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dcpv – da cachaça pro vinho – isto é que é um projeto: o l.

número 275
23/11/10

dcpv – Isto é que é um projeto: o L

Detalhamento das Ações de Marketing – Tema Estratégico: 2º Encontro do Projeto L

Objetivo Estratégico: Fazer contatos com gente da melhor qualidade (no caso, o Luís Pontes, proprietário do blog Outras Comidas).

Ação Estratégica:  Transformar os nossos blogs em lugares de experimento de boa gastronomia e de amizade.

Ação de marketing: Vender os dois blogs por U$1000000 cada um. 🙂 Atenção: só aceitamos propostas conjuntas e em espécie (claúsula drag along).

Tema: EtiL2 

Ementa: Autoria do Luís Pontes

Chouriço português flambé em cachaça 

Garnizé estufado em Porto

Peras bêbedas em pudim etilizado, com borrachão para enxugar (dcpv) 

                             

Código da Ação: 2º do L     

       

Descrição: O projeto L é um upgrade do finado Projeto Y. Nele, dois malucos gastronômicos, eu e o Luís, vamos propor ad infinitum e alternadamente, menus com os mais variados temas e as mais variadas interpretações pra que os dois os façam em suas casas (o Luís é português) e depois postem sobre as suas verdadeiras impressões.     

Período : 23/11/10

Horário: das 20:00 hs as 24:00 hs

Turmas: uma só com 4 pessoas (a Dé, eu, o Mingão e o Déo).
Tipo de ação:  comer, beber, conversar e dar risadas. 

Local:  cozinha do dcpv, na grande Ferraz de Vasconcelos.
Atividades:  pesquisar, comprar (no sex shop), cortar, cozinhar, marinar, assar, decorar, comer e beber.

Material: Todo o existente no local, inclusive pratos e coisinhas da D. Dé.
Pessoal: Dé (decoração e fotos), eu (cozinhando, comendo, escrevendo e editando), Flora e Cleide ( no mise en place), Déo e Mingão (fritando e comendo).

Inscrição:  Por enquanto fechadas já que os títulos remidos do dcpv estão esgotados e os atuais proprietários não os vendem em hipótese alguma.

Receitas:  

Entrada  – Chouriço português flambé em Cachaça 

Ingredientes (por pessoa) : 
3 rodelas de chouriço português, preferencialmente DOP Alentejo
1 colher de sopa de cachaça (48º) + 1 colher de sopa de álcool alimentar (90º) ou 2 colheres de sopa de cachaça de 60º
3 aros de cebola crocante
1 tira de polenta de milho amarelo, frita como palito de batata grosso

Preparação: Disponha as rodelas de chouriço ao alto, num pequeno recipiente de cerâmica, côncavo, previamente bem aquecido no forno.
Coloque este pequeno recipiente no prato de servir e guarneça com  a cebola crocante e o palito de polenta frita. Ao apresentar, regar o chouriço com a cachaça e acender.

Prato –  Garnizé estufado em Porto 

Ingredientes (por pessoa) : 
1 garnizé de 300g ou, na falta, 1 frangaínho do mesmo peso
3 échalottes
10/12 bagos de uva fresca
10/12 castanhas
1 dl de vinho do porto, branco-seco + 1dl de vinho do Porto, Tawny
1 colher de sopa de manteiga clarificada
sal marinho e pimenta da Jamaica em grão
salsa.

Preparação:
Deixe de véspera os garnizés mergulhados numa salmoura feita com 1 litro de água, 2 colheres de sopa de sal marinho (não iodado), 1 colher de sobremesa de pimenta (do reino) em grão e sumo e casca de 6 limas.
Escorra e seque as aves. Doure-as em manteiga clarificada por todos os lados, em lume forte. Junte então as échalottes finamente cortadas, a pimenta da Jamaica, o sal e os vinhos do Porto e leve a lume forte por cerca de 20m, destapado, de modo a reduzir o volume de liquido a metade.
Retire as aves do vinho e coloque-as numa assadeira, encha a cavidade com as uvas e disponha as castanhas, que devem estar já peladas, à volta.
Leve a 175ºC por cerca de 20 minutos ou até as castanhas estarem bem assadas. Durante esse tempo reduza o Porto onde cozeu as aves até este ter uma consistência xaroposa. Verifique e retifique os temperos do molho.
Sirva uma ave por pessoa com as castanhas e a redução vínica, polvilhada com salsa picada.

Sobremesa Peras bêbedas em pudim etilizado, com borrachão para enxugar (dcpv)

Ingredientes: 
Para as Peras bêbedas peras pequenas, vinho tinto, açúcar, canela em pau, cravinho.
Para o Pudim etilizado 1 lata de leite condensado, 1 “lata” de ovos, 1 “lata” de Porto tawny (ou cachaça, ou rum, ou whisky, ou…), açúcar para caramelizar a forma.
Para o Borrachão – 1 medida de azeite virgem, 1 medida de óleo, 1 medida de vinho branco, 1 medida de aguardente branca (cachaça), 2 medidas de açúcar, 1 pitada de canela em pó, ovo batido, farinha com fermento químico, q.b.

Preparação:
Descasque as peras sem as partir e coza-as em vinho tinto adoçado com açúcar e temperado com canela e um toque de cravinho. Deixe arrefecer os frutos imersos na calda de modo a ficarem tingidos em profundidade.
Misture duas medidas de calda com uma medida de Porto ruby e reduza até obter uma consistência francamente xaroposa. Reserve.
Vaze uma lata de leite condensado para uma tigela e use a lata vazia para medir os ovos e o álcool escolhido. Misture bem e coza em forno a 150º C em banho-maria, em formas individuais caramelizadas.
Para os borrachões use uma medida pequena. Misture todos os ingredientes e por fim a farinha até obter uma massa que se possa tender.
Estenda com a espessura de um lápis, corte em palitos com uma carretilha e coza até estarem louros em tabuleiro untado, pincelados com ovo.

Montagem – Monte de forma combinada pêra(s) e pudim e ligue com a redução de vinho e Porto. Acompanha com um palito de borrachão.   

Bebidas – 

Vinho tinto Cabernet Sauvignon/Touriga Nacional Terras d’Alter 2008 Portugal – provinho, lapidar, lunalter, #?*” bom.

Vinho tinto  Trincadeira Aldeia dos Pegões 2006 Portugal – caramelado, locupletado, pegador, #?*”bom. 

Divulgação: dcpv e Outras Comidas .

Meios de Apoio – Nossos leitores.

Descrição de tudo: foi um verdadeiro espetáculo este menu. O Luís não exagerou na quantidade dos pratos e teve uma bossa diferente ao propor a entrada como se fosse um pratão botecal.

Afinal de contas, palitos de polenta (italiana), cebola empanada (com tempurá) e um pedaço de chouriço português (na verdade, usei um salamão espanhol) embebido em cachaça e depois devidamente incendiado foi uma grande sacada. A Dé ameaçou parar por aqui de tanto que ela gostou.

Além de que a ideia toda do menu foi genial: ele foi intitulado dcpv porque, obviamente, as receitas foram da cachaça pro vinho! rs

Já o frangaínho (adorei esta palavra!), estava tão macio que quase derreteu no momento em que o parti ao meio. Dei também uma pequena inventada no acompanhamento pois não tinha castanhas suficientes. Mas as amêndoas ficaram bem crocantes e deram conta do recado.

Já a sobremesa foi um caso a parte, um verdadeiro dcpv. Ou melhor, um verdadeiro Do Pudim de Cachaça pra Pera com Vinho.
Incluindo o tal borrachão que mais parece um grissini de biscoito maria!

Opinião dos contratantes –

Do vinho pra cachaça. Perfeito! Luxurioso! (Edu)
Luis “bestial” Pontes. (Mingão)
Por mares … ah … perfeitos Luís/Du. (Déo).

Até o próximo e terceiro encontro do  projeto L (a proposta do menu será por minha conta).

Amplexos, Luís.

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dcpv – da cachaça pro vinho – experiência peruana na La Mar

22/11/10
cucurrucucu, ceviche!

dcpv – Experiência Peruana na La Mar

Uma caravana de chefes brasileiros foi ao Peru recentemente por ocasião da Mistura, uma feira que visa divulgar a gastronomia peruana, uma das mais inusitadas do atual cenário mundial.

Não precisa nem dizer que tem a mão do Gaston Acurio nesta história já que ele é o bigboss por lá.
É claro que esta visita além de atualizar tecnicamente todas estas feras da cozinha também geraria uma bela confraria e um provável encontro bacana.
Daí surgiu o “Experiência Peruana“, um jantar onde cada um deles mostraria um prato com a sua visão e interpretação da culinária inca e com um cunho assistencial em favor da AACD .

Ficamos sabendo de tudo através do amigão Flavio Federico (da excelente Sódoces) e deixamos anotado na agenda.
Dia 22/11 (uma segunda!) as 20:30 hs, na Cebicheria La Mar.

E lá fomos nós em plena segundona, fazer o trajeto grande Ferraz de Vasconcelos/Capital. Adivinhe se não choveu muito e colaboramos com o maior congestionamento do ano em SP?
Após 4 hs no trânsito, finalmente chegamos (a Re, a Dé e eu).
Ou seja, estávamos atrasados 1,5 horas e por sorte, a tempo de aproveitar tudo, já que todo mundo sentiu o trânsito pesado.

Apresentações feitas, estávamos numa mesa com a amigona Ângela (esposa do Flávio), com o André Razuk (uma cara extremamente agradável e um grande papo além de ser o responsável por fazer os dólmãs de todos os grandes chefes de SP, Acho que vou comprar um dele! rs) e, por incrível que pareça e especialmente pra mim, o Sr (prometo que é a última vez que chamo de Sr) Ennio Federico, o pai do Flávio e um dos meus ídolos jornalísticos/enolíticos.

Ainda lembro dos áureos tempos do JT onde eu lia artigos muito bem escritos pelo Ennio e regularmente versando sobre vinhos e gastronomia. E isto há mais de 30 anos.
O homem sempre foi um precursor das grandes ondas e amante das coisas boas da vida.
Refeito do prazer de jantar com pessoas tão agradáveis, começou efetivamente o tour peruano.

Iniciamos com um prato do Tsuyoshi Murakami (Kinoshita), um Sunomono de Ceviche com perfume de wasabi fresco, yuzu e shisso.

Foi uma instigante mistura do tradicional ceviche com traços da culinária japonesa. Esperado, vindo do Murakami e muito saboroso como a maioria dos bons ceviches.
Logo após um ceviche de vieiras com tamarilo e esfera de aji amarelo e ouriço, um prato da Bel Coelho (dui).

Bonito, gostoso, moderno (vide a esfera) e com a utilização da vieira, uma covardia. Espetacular.
Próximo prato: peixe (e a Re, surpreendentemente comendo tudo!). Um mil folhas de palmito pupunha com tiradito de pargo, mousse de haddock e vinagrete de limão siciliano feito pelo Thomas Troisgros (66 bistrô). É claro que o indefectível caviar de tapioca estava por lá.

Estes 3 primeiros pratos foram harmonizados com um vinho branco alemão, o Fritz Haag Riesling Trocken que foi bem com tudo (inclusive com a ilustre concordância do Ennio).
A conversa estava cada vez melhor (imagine saber do Ennio o que são exatamente os puttonyos dos Tokaji?) e chegou o atum com coentro, pimentões e cebola do roxa do Raphael Despirite (Marcel).

Talvez tenha sido, por incrível que pareça, o prato mais peruano da noite. Suave e com um leite de tigre de se tomar com colher.
Intervalo! E nada melhor do que alguma coisinha pra limpar as papilas gustativas. Uma raspadinha de uvaia com pisco, feita pelo Flávio Federico. Foi o suficiente pra recarregarmos todas as baterias.

E lá veio um nhoque de batata e maiz morado em molho de panca-tomate e huacatay feito pelo anfitrião, o Fábio Barbosa (La Mar).  Prato bonito, mas um pouco, digamos, pesado pro meu gosto. A Re e a Dé adoraram.

Estes três pratos foram harmonizados com um tinto Leyda Pinot Noir Reserva que por unanimidade foi considerado fraquinho e um tanto quanto sem graça.
Frango? Também teve e um galeto marinado em cascas de limão, aji e coentro em grãos, acompanhado de bolinhos grelhados de batata e milho da Renata Braune (Chef Rouge).

Foi o prato menos gostoso da noite (de novo pro meu gosto, já que não sou muito franguístico). Se fosse servido sozinho numa refeição, acho que faria sucesso, mas com este padrão de comparação.
Ufa! Chegou a vez do Henrique Fogaça (Sal). Costela de porco assada com pisco em baixa temperatura ao chutney de manga e aji com broto de salsão.

Costelinha gordinha e desmanchando na boca, chutney com um sabor agridoce perfeito e o conjunto da obra mereceu aplausos.
Adivinhem se a Dé não jogou a dela pra mim? E adivinhem se eu não comi?
O final da parte salgada seria do Rodrigo Oliveira (Mocotó) e com uma especialidade dele, uma carne de panela à moda de Cuzco com purê de fava amarela e pimenta de bico. O André disse: é o melhor da noite e eu estava quase concordando quando o Ennio frisou: não tá um pouquinho salgada? E estava mesmo (ah! estes especialistas).

O Santa Rita Medalla Real Cabernet Sauvignon era bem melhor que o vinho anterior. Harmonizou bem com os pratos mais pesados.
As sobremesas (é isto mesmo, no plural) também estavam por vir. Flávião estava montando tudo como num balé.

A primeira foi pastel de choclo com compota de chirimoya, araticum, rapadura e algarrobina. Tudo excelente e com um belíssimo destaque pra bala de rapadura que é pra comprar no Sódoces e guardar no cofre. rs

Mais uma, a última, uma torta de lúcuma com coco e figos ao porto. Perfeita com o creme de lúcuma bem particular e os figos caramelizados e muito gostosos.
A Dé que é uma figóloga ululante aprovou. Harmonizou perfeitamente com o Muscat dês Beaumes Delas Freres.

E chegamos ao final do banquete limeño.
É claro que comendo os insuperáveis macarons, desta vez de Pisco Sour e brigadeiros de Butiá que o Flávio confeccionou.

Conversamos mais um pouquinho, o Ennio e o André prometeram nos convidar prum pratinho de frutos do mar que o chef Alencar (Santo Colomba) fará sobre medida pra ocasião, além da degustação que faremos com alguns vinhos especiais e centenários da adega do Ennio! rs
O resto é desejar vida longa a este projeto e que, ao menos, eles se reúnam algumas vezes pra prepararem mais jantares deste nível.

Pelo que observamos, todo mundo se divertiu muito. Inclusive, os chefs.

Adiós!
PS:
1 – Se você não conhece muitos dos ingredientes citados nos pratos acima, está no hora de dar um bela Googlada e entrar no mundo da culinária peruana.
2 – Se você chegou até aqui e está se perguntando onde está o post do sócio sobre o 2º ISB, saiba que não foi publicado por problemas técnicos. Não sei, não, mas eu acho que cabeças irão rolar no alto comando do dcpv. 🙂

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dcpv – da cachaça pro vinho – piemonte – terzo giorno – você sabe o que é uma cornucópia?

31/10/10

dcpv – Piemonte  Terzo Giorno –  Você sabe o que é uma cornucópia?

Dia de entrar de cabeça no mundo piemontês. Faríamos o caminho Turim/Serralunga d`Alba.

Antes de qualquer coisa, tomamos um lauto café da manhã no próprio hotel  e que estava incluído na diária, uma grande pechincha internética.

Afinal de contas ele é todo modernoso com quartos espaçosos e vários ambientes com largas dimensões. Todo o complexo Lingotto, inclusive o shopping, foi montado onde antigamente era uma fábrica de automóveis.

Antes de seguirmos viagem, demos uma passada no Museu Nacional do Cinema de Turim.

Ele fica numa outra atração turística da cidade, a Mole Antonelliana que é uma pretensa e imensa mesquita que tem uma torre de 85 metros.

Com este formato arquitetônico, dá pra imaginar qual é a sensação quando você entra no elevador e …

… vai subindo até o topo e pelo centro da cúpula.

Uma pena que o tempo não colaborou muito, mas mesmo assim foi muito interessante.

E melhor ainda a visita propriamente dita a todo acervo do  museu.

Ele é super interativo e instrutivo.  Conseguimos ver como o cinema se desenvolveu desde os tempos antigos e ao mesmo tempo tivemos lições de física.

São 5 andares com cartazes, cenários e o ápice, o happy end acontece quando você, depois de estafado por ter andado muito, deita numa cadeira anatômica e fica vendo cenas marcantes dos grandes filmes.

Ah! As projeções  de fotos gigantes dos proporcionais astros na cúpula também são de arrepiar.

Enfim, é uma visita imperdível.

Passamos no hotel, fizemos o checkout e rumamos pra Serralunga d’Alba.
É claro que antes disto teríamos uma escala pra almoço. A missão seria conhecer o restaurante Antica Corona Reale que fica em Cervere (uma dica de Mr Jacques Trefois).

E já que falamos em heroínas, vou aproveitar pra citar mais uma: a Maria do GPS.  Esta portuguesinha merece pois cumpriu com o seu dever a viagem toda e não nos deixou na mão em momento algum. Tudo bem que a nossa parecia ter um melhor senso de direção do que a da Lourdes e do Eymard, mas …

Chegamos a Cervere , que é a terra do alho poró, no horário da reserva e percebemos que o restaurante é bom só pela constatada grande quantidade de carros no estacionamento.

Sentamos numa mesa lindíssima, num salão clássico e começou o que seria (desde já) uma refeição histórica.
A recepção foi calorosa e os grissini, espetaculares (cotação do MicheLuz: *****).

Afinal de contas, praticamos o slow food na seu local de origem: quatro horas (sim, senhores) degustando o que de melhor existe em ingredientes e no país da excelência deles.
Pra começar (e não sair da onda mundial), uns “piccolos” amuses (a Dé a Lourdes adoraram estes pequenos). Chegaram uma salada russa, um refogado de cogumelos ….

…. e umas bolinhas de salsiccia (linguiça pros íntimos) que eram simplesmente a carne delas pra serem degustadas.
Pareciam bolas de carne untadas e desapareciam na boca ao contato com a língua. Perfeitas!

Daí pra frente foi um desfilar de pratos onde a surpresa era cada vez maior já que um era melhor do que o outro.

Entradas como bacalhau, …

… foie gras e carne de vitela crua (adivinhem quem pediu?) foram se sucedendo.

Principais como um tortelli ao funghi, …

… tortellini com alho poro DOP (chic, não?), …

… capello da prette com molho de Nebbiolo e …

… capretto de Roccaverano, o famosíssimo cabrito-especialidade pedido pelo Eymard.

Tomamos dois tremendos vinhos, um Barbera d`Alba Conterno 2008 …

…e um Barbaresco Cascina Luisin 2004 que também era uma beleza (o que não é nenhuma novidade!).

Os doces? Antes, um sorbetezinho pra limpar o paladar (não riam, por favor).

Aí chegaram as clássicas sorvete de creme e uma torta de ciocollato com sorvete do mesmo.

Tudo absolutamente saboroso e muito piemontês, além do que nos divertimos a valer com a criação de alguns bordões que ficaram famosos no decorrer da viagem.
Continuamos  o trajeto até a próxima parada.
Mais meia hora de carro e chegamos a Serralunga d`Alba e ao hotel  Il Boscareto Resort & Spa.

Que por sinal é moderno, muito bonito e fica exatamente entre videiras da Batasiolo. Ou seja, além de quartos espaçosos e …

… um lobby estiloso, você abre a sua janela e tem esta visão. É ou não é “piu bello” ?

Aproveitamos pra dar uma corrida até a Comune di Alba (uns 20 km) e dar uma espiada na Feira do tartufo bianco.
Chegamos bem no finalzinho, mas a tempo de verificar todo o clima tartufístico que envolve a cidade.

Cada pecinha desta custa, em média,  a bagatela de 100 Euros.

É claro que quanto maior o nariz, melhor será o cheiro de tartufo.

Retornamos rapidamente pro hotel (nesta viagem, slow só a food!) pois teríamos o nosso jantar de apresentação do grupo.

Que por sinal era  formado por nós quatro e o nosso guia e guru, o Juscelino Pereira do restaurante Piselli, um expert quando o assunto é Piemonte.

Nos apresentamos (o Juscelino trouxe mais dois amigos brasileiros, a Mônica e o Duto e que se tornariam nossos amigos também. Vocês vão ouvir falar muito deles nesta viagem) e fomos degustar um pouco das especialidades piemontesas.

Por volta da meia-noite estávamos encerrando o primeiro dia no Piemonte e com a certeza de que a qualidade e a quantidade de comida ingerida nesta expedição não seria pouca (e aí entra a minha máxima de que comida boa não engorda).

Ah! Uma outra certeza também: experimentamos a pior sobremesa de todo o tour (sabe aqueles bolos Sol e ainda por cima duros…)

Outra e a mais certa das certezas: a quantidade de risos e grandes papos que teríamos com os nossos novos grandes amigos.
Arrivederci.

PS – Cornucópia – s.f. Corno da abundância, símbolo da produtividade da natureza. Acho que nós vamos conhecer a cornucópia piemontesa! 🙂

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dcpv – da cachaça pro vinho – 33º interblogs – isabela tibo e o maçarico gourmet no dcpv

número 273
16/11/10

dcpv – 33° Inter Blogs Isabela Tibo e o Maçarico Gourmet  no dcpv

“Depois de muito pensar, resolvi simplificar e simplesmente escolher os pratos que mais gosto de fazer e comer”.

Esta é a síntese deste interblogs, o 33º (quer saber o que é?).
Já faz um tempão que eu convidei a Isabela pra participar deste projeto. Ela estuda gastronomia em BH e tem um blog, o Maçarico Gourmet com um jeitão bem moderno e receitas tanto quanto.

E estas receitas podem parecer difíceis, mas não são pois a execução delas é tranquila e melhor, o resultado é excelente.

Perceba que a mistura de tudo é marcantíssima: couscous, carne de sol, badejo, tapioca ou seja, mar e sertão. E justamente semelhante ao menu que a equipe dela apresentou num concurso lá em BH que tinha como tema : de Guimarães Rosa ao cerrado: o sertão vai à mesa.

Existem teorias de que o sertão já foi um mar. Pois aqui no dcpv e neste interblogs, o sertão ferrazense vai virar mar, dá no coração, o medo que algum dia, o mar também vire sertão. (homenagem ao Mingão que adora Sá, Rodrix e Guarabira)

Vamos então ao 33º interblogs e a participação ilustre da Isabela Tibo.
Uai, uai, sô!

Entradas – Minigratin de Banana da Terra e Carne de Sol e Couscous Marroquino com Camarão.

Este minigratin é praticamente um upgrade de escondidinho. Mesmo porque, o conjunto da obra é uma mistura instigante de banana e carne de sol.

Pra fazer é bem fácil: corte a carne de sol dessalgada (e by sex shop, no nosso caso) em cubos e doure num fio de azeite, junto com uma cebola picada em pedaços grandes e folha de louro. Coloque água suficiente pra cobrir. Assim que estiver cozida, desfie e volte pra panela com a cebola. Reserve.

Corte banana da terra (by sex shop again) em cubos e doure na manetiga. Reserve também.

Numa panela derreta 2 colheres de manteiga, junte 2 colheres de farinha de trigo e mexa por alguns minutos. Acrescente 500 ml de leite e cozinhe até o molho engrossar (cuidado pra não empelotar). Junte 250 ml de creme de leite fresco, cozinhe mais um pouco e acrescente 2 colheres de parmesão ralado. Tempere (sal, pimenta e noz moscada). Reserve.
Tudo pronto, é só montar em panelinhas refratárias.
Uma camada de banana, …

…uma de carne de sol, …

… e finalize com o molho branco, além de parmesão ralado. Leve ao fogo pra gratinar.
Já o couscous é cheio de ingredientes e de bossa, mas também bem simples de executar.

Esquente um bom caldo de camarão (feito em casa), coloque pistilos de açafrão e tempere com sal.

Junte o couscous e deixe hidratar.

Tempere os camarões médios com sal e pimenta.

Saltei-os no azeite.
Na mesma frigideira refogue cebola, alho …

…abobrinha, …

… cenoura, gengibre, pimenta dedo-de-moça …

… e os camarões salteados.

Misture canela, salsinha e hortelã e junte tudo ao couscous.

Esta entrada (gratin+couscous) simplesmente entrou pra história do dcpv, Isabela.

Ela ficou perfumada, saborosa, quente, fria, crocante, úmida ou seja, tudo o que se espera dum grande prato.

Todos adoramos: a Dé comeu tudo, eu também e o Mingão adorou tanto que comeu tudo o que estava na mesa.

E aproveitei pra ousar um pouco e harmonizar com um Moscato d’Asti Bosc dla Rei Batasiolo, um vinho branco doce/frizante que combinou muito com o espírito agridoce (banana/canela/couscous/camarão/carne seca) de tudo.

Por incrível que pareça, o achamos “sweet, inusitado, lambruscoso“.

Principal – Badejo em Crosta  com Spaghetti de Pupunha e Molho Leve de Moqueca.

“Como sou baiana e adoro comida baiana, escolhi uma variação da moqueca para o prato principal. Nesse semestre estou estudando cozinha brasileira e meu professor tem feito um trabalho bem interessante. A cada 15 dias ele escolhe um prato típico da cozinha regional brasileira e cada grupo tem que criar uma variação desse prato. A ideia é remeter ao prato original. Estou usando aqui parte da variação que meu grupo desenvolveu para a moqueca. Na faculdade, nós fizemos um badejo recheado com crosta de coco ao molho de moqueca e servimos com purê de mandioca. Para o interblogs, fiz algumas alterações e mudei o acompanhamento, escolhendo mais um ingrediente que adoro, o palmito pupunha”.

Aonde será que eu comprei os filés?

A Isabela indicou pupunha fresco passado na mandoline como um spaghetti. É claro que eu fiz apesar de pequeno filé no meu dedo. 🙂

E a tal crosta (a grande surpresa da noite) é feita de manteiga, farinha de mandioca e coco fresco ralado.

Estes são os preparativos pra fazermos esta moqueca light, chic e saborosa.
Daí pra frente é cozinhar o spaghetti de pupunha em água com sal por 2 minutos, escorrer e saltear com azeite e manteiga.

Tempere o peixe com sal e pimenta do reino e sele dos dois lados numa frigideira.

Coloque-os numa forma, cubra com a maravilhosa crosta e leve ao forno pra terminar o cozimento. Espere até que a sensacional crosta doure.

Ao mesmo tempo, prepare uma pasta com cebola, alho, tomate, pimenta dedo-de-moça, coentro e salsa.
Esquente uma panela, coloque um fio de azeite, colorau, …

… e depois a pasta, refogue por alguns minutos e junte o leite de coco.

Deixe reduzir até parecer um molho e antes de servir, acrescente um pouco de dendê, segundo a Isabela, só o suficiente pra dar um gostinho de moqueca.

Tudo terminado, é só montar colocando um filé de peixe sobre uma cama de spaghetti e o molho ao redor.

O resultado é mais do que surpreendente: a crocancia do pupunha com a leveza do peixe além do molho bem puxado e a estrela de tudo: a crosta!

Não precisa nem dizer que o Mingão repetiu e transformou a Isabela em “deusa da cozinha”. 🙂

Mais uma pequena invenção na harmonização: um tinto Chateauneuf du Pape Fiole Reserve 2007 que além de ter uma garrafa “invocada”…

… se mostrou “palmitoso, e… precoce, eclesiástico e eminente” segundo os alunos da Isabela, nós mesmos.

Sobremesa – Tapioca Brulée

Esta receita também é rápida e prática (todo o jantar foi assim). E saborosa (todo o jantar foi assim).
Deixe 1/2 xícara de tapioca de molho em 2 xícaras de leite por cerca de 2 horas. Junte mais uma xícara de leite e cozinhe até que fique macia, mexendo sempre pra não grudar.
Bata 2 gemas, 2 ovos e 1 xícara de açúcar. Misture a tapioca quente aos ovos batidos, 1/2 xícara de creme de leite e divida o creme em forminhas cerâmicas.

Asse em banho maria num forno pré-aquecido a 160º C por cerca de 45 minutos. Deixe esfriar e refrigere. Antes de servir, salpique açúcar e queime com um maçarico.

Ficou sim-ples-men-te ma-ra-vi-lho-so !!

Saboroso e por incrível que pareça, acertei o ponto da casquinha de açúcar. Ficou crocante, com um levíssimo amargor e só não comemos mais por absoluta falta de espaço no estômago.

Ah! Aproveitamos a sobrinha (=pequena sobra) do Moscato (grato, Deo) pra nos esbaldarmos com a tapioca.

Eis a opinião dos calouros gastronômicos:

Perfeito. Do início ao fim. Da cachaça pro vinho. (Edu)
Parabéns, Isabela. Que IB maravilhoso, só teve top 5! (Mingão)
Apesar de não ter comido, adorei. (Déo)

Isabela, grato pela participação neste 33º interblogs e mais ainda por ter acrescentado tanto ao nosso paladar quanto ao conhecimento gastronômico.

Foi interessante demais perceber o quanto um menu pode ser conciso, saboroso, ecumênico, excêntrico, simples, charmoso, contrastante, e por aí vai.

E aí vão as nossas flores virtuais :

Ah! Grato pelo envio da farinha de mandioca e da goma de tapioca, ambas DOP.
Parece brincadeira, mas depois disto tudo, ainda ganhamos estes presentes dela.

Até o próximo!

PS – Que será o da Dani do blog O Café da Sereia (ele anda um pouco parado, mas quem sabe depois do interblogs ela não volte?), nos apresentando um tremendo menu britânico. E melhor, não tem nada a ver com o Mr Oliver!! 🙂

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dcpv – da cachaça pro vinho – dcpview’s – o que rolou no hight society do 2º isb em bsb

13 a 15/11/10
Eating night&day

dcpv – DCPView’s – O que rolou no high society do 2º ISB em BSB. (by Eduardo Light)

Nada como viver e conviver em sociedade.

Fomos à Brasília pra participarmos do congraçamento do 2º isb, o já tão famoso encontro, o Inter dos Sem Blogs (veja como foram os relatos do 1º) .

Eis o fotoblog de tão prestigiado evento:

Comidas pertinentes …

… e bebidas de procedência.

Os cães ladram e a caravana passa.

Brega é perguntar o que é chique, chique é não responder.

Sorry, periferia.

Olho vivo que cavalo não desce escada.

Em sociedade, tudo se sabe.

Quem não deve, não treme.

Ademain que…

… eu vou de leve.

Nota da Redação – Ressalte-se que a partir do próximo sábado teremos a publicação/visão de cada um dos  participantes (Lourdes/Eymard no dia 27/11; Sueli e  Jorge no dia 04/12 e Adriana, a Drix no dia 11/12) sobre este evento que promete abalar as estruturas da sociedade bloguística. Serão emoções, receitas, sentimentos, vinhos, conversas, afinidades enfim, tudo aquilo que fez com que este grupo se reunisse pelo que, eu acredito, a segunda de milhares de vezes.
As fotos das mesas e dos pratos foram tiradas na casa da Sueli e do Jorge. Também fomos muto bem recebidos na casa da Lourdes e do Eymard.

Ah! Se você lembrar de mais algum bordão das antigas colunas sociais, me ajude a completar o post, por favor.

Bye, bye.

.

dcpv – da cachaça pro vinho – piemonte – secondo giorno – andando muito em turim

dcpv – Piemonte –  Secondo Giorno – Andando muito em Turim

Chegamos tarde demais ontem.
Tres horas da manhã não é um bom horário pra se ir dormir justamente no primeiro dia de viagem e logo após 11 hs de vôo.

Consequencia? Acordar tarde e ter que correr bastante pra conseguir sair às 10:30hs.

A Lourdes e o Eymard já estavam prontos. Tomamos um café rapidinho no Eataly (é claro que aproveitamos pra marcar uma visita nesta noite mesmo e de gala, pois iríamos jantar por lá além de fazermos algumas comprinhas ) .

Vale até um breve fotoblog pra mostrar a capacidade do lugar:

Dali fomos pro centro de Turim. E vou logo dizendo o que já desconfiávamos: a cidade é uma beleza e tem um charme único.

Várias edificações com uma arquitetura marcante e…

… demonstrando o porque dela ser conhecida como a Cidade dor Reis.

Aproveitamos o embalo e visitamos o Museu Egípcio.

É um dos melhores museus sobre o assunto no mundo e tem um trajeto fixo que te faz conhecer como era o (interessante) dia-a-dia dos faraós (e dos “fariseus” também).

Almoçamos no Caffè Torino, um estabelecimento tradicional da capital do Piemonte.

Capreses pras senhoras,…

vitelos tonatos pro senhores, …

…. macarrão com camarão e abobrinha pra Lourdes, …

…  e penne ao molho de ragu de lingüiça pra Dé.

Agnolotti ao ragu de vitela pro Eymard…

… além de maltagliati mar e monti pro Jacques Cousteau, euzinho.

Tomamos um tremendo Barbera  d’ Asti Renato Ratti 2009 e voltamos ao frio e pra chuva.

Ainda bem que Turim (assim como Bologna) é tida como uma das cidades com a maior quantidade de calçadas protegidas da Itália.

São kms e mais kms de vitrines cobertas e seguras contra qualquer acidente geográfico.

Ainda conseguimos passar num supermercado e num shopping que são contíguos ao hotel e que ficam no Parco Lingotto.

Tomamos uma Viuvinha pra não perder o clima da viagem e nos prepararmos pra mais uma visita (conforme o prometido) ao verdadeiro sex shop.

Impressionante como o Eataly é tudo aquilo o que qualquer gastrônomo sonha.

Ótimos ingredientes com uma variedade infinita  e um visual que te deixa com vontade de consumir tudo o que vê. Sabe aquela propaganda da Heineken em que os homens entram num closet, se deparam com um montão de cerveja gelada e urram. Pois é isso! 🙂

Resolvemos jantar por lá mesmo. E o que parecia fácil, ou seja, comer uns fromaggi e uns salumi, se transformou num pesadelo já que o atendente do balcão nos avisou que a partir daquele horário, “solamente pani  e acqua“.
Demos um pulo na adega que fica no subsolo  (mais de 28000 garrafas), descobrimos uma sala de maturação de parmegiano, …

… outra de prosciutto,…

… mais uma de culatellos, …

… um restaurante pequenininho que ainda estava atendendo …

… e com o fato positivo de podermos escolher qualquer vinho e o tomarmos pelo preço de venda na gôndola.

Brindamos e tomamos um sublime Dolcetto que compramos pela bagatela de 18 Euros. Comemos uma tábua de queijos DOP …

… além de dois hambúrgueres e …

… dois “buoníssimos” gnocchis .

Tudo esteve excelente com exceção dum tiozinho que estava ao nosso lado e que brigou tanto com a mulher dele que chegou a mandá-la “vaffanculo” a plenos pulmões.
Coisas de italianos, estes passionais. rs
Ah! Fechamos o estabelecimento (este foi um de tantos durante a viagem).

Até amanhã quando finalmente conheceremos o tão famoso Piemonte.

E as trufas brancas!

Ave.

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dcpv – da cachaça pro vinho – piemonte – primo giorno – ô dia agitado, sô: turim, combal.zero, eataly…

29/10/10

dcpv – Piemonte – Primo Giorno  – Ô dia agitado, sô: Turim, Combal.Zero, Eataly…

Este foi um daqueles primeiros dias de viagem pra não esquecer.

Encontramos com o sócio e a esposa, a Lourdes em Cumbica e seguimos pro nosso destino.

Vôo sossegado da TAM e chegamos tranquilamente a Milão. Pegamos os carros (grato Europcar pelos upgrades) e rumamos diretamente pra Turim.

Na verdade, aproveitamos pra dar uma parada em Vercelli, uma cidade muito conhecida pelos apreciadores de risotto já que é lá que a maioria dos grãos são cultivados.

O caminho todo foi uma sucessão de “olha aquilo” e “veja isso”.

Afinal de contas, estamos em pleno outono o que significa folhas nos mais variados tons.

Chegamos  por volta das 14:30 hs e consequentemente, encontramos a maioria dos restaurantes fechados.

Só nos restou apelar e almoçar no único café aberto, o Leòn.
Dois risottos, duas cotolettas (acho que da Sadia) e quatro arrependimentos depois, estávamos rumando definitivamente pra  Turim.

Chegamos ao hotel Le Méridien Turin Art+Tech (um achado do Eymard), fizemos o check-in e confirmamos que a área em que o hotel se localiza (Lingotto) é uma verdadeira maravilha, pois além dum montão de atrações, ela tem a mãe dos sex shops, o Eataly.

Trata-se dum estabelecimento espetacular com o máximo de ingredientes fantásticos que você possa imaginar e melhor, com aquele clima que só a tutela do Slow Food poderia chancelar.

Vimos a loja muito rapidamente (é claro que voltaremos) e fomos nos trocar pra primeira grande refeição da viagem.

Seria no Combal.Zero do genial chef  Davide Scabin, uma figuraça da cozinha italiana. O restaurante fica em Rivoli e numa região lindíssima.

Dá pra imaginar o seguinte cenário: um castelo no topo da montanha que é um museu de arte contemporânea?

Chegamos atrasados por culpa duma obstrução de trânsito e percebemos  a organização que um estabelecimento deste nível tem que ter.

Ele é surpreendentemente grande e absolutamente espetacular.

Olhamos tudo e nos encaminhamos pra nossa mesa que era a mais central de todo o restaurante.

Demos uma bela passeada pelo menu tomando um champagne (nada como brindar ao início duma viagem) e partimos pro “sacrifício”.

A Dé e a Lourdes escolheram à la carte. Eu e o Eymard fomos diretamente no degustação, o que significava 10 pratos.

Como sempre, amuses foram servidos e estes além de bonitos e plásticos eram deliciosos. Constavam de várias versões de salumi imperdíveis.

Conversamos e rimos muito. Enquanto isso, os pratos começaram a chegar.
Albese di merluzzo com pomodoro cuore di bue alla birra. Isto mesmo, cerveja das encorpadas compunha o molho e nos foi servida pra acompanhar.

Seguiu-se ostriche al lemongrass e peperoncino, ananás marinato, uma epopeia de frutos do mar em que parecia que se estava ingerindo um pouco de água salgada. Perfeito!

Mais um das profundezas: impettata de seppie, capesante e polpo alla Luciana ou seja, lula, viera e o polvo mais crocante e com sabor diferente que já comi na vida.

Seguiram-se, matrioska di tropea, uma cebola roxa desconstruída onde entre cada camada foi colocada uma especiaria e ela foi remontada logo após cozida, …

macedônia di pasta alle cinque espécie e bisque d`astice (uma mistura de massas dos mais variados tipos e cozidas al dente em caldos de especiarias),…

foie gras d`oca poché, shitake, pak choi, dashi, língua, emulsione di olio extravergine di oliva (uma mistura asiática intrigante e instigante), …

maialino ao caffe (um porquinho gordo com um molho e uma crosta de café), …

… e a o que seria a consagração da noite: a patata horizontale. 🙂

Só o teaser do prato já valeria a visita.

São 6 formas de apresentação do vegetal adorado por todos (e especialmente pela família). Creme parmantier, carbone, gnocchi, cruda, buccia fritta e “casey”purê. Tudo muito saboroso e ficamos, eu e o Eymard, passando pedaços  das iguarias pras nossas mulheres.

Enquanto isso elas já tinham comido os pratos delas: ambas pediram um gazpacho que estava sublime, …

…, a Dé foi de maccheroni, quase um suflê de queijo parmeggiano 16 anos que mais parecia literalmente uma obra de arte (mesmo porque foi servido num quadro) …

… e a Lourdes experimentou um legítimo risotto ao limone com farofa de noz pecan.

Ufa! E ainda tínhamos as sobremesas: fusiones a freddo, uma salada de frutas com um sorbet na sua base que reagiria quimicamente com a adição de água com gás e …

… um microparfait di cioccolato bianco, salsa al cioccolato fondente 70% guanaja.

A Dé pediu um maccheroni souflé, zuppa di gelato alle noci pecan caramellate, arancio.

E a Lourdes um parfait au grand marnier, coulis di cachi.

Acrescentando-se uma torre de trufas (as de chocolate) foi covardia.

Tudo absolutamente perfeito.

Conseguiu ficar mais ainda quando fomos convidados a conhecer toda a cozinha do Combal e melhor, conversar com o chef e a simpática Manuela.

Sentamos numa mesa lá dentro, tomamos um drinque que nos foi oferecido (vodka, água tônica e rodelas de limão) e a surpresa maior foi perceber que o chef estava interessado em saber não somente como foi o nosso jantar, além de nos perguntar quais os dois pratos do menu não seriam servidos se nós fôssemos os chefes?
Também perguntou quais os dois pratos que faríamos em qualquer hipótese. Ou seja, quais foram imperdíveis na nossa opinião.
Muito interessante e difícil de se ver uma atitude dessas por aí!

Ainda ganhamos um brinde, uma lata personalizada de molho de tomate com a assinatura do Davide e relativa ao melhor prato da noite.

Não é por acaso que o Combal está entre os 50 melhores restaurantes do mundo.

Ah! A Dé e o Eymard tomaram uma xícara daquele café, o Kopi Luwak, o que passa pela digestão do animal. Resultado?
15 Euros a menos em cada uma das nossas carteiras e risadas aos montes.

Era quase 3:00 hs. Frio, caminho de volta pro hotel e uma boa noite de sono.

Prum primeiro meio-dia de viagem estava mais do que satisfatório.

Arrivederci. Amanhã passearemos por Turim.

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dcpv – da cachaça pro vinho – provence – as janelas e as vistas delas

resumão

dcpv – Provence As janelas e as vistas delas.

Este é o último post sobre a nossa viagem à Provence (04 a 17/07/10).
E como uma das características marcantes dela foram as janelas, sejam vistas por fora ou por dentro, vou resumir todo o tour mostrando as mais marcantes.

O bebê não pode entrar? Ou sair? Esta foi tirada em Aix en Provence.

Já esta é uma vista do quarto do hotel Sofitel Vieux Port em Marseille. Inspiradora!

O cachorrinho (?) estava vendo o movimento turístico em Isle sur la Sorgue.

Agora, um monte delas em Tarascon.

Esta só poderia ser em Saint Remy de Provence.

E esta, totalmente camuflada em Roussillon.

Estas são irmãs-gêmeas em Vauvenargues (pertinho do castelo do Picasso).

Desconfio que esta já faz um bom tempo que não é aberta! (em Vauvenargues também)

Esta, em Valensole,  certamente não precisa de informações.

Esta é em Châteauneuf du Pape (só poderia ser!).

Hotel Mas des Herbes Blanches, em Joucas.  Vista de dentro pra fora …

… e de fora pra dentro.

Varanda/janela com alta tecnologia em Saint Saturnin-lès-Apt.

Esta é um simples acessório das flores. Em Ventimiglia, Itália.

A famosa, do Hotel Negresco, em Nice.

Esta é mais famosa ainda (pelo menos aqui no dcpv).

Bom, é isto!
Até a próxima viagem em que, acredito, teremos muitas outras  janelas que abrirão todos os nossos sentidos.
E mais sementes também, que conseguem trazer um pedaço da viagem pra casa.
No nosso caso foram os girassóis que agora estão em plena safra na grande FV.

Au revoir e arrivederci.

.

dcpv – da cachaça pro vinho – os sabores do piemonte

número 271
28/09/2010

dcpv – Os Sabores do Piemonte.

Resolvemos passear no Piemonte.
E melhor, aproveitar e conhecer a região na sua época mais apetitosa: a do tartufo bianco, a do tuber magnatum, a da trufa branca.

Com esta ideia, apareceu aquilo que eu acho mais interessante numa viagem: o seu planejamento. O que vamos fazer por lá? Pacote ou por conta própria? Quando? Quantos dias?

E aí iniciou-se a pesquisa. Se bem que neste caso o motivo central já estava definida: iríamos num pacote especial da Gouté (e a consequente aprovação dos estatutos da nossa sociedade por lá, né Eymard?) e aproveitaríamos pra completá-lo com alguns dias antes em Turim e alguns depois em Milão.

Uma das dificuldades que encontrei foi justamente a literatura sobre o lugar. Nos grandes guias (Folha, LP, Frommers, etc), a região toda aparece mais como coadjuvante.

Pesquisei, mas não encontrei nada muito específico.
Por sorte, o sócio me indicou este livro, Sabores do Piemonte escrito pelo Rudolf Tretzer onde além de algumas excelentes informações ainda se encontra receitas da mais tradicional comida piemontesa.

Ingredientes frescos, receitas seculares, ótimos queijos, vinhos espetaculares: tudo isto faz parte do jeito diferente que o italiano do noroeste tem.

Portanto, como primeiro mergulho desta próxima viagem, farei alguns pratos da região considerada como um dos celeiros da gastronomia mundial.

Avanti, ragazzi.

L’Aperitivo – Prenúncio culinário.

Campari e Grappa.

Campari+Grappa. Camppa? Grapari? Na verdade, ruim e bom!!

Gli Antipasti – Início grandioso – Frittata alle herbe

“Saborosas e fáceis de preparar são as frittate nas quais podemos usar vários ingredientes. Ovos e ervas ou ainda legumes adequados encontram-se à nossa disposição a maior parte do ano”.

Como toda receita tradicional italiana esta também é muito fácil de fazer.

Pique bem uma cebola. Refogue no azeite e junte espinafre cortado em fatias finas.
Bata ovos, cheiro-verde picado, queijo parmesão, sal e pimenta numa tigela.

Acrescente o espinafre acebolado.

Frite como um omelete e doure dos dois lados.

Corte em porções como torta e sirva-as quente ou frias.

Otro antipasto – Petto di pollo in Carpione

Esta receita é muito curiosa. E atípica!
Corte filés de peito de frango em viés e em tiras de 4 cm de largura.

Tempere com sal e pimenta. Passe-os em ovos batidos e na sequencia na farinha de rosca. Frite em azeite quente até ficarem dourados.
Coloque-os numa forma refratária.

Faça uma marinada da seguinte maneira: refogue no azeite e ligeiramente cebola, dentes de alho, salsão, cenoura e folhas de sálvia, todos cortados finamente. Acrescente alecrim a gosto.
“Apague” a fritura com vinagre de vinho branco e o próprio seco, deixando cozinhar por 5 minutos em fogo baixo. Tempere com sal e pimenta.
Passe este vinagrete numa peneira e despeje sobre o frango empanado. Deixe marinar em lugar fresco durante pelo menos um dia.

O resultado é espetacular. Você consegue imaginar o sabor deste frango gelado?

Junto com a frittata, formam uma belíssima entrada.

Aproveitamos pra beber um tinto sul-africano, o Pinotage Club dos Sommeliers 2009 South Africa que foi “fred, vero rosé, leve e solto, ……..” segundo os camponeses.

I risotti – As variantes culinárias do grão miúdo – Risotto alla Piemontese

Esta também é boa! Nos mostra um jeito diferente de fazer um risotto. E o resultado é, pra variar, excelente.

Pique bem uma cebola. Derreta manteiga e refogue-a. Acrescente o arroz (carnaroli) e refogue em fogo baixo por 2 minutos.

“Apague” a fritura (adorei este termo!) com o caldo de carne quente, mexa bem e tape a panela.

Controle o líquido de tempo em tempo. Caso necessário, acrescente mais um pouco de caldo e mexa suavemente com uma colher de pau tornando a tampar. (Esta é a grande diferença. Você não precisa ficar mexendo no arroz o tempo todo!)
Após uns 15 minutos e quando o arroz estiver al dente, retire do fogo, adicione manteiga e parmesão, mexendo delicadamente.

Tempere com sal, pimenta e uma pitada de noz moscada. Na verdade, faltou um último ingrediente: o tartufo bianco. Vou ficar devendo, mas prometo suprir esta lacuna brevemente!

I Secondi – Carnes de panela – Faraona al Rosmarino

Faraona é galinha d’Angola. E eu não encontrei a penosa por aqui (não tínhamos ido ao sex shop). Adaptei (e bem) usando perdizes.

Cortei-as em 4 partes.

Fritei os pedaços em azeite numa panela refratária até dourar. Acrescentei alecrim picado, temperei com sal e “apaguei” a fritura com vinho tinto.

Levei pra assar no forno pré-aquecido a 200ºC com a panela tampada.

Retirei os pedaços das perdizes, reduzi e engrossei o molho com manteiga gelada.

Os dois juntos, o risotto e as perdici nos teletransportaram diretamente pra Alba.

Tentei introduzir o Brasil na conversa ao abrir um vinho tinto de renome, o Lidio Carraro Tannat 2004. Ele até estava bom (“quem vê cara, não vê coração, raimunda, gaúcho, salvo pelo gongo”), mas estava muito opaco. Muito estranho!

I Dolci – O doce finale – Bonèt

Bonèt é boina. E é justamente uma referência ao tipo de forma que era usada pra se preparar esta sobremesa.
Bata 4 ovos em espuma dissolvendo 4 colheres de açúcar na mistura.
Acrescente 2 colheres de sopa de cacau em pó, 50 g de amaretti (adaptei e usei os cantuccini que a Dé fez), 2 colheres de sopa de rum e 1/2 litro de leite integral. Mexa até formar uma massa homogênea.

Coloque 2 colheres de açúcar numa panela pequena pra caramelizar até adquirir uma cor castanho-dourado, diluindo num pouco d’água até formar uma calda espessa.
Distribua a calda nos lados e fundos duma forma retangular (eu não tenho nenhuma em forma de boné), despeje a massa e asse em forno pré-aquecido à 180ºC, em banho-maria, por 30 minutos.

Sirva em fatias.

E, segundo eu que sou um italiano da gema, com um pouco de maple, confeitos de lavanda e uma geleia de trufas.

Sensacional e é um pudim-bolo. Ou seria um bolo-pudim?

Tomamos mais uma grappinha e estávamos prontos pra ir pros braços de Morpheu.

Eis a opinião dos sonhadores:

Piedmonte! Aos montes. (Edu)
Piemonte! Nas alturas. (Mingão)
Piemontese! Bravo. (Déo)

“Uma refeição pode ser comparada a uma longa viagem de aventuras. O que vale não é a meta, mas um caminho cheio de surpresas”.

“No Piemonte, comer e beber são consideradas atividades por demais importantes e prazerosas para que fiquem relegadas apenas a função de regeneração física”.

“Comer não é apenas alimentar-se, com também tirar prazer, alegria, cultura, felicidade, amizade e respeito pelas próprias raízes”.

Estamos com você, Rudolf e não abrimos.

Arrivederci!

.

dcpv – da cachaça pro vinho – àaas truuufas …

28/10 a 08/11
piedmont

dcpv – Àaas truuufas …

… e até breve.

Arrivederci.

.


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