Arquivo para junho \29\UTC 2011

dcpv – dobradinha : Grace Kelly certamente comeria no Carlota.

11/06/11
O amor é lindo

Dobradinha – Grace Kelly certamente comeria no Carlota.

Sábado a tarde, véspera do Dia dos Namorados e nós a procura de alguma “novidade” pra almoçarmos.

Me lembrei que tinha uma exposição sobre a vida da Grace Kelly no excelente espaço da FAAP (pra quem nunca foi lá, um conselho: vá. É imperdível, independente do que esteja em cartaz).

Resolvemos de comum acordo, primeiro almoçarmos e depois entrarmos no mundo da “Sua Alteza Sereníssima”.
E aí a dúvida acabou. O Carlota fica muito próximo da FAAP (rua Sergipe, 753 – Higienópolis – tel 36618670) e é um restaurante em que certamente toda a turma de Mônaco comeria.

Chegamos lá por volta das 14:00 hs e logo fomos sentando. Pra aproveitar o clima do passeio, escolhemos uma mesa que apesar de estarmos dentro do salão, era iluminada pelos raios de sol. Segundo a própria Carla, “coisas do Nando Pernambuco, experiente fotógrafo de moda/arquiteto/especialista em deixar todo mundo bonito, isto sem falar da trilha sonora que é super elogiada” . Sabe que é muito boa mesmo. Quando será que o CD estará à venda? 

Literalmente ficamos iluminados (sem qualquer redundância). Incrível como o Carlota consegue fazer com que você se sinta em casa quando está por lá. O segredo? Não acho que seja um só. É um conjunto de fatores; a decoração, o ambiente, o serviço e obviamente, a comida.

Iniciamos os trabalhos “devorando” o couvert. Palitinhos de polvilho e uma espécie de pão sueco (Lavash Cracker, segundo a Carla) crocantes, pães macios e quentinhos espetados num palito …

… acompanhados dum azeite morno com vinagre balsâmico e um creminho de queijo delicioso, formado por fondutta de queijo e alecrim (preciso pedir a receita).

Decidimos tomar meia garrafa dum Cabernet Sauvignon Reserva Casa Silva 2008 e pedir como entrada, o famoso mix de rolinhos do Carlota.

Imagine comer samosas, rolinho de Pato Saigon no harumaki, espetinhos Satay de frango, rolinho de berinjela, panquequinhas de peixe com banana e chutney, ainda mais acompanhados de molhos mais do que especiais?

Não esquecendo do upgrade do próprio Astro-Rei batendo no prato. Foi a melhor redundância de todos os tempos.

Ainda tínhamos uma missão duríssima: escolher os pratos principais dentre inúmeras e agradáveis opções. 

A Dé sabiamente escolheu gnocchi de semolina com queijo de cabra brulée e rúcula, uma maravilha leve e saborosa, radiante como o sol que nos aquecia.

E olha que estava bem frio.

Eu normalmente não costumo escolher risotto, mas ao ver a descrição deste prato, não resisti. Risotto de arroz negro, pato e limão siciliano. Com uma farotinha crocante de pão que combinava perfeitamente, assim como Grace Kelly e Rainier. Palavras da Carla pra descrever a farofa: ” uma espécie de grattugiata formada de pão italiano adormecido, sal, parmegiano reggiano e podendo levar peperoncino, salsinha, orégano fresco. Mamma mia, bem italianinho, bom pra uma pasta ao pomodoro ou alho e óleo”. 

Todos os pratos foram servidos absolutamente quentes (olha o sol aí de novo).
É claro que não poderíamos deixar de pedir o clássico suflê de goiabada com calda de catupiry como sobremesa.

É um suflê levíssimo que simplesmente desaparece na boca, sobrando somente alguns pedaços duma ótima goiabada cascão como resquício.

Tudo absolutamente perfeito. (Obs – Quem não comprou o livro novo dela, o 10×10 – 100 receitas para comer de joelhos  não sabe o que está perdendo)

Assim como quase seria a nossa visita a FAAP. E quase porque?

        
Esta foto foi autorizada pelo próprio Albert.

Porque e pra variar, não te deixam tirar fotos. Tudo bem, eu entendo que no caso da Grace Kelly existam um montão de claúsulas contratuais que tenham que ser cumpridas. Mas não poder tirar nem do salão e muito menos da parte externa da FAAP, aí é demais.


                                       Esta foto foi tirada sorrateiramente.

Sendo assim, vou apelar pra minha capacidade de informar através das palavras. Primeiro pedido: se você for fã de cinema e especialmente da grande “star”, vá! Se não for, vá também!
Certamente, esta é uma daquelas exposições que após “degustá-la”, você sairá diferente do que entrou. Muito mais leve, muito mais encantado, muito mais fascinado (parece até o último filme do Woody, o “Meia Noite em Paris”).
Tudo se inicia na bilheteria. Que não existe, já que a mostra tem a entrada franqueada, como todas as ótimas exposições na FAAP.
Quando você adentra ao salão é arrebatado pela onipresença da grande mãe/atriz/princesa.
São 12 ambientes que mostram toda a sua trajetória desde a infância passada na Filadélfia (com direito a fotos familiares, diplomas, etc) até próximo do trágico final (que não é citado).
Logo após é retratada a sua ida a NY. Foi estudar Artes Dramáticas e ser modelo pra se sustentar, apesar da família ter condições financeiras pra tal.
O ambiente cinematográfico foi representado em 2 salas, sendo uma com memorabilias holllywoodinas (cartazes, scripts, figurinos, cenários) e outra com a sua relação pessoal com Hitchcok . Está tudo lá. Foram 11 filmes (o primeiro em 1951) com direito a Oscar (a estatueta original está exposta) e, inclusive, foi montado um set de filmagem da “Janela Indiscreta” (a cadeira de rodas do James “Jeffries” Stewart também está lá).
Logo após, somos envolvidos (a Dé adorou este pedaço) num verdadeiro conto de fadas quando ela encontra o Principe Rainier em 1955. Começaria aí a dinastia Kelly no Principado. E também o maior encantamento de toda a  mostra.
A sala do casamento é completa. Desde o convite, passando pela distribuição das mesas e culminando com o vestido de noiva, está tudo lá. Só faltou uma fatia do bolo pra cada um dos visitantes.
Daí pra frente é o desenrolar/desabrochar da grande Princesa.  “Sua Alteza Sereníssima“, “Neve cobrindo um vulcão“, “Uma dama em cada polegada“, “A garota com alma de aço inoxidável“; tudo isto e mais muitas outras coisas definiam a personalidade de Grace.
Todos os amigos estão presentes, entre eles vários atores. Os maravilhosos bailes são representados através de vestidos da mais alta costura. Assim como as suas jóias (a Dé também adorou), suas obras de arte, suas influências na moda (bolsas, sapatos, acessórios), enfim, tudo aquilo que somado criou o mito Grace Kelly.
Você sente a presença dela em cada um dos objetos apresentados. E ao mesmo tempo, percebe o quanto ela procurava dar uma vida normal (na medida do possível, óbvio) à sua família.
Portanto, aproveite um tempinho livre e vá visitar a Grace Kelly.
É exatamente assim que você se sente. Como se estivesse a visitando a sua casa (o que é bem interessante porque ela está situada no Principado de Mônaco!).
A exposição fica na FAAP até 10/07.

E pra complementar, vá  experimentar os novos pratos carlotianos: ossobuco com polenta de milho fresco; o carpaccio da Sardenha; as croquetas de cogumelos, etc. Uau!
Até a próxima (que pelo visto, será bem próxima!).

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dcpv – fomos pra …

junho/2011

Fomos pra …

                     …

… e pra …

Isto é o que podemos chamar duma bela variação do mesmo tema.

Hasta.

41º IB – Mirepoix no dcpv

número 294

41º IB – Mirepoix no dcpv 

Este IB começou de um jeito diferente dos outros. A Débora (grande nome) Cordeiro, uma chefe com grandes trabalhos, um blog muito legal, o Mirepoix e mais um montão de coisas no currículo se manifestou dizendo que “quem sabe podemos desenvolver um cardápio tão bom quanto todos esses apresentados. Parabéns pela idéia.”

Pô, é claro que eu topei. E aí, como sempre, a proposição ficou meio que hibernando como na maioria dos IBs (quer saber pra que serve?).

Quando eu mandei um e-mail pra Débora perguntando a quantas andava o menu, recebi como resposta que já estava tudo pronto! Nada como tratar com “profissas”!

Do proposto inicialmente, tivemos duas substituições que segundo ela, “achei esse menu melhor. Fica mais gostoso essa combinação de sabores. E risoto muita gente gosta ainda mais de camarão e alho-porró! O Manezinho Araujo é muito bom!!!!!”

Bom, é isso o que vamos ver. Na verdade, vocês vão ver.

Nós iremos comer este belo menu intitulado “Recebendo quem a gente gosta“, num estilo “comfort food” e “com objetivo de receber à mesa com carinho e boa comida“.

Deste jeito Débora, o Mingão e o Déo ficarão mal acostumados. E olha que a Dé também!

Vamos lá!   

BebidinhasConhaque, ou melhor, brandy.

É, ainda continuo de “resguardo”. 🙂

Entrada Primeira  – Salada verde com tomates cerejas ao mel e molho de iogurte com nozes

Ingredientes – 1 pé de alface crespa higienizada, 1 pé de alface roxa higienizada, alguns ramos de salsinha verde fresca, 1 embalagem pequena de tomates-cereja limpos, mel a gosto (1 colher de sopa), 2 potes de iogurte natural desnatado, 60g de nozes picadas, sal a gosto, pimenta do reino branca moída na hora.

Corte as alfaces em tiras como se fosse couve-manteiga. Pique as folhas da salsinha. Misture o iogurte com o mel, sal e pimenta. Junte à salada e misture para incorporar bem. Enforme em copos sob os pratos de servir. Desenforme. Decore com os tomates e as nozes. Sirva em seguida.

Um prato simples. E de resultados excelentes.

Colhi o que tinha de mais fresco aqui na minha plantação. Azedinhas, alfaces roxa e crespa, mache, rúcula selvática, etc.

E servi com este molho de mostarda e mel que “molha” tudo muito bem.

Sem contar a pequena desvirtuada ao usar várias nozes (amendoins, castanhas do Pará e caju, macadâmia) levemente torradas. 

Entrada Segunda – Sopa de couve-flor com croutons

Ingredientes – ½ litro de leite, pimenta-do-reino, sal, 1 caixinha de creme de leite, 1 litro de caldo de frango, 1 couve-flor média, 1 cebola média picada, 4 colheres (sopa) de farinha de trigo, 2 colheres (sopa) de manteiga.

Lave bem a couve-flor e separe as florzinhas. Cozinhe em água até que estejam macias. Coloque a manteiga em uma panela e acrescente a cebola picada. Leve ao fogo e refogue para que a cebola fique macia. Coloque 2/3 da couve-flor cozida bem picada. Acrescente a farinha de trigo e misture bem. Coloque o leite e misture novamente. Ferva por 5 minutos e acrescente o caldo. Ferva e retire do fogo. Deixe amornar e bata no liquidificador. Leve novamente a panela e acrescente a couve-flor restante. Acerte sal e pimenta. Acrescente o creme de leite, mexa e sirva quente acompanhada de croutons.

Outra simplesinha e bonitinha.

Esta não teve grandes desvios, a não ser a quantidade não muito grande de couve-flor disponível.

Mesmo assim, um grande prato com um sabor leve e com a pimenta (dei uma caprichada na moída) pegando um pouquinho ao final.

Ficou tão perfeita que a Dé repetiu e a Re (ela também estava por aqui) comeu tudinho.

Tomamos um tinto, o espanhol (é, o treino tá bom) o Murviedro Reserva 2007 , que veio a calhar com a temperatura reinante e com a sopa. Foi “libriano, romanesco, cheiroso, carameloso, abelhoso“, segundo os juliennes. 

Se a intenção era nos confortar, Débora, considere como missão cumprida.

Prato Principal – Risoto de Camarão e Alho-Porró

Ingredientes – 1 colher (sopa) de azeite de oliva, 2 colheres (sopa) de gengibre picado, 400 g de camarões limpos, 4 colheres (sopa) de manteiga, 1/2 xícara (chá) de cebola picada, 1/2 xícara (chá) de alho-poró fatiado, 2 xícaras (chá) de arroz arbóreo, 1/2 xícara (chá) de vinho branco seco, 1/2 xícara (chá) de suco de laranja, 1,5 l de caldo de peixe, raspas de 1 laranja, sal e pimenta-do-reino a gosto

Numa frigideira, de preferência antiaderente, aqueça o azeite em fogo médio. Junte o gengibre e refogue por 2 minutos. Acrescente os camarões e refogue, mexendo com cuidado, por 4 minutos ou até que fiquem rosados. Desligue o fogo e transfira os camarões para um prato. Leve uma leiteira com o caldo de peixe ao fogo alto. Quando ferver, abaixe o fogo. Enquanto o caldo aquece, coloque 2 colheres (sopa) de manteiga numa panela e leve ao fogo baixo. Quando a manteiga derreter, junte a cebola picada e o alho-poró e refogue, mexendo bem, até que a cebola fique transparente. Aumente o fogo e acrescente o arroz. Refogue por 2 minutos, mexendo sempre. Adicione o vinho e misture bem até evaporar. Quando o vinho secar, acrescente o suco de laranja e misture bem. Adicione o caldo de peixe ao risoto aos poucos, mexendo sem parar. Quando secar, adicione mais caldo e repita a operação por, aproximadamente, 15 minutos sempre em fogo alto. Verifique o ponto: o risoto deve ficar cremoso, mas os grãos de arroz devem estar al dente, ou seja, um pouco durinhos. Se ainda estiver muito cru, continue cozinhando por mais 1 minuto. Caso seja necessário, junte um pouco mais de caldo e mexa bem. Na última adição de caldo, não deixe secar completamente ou o resultado será um risoto ressecado. Quando o risoto estiver no ponto, adicione o camarão refogado e as raspas de laranja. Misture bem e desligue o fogo. Acrescente o restante da manteiga e misture delicadamente. Sirva a seguir.

Toda vez que eu coloco uma receita de risotto por aqui, sempre informo que você deve seguir os passos corriqueiros pra se fazer um.

Pois abaixo, você verá um fotoblog que explicará tim-tim por tim-tim (esta é nova!) o que a Débora escreveu detalhadamente aí em cima.

Depois desta aula, só me resta falar uma coisa: faça.

Só o contraste do suco de laranja e o gengibre com o camarão já valeria a pena. Imagine o resto…

Pra variar e por falta de opção, tomamos mais um Chardonnay Jacob’s Creek 2009. Se bem que nesta caso, ele foi muito mais do que um coringa, já que a conjunção com o risotto resultou numa das melhores harmonizações já feitas nesta confraria, né Mingão? O achamos “al limone, trivial, caminho de santiago, limoncello, corda&caçamba“.

Sobremesa – Manezinho Araújo

Ingredientes – 12 bananas nanica, 1 xícara (chá) de água, 2 xícaras (chá) de açúcar.
Creme: 2 copos de leite, 2 colheres (sopa) de amido de milho, 2 gemas, açúcar a gosto.
Cobertura: 2 claras em neve, 4 colheres (sopa) de açúcar.

Forme uma calda com 4 colheres de sopa de açucar com água e junte as bananas, restante do açúcar e deixe cozinhar por 20 minutos. Reserve. Leve ao fogo os ingredientes do creme mexendo sempre até engrossar. Despeje sobre as bananas. (você pode aromatizar o creme com raspas de laranja e limão). Bata as claras em neve e coloque as 4 colheres de sopa de açúcar. Cubra o doce com as claras e leve ao forno, somente para dourar. Sirva.

Esta foi feita antecipadamente. E mais uma vez com um resultado surpreendentemente excelente.

Afinal de contas, ao ler a receita e só encontrar ingredientes corriqueiros, imagina-se um resultado pra lá de comum.

Nananinaná. Ficou uma sobremesa saborosa, doce, cremosa e reconfortante. Acho que foi isto mesmo que a Débora planejou.

Eis a opinião dos brunoises:

Simples e simplesmente “the best”. (Edu)
Arrebentou a boca do balão. (Mingão)
Surpreendente “luxo” na simplicidade. (Deo)

Bom, Débora, grato pela participação e certamente, a tua proposição inicial  “tenho interesse em apetecer e encher a boca de água dos teus seguidores com um cardápio maravilhoso foi mais do que cumprida.

E o que fica ao final, apesar da repetição, é que este menu merece ser feito em cada uma das casas de vocês e do mesmo jeito que foi indicado, sem tirar, nem por.

É prazer, apetecimento e boca cheia (com educação, óbvio).

Ah! Quase que eu esqueci. Seguem as nossas flores virtuais, devidamente confortáveis.

Hasta o próximo …

… que será no final de julho e indicado pela Sabrina do Menu à trois.
Aguardem.

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dcpv – ISB BH – Era dia comum e virou festa. A gente põe nas coisas as cores que tem por dentro.

13 a 15/03/11

ISB BH: “Era dia comum e virou festa. A gente põe nas coisas as cores que tem por dentro

N.R. – Lá vamos nós pra mais um capítulo da novela ISB BH, ou melhor, ISBH, ou melhor ainda, o Inter dos Sem Blogs realizado em Belo Horizonte. Se na semana passada tivemos a visão lírica do Eymard, nesta, teremos a liriquíssima da mineira das mineiras, a Drix (também conhecida como Adriana).
Afinal de contas, não é qualquer um que consegue impunemente posar pruma foto oficial intitulada: Mineiridade ao triplo – Mineirinho, Mineira e Mineirão. 🙂

Da cachaça pro vinho. De Brasília para Pampulha. Do horizonte imenso para o belo horizonte… Assim terminei meu texto sobre nosso ISB em Brasília, dando um viva ao ISB BH. E ele, finalmente, chegou!

Mania de mineiro: construir capitais…

A transferência da sede do governo de Minas Gerais de Ouro Preto para Belo Horizonte não aconteceu sem conflitos. Mas em tempos de República, Ouro Preto representava um passado colonial. Era necessária a construção de símbolos que pudessem legitimar o novo regime. Belo Horizonte, considerada por muitos a primeira cidade planejada do país, teve no ideal positivista – ordem e progresso – a inspiração para seu traçado. Uma avenida – a do Contorno – funcionava como limite entre o centro administrativo e as chácaras. Em forma de elipse se aproximava do contorno de Paris, ainda que sua grande inspiração tenha sido La Plata, na Argentina, inaugurada alguns anos antes. Na zona urbana, o rígido quadriculado de ruas e avenidas diagonais. Para o Estado laico uma sede localizada, geograficamente, acima da Igreja Matriz. A arquitetura eclética com a presença de elementos neoclássicos, como o Palácio da Liberdade e as Secretárias ao seu entorno, simbolizava o rompimento com a arquitetura colonial. Para uma nova era, uma nova capital. Assim surgiu Belo Horizonte, naquele 12 de dezembro de 1897, cidade para ser “lida” e sentida em suas mais diversas dimensões.

A cidade e seus lugares

Era preciso escolher alguns lugares da cidade para levar os amigos que chegavam de São Paulo e Brasília. As escolhas são sempre pessoais e nos remetem a lembranças e sentimentos. Foram minhas lembranças e meus sentimentos que escolheram a Serra do Curral, a Praça da Liberdade e Pampulha, para nosso “city tour” de domingo. Além disso, em fim de semana de “Comida di Buteco” eles, os botecos, não poderiam ficar de fora.

“Em volta dessas mesas, uma cidade”

A relação de Belo Horizonte com os bares vem desde os tempos de sua construção. Em volta de suas mesas a sociabilidade mineira se preserva. Ao longo de sua história, a cidade viu seus bares, cafés e botequins se multiplicarem com um traçado próprio que integra mesa e rua, forma que encontrou de dizer que ali todos são bem-vindos. Estava decidido: sábado seria o dia – ou a noite – dos botecos! Quem chega de fora logo descobre que em BH “buteco” não é um lugar, é um estado de espírito. Decoração, tira gosto e cerveja gelada são importantes, mas não são o mais importante. Provamos isso… Um não era o mais confortável, o outro não tinha o melhor tira-gosto, em outro a cerveja não estava tão gelada, mas nos três nos divertimos muito e brindamos, três vezes, com copo Lagoinha, como por aqui é conhecido o copo americano, referência e homenagem da cidade tradicional à sua zona boêmia; comunhão do sagrado e do profano. Brindes ao sentimento que une esse grupo tão especial e nos faz cruzar esse país pela alegria do reencontro.

Serra do Curral, Praça da Liberdade e Pampulha: dia de “city tour”!

Moldura natural de Belo Horizonte, a Serra do Curral foi escolhida, pela população, símbolo da cidade. É ela que nos ensina que força e delicadeza não se excluem.  No alto das Mangabeiras podemos sentir sua força que protege e sua delicadeza que abraça. É onde me sinto mais mineira; onde li e reli trechos do “Livro dos Prazeres” ou “Uma aprendizagem”, de Clarice Lispector; onde choro e sorrio assistindo ao Grupo Galpão; onde converso comigo mesma e com Deus; de onde não me canso de ver a cidade.

Contornando a praça da Liberdade, o Palácio da Liberdade e as Secretarias de Governo, prédios da época da fundação da cidade, o Edifício Niemeyer e a Biblioteca Pública, modernismo de Niemeyer, da década de 60 e o pós-moderno “Rainha da Sucata”, da década de 90. Diversos estilos arquitetônicos nos ensinando que é possível a harmonia entre diferentes. Na praça da Liberdade nos apropriamos dos espaços da cidade, transformando suas alamedas, fontes e coreto, em cenário para a banda, o teatro, as caminhadas, as manifestações políticas, o encontro de amigos, a descoberta do amor, a cumplicidade entre pais e filhos nas primeiras pedaladas no dia 25 de dezembro. Como aquela praça se enche de bicicletas a cada 25 de dezembro!

Com a Pampulha, Belo Horizonte tornou-se referência internacional da arquitetura moderna. O Complexo da Pampulha – um cassino (hoje Museu de Arte Moderna), um clube (o Iate Tênis Clube), um restaurante (a Casa do Baile), e uma capela (a Igreja de São Francisco), margeando um lago artificial – antecipou Brasília, unindo JK, Niemeyer, Portinari, Ceschiatti e Burle Marx. Na impossibilidade de visitar todos os prédios escolhi a Igrejinha. Das linhas ainda desconhecidas de Niemeyer, uma sucessão de abóbadas parabólicas, em uma alusão às montanhas de Minas Gerais. Painéis, azulejos e Via Sacra de Portinari. De Ceschiatti, a pia batismal e os painéis em bronze. De Burle Marx, os jardins, de onde foi possível ver de longe o Mineirão – em obras para a Copa – e o Mineirinho. Pampulha nos ensina que é possível ser moderno sem perder o jeito de interior.

A cidade e seu entorno

Belo Horizonte, quase sempre, é cidade dormitório, para quem quer conhecer os encantos de Minas Gerais: suas cidades históricas – Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Sabará, Tiradentes, São João del Rei -,  suas grutas – na região de Cordisburgo, Lagoa Santa e Sete Lagoas – e, mais recentemente, Inhotim. Confesso que fico com o coração dividido, quando recebo alguém que ainda não conhece Ouro Preto. Não sei quantas vezes já estive na cidade, mas ainda me emociono quando chego e vejo, do alto, seus telhados e igrejas. Certamente iremos lá no próximo ISB BH. Mas esta foi a vez de Inhotim. E foi ótimo! A excursão de van, o almoço na “tavola redonda”, encantamento, surpresa, espanto, questionamentos, beleza, natureza, sentimentos, sentidos… Tudo o que já foi dito aqui antes de mim…

A cidade e seus sabores

Muito se fala da comida mineira. E justamente aqui o ISB teria um formato diferente, consequência de uma cozinha que tem quadros no lugar do exaustor e de uma mineira que desafiou as aulas de “Educação para o lar” no colégio de freiras e não aprendeu a fritar um ovo.

Mas as “entradeiras”, como bem definiu Edu, seriam em minha casa. E assim foi. Sexta-feira, depois da excursão ao Verdemar, o primeiro brinde. Estava lançado oficialmente o ISB BH.

Para aquela noite, escolhi o Vecchio Sogno, sabor italiano preparado por um chef mineiro premiado e estrelado. Além disso, carne, certamente, estaria no cardápio de domingo. Massas para quase todos, vinho, coca-cola (adivinha para quem, não é Edu?) e um festival de sobremesas compartilhadas, como tem sido em todos os ISB.

Sábado é dia de boteco. Não para meu pai, que sempre afirmou que boêmio profissional sai de segunda a quinta. Mas pelo que presenciei, Edu, Mingão e Eymard estão longe de serem amadores. :- ) Nesse dia, o sabor foi do norte de Minas. Explico! Para 2011, o “Comida di Buteco” tinha como ingredientes obrigatórios, alimentos típicos do norte de Minas: carne de sol, peixes do São Francisco, pequi, feijão andu, requeijão escuro, buriti, seriguela, rapadura, sementes de coentro fresco, manteiga de garrafa. E no nosso “Comida di Buteco” particular, acrescentamos a tudo isso torresmo, lingüiça, caldo de feijão, mandioca, lombinho, pão com alho e filet com fritas (adivinha para quem?).

No domingo, para finalizar a saga gastronômica – afinal tudo começou por causa de um blog que fala de gastronomia – a comida mineira. E quando se fala em comida mineira, fala-se em Xapuri. Pedidos variados, com acompanhamentos compartilhados. Couve, taioba, torresmo e lingüiça na chapa não poderiam faltar. E não faltaram. E doces em calda. Muitos doces. E queijo, porque doce em calda se come com queijo… de Minas, claro!

A cidade, a saudade, o desejo de novos belos horizontes.

Foi delicioso receber amigos tão queridos em BH. Como escreveu Antônio Marcos Noronha, “era dia comum e virou festa”. Vivemos momentos de intensa alegria e amizade carinhosa que deixaram saudade. Mas há também a saudade do não vivido: compartilhar esses momentos com Sueli, Jorge e Déo; compartilhar os amigos com Carlos.

Sou mesmo uma apaixonada por Minas e a trago no coração. Como escreveu professor Aires da Matta Machado, “Minas é um estado, assim mesmo, com inicial minúscula”.  Sou mesmo uma apaixonada por Belo Horizonte e sei que tenho o perdão das outras cidades, pois muitos são os que são apaixonados por elas. Meu amor não lhes faz falta. Mas minha paixão não me cega. Sei que conheceram uma BH especial, que para meu privilegio faz parte de meu cotidiano. Mas quando nos distanciamos desses locais nos quais passei minha infância, minha adolescência e vivo minha vida adulta a cidade se transforma. Nas praças a alegria não é inerente às crianças, as ruas e praças não são tão arborizadas, a mesa não é tão farta. Por isso meu desejo de que a Serra do Curral estenda seu abraço acolhedor a todos, sem distinção. Que a cidade, traçada pelo ideal positivista, encontre no ideal de liberdade e igualdade dos inconfidentes sua inspiração para se tornar, a cada dia, uma cidade melhor: mais alegre e mais democrática; uma cidade de novos belos horizontes para todos.

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dcpv – miami – 9th day – mangrove’s chicken ou melhor, comendo no joe’s stone crab

/03/11

Miami – 9th Day – Mangrove’s Chicken ou melhor, comendo no Joe`s Stone Crab.

Mais um dia espetacular.

Aproveitamos pra acordar cedo e caminhar em pleno calçadão southbeachiano com um nascer do sol escandaloso de bonito.

Confirme se foi ou não?

Aproveitamos o embalo e fomos fazer o que nós, paulistas, mais sabemos: passear/comprar em shopping.

Conhecemos o famoso Bal Harbour, o mall dos bacanas.

E cá pra nós, ele é bacana mesmo.

Acho que é a maior densidade de marcas famosas por m2 que já vimos.

Faz o shopping Cidade Jardim parecer a loja da D. Maria.

Compramos algumas coisas. “Caroçamos” em outras.

Enfim, foi puro divertimento.
Continuamos o glamour conhecendo uma deli, o Epicure que é uma belezura, uma verdadeira “loja do sexo”.

Fica bem no centro de SoBe (existe isso?). Lá  tem produtos do mundo inteiro e de altíssima qualidade.

Eles também produzem coisas incríveis na padaria, inclusive uns cupcakes que são espetaculares e que foram devidamente “traçados” no nosso carro.

Passamos pela Lincoln Road  (com a sua grama natural) e …

…  fomos realizar um sonho antigo.

Comer no Joe’s Stone Crab.

O restaurante é super famoso por oferecer vários produtos com as galinhas do mangue (os tais mangrove’s chicken do título do post), os caranguejos e o carro-chefe são as enormes patinhas das “figuras” (verifiquem no site o período em que elas são oferecidas, pois são bastantes sazonais).

Curioso, eles as servem frias e com dois molhos, sendo um de azeite e o outro, um tipo de rosé.

Na verdade, levamos um grande susto já que chegamos lá as 14:15 e o maitre nos disse que o serviço tinha “acabado de acabar”. Mas ao mesmo tempo, informou que o Take Away funciona o dia inteiro e ao lado dali.

Batata! Fomos lá e nos esbaldamos.

Pedimos patinhas em profusão, a famosa batata-purê assada e crocante , uma saladona e 2 copos dum Chardonnay do Mondavi.

Comemos lá mesmo (é quase uma lanchonetona bacana). Ô vida boa! Taí um lugar pra voltar várias vezes.    

          

Depois disso, mais um pouquinho de compras. E desta vez, uma trifeta: Bed Bath & BeyondTarget and Best Buy.

Só sobrou ir jantar no Michy’s, um restaurante da chef Michelle  Bernstein que fica num lugar isolado (6927, Biscayne Boulevard) e é bem doidão.  

Parentesis pros nossos atrasos: caprichamos nesta viagem. Não conseguimos chegar no horário em nenhum compromisso! rs 
O ambiente é muito interessante. Pessoas habituées e descoladas estavam misturadas a curiosos como nós.

A decoração também é um pouco modernosa, uma vez que o salão é retangular (parece uma grande garagem) e tem várias coisas com motivos florais, inclusive as cadeiras.

A Dé logo se interessou pelo Gaspacho Branco, uma combinação muito interessante de tomates, pepinos, pistaches e etc. (não precisa nem dizer que o ambiente era escuro. A lanterninha fez falta, viu sócios?)

Eu fui coerente e pedi uma das especialidades dos mares da Flórida: uma coxa de pato frita com um chutney docinho. Maravilhoso.

Tomamos 2 taças dum branquinho ianque e escolhemos os principais. A Dé foi de simples gnocchi com bastante molho vermelho e uma cobertura de queijo fontina gratinado. Bom, mas não tão leve quanto o garçom havia proclamado.

Eu experimentei um ótimo Chupe de Mariscos, uma bouillabasse floridense com muitos frutos do mar, um tempero apimentado e muito saboroso.

A experiência quase esotérica de se comer no Michy’s foi muito boa.

Pronto! Findo mais um dia de compras e boas refeições.

Hasta la vista (e no cartão), baby!

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40º IB – Memórias Gastronômicas no dcpv

número 294
31/05/2011

Memórias Gastronômicas no dcpv

Oi, Edu. 
Finalmente chegamos num acordo. Depois de pesquisar muito, tentar harmonizar comidas e memórias chegamos no menu “Nossas Melhores Memórias Gastronômicas“. Esse menu não tem um tema específico, mas são as melhores memórias que temos quando sentamos à mesa! Espero que voces desfrutem cozinhar e degustar este menu tanto quanto nós! E que as memórias que fiquem sejam as mais saborosas!

Olha, quando eu comecei a conversa com a Patrícia (que conversou com a Letícia, a sócia dela no excelente blog), o Memórias Gastronômicas nem existia. Me lembro que ela até achou estranho eu a ter convidado sem ao menos o blog estar no ar. Eu disse que quando fizéssemos o menu, certamente a coisa já estaria toda encaminhada.

E foi o que aconteceu. O Memórias está nos blogrolls dum montão de gente (inclusive, no meu) e é muito bom ter no nosso meio pessoas bem-humoradas, articuladas e que se divertem tanto, quanto nós nos divertimos ao lermos/vermos tudo o que está por lá.

Vamos então ao 40º (puxa, já???) Inter Blogs (quer saber o que é?) indicado pela Patrícia e Letícia.
Não pensem que eu esqueci do livro que consagrará este projeto. Ele está em fase de planejamento (tá parecendo o
Itaquerão) e tudo culminará numa grande festa mundial de lançamento (a Ameixinha que nos aguarde!).

Ao Memórias, então.

Bebida –  Vodkinha colorida.

Com Green Apple. Foi bem de acordo com o frio reinante.

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“Eu trabalhei por pouco tempo no restaurante brasileiro Mocotó, em Londres, mas foi suficiente para acumular deliciosas, incríveis e até extravagantes memórias da cozinha deste lugar. Um prato que fiz até minha mão ficar com calo – literalmente – era um steak tartar que ganhou várias críticas positivas nas colunas de gastronomia dos jornais londrinos e um lugar especial no meu livro de receitas pessoal! O que eu mais gostava nesta receita é que não levava ovos crus na preparação, mas delicados ovos de codorna moles sobre a carne. Eu o preparei com muito carinho todos os dias em que estive à frente da área de entradas frias do restaurante. E é com este mesmo carinho que envio esta receita para ser preparada pela equipe do dcpv.”
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Entrada – Steak Tartar Mocotó (para 4 pessoas) por Patricia

Ingredientes – 400 g de centro de filé mignon limpo e picado na ponta da faca, 2 filezinhos de anchova em conserva, 2 dentes de alho amassados quase em pasta, 1 colher de chá de alcaparras, 2 colheres de sopa de mostarda Dijon, 60 ml de azeite de oliva, suco de 1 limão amarelo, 1/4 de xícara de echalotes picadas em brunoise, 2 colheres de sopa de salsa bem picada, 2 colheres de sopa de ciboulette bem picada, 1 colher de sopa de pimenta vermelha sem veias nem sementes bem picada, 8 ovos de codorna, chips de banana da terra para servir*, sal e pimenta do reino, o quanto baste.

Comece preparando a carne. Corte o centro do filé em fatias e estas por sua vez em tiras. Pique as tiras em pequenos quadradinhos batendo com a ponta da faca. Reserve em um bowl frio.

Cozinhe os ovos de codorna por 2 min e 14 segundos. Retire-os da água e coloque-os em água fria para cortar o cozimento. Descasque e reserve.

Pique os filezinhos de anchova e as alcaparras até formar uma pasta. Junte o alho já amassado e passe tudo para um bowl. Acrescente a mostarda, o azeite e o suco do limão. Misture bem, emulsionando. 

Junte as echalotes, salsa, ciboulette e a pimenta à carne picada. Misture bem e tempere com a emulsão de azeite. Prove o sal e pimenta, não se esquecendo que as anchovas já são bem salgadas.

 Com um aro monte quatro pratos.

Corte os ovos de codorna ao meio com uma faca bem afiada e molhada, com muito cuidado, pois a gema estará bem líquida. Coloque 4 metades sobre cada steak tartar e sirva com os chips de banana da terra.

*Os chips podem ser comprados prontos ou você pode prepará-los. Compre bananas ainda verdes. Coloque-as com casca no forno muito baixo, aproximadamente 160ºC para “soltar” a casca. Quando ela estiver preta, já está boa para descascar. Descasque as bananas e corte-as em lâminas bem finas. Use um cortador de frios ou leve no seu supermercado. Mas atenção: este deve ser o primeiro corte do dia para evitar contaminação cruzada.

Frite as lâminas em óleo bem quente. Quando parar de borbulhar, as bananas já estarão no ponto para serem retiradas. Escorra em papel toalha e salgue.

N.R. – A equipe do dcpv, ou seja, euzinho, fez este tartar do jeitinho que estava descrito, viu Patrícia e Letícia?

Inclusive, cozinhei os ovos de codorna em exatos e precisos 2 minutos e 14 segundos. Eis a prova do crime:

E não é que deu certo? O prato é apetitoso, muito bem temperado e vou ser obrigado a declarar que no entusiasmo da degustação, me esqueci de colocar os chips de banana-da-terra que foram devidamente comprados no sex shop (não queria que acontecesse uma contaminação cruzada!).
Não faz mal. É mais um motivo pra eu refazer esta receita aqui em casa (se bem que se alguém está  perguntando se a Dé comeu, é claro que a resposta é não! 🙂 )

Ah! Caso alguém não tenha sido apresentado a uma echalote, eis a figura:

Tomamos um vinho branco Chardonnay Jacob’s Creek 2009 (acho que preciso comprar algum outro urgentemente) que foi   “campeão, vinho?, no words, bom“, segundo os amnésicos, nós mesmos.

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 Foi por um grande e ótimo acaso da vida que conheci minha querida amiga Eliane Karas, quando morava em Curitiba. Montei um café durante uma das edições do Festival de Teatro de Curitiba e ela era a coordenadora do evento. Foi amor a primeira vista. Pelo menos de minha parte! Logo ficamos amigas e descobri a sua paixão pela cozinha o que nos uniu ainda mais. Muitas vezes fomos jantar em sua casa e numa destas ela nos serviu umas deliciosas lulas recheadas que meu marido diz ser um dos melhores pratos que já comeu em sua vida e não se esquece. Um dia comentei com a Eliane este fato e ela me confessou que foram preparadas de última hora com as “sobras” que ela tinha na sua geladeira!”
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Principal –  Lulas recheadas da Eliane (para 4 pessoas) por Patricia

Ingredientes – 12 lulas inteiras limpas mas com tentáculos, 2 colheres de sopa de azeite de oliva, 1 cebola média picada, 2 dentes de alho picados, 1/2 xícara de vinho branco seco, 500 gr de tomates concassé (eu usei 2 latas de tomate italiano picados), 2 colheres de chá de pimenta vermelha seca moída, 2 colheres de sopa salsa picada, 1 xícara de couscous marroquino desidratado, 1 xícara de caldo de peixe, sal e pimenta , o quanto baste.

Seque bem as lulas e reserve. Pique os tentáculos e reserve.

Em uma panela que caibam as lulas, aqueça o azeite e refogue a cebola e o alho em fogo baixo, mas não deixe dourar.

 Acrescente o vinho e deixe que o álcool evapore. Coloque os tomates, a pimenta e deixe cozinhar por 10 minutos a fogo lento.

Em um bowl, hidrate o couscous com o caldo de peixe fervendo por apenas 2 minutos. A cocção será finalizada quando rechearmos as lulas. Verifique o sal e a pimenta.

Recheie as lulas com o couscous e feche-as com um palito.

 Verifique o sal e a pimenta do molho de tomates. Coloque as lulas para cozinhar em fogo lento com a panela tampada por 25 minutos. Na metade do tempo vire as lulas e acrescente os tentáculos reservados.

Sirva imediatamente colocando uma porção generosa do molho em um prato fundo, as lulas por cima e salpique com a salsa picada.

N.R. – Por incrível que pareça, o maior problema desta receita foi encontrar lulas frescas. E olha que moramos próximos a um dos maiores pontos de pesca do país (o rio Guaió). O meu sus schef, o Carlos, rodou em tudo que foi lugar até encontrar lulas em tubo congeladas num desses hipers da vida (não vou fazer propaganda gratuita).
Resultado? As bichas eram tão grandes e gordas que mais pareciam o nosso querido Ronaldo Fenômeno que estava se despedindo do futebol, bem na nossa frente, na TV.

Tirando a textura um tanto quanto emborrachada da lula (na verdade, desta lula), o prato é muito bom. O molho é consistente e delicioso, além de compor maravilhosamente com os couscous.

Patrícia e Letícia, eu prometo fazer a lição de casa corretamente e comprar as lulas devidamente especificadas por vocês.

Pra variar, tinha que ter um “lula” pra me atrapalhar! 🙂

Em compensação, o vinho Chardonnay C Rosa Etchart 2009 caiu como uma luva, ou no caso das lulas e do Ronaldo, como uma camisa GGG. O achamos “reconfortante, e viva a…, franco portenho, ótimo“. 

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Esta receita é uma adaptação de uma sobremesa que marcou muito a minha infância e adolescência. Minha mãe é uma cozinheira de mão cheia e foi com ela que comecei a dar os primeiros passos neste maravilhoso mundo da cozinha. Mas ela sempre teve suas crises, ou paixões… Quando gostava de uma receita, repetia à exaustão. Se ela cismava com uma receita, tínhamos certeza que a comeríamos váááárias vezes.
Era o caso desta. Ela a fez pela primeira vez em um jantar especial. Depois disso, todo jantar especial, já sabíamos a sobremesa. E o pior, ou melhor, é que era sucesso garantido!
Foi tanto que passei uns 10 anos sem sonhar em fazê-la. Mas passada a crise, resolvi tentar verificar se era tão boa assim… Agora, fui eu que me apaixonei…” 
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Sobremesa – Mil folhas de ameixa com côco por Leticia

Massa folhada – Pode-se utilizar uma massa folhada pronta ou fazer a massa… depende da animação… (eu juro que elas deram a receita. mas a minha animação indicou comprar uma bela já pronta)

Creme de Côco

Ingredientes –  300ml de leite,  200ml de leite de côco, 6 gemas, 125g de açucar, 30g de farinha de trigo, 1 fava de baunilha raspada.
Preparo – Em uma batedeira, bata as gemas com a metade do açúcar até que estejam claras e espumantes. Junte a farinha e misture bem com uma espátula (ou com a velocidade bem baixa). Levar ao fogo o leite, leite de côco, o resto do açúcar e a baunilha. Assim que levantar fervura, vire as gemas, misturando vigorosamente e deixe cozinhar em fogo baixo, mechendo com um fouet até obter um creme consistente. Levar para esfriar em banho-maria e depois à geladeira. Reservar.   

         

Calda de Ameixas

Ingredientes  – 300g ameixas pretas sem caroço, 1 xícara de açúcar, 1 e ½ xícara de água, suco de 1 limão pequeno.
Preparo –  Colocar todos os ingredientes e levar ao fogo baixo até obter uma calda grossa. Reservar.

Montagem

É necessário ter fitas de côco (150g é o suficiente) e açúcar de confeiteiro para a finalização. 

Coloque uma placa, um pouco do creme, …

… a calda de ameixa, …

        

… outra placa, mais um pouco do creme, …

                   

 … novamente a calda. Coloque a última placa. Sobre ela, as fitas de côco e salpique açúcar de confeiteiro.

                           

N.R. – Este é pra fazer vááááááárias vezes mesmo, viu Letícia. A sua mãe estava certa. Ao final, você tem a nítida sensação de estar comendo um strudel de ameixa e côco. É bom demais.

E ainda servi com uns docinhos que a própria Letícia teve a gentileza de nos enviar. Tudo muito bem feito e com sabores diferentes (o toque de gergelim no pé-de-moleque foi demais).

Eis a opinião dos desmemoriados:

De memória e que eu me lembre, a entrada e a sobremesa foram inesquecíveis. (Edu)
Entrada e saída excelentes! (Déo)
Bolsa de valores. (Mingão)

Bom, Patr e Let(ícia). Foi um tremendo prazer ter a participação de vocês por aqui, dividindo as memórias gastronômicas que sempre existem na vida de qualquer um.

Como não poderia deixar de ser, aqui vão as nossas afamadas flores virtuais pra vocês que, apesar de sócias no blog, moram tão longe uma da outra (a Letícia em Curitiba …

… e a Patrícia no México).

Obrigado pela divisão da informação, dos segredos familiares  e pelos presentes, claro!

Até o próximo…

… que será esta semana (estamos nos preparando pros pintxos) com a chef Débora Cordeiro do Mirepoix. Ela nos indicou um menu de pura comfort food.
Aguardem.

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dcpv – 3º isb em bh – as epopéias eymardianas.

13 a 15/03/11

3º ISB em BH – As epopéias eymardianas.

N.R. – E lá vamos nós com  mais um relato sobre o encontro da turma dos sem blogs, o famoso ISB. Neste caso, o  e teremos a versão bastante lírica do encontro com a ótica do sócio Eymard. Aproveitem e que “lo disfrute”.

Sou mineiro de nascimento. Mas as Gerais são muitas e só fui (re)conhecer Belo Horizonte, adulto. Estávamos em BH quando recebemos a confirmação da gravidez da Lourdes. À caminho, nosso filho mais velho. Seria isso um sinal?

O ISBcomeçou, para nós, um dia antes. Por compromisso profissional passaria parte da sexta feira em Belo Horizonte. União do útil ao agradável. Embarcamos na noite da quinta-feira. Chegada tranqüila. Vôo no horário. Hospedagem no hotel e … uma linda caixa no apto:  Lourdes, olha! O hotel nos deixou uma caixa de cortesia. Não era do hotel! Era a delicadeza de Adriana deixando mimos de boas vindas.

Vamos sair ou comer no próprio hotel? Vamos sair! Adriana escolheu o Baltazar. Escolha perfeita! Lugar bacana, um clássico aconchegante!  Bolinho de bacalhau de entrada e um delicioso arroz de bacalhau para os três. Na mesa ao lado um grupo de arquitetos e professores da PUC de Poços de Caldas. Lembro dos meus bons tempos de Poços de Caldas e de pessoas muito especiais que conhecemos lá. Mandamos um beijo para a Teresa Cristina e nem sabia que Teresa estava mesmo precisando do carinho desse beijo. São sinais? Não sei!

Sexta-feira. Vou para o meu compromisso profissional, enquanto Lourdes vai conhecer os museus ao redor da Praça da Liberdade. Frustração. São abertos ao público somente depois das 12 horas. O passeio pela praça, no entanto, valeu a manhã. Marcamos de nos encontrar, inclusive com Adriana, para almoçar no Parrilla del Patio no Shopping Pátio Savassi. Excelente o buffet e as carnes do local. Pratos generosos que degustamos com calma na gostosa companhia da Adrix. Como não poderia deixar de ser, fizemos um brinde aos presentes e ausentes.

Passeando pelo Shopping, olha o que eu encontrei! Uma exposição de antigos modelos de bicicleta. Volta ao passado: minha primeira Tigrão!! Eu achava que ela era enorme…..e sabe que não é? Seria outro sinal?

Depois do almoço pegamos o carro no andar roxo, que descobrimos ser verde (coisas de Minas) e fomos até o apartamento da Adriana. Local agradável. A cara dela. Com todas as referências de ontem, de hoje e de sempre! Cada coisa tem lá o seu lugar! Livros, fotos, ímãs de geladeira; uma máquina de costura Singer … nada está ali por acaso. Nem ao abandono!
Exceto … o fogão! Lembrou-me o “Ford Corcel” sempre novíssimo de um tio. Nunca saia da garagem e estava sempre limpo e brilhando. Prometi revelar e aqui revelo. A prova definitiva da falta de uso do fogão: o fio que o liga à tomada estava solto e Adrix teve uma certa “dificuldade” para dizer onde era a tomada.

Voltamos ao hotel para nos preparar para outro encontro. Agora com Adriana Pessoa e Márcio. Conhecemos Adriana Pessoa por intermédio do Conexão Paris e desde então, trocamos inúmeros pitakos. Por sugestão dela fomos a Casa Bonomi. Um belo lugar, na Avenida Afonso Pena, miolo da Savassi. Foi reconhecimento à primeira vista. A intimidade virtual ali materializada num encontro de velhos amigos. Transbordamos assuntos e trocamos nossas mineirices com a maior naturalidade. Poderíamos ficar ali horas proseando prazerosamente. A certeza é de que ainda vamos nos ver mais vezes!

Adriana e Márcio fizeram questão de nos levar até o Verdemar. Oportunidade também para conhecerem, ainda que rapidamente, toda a turma. Aí sim, começaria oficialmente o ISBBH. Encontro rápido e (re)encontro de toda a turma, ops, menos de Sueli e Jorge que, a esta altura todos já sabem, não puderam ir por motivo de força maior.

O Verdemar é tudo o que dele já se falou e mais. Desde a primeira vez que lá estive com Adriana para avaliar as “locações”, percebi a singularidade do local.  Passamos, sem delongas, para as degustações: pães, bolos, queijos. Ah, os queijos … Compramos e me arrependi de trazer um só. E chegamos ao creme de milho. Humm, àquela altura pareceu-nos um néctar dos Deuses. O que aconteceu depois? Bem, o meu ficou estatelado no chão. Estava prestes a pagar quando uma senhora esbarrou no meu braço e jogou longe a vasilha!!! Os demais? Não há notícias de que tenham devorado a iguaria até o final do ISB. Moral da história: se você não for o dono do supermercado, acredite, não vá com fome!

Dois espumantes para brindar na casa da Adriana. Vecchio Sogno para o jantar. Inhotim no sábado, logo cedo. Todos os segredos destes encontros, já devidamente revelados.

Caminho para Inhotim. Na direção, simpático motorista nos revela segredos de Minas. Adriana não acredita em GPS e desenha um mapa para auxiliar nossa chegada na Portaria A da PUC. Na hora marcada está lá. Elegantemente de chapéu à nossa espera. Rumo a Inhotim. No caminho uma cena me lembra “Sob o sol da Toscana”. Uma senhora coloca flores numa “capelinha” de beira de estrada. Estaria ali todos os dias? Um vez por semana? Que lembranças ela carrega? A estrada continua e sucedem cenas e flash’s. Mexeriqueiras carregadinhas; crianças brincando no quintal de terra; pessoas sentadas nas portas das vendas; no quintal de uma casa vejo que preparam bandeirinhas para enfeitar uma festa que acontecerá. Vejo a cadeira vazia ao pé da árvore à espera de alguém para amarrar o cordão! Gente simples que cumpre sua rotina e leva a vida. A saboreia?

Inhotim contrasta com o que vi no caminho. Ali é um outro mundo. A cada visita a certeza de que tudo só depende de nós. E dos nós a desatar. Ainda teremos o caminho de volta, atravessando Brumadinho!

Descemos no Estabelecimento. Bolinho de arroz com jiló e pescoço de peru.  Simples e delicioso como nosso encontro até ali. Sentados debaixo da mangueira, nos refazendo da maratona, parecemos crianças à espera daquela festa que estava a ser preparada no caminho de Inhotim!

E ainda teríamos ronda de botecos. Terminamos a noite no Oratório. Ó Deus salve o Oratório….Ó Deus salve o Oratório….nosso fundo musical, que deveria ser Lô Borges ou o pessoal do Clube de Esquina, foi todo costurado pelas músicas chamadas “brega” dos anos 60 a 80. O que insiste em nos remeter para nossa infância e adolescência?

Domingo da Graça. Adriana já estava à nossa espera para o tour final. Para desvendar um pouco mais dos mistérios de Belo Horizonte. Do topo do parc guell belorizontino à simplicidade das linhas de Niemeyer na Pampulha. Pelos olhos e mãos de Adriana pudemos desfrutar o mais sublime da capital mineira.   

Finalmente o almoço no Xapuri. Lina já nos aguardava. Um delicioso reencontro com quem, por vias transversas, reunira essa turma. Um blog, um post e alguns comentários depois, éramos amigos de infância.

A comida do Xapurié um espetáculo à parte e creio, ainda a ser revelado em detalhes de verve e fotos pelo Edu. De minha parte falo apenas de impressões. A comida mineira é substanciosa. Simples e verdadeira: o lombinho; a costelinha; o arroz branco bem soltinho; a couve finamente refogada; a crocância do torresminho … dois violeiros e a música que tocava todos os dias no final da tarde, no rádio do quintal da minha casa, na infância: moda de viola. Chorada. Sofrida. Milionário e José Rico:

 “… Este é o exemplo da vida,
para quem não quer compreender:
Nós devemos ser o que somos,
ter aquilo que bem merecer…”

Hora da despedida. De Lina, de Belo Horizonte, de Adrianas. Adriana segue conosco para um até breve no aeroporto.  

Voltando ao começo. Aos sinais. Querem dizer alguma coisa? Talvez pura coincidência. Percebo, durante o vôo de volta, que Minas nunca saiu de dentro de mim. A carrego para todos os lados. E sei agora, que ela representa um vínculo profundo de vales, montanhas e contrastes. Traço simples,  generoso, humano … Como nossa amizade construída de reconhecimentos! 

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