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dcpv – o sertanejo é antes de tudo um … bem alimentado

número 272
05/10/10
número 271

O sertanejo é antes de tudo um  … bem alimentado.

Lá vamos nós pruma nova seção biblioteca.

Eu comprei o livro Gastronomia Sertaneja, da Ana Rita Dantas Suassuna.

E vou dizer que o que inicialmente me interessou foi o sobrenome da autora.

Afinal de contas, Suassuna soa bem legal. E eu sou fã do Ariano “ao redor do buraco tudo é beira” Suassuna.

Dei uma bela “lidinha” no prefácio, “olhei legal” as receitas e achei o livro muito, mas muito interessante mesmo.

E a idéia básica dele é extraordinária: resgatar a cozinha do sertão pernambucano, a verdadeira cozinha de lá através da utilização de ingredientes básicos, mas com formato pra lá de original e melhor, com receitas com uma história e uma explicação do porque delas existirem.

Ou seja, cozinha com nome, sobrenome e principalmente apelido. Totalmente identificada com o tamanho do Brasil e “impressionante como talvez uma das regiões mais rústicas, simples e na melhor expressão da palavra, pobres do Brasil pode gerar uma das gastronomias mais inebriantes e mais ricas da nossa colcha de retalhos que é a cozinha regional brasileira. O simples, o rústico e o modesto ganham o devido esplendor sem perder autenticidade e …”

Estas não são as palavras do Edu. São as do Alex Atala.
Vamos lá ver se este garoto entende do riscado.

Bebidinha – Cachimbo (este nós já tomamos quando do excelente menu das Irmãs Rocha)

“Bebida indispensável em família de qualquer classe social por ocasião do nascimento de um filho”.

Ingredientes: 2 xícaras de chá de mel de abelha, 1 litro de aguardente, 4 xícaras de miolo de fruta.

Misture o mel e a aguardente até unir bem. Junte o miolo de frutas (fizemos de maracujá) e coloque numa cabaça ou garrafa que “se preste a sacolejo”.
Agite fortemente até o miolo da fruta desmanchar.

Coe, coloque em garrafas e tampe. Nós não fizemos nada disso já que bebemos tudo!

Entradas – Mal-assada, Farofa de Bolão e Cabeça de Galo.

“Esta fritada vem desaparecendo dos cardápios nas famílias e nos outros locais onde costumava ser servida (botequins, hotéis, mercados, feiras)”.

Ingredientes – ovo na quantidade desejada, farinha de milho proporcional aos ovos, coentro bem picado, sal a gosto, couro de toucinho de porco.

Pra fazer a mal-assada, bata as claras em neve, adicione as gemas e misture muito bem.

Junte a farinha de milho aos poucos até obter a consistência de massa de bolo. Acrescente o coentro e o sal.
Corte o couro do toucinho em pequenos cubos (xô, colesterol alto), salgue, coloque numa frigideira em fogo médio e mexa de vez em quando até ficar bem sequinho. Despeje a gordura.

Com a frigideira quente, despeje a massa, tampe e frite até que a esteja assada. Vire e asse do outro lado.

Sirva em pedaços como tortas (qualquer semelhança com a frittata italiana não deve ser mera coincidência).

Parece um souflê nordestino.

Farofa de bolão.

Ingredientes – a quantidade de farinha é que vai determinar a proporção dos outros ingredientes, coentro, cebola roxa, sal a gosto, manteiga da terra, água quente e farinha da roça (nota – manteiga da terra = manteiga de garrafa; farinha da roça = farinha de mandioca)

Pique miúdo a cebola e o coentro. Coloque numa tigela grande junto com um pouco de sal e a manteiga.

Leve ao fogo uma chaleira (?!) com água. Quando ferver, retire do fogo e despeje na tigela aos poucos, alternado com a farinha até formar bolões. Prove o sal.

Tive um pequeno problema técnico: a minha farinha de mandioca era muito grossa. E acabei jogando tanta água pra hidratar que ficou parecendo um cuscuz.

Mesmo assim resultou num delicioso cuscuz. Enformei a “farofuz” e coloquei uma pimenta biquinho pra fazer graça.

Ficou a própria.

Cabeça de galo

“Um misto de sopa e pirão ralo, também chamada pirão de ovos tem características singulares de preparação em tempos de fartura ou na seca. Para os ricos, nada se altera. Para os muito pobres essa comida recebe apelidos como “caldo da fome”, “manjar de cachorro” de tão precário que torna seu preparo muitas vezes de uso compulsório”.

Ingredientes – 1 cebola roxa cortada em rodelas finas, 2 ramos inteiros de coentro, 2 ramos inteiros de cebolinha verde, 1 dente de alho amassado, 1/2 pimentão cortado em tiras, 1 colher de chá de colorau, 1 pitada de cominho, 2 tomatinhos cortados em 4, 2 colheres de sopa de manteiga, 1/2 xícara de chá ou mais de farinha de mandioca, 5 ovos e água ( mais ou menos 2 litros).

Leve a água ao fogo pra cozinhar os temperos verdes. Quando estiverem cozidos, retire os temperos da água e reserve-os.

Coloque a farinha de mandioca lentamente e aos poucos mexendo sem parar até que o caldo engrosse e fique no ponto desejado.
Quebre os ovos, um a um, no caldo fervendo com cuidado pra que fiquem inteiros.

Na hora de servir, coloque um ovo em cada prato e o caldo.
Acho que desta vez nós ficamos com a opção dos ricos.

Tem mais: este lance dos ovos é imperdível. Eles ficam todos compactos e com a gema bem no centro e sendo totalmente envolvida pela clara.
A Dé disse: por mim, eu parava nesta sopa (Pronto! Mais uma pro cardápio daqui de casa).
Senhores, é uma tremenda entrada.

Tomamos um tinto brasileiro Quinta do Seival 2006 que foi “ensolarado, severino, arnesto, portentoso” segundo os imigrantes ferrazenses.

Principal – Galinha e Arroz de Festa.

“Criada solta ao redor das casas, na época chuvosa come folhas verdes, insetos e sujeiras de curral. Antes de ser consumida é enchiqueirada por 10 a 15 dias, pra “limpar” e engordar. Na hora do abate parte das penas do pescoço é retirada, o local bem lavado, quando então é feito um corte com a faca amolada para a retirada do sangue”.  

A receita diz que se deve sangrar a galinha e deixar coagular naturalmente.
É claro que passamos esta parte pois a nossa penosa já veio mortinha e esquartejada da avícola. 🙂 Mas com os pés pois ali é que está o colágeno.

Coloque os pedaços numa panela grande, junte o suco de 2 limões, 3 ramos de cebolinha verde bem picada, 3 ramos de coentro bem picado, 2 folhas de louro, 1 colher de sopa de colorau, 1 pimentão bem picado, 4 tomates espremidos e picados, 3 colheres de molho inglês, 1/2 xícara de chá de vinagre e tempere a gosto.
Junte tudo, tampe a panela e deixe pegar gosto. Em seguida, afervente levemente. Mexa pra não deixar pegar tudo no fundo da panela.
Logo após (de preferência, no dia seguinte), coloque água o quanto baste até cobrir a galinha.
Leve ao fogo baixo e assim que a carne começar a ficar macia, retire todo o caldo e complete o cozimento, torrando a galinha na própria gordura.

Com este maravilhoso caldo, faça o arroz.
Lave o arroz, escorra-o e coloque numa panela de barro pra cozinhar em fogo baixo. Use a proporção de 2 xícaras de chá de caldo pra cada uma de arroz.
Proceda como se estivesse fazendo um arroz normal e evite mexer muito. Sirva bem quente pois é bastante gorduroso.

E é uma delícia. Se tem algum prato brazuca que podemos chamar de risotto nordestino, é este!

Foi o maior sucesso da noite, já que o Déo e o Mingão (eu também!! rs) repetiram como se não houvesse amanhã no sertão ferrazense.

Como diria SS: galinha, arroz e ritmo de festa.

Tomamos mais um brasileirinho, o Cabernet Sauvignon Reserva Amadeu 2002 que se mostrou “defederico, o próprio, mozart, aquífero” ou seja, pra ser comparado com o Defederico tinha que ser bem fraquinho! 

Sobremesa – Bolo de Macaxeira

“Bolos e biscoitos que frequentam as mesas das famílias no sertão em anos de fartura são uma riqueza inestimável. Caracterizam-se pela simplicidade dos ingredientes, esmero no preparo e tem condições de atender aos mais exigentes paladares”

Ingredientes – uma tigela demacaxeira, 6 claras, acúcar a gosto, 12 gemas, 1 pires de manteiga,  coco ralado, leite de coco.

No nosso caso, Ana, atendeu. E olha que somos exigentes!
Como quase toda sobremesa nordestina, esta é bem simples.

Rale e peneire uma tigela de macaxeira crua (mandioca pros íntimos). Bata 6 claras, junte açúcar a gosto e 12 gemas. Continue batendo até ficar um creme macio. Misture 1 pires de manteiga com o coco ralado (um coco inteiro) e junte o creme de ovos. Acrescente a macaxeira e o leite de coco (de um coco inteiro).
Asse num tabuleiro untado em forno quente. Corte em losangos e sirva.

Agora me diz se uma receita, especialmente com estas medidas (tigela, pires, etc) não é demais?
Juntando com as frescuras de sempre (bolinha de casório, açúcar gay, confeitos) ficou um espetáculo.

Ainda mais com o licorzinho da Serra das Almas que a Débora e o Fernando nos presenteraram.

Eis a opinião dos arretados:
Quando é como nós vamos pra lá? (Edu)
É o Auto das delícias! (Mingão)
O sertanejo é um forte (prato!). (Déo)

“Por isso, é com grande alegria que vejo todo esse mundo reviver neste livro; mundo que tinha como centro não a sala de visitas ou a de jantar, mas sim o terreiro onde se cantava e dançava; e a cozinha, a democrática cozinha, onde mandava uma rainha negra, a Bezé e um rei negro, o Pé Velho. E é agradecendo esta alegria a Ana Rita – minha querida Ninga  – que concluo estas palavras, mandando-lhe, daqui, um beijo carinhoso e fraterno de Ariano Suassuna”.

Certo, mestre. E salve a Ana por registrar e partilhar de memórias tão fantásticas.

Só posso dizer uma coisa: compre e guarde com carinho este livro.  
Até.

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dcpv – provence – quatorzième et dernier jour – revendo os velhos amigos no marais

17/10/2010

Provence – Quatorzième et dernier jour – Revendo os velhos amigos no Marais.

Último dia da viagem.

E primeira manhã em Paris.

Vou dizer uma coisa: a cidade continua linda, mas a multidão que estava por lá  a transforma  num  perfeito caos.

É muita gente. É um mar de gente.
E ainda bem que tivemos a compensação da cidade estar totalmente florida.

Rumamos logo cedo pro nosso queridinho bairro, o Marais.

Um lugar bastante conhecido por nós.

Tivemos uma experiência inusitada: rever lugares que gostamos muito

E o mesmo prazer de conhecer melhor alguns que não tivemos tempo na última vez.

Ou seja, um prazer muito difícil de se repetir quando se está viajando: rever tudo com um outro timing, tanto de tempo (horas) como de tempo (clima).

Iniciamos a visita tomando café da manhã na praça que fica bem no início da badalada rua Bourg-Tibourg , a da Mariage Frères (é claro que compramos alguns chás).

Continuamos pela Rue des Rosiers e chegamos a Pavée (a esquina do apê). Revisitamos toda a vizinhança e nos dirigimos pra Place des Vosges.

Muito legal ver tudo verde e bastante colorido.

É claro que estando muito perto, demos uma esticada até o Lenôtre pra comermos a Millefeuille, eleito pela família o melhor doce da cidade luz.

Aproveitamos pra cumprir a promessa de fotografarmos o maravilhoso doce. Já que estávamos “trabalhando” e por ossos do ofício, degustamos as modelos da foto abaixo. De pé e em frente a loja, como mandam as regras.

E pra ajudar a firmar a imagem (como se precisasse!! rs), a Sueli me mandou a foto duma XXL que ela comeu ( e sozinha) nesta última viagem dela. Veja que espetáculo:

Seguimos voltando pelo Rue des Francs Bourgeois com direito a comprar sapatos na Camper (preço de liquidação), ver objetos loucos na Muji, na Dom e em muitos outros lugares bacanas.
Atravessamos o Sena e demos uma rápida passada na crawdeada Ile de St Louis só pra tomar sorvetes na Berthillon.

Voltamos pra estação St Paul e compramos duas baguetes (Je voudrais deux baguetes!, disse a Dé) literalmente pra viagem pois elas atravessariam o Atlântico.

Pegamos o  metrô e paramos na estação Tuileries pra dar uma olhada no jardim e cumprir uma promessa feita à minha querida sogra, a D Vera: levar um brinquedinho composto de passarinhos de madeira que compramos na última viagem e que quando entregamos pra ela, só tinha a caixa!! rs

O tempo estava se esgotando (estávamos como o Jack Bauer).

Voltamos ao hotel, descarregamos as compras, comemos alguma coisa rápida (uns sandubas)…

… e tentamos participar do inferno: adentrar na Lafayette.

Conseguimos as duras penas e na Maison, onde quase enfartamos com a quantidade de coisas a serem vistas em tão pouco tempo. Sabe aquele programas de tv que a pessoa tinha um tempo determinado pra pegar o máximo de coisas num supermercado? Pois éramos nós! 🙂 

Enfim, adquirimos somente mais algumas coisinhas e ponto final.

Taxi (coitado do japonês que fez das tripas coração pra conseguir colocar todas as malas no carro), aeroporto, tax-free, check-in, viagem tranqüila, free-shop (sim, senhores) e grande Ferraz de Vasconcelos.
Au revoir, França!

Até breve!! Mas antes vamos às trufas!
Arrivederce.

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dcpv – leitor do aprendiz de cozinheiro

número 264
24/08/10

Dcpv – Leitor do Aprendiz de cozinheiro

Tem coisa mais legal do que pegar um livro que você acabou de comprar e ter a certeza que viverá momentos de prazer ao folheá-lo e não sossegar enquanto não acabar a sua leitura?

Pois foi o que aconteceu comigo quando comprei o “Aprendiz de Cozinheiro” do Bob Spitz, autor entre outras coisas do best seller “The Beatles”, o livro, óbvio!

O cara se separa, gosta de cozinhar mas não consegue excelentes resultados e num estalo, resolve ir pra França e pra Itália pra aprender como se faz a coisa certa e em escolas de culinária/restaurantes famosos.  

Daí pra chegar ao final admirando um montão de coisas que ele aprendeu e querendo reproduzir as receitas que estão no livro é um passo.

E foi o que eu fiz. Vamos lá!

Bebidinhas – Caipirinha de kinkã.

Nada a ver com o Bob. Mas estavam muito boas.

Entradas – Tabule de abobrinha, hortelã e ovos cozidos / Tatin aux cepés.

O Bob escreve de uma maneira totalmente envolvente. A descrição de tudo é primorosa (não foi a toa que a genial Nina Horta literalmente devorou e aprovou o livro) e os detalhes te levam a se sentir no próprio lugar onde ele aprendeu a cozinhar. Neste caso, só faltou o livro exalar o cheiro das comidas.
O tabule foi feito quando o Bob fazia um “estágio” no ótimo restaurante Moulin de Mougins, situado a cerca de uma hora de Cannes.

É uma receita relativamente fácil. Uma saladona de cuscuz (hidratado com um litro de água bem salgada), abobrinhas e tomates (sem pele e sem sementes) cortados em brunoise; cebolinhas, salsa, hortelã e echalotas picadas e temperadas com azeite, sal e suco de limão.

           

Leve à geladeira até a hora de servir.

                     

Enquanto isso, cozinhe ovos em água fervendo, descasque-os e sirva junto com o tabule. Zoiudo cozido, um charme!

A tatin também é muito interessante.

Quando fez esta, o Bob estava na fossa (a namorada tinha dado um pontapé nele) e estava aprendendo a cozinhar em Maussane Les Alpilles (coincidentemente uma cidadezinha que conhecemos na nossa última viagem) e na casa de uma senhora.

O curso foi bem caro (coisa de U$ 5000 por uma semana), mas não muito entusiasmante.
E a receita é assim: corte cogumelos (usei shitake e Paris) em fatias e refogue-os numa frigideira juntamente com echalotas (NR – echalotas são praticamente uma mistura de alho e cebola. São encontradas, pra variar, no sex shop) em 2 colheres de sopa de manteiga até dourarem. Tempere bem com sal e pimenta.

Arrume-os sobre uma forma untada com manteiga. Faça uma persillade (uma mistura de salsa e alho picados) e salpique sobre os cogumelos. Em seguida, espalhe nozes moídas e derrame um pouco de óleo de nozes (by sex shop).

Cubra a superfície com uma camada de massa folhada, pincele gema e asse até ficar dourada (20 a 30 min).

Esta entrada é espetacular e mediterrânea.
Conselho de amigo: leia o livro e faça as receitas (simultaneamente como eu fiz).

E o vinho? Um Chardonnay obviamente branco, o Casa Silva Colección 2009 que foi “amendoado, oliveira, silva de cá, saltonesco” segundo os mochileiros gastronômicos, nós mesmos.

Principais – Fagotini di Zucchini / Fricassé de frango com curry.

Esta receita o Bob aprendeu a fazer quando estava no Sul da Itália, bem próximo ao Vesúvio, o vulcão.

Confesso que ainda não cheguei a esta página do livro (a 339), mas já, já eu chego lá. E conto!
Estes fagotinos são abobrinhas cortadas, fatiadas no comprimento e refogadas no azeite até dourarem.

Arrume quatro delas em forma de asterisco.

No centro deles, coloque uma colher de sopa de mozzarella e uma de presunto picados.

Salpique parmesão e asse por 10 minutos.
Já o frango,  o Bob aprendeu no Le Mas des Oliviers na cidadezinha de Saint Maxime em plena Cote D’Azur. Dá pra perceber que o cara escolheu muito “mal” os lugares, né não?
Esta receita também é muito interessante: seque bem 8 coxas de galinha com pele e osso e refogue-as, com a pele voltada pra baixo numa panela funda com um pouco de azeite e salgue bem.

Deixe cozinhar em fogo médio por 10 min até a pele ficar com uma cor marrom-dourado. Acrescente 1 colher de sopa de curry em pó (ao seu gosto), 10 grãos de pimenta de Sechuan (conhece?) esmagados, 1 e 1/2 colher de sopa de tomilho e alecrim picados.
Junte 3 cebolas médias picadas, 5 dentes de alho esmagados e 1 xícara de vinho branco cuidando pra raspar o fundo da panela.
Ferva por 2 minutos e acrescente 3 xícaras de caldo de galinha.

Leve à fervura, cubra a panela e reduza o fogo. Cozinhe lentamente por 1,5 horas. Remova os pedaços de frango e mantenha-os aquecidos.
Reduza levemente o molho até ficar espesso e sirva.
No nosso caso, com um belo arroz negro.

Este prato tem um sabor muito concentrado e é extremamente cheiroso.

Poderíamos chamá-lo de TCM.

Tomamos mais um exemplar da vinícola Casa Silva. Neste caso um Cabernet Sauvignon Reserva 2008 que foi “novo amigo, presidencial, rockfeller, dicotômico da silva”, segundo os cumins.

Sobremesa – Biscotti celestiais

A receita destes biscoitos está bem no início do livro. O Bob estava começando a sua saga e pela Borgonha. E engraçado, por uma escola de gastronomia que estava inaugurando apesar dele não saber deste “detalhe”! rs

Aqueça o forno a 180ºC. Corte em pedaços grandes, 1/4 xícara de cada uma das seguintes frutas: uvas-passas brancas,  damascos e ameixas.

Numa grande tigela, misture 1 xícara de farinha de trigo, 1 xícara de açúcar de confeiteiro e 1 1/2 colher de chá de fermento. Em outra tigela, bata 2 ovos grandes e depois derrame-os lentamente  sobre a farinha até a mistura ficar ainda um pouco seca. (dica – vá colocando os ovos aos poucos e pare antes da massa ficar parecida com a de uma horta).

Acrescente as frutas, as nozes (1/4 de xícara de amêndoas inteiras, avelãs e pistaches) e a casca de 1 limão em pedacinhos. Despeje este conteúdo sobre uma superfície coberta de farinha, divida em 3 partes e com as mãos enfarinhadas (a Dé ficou já que ela é nossa patisseur!), enrole cada uma delas com formato de salsicha de uns 20 cm.

Coloque numa forma de silicone (silpat) e asse por 25 ou 30 min, até os rolos ficarem firmes e dourados. Retire do forno e reduza o calor pra 130ºC, deixando que esfrie por 5 minutos.
Numa tábua de corte, fatie “os troncos” em pedaços de 1,5 cm e leve-os de volta ao forno pra assar por mais 15 minutos.

Prontíssimo! Biscotti celestiais …

… e molhados na nova criação da D. Anina, o licor de cacau. Nada como molhar os biscotti! 🙂

Eis a opinião dos aprendizes sobre o menu do Aprendiz (ainda bem que ninguém foi demitido!):

Comida caseira, cheirosa e saborosa. Faz o ferrazense gemer sem sentir dor! (Edu)
Melhor impossível. (Mingão)
Parfait! Delícia sem par. (Deo)

“Em uma viagem pelas melhores escolas de culinária da França e da Itália, Spitz teve aulas com grandes chefs e acompanhou o trabalho na cozinha de restaurantes estrelados. Aprendeu técnicas e receitas fantásticas que generosamente divide com o leitor. E muito mais do que isso: essa inusitada aventura mostrou-lhe como é possível superar a dor e a angústia, apontando um novo rumo para a sua vida” 

Com este trecho na contra-capa, você também não se interessaria em ler este livro?

Como eu já disse, ainda não acabei o livro. Já li mais um pouco e estou na pag 283 (são 358 no total). Por enquanto estou adorando apesar de agumas derrapadas na tradução (porque será que as editoras não contratam pessoas especializadas pra fazerem as tais?) e de alguns desconfortos que o autor passa em algumas situações.

Prometo atualizar este post com a impressão final do Aprendiz de Cozinheiro.

Até.

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Luís Pontes, Alex Atala e Edu Luz – 1º encontro do projeto L

09/10/10
Botucatu

Luís Pontes, Alex Atala e Edu Luz – 1º Encontro do Projeto L

Com a palavra, o Luís Pontes (parceiro do finado Projeto Y):

A expressão “Palavras para quê? É um artista português!” , oriunda de um anúncio, dos primeiros da televisão em Portugal, ficou no nosso léxico para dizer de um modo irónico do desempenho arrojado ou apenas desenrascado de alguém que faz o que se esperava não ser possível.
Assim me sinto eu a corresponder ao convite do meu sócio paulistano no Projeto L ao escrever esta introdução a um menu que ele vai fazer mas ainda não fez, logo totalmente desconhecido, primeira refeição de um projeto que ainda não começou, ou seja, cá vou eu a trabalhar no arame e sem rede, pois é claro! O verdadeiro “artista português”!
O Projeto L é um projecto de duas pontas, como a letra, que tem em cada uma os éles de Luz (o Eduardo!) aí em S. Paulo e o Luís Pontes (eu), aqui em Lisboa.
Vamos jantar juntos por muitas vezes, unidos por “pontes” virtuais, e vamos dar-vos conta dessas refeições e libações, aqui no DCPV e lá no Outras Comidas, como fizemos no Projecto Y (aqui ainda tinha o “c”porque o Acordo Ortográfico não estava aprovado), projeto a que caiu uma perninha mas não faz mal: cá por mim é com duas pernas que se corre melhor!

Até já!

Como vocês podem perceber nós não somos agentes secretos! Nós simplesmente gostamos de nos comunicar e de dividir experiências gastronômicas. E não vai ser um mero oceano, o Atlântico, que conseguirá minimizar toda essa afinidade.

Que por sinal, começou através dos IB (o Luís foi o nosso e um dos pioneiros através do blog Comidas Caseiras) e que continuou através de correspondências e do projeto Y (onde eu, ele e a Marizé nos revezávamos pra escolher menus e publicarmos todos e ao mesmo tempo, posts sobre a execução e impressões destes mesmos menus em cada uma das nossas casas).

O tempo passou (o último Y foi há uns dois anos) e sem a Marizé que não tinha o tempo necessário pra continuar participando, resolvemos dar um tempo.

E como temos, eu e o Luís (o blog titular dele é o Outras Comidas)comichão por fazer alguma coisa parecida, retornamos ao tal projeto denominado-o de L ( Y= 3 pernas; L = 2, capisce?)

Como uma homenagem a este retorno, escolhi um menu que o próprio Alex Atala tinha indicado pessoalmente através das receitas do excelente livro dele, o Escoffianas Brasileiras. Este menu faria parte do projeto (mais um) DCPV x Chef, mas a ocasião merecia.
Pra dar um upgradezinho, escolhi a data e aproveitei pra fazer tudo em Botucatu e na casa do Mingão. Foi bastante interessante cozinhar sem os meus apetrechos e tendo que improvisar um pouco (os sex shops de lá não gorjeiam como os daqui!rs). Se bem que pra compensar, o vizinho dele tinha uma pitangueira que era invejável.

Portanto, vamos ao 1º menu do 1° encontro do que espero, tenhamos muitos, do projeto L.

Entrada – Palmito fresco e vieras de coral

As receitas do Atala são bem interessantes. Ele indica quase tudo com precisão britânica.
Pra fazer esta, compre vieiras com coral e reserve estes (sim, coral é aquela parte vermelha da vieira. E sim também: Botucatu não tinha vieira com coral!)

Corte a vieira ao meio no sentido longitudinal e reserve.

Compre palmito pupunha fatiado em rodelas (sim, Botucatu não tinha palmito pupunha fresco! rs) e foie gras (sim, eu levei um pedacinho daqui de casa, pois Botucatu não…) cortado em fatias de 2 mm. Molde este em retângulos de 1x2cm.

Faça um molho com os corais reservados (usei ovas de salmão), suco de limão e shoyo. Bata em velocidade alta no liquidificador por 5 minutos. Passe por uma peneira e reserve.

Faça também um azeite de ervas, misturando azeite de oliva extra-virgem com 30 g de salsinha, 10 g de sálvia, 10 g de tomilho fresco, 5 g de orégano e 15 g de alecrim, tudo muito bem picado.

Branqueie 120 g de anéis de lula em água fervente por 10 segundos (é isto mesmo, segundos!). Esfrie-os em água com gelo, retire da água e reserve.
Hidrate alga marinha hikigi (sim, esta tem em Botucatu!).

Pique 5 g de salsa lisa e 5 g de ciboulette. Reserve.
Tempere a lula com sal, pimenta, azeite de ervas, a ciboulette e a salsa.
Faça um emulsão com 200 ml de azeite e 25 ml de shoyo.

Finalmente (ufa!), faça um azeite com manjericão e óleo de canola (na quantidade que lhe convier!). Neste caso o Alex usa o Thermomix, mas nem em Botucatu e muito menos em Ferraz eu encontrei este acessório (Dééé!! rs)!
Improvisei batendo tudo no liquidificador.

Chegamos à finalização (ufa, again!).
Em cima dum disco de palmito (é claro que usei o de pupunha, só que em conserva) disponha metade duma vieira e cubra-a com meia colher de café de raiz-forte (usei a mais fraquinha pois tinha uma bisnaga que eu utilizo pra acabamento de pratos).

Repita o processo por 2 vezes e finalize com um disco de palmito.
Coloque uma delicada porção de lulas, o foie gras e uma folha de estragão.

Monte, fazendo um risco com o molho do coral. Pra mim este ato foi impossível pois o molho ficou saboroso com a utilização do caviar de ovas de salmão, mas sem a consistência necessária. Portanto, coloquei-o por baixo da montagem.
Juntei um pouco do azeite de manjericão e finalizei com uma ciboulettes.

Dá trabalho, mas resulta num prato com característica asiática e extremamente saboroso. Além de luxurioso!
E é claro que teríamos que tomar um belo espumante brasileiro, o Casa Perini Moscatel pra comemorarmos a 1º edição do Projeto L. A harmonização do doce do espumante com a pegada dos molhos foi perfeita.
Luís, espero que tenha gostado, pois por aqui, até a D. Lourdes, a sogra do Mingão e mãe da Regina, comeu tudinho!!

Principal – Galinha d’Angola lutte.

Lutte = luta. E esta eu não vi pois a nossa galinha já chegou mortinha e congelada (sim, tinha em Botucatu). Pelo que eu fiquei sabendo, este já não foi o caso do Luís que teve que correr atrás duma penosa e cometer um verdadeiro galinhocídio!

Pique e doure 2 cebolas, a parte branca de um alho poró, 2 cenouras, 3 talos de salsão, …

… 2 folhas de louro, 1 ramo de tomilho, 1 ramo de alecrim, 2 ramos de salsa lisa, 2 ramos de hortelã e 3 dentes de alho numa panela.

Recheie a galinha com parte deste legumes, amarre bem, tempere com sal e pimenta e doure com 10 ml de óleo de canola e 25 g de manteiga. (Por favor, nada de comentários sexuais!)

Retire a galinha. Coloque o restante dos legumes e doure-os profundamente.

Adicione 6 tomates bem maduros, 1 maçã verde picada e 200 ml de vinho branco. Retorne a galinha à panela.

Tampe e vede com o patê morte (200 ml de água, 500 g de farinha de trigo e 1 clara).

Leve ao forno por 45 min a 180ºC e depois abaixe o fogo para 160ºC por mais 15 minutos.
Retire a galinha, coe o caldo e reserve os legumes. Sirva em seguida.

E com uma farofa feita na frigideira com 50 g de bacon em cubos, 1 cebola média cortada em meia-lua, 10 g de manteiga e 2 ovos batidos rapidamente.

Acrescente farinha de mandioca amarela (não, não achei em Botucatu. Usei a branca mesmo) e salteie em fogo baixo até ficar crocante.

Putz! Neste caso o “tô fraco” deveria ser substituído pelo “tô forte, temperada e muito bem cozida”. Uau!

E aí, Luís? A tua também estava assim? Estava uma loucura?

Subvertemos a ordem e não tomamos o vinho que eu usei no molho. Pelo contrário, tomamos um tinto que simplesmente disse: Tô fuerte! Um espanhol Tempranillo Pata Negra 2007. (Não, não consegui o patrocínio do Osmarajá).

Sobremesa – Bolinho da dona Palmyra com sorvete de uísque, chocolate e curry.

Quem foi a D. Palmyra? Não tenho a mínima idéia. Mas sei que o bolo dela é uma delícia, se bem que ele parece mais um pudim do que um bolo.
Bata 450 g de açúcar com 6 gemas até ficarem esbranquiçadas.

Rale 250 g de castanhas-do-Pará. Junte as castanhas à mistura das gemas, em seguida adicione as 6 claras em neve e finalmente, 3 colheres de sopa de farinha de rosca.

Asse esta mistura numa forma de silicone no forno a 170ºC por 13 minutos.

Deixe esfriar e tire da forma (este foi a Dé quem fez).

Já o sorvete é feito(você já fez este, Verena) batendo 6 gemas com 100 de açúcar até esbranquiçar. Ferva 250 ml de creme de leite e 250 ml de leite.

Adicione às gemas mexendo sempre. Retire do fogo, passe por uma peneira, adicione 100 ml dum uísque de boa qualidade e leve à maquina de sorvete (não, eu não levei a Ferrari pra Botucatu! rs)

Finalmente, faça uma calda de chocolate. Aqueça 250 ml de água e dissolva 75g de açúcar.
Adicione 250 g de chocolate de boa qualidade picado e aos poucos e misture bem até que esteja completamente incorporado. Deixe reduzindo em fogo brando, sem ferver, até que reste a metade. Retire do fogo.

Quando estiver em temperatura ambiente, adicione 75 g de manteiga em pomada. Polvilhe uma camada fina de açúcar demerara sobre o bolo e queime levemente com o maçarico (não, não levei o maçarico pra Botucatu. Ficou assim mesmo!)

Cubra o fundo do prato com a calda de chocolate, coloque o bolo e uma quenelle de sorvete de uísque. Finalize com curry polvilhado.

Palmas pra D Palmyra.

E finito!

Este foi o primeiro almoço (que terminou no jantar) referente ao 1º encontro do Projeto L que também foi um DCPVxChef e que foi realizado em Botucatu.
Espero que o Luís Pontes, lá do outro lado do mundo, também tenha gostado e se deleitado com estas receitas tão saborosas/curiosas. E que esta união das “pontes” virtuais tenha sido bem “iluminada”.

Pensando bem, não foi tão por acaso que eu escolhi o ALex AtaLa.

Amplexos pra todos e até o próximo e 2º encontro onde o Luís indicará o menu completo.

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dcpv – provence – treizième jour – a dura e pesada ida pra paris.

16/07/2010

Provence – Treizième Jour – A dura e pesada  ida pra Paris.

Dia de compensações. Enquanto era o nosso último dia em Nice, seria também o nosso primeiro em Paris.

Ou seja, um pouco de tristeza  e muita alegria.

Começamos aproveitando a bruma e dando uma boa andada pela Baie des Anges e pela Promenade des Anglais.

Fomos até Vieux Nice e aproveitamos pra tomar um belo café da manhã, vendo a montagem da feira-livre.

Mais um verdadeiro espetáculo de cores e sabores.

Aí foi voltar pro hotel, verificar o quão estranhas e atraentes são as praias niçoises e fazer a lição de casa.

Buscar a Re no hostel, entregar o carro (ligeiramente batido) na Europcar, nos despedirmos da Maria do GPS e fazer o checkin no aeroporto.

Tudo certo, menos que estouramos feio o peso das malas (7 garrafas de vinho, 5 azeites, um sem número de produtos derivados de lavanda e “n” sabonetes) e tivemos que pagar a maior grana pra Air France.

Conselho de amigo: ou faça um vôo com conexão  (e utilize obrigatoriamente as regras brasileiras de duas malas de 32 kg por pessoa, ou compre o estritamente  necessário pra não passar de 23 kg no único volume a que tem direito. Ou ainda tenha consciência que pagará 100 Euros por estouro. Buuuuum!).

Stress ultrapassado, restou-nos ganhar um tremendo almoço da Air France (um sanduba e uma água) pelo atraso do vôo e aquela dormida reparadora durante o próprio.
Chegamos em Paris e tivemos a plena certeza que foi um acerto dar uma paradinha por lá e melhor, num lugar onde se consegue definir  a sua prioridade.

A nossa seria reencontrar o Marais e turisticamente, ver como Paris é em pleno verão. O cumprimento desta missão ficaria pra amanhã.

Por hoje, sobraram:

1 – Conhecer o hotel Banke, uma belíssima dica da Lina do excelente Conexão Paris, que por estar em soft opening, tinha tarifas altamente vantajosas.

Afinal de contas, pagar 224 Euros de diária num quarto moderno, espaçoso e com sacadas geniais do Philippe Starck é uma verdadeira pechincha.

E o lugar é Starckiano ao extremo!

Demos uma breve passada pelas Galerias Lafayette (com tempo suficiente pra comprarmos a necessária mais uma mala) e fomos nos preparar pro jantar.

2 –  E seria no Jean (mais uma dica da Lina), que é bem próximo do hotel (ambos na região da Ópera).

O proprietário Jean-Frédéric Guidoni tem uma filosofia bastante interessante. Além de só utilizar os ingredientes mais frescos do mercado, ele não trabalha aos finais de semana (sábados e domingos) e na noite de sexta (ou seja, hoje),  faz menus-surpresa.

Escolhemos a fórmula mais simples, o menu du marché (entrada+prato+sobremesa) pra Re e pra Dé e um de 4 pratos pra mim.
O restaurante é bem bonitinho com a perfeita harmonização de tudo e com o ambiente extremamente agradável.

Logo de cara, uns amuses pra nos animar.

Entradinhas pra todos: um queijo de cabra com uma crosta crocante de pão pras meninas …

… e um sopona especial de legumes também crocantes e muito frescos pra mim.

Depois veio o meu prato de peixe, um bacalhau fresco com um molho crocante (de novo) espetacular,…

…. que se repetiria pra Dé (ela adorou!)  e um boeuf pra Re, que estava ao ponto e cheio de frescuras gostosas, como esta tuille crocante (again) de cenouras.

Eu recebi um prato inesperado e que demonstrou o quanto o chef queria nos surpreender: pombo!

E ao ponto. Os Correios não sentiram a falta dele. Estava uma delicia.
Sobremesas repetidas pra Dé e pra Re ( uma salada de frutas vermelhas com sorvete de baunilha ) e uma variação com chocolates pra mim.

Tudo perfeito e recomendo ferozmente pra quem tiver por aqui, experimentar a comida tradicional/de vanguarda (podemos considerá-la assim) do Jean.

Este merece a estrela do Michelin que tem.

3 – Daí pra frente, a sequencia parisiense comum: andar um pouco, conversar sobre a viagem e dormir o sono dos justos já que Paris te proporciona isto.

Ô cidade bacana, sô.

Ah! Só mais um detalhe simpático: o próprio dono do restaurante veio nos trazer uma dose dum conhaque especial de 20 anos.

A família toda agradeceu, bebeu e dormiu bem aquecida!
Saúde, ou melhor, santé!

E amanhã, o último dia da epopéia, fecharemos com chave de ouro!

Au revoir.

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dcpv e nina horta – a moda te faz mudar?

número 270
21/09/10

DCPV e Nina Horta – A moda te faz mudar?

Todo mundo sabe quem é a Nina Horta. Ela escreve bem demais e dificilmente você será o mesmo e/ou ficará indiferente após ler algum texto dela.
Ah! Ela também é sócia do ótimo Buffet Ginger.

Nós aqui em casa a acompanhamos regularmente (somos assinantes da Folha) e toda quinta-feira é praxe lermos e conversarmos sobre o que ela escreveu na coluna dela. Os assuntos são os mais diversos (livros, ingredientes, bichos, sentimentos, cultura, memórias, etc), mas sempre com alguma conotação gastronômica.

Já cansei de pensar em menus que seriam baseados em cada um dos textos (inclusive, já fiz um ). Cansei também de pedir receitas pra ela (através de e-mails), mas ela tem uma teoria de que as receitas existem para serem feitas do jeito que a pessoa gosta. Sem muitas medidas.

Portanto, seguindo este preceito, acabei escolhendo receitas que encaixassem com este texto inédito dela (pelo menos, na Folha).

Vejam se gostam e opinem ao final dele, acrescentando algumas coisas que vocês gostam/gostavam e que sairam de moda!

Vamos lá!

Atenção – Para ler o texto completamente e sem interrupções, siga o que está escrito em azul.

Coisa espantosa. Até outro dia, não podíamos passar sem nossa  dose de uísque antes do jantar. Era a coisa mais comum do mundo e era  uísque mesmo, de verdade. Alguns começaram a gostar de vodca, mas era uma porcentagem pequena. O vinho tem a vantagem de  poder ser bebido e intelectualizado. 

Começamos fazendo o básico: uma bela caipirinha de limão com Absolut Vanilia. A vodka! 

Chegou devagarzinho, com degustações, crônicas nos jornais, revistas,livros, harmonizações, viagens enológicas  e de repente,  tomou conta. Ficou chique entender de  vinhos e chacoalhar o copo como se fôssemos fazer um chantilly !
Vamos e venhamos,  o vinho tem muita história, muito para ensinar, uma coisa sem fim. É bonito.  E um costume que não era nosso fincou pé.
 E os copos?  Sempre os tivemos a vida inteira, mas agora não serviam mais. Há um copo para cada tipo de vinho e infelizmente custam os olhos da cara. Uso os meus velhos com a maior cara de pau. Fazer o quê? Se bem que as mesas ficam muito mais bonitas com os copos de vários tamanhos e cores. Subversão de vez em quando é a solução.

Tomamos dois vinhos nesta noite:

1 – O branco Reguengos 2008 Alentejo (amargo, amaro, DOC – do Orlando compadre, sr Houdine)

2 – O tinto Tempranillo Vega Ibor 2004 (europeu, sopave, barricoso, ajeitadinho)

Costumo achar que aqueles que pararam de tomar o uísque são uns traidores de marca maior. Que tomem pelo menos os dois. Não dá para dispensar o amado só porque apareceu outro em cena cheio de novidades, narizes dentro da taça e cheiros de beterraba com goiaba. Sem contar as frutas vermelhas e o couro. Meu Deus! Donde vem esse couro?
Resolvi limpar um armário, ou melhor, tentar ver se conseguia algum lugar. Síndrome de vida longa e pouco armário. Dei com as panelinhas de fondue. Duas. O formato bem diferente, os espetos, tudo muito interessante.
Será que ainda enfrentamos um fondue? Mesmo com frio, o queijo com pão engorda demais, com carne… huumm…
Deixei de lado para pensar mais  um pouco, só que garanto que os dias de fondue passaram.

Como entrada, resolvi radicalizar e utilizar duas receitas feitas pela minha sogra, a D. Vera e uma pela nossa colaboradora, a Flora.
As da D. Vera foram:  charutinhos de repolho (lembra?) que eu dei uma incrementada com um molho a base de iogurte, creme de leite fresco, curry e azeite.

Ao esquentá-los, optei por grelhá-los bastante numa frigideira.

Ficaram caramelizados e  muito crocantes.

A segunda , pimentões recheados com carne moída (lembra?). Fiz o mesmo que os charutinhos.

Só que neste caso, o molho foi composto de ervas, azeite, mel, vinagre de maçã, pimenta rosa e parmesão em lascas.

Dona Martha Kardos que ensinou mais de uma geração a cozinhar não deixava que perdêssemos a primeira aula onde ela ensinava a fazer um roux como manda o figurino. Se a pessoa não pudesse comparecer à primeira aula, a de molho branco, perdia o ano inteiro porque era uma aula básica. Dramatizada por ela e com mais uma gotinha de limão, inclinava a cabeça para o lado, provava, juntava uma pitadinha de açúcar, um pouco de noz moscada e para não empelotar aprendíamos a usar o batedor, o whisk (lembra dele?) , numa velocidade alucinante nos primeiros minutos. Musculação pura!

Já a da Flora é um dos clássicos aqui de casa. 7 grãos cozidos al dente e muito bem temperados.

Delícia!

E o prato todo também arrancou suspiros dos presentes.

Comida de sustância!

Claro, não dá para matar o molho branco, mas desertou de muitos  pratos, de quase todos e quando aparece deixaria Martha muito irritada e triste, com gosto de cru, de maisena ou de farinha. Insosso.

Como principal, optei por mais especialidades “florísticas”.

Bife à milanesa, …

… creme de espinafre …

… e um tremendo arroz à grega.

Prato das antigas, fora de m0da e espetacular!

E somos mesmo muito infiéis. Nunca pensei que um dia deixaria de escrever cartas. Cheguei a ser vítima de zombarias. Diziam:  parece Freud; o último que escreveu cartas antes de você foi Freud.
Realmente, achava impossível dar pêsames por email. Pois já dou. Fico me achando aparvalhada se pegar uma caneta, encher de tinta, escrever três  páginas e o pior é pegar o carro, ir ao Correio, lamber os selos… Muita loucura e lábios colados.
Quando compro alguma coisa na Ebay inglesa geralmente recebo uma  carta perfumada de alguma velhinha , de um condado perdido, com aquela letra bonita e típica, pedindo que eu tome conta com carinho da mercadoria dela, etc e tal. Até desconfio, imagino um inglesão bigodudo se fingindo de velhinha para me enganar e fazer com que meu coração me obrigue a comprar naquele lugar
.

Sobremesa – A Dé entrou em ação. Uma fantástica torta de limão.

Cremosa e flutuava dentro da boca!

Não precisa nem dizer que acompanhamos com um anisete da D Anina. Afinal de contas, era uma noite de clássicos.

No outro dia um cliente do buffet  pediu um coquetel para mil pessoas.
Pensei em esquecer esta história de coquetel enorme. Está frio, a premiação acaba bem tarde, quem sabe não prefeririam uma boa canja  com pão quente e só? O quê? Quase perdi o cliente, achou que eu tinha  enlouquecido de um ano para o outro.
E parece que tinha razão, porque  de teimosa incluí no cardápio uma sopinha de caneca que foi majestosamente ignorada. Esqueceram da canja.
Nem ligo muito porque  também não gosto, nunca achei graça em canja, mas cautela e ela …
Nina Horta.

Pronto!

Noite terminada. E sinceramente as coisas podem entrar e sair de moda, mas as boas e as, principalmente com boas lembranças, permanecerão por séculos. Cabe a nós preservarmos estes costumes e neste caso, comê-las sempre!

Eis a opinião dos eternos saudosistas (alguém pode me dizer porque o dadinho de amendoim diminuiu de tamanho? E a paçoquinha? E o Chicabon? E porque mexeram no sabor da Coca?):
Esquecemos da farofa da D Anina. E do bolinho de arroz da Dé. E da escabeche da D Vera. E da … (Edu)
Básico, sustancioso e perfeito. (Mingao)
To esperando as “fartura” que “fartaram” hoje, mas as 
que vieram, deram conta. (Déo) 

Inté !

dcpv – a drix é do peru.

número 265
28/09/10

A Drix é do Peru.

A Adriana, a Drix é uma fervorosa fã  do Verdemar, uma rede de sex shops de BH. E eles editam uma excelente revista.
Vira e mexe, ela nos envia exemplares delas contendo muitas matérias interessantes e acompanhadas de ótimas receitas e fotos.

A Dé sempre dá uma bela observada nelas, as revistas, pois este tipo de material é um dos sonhos de consumo da nossa diretora de marketing, ela mesmo!

Este exemplar, o de nº 20, já tinha aportado aqui em casa há um tempão e versava sobre o Peru. Intitulava-se “Surpreenda-se, Peru Especial – ceviche+pisco+Machu Picchu+abacate” e, como coincidentemente a Drix tem uma “certa” veia peruana, ele ficou guardado pra ser usado em algum momento de recaída inca (a nossa viagem pra lá ainda é lembrada através das várias experiências pra lá de gastronômicas).

Juntando tudo isso, formou-se o menu desta noite.
Eu aproveitei pra desestereotipar a comida peruana dos famosos ceviches, lomos saltados, causas, suspiros limeños e até dos Pisco Sour.

Portanto, prepare-se pra conhecer bem mais da gastronomia que está invadindo o mundo.

Adelante!

Bebidinha – Sky Blue (nome tipicamente peruano!! Não poderia se chamar Cielito Azul?)

Um belo coquetel com o sabor forte do Pisco.

Bata 1 dose de Pisco, 1 de suco de laranja, 1 toque de suco de limão e gelo. Despeje numa taça de martini, adicione 1/2 dose de curaçao blue e 1 lance de groselha. O “lance” é fazer com que a groselha se deposite no fundo da taça.

Entradas Salada de abacate, tomate e aipo; Taça criolla e  Conchas a la parmesana

As duas primeiras são variações do mesmo tema: o abacate.

A salada é simples demais. Basta misturar um talo de salsão picado, 1/2 abacate maduro em cubos, tomatinhos-cereja a gosto, 2 colheres de pistache numa saladeira e temperar com azeite, sal, limão e um toque de orégano.

É extremamente refrescante e saborosa.

Já a Taça Criolla é um pouco mais trabalhosa, mas vale o esforço.
Comece fazendo o creme de pimentão: tire a pele e a semente de 2 pimentões amarelos (coloque-os no forno e envoltos em papel-alumínio) e bata no liquidificador com 1/2 pimenta dedo-de-moça, 200 ml de caldo de carne e sal.

Corte 1 abacate em cubos médios.
Faça um vinagrete com 1/2 cebola roxa picada, 1 pimentão amarelo em cubos, azeite, caldo de limão, hortelã e coentro picados. Tempere com sal.

Aí é só montar: distribua o creme no fundo dos copos.

Coloque os cubos de abacate e cubra com o vinagrete.

Pra melhorar ainda mais, salpique amendoim torrado e coloque uma pimenta biquinho pra dar uma colorida. Fantástico! Todos precisamos aprender a usar melhor o abacate.

Finalizando o início, as conchas.  Que nada mais são do que vieiras (eu e a Dé adoramos vieiras).
Elas são marinadas com sal, molho inglês e vinho branco. Depois, colocadas cada uma numa colher de porcelana , cobertas com parmesão ralado e levadas ao forno pra gratinar.

A sensação de comê-las numa colherada só é indescritível. Experimente!(Drix, esta o Carlos vai adorar).

O conjunto todo se mostrou harmonioso e não tinha como não limpar o prato com o pão italiano que a Dé nos ofereceu.

Up-grade? Sim, com o vinho branco Chardonnay Sibaris Undurraga 2008 Chile que  foi “festivo, suspiro limeño, cilibrino, frutal” segundo os usuários de poncho e conga, nós mesmos.

Principal – Cerdo com Algorrobina (mais conhecido como lombo de porco com maple syrup).

Outra receita facílima e surpreendente.
Corte um belo lombo em fatias e tempere com sal e pimenta. Cuide pra que ele não tenha muita gordura. Doure-os numa frigideira quente com azeite de oliva.

Acrescente pisco e flambe. É claro que chamei quem estava presente pra ver o espetáculo pirotécnico!
Retire a carne e agregue maple syrup, caldo de legumes e deixe reduzir.

Adicione creme de leite e misture. Tempere com um pouco de canela em pó!

Pra acompanhar, um arrozinho Basmati básico com um pouco de pimentão amarelo picado. Vamos chamá-lo de Lisoto Luz!

Prataço! E o lombo fica com aparência de quem fez bronzeamento artificial.

Sabores inconfundíveis e hermosos.

Já a harmonização não funcionou muito (amargo, avesso do avesso,  caozesco, swerdine). O tinto Cabernet Sauvignon Sibaris 2008 Undurraga era muito áspero pra suavidade desta carne.

Sobremesa – Creme de abacate com cassis.

Sim , é uma variação do manjado creme de papaia, famoso nas “parrillas brasileñas”.
E no nosso caso, a variação foi maior ainda pois eu não tinha Licor de Cassis em casa.

A solução foi improvisar. Portanto, fiz o creme batendo 1 abacate maduro, 4 bolas de sorvete de creme e leite condensado a vontade.

E descemos os 3 (a Dé já tinha se recolhido) pra escolher qual licor combinaria mais com o creme.

Eu escolhi o Monin Granny Smith. Ficou bonito e bem saboroso.

O Déo escolheu um legítimo Licor de Jenipapo Crioulo. Ficou bonito e não muito saboroso.

O Mingão escolheu o Baileys. Ficou não muito bonito e não muito gostoso. rs
Prometo que da próxima vez compro o Licor de Cassis.

Leia a opinião dos incas não-venuzianos:

É du Pirú? É do Peru! Hermoso! (Edu)
Que Gaston que nada! Grande Edu! (Mingão)
Astecamente delicioso. (Deo)

Todos sabemos que o Peru é o país da moda, especialmente no binômio gastronomia/turismo.
Ingredientes diferentes, misturas inusitadas e acima de tudo, uma comida saborosa e marcante que integram o caldeirão desta cultura. 

Basta a nós aprendermos com eles e sabermos utilizar com sabedoria aquilo que a mãe natureza nos propicia.
Quem sabe logo, logo não estejamos escrevendo sobre os segredos (ainda pra nós) que a Amazônia, o Cerrado, os Pampas e até o nosso quintal escondem!

Adiós.

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