha de tarde por aqui), Re, Dé e eu) opinem nos comentários abaixo.
Vamos lá! Eu e a Dé iniciaremos e a cada uma delas, acrescento aqui no post!

Leia a opinião dos fratellos:

Incrível como a máxima é verdade: quando vocês está se divertindo o tempo passa tão rápido! (Dé)
Estou como o Tiririca: vamos logo pra Brasília! 
(Edu)
Eu quero mais é pedir bis!!! (Lourdes)
Começaria tudo outra vez, mesmo que preciso nao fosse!(
Eymard)
E dava para ter sido melhor???????????????????  (Sueli)
Quero tudo de novo! (Jorge)
Viver… o senhor já sabe: viver é etcétera. ISB é ponto de exclamação! (Adriana)

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dcpv – paladar do brasil – a galinha crua e orgânica

có-có-có-có
31/07 e 01/08

Paladar do Brasil – A galinha crua e orgânica.

Fomos ao Paladar do Brasil.
Quem nos acompanha, sabe que somos viciados no suplemento Paladar do Estadão, publicado todas as quintas-feiras.

Ele é certamente a melhor informação gastronômica do Brasi, especialmente comparado com um montão de pretensas revistas especializadas brazucas. E o Paladar promoveu mais uma vez o evento Paladar- Cozinha do Brasil onde chefs e pessoas ligadas à gastronomia realizam worshops, palestras e jantares versando sobre ingredientes brasileiríssimos.

Gente do calibre de Ana Soares, Mara Salles, Neide Rigo, Edinho Engel, Roberta Sudbrack, Carla Pernambuco, Alex Attala, Rodrigo Oliveira, Helena Rizzo, José Baratino, Janaina e Jefferson Rueda, Sergio Torres, Flavio Frederico e muitos outros mostrariam receitas, experiências e melhor, as suas genialidades. Até a Nina Horta estava conferindo tudo por lá.

É claro que não poderíanos (eu e a Dé) ver/estar em  absolutamente tudo. Então escolhemos 3 workshops e um maravilhoso jantar sobre perfumes  (que relatei aqui) .

Começamos no sábado de manhã assistindo ao workshop Cozinha sem Vergonha : Galinha de Cabo a Rabo com o trio  Ana Soares (do Mesa3), Mara Salles (do restaurante Tordesilhas)  e Neide Rigo (do excelente blog Come-se).

Foram mais de duas horas frenéticas com idéias não menos sobre tudo, eu disse absolutamente tudo, o que você pode fazer com uma galinha (pensando bem, quase tudo!! rs).

Elas encontraram utilidade, na verdade várias, pra todos os orgãos das penosas: aquilo, o trazeiro da galinha cozido e num espeto com pimenta biquinho (qualquer semelhança nâo é mera coincidência),…

…  sangue talhado e cortado em fatias, …

…, colherinhas de milho (que a Mara fez) e com um angu e cristas fritas da ave,…

… moela costurada e com milho no seu interior (a Mara costurou uma a uma), … 

… pele frita como torresmo, …

… uma  feijoadinha de pé-de-galinha e uma rede crocante de couve (a Neide que fez),…

… mais uns torresminhos de pele, só que agora com nós,…

… as tripas fritas,…

… o legítimo pérulito (os pés da galinha caramelizados numa mistura de temperos), …

… e um jeito bacana de fazer um frango assado com farofa,  mas só que sem o frango. Foi utilizado somente a pele pra dar o gosto.

Doces? Também tinha e um belo manjar de coco feito com o colágeno dos pés-das-galinhas.

E gemas dos ovos cozidas e servidas com canjiquinha que mais pareciam nuvens gemadas.

Enfim, uma verdadeira odisséia aos bípedes. Pra culminar, ainda recebemos um brinde com uma latinha contendo uma farofa e uma coxinha de galinha além dum saquinho que a Neide nos presenteou que tinha “titica” da galinha e que segundo ela, em se plantando, você terá a possibilidade de verificar o que ela comia  já que tudo o que está lá deve germinar. As minhas já foram plantadas! Depois conto o resultado.

A tarde, fomos ver a Helena Rizzo (do restaurante Maní) que falaria sobre sobre ingredientes em seu estado mais bruto. Por isso o worshop intitulava-se O Cru e o Cru.
E ela consegui o seu intento. Tudo foi muito rápido.

As receitas foram uma Salada de Abóbora e Pepino com Ovas de Tainha e  Leite de Castanhas-do-Pará e Raviolis de Cará e Bacalhau com emulsão de Bacuri e Azeitonas Pretas. Ela cumpriu o que prometeu, mas foi um contato meio, digamos, sem muita comunicação.
Enfim, foi cru!! rs

E o terceiro workshop foi no domingo de manhã. Só o título já era interessante: Quando o campo vai à mesa. O Jose Barattino, chef do restaurante do hotel emiliano contaria sobre a experiência que ela está tendo por lá ao adotar nas refeições de lá, os produtos que o Dercílio Pupin, lider de 700 famílias que compõe a Família Orgânica, uma cooperativa de produtores de legumes e verduras orgânicas e biodinâmicas.

É um assunto pra lá de interessante já que além do fornecimento de ingredientes fresquíssimos, o Barattino também está experimentado “produtos do zero” ou seja, coisas ainda não utilizadas na gastronomia.

Um exemplo? Gavinhas de chuchu.
Sabe o que  são? São aquelas garrinhas que se encontram nas extremidades do chuchuzeiro e que nesta caso, foram incluídas na receita “Gavinhas de Chuchu, batata-doce assada em crosta de sal grosso e emulsão de castanha-do-Brasil“.

Outro exemplo? Raiz do Lírio-do-Brejo, que  é parecida com o gengibre, mas que tem um gosto acentuado de flor, especialmente após ser cortada em pequenos cubos e levemente refogada.

E olhe que foi extremamente emocionante ver o Pupin dizer que todo mundo deveria pagar um pouco mais caro e comprar produtos orgânicos  pois neles, além da inexistência de agrotóxicos, você certamente encontra a energia e o carinho de quem o produziu!! Coisas de feng shui!! 🙂

Resumo de tudo: certamente saímos deste Paladar com a certeza que a gastronomia puramente brasileira tem um futuro promissor. Principalmente enquanto gente de quilate como a Ana, a Neide, a Mara, a Helena, o Barattino estiverem pesquisando e  trabalhando com o amor que demonstraram.

Parabéns a todos!
E sorte nossa que por estarmos lá, conhecemos o mineirim Roninho, dono da Mercearia Paraopeba e que montou um quiosque no evento. Além dele ser uma simpatia, é um grande vendedor. Só pra ter uma idéia, ele nos vendeu doce de leite, fubá, batata, feijão, queijo, mandiopã, pimenta-biquinho e mais algumas galinhas de Angola de enfeites. Tudo de qualidade. Pensando bem, foi quase como visitar um mini sex shop mineiro!! rs

Até.

provence – sixième jour – o rato roeu a roupa do rei de arles

09/07/2010

Provence – Sixième Jour  – O rato roeu a roupa do rei da Arles

Este dia foi dedicado a aprender sobre como foi a passagem dos romanos pela Provence.
E por isto mesmo, resolvemos conhecer um pouco mais de Arles, não esquecendo que ela faz parte da região de Camargue. (nada a ver com camargo&camarguinho!)

Acordamos relativamente cedo (esta foi boa!) e aproveitamos pra tomar café em Les Baux de Provence (do ladinho do hotel).

Já que estávamos lá, entramos no Château des Baux, a parte mais alta, turística e inabitada de Les Baux onde além de conhecermos os hábitos originais dos moradores do antigo castelo,…

…  ainda tivemos uma demonstração muito interessante de como eles utilizavam as catapultas (do jeito que a coisa anda por aqui, é bom saber como elas funcionam! rs) 

Interessante ao extremo e a vista de 360° de  todo Les Alpilles já valeria o esforço de subir aquele montão de degraus com aquele calor (quase 35ºC).
De lá partimos pra Arles. Parentesis:  quase ninguém recomenda conhecer a cidade. Dizem que ela é sem graça, grande (pros padrões da região) e suja. Grande (mas não muito) e um pouquinho suja, concordamos. Sem graça, nem pensar!

Afinal de contas, um lugar que tem  uma arena romana destas …

… e um teatro antigo destes não pode ser considerada sem graça. Infelizmente não pudemos entrar pois eles estavam sendo preparados pra eventos festivos, mas deu pra perceber a grandiosidade e sentir o cheiro de História no ar.

Ainda por cima, conhecemos um restaurante como o L´atelier  do Jean-Luc Rabanel que é uma beleza e que eu já tinha reservado pela internet através duma dica do Raphael Despirite, chef presente do excelente Marcel – jardins.

Chegamos lá no horário (às 13:00 hs) e pra fazer um menu-degustação. A Dé já sabia. 🙂

Ele, o Rabanel, tem o histórico de trabalhar com o melhor dos ingredientes frescos franceses. E duas merecidas estrelas do Michelin.

Olha, foi um verdadeira epopéia romana! (isto existe?)

Um tour de force que começou com um amuse espetacular, um cremâo de queijo acompanhado dum biscuit defumado.

Daí pra frente, foi um desfilar do império romano.

Dez pratos e que após o término de tudo, euzinho já estava entregando os pontos (imagine a Dé!!).

Apesar que tudo estava  muito bom e extremamente fresco e saboroso. Foi um tal de alcachofras, tomates, aspargos, limões, peixes, ervas, molhos, caldos quentes e frios, enfim tudo o que caracteriza uma bela comida de autor.

As apresentações foram incríveis e através das fotos abaixo, dá pra imaginar o odor que este prato exalou, né não?   

E quando esperávamos uma  sobremesa, vieram 3.

 Detalhe: uma melhor do que a outra!

César faria o famoso sinal de positivo pra salvar o chef! Foram 3 horas da mais pura degustação. Ainda bem que estamos na fase slow!

Fica uma reflexão:  o grande problema deste tipo de refeição não é a qualidade e sim a quantidade de comida que é servida em qualquer menu-degustação. Podemos estar enganados, mas fica sempre a sensação de que se comeu um pouco (ou bem) mais do que se deveria. É por estas e outras que dificilmente os experimentamos a noite.
Não sei se vocês pensam igual, mas eu simplesmente não consigo devolver um prato (ainda mais bem feito e bonito) sem ter comido praticamente tudo!! rs

Por sorte, tivemos que estacionar o carro bem longe e ainda demos uma passeada pelo centro. No  caminho de volta, conhecemos alguns locais que marcaram a vida de uma das figuras históricas da cidade: o mestre Van Gogh.

Aproveitamos que estávamos perto e seguimos pra Tarascon (~30 km), uma  cidade medieval (a Dé adora cidades desta  época!!) e com bastante água ao redor.

Com direito a castelo do século XV, o Chateau de Tarascon e tudo o mais.

E como bônus, uma das mais belas visões da viagem até agora: girassóis floridos e a perder de vista.

Lindo e emocionante.

Voltamos a tempo de dar mais uma passadinha em Saint-Remy de Provence. Compramos mais alguns chocolates no Joël Durand (pra nós e pra Rachel), conhecemos a incrível Le Petit Duc, onde são feitos biscoitos e confeitos com receitas originais da época da Renascença, da Roma Antiga, etc  e …

… e demos mais uma bela curtida no centro a cidade que mais parece um cenário de conto de fadas.

E, pra variar, conhecemos mais algumas coisinhas sobre Nostradamus. Certamente, ao menos uma previsão ele acertou: o lugar que ele morou é espetacular. rs

Dizem que ele cresceu comendo chocolates e doces da mais alta qualidade!!

Voltamos pro hotel, demos um tapa no visual e fomos tentar jantar em Les Baux.

Tentar? É, já eram 21:00 hs e pros padrões franceses, apesar de ser sexta-feira, tarde demais.
Resultado: não achamos nenhum lugar aberto (lembra o que falei sobre reservar antecipadamente?) e a solução foi aplicar o plano B: fazer um picnic em pleno quarto.

Queijo comprado na feira; pizza e baguete compradas na boulangerie na entrada de Les Baux e vinho rosé comprado na própria vinícola.
Ou seja, tudo preparado prum grande momento com ótimos produtos.

Vida boa, viagem boa e amanhã, além de matarmos as saudades da Re (ela vem nos encontrar) ainda  mudaremos de hotel.

Iremos pra Joucas, no Luberon. Entaremos literalmente nos livros do Peter Mayle!

Aguardem!!

PS – Fica a constatação de que, pelo menos até agora, todos os chefs dos grandes restaurante que visitamos ( PrévôtOustau de Baumanière L´atelier do Jean-Luc Rabanel) se encontravam no local, e melhor, cozinhando.
Que isto sirva de exemplo pra alguns chefs brazucas que conhecem mais o estúdio da Ana Maria Braga do que a própria cozinha.  

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dcpv – 1º ISB – Eymard – Muito ajuda quem não atrapalha

 1º ISB –  Eymard – Muito ajuda quem não atrapalha

Bom, continuarei apresentando esta série de posts. São 4  jeitos de olhar o mesmo acontecimento. Serão/foram escritos e publicados na seguinte ordem: Sueli (que escreveu o primeiro), Drix (que escreveu o segundo) , Eymard  (que escreveu o de hoje) e finalizando, euzinho, no do dia 28/08..
Expressam /expressarão a visão de cada um dos escritores do lunchinner que fizemos num sábado também, 23/07/10. E lunchinner porque?
Ora, por que  o encontro dos que se conheceram através da Internet (de que maneira? Vocês saberão logo, logo) começou no almoço, atravessou a tarde, passou pelo jantar e terminou na madrugada de domingo.
Com vocês o 1º ISB, ou seja, o 1º Inter dos Sem Blogs. E o 3º post sobre o 1º, a visão do sócio Eymard.

Muito ajuda quem não atrapalha (by Eymard)

O 1º ISB nasceu de um sentimento nada nobre: o ciúmes. Os sem blog (eu, Sueli e Adriana) já não mais toleravam o Inter Blogs (IB) no DCPV. Sim, o que parece (um clube de querubins) nem sempre é. Há sempre um monstro que se esconde dentro de nós. A sabedoria está em conhecer e domar a fera!
Caro leitor, conto a minha versão desse lunchinner, já cantado em bela prosa e quase versos por SueliAdriana.

sexta-feira, 23/07 – 6:05 – um SMS mudaria meses de planejamento.  Falecimento do nosso amigo e colaborador Nelson. Velório em São Carlos (interior de S.Paulo) e enterro sábado, às 9 da manhã.

9:02 – estou na cadeira do dentista sob o efeito de uma droga. Máscara de oxigênio com um produto que dá “barato” para agüentar o tratamento.  Sabe a sensação de um chopinho a mais? Delícia!

11:03 – na rua, ainda sob o efeito da “droga”, ligo para o Edu. Cancelo nossa ida ao esperado show do Jorge Drexler e no tantas vezes planejado passeio no sex-shop.  Confirmo que estaremos para o jantar. Não sei se ele entende bem. Desligo. Mando e-mail para Sueli e tento falar com Adriana, que já está em São Paulo.  Não consigo.

17:58 – estou na estrada, bela estrada, quase chegando em São Carlos. O telefone toca, é o Edu. Agora ele entendeu melhor tudo que se passou. Leu meus e-mails. Empresta solidariedade.  Insiste para que cheguemos mais cedo no sábado: “— para descontrair, para relaxar…”, diz ele. Confirmo que estaremos lá.

Sábado, 24/07 – 9:30 – manhã de silêncio. Céu azul sem nuvens. O tempo…..o silêncio…a alameda de “ciprestes”. Minha mãe sempre diz que é um lugar de paz e tranquilidade. É isso que sinto agora. Na volta para Campinas, presto atenção nos vales e montanhas da região. Observo o contraste entre o azul do céu e a imensidão de nuances de verdes, ao longo da estrada. Penso na diferença da paisagem do cerrado. No caminho, longos papos com outro Edu, o meu compadre.

11:49 – Subo correndo as escadas; banho; Lourdes prepara a mala (o Edu disse que o jantar será de gala-rsrs); novas e rápidas explicações para filhos e família sobre o que, exatamente, faríamos em São Paulo com a turma da “internet”. Rola um ciúmes pela ausência no final de semana. Tudo bem. Já sei que faz parte e como domar esse monstrinho. Não tenho muito tempo. Estou acelerado. Pego o carro e quero chegar o mais rápido em São Paulo. Ligo para a Sueli. Ela atende: “Che-guei!!!” (Sueli não chega, estréia!). Aviso ao Edu que estamos saindo de Campinas….

 

12:58 – me lembro da programação original. Eu levaria vinhos. Planejei tudo com tanta antecedência; pesquisei, já tinha uma idéia segura…e…agora…reprogramando! A arte de se adaptar ao que não se escolhe. Minha única saída: dar meia volta e ir na Grand Cru de Campinas.

Viagem pela terra dos vinhos. Quero um alemão. Uma discreta e silenciosa homenagem aos amigos Helena/Hans. Escolho o Riesling.  —“Será uma degustação entre amigos”, digo eu. Explico novamente o cardápio (será que me lembro do cardápio? — “Tem ceviche, Lourdes?” Vai combinar com o Riesling). Dois brancos; quatro tintos leves. O champagne eu havia separado da mais recente viagem. Não sei se será suficiente. A esta altura nem sei se realmente esses vinhos vão combinar. Eu quero é chegar!

14:57 – estou na marginal. Ligo para o Edu. Digo: “—sócio, chegamos! Vou deixar as coisas no hotel e já estaremos aí. Conheço bem São Paulo. Não preciso de GPS.” !….Erro a entrada….vou até a ponte espraiada…volto….circulo….tenho certeza que o hotel é por aqui…..15:34 – um taxista dormindo no ponto. — “Amigo, amigo….onde fica…”. O taxista resolve ir na minha frente, sem cobrar nada. Um anjo camarada. Penso: —“ainda existe gente assim!” Em agradecimento peço a ele que me espere na porta do hotel. Vai levar-nos ate a “praia”. A Lourdes erra o número. Pegamos a rua em sentido contrário. Volta! Chegamos! Nos despedimos do taxista gente fina. Sem ele,  chegaríamos para a ceia.

16:03 – toco a campanhia (não sem antes errar o andar). Uma sorridente Dé nos recebe.  O ambiente não poderia ser mais bonito. Mais alegre. Mais aconchegante. Cheio de luz!  Já estão todos como uma família de antigos laços e histórias. A mesa está posta e o almoço servido. Chegamos bem na hora! Perdi toda a primeira parte (a preparação, as caipirinhas, os primeiros papos de reconhecimento…). Já sinto saudade do que não vivi. Mas chegara a tempo para comer, de joelhos, o macarrão ralado da dona Anina. Com muito, muito molho vermelho. O frango bem assado e as batatas coradas (dispenso as batatas e repito, o quanto consigo, aquele macarrão ralado com muito, muito molho vermelho).

Por alguns instantes me sinto relaxado e muito feliz.  Olho em volta de mim. Ainda tenho tempo de conhecer Mingão, Regina e a Re. Me sinto em casa!

Mingão e Regina são os novos/velhos amigos. Quero saber como são esses semanais encontros. Desconfio que  Edu bota todo mundo pra ralar e ele fica sentado, de pezinhos para cima, escrevendo para o blog! Afinal, na internet, tudo que parece pode não ser. Se somos sócios, preciso saber de tudo!

Olho o relógio. Estranho, não consigo saber que horas são. Os ponteiros não se movem. Não! Espere… eles se movimentam em ritmo frenético.

Querido leitor, a partir desse momento, não consigo mais fazer o registro pelo tempo, com vinha fazendo. Tudo me parece muito acelerado. Imagine um filme do Chaplin; ou aquele filme, que agora não me recordo o nome, que as imagens são rápidas como a música — lembrei — Koyaanisqatsi, com música do Philip Glass (alguém se recorda?).  Uma outra rotação. Já não sei se é o efeito do vinho. Ou a adrenalina do encontro. Ou a velocidade de tudo que se passou pela minha cabeça desde a noite da última  quinta-feira. Sei que não consigo segurar o tempo…ele vai passando rápido demais!

Continuamos a fazer mil planos: vamos até a  Sódoces comer uns macarrons….vamos começar a preparar o jantar… ”—E as coquiles?” , grita Sueli. Sueli não as trouxe, confiante que Edu traria as suas. Eu acho brega coquiles. Mas,  não ouso falar isso para Sueli.  Edu não as tem na praia (ufa!). Nem pensa em colocar o siri nas coquiles. Então, não teremos “casquinha de Siri”, sentencia Sueli. Teremos “creme de siri”. E a geléia de laranja? “—Você comprou Edu? Estava na receita.” Xiii, esqueceu! Pega a summa gastrônomica com os detalhes do cardápio. Lê em voz alta. Chegamos à conclusão (com minha preciosa interferência na interpretação daquelas regras): não há obrigatoriedade de geléia de laranja para a salada. Edu tem outras geléias e, afinal, o que importa a geléia?

O tempo passa ainda mais rápido…a Sodoces vai ficar para a próxima. E o bolinho de banana para combinar com o sorvete de toffe? (ou não seria bolinho de banana? Seria bolinho de canela!?).  Não dá mais tempo para fazer. E também não dá mais tempo para ir ao hotel trocar de roupa. Temos pressa….me lembro do coelho da Alice, do filme do Tim Burton e da interpretação tão pessoal que a ele emprestamos eu, Sueli e Lourdes.

Sueli assume a cozinha. Distribui tarefas. Comanda as ordens. Vejo a Adriana arrumando delicadamente os docinhos em fileiras. Não resisto! Como um…como dois….humm….limão com doce de leite, o meu preferido!

Já não sigo a ordem dos acontecimentos, mas da minha memória. Aos trupicos! Todos em volta do fogão e, dessa vez, o milagre! Tudo sai perfeito. O queijo esta no ponto certo. A pimenta, ardida! Comemos lambendo os dedos, como crianças.

Lembro que fomos nos conhecendo também aos “trupicos”. Primeiro eu e Sueli, debruçados na janela do Conexão Paris, pitacando! Jorge e Lourdes toparam o encontro na Boulangerie do Guilhaume. No telhado do Palais de Tokyo aparecem Eduardo Luz e Dé. Quem é esse cara? Vou ao DCPV e não paro de ler. Leio tudo. Gosto de tudo. Um post me chama mais atenção do que outros:  a viagem ao Peru. E um comentário me chama mais atenção do que outros: o de Adriana. Alguém que ainda manda cartões postais? Gosta de Neruda e escreve como quem prepara um banquete? Esse pessoal é bom e quero compartilhar essa informação. E-mail rápido para Sueli. Paixão à segunda vista. Troféu número de linhas nos comentários e início de uma grande amizade. Nossa sociedade estava só começando. E eu nem sabia!

Volto para o lunchinner!

Lourdes é convocada para picar os tomates. Mingão se apresenta para o alho. Regina disfarça em conversas com Adriana. É imediatamente convocada: — “vai mexer a farofa”. Assume a panela. Mas não pode mexer de qualquer jeito. Sueli passa as instruções: — “virando da direita para a esquerda sem parar…..nao deixe queimar! Muita manteiga e vai mexendo…..Não esqueça do rebolado!!! Olha a ginga.”

Cebola MILIMETRICAMENTE cortada! Nunca vi ninguém picar cebolas como a Sueli. E o Mingao ataca: — “Isso é TOC: Transtorno Obsessivo Cebolístico.” A casa vem abaixo….somos todos risadas. Rimos novamente como crianças fazendo travessuras.  E o clima está cada vez mais gostoso. Cada vez mais rápido. Puxo um banco e sento ao lado do Jorge. No balcão, de frente para: Mingão, Lourdes, Sueli e Regina. Dé tenta organizar as compras. Edu tenta retomar o comando. A cozinha parece pequena para dois egochefs! Mas, aos poucos, as coisas vão se acomodando. O perfume começa a invadir a “nossa praia”. O interfone toca. É ele: o sujeito oculto que permitiu Adriana conhecer Edu, que conheceu Eymard, que conheceu Sueli….O primeiro, que será o ultimo a ser conhecido: Déo.

Déo é apresentado. Nem precisa, já o conhecemos de todas as terças feiras. 

—“O Eymard não fez nada ate agora! Precisa ajudar de alguma forma. Vai limpar a lagosta.” Pergunto: — “onde está bucha e sabão?” Gentilmente me dispensam da tarefa.
Já nem sabemos que horas são. A sessão será corrida. Sem intervalos. Faremos inveja ao Zé Celso Martinez na montagem dos “Sertões”.
Déo precisa ir embora e Adriana é liberada para uma “rápida” passagem pelo hotel. Meia hora. Não mais que isso. O comando, dessa vez, é meu!
Enquanto isso tudo vai se ajeitando na cozinha. Na sala vejo Lourdes e Dé se desmanchando nos anéis de guardanapo. Como gostam desse “acessório” de mesa…

Ligo para Adriana. —“5 minutos é o tempo que te resta” . Já está no prédio. A professora é extremamente disciplinada e pontual. Do outro lado do balcão, na cozinha, tudo parece se encaminhar para os finalmentes. Fico impressionado como aquela confusão do início, vai se transformando aos meus olhos.

Sueli resolve fazer uma bolinha de creme de siri. Passa na farofa e….virou um bombom! Bom..bom demais!!! Quero outro.

Linha de montagem. A mais linda linha de montagem que eu já vi. Os pratos, os chefs e os ajudantes. Os olhantes: eu e Jorge. Sueli diz: —“aquele é o prato do Eymard” .  Era o mais “guloso” dos pratos. Me fez lembrar Adélia Prado.

Edu, como o grand chef, finaliza os pratos. Vamos todos à mesa, como sempre, preparada com capricho pela Dé.  Abrimos o Riesling. Depois de tantos outros e com aquele “creme de siri”, a harmonização é perfeita (ué, mas não era ceviche?). Helenístico! (já não me lembro o nome que dei. Edu anotou todos, certamente os colocará no seu post). Fiquei feliz com a escolha e os olhares dos amigos na mesa. E me lembrei , de novo, de Adélia Prado.

A moqueca. Serviço à francesa. No primeiro bocado, perfeita! A crocância da farofa no contraste com o molho, o peixe, o camarão, a lagosta e o arroz…. Edu colocou uma flor comestível para enfeitar cada prato. De novo, lembrei-me de Adélia. Noite de sínteses e contrastes.

A sobremesa. O sorvete de toffe sem o bolinho de banana (ou seria de canela?). Não deu tempo. Não fez falta. O sorvete estava “fresco”. Frescura deliciosamente arrumada por Edu, com um toque de pétalas de lavanda, trazidas pela Dé. Adélia? De novo!

Que noite! Acabou?

Não. Ela continua nas quatro versões de uma mesma história. Continuará na nossa memória afetiva, olfativa, gustativa.

Sueli tem razão. Minha colaboração nesse encontro foi a consagração de outro adágio: “muito ajuda quem não atrapalha .  Ajudei muito, atrapalhando pouco. Mas continuo pensando no meu papel. Mineiro de nascimento; paulista na formação; brasiliense por profissão e opção. Agulha e linha costurando essa amizade que passa pelas gerais, continua em Ferraz e chega ao planalto.

Uma noite que seria feita de adágios (o conceito definido para o 1º ISB, anarquizado pelos cavalheiros Eymard e Eduardo). Um dia inteiro feito de carinho. E não é que somente agora lembrei-me porque Adélia Prado não saiu da minha cabeça?

“Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
Ela falou comigo:
“coitado, até essa hora no serviço pesado”.
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.”

(ensinamento, poesia reunida, 1991, editora Siciliano).

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dcpv – as frases apimentadas do Ciro

número 259
20/07/2010

As frases apimentadas do Ciro.

“Para comemorar a semana de 30 horas, os franceses tomam champanhe – um produto inventado quando eles trabalhavam 70”. CP

 Definição: o que pode deixar tudo pegando fogo, apenas um pouco mais picante ou emprestar um sabor suave, mas marcante? Além disso, melhora o humor de quem as consome com frequência?

Respondendo gastronomicamente, é claro que são as pimentas. Como diz o Rodrigo Oliveira do badalado e baratíssimo restaurante Mocotó, “a pimenta dá alegria ao paladar, transmite energia e é provocante e sensual“.

Incrível como estas definições também servem pras frases boladas pelo nosso querido amigo Ciro Pellicano (o tal CP autor de todas as frases grafadas em laranja). São sacadas incríveis que só poderiam vir dum grande publicitário e melhor ainda, nascido em São Carlos. E não esqueçamos que foi com eles,a  Marcie e o Ciro que nós, eu e a Dé, tivemos aquele maravilhoso almoço na laje do Palais de Tokyo em Paris.

O Ciro acaba de lançar o seu segundo livro (o primeiro livro tem um título mais do que sugestivo: “A última coisa que eu pretendo fazer na vida é morrer“), denominado ” O poder quando corrompe, corrompe a não mais poder”, editora Global,  que “sabiamente”, alguém  inspirado da livraria Saraiva o colocou/catalogou na seção de auto-ajuda.

Eles podem ser classificados como uns daqueles livros de sabedoria, onde certamente você melhorará muito o seu humor ao abrí-los diária e aleatoriamente e ao mesmo tempo, saborear qualquer uma das suas inspiradas frases.
E estas sensações explicam o porque de eu ter escolhido estas receitas que contém pimenta pra formar o menu que representa o livro: ambos, pimenta e frases, são explosivas e suaves; alegres e pra cima; apaixonantes e sensuais.
Ôpa, acho que é muito melhor a Marcie, a esposa dele e dona do blog novaiorquino abrindoobico  se pronunciar sobre este último quesito.  🙂

Vamos lá ao menu apimentado e fraseado do Ciro Pellicano.

Bife de tira. Taí um prato que faria o maior sucesso nas prisões. CP

Bebidinha – A Marvada

Era um curso de culinária extremamente fácil: a professora dava tudo mastigado. CP

Simplificamos ao extremo, tomando uma cachaça especial, a Nega Fulô (presente da Sueli e do Jorge). 

 Entrada – Triopico e Lentilhas Ensopadas

O médico falou que eu preciso cortar a gordura. O que ele esperava: que eu a enfiasse inteira na boca? CP

Vou provar um teorema. O Ciro é sãocarlense (nada de corporativismo) e gosta mesmo de “prosear”. Prosear é coisa de mineiro. Mineiro famoso por aqui é a Adriana  (sorry, Eymard. Você é do mundo!).
E receita com pimenta que a grande chef Drix indica é trupico! Vamos a ele. C.Q.D.

Na verdade, a eles já que ela mandou mais duas variações, que, obviamente, formam um Triopico. Todos pra você, Ciro (prometo que reproduzo tudo quando você e a Marcie estiverem por aqui).

Coisas que prefiro não ver: defeito de filho, deslealdade de amigo e cozinha de restaurante chinês. CP

Trupico, o original“Feito como omelete e cortado como nhoque“. Queijo de Minas curado e pimenta dedo-de-moça cortada finamente. Como diria o nazista do trupico (versão brazuca do soup nazi do Seinfeld), neeeeeext !

Sub-Trupico I – Queijo de Minas em cubos num espeto intercalado por pimenta biquinho e levemente frito. Neeeeeext!

Sub-Trupico II – Queijo brie com geléia de damasco e pimenta-rosa. Direto pro forno. Finiiiiish!

Minha obesidade teve origem numa vírgula: para a minha mãe, o provérbio era Lar, Doce, Lar.CP

Complementando, um ensopado de lentilhas com batata, alho-poró e pimenta amarela.

Escolhi esta receita por 3 motivos: por conter pimenta-amarela e eu tinha um vaso com elas.

Por incluir alho-poró e eu estava prestes a fazer a minha primeira colheita deles.

E, é claro, por ser uma sopona apimentada que alimenta e muito a alma e que a Dé adora.

A entrada toda ficou “trupicadamente apimentada”. Como as frases do Ciro.

E já que era uma festa de amigos, convocamos mais um, o querido vinho branco Chardonnay Jacobs Crek 2008 Austrália que foi “excêntrico, concêntrico, best white, gostoso”.

Principal – Espaguete perfumado e asinhas condimentadas

Azougue : Açougue especializado em fast-food.CP

Como as frases do Ciro são curtas, eu também teria que fazer receitas com o mesmo principio.
E este macarrão é tão rápido que praticamente não tem receita. Basta refogar gengibre ralado e pimenta de cheiro numa frigideira com bastante azeite.

Juntar um pouco de casca ralada e o suco de 2 limões sicilianos, cozinhar mais um pouquinho, temperar com sal e somar o espaguete cozido.

Experimente. Como o próprio nome diz, é muito perfumado!!
Acompanhamos com asas e coxinhas delas condimentadas.

Que são feitas da seguinte maneira: coloque tudo num saco plástico (as asas, óleo, alho esmagado, molho inglês, catchup, açúcar, sal, suco de limão, pimenta em pó) e deixe marinar. Empane com massa pra tempurá e frite. 

Ficam parecidas com aquelas de restaurante chinês. Mas não é o da frase do Ciro, certo?

Tomamos um californiano, um Zinfandel que foi segundo os adoradores de frases inteligentes e bem-humoradas “surpreendente, surfista prateado, california dreaming, gostoso”. E que tornou a frase do Ciro uma realidade:
Tomar dois copos de vinho por dia faz bem. O que faz mal é jogar fora os outros três. CP

O prato ficou plasticamente perfeito e ardido o suficiente pra “esquentar as conversas”.

Sobremesa – Docins Mineirins

No leito de morte, sorveteiro pede a família que o creme.CP

Mais uma um receita simples. Na verdade nem receita é.

Doces mineiríssimos (que a Adriana contrabandeou!) enfeitados com uma bela geléia de pimenta e folhas açucaradas provençais.

Uma delícia.

Responda depressa: porque é que um sorvete com duas bolas tem sempre menos sorvete do que dois sorvetes de uma bola só? CP

Eis os comentários dos frasistas inveterados sobre a noite:
Só o Ciro faria uma grande frase sobre este grande jantar! (Edu)
Doce pimenta! Grandes palavras!! (Mingão)
Gostoso! (Déo)

Enfim, tudo foi perfeito! E ficará mais ainda com a introdução dos ensinamentos do prof Ciro Pellicano.

Use os livros dele como aqueles de cabeceira. O seu bom-humor agradecerá! E fica uma pergunta: se o Ciro tivesse intolerância a gluten ele seria um “ciríaco” ?

Tá, não foi nada boa! rs
Então é melhor terminar com uma legítima “ciriana“:

A Grand Central Station de Nova York possui o melhor mercado de frutas da cidade. E a explicação é simples: são frutas da estação. CP

Até!

.   

 

provence – cinquième jour – o menu-degustação das cidades provençais

08/07/2010

Provence – Cinquième Jour  – O menu-degustação das cidades Provençais

A viagem até que está slow. Mas o lado fast continua querendo se manisfestar.

E justamente por isto, vamos ao pequeno guia das cidades que visitamos hoje (na verdade a primeira parte, pois pretendo fazer outro só que do lado oposto desta região,o mais perto de Gordes/lavandas):

Les Baux de Provence – o must no quesito cidade-pequena-encravada-na pedra.

O lugar é de tirar o fôlego (literalmente). Vistas fantásticas. Subidas e mais subidas. Lojinhas e mais lojinhas. Restaurantes e mais restaurantes. 

E tem uma aura que te encanta à primeira vista. Tomamos café por lá (e fica uma dica. Vá bem cedinho pra conseguir estacionar com tranqüilidade, porque senão … vai sofrer muuito!). Voltarei a falar nela já que passamos por lá um montão de vezes. 

E tem mais: logo ali ao lado é a Cathedrale d`Images.

A idéia de tudo é sensacional: uma caverna de proporções gigantescas onde são feitas projeções de alta definição e acompanhadas por uma trilha sonora  pra lá de vibrante.

A cada ano o tema da tal exposição é trocado. Até estranhamos o deste ano, a Austrália pois os anteriores eram sobre pintores famosos (Cezanne, Picasso, etc).

Mas tudo foi extremamente encantador (palavra perfeita usada pela Dé pra definir tudo). São informações visuais sobre o grande país-continente mostrando a sua origem, os seus habitantes e habitat.
Só pra referência, aqueles pontinhos escuros no fundo da foto são pessoas. Dá pra imaginar como tudo é tão grande arrebatador. E tem mais: é frio!! Com todo aquele calor lá fora, dentro se parece com uma câmara friogorífica!

Enfim, é um passeio imperdível. Fico devendo a descrição do Chateau des Baux (uma atração próxima que fica na parte antiga, mais alta e não habitada de Les Baux), mas aguardem pois iremos amanhã.

Maussane-les-Alpilles – esta é pequenininha e não estava nos nossos planos. Mas como era vizinha a Les Baux e melhor, tinha uma bela feira; lá fomos nós.

Pra variar, é bem bacana.  Uma vilinha toda organizada e com um “marché” bem caprichado.

A Dé não resistiu e comprou uma bela camisa. Nós não resistimos e compramos morangos, damascos,nectarinas, …

… groselhas (vermelhas e brancas), …

…  e até um queijo que além de delicioso, nos acompanhou por uma boa parte da viagem.

Aconselho, como sempre, uma visita às feiras-livres de qualquer lugar. Especialmente as da Provence!!

Cavaillon – a terra do melão cantaloup. E em plena safra!!
A cidade é bem normalzona  (se é que podemos chamar assim alguma da Provence! rs) e grande pros padrões locais (25000 habitantes). Mas o que nos chamou a atenção foi um restaurante, o Prevot , no qual o chef, o próprio, se especializou em fazer pratos utilizando o melão como ingrediente principal. Descobri tardiamente (mas fica a dica que ele faz um McPrevot, um sandubão fino com melão!)

É claro que reservei. (Nunca  se esqueça que reservas são obrigatórias em qualquer lugar!)
Chegamos lá  e o salão parecia uma daquelas casa provençais antigonas. E tem cor de melão!!

Tomamos um drink com licor de melão!

Os amuses eram muito bons. Um biscoito de parmegiano, um millefeuille de foie gras e , claro, melão espetado no palito!!

Tudo saboroso ao extremo. A Dé optou pelo formule veggie: salada com verduras da própria horta  e melão,…

 …, peixe com purê (o famoso pirrê!!rs) de batatas …

… e uma sobremesa com um creme de chocolate com baunilha, um macaron recheado  e sorvete de caramelo.

Eu optei pelo menu regional. Ou seja uma formule em que o chef compra o que achar melhor no “marchê” e o repassa aos clientes e no almoço, por um preço muito mais em conta. No meu caso foram 22 Euros. (Ah! Os lustres tem também um toquezinho de melão!! rs)

Comi caneloni de bacalhau com espuma de parmesão, …

… um frango caipira com purê e legumes da estação  …

… e um biscoito de suspiro com creme de damasco,  um creme de baunilha e sorvete de chocolate, que foi devidamente trocado com o da Dé.
Só não experimentei o menu  especializado em melão (te cuida, Lima Duarte) porque era degustação de 7 pratos e isso certamente nos mataria!! rs

Isle sur la Sorgue – é praticamente a Veneza  provençal.

Na verdade é um pouco menos, mas eles propagam. E é lindíssima.

Se bem que com o calor que estava fazendo (35ºC de novo), ter a visão dum belo rio passando pela cidade é muito reconfortante. Até a cachorrada se esconde numa sombrinha e no ar condicionado!

E tem muitas árvores.  Portanto, todo o centrinho  é baseado neste trio: lojinhas/árvores/rio.

É um lugar pra ficar um bom tempo tomando um café ou um pastis e observando como tudo demora realmente pra passar (e ainda bem!).

Voltamos ao hotel, passamos pelo nosso empreendimento provençal,…

… tivemos o nosso primeiro contato direto com campos de girassóis, …

… demos uma bela descansada  (também aconselho esta parte, especialmente se você tiver um jantar reservado) e fomos comer.

Quer dizer, comer não é uma palavra apropriada pra descrever a situação. Na verdade, nós fomos celebrar a ótima gastronomia no Oustau de Baumanière.

O restaurante fica no pé de Les Baux (com vista pra cidadela) e ficamos ao ar-livre.

Tudo é muito bonito. As louças, os garfos, o entorno e o próprio clima.

E a comida é um sonho. Desta vez eu fui esperto (aconselhado pela Dé, claro!) e não exageramos no pedido.

O chef nos mandou uns amuses pra irmos matando a fome. E eram muito bons. Incrível como em quase todos os restaurantes que fomos estas entradinhas gratis são ofertadas.

Dividimos um foie gras com geléia de frutas vermelhas como entrada (surpreendentemente pra nós tupiniquins, o prato mais barato da noite). Estava sublime.
E é bem fotogênico, né não?

A Dé foi de Rouge Barbet, um peixe macio e muito saboroso.

Eu, de Turbot de Bretagne  com mais uma montagem lindíssima do prato e que ao final, te permitia saborear todo o quadro (e com pão!).

Tomamos um vin Blanc Domaine Hauvett 2006 (e escapei duma boa pois com toda a minha “bagagem” tinha pedido um Muscat!! Quase que se repetiu o  caso Sauternnes da nossa primeira viagem a Paris!! rsrs).

Passamos a sobremesa,  pois queríamos degustar a estrela da noite. É, por incrível que pareça, conseguimos achar uma estrela.

É isto mesmo: a manteiga. Esta era uma DOCM. Perfeita! Saborosa! Escorregadia!

Simplesmente não conseguimos parar de comer!! Foi a dupla perfeita junto com o pãozinho francês, óbvio!!
Dois expressos, alguns mignardises e o último pedaço de pão com manteiga.
Pronto!  Mai um dia perfeito, num lugar não menos e com um personagem principal mais do que perfeito: a manteiga, the butter,  o burro, a beurre.

Au revoir! Amanhã veremos se a vida dos romanos foi fácil em Arles.

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