dcpv – dia primero – chi-chi-chi-le-le-le. viva chile.

17/08/2011

Dia primero – Chi-chi-chi-le-le-le. Viva Chile.

O vôo da TAM sairia cedo de Cumbica, mais precisamente as 8:50hs. Chegamos no horário, mas um pequeno problema quase atrapalhou tudo: o RG do sr Antônio, meu sogro, era antigo e pior, dividido em duas partes.

A atendente da TAM nos advertiu que este fato poderia dar problema na alfândega do Chile e que se déssemos azar, poderíamos até ter que voltar de lá de Santiago mesmo.

Que este fato sirva de exemplo pra todos: verifiquem o seu documento de identidade ou faça como nós (eu e a Dé); leve o passaporte e além de evitar uma surpresa desagradável, ainda ganhará alguns carimbos a mais pra coleção.
No restante, o vôo foi tranquilo e chegamos a Santiago com um frio danado. E claro, sem nenhum problema com a aduana!

O nosso hotel, o W é uma verdadeira beleza. Moderno, hyppado, novinho, contemporâneo, enfim: perfeito.

Os quartos não ficam atrás. São moderníssimos e com o upgrade que conseguimos, ainda tivemos a nossa disposição, varandas com vista direta pra Cordilheira dos Andes.

A única dica pra quem quer se hospedar por aqui é: pergunte sobre o banheiro, porque o de alguns quartos (no caso, o nosso) é totalmente devassável e isto pode não ser agradável, o que não foi o nosso caso, já que achamos bem bacana.

Pra melhorar, o hotel está situado numa zona nobre da cidade chamada Las Condes (quase que um Jardins chileno) e ele faz parte dum complexo que contém bons restaurantes (o Coquinaria é um exemplo), lojas de grife e uma filial da El Mundo del Vino que é fantástica. Tá na cara que o dromedário voltará completamente lotado.

Aproveitamos pra ir almoçar perto do hotel e num lugar tradicional aqui em Santiago, a Confiteria Torres.

Ela é uma filial da histórica sede de Centro.

Fomos sentando e percebendo a beleza do lugar.

Dentro do mote, pedimos além do couvert, muitos pratos tradicionais: como entradas, sopas (creme de zapallo, consomé de ave e jugo de carne) pra todos …

… e machas à parmegiana pra mim. Machas são moluscos retirados manualmente do mar e apresentam as cores rosa e laranja quando cozidos. Se parecem com mexilhões e estas estavam deliciosas.

Como estávamos baseando os nossos pedidos nos frutos do mar chilenos (locos, picorocos, polvo, machas, etc), tomamos um vinho branco Sauvignon Blanc Errazuriz (louve-se que a carta de vinhos oferecida em todos os restaurantes que fomos era totalmente chilena).

Como principais, a D Vera foi de Pescado Mediterrâneo, que é um saboroso peixe branco a la plancha, com camarones, pulpo y locos ao peperoncino, acompanhado de purê de palta, o nosso famoso abacate.

O sr Antônio radicalizou na tradição e pediu o famoso Lomo a lo pobre composto dum bifão, batata frita, dois “zoiudos” e cebola frita. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

A Dé poetizou e foi de Congrio com salsa de picorocos e echalotas ao creme (este a Drix comeria). Um prato totalmente excelente.

Eu finalizei com Arroz chilote de Misiá Maria, um arroz bastante molhado com pedaços tenros de polvo (olha ele aí!) e bastante açafrão. Um prato instigante (um outro modo de dizer que é mais ou menos) e muito saboroso.

Pagamos a conta e observamos que o bar merece uma visita mais demorada.

Demos uma volta pela região do hotel que é arquitetonicamente surpreendente e resolvemos dar uma descansada.

Quer dizer, resolvemos deixar a D Vera e o sr Antônio relaxando e fomos conhecer melhor a área comum do hotel.

As soluções encontradas pra decoração são incríveis. O hotel todo parece ter saído duma revista especializada.

Experimentamos o nosso primeiro Pisco Sour (guia Vagaluzes: 10) e subimos pro quarto pra tomar um banho rápido, já que tínhamos reservas feitas no restaurante principal do hotel, o Osaka.

Eu apostei nele e não me arrependi.

Tudo começou com a filosofia do estabelecimento: uma comida fusion asiática e peruana com ingredientes puramente chilenos.
O ambiente é charmoso e intimista.

Estudamos o enorme cardápio e optamos por tapear a vontade.

Escolhemos quatro delas: tacutan (mini empanadas de massa phyllo recheadas de tacu-tacu com molho vietnamita) …

spring rolls (estes eu não preciso explicar), …

passion schrimp (camarões com molho de maracujá e amendoim além do ragu de pimentão)  …

… e a vedete da noite, os incendiários mariscos (literalmente) ao fogo.

Ainda escolhemos 3 causas que não tem nada a ver com o metier do Eymard. Causas são pratos tipicamente peruanos que tem como base purês de batatas acompanhados das mais variadas coberturas. No nosso caso, foram de chicharron, centolla e camarones.

Tomamos um vinho branco Sauvignon Blanc EQ 2010 da bodega Matetic, uma vinícola que visitaremos no domingo.

Aproveitamos o embalo e pedimos sobremesas no famoso esquema 4×4 (ou seja, todo mundo iria experimentar tudo).

Turron Osaka, cremoso torronezinho de amendoim com base de chocolate e pannacotta de lúcuma com leite de tigre e gergelim; …

trio de creme brulèe, de chá verde, de chicha morada y algorrobina; …

sashimi de pina, servido com sorbet de limão e tapioca tai e a degustação de suspiros limeños, com aromas de hierba luisa e chicha morada, de lúcuma com café e lichia com pisco sour.

Enfim, um beleza mais gostosa do que a outra.
Tomamos dois cafés mais dois justificados chás verdes e fomos dormir o sono dos justos e dos cansados.

Até que não foi decepcionante para um primeiro meio dia de viagem, né não?

Hasta.

.

7 Responses to “dcpv – dia primero – chi-chi-chi-le-le-le. viva chile.”


  1. 1 Ludmila 2 de setembro de 2011 às 14:06

    Genntee tem Osaka no Chile..que legal!!Adorei o Osaka que fui em Buenos Aires …culinária fusion muito boa hein?que delícia de viagem anotando todas as dicas do chile quero ir ano que vem!!
    Abraços para a família…da fã Lud

  2. 2 Adriana 2 de setembro de 2011 às 23:10

    Edu, adoro Santiago e se não fosse Pablo, meu amigo portenho, certamente minha “ponte aérea latina” não seria para Buenos Aires e sim para Santiago. Neruda e as Cordilheiras são minhas paixões chilenas.
    Congrio é para comer e recitar… claro que comeria! Parece delicioso… Aliás, os pedidos da Dé são os que chegam mais perto do que eu pediria. Seus pedidos (leia-se polvo e carne cruda… rs) passam longe! :- ))
    Outra idéia para o ISBFV: festival de causas. Adoro as causas… Carlos acabou de me explicar o que é algarrobina, planta típica da sua região. Segundo ele, deve-se ter cuidado com o consumo de algarrobina, pois dizem, no norte peruano, que seu efeito se aproxima do efeito do viagra :- )

  3. 3 eymard 3 de setembro de 2011 às 19:02

    Adriana, voltei! (rs)
    As causas me causaram. Fiquei com vontade experimentar e, claro, topo!
    Achei engraçada a historia do banheiro da suite no hotel….tem arquiteto muito maluco.

  4. 4 Adriana 4 de setembro de 2011 às 16:32

    Eymard, sabe o que é melhor nas causas peruanas? Se alguém fizer o recheio, até eu sei montar o prato, pois o purê não vai ao fogo! !!! Mas tem que ter aji amarillo, para serem autênticas. Só não gosto da mania dos peruanos de colocar abacate – ou palta, falando no original – em tudo, inclusive em alguns recheios. Adoro abacate, mas em creme, batido no liquidificador, com açúcar e limão, de postre. Dizem que as causas peruanas têm esse nome porque eram vendidas pelas mulheres em campanhas para ajudar os soldados durante a guerra contra o Chile. Eram vendidas “pela causa”, dai o nome. Não sei bem o porquê, mas hace seis años passei a interessar-me pelos “causos” peruanos” também :- )

    Edu, também prefiro usar o passaporte, mesmo na América do Sul. Já vi gente voltar da alfândega, por causa de carteira de identidade. Outra coisa que nem todos sabem: os registros profissionais, que aqui substituem a carteira de identidade (CRM, CREA, CRP, OAB…), não a substituem em nossos vizinhos.

  5. 5 eduluz 8 de setembro de 2011 às 11:44

    Eva, tem sim e é muito bom mesmo. E continue por aqui!

    Drix, também adoramos e certamente é a nossa cidade número 1 da América Latina.
    E espera pra ver a receita do Congrio do chef do Boragó: ele serviu uma enorme batata chips com o poema do Neruda impresso e colocou legumes com letras! Uma poesia em forma de comida!

    Sócio, tem arquiteto que não dorme no quarto que ele projetou!
    Se bem que achamos o quarto todo (banheiro incluso) muito interessante. Causas (que são a sua especialidade) já estão anotadas.

    Drix, quer dizer que além de macarrão, você terá que fazer as causas também?? Xiii, este ISBFV promete!
    Tantos os registros profissionais como a carteira de habilitação não são aceitos.

    Abs não sísmicos pra todos.

  6. 6 Adriana 8 de setembro de 2011 às 22:51

    Edu, não disse que faria o macarrão com almôndegas… Sugeri que fosse parte do menu :- ) E quanto as causas… O pure eu garanto (o que conheço é só batata cozida, molho de aji amarelo e limão)… Já os recheios…
    Mas prometo que no ISBFV serei mais ativa… respeitando minha habilidades, claro… Você já testemunhou minha falta de jeito para bater as claras dos ovos na casa da Sueli.


  1. 1 dcpv – dia seis – chile – santiago – bora e go! a comida endêmica do boragó. | da cachaça pro vinho Trackback em 18 de julho de 2020 às 13:24

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