Arquivo para 7 de agosto de 2010

dcpv – 1º ISB – conexões, invenções, anarquia e muita alegria

23/07/10

1º ISB – Conexões, invenções, anarquia e muita alegria.

Antes de mais nada, me permita apresentar esta série de posts. Serão 4  e escritos por pessoas diferentes (Sueli, Drix, Eymard e euzinho) e publicados a cada sábado.
Expressam a visão de cada um dos escritores do lunchinner que fizemos num sábado também, 23/07/10. E lunchinner porque?
Ora, por que  o encontro dos que se conheceram através da Internet (de que maneira? Vocês saberão logo, logo) começou no almoço, atravessou a tarde, passou pelo jantar e terminou na madrugada de domingo.
Com vocês o 1º ISB, ou seja, o 1º Inter dos Sem Blogs. E o 1º post sobre o 1º, a visão da Sueli OVB.

Conexões, Invenções, Anarquia e muita Alegria. (By Sueli OVB)  

A internet e o nosso faro aguçado nos proporcionaram a descoberta de pessoas incríveis e, através de algumas conexões, chegamos até aqui embarcados com alegria e entusiasmo em uma canoa nada furada, mas da qual jamais imaginamos poder fazer parte. 
Com a indescritível hospitalidade do Edu e da Dé, e em meio a muita descontração e anarquia, num imbróglio que lembra a Quadrilha de Drummond, realizamos o primeiro ISB (Inter dos Sem Blogs) da história deste blog.


A partir da esq: Mingão, Regina, Dé, Edu, Sueli, Jorge, Drix, Eymard e Lourdes.

Edu, dono do DCPV, marido da Dé, pai da Re, freqüentador do Conexâo Paris, onde Sueli, esposa do Jorge e Eymard, marido da Lourdes, são assíduos “pitaqueiros” e já se conheciam além do virtual e que passaram a participar do DCPV atraídos pelo ótimo texto do Edu e pelos comentários extraordinários da Adriana, que já era amiga virtual do Déo, que  é irmão do Edu, que é grande amigo do casal Mingão/Regina, que se juntaram para provar que o ser humano é bom, bonito e viável.
Está escrito na Bíblia: “Diz-me com quem andas, que te direi quem és”. 
Quanta responsabilidade! Sinto-me honrada por ter gente tão especial como companheiros e amigos.

Segundo Jung: “Ninguém pode se tornar consciente de sua individualidade a menos que esteja íntima e responsavelmente relacionado a seu próximo. Ele só pode se descobrir quando está ligado de forma profunda e incondicional a alguém. Em geral relacionado a muitos indivíduos com quem ele pode se comparar e através dos quais ele é capaz de discriminar a si mesmo”.
Jung tinha toda razão. É na comparação com o outro que nos percebemos melhor.
Mas o nosso encontro, além de validar a idéia de Jung, serviu para contestar o dito popular: “Come para viver e não vive para comer”.
Como assim?  Acho que esse a gente não entendeu…

Brillat-Savarin, um dos mais famosos epicuristas e gastrônomos franceses, tem um adágio que é bem próprio para nós: “Diz-me o que comes, dir-te-ei quem és”.
Daí para descobrirmos nossas identidades no dito do admirável sábio foi um pulo!
E o que deveria ser apenas um jantar começou na hora do almoço. Quando chegamos “a conversa já havia chegado na cozinha” , onde a Dé estava literalmente com “a mão na massa”,  preparando um de seus pratos preferidos, o macarrão ralado, receita da dona Anina, mãe do Edu e do Déo.

Recepcionados com deliciosas bruschettas untadas com azeite e salpicadas com ervas, encimadas por generosa fatia de tomate que estavam  devidamente amparadas pelo suporte  hidroetílico de caipirinhas variadas, preparadas pelo Mingão, já nos sentíamos em casa, ou melhor, na praia. Minha caipirinha preferida foi a de tangerina.


Foto by Sueli

Vencidos os imprevistos – o liquidificador onde a massa estava sendo “ralada” pifou e alguns pedaços de dedo a menos – foram à mesa: travessas de “macarrão ralado”, que foi servido mergulhado em um delicioso molho de tomates, assessorado por tostados franguinhos assados com especiarias e ervas frescas, guarnecidos por batatas coradas. 


Foto das belas mãos da Dé by Sueli.

Tudo regado a muito champanhe e vinho. Fizemos o primeiro brinde e atacamos as delícias. Adriana se esmerou no cafezinho. Quem disse que ela não sabe fazer café?
Depois disso, o Jorge queria uma rede. Ah, coitado! As coisas só estavam começando.

Recobramos os ânimos e partimos para executar o jantar. Quase todos” a postos. A Lourdes atacava de assistente e cuidava dos tomates e dos pimentões.

O Mingão descascava cebolas, alho e laranjas. Dé arrumava a bagunça, separava ingredientes e começava a decoração da mesa para o jantar, com a devida colaboração da Re. Eu tratava de picar microscopicamente as cebolas,o alho, ralava cenouras, examinava, controlava e supervisionava tudo e todos, para loucura do Edu.


Foto by Sueli.

Daí a se sentirem num quartel foi um pulo. Mas comandados logo por uma mulher? Regina, Adriana e Dé se revezavam na farofa, que depois de um longo tempo ficou saborosa e crocante. Sob meu olhar atento, Edu preparava o creme de siri, que deveria ser casquinha de siri, mas que no improviso foi colocado em mini panelinhas de porcelana e levado ao forno com parmesão, para gratinar.
Envolvi bolinhas desse creme na farofa crocante, inventando assim bombons de siri, que degustamos na maior anarquia.

Eu e Edu, cada um na sua panela e achando que o seu molho ficaria melhor, refogávamos alho, cebolas, pimentões e tomates no azeite de oliva. Estava dada a partida para o que viria a ser mais tarde uma deliciosa moqueca mista.
“Olha que isso aqui tá muito bom, isso aqui tá bom demais, olha quem tá fora quer entrar, mas quem tá dentro não sai..” Pois é!  Mas, contrariando a música, o Déo saiu, tinha um compromisso inadiável e não ficou para o jantar, mesmo já não tendo participado do almoço e vindo só para matar a curiosidade e ver quem era aquela gente toda que chegara para invadir a praia da Dé e do Edu.

A essa altura já estávamos meio na dúvida se “O melhor bocado é de quem faz ou é de quem come”, pois o Jorge e o Eymard não fizeram nada.  Mas como comeram as criaturas! Isso vale? Ah, vale! “Pimenta no olho do outro é refresco”. 
Falar em pimenta, a coisa estava picante! Usamos a dedo de moça na moqueca e a malagueta no Trupico, um belisquete que abriu nossa refeição da noite. Esse trupico, cuja etimologia jamais será descoberta, é uma receita afetiva e caseira, vinda lá da infância da Adriana, que suamos e sofremos pra encontrar o ponto certo, pois ela lembrava seus sabores e valores, mas não exatamente de como o pai os preparava, muito menos o ponto de cura do queijo.

E dá-lhe trupico! Queijinho da Serra da Canastra – “esparramado-na-frigideira”, “derretido-até-criar-uma-crostinha”, “enrolado-como-panqueca” e depois “cortadinho-igual-nhoque”, foram as referências que a Adriana nos deu da receita do queijo assadinho e recheado com pimenta malagueta bem picadinha. Quanta criatividade! 
Mistério devidamente desvendado pelo Edu. Aprovadíssimo por todos. Tenho certeza que o Seu Faísca, pai da Adriana, estava lá de cima orientando e consentindo.

Hum! “a descoberta de uma nova receita faz mais pela felicidade do gênero humano do que a descoberta de uma estrela”.  Sábio Savarin!   Sábio Sr Faísca, que nos deixou de herança a Adriana, que nos encontrou, que nos encantou e envolveu com sua doçura, sensibilidade e amizade, que nos revelou suas lembranças e segredos de criança, que nos trouxe, no ponto de cura certo, o esplendoroso queijo da Serra, comprado no Verdemar, com direito a revista promocional e tudo!
Esse Trupico foi a maior prova de que “o que não mata engorda”. Tamo tudo vivo!  Mas haja gordura! Será que a pimenta corta? Pode até não cortar, mas que arde, arde. E haja pão! Sem água, como disse a Dé.
E pra mostrar que “é de menino que se torce o pepino” e que “nem só de pão vive o homem”, partimos para as entradinhas do jantar. Fizemos mais um brinde e recomeçamos a orgia gastro-etílica na linda mesa arrumada pelas meninas.

Relish de pepino; salada de laranja, cenoura, uvas passas e amêndoas laminadas, com molhinho de laranja e mostarda e creme de siri.
Tudo lindo e gostoso.  Ai, Jesus!


Foto by Sueli

Nós já estávamos tristes…  Tristes de tanto comer e beber, é claro! E estávamos só começando. Conversa daqui, enrola dali… A gente tinha que terminar o que começara.  Criamos coragem e atacamos o peixe, que já não estava mais no fundo da rede, mas partidinho em medalhões, escoltado por uma bela lagosta fatiada e camarões em profusão.
Finalizamos a moqueca com leite de coco e dendê, que foi servida lindamente adornada por generosa porção de caviar preto e vermelho, arroz basmati e farofa de cebola e manteiga.  Chiquerrérrimo!


Foto by Sueli.

Meus deuses! “Os animais pastam, o homem come: apenas o homem de espírito sabe comer”.  Comer, nós sabemos, mas será que nós temos espírito, Sr Savarin? Acho que sim!  Todos eles, inclusive o de porco. Né, Edu? Onde foi parar a geléia de laranja, que era imprescindível pro molho da salada?

E toma de abrir vinho. E toma de brindar. Até Adriana, adepta e adicta de uma coca, ops, coca-cola, e normal, se faz favor! brindou. Brindou e tomou. Pouco, vamos admitir. Mas tomou. Contra toda e qualquer convicção que um dia tenha tido.O que não fazem as boas companhias! Pobre Adriana!  Já não pode mais dizer que não bebe. Isso merecia ter sido registrado com foto.

Os vinhos.  Ah, os vinhos! Um melhor que o outro. Champanhe delicioso e fresquíssimo, mas sem qualquer frescura. Brancos cheios de caráter. Quanto caráter! Rosé com muita moral, mas um pouco vagal.  Tintos de aromas exuberantes, alucinantes, estonteantes. E como!
Chegou a hora das doçuras. Porque travessuras já tínhamos feito todas.
“Com açúcar com afeto, fiz seu doce predileto..” e o dos meus netos também. Toffe de caramelo, em duas versões, a original e a batida na “ferrari” do Edu. Facin, facin, embora a Adriana sempre duvide dessa parte. Constatou-se uma sutil diferença entre ‘cremosidades’, e o salpicar de pétalas de lavanda, recém chegadas da Provence, deu um toque especial à iguaria, adornada com açúcar gay e confeitos do sex shop parisiense. Supimpa!

Ainda tinha mais. Duas lindas bandejas, arrumadas pela Adriana, com os mais legítimos e originais docinhos cristalizados, encomendados por ela lá do interior das Minas Gerais, contendo mamão, abóbora, figo recheado com nozes, abacaxi (meu preferido), limão recheado de doce de leite e figos inteiros. Ai, ai, ai, “quem nunca comeu melado, quando come se lambuza”! E nós já “távamos” tudo lambuzado e revirando os “zóinhos”.


Foto by Sueli.

Vocês pensam que acabou? Não.  E os digestivos? Será que cabe? Cabe e sobe.
Pastis, trazido direto da Provence, competindo em pé de igualdade, qualidade e preferência com um delicioso licor de aniz feito pela dona Anina. E otras cositas más.  “Más”, pero buenas!

 E “acabou-se o que era doce, quem comeu regalou-se” e como nenhum de nós danou-se e “a vingança é um prato que se come frio”, esperamos para logo uma vingança. Viu, Edu!  
Santé, amigos!
À  vingança! Que ela não tarde, nem falhe!

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