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dcpv – república gastronômica da china

10/05/11
número 292

República Gastronômica da China.

Comprei mais um livro de gastronomia (oh, que novidade.)
E ele é muito diferente, já que é praticamente um romance.

O “República Gastronômica da China – escola de culinária” foi escrito pela Jean Lin-Liu , uma jornalista sino-americana  (ela não badala, não. É chinesa) que colocou na cabeça que iria aprender a fazer a real comida chinesa de qualquer jeito.

E melhor do que simplesmente aprender como fazer, ela resolveu se matricular numa daquelas escolas tradicionais em plena China (deve ser a mesma coisa que o Rogério do excelente blog Amuse Bouche está sentindo).
O livro tem um texto muito interessante e recheado de receitas genuinamente chinesas.

O relato é muito envolvente e você fica doido pra entrar no mundo gastronómico chinês (apesar da dificuldade de se encontrar alguns ingredientes). Adivinhem se eu não aproveitei esta chance pra fazer o que eu gostasse?

E lá vieram pães de milho cozidos no vapor, pepinos amassados, lombo de porco agridoce, ovos cozidos no chá e maçãs caramelizadas.

Beleza! , 那么.

Bebidinha – Saquê

Foi o mais próximo que chegamos do oriente.

Couvert – Pão de milho cozido no vapor (Wotou) e Pepinos amassados (Pai huanggua)

Lin-Liu sabe que o mundo adora uma boa cozinheira, especialmente uma que sacia a fome que temos pela cultura chinesa”. NYT

E sabe que um dos grandes atrativos do livro é exatamente este? Você não desgruda dele tentando entender como uma cultura pode ser tão diferente!
Estes pãezinhos acompanham o raciocínio.  Coloque 500 g de fubá amarelo, 1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio e 1/4 de açúcar mascavo numa tigela.

Misture com 2 xícaras de água para fazer uma massa homogênea. Divida a massa em pedaços de cerca de 1/2 xícara cada. Com as mãos, dê a cada pedaço o formato de um cone.

Ponha-os com a ponta pra cima numa vaporeira de bambu (eu coloquei no Varoma da Bimby) sobre uma panela cheia de água fervente e cozinhe no vapor por 20 minutos.

Olha, nós comemos porque somos bravos. Certamente estes pãezinhos (como eu os fiz) serviriam pra fazer um belo pedaço da Grande Muralha da China, tamanha a dureza deles! 🙂

Já pros pepinos, a simplicidade impera. Fatie 2 pepinos transversalmente em pedaços de 5 cm.

Soque-os com o lado chato do cutelo (pode ser o cabo da faca), de modo que se quebrem em pedaços menores.

Transfira-os pruma tigela e misture-os ligeiramente com 4 dentes de alho picados, 1 colher de sopa de óleo de gergelim, 2 colheres de chá de vinagre escuro chinês e 1/4 de colher de chá de sal.

Deixe marinar por pelo menos 15 minutos e sirva (eu deixei umas 3 horas e ficou muito bom).

Entradas – Ovos cozidos no chá (Chaye dan) e Vagem a moda de Sichuam (Ganshou biandou)

O livro de Jen Lin-Liu é uma pequena jóia. Não o deixe passar despercebido. Ele é uma raridade – divertido e profundamente emocionante”. WSJ

E rara é esta receita do ovo cozido. Encha um cladeirão até a metade com água fria e acrescente 6 ovos grandes. Deixe ferver e cozinhe sobre fogo médio por 5 minutos. Tire os ovos do caldeirão e bata-os suavemente contra uma superfície dura, quebrando as cascas, mas deixando-os intactos.

Ponha-os novamente no caldeirão e adicione 1/4 de colher de chá de sal, 1/4 de colher de chá de caldo de galinha em pó, 5 cravos da Índia, 3 anises-estrelados, 1 alho poró (somente a parte branca) cortado em pedaços de 2,5 cm, 2 fatias finas de gengibre e 2 colheres de chá de folhas soltas de chá de jasmim. Muito louco, né, não?

E o resultado é muito interessante. Se você nunca provou um  ovo cozido temperado e cheiroso, esta é a oportunidade. Se eu tivesse um boteco, eu colocaria pra vender. Seria um sucesso!

A Ganchou (será vagem?) é um pouquinho mais complexa. Quebre as pontas de 500g de todas e ponha 1 litro de óleo vegetal numa wok em fogo alto por 5  minutos. Frite as vagens por imersão por cerca de 3 minutos. Remova-as e deixe escorrerem.

Ponha 1 colher de sopa do óleo usado pra fritura das vagens numa wok limpa e leve ao fogo médio. Acrescente 120g de carne de porco moída e frite, mexendo sempre. por 1 minuto.

Acrescente um de cada vez e deixe um minuto a cada adição, 1 colher de sopa de alho poró picado e de gengibre, 1/4 de xícara de legumes em conserva de Sichuam (fiz uma adaptação romântica e usei nabo), 2 colheres de chá de xerez, 2 colheres de chá de molho de soja, 1/4 de colher de chá de sal e de açúcar e, finalmente, as vagens fritas.

Acrescente 1 colher de sopa de água e mexa por 1 minuto. Tire do fogo e sirva imediatamente. Tudo misturado ficou deste jeito.

Chinês ao extremo e com cara de comida saudável (você já viu algum chinês gordo? rs)

Dizem que comida chinesa combina com espumante. Pois então tomamos uma Cava Codorniu Espanha só que Semi-Seca. Ficou muito harmônico e achamos “sweet, memories, profunda, il dulce”.

Principal – O verdadeiro lombo de porco agridoce (Gulao rou) e arroz frito de yangzhou (Yangzhou chao fan)

“O relato pessoal de Lin-Liu é o tipo de escrita que os leitores adoram: despretensiosa, multicultural e apaixonada pro comida”. 4 Cidades – Ferraz de Vasconcelos

E este lombo é pra apaixonar mesmo. Basta juntar numa tigela pequena, 1 xícara de maisena, 1/2 xícara de água e misture até obter uma massa homogênea.

Ponha 1/2 xícara de maisena numa outra tigela. Mergulhe os cubos de 500 g de lombo de porco primeiro na mistura úmida e depois na maisena seca.

Leve uma wok ao fogo alto junto com 1 litro de óleo vegetal e aqueça até que os cubos de carne crepitem (esta é boa!). Frite todos os cubos empanados até dourarem. Escorra-os sobre papel toalha.

Abaixe o fogo até que os cubos esfriem (uns 5 minutos). Aumente o fogo novamente e frite os cubos novamente por mais 1 minuto. Reserve.
Numa outra tigela pequena (prepare-se. Você tem que ter muitas!) misture 1/4 de xícara de catchup, 1/4 de xícara de vinagre de arroz, 1 colher de sopa de açúcar e 1/4 de colher de chá de sal.

Numa outra tigela (eu falei!) dissolva 1 colher de chá de maisena em 1/4 de xícara de água. Deixe ambas perto do fogão. Ponha 2 colheres de sopa do óleo usado na fritura numa wok limpa e leve ao fogo médio-alto.
Adicione 1colher de sopa de alho poró e de alho picados e mexa por 1minuto.

Adicione a solução de maisena e cozinhe mais um minuto. Junte a carnes de porco,1 e 1 /2 xícaras de abacaxi picado e  1 pimentão verde cortado em cubos de 2,5cm.

Tire do fogo e sirva sem demora.
Quanto ao arroz frito, vou dizer uma coisa: estou com a maior preguiça de escrever a receita toda. Só vou dizer que é uma mistura muito legal de cebolinha, alho, cebola, vinho de arroz, óleo de gergelim, molho de soja, vieiras (é isto mesmo) , shitake, broto de bambu, arroz cozido, presunto em cubos (adivinhem?) e sal.

A dica que eu vou dar é o truque pra fritar um ovo batido bem fininho na wok quente e cortá-lo em tirinhas pra misturar ao arroz ( se alguém quiser a receita me peça que eu  me escabelo e envio! 🙂 ).

Uma delícia!

Assim como delicioso ficou o prato inteiro.

E muito bonito também.

Pra acompanhar e homenagear os nossos colegas de BRIC, tomamos um um tinto Condado de Almara Crianza 2007 Navarra que foi “little, clianza, navarroso, antiskol“, segundo os ex-camaradas, nós mesmos.

Sobremesa – Maçãs Caramelizadas (Basi Pingguo)

“Lin-Liu é uma charmosa guia para a China moderna e sua culinária caleidoscópica”. People

Esta sobremesa até que dá um pouco de trabalho. Mas compensa e inclusive, ela contém uma grande descoberta.

Numa tigela, misture 1/2 xícara de farinha, 1 colher de chá de fermento em pó e 1/4 de xícara de água pra fazer uma massa bem mole. Ponha mais 1/2 xícara de farinha em outra tigela. Mergulhe cubos ( de 2cm) de mação fuji na farinha e na massa. Aqueça 1 litro de óleo numa wok. Frite-os até ficarem levemente dourados. Retire e refrite-os até terem um bela cor casatnha.

Leve uma wok ao fogo médio-alto e coloque 1/4 de xícara de óleo (é isto mesmo), 1 e 1/2 xícara de açúcar e 1/2 copo de água.  Cozinhe até borbulhar, mexendo de vez em quando até que a mistura pare de borbulhar e ganhe um brilho amarelado.
Acrescente os cubos de maçã e mexa vigorosamente pra cobrí-los com o caramelo.

Sirva imediatamente, pondo uma tigela de água quente perto das maçãs. Deve-se mergulhar cada cubo na água antes de comê-lo.

Pronto! Você acabou de descobrir o segredo daquelas maçãs caramelizadas daqueles restaurantes chineses. Ficou demais e não se esqueça da água quente.

Leia os comentálios dos camaladas:

Comida saborosa, cheirosa, doce, picante. Tipicamente chinesa da chemma. Formidável. (Edu)
Xing Ling Ling! Mao Tse Tung!! Chu en Lai!!! (tradução: eita comida boa (Mingão)
Quelo comê outla vez! (Deo)

“Depois de conseguir o diploma de cozinheira profissional, Lin-Liu faz estágios em diferentes lugares. Seu trabalho a leva desde uma humilde cantina especializada em macarrão, na periferia de Pequim, a um refinado restaurante de luxo em Xangai. Ela passa a conhecer também a riqueza das variações regionais da culinária chinesa”.

Xiiii. Tenho que terminar de ler este livro rapidinho.
Tchau ou melhor,  汉语 .

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dcpv – restaurante oryza : arois de novo!

12/06/11

Restaurante Oryza : Arois de novo!

O Oryza é um restaurante com aparentes pretensões.

A primeira é ser temática. E consegue, pois apesar de não ter o seu menu totalmente baseado no arroz (Definição – O arroz (constituído por sete espécies, Oryza barthii, Oryza glaberrima, Oryza latifolia, Oryza longistaminata, Oryza punctata, Oryza rufipogon e Oryza sativa) é uma planta da família das gramíneas que alimenta mais da metade da população humana mundial. É a terceira maior cultura cerealífera do mundo, apenas ultrapassado pelo milho e trigo. É rico em hidratos de carbono. Oryza é arroz em latim), você consegue fazer uma refeição completa comendo pratos que contém o ingrediente.

A segunda é ser moderno e contemporâneo. E consegue novamente, pois as ambientação/decoração são personalíssimas, além de ser muito bem iluminado (ainda mais com a família por lá! rs).
A terceira é ter uma cozinha diferenciada. E mais uma vez esta premissa foi cumprida.

O negócio é o seguinte: era um domingo, dia dos Namorados e pra evitar aquele já famoso estresse da noite (tudo muito cheio com a proporcional bagunça/muvuca), optamos por almoçar num lugar bacana.
Coincidentemente, foi a Re que sugeriu irmos ao Oryza . O Hugo, o namorado dela estava por aqui e aproveitamos pra almoçarmos juntos (calma, eles ficaram completamente sozinhos a noite! rs)

Mais dia do Namorados impossível, já que eu e a Dé aproveitamos pra namorar mais um pouco também.

Fizemos a reserva (mais um ponto positivo) e chegamos no horário.
O Oryza fica onde era o AK ( na famosa Consoleta, mais precisamante na Rua Mato Grosso, 450 – tel – 31514463).

É um sobrado velho e charmoso. Sentamos no andar superior e nos aprontamos pra “amidar”.
A Re entrou no clima e pediu um coquetel Jun Martini (jun daiti, vodka e melancia). Saquê lembra arroz, né? Muito bom.

Nosotros tomamos um branco espanhol Rueda Basa 2009 (é, o treino tá bom), também excelente.

E aproveitamos a água (grátis, mais uma boa iniciativa) e o couvert simples, mas gostoso formado por pão de arroz fresquinho e uma ótima manteiga queimada.
Pedimos 2 boas entradas pra dividirmos: supli (bolinhos de arroz com geléia de pimenta)

… e beterraba com sorvete de queijo de cabra e vinagrete de tangerina.

Conversamos bastante, nos divertimos mais ainda (louve-se o bom humor e a ótima comunicação dos garçons) e escolhemos os principais.

Todo mundo foi de … arroz!
A Re dum interessante arroz de carreteiro com carne seca, pipocas e ovo.

O Hugo de arroz de pato (segundo ele, uma homenagem singela aos Loguercio), coxa confitada e linguiça portuguesa.

A Dé de arroz thai (estranhamente feito com arroz Basmati),leite de coco, camarão e curry.

E eu de paella de frango, coelho (este treino está muito bom mesmo), ervilhas e cogumelos.

Ou seja, experimentamos Basmati, Agulhinha, Bomba e Sênia. Dá-lhe arroz. E tudo muito bem temperado e na quantidade ideal (eles também servem meias porções).
As sobremesas não poderiam deixar de ter arroz. Um riz au lait com calda de caramelo salgado e …

… um sushi de manga e de pimenta com sorvetes de pimenta e de coco/capim santo pros pombinhos, nós mesmos, dividirem.

Olha! Foi uma maravilha e um espetáculo, ainda mais pra mim e pro Hugo, né não?

Podemos acrescentar mais um lugar pra marcarmos a futura reunião do conglomeradcpv.

Portanto, o Oryza é mais do que recomendado. A Daniela Amendola e o Márcio Silva, chefs/proprietários transformaram as pretensões em realidade. Acertaram na cabeça, ou melhor, no arroz.

Hasta.

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dcpv – dia cuatro e quatre – espanha e frança – la rioja e bordeaux – arriba e voilá.

24/06/11

Dia cuatro e quatre – Espanha e França  – La Rioja e Bordeaux –  Arriba e voilá.

Hoje era dia de ir pra França.

E olhe que não era muito perto, não. Iríamos conhecer a região de  Bordeaux, sabidamente vinícola e gastronômica por excelência.

Ou melhor e falando claramente, passar um final de semana por lá …

… num hotel (indicado pela nossa madrinha Rachel Verano do blog Viajar Bem e Barato ) que fica em Martillac, uns 20 km ao sul de Bordeaux.

Além de ser charmoso ele tem a seguinte particularidade: fica ao lado Château Smith Haut Lafitte.

Mas antes disso, tomamos um café da manhã no Marqués de Riscal , pegamos as malas e zarpamos.

Próximo dali em Haro, ficam as vinícolas Muga e a López de Heredia Viña Tondonia .

Chegamos facilmente lá, mas esquecemos dum pequeno detalhe. Era feriado.

De qualquer maneira, foi legal ver o decanter imenso projetado pela arquiteta iraquiana Zaha Hadid pra ser uma sala de degustação na Tondônia. Uma pena foi não fazer a tal.Paciência.

Dali rumamos pra Biarritz , uma cidade praiana francesa e que fica exatamente no meio do caminho (uns 250 km).

As estradas são perfeitas, assim como a natureza que colaborou pra definir as regiões que passamos.

As plantações planas e fertéis da Rioja,..

… a exuberância e a vegetação do País Basco, além das inusitadas placas em Euskera, …

… os pinheiros do pedaço inicial do Sul da França …

… e os adoráveis vinhedos de Bordeaux.

Ah! O azul dos mares das praias francesas não pode ser esquecido em hipótese nenhuma.

Entramos em Saint Jean de Luz, já em território francês, uma pequena cidade localizada um pouco antes de Biarritz, onde vimos como e de que forma está sendo investido o dinheiro da família.

Um pouquinho mais à frente, Biarritz nos mostrou tudo o que um cidade praiana tem que ter: lugares em estacionamento disponíveis, apesar de quase ser alta temporada (os termômetros marcavam 30°C), …

…  vistas imperdíveis …

… além do jeitão totalmente litorâneo.

E restaurantes bacanas (com cara de turisticão), como o Café de La Mer.

Nos servimos duma salada de crocantes e de acordo com o que o clima pedia, …

vieiras com arroz basmati temperado e um molho rose papricado pra Dé, …

… excelentes moulles et frites (quem adivinhar pra quem foi, ganha uma panelinha de mariscos),

… tudo espetacularmente acompanhado por meia garrafa (ainda tinha que dirigir mais 250 km) dum ótimo Sancerre.

Ainda demos uma voltinha pela cidade só pra confirmar que precisamos voltar pra cá um dia e com muito mais calma.

Retornamos à estrada novamente e duas horas depois (por volta das 17:30hs) chegamos ao hotel Les Sources de Caudalie.

Falar que é lindo é chover no molhado.

Ainda mais com um vista da janela do quarto como esta do Château Smith Haut Lafitte. Mais parece uma daquelas visões após uma grande abstinência de água no deserto (ou de vinho na França).

O quarto (se é que podemos chamá-lo assim) é maravilhoso.

Tudo por lá é extremamente caprichado e charmoso.

Aproveitamos pra conhecer a região próxima ao hotel através de bicicletas.

Demos umas boas voltas pelo lugare confirmamos a beleza de todo do conjunto  da obra (literalmente)

Melhor que isso, observamos as videiras antigonas e prolíficas que gorjeiam por aqui.

Tudo isso e ainda tínhamos um jantar marcado no próprio bistrô do hotel, o La Table du Lavoir.

É o restaurante mais simples de lá e oferece uma culinária mais campestre e de ingredientes (os tais OKm).

Marcamos pras 21:00 hs e o sol estava firme.

O ambiente é bastante rústico e como diz a Dé, chic.

Pães de campanha foram servidos e pedimos um vinho branco excepcional, o Chateau Latour-Martillac 2009 (precisamos descobrir onde fica esta vinícola).

Olha, nada como tomar um Premier Grand Cru na terra deles. Foi certamente o melhor vinho branco que tomamos em nossas vidas. Ainda mais coadjuvado por um tremendo por do sol.

Com o calor reinante, o salão principal estava fechado e todas as mesas ficavam na varanda e ao ar livre.

A Dé pediu com entrada, o xodó dela, os aspargos (que estão em plena safra) com um caldinho de alho poró.

Eu, uma truta marinada, sorvete de ervas finas e limão verde e julienne de legumes que estava de babar.

Como principais, a Dé escolheu uma outra entrada (o garçom nos compreendeu). Piquillos recheados com brandade de bacalhau. Ela adorou.

Eu arrisquei num risotto ao pesto que estava um pouquinho além do ponto, mas que foi salvo pelo sabor; pelo peixe, um filet de daurade e conchinhas que estavam deliciosas; pela noite que estava maravilhosa e pela companhia que é sensacional.

Prontíssimo! Uma sobremesa pra dividirmos (torta merengada de limão com sorvete de laranja sanguínea) e estávamos prontos pra dormir nos braços de Morfeu, ou melhor, de Baco.

É isso. Amanhã vamos dar uma passada por Bordeaux e conheceremos como é feito um legítimo Grand Cru.

Pode deixar que logo, logo contarei por aqui. Certo?

Hasta e au revoir.

Acompanhe os dias anteriores da viagem:
Dia Uno – Espanha – La Rioja – Marques de Riscal, o hotel.
Dia Dos – Espanha – La Rioja – Museu do Vinho e cidadezinhas bacanas
Dia Tres – Espanha – La Rioja – Bodegas maravilhosas e arquitetura não menos

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42º IB – Menu à Trois no dcpv

número
26/07/11

42º IB – Menu à Trois no dcpv.

Lá vamos nós pra mais um IB ( quer saber o que é?).  E não é um simples IB. É o 42º com a indicação dum menu predominantemente italiano (quiçá, mediterrâneo) que de antemão, afirmarei ser uma verdadeira delícia.

Assim como o texto que a Sabrina do execelente blog Menu à Trois nos enviou (por sinal, tudo que está grafado em azul):

Edu, quando trocamos o primeiro e-mail sobre o IB, eu estava na Itália e lembro-me de ter dito a você que faria algo italiano por total influência local, mas a verdade é que a divina simplicidade dessa culinária, que traz conforto e muita conversa à mesa, regada a vinho, azeite e pão limpando o molho do prato, sempre foi a minha paixão! NR – Azeite, vinho e pão limpando o molho: seguimos à risca a indicação da Sabrina  e do Ebraim.

Bolei um menu tendencioso a essa atmosfera, mas não necessariamente com uma denominação de origem controlada… NR – O menu é D.O.C.G. Garantido!

E italianíssimo. Mais do que o Záccaro!

Fizemos tudo e inclusive, o pessoal (diga-se Déo e Mingão) chegou mais cedo pra ajudar a Dé na produção da massa.

Não bebemos nada antes do jantar, justamente pra não estragar o apetite.

Para começar, uma conserva de shitake deliciosa, que pode ser servida sobre um pão torrado, temperar uma salada ou se transformar em molho rápido para macarrão, com a adição de uma concha da água em que a massa foi cozida e acrescido de belas lascas de um bom parmegiano, o qual, ao lado do vinho e dos pães, provavelmente não abandonará a sua mesa durante à noite… NR – Já está anotada a sugestão!

O único porém é que precisa ser preparada com, no mínimo, duas semanas de antecedência, pois antes disso seu sabor estará superficial, mas garanto que não irá se arrepender, e que, se conseguir guardar um pote para o mês seguinte, me mandará um e-mail para contar sobre o imenso bem que o tempo lhe fez! NR – Fiz precisamente com 2 semanas de antecedência. Este email será enviado já que ainda tenho mais dois vidros do néctar shitakiano!

Outro vício tradicional é o caldo; então proponho tortellini all’arrabbiata in brodo, feito com um purê de pimenta dedo-de-moça acrescido à massa, que lhe confere um tom rosado e uma picância pontual, recheado da forma mais simples, com um pouco de parmegiano ralado fino …

 e cozido em um delicado e abundante caldo de legumes. NR – façam em casa. Dá trabalho, mas é uma delícia!

Para o purê, usei duas pimentas queimadas sobre a chama do fogão, …

… sem a pele e as sementes,  …

para a proporção de 100g de farinha de trigo para um ovo, com as eventuais correções.

Para servir, apenas um fio de azeite, uma pitada de flor de sal e folhas de orégano fresco. NR – Resultou numa entrada memorável.

O silêncio pairou sobre a sala de jantar. Estávamos todos concentrados em absorver os sabores, os odores, enfim, a poesia da comida.

E acompanhando com um vinho brasileiro da Lidio Carraro, o Merlot Cabernet Sauvignon Da’Divas que achamos “framboesa, herbáceo, frutas vermelhas, 171“.

 Ou seja, foi uma ótima harmonização com a delicadeza do brodo e com sabor punjante do shitake. Perfecto!

 O prato principal, que norteou a escolha dos demais, me marcou muito tanto por seu sabor e apresentação quanto por sua história; o cacciucco, assim como tantos outros, é um prato do mar que tem como origem as simples cozinhas dos pescadores repletas de peixes frescos e caldos saborosos e ele realmente traz essa essência de simplicidade e potência consigo. NR – Bota potência nisso.

A casa inteira ficou cheirando a esta maravilha gastronômica.

O cacciucco era o prato principal de um delicioso menu degustação e qual não foi a minha surpresa ao ser surpreendida por uma enorme frigideira rústica, linda e fumegante, coberta por diversos peixes e frutos do mar emoldurados por torradas de alho que tinham a parte de cima crocante e a parte de baixo em contato com o molho, úmida e suculenta.

Apesar de ser descrito como uma tradicional sopa livornesa, o prato que comi e que reproduzo em casa trazia uma quantidade de caldo suficiente para cobrir as torradas do fundo e parte dos peixes e frutos do mar; de sopa delicada, como se vê em muitos sites, não tinha nada! NR – Nós achamos tudo muito delicado. E surpreendentemente potente!

Por isso preparo-o da forma mais instintiva e natural possível; cebola e alho refogados em azeite,…

… um bom molho caseiro de tomates, …

…um belo gole de vinho branco seco e as carnes, que entram na seqüência necessária, tendo em vista o tempo de cozimento de cada uma.

Finalizo com salsinha fresca, azeite italiano e torrada de alho. Há receitas com e sem pimenta seca; umas levam vinho branco seco, outras tinto, mas uma coisa é certa, por ser grafado com cinco letras “c”, este deve ser o número de peixes e frutos do mar dentro da panela; melhor não contrariar essa tradição! NR – Missão cumprida e não vamos contradizer nenhuma tradição. Ainda mais italiana!

Usei: 1 – Linguado; 2 – Lula; 3 – Vôngole; 4 – Vieira; 5 – Marisco. Alguns inusuais, mas ficaram absolutamente perfeitos. 

Além do fato de cozinhar apenas para dois e de, assim como vocês, gostar de montar os pratos que vão à mesa, preparo o cacciucco na panela e alguns minutos antes de ficar pronto para servir, disponho-o em cumbucas individuais forradas com uma torrada e levo-os ao forno bem quente para que as patinhas de lula e os pedaços de peixe que ficarem para fora possam adquirir aquela apetitosa coloração dourada. NR – A sopa estava tão bonita que eu não tive como escondê-la sobre torradas. O jeito foi serví-la com alguma decoração e com uma torrada sobre a superfície. Sabrina, que acerto!

O que eu comi era feito em um forno a lenha, então podemos usar o truque do grill do forno. Antes de servir, finalizo o prato com as torradas, salsinha e azeite; após algumas experiências, conclui que é melhor colocar as torradas no prato apenas na hora em que serão servidas, do contrário não será possível aproveitar cada momento da sua transformação em contato com o molho quente. NR – Este contraste da torrada é impagável. Faça em casa e não se arrepenederá! (Nota – Dê um pulo lá no Menu à Trois e peçam as receitas mais detalhadas com a Sabrina)

Faço essa torrada da forma mais terrível possível com uma quantidade pecaminosa de manteiga salgada derretida, uma pitada de orégano seco e um toque de alho espremido; adoro alho, mas não o coloco em excesso, nesse caso, para não chamar mais atenção do que deve. Um dente médio para seis torradas está para lá de bom e bastam alguns minutos no forno já aquecido para que fiquem douradas. NR -É, foi terrível demais!

E o prato ficou denso, cheiroso, bonito. Todos comemos (Dé inclusa) bem devagar (slow food?) pra aproveitar o momento. Formidabile!

Desta vez acompanhamos com um branco Sauvigon Blanc Fleur du Cap 2008 que nos disse, sou “sallus, sappore a cuatro, floral du capal, apimentado“.

O Bolo de nozes me parece ser a decisão mais acertada, pois uma pequena fatia, de tão potente, cumpre a função de sobremesa. 

 Pode ser acompanhado de creme de leite fresco ligeiramente batido com um pouco de açúcar e degustado com uma tacinha de vin santo…

NR – Não tomamos o Vin Santo, mesmo porque não tinha nenhum na adega… 🙂

Eu não consigo terminar uma refeição sem café; se também for o caso de vocês, corrijam o querido expresso com uma dose de grappa.


NR – E saibam que esta foi a primeira vez (e já são quase 300 reuniões) que tomamos um café pra terminar a noite.

Puxa, só nos resta agradecer a esta preciosa participação da Sabrina com este menu tão equilibrado, tão gratificante, tão saboroso, tão … italiano!!

Seguem as nossas já tradicionais flores virtuais pra coroar esta grandíssima noite. 

Grazie per l’invito e buon appetito!

Grazie pela partecipazione e buon appetito, Sabrina.

Ah! Eis a opinião dos pseudo-habitantes da Bota quanto a este regabofe memorável:
Spetaccolo! Foi uma verdadeira luxúria gastronômica! (Edu)
Nel blu, di pinto di blu (spetacullare). (Mingão)
Esplendorosa!!! Espetacular!!! (Deo)

Ciao.

PS – E os IB continuam em agosto com a participação da Clau Alaminos. O menu? Ainda não sei! 🙂

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