Arquivo para 4 de outubro de 2010

dcpv – a festa de babette by simon. nós íamos perder?

BSB

A festa de Babette by Simon. Nós íamos perder?

“Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado. Sabia disso Babette, artista que conhecia os segredos de produzir alegria pela comida. Ela sabia que, depois de comer, as pessoas não permanecem as mesmas. Coisas mágicas acontecem. E desconfiavam disso os endurecidos moradores daquela aldeola, que tinham medo de comer do banquete que Babette lhes preparara. Achavam que ela era uma bruxa e que o banquete era um ritual de feitiçaria. No que eles estavam certos. Que era feitiçaria, era mesmo. Só que não do tipo que eles imaginavam. Achavam que Babette iria por suas almas a perder. Não iriam para o céu. De fato, a feitiçaria aconteceu: sopa de tartaruga, cailles au sarcophage, vinhos maravilhosos, o prazer amaciando os sentimentos e pensamentos, as durezas e rugas do corpo sendo alisadas pelo paladar, as máscaras caindo, os rostos endurecidos ficando bonitos pelo riso, in vino veritas… Está tudo no filme A Festa de Babette. Terminado o banquete, já na rua, eles se dão as mãos numa grande roda e cantam como crianças… Perceberam, de repente, que o céu não se encontra depois que se morre. Ele acontece em raros momentos de magia e encantamento, quando a máscara-armadura que cobre o nosso rosto cai e nos tornamos crianças de novo. Bom seria se a magia da Festa de Babette pudesse ser repetida… ” (Ruben Alves).
O texto acima foi publicado no jornal “Correio Popular”, Campinas(SP)”

O Simon Lau (chef do restaurante Aquavit de Brasilia) pesquisou muito para fazer o célebre jantar de Babette .
E a proposta é aparentemente muito simples: assiste-se ao filme e, na seqüência,ele reproduz o jantar. Pensei: vale o bate-volta no lago norte. Afinal de contas, é ali mesmo! rsrs Essa nós não perderíamos.
E não perdemos!
Aquavit fica em um belíssimo recanto do setor de mansões do lago norte de Brasilia, com vista privilegiada para o Planalto. Fiz a nossa reserva e fui informado de que poderíamos chegar às 19:00 para o filme ou às 21:00 para o jantar. Cronometrei para chegar às 20:30 no exato momento em que Babette começa o serviço do jantar (no filme, claro!).

Ainda bem que o Simon não exigiu que fossemos a caráter!
Fomos recebidos com champagne e sumo de mexerica cravo, muitos pães feitos por ele mesmo, patês, manteiga trufada e um “perfume” rasante atravessando a sala.
Terminada a sessão e com cada um nos seus marcados lugares, o Simon começou a explicar como seria o menu.

Como entrada, a famosa sopa de tartaruga, a verdadeira .

Ele foi buscar uma receita já desaparecida do século XIX . As nossas tartarugas eram todas aprovadas pelo Ibama, garantiu o chef, que inovou ao introduzir (ôpa) uns ovinhos de codorna inexistentes na receita original.
Perfume de cravo e canela, muitas especiarias que aquecem a alma e acendem o paladar.
Tudo acompanhado de um Jerez Amontillado 12 años El Maestro Sierra, espanhol. Amontilladíssimo segundo os enólogos de plantão, nós mesmos.
Na sequência, um Blinis Demidoff com smetana e caviar de salmão acompanhado de champagne Veuve Clicquot Ponsardin Brut.
Reclamamos muito já que o champagne do filme era safra 1868 e o nosso um pouquinho mais novo. 🙂
Simon trouxe o caviar de salmão diretamente da sua recente viagem. As bolinhas explodiram com perfeição!

O prato principal foi uma atração à parte: Cailles em Sarcophage. Em outras palavras: codornas recheadas com trufas de verão e foie gras deitada sobre massa folhada. Ou seja, era a própria penosa num sarcófago!! rs
Explicação: a massa folhada era do Guillaume (La Boulangerie), pois o Simon fez questão de dizer que eram as melhores do pedaço. E eram mesmo.

No filme, o General começa pela cabecinha da codorna. Como a crocância estava perfeita, fiz como ele e sob os protestos da Lu.
Para acompanhar, um Crozes Hermitage 2007, que foi, de fato, a companhia perfeita!

Não, a foto não está turva. É que tudo estava tão bom que mais parecia um sonho!! rs
Antes da sobremesa, um descansinho: um Assiette de Fromages com vinho do Porto Graham’s Six Grapes.

 O Simon também trouxe  este queijos da sua última viagem. Lembrei de como trouxemos os nossos e do efeito do cheiro deles na mala! rs
Para fechar, o Baba au Rum com frutas secas e um Sauternes Chateaux Gravas 2006 (Sauternes este de grande lembrança! rs)
Sem esquecer que ele usou a baunilha do cerrado pra dar um toque especial à sobremesa.

Nessa altura já estávamos dançando com os novos velhos amigos comensais.
Mas ainda não tinha acabado (lembra do filme?). Café torrado naquela tarde e moído pouco antes de ser coado com  madeleines para acompanhar.

O céu estava estrelado (será que estava mesmo?) e saímos de lá entoando ciranda-cirandinha
 “Terminado o banquete, já na rua, eles se dão as mãos numa grande roda e cantam como crianças…”

Não é a toa que o homem ganhou a estrela de melhor chef do ano do Guia Quatro Rodas !

PS – Os personagens desse banquete podem parecer quem não são, mas a festa aconteceu mesmo e foi um espetáculo!

Nota de esclarecimento – infelizmente, não estivemos (eu e a Dé) neste magnífico jantar. O Eymard nos convidou, mas não tivemos como dar “um pulinho” em Brasília. 
Portanto, o relato e as fotos foram feitos totalmente pela Lourdes e pelo Eymard e melhor pra eles, a degustação também. 🙂

Às trufas!

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