Arquivo para 14 de outubro de 2010

dcpv e nina horta – a moda te faz mudar?

número 270
21/09/10

DCPV e Nina Horta – A moda te faz mudar?

Todo mundo sabe quem é a Nina Horta. Ela escreve bem demais e dificilmente você será o mesmo e/ou ficará indiferente após ler algum texto dela.
Ah! Ela também é sócia do ótimo Buffet Ginger.

Nós aqui em casa a acompanhamos regularmente (somos assinantes da Folha) e toda quinta-feira é praxe lermos e conversarmos sobre o que ela escreveu na coluna dela. Os assuntos são os mais diversos (livros, ingredientes, bichos, sentimentos, cultura, memórias, etc), mas sempre com alguma conotação gastronômica.

Já cansei de pensar em menus que seriam baseados em cada um dos textos (inclusive, já fiz um ). Cansei também de pedir receitas pra ela (através de e-mails), mas ela tem uma teoria de que as receitas existem para serem feitas do jeito que a pessoa gosta. Sem muitas medidas.

Portanto, seguindo este preceito, acabei escolhendo receitas que encaixassem com este texto inédito dela (pelo menos, na Folha).

Vejam se gostam e opinem ao final dele, acrescentando algumas coisas que vocês gostam/gostavam e que sairam de moda!

Vamos lá!

Atenção – Para ler o texto completamente e sem interrupções, siga o que está escrito em azul.

Coisa espantosa. Até outro dia, não podíamos passar sem nossa  dose de uísque antes do jantar. Era a coisa mais comum do mundo e era  uísque mesmo, de verdade. Alguns começaram a gostar de vodca, mas era uma porcentagem pequena. O vinho tem a vantagem de  poder ser bebido e intelectualizado. 

Começamos fazendo o básico: uma bela caipirinha de limão com Absolut Vanilia. A vodka! 

Chegou devagarzinho, com degustações, crônicas nos jornais, revistas,livros, harmonizações, viagens enológicas  e de repente,  tomou conta. Ficou chique entender de  vinhos e chacoalhar o copo como se fôssemos fazer um chantilly !
Vamos e venhamos,  o vinho tem muita história, muito para ensinar, uma coisa sem fim. É bonito.  E um costume que não era nosso fincou pé.
 E os copos?  Sempre os tivemos a vida inteira, mas agora não serviam mais. Há um copo para cada tipo de vinho e infelizmente custam os olhos da cara. Uso os meus velhos com a maior cara de pau. Fazer o quê? Se bem que as mesas ficam muito mais bonitas com os copos de vários tamanhos e cores. Subversão de vez em quando é a solução.

Tomamos dois vinhos nesta noite:

1 – O branco Reguengos 2008 Alentejo (amargo, amaro, DOC – do Orlando compadre, sr Houdine)

2 – O tinto Tempranillo Vega Ibor 2004 (europeu, sopave, barricoso, ajeitadinho)

Costumo achar que aqueles que pararam de tomar o uísque são uns traidores de marca maior. Que tomem pelo menos os dois. Não dá para dispensar o amado só porque apareceu outro em cena cheio de novidades, narizes dentro da taça e cheiros de beterraba com goiaba. Sem contar as frutas vermelhas e o couro. Meu Deus! Donde vem esse couro?
Resolvi limpar um armário, ou melhor, tentar ver se conseguia algum lugar. Síndrome de vida longa e pouco armário. Dei com as panelinhas de fondue. Duas. O formato bem diferente, os espetos, tudo muito interessante.
Será que ainda enfrentamos um fondue? Mesmo com frio, o queijo com pão engorda demais, com carne… huumm…
Deixei de lado para pensar mais  um pouco, só que garanto que os dias de fondue passaram.

Como entrada, resolvi radicalizar e utilizar duas receitas feitas pela minha sogra, a D. Vera e uma pela nossa colaboradora, a Flora.
As da D. Vera foram:  charutinhos de repolho (lembra?) que eu dei uma incrementada com um molho a base de iogurte, creme de leite fresco, curry e azeite.

Ao esquentá-los, optei por grelhá-los bastante numa frigideira.

Ficaram caramelizados e  muito crocantes.

A segunda , pimentões recheados com carne moída (lembra?). Fiz o mesmo que os charutinhos.

Só que neste caso, o molho foi composto de ervas, azeite, mel, vinagre de maçã, pimenta rosa e parmesão em lascas.

Dona Martha Kardos que ensinou mais de uma geração a cozinhar não deixava que perdêssemos a primeira aula onde ela ensinava a fazer um roux como manda o figurino. Se a pessoa não pudesse comparecer à primeira aula, a de molho branco, perdia o ano inteiro porque era uma aula básica. Dramatizada por ela e com mais uma gotinha de limão, inclinava a cabeça para o lado, provava, juntava uma pitadinha de açúcar, um pouco de noz moscada e para não empelotar aprendíamos a usar o batedor, o whisk (lembra dele?) , numa velocidade alucinante nos primeiros minutos. Musculação pura!

Já a da Flora é um dos clássicos aqui de casa. 7 grãos cozidos al dente e muito bem temperados.

Delícia!

E o prato todo também arrancou suspiros dos presentes.

Comida de sustância!

Claro, não dá para matar o molho branco, mas desertou de muitos  pratos, de quase todos e quando aparece deixaria Martha muito irritada e triste, com gosto de cru, de maisena ou de farinha. Insosso.

Como principal, optei por mais especialidades “florísticas”.

Bife à milanesa, …

… creme de espinafre …

… e um tremendo arroz à grega.

Prato das antigas, fora de m0da e espetacular!

E somos mesmo muito infiéis. Nunca pensei que um dia deixaria de escrever cartas. Cheguei a ser vítima de zombarias. Diziam:  parece Freud; o último que escreveu cartas antes de você foi Freud.
Realmente, achava impossível dar pêsames por email. Pois já dou. Fico me achando aparvalhada se pegar uma caneta, encher de tinta, escrever três  páginas e o pior é pegar o carro, ir ao Correio, lamber os selos… Muita loucura e lábios colados.
Quando compro alguma coisa na Ebay inglesa geralmente recebo uma  carta perfumada de alguma velhinha , de um condado perdido, com aquela letra bonita e típica, pedindo que eu tome conta com carinho da mercadoria dela, etc e tal. Até desconfio, imagino um inglesão bigodudo se fingindo de velhinha para me enganar e fazer com que meu coração me obrigue a comprar naquele lugar
.

Sobremesa – A Dé entrou em ação. Uma fantástica torta de limão.

Cremosa e flutuava dentro da boca!

Não precisa nem dizer que acompanhamos com um anisete da D Anina. Afinal de contas, era uma noite de clássicos.

No outro dia um cliente do buffet  pediu um coquetel para mil pessoas.
Pensei em esquecer esta história de coquetel enorme. Está frio, a premiação acaba bem tarde, quem sabe não prefeririam uma boa canja  com pão quente e só? O quê? Quase perdi o cliente, achou que eu tinha  enlouquecido de um ano para o outro.
E parece que tinha razão, porque  de teimosa incluí no cardápio uma sopinha de caneca que foi majestosamente ignorada. Esqueceram da canja.
Nem ligo muito porque  também não gosto, nunca achei graça em canja, mas cautela e ela …
Nina Horta.

Pronto!

Noite terminada. E sinceramente as coisas podem entrar e sair de moda, mas as boas e as, principalmente com boas lembranças, permanecerão por séculos. Cabe a nós preservarmos estes costumes e neste caso, comê-las sempre!

Eis a opinião dos eternos saudosistas (alguém pode me dizer porque o dadinho de amendoim diminuiu de tamanho? E a paçoquinha? E o Chicabon? E porque mexeram no sabor da Coca?):
Esquecemos da farofa da D Anina. E do bolinho de arroz da Dé. E da escabeche da D Vera. E da … (Edu)
Básico, sustancioso e perfeito. (Mingao)
To esperando as “fartura” que “fartaram” hoje, mas as 
que vieram, deram conta. (Déo) 

Inté !

Anúncios

É só inserir o seu email, clicar no botão "Seguir" e a cada novo post publicado aqui, você receberá uma mensagem com o link. É fácil, qualquer criança brinca, qualquer criança se diverte! :)

Junte-se a 658 outros seguidores

Posts recentes

Comentários

Blog Stats

  • 1.425.745 hits
outubro 2010
S T Q Q S S D
« set   nov »
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Arquivos

Atualizações Twitter

Anúncios