Arquivo de agosto \30\UTC 2011

dcpv – almoço domingueiro, familiar e festivo.

05/06/11

Almoço domingueiro, familiar e festivo.

Sabe que há um tempão não fazíamos um big almoço familiar e domingueiro aqui na sede? A data merecia.
Aproveitamos pra adiantar uma boa parte dele já no sábado.

A Re e a Dé resolveram fazer macarrão em casa. Melhor, resolveram estrear a nova máquina elétrica (ê, tecnologia).
E deu tudo absolutamente certo (Lourdes, a Dé mandou dizer que pode comprar. E que não precisa mais dum grifo, não!! rsrs)

De lá sairam belos “penne” e …

… “papardelli”.

Eu aproveitei  e fiz umas porpetinhas que seriam utilizadas no nosso molho ao sugo.

E também as usei em ótimos sandubas (porpetta, queijo, salada e molho de iogurte num pão sírio) que foram o jantar de sábado.

Adiantei também o ragu vegetariano …

…e os pepinos cortados rudemente e temperados com óleo de gergelim, alho, sal, pimenta do reino e azeite.

Ah! A Dé também criou o cenário antecipadamente e deixou a big table totalmente preparada. Uma beleza, como sempre!

Pronto! Fomos dormir (nada como uma família trabalhando unida) e preparados pra acordar um pouco mais tarde no domingão.

Logo cedo, a Re e eu fizemos as honras da família e demos os nossos presentes. A Dé gostou de tudo, até do edredon! :)

E voltamos à lida: preparei a leitoinha (by sex shop) …

… e os lombos (by sex shop), …

… sendo que um deles foi regado com o novo molho barbecue do e da Flávio Federico. Ficou muito bom.

Enquanto isso, fiz uma receita de batata que é o “bicho” segundo a própria aniversariante. E é mesmo.
As comemos na refeição que fizemos no excelente Arturito, o restaurante da Paola Carosella. Como sou cara-de-pau, enviei um e-mail pra ela pedindo como fazer, e não é que ela me mandou! (palmas pro atendimento dela que é sempre solícito e cordial).

São batatas ao murro mais do que especiais. Cozidas no forno com água, muito sal grosso e numa assadeira vedada com papel alumínio são esmurradas e fritas no azeite (de preferência umas duas vezes).

Pra batatólogos como nós é um prato imperdível. Elas evaporaram da mesa! :)

Aproveitei que a minha Bimby estava à disposição e a utilizei pra fazer duas pastas e uma sopa. Esta, um creme simples de alho porró que quentinho, casou muito bem com a temperatura reinante.

As pastas, uma de salmão defumado com cream cheese e outra de queijo de minas e iogurte, …

… foram servidas com pedaços de pão sírio fritos (ficam crocantes e deliciosos)

Complementamos as entradinhas com uma platô de frios (pata Negra (ele não acaba!! rs), queijo Gouda, pimentão em conserva, pimenta biquinho e erva-doce temperada).

Ah! E a famosa torta de palmito da D Vera que a Dé simplesmente venera!

Todo mundo começou a chegar e aproveitamos pra servir os acepipes com a companhia dum Espumante Espanhol Codorniu (pra entrarmos no clima) e, urgh, um  Tinto Suave Sdruws pra D Vera e pra minha mãe, a D Anina.

Pra acompanhar os lombos e a leitoa, fiz dois molhos. Um de mostarda e mel e outro de kiwi, azeite e hortelã. Ambos diferentões segundo os comensais (viu, Dodô?).

Tomamos alguns vinhos espanhóis (a nova onda do momento) e um português (viu, Ameixa?), conversamos bastante, rimos mais ainda e chegamos ao auge do dia.
A hora do parabéns e do bolo. Que na verdade foi uma saborosa torta de morangos e …

… excelentes cupcakes de limão e maracujá, feitos pela Julia da ótima doceria  Júlia Chocolates de Poá, uma cidade satélite da grande FV.

Musiquinhas foram cantadas (todas as 38 que compõe o repertório da família) até o grand finale, a famosíssima “Era eu a criancinha, …, a alegria da minha mãezinha“, na qual a D Vera exultante abraçou e beijou a querida filhinha.

Pronto! Cafés, anisetes, docinhos, anisetes, spirits by FF, anisetes. Tudo isto e mais este montão de mulher bonita!

Só nos restou desejar um Feliz Aniversário pra Dé e muitos anos de vida ao nosso lado (especialmente do meu).

Até o próximo.

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dcpv – jantar do dia siete – país basco – restaurante mugaritz

noite de 27/06/2011

Jantar do dia siete – País Basco – Restaurante Mugaritz

Fomos jantar no Mugaritz, considerado o 3º melhor restaurante do mundo. Você já ouviu falar?

Se não (ou se sim) prepare-se pruma experiência totalmente sensorial.
Começa que pra achar o lugar você tem que ser de circo. Nem endereço completo tem. Você coloca as coordenadas no GPS, sai de San Sebastian e uns 20 minutos depois está lá, numa casa de campo bacana e muito bonita localizada em Errenteria.

Chegamos e fomos recepcionados pelo Rafa Costa, …

… um carioca que é sub-chef do Andoni Luis Aduriz, o afamado chef basco.

Ele nos mostrou a cozinha (e que cozinha. Tem cara de centro cirúrgico, né não?) com absolutamente tudo…

… e todos que a compõe.
Pronto, começou o que chamamos (a Dé concordou e comeu quase tudo) de uma viagem à DisneyWorld da gastronomia.

Iniciamos tudo liricamente e recebendo dois cartões com envelopes.

Num estava escrito: 150 min…Sométete. E internamente: 150 minutos para sentir, imaginar, rememorar, descubrir. 150 minutos para contemplación.
No outro: 150 min … rebélate. E no cartão: 150 minutos para incomodarte, alterarte, impacientarte. 150 minutos para padecer.

Estávamos prontos pra contemplar e padecer na experiência mugarística.
Pra equilibrar tudo só poderíamos tomar champanhe …

… e um vinho branco d’Equilibrista. Redundância e acerto total.

Vamos pela ordem:

prato 1 – cerveja de legumes tostados e tapa de azeitonas. A azeitona era feijão e a cerveja era um caldo legumoso com espuma. Surpreendente e instigante.

prato 2 – pedras comestíveis. Parecia uma pedra, tinha textura exterior de pedra, …

… mas eram batatas cozidas à precisão. Um verdadeiro purê com casquinha!

prato 3 – placa fina de caramelo com praliné e corais de crustáceo. Uma finíssima e crocante casquinha doce com sabor daquele coral vermelho da vieira. Já comeram?

prato 4 – focaccia de amido com purê concentrado de tomate. Crocante e viciante.

prato 5 – muçarela (ou mussarela, ou mozzarella, viu sócio?)  caseira com o seu soro emulsionado em chá defumado. Um prato estranho, pois o queijo parecia um chiclé e o molho era bastante gorduroso. Se comemos? Claro que sim.

Até aqui não tínhamos usado nem garfo, nem faca.

prato 6 – este se chama: Shhhh … !Muérdete la lengua! É um ninho bem fino de cebola e carne cortados na mesmíssima espessura.

Inclusive, foi feito um suspense pelo atendente sobre qual seria a carne?
Como comemos tudo, a Dé pode colocar no currículo dela que experimentou e gostou de língua bovina.

prato 7 – sopa no pilão com especiarias, sementes, caldo de peixe e ervas frescas. Esta também é muito legal: eles te trazem socadores, …

… pilões com gergelim, pimentas, esepeciarias variadas, …

… e você mexe com vigor até que tudo libere aroma. Aí o atendente coloca ervas frescas da horta do próprio restaurante …

… e o caldo.

Está pronta a sopa. É uma experiência muito legal e facílima de se reproduzir em casa!

prato 8 – noodles de carne com extrato de arraitxikis e arroz pipoca. O macarrão carnoso japonês é servido com um molhinho herbáceo junto daquele arroz que foi frito e parece mesmo uma pipoca. Bastante saboroso e estranho ao mesmo tempo.

prato 9 – ragu de alcachofras e tutano servido num pão de kuzu.

Neste, o ragu saboroso (e não é que a Dé também comeu tutano e nem sabia?) é servido num pão que tem a textura de pão de forma. Todos lamentamos ter que devolver uma boa parte do pão. As alcachofras foram devidamente comidas pela Dé.

prato 10 – sopa melosa de carne de caranguejo aromatizada com folhas de gerânio. Uma simples, saborosa e perfumada sopinha de galinha do mar.

prato 11 – merluza servida num molho “lechoso”. Esta foi uma daquelas encorpadas onde o molho parecia que tinha colágeno. Sabe aquele molho de rabada das boas? rs

prato 12 – texturas de peixe de rocha.

Um peixe macio servido com casquinhas dele fritas como se fossem torresminhos. Uma verdadeira delícia.

prato 13 – pedaço de carne com emulsão de carne assada. Já neste, a carne macia e suculenta, …

… ganha um upgrade com o acréscimo duma maionese de carne assada. É isto mesmo. Eu não estou delirando! :)

prato 13a – É claro que a Dé não comeu o prato acima. E como o Rafael já tinha pego as dicas, mandou pra ela um pescado com manteiga de cabra e talos crocantes de acelga. A Dé já estava abrindo o bico, mas comeu tudo (isto também é combinado no início do jantar. Se você estiver satisfeito, avise que eles não servem mais. Senão, só param quando você der o sinal).

prato 14 – armagnac de codornas. A Dé queria parar por aqui, mas o chefe nos mandou este prato (drink?).

Que na verdade é um copo aromatizado com conhaque e preenchido com um caldo das “penosas” que tem a cor e a densidade dum bom conhaque. Boa idéia, não?

prato 15 – este veio só pra mim.

Rabo de porco, folhas crocantes e tartar de sementes assadas. Simplesmente maravilhoso. São pedacinhos de porco crocantes e com um suco de carne saboroso.

A Dé ficou a espera das sobremesas. É com “s” mesmo já que eram 3.
prato 16 – a primeira sobremesa.
Este também não é exatamente o que parece. São nozes verdadeiras e falsas com sorvete de leite de cabra e gelatina de conhaque.

Se a idéia foi limpar o paladar como se fosse um sorbet; objetivo cumprido.

prato 17 – um creme bem frio (não é sorvete) de limão com nabo curtido em açúcar. Simples e delicioso.

prato 18 – cucurucho de flores e cravos.

Lindos e saborosos cucuruchos (que acredito ser algum tipo de pirulito basco).

Pronto. Foi incrível e por mais incrível que possa parecer, curtimos absolutamente tudo sem ter a aquela sensação do “não agüento mais nada!”.

Realmente é uma “viagem lisérgica” que qualquer pessoa que gosta de gastronomia tem que experimentar pelo menos uma vez na vida.

Nós já temos este carimbo no passaporte.

Agur.

AtençãoEu fiz um post mais condensado pro Diogão dos Destemperados sobre esta experiência.
E lá, as discussões foram bastantes acaloradas. Algumas pessoas desceram a lenha (especialmente pelo preço: 220 Euros per capta); a maioria escreveu a favor.

E você? O que acha?

Acompanhe os dias anteriores da viagem:
Dia Uno – Espanha – La Rioja – Marques de Riscal, o hotel.
Dia Dos – Espanha – La Rioja – Museu do Vinho e cidadezinhas bacanas
Dia Tres – Espanha – La Rioja – Bodegas maravilhosas e arquitetura não menos
Dia Cuatro – Espanha e França – La Rioja e Bordeaux – Final de semana em Martillac
Jour Cinc – France – Bordeaux – Passeando e entrando no mundo dos Premieres Grands Crus
Dia Sei – França e Espanha – País Basco – Você sabe o que é euskera? Pintxo você sabe, né?
Dia Siete – Espanha – País Basco – Guggen … heim?
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dcpv – dia siete – espanha – país basco – guggen … heim?

27/06/2011

Dia siete – Espanha – País Basco – Guggen … heim?

Hoje era o dia de conhecer a obra-prima do arquiteto canadense Frank Gehry .

Por incrível que pareça, foi também o primeiro dia com tempo ruim da viagem.

O céu estava muito nublado e tivemos um decréscimo de 18 graus na temperatura.

Mas mesmo assim os planos iniciais se mantiveram.

Acordamos cedinho, tomamos um ótimo café da manhã no hotel e rumamos pra Bilbao (ou Bilbo, em Euskera, a língua basca) que fica a 80 km de Donostia (a popular San Sebastian).

E fomos direto pra tentar dar uma olhada no Guggenheim antes do nosso almoço, marcado pro restaurante do próprio museu.

Pegamos um chuvisco no caminho (optamos pela auto-estrada pedagiada) e chegamos em Bilbao por volta das 12:00 hs.

Tivemos um pequeno stress pra achar um lugar pra estacionar. Acabamos num shopping próximo ao museu e foi uma boa estratégia, já que aproveitamos tanto a ida …

… como a volta pra curtirmos a visão desta maravilha da arquitetura mundial.

Chegamos, …

… admiramos a obra do nosso queridinho  Anish Kapoor, …

… a aranha da Louise Bourgeois (ops), …

… e subimos pra curtirmos o famoso cachorrinho (cachorrão?) florido, o Puppy do Jeff Koons.

E ele é demais mesmo.

Como tínhamos quase uma hora pro almoço, resolvemos conhecer o acervo do museu.

Tudo bem que todo mundo diz que o Guggenheim é mais bacana visto como uma construção fora-de-série, do que um museu interessante.

E é claro que discordamos.

Existem obras de arte moderna muito bem boladas por lá como o labirinto (as fotos são proibidas, mas …), …

… as plásticas bexigonas …

… além do prédio ser internamente tão interessante quanto a sua parte exterior (placas de titânio à parte).

Quando você está lá dentro, tem a exata noção do quanto deve ter sido legal transformar este projeto em realidade (foram 5 anos de construção).

Esta uma hora passou bem rápido e tínhamos que nos alimentar fisicamente, depois da alma estar abastecida.

Ainda bem que reservamos antecipadamente uma mesa no restaurante do museu (a espera é imensa. Mande um email que eles respondem no outro dia).

A nossa mesa estava lá no espaço frankghérico, com suas divisórias onduladas vermelhas, …

… cadeiras assinadas …

… e um cardápio de madeira e curvo (e em Euskera ou Euskara).

Tudo isso pra te oferecer uma refeição bastante requintada e pros padrões daqui, muito barata. Vejam bem: são 28,50 Euros por pessoa com entrada, principal, sobremesa, água, uma garrafa de vinho (branco ou tinto) e cafezinho.

É uma pechincha, ainda mais pela qualidade de tudo. Todas as opções são tentadoras.

A Dé escolheu cebolietas glaseadas en su sugo, tomillo e musse de idiazabal. Uma tremenda espuma de queijo com cebolas muito macias.

Eu, uma ensalada de anchovas com pralinê de sementes e várias lechugas ou seja, uma salada com alfaces crocantes, não esquecendo das anchovas frescas (do tamanho de manjubinhas) e muito bem temperadas.

O vinho branco era da casa e um bom Verdejo Viña 65 2010.

Como principais uma Merluza ao horno, berenjena, tomate e albahaca com mojado de aceitunas negras pra Dé. Uma pintura!

Eu fui de chipirones a la antigua, crema de garbanzas y caldo de su coccion.

Melhor falando, lulas em su tinta com um purê de grão de bico.

Todos absolutamente perfeitos.
Como a sobremesa estava incluída, fomos pro sacrifício.

Um melocoton assado com tomillo oreado, crema de almendras y gelado de queso (pêssego, amêndoas e sorvete de queijo) pra mim …

… e leche, cacao, avellanas y … pra Dé.

A sobremesa era descrita assim mesmo com reticências. E elas eram, segundo a Dé, um ótimo sorvete de chocolate.

Dois cafés depois, a conta paga (inacreditáveis 58 Euros) e continuamos o tour pelo Guggenheim.

Primeiro, uma visita consumista à excelente lojinha. E depois mais um passeio ao redor do prédio mais vistoso que já vimos.

Ele mais parece uma destas modelos famosas fazendo poses …

…  e caras diferentes (inclusive, aproveitamos o clima).

Logo após, fomos dar umas voltinhas por Bilbao que tem cada vez mais projetos arquitetônicos diferentões e …

… modernosos.

Ainda sobrou tempo pra darmos uma breve passada na cidade de Gernika, …

… aquela mesma onde Picasso se inspirou pra pintar uma de suas obras mais famosas.

Chegamos ao hotel, nos arrumamos pra irmos jantar no Mugaritz do chef Andoni Luis Aduriz (e do brasileiro Rafa Costa).

Bom, este merece um post especial.

Não percam porque foi sensacional (18. Sim, 18 pratos).

Agur.

Acompanhe os dias anteriores da viagem:
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dcpv – comer como um frade

número 298
19/07/11

Comer como um frade

“Divinas receitas pra quem sabe por que temos um céu na boca”.

Este é o subtítulo do livro “Comer como um frade” do Frei Betto (Editora José Olympio) que a Drix nos deu de presente quando da nossa visita a BH por conta do 3º ISBH.

É mole? Além de nos recepcionar como reis ou melhor monarcas, ainda recebemos presentes deste calibre da nossa anfitriã. E este livro é muito interessante.

O Frei betto que afirma “ há quem me acuse de ter complexo de Édipo. Não é verdade. Não tenho complexo. Sou o próprio. A diferença é que antes  a D Stella era a mãe do filho. Depois do sucesso dos seus livros de culinária(ela é autora, entre outros, do clássico Fogão de Lenha: 300 Anos de Cozinha Mineira), passei a ser filho da Stella”.

E ele também diz que “no Rio, no início da década de 1960, morei numa república de estudantes cuja fome superava e muito, os recursos disponíveis para comprar alimentos. Aprendi a fazer farofa, multiplicar a quantidade de feijão sem incluir novos grãos e cortar carne como se fosse salame pra que ninguém ficasse sem bife“.
Ou seja, o Frei é uma figuraça culinária.

E partindo deste princípio, escolhi entre as inúmeras receitas que ele adaptou, algumas pra formar o menu desta noite.
Elas são bastantes simples e tem um jeitão de saborosas. Vamos ver se são ou não?

Minha intenção é facilitar a vida de quem pretende receber amigos para almoçar ou deseja preparar um jantar de muito bom gosto com o que pode ser encontrado na feira ou no supermercado da esquina”(isto é, no Veran).

Bebidinha – Uma caipirinha de kinkã. Espiritualmente selvagem.

EntradasCanapés Pascais, Caruru à São Sebastião e Pirão de Espinafre à Maria Abadessa.

Dica do FreiPra conservar frescos os limões partidos, coloque-os na geladeira com a parte cortada virada de boca num pires com um pouco de água.

Pelo nome das receitas deu preperceber que elas são do Frei Betto, né? :)
Os canapés são torradas feitas com fatias de pão de forma cortadas em 4 e …

… cobertas com queijo cremoso, uma mistura de presunto picado e lâminas de azeitona …

… além de quadradinhos de muçarela pra finalizar.

Leve ao forno quente e deixe até a mussarela (me recuso a escrever com c cedilha) derreter.
Segundo o frei “estes canapés parecem hóstias. Uma festa para o paladar. Tão delicadas que não reduzem o apetite”.
É isto mesmo. Como que por milagre, o nosso apetite aumentou. Amém!

Já no pirão de espinafre eu fiz uma adpatação (alguém lá me cima me perdoará). Em vez de espinafre, usei o Bradesco.

Deixa eu explicar esta: todo mundo sabe que eu tenho mania de plantar coisas no meu quintal. Há um tempão eu jogo sementes nas pedras laterais da piscina. E um milagre aconteceu: uma delas germinou de tal maneira e cresce tanto que a Flora a apelidou de Bradesco por parecer com um daqueles investimentos milagrosos (se bem que eu não acredito que o Bradesco os tenha!! :) ). Não me pergunte o que é, mas é uma folhagem maravilhosa, acredito que um tipo de mostarda.

Então piquei 4 folhonas de Bradesco e coloquei numa frigideira, regando com duas garrafas pequenas de leite de coco.

Deixei cozinhar, mexi bem e acrescentei ervas de Provence. Adicionei, polvilhando, farinha de mandioca crua até atingir a consistência desejada. Aí é so temperar e servir.

Na receita está escrito que “o profeta adverte que devemos comer para viver e não viver para comer“.
Resumo: estamos comendo pra viver!

E finalizando a pré-liturgia, o caruru que nada mais é do que um refogado de cebola em rodelas, molho de pimenta vermelha, um tablete de caldo de carne (tenho que ser fiel a receita! rs), sal a gosto e uma colher de curry, refogados numa colher de azeite.

Quando o tempero estiver bem curtido, junte 500 g de quiabos cortados em rodelinhas. Acrescente umas gotas de limão e deixe em fogo lento.

Sobre, palavras do frei, este “manjar dos deuses“, repouse 200 g de camarões médios e pique, por cima, 4 castanhas do pará.

Adicione coentro, cebolinha  e deixe em fogo baixo por 15 minutos.
Resumão da entrada: muito diferente, saborosa e certamente não haveria vinho que resistisse a ela. O jeito foi tomar um  espumante de primeira, o Prosecco Aurora (sou filha do Arineu!!) que foi “sincero, angelical, boreal, honesto”.

PrincipalPeixe à São Pellegrino

Dica do Frei – Use sempre a mesma faca pra cortar cebolas, pois elas tiram o corte.

Tome duas postas de filé de linguado e tempere com suco de duas laranjas, ervas de provence, hortelã, alecrim, alho batido no sal e molho de pimenta. Deixe descansar por uma hora.

Cubra com meia lata de purê de tomate (desculpe Frei, mas usei o molho da D Anina! rs) e um vidro pequeno de leite de coco.

Leve ao forno por 20 minutos, retire as postas e …

… jogue o caldo numa frigideira. Junte farinha de mandioca e faça um pirão.
Fatie uma manga e sirva como acompanhamento.

Renda graças ao Senhor que criou toda a água e os seres que nela vivem, diante deste saboroso prato“. palavras do frei Betto e nossas também.

Peixe + vinho branco = mistério gozoso.

O pior foi não ter tomado uma água do santo, aquela a italiana. Em compensação, tomamos o branco Albarinho Mar de Frades  (ô coincidência!) que foi “amém, a nós todos, convento, mansinho“.

SobremesaBolo Cremoso da Pastoral Operária

Dica do FreiPara espantar formigas doceiras, pique um pouco de fumo sobre a trilha.

É claro que esta trilha é a das formigas, né?

Este bolo é muito fácil de fazer. Basta misturar, num liqüidificador, duas xícaras de chá de leite, três ovos, uma xícara de chá de fubá, duas de açúcar, uma colher de sopa de fermento em pó e 50g de queijo parmesão ralado.
Bata bem e derrame numa forma de bolo untada. Leve ao forno quente.
Deixe esfriar e retire da forma.

Prontíssimo. E pra não deixar a vida muito doce (um pouco de “margoso” é sempre bom), servi um sorvete de limão cravo.

Eu juro que jamais pensaria em fazer um bolo da Pastoral Operária! :)

E pra ão perder o jeito, mais uma dose do Spirit (ops!) Vanilla do Flávio Federico!

Eis a opinião dos coroinhas (ops, coroões!):

Comida dos deuses. Alimento pra alma! (Edu)
Ora pro nobis! Que santidade. (Mingão)
Dominus vobiscum! Et cum “stomacus” tuo! (Deo)

O livro do Frei Betto termina com alguns mistérios gozosos que ele elenca:
Acostume-se a mastigar lenta e demoradamente. A saliva é a usina que tritura o alimento. Caso contrário, o estômago se verá forçado a fazer um trabalho que a boca se omitiu.
À mesa, aposte consigo mesmo que você será o último a terminar o prato.
Abstenha-se periodicamente daqueles alimentos que você mais gosta. E seu espírito agradecerá.
O sono saudável depende do estômago moderado: a pessoa se levanta cedo e com boa disposição. A gula é sempre acompanhada por mal-estar, insônia, naúsea e cólica.

É, pessoal. Eu acho que nós não dormiremos muito bem esta noite.

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dcpv – jour six e dia sei – frança e espanha – país basco – você sabe o que é euskera? pintxo você sabe, né?

Jour six e dia sei – France e Espana – País Basco – Você sabe o que é Euskera? Pintxo você sabe, né?

Dia de dirigir desde a França até a Espanha.

Na verdade, de Martillac até Donostia. Mais conhecida como San Sebastian.

Antes de tudo um lauto café da manhã no hotel, que diga-se de passagem não foi tão lauto assim já que a japonesada tinha passado antes e devastado as mesas como uma nuvem de gafanhotos.

Resolvemos conhecer melhor o hotel. Demos uma olhadinha (não uma molhadinha) na piscina, …

… nos jardins floridos, …

… nos lagos românticos (ahhh!), …

… na horta com produtos bastantes diferentões, …

… e temperos que nunca vimos …

.. além de legítimas flores de alcachofras.

Com tínhamos tempo, passamos na Jardiland.

É um lugar com tudo o que se pode imaginar sobre plantas e afins. Compramos um montão de sementes que certamente florirão muito mais a grande FV.

Resolvemos também seguir as dicas do Joaquim e procurar lugares onde se vendem vinhos, as populares adegas. Não sei por que cargas d’ água o tal resolveu indicar alguns estabelecimentos inexistentes.

Resultado? Quase uma hora aparentemente perdida (conhecemos pequenas cidades que jamais pensamos existir) e chegamos em cima da hora (12:00 hs) pra fazer o checkout no hotel. E aí pintou a idéia genial. Que tal tentarmos saber onde ficava o Château Latour-Martillac, criador do vinho que tomamos nos nos dois jantares que fizemos no hotel e comprarmos algumas garrafas pra levar pra casa?

Obviamente descobrimos que ele fica em Martillac (daaaaammmm) e melhor, a parcos 7 minutos do hotel.

Fomos pra lá e vimos que ele está situado ao lado da igreja, bem no centrinho da pequeniníssima cidade.

Chegamos exultantes e perguntamos onde era a “boutique“?
É claro que recebemos a resposta que eles estavam trabalhando, mas que era horário de almoço e que eles retornavam somente as 14:00hs.

Pensamos: deixa pra próxima. Apesar de termos adorado o vinho deles, não esperaríamos duas horas pra que a loja abrisse.
Daí a mudarmos de idéia foi um pulo.

Resolvemos ficar e esperar. E almoçar em Martillac. Na grande Martillac.
Demos um bela olhada no grande centro (uns 50 m²) e escolhemos o restaurante Le Pistou.

O estranho é que não tinha uma alma viva em toda a cidade, mas o restaurante estava cheio a ponto do garçon nos perguntar se tínhamos feito reserva? :)

Tivemos “sorte” e sentamos. O lugar é uma belezinha. Todo arrumado e com muita personalidade.

Pedimos um entrada pra dividirmos, um tartar de vieiras que estava fresquíssimo e maravilhoso. A Dé achou fresco demais e eu comi tudo.

Uma meia garrafa de vinho branco Chateau Coucheroy 2009 nos acompanhou e escolhemos os principais.

A Dé foi de julienne de legumes com arroz e um tremendo peixe fresco com tomates.

Eu, modestamente, pedi o peixe do dia, uma merlusa com legumes e arroz. Frugal, né não?

Pratos simples e saborosos. Pagamos a conta (60 euros) e retornamos pra loja da vinícola. A mesma simpática pessoa que nos informou que a loja estava fechada, nos atendeu. E não é que o cara além de ser extremamente simpático, ainda nos mostrou absolutamente tudo.

Resultado? Compramos 6 garrafas do excelente branco do Mouton-Martillac (safras 2008 e 2009) e ainda ganhamos um outra da segunda linha do Chateau que o nosso colega jurou ser tão boa quanto as outras. O que, cá pra nós, não seria nenhuma novidade.

Nos despedimos da França pra conhecermos melhor as idiossincrasias do País Basco.

E neste caso está incluída uma tremenda suite no hotel Maria Cristina (grato, Starwood pelo upgrade) .

Ele fica bem no meio da muvuca donostiana e no nosso caso, com uma tremenda vista do Rio Urumea e do próprio Mar Cantábrico.

Tudo bonito demais.

Demos uma volta de reconhecimento na região do hotel e vimos preliminarmente como é a famosa Parte Vieja.

É praticamente lá que tudo acontece.

Chegamos até a orla (olha, San Sebastian parece bastante com o RJ, só que sem favelas) e prometemos voltar a noite pra comermos uns pintxos.

Foi o que fizemos.

Apesar do tempo ter dado um virada (chegamos com uns 40°C e estava uns 20ºC ), insistimos e fomos à Parte Vieja pra pintxear e tapear.

Pra quem não conhece, pintxos são guloseimas que estão a mostra no balcão dos bares (normalmente com palitos) e que você escolhe quantos comer/pagar quando os coloca no prato.

No caso, acabamos experimetando os do  Bernardo Etxea, porque este estabelecimento foi o único que se encaixou na categoria que a Dé estava procurando: pintxos pra se comer sentado numa mesa!

Na primeira rodada, pintxamos “siete” vezes com duas copas de vino blanco.

Escolhemos pintxos e tapas frios tais como torta de caranguejo, bruschettas frias dos mais variados sabores tais como anchovas, pimentões, bacalhau, anchovas, sardinhas, queijos, etc.

Na segunda rodada, mais 3 tapas quentes, croquetas de presunto (guia 4quetas: 10), …

… pimentão recheado com bacalhau e, surpresa, um suculento e macio polvo à marinara (aí meus “figuinho”).

Ah! Mais dois copos de vinho branco e mais dois de Txakoli, o vinho frisante tipicamente basco que a Dé não gostou muito, mas que eu tive que gostar bastante, já que tomei os dois (e também não achei muito bom, não!)

Pronto. Os pintxos estavam desvendados e estávamos liberados pra conhecer a instigante e estrelada cozinha basca.

Amanhã iniciciamos o percurso, com o almoço no Guggenheim (é, vamos passar o dia em Bilbao) e com o jantar no afamado restaurante  Mugaritz.

O dia promete.

E antes que eu esqueça, Euskera (ou Euskara) é a indecifrável e interessante língua basca.

Você vai se divertir tentando entender o que significam as palavras em Euskera. E mais ainda percebendo que tudo não tem a mínima lógica.

Agur (é claro que é tchau em Euskera).

Acompanhe os dias anteriores da viagem:
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dcpv – eymard – una passegiatta pela itália

Una Passegiatta pela Itália.

O Edu me havia pedido um post comparando duas pizzarias históricas: a Da Michele, em Nápoles e a Baffetto, em Roma. Tentei cumprir a promessa. Infelizmente, a Baffetto funciona somente a partir das 18 horas e descobri isso tarde demais!
Então, para compensar, escrevo um post com uma passegiata pela Itália.

(I) Um napolitano que torna a Sorrento.

A escolha por começar a viagem pela região da Campânia não foi aleatória. Queria que a primeira visita dos meus filhos para a Itália começasse pela terra dos meus avós. Tudo pronto, embarcamos para Milão e de lá, um vôo doméstico de 1:30 até Napoli. Vôo tranqüilo. Tudo incrivelmente no horário. Desembarcamos e pegamos o carro rumo ao hotel para uma noite “a Napoli”.

Sempre me lembro da expressão “a primeira impressão é a que fica”. Nesse caso, procuro investir nessa idéia. Escolha do hotel: Grand Hotel Vesuvio. Um clássico em frente ao Castel Dell’Ovo.

Solicitei por e-mail que gostaria de quartos de frente e com vista para o Castelo (nunca deixo de solicitar cortesia para quartos com vista; upgrade de qualidade de quarto, etc.. Nem sempre consigo, mas quando há disponibilidade, há grande chance de lhe concederem).
Ao chegarmos ao hotel, nos sentimos como Angelina Jolie no filme “O Turista” ao chegar em Veneza e se hospedar no Hotel Danieli.

Um sóbrio cavalheiro nos acompanhou até os quartos e fez questão de “abrir” as janelas da sacada, com um sorriso napolitano no canto nos lábios. O visual era incrível e valeu todos os esforços para chegar até ali. Ficamos um tempo contemplando aquela paisagem antes de experimentarmos um belo spaghetti.

Bem, uma retificação: no nosso caso o armário não tinha os “mimos” recebidos pela Jolie no Hotel Danieli. Também nós não éramos Angelina e não estávamos em um filme embora tudo ao nosso redor parecesse um set de filmagem.
Acordamos e o visual da nossa janela era esse. Nada mal, heim!

Passegiata pelo centro de Napoli para chegar até a pizzeria Da Michele. O centro histórico de Napoli é mesmo um filme de Fellini. Depois de passear pelas vielas, com as tradicionais roupas penduradas e ver as nonas conversando nas varandas, chegamos lá.

Duas opções de pizzas: a margherita (com muzzarela) e a pomodoro (sem muzzarela). Tamanho único. Para beber? Refrigente ou birra. O lugar lembra a copa ou a cozinha de casa.

Agora entendemos porque a Julia Roberts, em Comer Rezar Amar abandonou o garfo e a faca para comer a pizza com as mãos. O que faz a diferença dessa pizza é o molho. Eles produzem os tomates para a fabricação do molho, ali bem na região do Vesúvio. Ela não poderia ser mais simples, mais básica. Mas de tão boa chega a doer!
Nos despedimos da Da Michele com um até breve!

II -Torna a Sorrento.

Escolhida a cidade como base para a passegiata pela Costa, Sorrento, é uma cidade estratégica. Um pouco maior do que as demais da região, mas fácil para circular. O hotel Vesúvio é estrategicamente localizado na Piazza Tasso. E tem uma das mais belas vistas da baia de Napoli …

… e do Vesúvio.

Fomos jantar no Il Buco, indicação do maravilhoso guia “Itália: para comer e beber bem”, do Juscelino Piselli Pereira e do jornalista Gerardo Landulfo. O restaurante é uma beleza; comida e serviço impecáveis.

Nos sentamos do lado de fora, com direito a música napolitana (se bem que, depois da gorjeta, o sujeito desapareceu!!!).

O chef se propõe a apresentar a comida local, valorizando os ingredientes da região da Campânia e, mais do que isso, da região do Vesúvio. Para mim, o menu degustação. Uma variedade dos clássicos locais, todos a base de peixe ou frutos do mar.

Para a Lourdes, o menu OKm. Achamos a idéia desse menu muito legal. Todos, literalmente, todos os ingredientes eram locais, daí o Okm.

E, para os filhos, um Chateaubriand que veio numa panela e foi devidamente fatiado e servido.

III – Ravello com Domenico De Masi.

Ravello já abrigou de Wagner …

…a Domenico de Masi, passando por Forster, Gide, …

…Gore Vidal e tantos mais.

A cidade merece a classificação de voltar sempre e até ficar por um bom tempo. Marcamos almoço no terraço do Palazzo Sasso e que vista. O vinho? Um local Greco di Tufo.

IV – Capri com Gable e Loren.

Clark Gable chega à ilha e encontra Sophia Loren no filme “Começou em Nápoles – It started in Naples”. Não encontramos Clark, nem Sophia, mas a ilha estava lá, com poucas diferenças.

Você pode conhecer a ilha de diversas maneiras: alugando um barco; passeando com transporte público local; contratando um serviço de micro-onibus ou alugando um pitoresco taxi. Fomos de taxi com o Sr. Vincenzo.

Vincenzo nos apresentou a ilha, Capri e Anacapri e nos levou para almoçar no La Piazzetta. Peixe fresco e essa vista:

Descobrimos que a família que trabalha no restaurante é “vizinha de porta do Sr. Vincenzo” (eu estava certo de que o Sr. Vincenzo nos levaria na casa da cunhada – coisas de “napolitanos”). Um peixe fresco cozido com azeite, limão e pomodoro. O outro, um peixe grelhado. Tudo simples e de boa procedência. Precisa mais?

Sugiro uma visita ao Jardim de Augusto para ter certeza de que Deus existe!

E, no centro de Capri e Anacapri, lojas sofisticadas ao lado de pequenos comerciantes locais.

V – Roma para não romanos.

A idéia era ir na Baffetto para comparar com a pizza da Michelle. Os deuses napolitanos conspiraram e não conseguimos ir na pizzaria. No entanto, fomos na pizzeria Il Leoncino.

E deu para saber que de pizza os italianos entendem mesmo. Crocante. Com poucos ingredientes. Mas com um sabor incomparável. Se a Da Michelle encanta pelo molho; a da Il Leoncino encanta pela crocância da massa. Sugiro que peçam de entrada uma foccacia (que vem só a massa) e em separado, prosciutto, muzzarela de búfala, azeitonas verdes e pretas e pronto; você mesmo monta a sua pizza.

Sem a preciosa ajuda do conectado Marcello Brito nossa viagem não teria sido o sucesso que foi e em Roma, contratamos os serviços do Alessandro Barnaba (http://descubraroma.blogspot.com/) para um tour histórico. Recomendo.

Para terminar, é verdade, Sueli! Os Luz estão fazendo escola. Aprendemos com eles muitas coisas.
Uma delas foi brindar e tirar foto dos brindes. Mas ainda estamos engatinhando … no fraldário!

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Jour cinc – France – Bordeaux – Passeando e entrando no mundo dos Premieres Grands Crus

25/06/2011

Jour cincFranceBordeaux – Passeando e entrando nos Premieres Grands Crus.

Acordamos tarde. Acho que o jet lag estava pesando (são 5 horas) e o calor também (hoje bateu em 39ºC).

Mesmo assim, tomamos um cafezão da manhã, ou melhor, um chazão e um capuccinão e fomos conhecer Bordeaux.

Conhecer não é bem a palavra certa, já que tínhamos somente algumas míseras horas pra dar uma olhadinha no máximo que seria possível.

E olha que este tempo foi o suficiente pra passarmos pela Esplanade des Quinconces, uma praçona imensa e com ares de árida, mas com obras de arte da maior qualidade.

Vimos também o The Grand Théâtre (dá pra imaginara sensação de se  assistir a algum espetáculo por lá), …

… a admirável Place de la Bourse …

… e a praia de Bordeaux.

É claro que todo mundo sabe que Bordeaux não tem praia, mas este espaço com pedras umedecidas através de vapores perfumados de água, certamente corresponde por uma ótima praia (e melhor, não tem areia).

Saímos correndo (é, slow travel!). Tínhamos uma reserva pro almoço na Brasserie du Lac  do Relais Margaux.

E não é que não encontramos aonde fica?

Quer dizer, não foi bem assim. O iPad da Dé deu pau e acabei ficando sem ter como conferir onde era exatamente o restaurante.

Só lembrava que era perto de Pauillac e a uns 30 km de Bordeaux.

Acabamos pedindo pra concierge do hotel nos ajudar e ela nos passou um endereço. Resultado? Chegamos exatamente no horário, só que no lugar errado! :)

E foi sorte, pois continuamos o caminho pra Pauillac já que queríamos ver os famosos “Chatô” que produzem os grandes vinhos franceses.

E perto do Château Margaux, entramos na tal Brasserie uma hora depois da reserva e descobrimos que ela ficava dentro dum club de golfe. Ou seja, nada a ver conosco e com a situação!

No belíssimo caminho repleto de videiras já carregadas, cruzamos com muitos excelentes produtores.

Conseguimos chegar a Pauillac, que seria a nossa única alternativa pra almoçar, já que em todas as pequenas cidades do caminho não tinha nada aberto (era domingo).

Acabamos comendo num restaurante bem simples e um tanto quanto sem graça , mas de frente pro porto da cidade (deu saudade duma coisa que nem vimos, a tal Brasserie).

Pedimos uma salada, que tinha um apelo engraçado! Ela continha peito de pato defumado (não precisa nem falar de quem nós falamos pela enésima vez) e língua. Quer dizer, só eu comi, pois a Dé passou o orgão muscular do boi! rs

Ela não arriscou mais nada e pediu um simples Penne a parisiense.

Eu fui de Paella francesa com arroz marroquino. Mais bonita do que boa.

Tomamos um vinho rosé bordalês, o Chateau Terre  d’Agnès 2010 e uma necessária garrafa de 1 litro duma água San Pellegrino.

Voltamos rapidinho pro hotel, pois tínhamos agendado uma visita ao Chateau Smith Haut Lafitte, o nosso charmoso vizinho.

O calor estava abrasador e foi ótimo nos escondermos no friozinho da adega por uma hora.

De resto, nos mostraram o cuidado com que estes grandes vinhos são feitos (e daí os seus justificados altos preços).

Vimos desde os equipamentos da colheita manual (as raizes destas videiras são absolutamente verdadeiras), …

… passando pelo estágio obrigatório em barricas de carvalho francês,…

… que por sinal e neste caso, são feitas aqui mesmo …

… e de modo artesanal.

É um verdadeiro espetáculo.

Ainda tivemos uma degustação dum tinto e dum magnífico branco e passamos na lojinha, pois eu tinha que abastecer o dromedário.

Como a tarde ia caindo (18:30 hs e 38ºC), resolvemos encarar o ar condicionado da limosine e dar um pulo em Sauternes.

Pra quem não sabe, esta região famosa por produzir excelentes vinhos de sobremesa tem muito a ver com a história viajística da nossa família. Bom, depois eu conto como foi que este tipo de vinho entrou pro anedotário dos Luz (tem alguma coisa com pedir erradadamente um vinho numa viagem a Paris) .

Voltando, rodamos por quase 40 minutos só pra dar uma olhada nos belíssimos vinhedos sauternianos, …

… na excelente paisagem …

… e quando estávamos gostando, vimos esta placa:

Pronto! Não precisa nem dizer que a cidade é minúscula.
Voltamos ao hotel aproveitando a vista. Conselho de amigo: quando estiver sem muita pressa, coloque a opção “estrada não pedagiada” no GPS. Você vai se divertir.

Caminho da roça, ou melhor do castelo e nos preparamos pro jantar com menu degustação no restaurante principal, o La Grand’Vigne. Dentre as opções, escolhemos um mini menu degustação composto de 4 pratos mais um agradinho do Nicolas Masse, o chef.

E tem mais. Eu e a Dé decidimos pela mesma variação com os mesmíssimos pratos.

O primeiro e o agrado, foi um ravioli de crab, com julienne de vegetais e um molho de cítricos. Estava muito bom e deu pra sentir um gostinho de óleo de gergelim no fundo da espuma.

Pra fazermos uma pesquisa, pedimos o mesmo vinho branco de ontem a noite, o Chateau Latour-Martillac 2008. E verificamos que ele continuava muito bom, mas com alguns sabores diferentes.

Na seqüência, gambas roti, tomate poire dans eau naturelle, avocate e tuille de pan au basilic.

Traduzindo: ótimos e gigantes camarões, com uma plástica e incrível combinação de tomates e gelatina acompanhados dum creminho de abacate e uma casquinha de pão torrada e temperada com manjericão.

O próximo foi uma clara demonstração do nepotismo: Merlu de ligne de St Jean de Luz, ravioli de petit pois et morilles , lard et paysan.

Mais uma tradução (o meu francês gastronômico está cada vez melhor): uma merluza pescada naquela gracinha de cidade (sem corporativismo) com cogumelos morilles e um bacon frito, ravioli recheados de ervilha em que a massa eram lâminas de nabo. E como “um plus a mais”, ervilhas in natura com pedacinhos de cogumelos e de lardo. Mais um prato lindo e delicioso.

Demorou um pouquinho pra chegar a sobremesa, mas a espera foi compensadora. Afinal de contas, o Timão enfiou uma sacola no SP. E a Noisettine du Medoc, le chocolat Araguani, la poire Willians Croquant ao Miel não decepcionou.

Comemos tudo e respeitando as especialidades de cada um. Enquanto a Dé comia todas as trufas de chocolate (elas eram bem moles e explodiam na boca!), eu limpava o resto, inclusive uma tuille de macarrão cabelo-de-anjo que estava muito boa.

É isso. Por enquanto, foi a melhor refeição da viagem (viu, Sueli e Jorge?).

Mas a partir de amanhã, a concorrência fica mais pesada …

… já que chegaremos em San Sebastian pra começarmos a experimentar a famosa e estrelada cozinha basca,

Sairemos dos Grands Crus e entraremos de cabeça (e de boca) nos Grans Reservas.

Au revoir e hasta.

Acompanhe os dias anteriores da viagem:
Dia Uno – Espanha – La Rioja – Marques de Riscal, o hotel.
Dia Dos – Espanha – La Rioja – Museu do Vinho e cidadezinhas bacanas
Dia Tres – Espanha – La Rioja – Bodegas maravilhosas e arquitetura não menos
Dia Catre – Espanha e França – La Rioja e Bordeaux – Final de semana em Martillac

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