Arquivo para 27 de dezembro de 2010

dcpv – à mesa com monet.giverny é aqui.

número 275
30/11/10

À mesa com Monet. Giverny é aqui.

Sempre fomos fãs do Claude Monet.

Adoramos quando vimos as obras de arte que ele pintou em/sobre Giverny.

Mas também (confesso!) nunca nos interessamos o suficiente pra pesquisar sobre a sua história, os seus hábitos, enfim, as suas manias.

E quando me deparei com o livro À mesa com Monet (editora Sextante) no setor de gastronomia duma livraria famosa, pensei comigo mesmo: esta aí a oportunidade de repararmos este erro.

Saber que “em 1883, Claude Monet e sua mulher, Alice, se instalaram definitivamente em Giverny com os oito filhos (é, acho que ele fazia mais coisas além de pintar e comer bem. ops) foi muito interessante.”

 

Mais ainda que ” Monet não cozinhava, mas gostava que os pratos fossem preparados com maestria. Há relatos de que o gênio impressionista ficava de ótimo humor diante da perspectiva de uma boa refeição, porém era preciso ter cautela nos dias em que ele estava descontente com as suas pinturas“.

E muito mais ainda que ” as receitas deste livro foram originalmente adaptadas pelo famoso chef Joël Robuchon a partir dos cadernos pessoais de Monet“.

Portanto, só me restou escolher algumas delas pra fazer um menu completamente monetiano.
Espero “impressionar” os presentes, especialmente a minha Alice. Voilá!

Entradas – Ovos rechedaos a moda de Berry/ Cebolas brancas recheadas

” O jardim harmoniosamente florido criava uma sinfonia natural. A decoração e a apurada disposição da bela casa do pintor proporcionaram-me uma intensa emoção (palavras do Robuchon quando conheceu a casa em Giverny).

Este ovos por algum motivo lembram Monet (seriam as cores?).
São ovos cozidos cortados ao meio em que as gemas são retiradas, esmagadas e misturadas com salsa, cebola e alho picados além de temperadas com sal e pimenta.

Acrescente creme de leite fresco e recheie as claras cozidas com esta pasta.

Unte uma forma refratária, arrume os ovos e leve ao forno brando, por 20 minutos até dourar.

Já pras cebolas, corte uma tampa de cada uma delas (eu achei mais Monet usar algumas roxas).

Branquei-as em água fervente por meia hora. Escorra e deixe esfriar.
Retire o miolo deixando as cebolas com 1 cm de espessura. Recheie-as com uma mistura de carne de porco moída, cibolette, ervas e queijo suiço ralado.

Coloque-as numa forma untada e leve ao forno em temperatura média até dourar.

Polvilhe mais um pouco de queijo.

Ambas formaram uma delícia ajardinada.

Ferraz de Vasconcelos se transportou pra França e tivemos a nítida impressão de que alguém estava querendo pintar/experimentar este prato.

Pra melhorar ainda mais, tomamos o tinto sul-africano Glen Carlou 2003 Paarl que nos impressionou muito. Foi “honesto, oranjenet, frutuoso, limítrofe“. 

 

Principal – Mexilhões com Ervas/ Filé de Linguado à Horly.

“Numa visita a casa de Monet, pensei como seria fascinante conhecer um dia os segredos culinários desta família e ter a alegria imensa de executá-los. Com a descoberta dos cadernos de receita de Monet, trabalhei com grande prazer para adaptá-las, tendo todo o cuidado pra que sua execução não apresentasse maiores dificuldades” (Joël Robuchon).

E já que a questão é adaptar, aproveitei a dica e adaptei a receita.
Como eu já tinha um vidro de belos mexilhões (grato Sueli e Jorge), não fiz a parte em que os mariscos estavam ainda em suas cascas. Só refoguei (na manteiga) cerefólio, azedinha, salsa picada e estragão.

Adicionei um pouco do caldo dos mexilhões, vinho branco e engrossei um pouquinho o molho.

Reaqueci os mexilhões no próprio molho e servi.

Já os filés são simplessíssimos.

Basta colocá-los numa vinha d’alhos (50 ml de óleo, suco de 1 limão, 4 colheres de sopa de salsa picada e 1 cebola em rodelas finas), temperar com sal e pimenta e deixá-los na geladeira por 2 horas.

Escorra estes filés, passe-os em farinha de trigo e frite-os em óleo quente até tostarem.

O resultado plástico do prato é digno de Monet.

E o gastronômico também, pois a mistura do molho do marisco ao linguado empanado transformou tudo numa obra de arte marinha.

Aproveitamos pra tomar um belo branco, o italiano Trebbiano d’Abruzzo DOC 2008 La Valentina, que foi “duca, guzzo, trés bon, sincero“.

Sobremesa – Pão de Ló a Claude Monet com Creme de Café Moka

“Para saber mais do artista e por meio da sua generosa cozinha, descobrir a sua personalidade, li muito e assim conheci um gigante, um homem bom que superou todas as dificuldades da vida. Seus amigos contam que ele era um bom garfo, sem deixar de ser um fino gourmet com algumas manias, porém.”

Este pão de ló(?) é uma receita estranha. Ele tem quase que uma textura dum mantecal.
São 2 gemas e 100 g de açúcar batidos até a mistura ficar espessa e clara.

Peneire 200 g de farinha de trigo sobre esta mistura, incorporando cuidadosamente com uma colher. Aos poucos adicione outros 50 g de farinha e acrescente 125 g de manteiga. Misture bem e por fim, acrescente 3 colheres de sopa de rum.
Coloque numa forma untada e asse por ~20 minutos até que uma faca espetada no bolo saia limpa.

Já o creme é feito de 6 gemas batidas com 150 g de farinha de trigo, 200 g de açúcar e 250 g de manteiga.
Derrame lentamente 100 ml de café bem forte. Cozinhe a mistura em fogo brando durante 10 minutos.

Ele pode ser usado pra rechear e cobrir o pão de ló ou servido como eu fiz.

Com direito a bolinhas decorativas.

Aproveitei a oportunidade e abri um legítimo Barolo Chinatto. Sendo simplista é praticamente uma mistura de vinho do Porto com Biotônico Fontoura, só que com o tremendo charme de ter vindo diretamente do Piemonte e de ser feito de legítimas uvas Barolo.

Eis os comentários dos impressionistas (e impressionados):
Giverny é aqui! Monet pra prefeito de FV. (Edu)
Obra prima! Um Monet dos sonhos. (Mingão)
Parla! Parla! Monet&Michelangelo são todos do mesmo time. (Deo)

Seja nos “eufs berrichons“. Ou nas “oignons blancs farcis“.

Ou nas “moules au vert“. Ou ainda nos “files de sole à la Horly

Ou no “genoise et Creme Moka“. Em qualquer uma destas receitas do Monet, adaptadas pelo Robuchon e editadas no livro À mesa com Monet você encontra o clima que reinava em Giverny e tem a mais absoluta certeza que ele, o gênio, realmente “só aceitava o foie gras da Alsácia, preferia as trufas do Périgord, adorava peixe sobretudo os brochets dos tanques dos seus jardins, tinha uma horta meticulosamente cuidada e uma paixão pelas ervas aromáticas, pelos temperos, legumes  e verduras do Midi”.

Por estas e outras é um livro pra ler, ver e comer.

Au revoir.

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