Arquivo para dezembro \31\UTC 2010

dcpv – projeto cozinha bossa nova = raphael (marcel)+ flávio (sódoces)

07/12/10
reunião do conselho de segurança da ONU

Projeto Cozinha Bossa Nova = Raphael (Marcel) + Flávio (Sódoces) 

Esta foi  a quinta edição do projeto Cozinha Bossa Nova do grande chef Raphael Despirite.
A idéia básica de tudo é fazer um menu degustação a 4 mãos (as duas do Raphael e mais duas do chef convidado) pelo menos uma vez por mês lá no Marcel e com as inspirações das mais variadas.

Este que nós fomos foi o que podemos chamar de uma jam session.
Ora, misturar bossa nova com rock&roll (o confeiteiro-mor Flávio Federico da  Sódoces foi o convidado); juntar comidas das mais variadas origens (frutos do mar, foie gras, chilli, queijos, grumixama); vinhos das mais ecléticas regiões (Espanha, França, Hungria) indicam uma verdadeira miscelânea, uma autêntica jam. Adicione ainda as pessoas sensacionais que estavam conosco.

Deixa eu contar tudo com um pouco mais de detalhes.
Pegamos a Ângela (a esposa do Flávio) na casa deles e fomos pro Marcel. A nossa mesa seria uma reedição do jantar peruano na La Mar: presentes o excelente papo André Razuk (o mago dos dólmãs. Ainda vou ter um! E quem sabe, um toque também! rs), nós 3 (a Ângela, a Dé e eu), o Ennio Federico (pai do Flávio e um dos ícones da enologia  mundial) e  a surpresa, a Mila, a simpática esposa do Ennio e consequente mãe do Flávio.

Apresentações feitas, fomos nos sentar. O salão estava cheio. E de personalidades do mundo gastronômico. Fábio (La Mar), Thalita Barros, Bel Coelho (dui), Benny Novak (Tappo), Paula Labaki (nosso IB de setembro) e mais um montão de gente interessante e interessados na boa comida (parece que até o Alhos esteve por lá).
Iniciamos os trabalhos com o famoso couvert do Raphael. O que é aquele patê?

Logo em seguida tomamos um vinho branco adocicado do cult Kracher trazido especialmente pelo Ennio pra acompanhar o foie gras, sorbet de chocolate de origem, laranja confitada e flor de sal de vinho do Porto.

Todos apreciaram muito não só o prato como a harmonização. Além da laranja confitada que era de fechar o comércio! (esta é nova!  🙂 )

Conversa daqui, conversa de lá e chegou o segundo prato: polvo confitado e couscous paulista. Um prato equilibrado com o polvo (uma especialidade tanto do Raphael como do Flavio) bem al dente e coadjuvado pelo couscous que a menos que eu esteja enganado, era marroquino!

Vinhos?  O Ennio não nos decepcionou e trouxe um Verdejo Cimbron Espanha. Perfeito!

Mais um pouquinho de troca de informações além dos já famosos elogios ao chef Alencar (Santo Colomba)  e aportou na mesa um bacalhau ao forno, trevos e mandioca, uma homenagem especial do Raphael pra Ângela. Perceba a expressão de apreço dela…

Mais um prato perfeito com a textura do bacalhau mais parecendo com um algodão bem fofinho.

Abrimos dois vinhos, um branco que o Ennio trouxe (não anotei qual era) e um tinto que o André tirou da sua adega, o Clos Tamisot Gevrey Chambertin 2002 Bourgogne. Ambos serviram pro prato, mas preferimos o tinto por ser muito mais leve que o branco bastante amadeirado.

A seguir um chili com carne que a primeira vista poderia ser simples, mas estava muito bem preparado e temperado. Ainda mais como acompanhamento duma bela folha apimentada de capuchinha. Já experimentaram?

E aproveitamos pra degustar um vinho tinto húngaro que eu ganhei da Odete quando do IB dela, o Balatonboglári 2008 St Donatus Estate . É um vinho meio doce que teria tudo pra combinar com o prato (segundo o nosso personal sommelier).

Ficou ruim? Não. Ficou bom? Também não. Valeu pela curiosidade, pois segundo o Ennio, talvez (ele disse, talvez) um Gewustraminer harmonizaria com a pimenta do chili.
A esta hora já estávamos começando a nos sentir no Piemonte (pela qualidade e pela quantidade!).
Comemos uns queijinhos (marajó e cremoso da fazenda tamanduá), …

… uma salada de frutas à nossa moda que além de bonita e fotogênica estava uma delícia com uma compota de jacas de abrir o comércio, …

… com direito a explicação pessoal do pai da criança (aos pais da “criança”); …

… um excelente verrine de cambuci

… e  a estrela da noite : o heavy metal chocolate de origem lajedo de ouro com grumixama.

Uma caveira anunciava esta sobremesa.

E a o sabor do chocolate com a tal grumixama encantou a todos. Na verdade a alguns já que o próprio Flávio disse que teve gente que não comeu a caveirinha! rs

Aproveitamos pra entornar todo o restante dos vinhos, conversarmos bastante, marcarmos novos encontros em novos projetos e nos despedirmos.

Não sem antes apreciarmos uns macarons de caipirinha, brigadeiros de cupuaçu e cantuccini de chocolate e laranja (esta, uma receita particular da Mila que o Flávio emprestou!).

E uma certeza absoluta: juntar caras de bem com a vida e sabendo o que fazem num projeto destes é covardia.
O único conselho que eu posso dar é entrem no mailing e aguardem as informações sobre as novas edições do projeto Cozinha Bossa Nova.

Ali é certeza que o barquinho vai e a comida boa vem!
Até o próximo!

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dcpv – à mesa com monet.giverny é aqui.

número 275
30/11/10

À mesa com Monet. Giverny é aqui.

Sempre fomos fãs do Claude Monet.

Adoramos quando vimos as obras de arte que ele pintou em/sobre Giverny.

Mas também (confesso!) nunca nos interessamos o suficiente pra pesquisar sobre a sua história, os seus hábitos, enfim, as suas manias.

E quando me deparei com o livro À mesa com Monet (editora Sextante) no setor de gastronomia duma livraria famosa, pensei comigo mesmo: esta aí a oportunidade de repararmos este erro.

Saber que “em 1883, Claude Monet e sua mulher, Alice, se instalaram definitivamente em Giverny com os oito filhos (é, acho que ele fazia mais coisas além de pintar e comer bem. ops) foi muito interessante.”

 

Mais ainda que ” Monet não cozinhava, mas gostava que os pratos fossem preparados com maestria. Há relatos de que o gênio impressionista ficava de ótimo humor diante da perspectiva de uma boa refeição, porém era preciso ter cautela nos dias em que ele estava descontente com as suas pinturas“.

E muito mais ainda que ” as receitas deste livro foram originalmente adaptadas pelo famoso chef Joël Robuchon a partir dos cadernos pessoais de Monet“.

Portanto, só me restou escolher algumas delas pra fazer um menu completamente monetiano.
Espero “impressionar” os presentes, especialmente a minha Alice. Voilá!

Entradas – Ovos rechedaos a moda de Berry/ Cebolas brancas recheadas

” O jardim harmoniosamente florido criava uma sinfonia natural. A decoração e a apurada disposição da bela casa do pintor proporcionaram-me uma intensa emoção (palavras do Robuchon quando conheceu a casa em Giverny).

Este ovos por algum motivo lembram Monet (seriam as cores?).
São ovos cozidos cortados ao meio em que as gemas são retiradas, esmagadas e misturadas com salsa, cebola e alho picados além de temperadas com sal e pimenta.

Acrescente creme de leite fresco e recheie as claras cozidas com esta pasta.

Unte uma forma refratária, arrume os ovos e leve ao forno brando, por 20 minutos até dourar.

Já pras cebolas, corte uma tampa de cada uma delas (eu achei mais Monet usar algumas roxas).

Branquei-as em água fervente por meia hora. Escorra e deixe esfriar.
Retire o miolo deixando as cebolas com 1 cm de espessura. Recheie-as com uma mistura de carne de porco moída, cibolette, ervas e queijo suiço ralado.

Coloque-as numa forma untada e leve ao forno em temperatura média até dourar.

Polvilhe mais um pouco de queijo.

Ambas formaram uma delícia ajardinada.

Ferraz de Vasconcelos se transportou pra França e tivemos a nítida impressão de que alguém estava querendo pintar/experimentar este prato.

Pra melhorar ainda mais, tomamos o tinto sul-africano Glen Carlou 2003 Paarl que nos impressionou muito. Foi “honesto, oranjenet, frutuoso, limítrofe“. 

 

Principal – Mexilhões com Ervas/ Filé de Linguado à Horly.

“Numa visita a casa de Monet, pensei como seria fascinante conhecer um dia os segredos culinários desta família e ter a alegria imensa de executá-los. Com a descoberta dos cadernos de receita de Monet, trabalhei com grande prazer para adaptá-las, tendo todo o cuidado pra que sua execução não apresentasse maiores dificuldades” (Joël Robuchon).

E já que a questão é adaptar, aproveitei a dica e adaptei a receita.
Como eu já tinha um vidro de belos mexilhões (grato Sueli e Jorge), não fiz a parte em que os mariscos estavam ainda em suas cascas. Só refoguei (na manteiga) cerefólio, azedinha, salsa picada e estragão.

Adicionei um pouco do caldo dos mexilhões, vinho branco e engrossei um pouquinho o molho.

Reaqueci os mexilhões no próprio molho e servi.

Já os filés são simplessíssimos.

Basta colocá-los numa vinha d’alhos (50 ml de óleo, suco de 1 limão, 4 colheres de sopa de salsa picada e 1 cebola em rodelas finas), temperar com sal e pimenta e deixá-los na geladeira por 2 horas.

Escorra estes filés, passe-os em farinha de trigo e frite-os em óleo quente até tostarem.

O resultado plástico do prato é digno de Monet.

E o gastronômico também, pois a mistura do molho do marisco ao linguado empanado transformou tudo numa obra de arte marinha.

Aproveitamos pra tomar um belo branco, o italiano Trebbiano d’Abruzzo DOC 2008 La Valentina, que foi “duca, guzzo, trés bon, sincero“.

Sobremesa – Pão de Ló a Claude Monet com Creme de Café Moka

“Para saber mais do artista e por meio da sua generosa cozinha, descobrir a sua personalidade, li muito e assim conheci um gigante, um homem bom que superou todas as dificuldades da vida. Seus amigos contam que ele era um bom garfo, sem deixar de ser um fino gourmet com algumas manias, porém.”

Este pão de ló(?) é uma receita estranha. Ele tem quase que uma textura dum mantecal.
São 2 gemas e 100 g de açúcar batidos até a mistura ficar espessa e clara.

Peneire 200 g de farinha de trigo sobre esta mistura, incorporando cuidadosamente com uma colher. Aos poucos adicione outros 50 g de farinha e acrescente 125 g de manteiga. Misture bem e por fim, acrescente 3 colheres de sopa de rum.
Coloque numa forma untada e asse por ~20 minutos até que uma faca espetada no bolo saia limpa.

Já o creme é feito de 6 gemas batidas com 150 g de farinha de trigo, 200 g de açúcar e 250 g de manteiga.
Derrame lentamente 100 ml de café bem forte. Cozinhe a mistura em fogo brando durante 10 minutos.

Ele pode ser usado pra rechear e cobrir o pão de ló ou servido como eu fiz.

Com direito a bolinhas decorativas.

Aproveitei a oportunidade e abri um legítimo Barolo Chinatto. Sendo simplista é praticamente uma mistura de vinho do Porto com Biotônico Fontoura, só que com o tremendo charme de ter vindo diretamente do Piemonte e de ser feito de legítimas uvas Barolo.

Eis os comentários dos impressionistas (e impressionados):
Giverny é aqui! Monet pra prefeito de FV. (Edu)
Obra prima! Um Monet dos sonhos. (Mingão)
Parla! Parla! Monet&Michelangelo são todos do mesmo time. (Deo)

Seja nos “eufs berrichons“. Ou nas “oignons blancs farcis“.

Ou nas “moules au vert“. Ou ainda nos “files de sole à la Horly

Ou no “genoise et Creme Moka“. Em qualquer uma destas receitas do Monet, adaptadas pelo Robuchon e editadas no livro À mesa com Monet você encontra o clima que reinava em Giverny e tem a mais absoluta certeza que ele, o gênio, realmente “só aceitava o foie gras da Alsácia, preferia as trufas do Périgord, adorava peixe sobretudo os brochets dos tanques dos seus jardins, tinha uma horta meticulosamente cuidada e uma paixão pelas ervas aromáticas, pelos temperos, legumes  e verduras do Midi”.

Por estas e outras é um livro pra ler, ver e comer.

Au revoir.

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34º ib – dani e o café da sereia no dcpv

número 276
07/12/2010

34º IB – Dani e O Café da Sereia no DCPV.

Curiosidade mata! E engorda.

E quando a Danilevantou a bola” e disse que queria participar dos IB (quer saber o que é?) eu respondi rapidamente: British Dinner é a nossa “face”, ou melhor, cara!

Daí pra frente foi aquela estória que todo mundo conhece:

Dani Tudo bem. Hmmmmmmmmmmm, levantei a bola mesmo, e quase me arrependi, rs.

Eu No teu caso, faríamos em novembro/10 o que significaria bastante tempo pra pensar  e planejar (coisa que os ingleses adoram!! rs).

Dani Tinha pensado mesmo em duas entradas, principalmente numa cuisine como a britânica, de composições simples – nisto, muito semelhante à italiana, mas só nisso, rs.

EuPreciso, sim, de um texto introdutório e/ou alguns explicativos sobre o porque que você escolheu estas receitas.

E este texto ficou tão bacana (ela é bastante didática) que eu aproveitei e simplesmente o reproduzi totalmente só introduzindo um resumão das receitas. (Repare que a minha interferência foi a parte em azul)
Vamos então ao 33º Inter Blogs com a Dani e o blog O Café da Sereia (que está um pouquinho enferrujado, mas que a própria Dani disse que voltará brevemente a postar por lá).

See you!

Bebidinha – Uma invenção do Déo , um Dry Martini com cointreau e alguns toasts. Digamos que foi um DryFV.

Confesso que, por acompanhar o blog do Edu e ver a perícia com que ele e a Dé confeccionam os jantares maravilhosos que oferecem, fiquei um tanto cabreira de sugerir um “menu britânico”.

Em geral, os menus consumidos nesta parte do mundo não são, vamos assim dizer, dos mais complexos – ainda que trabalhosos. Esclarecendo melhor: a sofisticação da culinária britânica de raiz tem muito mais a ver com a qualidade dos ingredientes e regionalismos do que com processos e diversidade.

Sim, aqui estão alguns dos chefs mais famosos do mundo, mas o que se vê nos restaurantes é semelhante ao que temos em São Paulo, por exemplo: uma miscelânea de cuisines, de conceitos fusion, de influências francesas, italianas, espanholas, asiáticas. Não chamaria um frango enrolado em presunto de Parma ao pesto, de britânico: mas não é difícil encontrar algo assim na maioria dos gastropubs.

Eu ouso dizer que a base – não a totalidade, antes que me acusem de generalizar, rs – do que se chamaria de prato típico daqui consiste nas diversas permutações da seguinte tríade – carne, batatas e legumes.
Na forma de assados, tortas, cozidos, guisados. É claro que alguns são totalmente old school, outros dão uma pirada no conceito, mas em geral é isto – batatas e peixe fritos à parte.

E se eu queria ser britânica na cozinha – como geralmente sou umas três vezes por semana, já que o namorido é inglês – não poderia vir com muitas frescuras, já que um britânico de verdade detesta frescuras culinárias.

Portanto, depois de quebrar a cabeça, decidi que iria ser super old school, já que senão os pratos poderiam ser de qualquer lugar, deixando um espaço de improvisação para os Luz, rs.
E, claro, dando o meu toque, porque este não é um menu 100% raiz, mas sim, a minha versão do que percebo como British food.

Decidi, então, que a primeira das entradas seria a mais simples possível, uma que vejo se repetir em bons restaurantes e em algumas festas a que fui: salmão defumado.

Salmão defumado, com molho tártaro caseiro e torradas com dill. O molho tártaro eu fazia num wine bar em que trabalhei em Londres: maionese caseira, alcaparras e pepinos em conserva. Um quarto de limão siciliano para acompanhar.

Receita – Basta comprar salmão defumado de primeira (by sex shop. Estamos quase fechando o patrocínio! rs)

Faça um molho tártaro com maionese, pepinos em conserva picados, alcaparras, sal e pimenta.

Torre fatias grossas de pão pinceladas com manteiga derretida aromatizada com dill.

E sirva colocando uma fatia de salmão com bastante pimenta do reino moída, uma colher do molho tártaro, duas torradas e ¼ dum limão siciliano.

A segunda, semivegetariana para fazer a transição para o prato principal, utilizando dois ingredientes multiuso por aqui: cogumelos frescos e bacon (estilo canadense, sem veios de gordura, defumado).
Portanto: tortinhas de cogumelos e bacon – estilo tartlets – com guarnição de salada de agrião ao vinagrete de azeite, mostarda (inglesa, se possível) e mel.

Receita Faça uma massa básica pra tortas ( 200 g de farinha peneirada, 100 g de manteiga gelada, 1 ovo batido e pitada de sal) e asse em forminhas por 15 minutos (é claro que não é só isso. Se quiser a receita completa, avisa que eu envio).

E um recheio pra elas com cogumelos, bacon, manteiga, creme de leite fresco, cebola, ovo batido, estragão, sal e pimenta.

Coloque este recheio nas tortinhas e leve ao forno por cerca de 25 minutos até que o creme dê uma endurecida.

O conjunto da obra (salmão + torta) resultou wonderful.

E drinkamos um vinho branco, o Chardonnay Jacobs Creek 2009 Austrália que foi ópera house, johns creek, jacobs best, uvaitalianesco” segundo os englsihwomam/man, nós mesmos.

Depois de me debater entre cordeiro, porco e carne de vaca, optei pela última para o meu assado, por mais carne de vaca que fosse, rs. Porque é mesmo o mais popular dos roasts, juntamente com o frango – o roast beef, cheguei até a fazer uma pesquisa entre os meus conhecidos.

Eu não cozinho cordeiro em casa – não gostamos muito – e as receitas com porco se aproximariam muito das brasileiras.

Então, o prato principal será: roast beef, batatas fondant (dei uma afrancesada no acompanhamento já que aqui em casa fazem mais sucesso do que as simplesmente assadas, mas se quiser, pode assá-las), mini-cenouras (baby carrots) e brócoli salteados, yorkshire puddings (este é o grande desafio do cardápio e um diferencial) e purê de ervilhas. E, claro, para regar tudo isso, molho gravy.

Receitas –Vamos por partes (Jack Estripador?) porque este prato principal é quase um anglo buffet.

Carne  e molho Gravy – Um tremendo filé mignon marinado com manteiga derretida, tomilho fresco e alho por pelo menos uma noite. Raspe os resíduos e frite-o com manteiga.

Leve ao forno com cebolas cortados em quartos, dentes de alho com casca (o famoso alho caramelado) e cenouras.

O molho gravy será feito com os sumos que escorrerão da carne e dos temperos (caso não obtenha a quantidade suficiente, acrescente um pouco dum bom caldo de carne). Aqui também tem um pulo do gato da Dani. Este eu também passo se alguém pedir!

Yorkshire pudding – Como a própria Dani disse, não é um pudim. É uma massinha assada que serve de acompanhamento ao prato.
100 g de farinha peneirada, 2 xícaras de leite, 1 boa pitada de sal e 2 ovos batidos no liquidificador até ficar bem homogênea e leve com bolhas na superfície.

Este “catjump” eu vou dar: pré-aqueça o forno a 230ºC por 15 minutos. Leve as forminhas com meia colher de gordura em cada uma e deixe esquentar até começar a fumegar. Despeje a mistura enchendo 2/3 nas forminhas completamente quentes. E não abra o forno nem por decreto, certo Dani?

Cenouras e brocolis – As cenouras foram assadas junto com a carne.

E o brocoli “assustado” em água bem quente e passado logo após na gelada (a água).

Purê de ervilhas – Foi a estréia oficial do meu Thermomix (obrigado, Dézinha).

Batatas – São lavadas, descascadas, cortadas em rodelas de uns 1,5 cm e fritas em azeite e manteiga até ficarem bem douradas.

Aí são cozidas com caldo de frango (cubra-as até a metade) e tomilho fresco.

Prato pronto, my dear e a felicidade foi total. Isto é o que se pode chamar de comfort food.  

E o DCPV teve que se transformar num DCPC. Porque entornamos uma bela Guinness pra acompanhar tudo. Achamos a little black “nicotinesca, margosa, recordista, strong”.

No quesito sobremesa, é preciso lembrar – os britânicos gostam muito, mas muito mesmo de muito açúcar. Queria fazer um summer fruit pudding – um “pudim” de pão de forma ensopado em frutos vermelhos e açúcar, que pode ser acompanhado por creme batido ou sorvete. Mas o meu coração bate mais forte pela Bakewell Tart, uma torta de amêndoas na versão que mais adoro – com recheio de geleia de framboesas.

Receita – Média.
Uma massa básica (farinha de trigo, açúcar de confeiteiro, manteiga, gemas de ovos e uma pitada de sal). O processo é parecido com o da torta salgada. O recheio é feito de manteiga, açúcar, ovos, extrato de amêndoas e as próprias moídas.

Daí é só montar: uma camada de geléia de framboesa…

… uma do recheio e …

         

… finalize com lascas de amêndoas, levando ao forno por ~30 minutos.

                    

Uma verdadeira delícia.

Se ainda houver lugar, uma tábuazinha de queijos britânicos, o que você conseguir encontrar, mas acho que Stilton e um Cheddar suave não podem faltar.

Acompanhamento: uvas Itália, biscoitos para queijos.

É esta a base do cardápio.

Para acompanhar os pratos, acho, seria legal escolherem vinhos australianos ou franceses – vendo um programa sobre comida na Inglaterra ao longo da história, vi que gostavam de Claret às refeições na época elisabetana, uma dica! – que harmonizem bem, uma marca bastante popular aqui é a Jacob’s Creek. Mas, claro, fica ao seu critério e gosto, não há regras neste caso.

Eu também não descartaria algumas cervejas Guinness – embora irlandesas…- ou qualquer variedade britânica que encontrar por aí, se o clima não estiver para vinho tinto – é comum vê-las acompanhando os assados de domingo nos pubs.

Abraços, Daniela.

Dani, além dos nosso eternos agradecimentos, ficam aqui as nossas famosas flores virtuais.

Incrível como este IB nos introduziu (ui) à cultura britânica, tida como fechada e quadrada.

Gratissimo pela participação e por absoltumente tudo, inclusive este texto brilhante .

Eis a opinião dos bravos soldados do Castelo da Rainha (nós só nos mexemos pra comer!! rs

God save Dani! Tudo saxão e anglo ao máximo. (Edu)
Eat or not eat, that’s the question. (Deo)
God save the Queen and the food! (Mingão)

PS – E o próximo IB será na semana que vem com a comida de festas de final de ano da Carol do blog Bouquet Garni. Teremos a presença de convidados especiais. Aguardem.

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2º ISB – do desejo de niemeyer a realidade do isb*

2º ISB – Do desejo de Niemeyer a realidade do ISB*

Hi, gente fina.
Continua a novela, o capítulo-a-capítulo de tudo o que aconteceu no encontro dos without blogs, o 2º ISB, o Inter dos Sem Blogs.

A festa foi de arromba e todos os participantes se esbaldaram a valer.
Desta vez teremos a visão da prof Drix. Leiam, discutam e comentem.
Sabe como é: em sociedade, tudo se sabe.

Este post encerra a tetralogia do evento na visão dos participantes (veja a minhaa do Eymard e a da Sueli).
Aguardem que o próximo, o 3º será em BH e arredores. Ah! A sede do 4º também já foi escolhida: a grande e bela Ferraz de Vasconcelos.

 Hasta la vista, babies. (EduLight)

Do desejo de Niemeyer à realidade do ISB * (by Drix)

“Era um rabisco e pulsava.”  (Carlos Drummond de Andrade)  

Foi assim que tudo começou: do traço simples de Lúcio Costa. Era “inveja” e pulsava. :- ) Foi assim que tudo começou: do desejo dos sem blog de um dia sentar-se à mesa do DCPV.

“Brasília surgiu como uma flor do deserto, dentro das áreas e escalas que seu urbanista criou, vestida com as fantasias da minha arquitetura. E o velho cerrado cobriu-se de prédios e de gente, de ruídos, tristezas e alegrias”. (Oscar Niemeyer)  

A confraria DCPV surgiu da amizade que une Edu, Déo e Mingão, vestida do prazer de Edu em cozinhar. Cobre de alegria as terças-feiras de Ferraz de Vasconcelos e, eventualmente, os fins-de-semana de alguma outra cidade. Naquele feriado de 15 de novembro, cobriu de alegria Brasília.

“Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil: eles ergueram o espanto inexplicado.” (Clarice Lispector)

Nenhum de nós pensava em conquistar novos amigos: seria fácil. Reconhecemos novas velhas amizades, conquistadas em outras infâncias, para o espanto inexplicado de alguns.

“Mas se ela nasce assim madura, sabei-o: é o tempo! O paridor de estrelas, cubos, alvoradas e cristais; é o tempo – que da estrutura dos metais criou as linhas do viver.” (Affonso Romano de Sant’Anna)  

E se a amizade nasce assim madura, sabei-o: é o tempo! O paridor de sentimentos como serenidade, sinceridade, tolerância, respeito às diferenças, cumplicidade;  é o tempo – que desses sentimentos criou as linhas do viver.

Sim, era o Homem, era finalmente, e definitivamente, o Homem. Viera para ficar. Tinha nos olhos a força de um propósito: permanecer, vencer as solidões e os horizontes, desbravar e criar, fundar e erguer. Suas mãos já não traziam outras armas que as do trabalho em paz. Sim, era finalmente o Homem: o Fundador. Trazia no rosto a antiga determinação dos bandeirantes, mas já não eram o ouro e os diamantes o objeto de sua cobiça. (Vinicius de Moraes e Antonio Carlos Jobim)

Há cinquenta anos eles vieram de vários lugares deste imenso país. Homens simples, que deixaram para trás mulher e filhos e chegaram ao planalto central com seus diferentes sotaques e culturas. Pés descalços, olhares atentos, esperança no futuro. Terra vermelha, trabalho duro. Admiração pelo presidente doutor que se mostrava igual nos momentos de cantoria (Eymard, “Peixe Vivo” certamente não faltava no repertorio do presidente seresteiro). Ao construírem seus palácios, com formas nunca antes vistas – por eles e por ministros e arquitetos estrangeiros, como André Malreaux e Le Corbusier -, apropriaram-se de sua história. Foram chamados candangos. Ganharam escultura de Bruno Giorgi. Cinquenta anos depois, nossa vez de tomar posse de nossa Capital, descobrir seus encantos surgidos do talento de Niemeyer, Lúcio Costa, Marianne Peretti , Ceschiatti, Bruno Giorgi, Athos Bulcão, Burle Marx e desses brasileiros anônimos. Como há cinqüenta anos, também chegamos de vários lugares desse imenso país. Mistura de sotaques e culturas – síntese do Brasil.

“No cimento de Brasília se resguarda maneiras de casa antiga de fazenda, de casa-grande de engenho, enfim, de casarona de alma fêmea (…) que guarda no jeito o feminino e o envolvimento de alpendre de Minas.” (João Cabral de Melo Neto)

Como na casa antiga de fazenda e na casa-grande de engenho a mesa foi posta, os amigos recebidos com carinho. Como no alpendre de Minas, a prosa se estendeu por todo o dia e toda a noite.

“Foi necessário muito mais que engenho, tenacidade e invenção. Foi necessário um milhão de metros cúbicos de concreto, e foram necessárias 100 mil toneladas de ferro redondo, e foram necessários milhares e milhares de sacos de cimento, e 500 mil metros cúbicos de areia, e dois mil quilômetros de fios. E um milhão de metros cúbicos de brita foi necessário, e quatrocentos quilômetros de laminados, e toneladas e toneladas de madeira foram necessárias. E 60 mil operários! Foram necessários 60 mil trabalhadores vindos de todos os cantos da imensa pátria, sobretudo do Norte! 60 mil candangos foram necessários para desbastar, cavar, estaquear, cortar, serrar, pregar, soldar, empurrar, cimentar, aplainar, polir, erguer as brancas empenas…” (Vinicius de    Moraes e Antonio Carlos Jobim) 

Foi necessário muito mais do que habilidade em picar alho poró e cebolas, lavar morangos, fazer molhos, dessalgar bacalhau. Foram necessárias várias medidas de arroz, incontáveis postas de bacalhau, muito alecrim. Foi necessária muita geléia e queijo brie. Foram necessários quilos e mais quilos de alho poró, dúzia de mini abóboras e peras, batatas e carnes, travessas de morango, folhas e folhas verdes, garrafas e garrafas e garrafas de vinho. E dois chefs, quatro ajudantes e dois observadores. Chefs e ajudantes foram necessários para comprar ingredientes e flores, picar pimentão, cebola e alho poró, temperar carne, limpar morangos, preparar massa, organizar louça na lavadora, servir o vinho, montar os pratos como verdadeiras obras de arte. Observadores foram necessários para … observar, claro!

Esse foi o cenário de nosso 2º ISB: Brasília, cidade de pilotis, super quadras, espaços livres, palácios e suas colunas únicas, prédios que flutuam em espelhos d’água, obras de arte expostas sob um enorme céu azul, utopia de igualdade. Como no primeiro encontro, o sentimento do 2º ISB foi de amizade, alegria pelo reencontro, prazer pela companhia e os momentos de prosa.

Dizem que mineiro não perde trem. Começo a acreditar que, mais que isso, mineiro chega um dia antes. Ou melhor: cumpre o combinado :- ) Com isso, meus ISBs tiveram um bônus especial. Em São Paulo, o ótimo show de Jorge Drexler, na companhia de Edu, Dé e Renata. Em Brasília, na sexta-feira, almoço com Sueli e Jorge e jantar na casa de Lourdes, Eymard e Gustavo. No almoço de sexta-feira, o carinho de ser recebida com comidinha gostosa, preparada por Sueli, e picolé especial, de chocolate e menta, comprado por Jorge. No jantar, apesar de todas as preocupações com relação ao menu, tivemos “pasta ao dente com manteiga trufada derretida e trufas brancas” (devidamente copiado do comentário do Eymard). Piemonte esteve presente também na entrada: tâmaras de Piemonte acompanhavam o melão e presunto de Parma. Disse a Eymard que gosto de “comida simples”, mas de nada adiantou. Preocupado, preocupou Lourdes, que acabou encomendando um peru lindamente decorado. Diante da “comida simples”, repetida por todos, o peru ficou intocado. O almoço de sábado também foi delicioso: arroz com peixe e frutos do mar, no Coco Bambu, com a companhia de Gustavo.

No sábado à tarde esperamos por Edu e Dé na casa de Eymard e Lourdes. Queijos, vinhos e picolos docinhos; prosa boa. Mas era preciso voltar ao hotel. Tinha jogo do Corinthians… e do Atlético. Um tentava chegar ao topo… O outro tentava não cair :- ( Além disso, tínhamos uma reserva para o jantar na Trattoria Da Rosário.  Na tavola redonda, casos da viagem a Piemonte. Pedidos variados e sofisticados, de quem tem paladar apurado. Exceto o meu. Encorajada pela Dé, com seu jeitinho carinhoso, pedi massa a bolonhesa, afinal, gosto de comida simples. Após o jantar, tour noturno pela cidade. Brasília iluminada é ainda mais bonita!

Domingo, dia de city tour diurno. Por causa da chuva, foi dividido em duas etapas. A primeira, antes do almoço, com passeio pelo lago norte, passando pela UNB, visita ao Memorial JK. Depois do almoço, Congresso, Esplanada dos Ministérios, Praça dos Três Poderes, Torre de TV. O Palácio da Alvorada não entrou no city tour, pois ele era o vizinho mais próximo de nosso hotel.

Como no encontro em São Paulo, antecedendo o jantar oficial do ISB, um almoço, preparado por Sueli. Salada de folhas verdes com pêra, nozes e um molho delicioso, acompanhada de mini abóbora recheada com bacalhau;  arroz com bacalhau (que eu já conhecia e adoro) e algumas opções de sobremesa. Fiquei na panna cotta com geléia de frutas vermelhas (ainda me pergunto como teria ficado com geléia de laranja). Dessa vez não fiz café. Bebemos chá. Guardava minha participação para a torta: “bater os ovos” e “mexer o alho poró na panela”. Com minha habilidade na cozinha tenho que me concentrar em uma ou duas coisas apenas.

O jantar oficial foi montado a partir dos pratos preparados por Edu nas noites de interblogs. Depois de uma exaustiva pesquisa dos sem blog, as sugestões foram enviadas para Edu que chegou ao menu final. Que eu adorei! Começamos com queijo brie e geléia. Entrada: torta de alho poro (muito alho poró… como a cebola, em São Paulo), queijo a milanesa (posso dizer assim, Edu?) e salada de folhas verdes. Principal: brasato com batata assada com alho e alecrim. Desde o momento da definição do menu tinha dispensado o risoto. Todos aderiram a idéia, já que seria um exagero. Sobremesa deliciosa!!! Sopa de morango com sorvete de creme. 

Para finalizar a saga gastronômica em Brasília, água mineral com gás e natural, no bar da piscina do hotel, na segunda-feira pela manhã, antes de sairmos para o aeroporto. Bem, antes de minha primeira saída para o aeroporto. Depois de nos despedirmos de Dé e Edu, voltei com Sueli e Jorge para sua casa, a tempo de comer mais um pouquinho do arroz com bacalhau, antes de sair, pela segunda vez, para o aeroporto.

Mais uma vez tudo saiu perfeito. Rimos muito. Comemos muito. Beberam muito :- ) Mientras (adoro o mientras) observava, ao lado de Eymard, os preparativos na cozinha, perguntava-me: como Sueli e Edu fazem parecer tão fácil? Mas o ISB nasceu democrático, permitindo a participação de todos: chefs e leigos! Este é o espírito do ISB: o respeito às habilidades de cada um. Eymard e eu, por exemplo, observamos… e comemos.

E tudo o que comemos estava delicioso.  Tenho certeza de que todos os vinhos também. Mas pensei em fazer de meu registro do 2º ISB uma homenagem ao cenário e sentimento que une os atores desse encontro. Pensei em registrar em meu texto uma homenagem à Brasília, cidade que me conquistou nas aulas de História de Arquitetura e que me cativou por meio de seus candangos e das muitas histórias que me contaram durante minha pesquisa sobre sua construção. Pensei em registrar em meu texto meu carinho pelos amigos do ISB (incluídos Déo, Mingão e Regina, mesmo que ausentes em Brasília).

“A força de Brasília nasceu do simples gesto do homem que se apropria de um lugar: duas linhas que se cruzam em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz” (Lúcio Costa)

A força do ISB nasceu do simples gesto do homem de crer no amor, na amizade, no afeto, e na gentileza e no bom humor como forma de realizá-lo. 

“Beleza bonita de ver nada existe como o azul sem manchas do céu do Planalto Central e o horizonte imenso aberto sugerindo mil direções. E eu nem quero saber se foi bebedeira louca ou lucidez”. (Toninho Horta e Fernando Brant)

Certeza, tenho duas: Brasília foi construída com espaço reservado para o céu e sim, foi bebedeira louca… mas com muita lucidez :- ) E se o horizonte imenso sugere mil direções, como que fazendo o caminho inverso da nossa arquitetura moderna, referência mundial, os ventos do ISB apontam para Pampulha. Da cachaça pro vinho. De Brasília para Pampulha. Do horizonte imenso para o belo horizonte desenhando pelas montanhas de Minas. Um brinde ao 3º ISB!

(*) O titulo faz referência à frase de Niemeyer: “Espero que Brasília seja uma cidade de homens felizes: homens que sintam a vida em toda sua plenitude, em toda sua fragilidade; homens que compreendam o valor das coisas simples e puras: um gesto, uma palavra de afeto e solidariedade.”

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dcpv – outono in piedmonte

sem número
19/10/10

Outono in Piedmonte

Não precisa nem dizer que estamos naquela fase de “entrar no clima” pra viagem.

E nada melhor do que comprar livros gastronômicos sobre o lugar a ser visitado. Todos sabemos que a gastronomia é sempre acompanhada pela história, pelos costumes e dá o tom da personalidade dum povo.

Autumn in Piemonte, da Manuela Darling-Gansser é uma das poucas publicações sobre o fecundo norte da Itália (como é difícil encontrar muitas informações, mesmo na Internet, sobre a região).

E melhor, o livro todo é baseado em experiências pessoais dela no Piemonte. Dicas de restaurantes (especialmente em Turim), de vinícolas, de lugares a se visitar são frequentes e tem um jeitão de serem muito especiais (iremos em algumas brevemente. Prometo confirmar se são ou não?)

Apesar de ser em inglês, você consegue entender muita coisa e as fotos são especialmente bacanas.

A cada capítulo, a Manuela indica receitas que formarão vários cardápios genuinamente piemonteses.

Vamos então ao banho piemontês de imersão. Percebam que não é só um banho.

Bebidinhas e nota do autor.

Não tivermos bebidinhas pois neste jantar, participamos somente a Dé e eu. Digamos que foi um petit comité!

Entradas – Olive Fritte, Grissini com Prosciutto e Frittata Gialla e Verde.

Como no livro, não darei as medidas das receitas. Ora, estamos no Piemonte.
Pra olive, a azeitona, basta pegar algumas sem os caroços, recheá-la com anchovas, …

… passá-las no ovo e na farinha de rosca (feita com pão italiano velho) e fritá-las até dourarem.

                     

O grissini é muito mais difícil. 🙂

Comprei o tal (o famoso biskui) de alta qualidade no sex shop e enrolei um prosciutto nele.

Simples e piemontês.

Já para fazer a frittata você precisará de muuuita concentração.
Bata ovos até ficarem cremosos e frite-os numa frigideira com manteiga deixando-os bem fininhos (como se fossem panquecas).

Dê um “susto” em espinafres frescos e cortados.

Frite cebola e echalotas até ficarem transparentes. Adicione anchovas.

Coloque tudo num processador e junte atum  em lata a gosto.

                   

Monte a frittata como se fosse um wrap. Recheie com prosciutto, patê, espinafre e enrole.

Corte na diagonal e … pronto.
Esta entrada é rústica como se espera duma comida piemontesa. E saborosa como a mesma esperança!

Tomamos um Freixenet Cordon Negro que foi “brisa piemontesa, encorpado” segundo o casalzinho italiano, nós mesmos.

Principal – Sofilina e Patate Arrosto com Funghi porcini.

Estas batatas são corriqueiras na região de Alba (ainda bem).
Tire a pele e corte as batatas em 4.

Escolha uma forma que caiba todos os pedaços confortavelmente, coloque azeite de oliva e logo após as batatas.

Hidrate cogumelos porcini, guarde a água e adicione às batatas.

Junte 12 dentes de alho (capriche pois eles parecerão caramelos!) e 15 folhas de sálvia. Finalmente retorne com a água dos cogumelos e coloque um pouco de manteiga.
Asse no forno por uns 30 m inutos, mexendo a forma de vez em quando. Tempere com sal e pimenta somente na hora de servir.

Os alhos ficam tão macios e caramelizados que quase parecem chicletes.
Já os escalopinhos estão na imaginação de quem tenha ouvido falar na cozinha do Noroeste da Itália (pelo menos na minha! rs).
Bata os bifinhos até ficarem bem finos.

Passe a carne e na sequencia, em farinha de trigo, ovos batidos e pão italiano ralado grosseiramente.

Aqueça uma frigideira com azeite, coloque folhas de sálvia e frite os escalopinhos até ficarem dourados.

Faça uma bela saladinha de tomates e alguns verdes.

Com a junção das batatas formam um daqueles pratos inesquecíveis. Como diria o grande Juscelino “Piselli” Pereira (nosso guia piemontês): ma-ra-vi-lho-so!

Ainda mais com o tinto Barbera d’Asti Camp de Rouss Coppo 2006 que foi “potenza norttista, CG” segundo il enamorati! Este será degustado no lugar de origem!

Sobremesa – Pasteizinhos e Ossi di Morti

Pra esta, eu apelei. Iria fazer Baci della Mamma, ou melhor dizendo, beijos da mamãe.
O nome da receita é inspirador. Mas como não tivemos tempo, acabou ficando pra próxima. Quem sabe depois do próprio Piemonte?

De qualquer maneira, peguei dois pasteizinhos que a minha mãe faz (eles tem uma massa bem sequinha e são recheados com uma pasta de uva), que são viciativos e acrescentei uns ossi di morti by Sódoces do amigão Flavio Federico.

Frescurites à parte (geleinha de pimenta, aceto balsâmico de qualidade) e experimentamos um pouco da brisa piemontesa.

Com Nespresso e tudo o mais.

Eis a opinião dos colombinhos:

Ai, ai, aiai. Está chegando a hora! (Edu)
Envolvente! Italiano. (Dé)

“O Piemonte, literalmente “aos pés das montanhas” fica no longínquo noroeste da Itália. Mais exatamente ao oeste da França, ao norte da Suiça e ao leste das planícies da Lombardia e da cidade de Milão. Algumas das mais ricas e pitorescas terras férteis da Itália são encontradas por aqui e o resultado é uma série dos melhores produtos do mundo”.

“O outono é o período do ápice da viticultura piemontesa, a temporada dos cogumelos selvagens e das trufas, dos arrozais das terras do rio Pó e da chegada dos novos queijos das ricas montanhas verdejantes. Para os amantes da comida e do vinho italiano é o período perfeito pra experimentar as delícias da região”. (até que o meu inglês não está tão ruim?).

Caramba! Veremos tudo isto, sócio? Ou melhor, experimentaremos!

Arrivederci.

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dcpv – 2º isb – como uma onda no mar. nada do que foi, será …

2º ISB – Como uma onda no mar. Nada do que foi será… 

Alô, povo.
Continua a epopéia, o passo-a-passo de tudo o que aconteceu no encontro do mundinho “semblogueiro”, o 2º ISB, o Inter dos Sem Blogs.

A festa rolou sobre os carretéis com bebidas adequadas e comidas pertinentes.
Desta vez teremos a visão da Sueli. Leiam, discutam e comentem.
Sabe como é: os cães ladram e a caravana passa.

No sábado que vem (18/12) será vez da chef Drix com  o derradeiro depoimento.

 

Ademain que eu vou de leve. (EduLight)

Cozinhar, um ato de amor, doação e desprendimento. ( by Sueli)

Falávamos outro dia, eu e a Mirella, uma amiga virtual, arquiteta e artista plástica, sobre a dificuldade que muitas vezes encontramos em nos desfazer das coisas que criamos.   Lembrei-me, então, da incrível arte de monges budistas que elaboram sofisticadíssimas mandalas de sal colorido, para simplesmente destruí-las tão logo ficam prontas e assim provar que na vida tudo é passageiro e transitório. 
Tenho muita dificuldade em desfazer-me das coisas que crio, mas cheguei à conclusão que não sou uma pessoa tão apegada à criação como pensava, pois cozinhar é uma arte efêmera, de total entrega, doação e desprendimento.

Levamos muito tempo programando, elaborando ou selecionando receitas, fazendo compras, horas a fio na cozinha, momentos de grande ansiedade para que tudo saia bem e a refeição seja então servida… Depois tudo é muito fugaz e acaba em uma fração de tempo. Uma fração de tempo poética, uma vez que a comida repercute nas emoções e muitas vezes, desencadeia recordações.
Cozinhar é uma arte transitória que tem grande valor terapêutico e transformador, pois nos proporciona o convívio agradável com os amigos e parentes, fortalece os laços e suscita generosidade e afeto.

Cozinhar é verdadeiramente um ato de amor, é um afago que fazemos nas pessoas.  Cozinhamos para satisfazer aos nossos sentidos e aos dos outros. É uma entrega total, que deixa em nós a certeza do compromisso realizado.
Algumas vezes perpetuamos os aromas, as cores, os sabores e os momentos bons em fotografias, mas na maioria das vezes fica tudo gravado só na memória. E haja memória!

O 2º ISB começou muito antes do nosso compromisso de domingo aqui em Brasília. E não foi igual ao primeiro em SP, pois nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará   E passou muito rápido, como uma onda no mar… 

Para cada um de nós houve um tempo específico de elaboração, doação e todos estávamos num momento de grande estresse. Edu e Eymard haviam acabado de chegar do Piemonte.  Adriana, sobrecarregada de trabalho, trouxe até dever de casa. Eu, super ansiosa, com a grande responsabilidade de receber em nossa casa pessoas tão queridas e querendo retribuir à altura a mandala que eles já nos haviam preparado .

Esse encontro não foi perfeito, pois Mingão e Regina, presentes no 1º ISB, não puderam vir, uma quebra nos nossos planos, e eles fizeram muita falta. A Rê já havia dito que não viria.
Para mim e Adriana tudo começou mais cedo, sexta no almoço, quando preparei para ela “comidinha gostosa”, o carinho de mãe reproduzido com carinho de amiga.
Eymard e Lourdes entraram na seqüência, quando nos receberam lindamente para um jantar regado a tartufo bianco. Infelizmente não levei máquina para a casa do Eymard, mas, nas nossas lembranças, os momentos estão bem vivos.
O lindo sábado ensolarado começou para mim e Jorge com um périplo entre mercados, floricultura, mercearia, padaria.
Diretrizes traçadas, bastidores montados, partimos para nos encontrar, à beira do Lago Paranoá, no restaurante Coco Bambu com o Eymard, Lourdes, Gustavo e Adriana.

Sobremesa na casa do Eymard, à espera da chegada de Edu e Dé. Uma geral nas novidades, muita dúvida e incertezas quanto ao jogo do ‘Timão”…

Sem jogo do “Timão”, fomos jantar na Trattoria da Rosario, um italiano, para os viajantes não perderem o embalo do Piemonte. Aproveitamos a linda noite e partimos para um city tour.

Como é bom mostrar a nossa casa para os amigos!!!!!!!!!!! Brasília é de uma beleza inusitada e estonteante, e nosso Eixo Monumental conquistou nossos amigos paulistanos, que estavam hospedados bem ao lado do Palácio da Alvorada. 

Adriana matou saudades, pois já havia morado em Brasília e é apaixonada pela cidade.

O domingo amanheceu chuvoso, sem promessa de melhoras e o city tour planejado ficou meio comprometido. Mesmo assim deu para eles aproveitarem alguma coisa.

Enquanto isso, eu estava no borralho, pois ia recebê-los para o almoço, em voo solo. Grande tensão…

Atendendo aos apelos da Adriana, preparei Arroz de Bacalhau, que ela e Eymard já haviam provado; …

                         

                                                      

… mini abóboras recheadas com creme de bacalhau e salada de folhinhas baby, pera e nozes carameladas, petits chèvres e molho à minha moda …

… figos ramy, preparados por mim e panna cotta de coco, com geléia de frutas vermelhas.

No balde:  Prosecco e vinhos branco e tinto, tudo trazido pelo Edu, que não confiou na minha adega. Ah, e muita coca normal! Adriana, nossa eterna viciada, não fica sem sua coca.

Para finalizar, variar e liberar a Adriana do cafézinho, deliciosos chás de vanilla e soursop, nossa conhecida graviola.

Uma pausa para a digestão na varanda.

Papinho… Passadinha na cozinha (arrumadinha pela Maria) para Edu preparar a massa da torta, enquanto eu refogava o alho-poró. Batatas montadas e temperadas no tabuleiro. 

Bastidores do segundo tempo à toda e  partimos para um fim de tarde turístico, já que o sol resolvera brilhar e aquecer os visitantes. Foi muito bom ver à luz do sol o que tínhamos visto sob a luz da lua.

Pela manhã, aproveitando a chuvinha insistente que caía, eles visitaram o Memorial JK, agora, uma pausa na Torre de TV e imediata desistência para a subida, já que a fila era um pouco grande e Eymard se recusava a empreender a façanha… Aqui nesse grupo cada um tem uma síndrome…

Retorno pela Esplanada dos Ministérios e paradinha em frente ao Palácio do Itamaraty, com linda vista para o Congresso e Ministério da Justiça. Fotos, auto fotos e muuuuuuitas risadas.

Continuamos a descida e paramos em frente ao Supremo, com direito à belíssima panorâmica da Praça dos Três Poderes…

… configurada como um triângulo equilátero, em cujos vértices estão implantados os edifícios que integram os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O ponto focal é o Congresso Nacional, que compõe a simetria com o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, semelhantes nas proporções e na linguagem arquitetônica . No meio de tudo o Museu da Cidade, o Panteão da Pátria, a Casa de Chá, o Espaço Lúcio Costa e o Mastro da Bandeira. Esculturas de José Pedrosa, Bruno Giorgi, Alfredo Ceschiatti e vitrais de Marianne Peretti, engrandecem ainda mais as obras de Oscar Niemeyer e Athos Bulcão. Sou apaixona por Brasília!  Uma pena a Catedral estar fechada para reforma! Ela é indescritível!

O sol estava se pondo – 19hs, horário de verão – e a noite prometia… Partimos cada um para a toillete de gala.

Mais chapliniano que o resumo do Eymard para nosso 1º ISB foi o meu retorno ao borralho, (agora sem Maria) visando deixar tudo o mais pronto possível para a chegada dos convivas. Uma amiga chegou a gravar uma trilha sonora bem cinema mudo, dizendo que estava antevendo a minha correria, esqueci-a no carro e não a usei.

Como eu corri, meu Deus! Estava ‘MORTA’. A adrenalina era grande e os ponteiros do relógio, céleres.

Coloquei as batatas no forno e dei os últimos retoques à carne.

Aprendi com o Edu a não ser tão cartesiana e fiz uma alteração no cardápio, que infelizmente não foi para melhor, pois o que deveria ser um Brasato, virou um Salato. Segundo o Edu, foi bom, assim comemos menos. Mas para mim foi imperdoável.

Eu precisava tomar banho, todos chegariam bonitinhos e perfumados. Fui!

As meninas, quando chegaram, terminaram a decoração da mesa preta e branca, uma homenagem aos corintianos, que já não haviam visto o jogo na véspera.

Tomamos um Prosecco enquanto Edu abria a massa da torta e temperava o queijo de cabra. Adriana fez questão absoluta de bater os ovos, à mão, para a elaboração do recheio. Tá ficando íntima!

As coisas não estavam dando muito certo. O diâmetro da minha forma era maior do que devia e o recheio se mostrou tímido, precisando de um up grade. Fizemos mais recheio.

Torta no forno, queijinho de cabra temperado esperando para ir ao forno, carne pronta, folhinhas no ponto, som na caixa, abrimos um vinho branco e demos uma relaxada, degustando o delicioso Brie com geléias.

Esse foi o dia das geléias.  Foram usados 8 sabores e quatro marcas diferentes.

Depois partimos para a guerra. E que guerra!

 Nosso menu foi composto de alguns pratos já apresentados nos 32 IBs que Edu realizara, antes do nosso encontro.

Revimos tudo – tudo mesmo, e Adriana “linkou” todos os posts para nós – e escolhemos os pratos que mais nos agradavam:

Para beliscar

Brie com geléias, do 23º IB, acompanhado por torradinhas. Aqui errei tudo, pois comprei um brie Présidente, grandão, inteiro, e era para ter comprado o pequenininho. É que eu acho o grandão mais gostoso. Tivemos que cortar com um aro e fazer uma cirurgia de preenchimento na lateral. Na cozinha somos um pouco de tudo.

Usamos algumas das extraordinárias geléias da Casa de Madeira: morango com pimenta (boa demais!), physalis e cabernet sauvignon (meio aguada) e damasco St. Dalfour.

 Entrada

Torta de Porri  do 25ª IB.  Excelente e linda! 

Salada verde com queijo de cabra com crosta de pão. Do 5º.IB

Prato principal

Brasato ao Barolo da Maria, totalmente repaginado por mim e, infelizmente, salado por demais. 

Batatas ao forno com azeite, alho e alecrin.

Tomamos um Barolo, decantado.

Um Risoto piemontês estava programado, mas abrimos mão dele, pois além de estarmos todos mortos de cansaço, estávamos para lá de saciados, e ainda vinha a sobremesa.

 Sobremesa

Sopa de morangos, quentinha, acompanhada por sorvete de creme. Do 30 IB. A Lourdes se incumbiu do panelão de morangos.          

Aqui eu também interferi e acrescentei framboesas e mirtilles. No lugar de água de rosas, como pede a receita, usei uma geléia de rosas, que acabou não se diluindo completamente e foi parar quase toda no prato da Lourdes.

Para acompanhar, um Tierruca colheita tardia.

Às duas da manhã, estávamos pregados, para lá de calibrados. Segunda-feira de feriadão. Minha sala de jantar e a cozinha pareciam terra de ninguém. Operação rescaldo. O que a “Cremilda”(minha lava-louça) não deu conta na madrugada, estava por todo lado. Nova sessão.
Ordem no pedaço e fomos ao aeroporto nos despedir dos Luz, que por pouco não perderam o voo.

Beijinhos, beijinhos, tchau, tchau e a perfeita sensação de que o melhor da transitoriedade das coisas fica guardado dentro de cada um de nós, no carinho e na generosidade de compartilhá-las e no prazer que sentimos ao realizá-las.
Eymard foi “resgatar” o Gustavo em casa de amigo e nós voltamos para casa com Adri, íamos encarar um belo “soborô”. Às 15hs voltamos ao aeroporto, nosso até breve à Adriana.
Nada do que foi aqui em Brasília, ou lá em São Paulo, será igual em BH ou em qualquer outro lugar que nos encontremos. Mas fica sempre a certeza de que tudo foi e será bom demais, sempre, como uma onda no mar

Isso é certo! 

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piemonte – quinto giorno – gaia now for the rain is falling

02/11/10

Piemonte – Quinto  Giorno – Gaia now for the rain is falling

Quem ama os vinhos, ama os Gaja.

Que é um dos melhores produtores (quiçá o melhor) de toda a Itália.

Barbarescos, Barolos, Nebbiolos, Brunellos; todas esta jóias são produzidas por lá. E foi uma grande emoção quando vimos que um dos passeios do tour seria justamente à esta vinícola.

Mas o dia começou com um passeio corriqueiro e constante em todas as nossas viagens.

Fomos ao mercatto de Alba. Tudo bem que a versão completa dele acontece aos sábados, mas este parcial/diário já foi o suficiente pra mostrar como são os ingredientes por aqui.

 Segue um “piccolo” fotoblog  sobre este pedacinho do paraíso:

  

   

    

Também compramos algumas galochas. Mas estas são pro próximo post.

Encontramos com o chef Bruno Cingollani do restaurante Dulcis Vitis (o conhecemos num jantar sobre trufas aqui no Piselli) e fomos tomar um café com a “figura”.

De lá rumamos pra Gaja. Ela fica na pequena cidade de Barbaresco e todo o tour é um encantamento só.

Antes de mais nada, deixe-me resolver uma questão. Quando se escreve Gaja, deve-se ler Gaia (assim como a música do Gil, só que o g no lugar do k).

O tour começou com uma explicação histórica e apaixonada sobre o porque da vinícola ser uma excelência e como ela se transformou nesta potência mundial.

A nossa guia, a Sonia é uma grande entusiasta pela marca. Nós percebemos claramente a emoção que ela sentia ao nos contar cada detalhe da solidificação do mito Gaja. Na verdade, deu pra ver o lacrimejar dos seus olhos (ah, estes italianos tão passionais).

Ao final, degustamos 3 jóias: o Gaja & Rey Langhe DOC, …

… o Barbaresco 2004 DOCG …

… e o Sperrs 1999 Langhe Nebbiolo DOC.

A mulherada ficou tão emocianada que até fez pose de time de futebol.

E tem mais uma coisa: o próprio Sr Angelo Gaja, uma lenda da vitivinicultura mundial, veio nos dar um “saluto” pessoalmente. Como diria o grande poeta, ninguém chega nesta posição por acaso.

Saímos de lá por volta das 13:30 hs (ninguém queria ir embora!) e fomos almoçar no restaurante La Ciau del Tornavento do chef Maurilio Garola.

O lugar é extremamente bonito e acolhedor além de ter uma vista de tirar o fôlego. É claro que esta informação foi mais um exercício de imaginação do que qualquer outra coisa.

Sentamos numa mesa pra sete (o Duto e a Mônica, nossos parceirões,  se juntaram ao nosso grupo) e a diversão começou.

Couvert, grissini (cotação do Guia 4 Lâmpadas : 88 w),..

focaccia de cebola, …

 …uma saladinha de (acredito) pato, …

… uns picolos saborosíssimos, …

…, lulas, tanto o corpitcho ….

… quanto os tentáculos numa embalagem sensacional, …

… uma carne cruda (estávamos com saudades) com muitas trufas,…

… uns agnolotti tartufados de chorar de tão bom (e que vieram no lugar de uns gnochões ruins demais e devolvidos por toda a mesa, Juscelino incluso), …

…  e um leitãozinho divino.

Simplesmente divino.

É claro que arriscamos nuns pedaços de queijos DOP bem acompnahados por um mel trufado.

Finalmente, a sobremesa que era bonita, mas não tão gostosa (se bem que eu acho que a esta hora já tínhamos comido demais! rs)

Senhores, foram mais de 5 horas de puro divertimento, pois além de todos aqueles vinhos degustados, trufas aos borbotões; …

…  o bom-humor da nossa mesa era uma característica que não passou desapercebida por  ninguém.

Como o Juscelino já tinha frisado, não deixamos passar em branco a possibilidade de visitar a adega do restaurante. Veja como ele é um verdadeiro brincalhão! 🙂

Agora, será que podemos chamar somente de adega aquele verdadeiro monumento? São mais de 50000 (sim, cinquenta!) garrafas com o tudo o que uma pessoa possa imaginar sobre a “propriedade” de vinhos. Fizemos uma conta por cima e chegamos facilmente a milhões de Euros!!

Lá encontramos Chateau d`Yquem, Margaux, Petrus, …

… coleções  horizontais e verticais de Vega Sicilía,…

       

…  Gajas de todos os anos e tamanhos, …

                 

… Barbarescos , Brunellos, Barolos ou seja, o que você pensar ou imaginar; está tudo ali.

Só não vimos nenhum vinho brazuca, mas o Maurilio disse que pretende reparar este erro brevemente. rs

Saímos de lá pro hotel com tempo de tomarmos um banho e nos prepararmos pro jantar. E no caminho de volta tivemos uma breve revolução com as generais Dé e Lourdes inquirindo ao Juscelino qual seria o menu noturno. Quando ele respondeu que eram algumas coisas como fígado e lingua, até nós, eu e o Eymard, simples soldados concordamos com o alto comando. 🙂

 

Fica claro que o melhor conselho pra quem quer vir passear por aqui é estar predisposto a incluir no seu roteiro passar pelo menos umas 8 horas por dia na mesa (no mínimo umas 4 pra cada uma das refeições). Por volta das 20:30, estávamos os 4 e mais o nosso guru Juscelino, no saguão e prontos pra mais uma jornatta gastronômica.

Que neste caso teve a adição da arquitetura. Afinal de contas, não é todo dia que se janta num verdadeiro castelo perfeitamente preservado, o Verduno.

A proprietária veio nos receber (por sinal, ela era extremamente sorumbática) e nos levou à nossa mesa.

Todo o ambiente é misterioso e antigo, muito antigo.

Graças ao bom Deus ( e as meninas) chegamos a um consenso e fizemos uma refeição equilibrada (pros padrões piemonteses): um “piccolo”de pimentão,…

… uma sopinha de zucca com trufas negras, …

… uma faraona (a famosa “tô fraco”) com uvas e …

… um bonet, a nossa já conhecida sobremesa piemontesa.

Mais três vinhos pro nosso caderninho …

… e quando saímos percebemos o clima enigmático da cidadezinha de Verduno.

Ainda tivemos tempo de passar em Serralunga d’Alba e participarmos da beleza e do encantamento de tudo.

Do castelo, do povoado e do céu estrelado que vimos pela primeira vez na nossa estada.

Amanhã finalmente iremos caçar trufas.
E o sol promete fazer com que tenhamos a nossa visão ampliada pra encontrarmos o adorado tubérculo.

Às trufas.

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