Arquivo para outubro \31\UTC 2011

dcpv – dia cinco – chile – santiago – a terra cercada por água está preta=isla negra.

21/08/2011

Dia cinco – Chile – Santiago – A terra cercada por água está preta=Isla Negra.

Mais um dia de excursão. Quer dizer, de tour privado. Mas o negócio todo soava bem charmoso.

Afinal de contas, um passeio chamado Vinho, Poesia e Isla Negra não tem como dar errado, né não?

Ou seja, conheceríamos uma vinícola renomada, a Matetic e logo após, a casa de praia do Pablo Neruda em Isla Negra.

Tudo começou como sempre: num bom café da manhã no próprio hotel.

Pra variar, o dia amanheceu lindamente (o detalhe é que tivemos uma hora a menos pra dormir na noite passada devido a entrada do horário de verão) e pontualmente, 9:30, estávamos a postos na nossa van.

Partimos diretamente pro litoral e após uma hora de viagem, chegamos a vinícola Matetic.

E ela é encantandora, pois todo aquele papo de biodinâmica é realmente aplicado na produção.

Tudo se inicia pela localização já que ela fica em Lagunillas, ao lado do valle de Casablanca.

E neste lugar a água não é abundante, o que acarreta na utilização de poços.

Eles realmente não usam nenhum tipo de fertilizante e se orientam pelas fases da lua.

Todo o projeto foi idealizado pra que a uva tenha os menores trajetos e interferências possíveis, desde a sua colheita manual até a chegada aos barris modernos de aço inox (com o necessário controle de temperatura).

Os barris de carvalho utilizados são franceces e o resultado final é um produto de altíssima qualidade.

Fizemos uma degustação com dois vinhos: um mineral Sauvignon Blanc e um espetacular assemblage de Syrah, Malbec e Cabernet Franc.

Inútil dizer que compramos estes e mais um sensacional e raro Gewustraminer além do premiado Syrah. Enfim, recomendo a visita e as compras!

Como estava muito cedo pro almoço no próprio e aparentemente bom restaurante da vinícola, decidimos (como o apoio do nosso guia que tinha alguns rompantes de Enéas, o ex-craque da Portuguesa, já que também desligava do nada e parava de falar! rs) andar mais um pouco e conhecermos o restaurante da Viña Indómita.

A decisão pareceu sábia, pois além de termos conhecido outra vinícola, ainda comemos muito bem.

Sentamos numa mesa de frente pros parreirais e …

… pedimos um Sauvignon Blanc Reserva da casa.

Enquanto isso, percebíamos a beleza do lugar.

Alem do couvert charmoso, …

… pedimos duas entradinhas pra compartilhar. Salada de figos secos grelhados com queijo de cabra,  …

… e rolinhos de palta, o famoso abacate com recheio de centolla, gengibre e beterraba.

Simplesmente perfeitas assim como todo  o ambiente.

Todos os principais foram pescados: Peixe de rocha a la Parrilla pra D Vera (puro corporativismo),..

Tilápia com Quinua pro sr Antonio, …

Congrio com espuma de cogumelos adivinha pra quem …

… e Polvo com risotto de tomate seco e “aire” de queijo de cabra adivinha pra quem?

Demos mais uma boa olhada em tudo e …

… estávamos mais do que satisfeitos e loucos pra alimentar a nossa alma em Isla Negra.

Portanto, pernas pra que te quero! Mais uma hora de van, mais uma hora (e parodiando o grande Ciro Pelicano) “calando” com o nosso guia e chegamos.

Vamos aos fatos: o que voce acharia dum cara que teve amantes, que achava que era capitão de vários navios em terra, que colecionava um montão de quinquilharias e que fazia odes a ingredientes culinários, vinhos e receitas?

Provavelmente, um maluco, certo?

Errado, porque neste caso estamos falando do grande gênio Pablito Neruda.

E eu e a Dé podemos nos considerar privilegiados, pois conseguimos visitar as 3 casas-museu dele: La Chascona em Santiago, La Sebastiana em Valparaiso e agora, Isla Negra.

O encantamento nesta última é surpreendente.

A visita começa (todas são guiadas) pela casa, que foi construída conjugada a uma cabana que já  existia quando Neruda comprou o terreno em 1948.

Ele demorou 5 anos pra iniciar a construção. A partir daí e morando com a sua querida Matilda, ele só fez aumentar a casa.

Ela tem o formato de navio e aí você percebe a fissura que Neruda tinha em ser um comandante.

Muitas coisas estão relacionadas com este assunto e ele chega a ter um barco (que nem fica na água, já que ele tinha medo do mar) só pra simular tal função.

As suas coleções (algumas bastantes esdrúxulas, outras muito interessantes) também estão lá. Seja a de carrancas, a de copos, a de cachimbos, a de navios em garrafas, a de conchas, enfim, tudo o que transformou este homem num verdadeito mito.

E o meu conselho final é o seguinte: deixe pra visitar este casa de Isla Negra após ver as outras duas, já que esta é a mais rústica, mas é certamente a mais representativa de todas, né, Drix?

Ali, ao ver os ambientes com as mais diferentes vistas do mar, você percebe o quanto Neruda foi apaixonante.

E também entende o porque dele querer e ser enterrado definitivamente lá e ao lado da Matilda.

Passamos na lojinha e fizemos o óbvio, o que a maioria  das pessoas fazem:  compram lembranças pra eternizar este momento.

Voltamos pro hotel, …

… demos mais uma passeada pela região próxima, …

… que é quase um Jardins

… e nos preparamos pra ir jantar.

O restaurante escolhido (com a indicação da concierge) foi a Tierra Noble, um assador de estilo localizado na Nueva Costanera.

Chegamos e fomos ajeitados  numa excelente mesa (ainda mais depois de nos apresentarmos como genuínos  brasileiros).

Realizamos um desejo de todos: comer um centolla na parrilla. E ela estava deliciosa.

Ainda mais muito bem acompanhada pelo Sauvignon Blanc Reserva Matetic, daquela mesma vinícola que fomos nesta manhã..

Como principais, resolvemos pedir 2 pratos: um bife de tiras de Wagyu pra D Vera e pro Sr Antonio …

… e Congrio pra mim e pra Dé, com as onipresentes batatas fritas.

Num arroubo, chamamos um Epu, o vinho tinto de segunda linha (se é que podemos denominá-lo assim) do famoso Almaviva. Não preciso nem dizer que o vinho estava maravilhoso, o peixe estava divino e que a carne estava razoável (acho que este wagyu foi alimentado com Pisco! E pior, não tínhamos percebido que eram costelas.).

4 cafes após e estávamos prontos pra dormir o sono dos justos. Amanhã é o último dia da viagem.

Vamos ver frutos do mar fresquinhos, fresquinhos! E Lápis-lazúli, cierto?

Hasta

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dcpv – noite peruviana na cebicheria la mar

14/09/2011

Noite Peruviana na cebicheria la mar.

Parece incrível, mas o final do ano se aproxima.

E o trabalho nas Organizações LongueLuz está cada vez mais pesado. São reuniões e mais reuniões.

Não preciso nem dizer que fizemos mais uma. Desta vez na cebicheria la mar (rua Tabapuã, 1410 – Itaim Bibi) onde aconteceria o jantar intitulado Experiência Peruana. A idéia toda seria mostrar a culinária daquele país, mas com alguns detalhes brazucas.

Recebi o email, percebi que o sócio estaria na praia e obtive o “sim” da Re e da Dé. Pronto; foi só reservar e aguardar o desfilar dos grandes chefs Fábio, Thomas e Flávio.
O local (pra quem não conhece) é muito bonito. Você sente realmente que está num lugar de grife; uma franquia dum empreendimento do atual enfant terrible da gastronomia, ou seria niño extraño, o peruano Gastón Acurio.

Enquanto esperávamos o Eymard chegar, pedimos um  legítimo Pisco Sour pra alegrar a nossa noite.

O sócio aportou, juntamente com a primeira incursão do grande Flavio Federico (por sinal, parabéns pra ele por mais um merecido prêmio da Vejinha/2011) à nossa mesa.

Estávamos “listos” pra iniciar a nossa viagem inca. Começamos bebendo um Prosecco Bottega Poeta 

… e comendo Panzanella, quinua e lula.

Quer dizer, pra alguns, já que a Re discretamente despachou as lulas (divididas irmanamente entre os sócios). De qualquer forma, os moluscos estavam muito bons e este prato foi criado pelo Fábio Barbosa, chef da própria la mar.

Quem fez a segunda entrada foi o Thomas Troisgros (do CT e do Olympe. Logo, logo o Claude será o pai dele! rs).

Um espetacular Lagostin com camote dorado, um adocicado lagostim envolto em batata doce frita e apoiado numa lâmina cozida de batata doce roxa legitimamente peruana.

Muito bom mesmo e acompanhado pelo branco sulafricano Chardonnay Gran Carlou, que conseguiu ser melhor ainda.

Conversamos bastante, estabelecemos as metas pra 2012 (a conselheira Lourdes será advertida pela nova falta. rs) e experimentamos um Nhoque de abóbora e aji amarelo (outra obra do Fábio). Pra quem não conhece, o aji é um tipo de pimenta bem leve e um tanto quanto adocicada.
Ou seja, dá pra imaginar o gosto que esta pseudopimenta dá pra tudo, né?  O vinho branco neo-zelandsês Gewurstraminer Saints Clair Godfreys Creek cumpriu bem o seu papel.

Mais conversas, mas risadas, mais balancetes, com inclusive, alguns convites pra intercâmbio e partimos pro último principal. E é claro que com o lobby do sócio, o ingrediente principal seria … pato.

O Thomas ouviu as preces e serviu um ótimo Magret de pato com purê de lúcuma. Vamos a mais um momento dcpv também é cultura: lúcuma é uma fruta peruana estranhona e com um gosto doce e bem diferente, quase uma mistura de caqui com plástico. Xiiiii!

O purê foi comido por todos. Mas a Re e a Dé doaram novamente o magret pra sociedade, que não recusou em hipótese alguma. Desta vez, o tinto chileno Petit Syrah Medala Real Santa Rita 2005 só faltou emitir um qüen-qüen.

Era chegada a hora do Flávio Federico entrar em ação. E foi com um sublime Suspiro Limeño com damascos.

Uau! Que doce! Uma conjunção perfeita entre a polpa do damasco, o suspiro cremoso e o Moscatel Santa Rita Late Harvest.

Suspiramos todos ao experimentar, assim como nos petit fours peruanos que o Flávio preparou: brigadeiros de aji amarelo e macarons de pisco sour, as especialidades que não poderiam faltar.

Resumo da ópera: esta “Experiência Peruana” foi totalmente positiva. Os sabores se “misturaram(os gastrônomos perceberam o trocadilho) com uma tremenda “acuracidade (mais um! rs).

E fica também uma reflexão: será que não temos ingredientes diferentes suficientes pra dar uma identidade pra comida genuinamente brasileira assim como existem os peruanos? Ou precisamos dum “lerrítimo” Gaston Acurio nestas plagas?

Hasta.

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dcpv – almoço do dia diez – espanha – madrid – restaurante diverXo. eXcelente e não é da XuXa!

30/06/2011

Almoço do dia diez – Espanha – Madrid – Restaurante DiverXo. EXcelente e não é da XuXa!

Devido a excelência de tudo, fui obrigado a destacar esta refeição do relato do nosso décimo dia na Espanha.
O chef David Muñoz é tido como um enfant terrible (ou seria melhor chamá-lo de crianza diabólica?) da culinária espanhola.
E o restaurante dele, o DiverXo, é muito interessante já que tem um jeitão fusion que combina ótimos ingredientes com uma base asiática.

Tudo começa pelo sistema de reservas. São feitas somente pela internet e segundo alguns, necessita-se de pelo menos um mês pra conseguí-las.
Eu estava dentro deste prazo quando fiz a nossa e mesmo sabendo duma característica esquisita do lugar (pro nosso padrão): é terminantemente proibido tirar fotografias de qualquer prato.
E é justamente por isso que este post quase não tem fotos. O máximo que conseguimos foi tirar alguma coisinha (escondido) com o celular e ao final, quando estávamos indo embora, além de algumas captadas no Google. Penso que esta filosofia é errada, mas como o restaurante está cada vez  mais cheio, não sei, não …
Também comecei a escrever a descrição dos pratos num papelzinho, mas um dos atendentes me disse pra não me preocupar que eles enviariam as tais por email. Resultado? Após um mês, o menu chegou.
Ainda bem que fiz algumas as anotações sobre as nossas impressões. Portanto, diferente do que eu acredito que tenha que ser um blog (muito mais visual do que literal), desta vez vocês terão que se contentar com as letras.

Vamos lá: logo que sentamos (chegamos no horário e a nossa mesa era excelente), percebemos a modernidade do espaço. Muito concreto, poucos detalhes, cadeiras contemporâneas e extremamente confortáveis além dum serviço muito aplicado. Foram muitos atendentes durante a refeição, sendo que todos detinham um conhecimento muito grande sobre o processo de execução de cada um dos pratos além de demonstrarem um grande entusiasmo a cada “hummmm” que proferíamos.
A primeira explicação é sobre os tipos de menu. São todos no formato degustação (a Dé já sabia) e basta vocês escolher entre o ExpresXo (com 7 pratos), o ExtenXo (com 9 pratos) e o DiverXo (com 11 pratos).
É claro que a Dé e eu iniciamos imediatamente uma negociação. Ela queria o ExpresXo e eu, o DiverXo. Note-se que a mesa inteira tem que obrigatoriamente pedir o mesmo menu. É, este David Muñoz é praticamente o Gaspacho’s Nazi!
A resolução foi tomada. Nem pra mim, nem pra você. Nove extenXos pratos viriam à nossa mesa.
Deixamos os vinhos (ao final tomamos 2 taças cada um do mesmo branco) por conta do sommelier e iniciamos mais uma viagem dentro da viagem.
O couvert não é nada trivial. São uns tipos de vagens cozidas (Edamame com ajada de ají amarillo) que são servidas num baldinho e que devem ser comidas da seguinte maneira: pega-se a vagem, passa-se num molho de aji amarelo, coloca-se na boca e aperta-se com os dentes pra que os grãos saim e se misturem ao molho. Muito bom e seria o nosso pãozinho durante todo o almoço. Como uma charmosa harmonização, serviram também um excelente chá de rosas.

Prontos pro segundo prato? Eram mexilhões com pérolas de salmão e um molho fantástico de lima kaffir (Mejillón tigre estilo fusión con escabeche de lima keffir, sofrito de tomate y chile y huevas de pez voador). A Dé não gostou muito do mexilhão por causa da textura. Mole demais, segundo ela. Eu comi os dois tranquilamente.
Detalhe: todos os apetrechos (louças, talheres, acessórios, etc) são fantásticos.

O terceiro prato foi um dim sum estilizado já que ele veio aberto e com lagostim, cogumelo e um caldo concentrado e perfumado de frango capão (Posticker shanghai de capón, susopa emulsionada, carabinero e shitake). Absolutamente perfeito.

Mais um dim sum como quarto prato. Só que desta vez foi servido num daqueles pães fofinhos chineses com recheio de cogumelos envoltos numa pele de leite (Bun. Mollete chino de trompetas a la crema, tomate kumato cherry y cecina de buey ahumada). No meu caso, o prato veio montado como um barco sendo que a vela era uma lâmina crocante de jamon. Delícia!
O quinto prato é uma marca registrada do David. Descrito no próprio site como Gambas mediterrâneas fritas ao revés, con soja, yusu e maionesa caliente são camarões cortados finamente (achamos que seriam vieiras) servidos com yusu (o limão japonês) e uma maionese caseira perfeita. Eu achei que a Dé não comeria, mas ela não me passou o dela, não! 🙂

O sexto foi servido em dois movimentos. No primeiro,veio uma vasilhinha com uma mistura de leitãzinho crocante com melão, que segundo nos explicaram, tinha algo a ver com um Pato de Pequim (Cochinillo cochifrito pekinés: canapé invertido pekinês y hamburguesa samm de secreto de cerdo ibérico). Atenção pessoal defensores dos animais: este pekinês não é o cachorro! rs
Logo em seguida, uma caixinha de isopor daquelas do MacDonalds. Dentro dela, uma folha de alface com um pedaço de leitãozinho no interior A intenção é que você enrole o seu rolinho e o mergulhe num molho à base de soja. Como diria aquele cara, uma “puta” idéia!

Vamos pro sétimo? Um peixe típico espanhol frito duma maneira caramelizada (técnica do Davi). Ele (Rape frita versión glaseado Express) fica com um interessante cheiro de carbonizado, com a pele muito caramelizada e com o interior muito macio. Servido sobre aspargos fresquíssimos (a Dé adorou) e com chips finíssimos de batata roxa. Senhores, como diria aquele locutor de futebol, é pra sair do estádio e pagar uma outra entrada!
O oitavo prato foi um bonito defumado com vieiras secas raladas e cabeças de camarãozinho crocantes e fritas ( (Ventresca tibia de bonito asada en brasas de sarmiento con salsa xo versión 2011). Eu juro que achei que a Dé não iria nem olhar pras cabeças dos crustáceozinhos, mas quando eu olhei pras dela, tinham desaparecido. Mais um prato genial.
Como pré-sobremesa foi servido uma lâmina retangular de gelatina muito fina (Papel de moras y yogurt ácido). O atendente nos explicou que era pra enrolar e mastigar. Parecia um chiclete Ping Pong de tutti frutti.
E como nono e último prato, uma sobremesa inesquecível. Um rolinho fino de noz, servido com um sorvete muito cremoso de chocolate e gelatina de violeta . Este eles nem mandaram na descrição do menu.
Pronto. A nossa viagem pelo mundo do David Muñoz tinha terminado.
Se bem que restou-nos uma esperança. Quando você chega ao restaurante, te perguntam se é a sua primeira vez por lá. Se responder sim (assim como nós), experimentará os pratos que formam o menu tradicional do Diverxo.

Se responder não (como nós na próxima vez), degustará pratos completamente diferentes dos tradicionais.
Portanto, aguardem-nos!
Hasta.

Acompanhe os outros dias da nossa viagem:

Dia Uno – Espanha – La Rioja – Marques de Riscal, o hotel.
Dia Dos – Espanha – La Rioja – Museu do Vinho e cidadezinhas bacanas
Dia Tres – Espanha – La Rioja – Bodegas maravilhosas e arquitetura não menos
Dia Cuatro – Espanha e França – La Rioja e Bordeaux – Final de semana em Martillac
Jour Cinc – France – Bordeaux – Passeando e entrando no mundo dos Premieres Grands Crus
Dia Sei – França e Espanha – País Basco – Você sabe o que é euskera? Pintxo você sabe, né?
Dia Siete – Espanha – País Basco – Guggem..heim?
Adendo do dia siete – Espanha – País Basco – Restaurante Mugaritz
Dia Ocho – Espanha – País Basco – San Sebastian do Rio de Janeiro?
Almoço do dia ocho – Espanha – País Basco – Mais um top 50. Martín Berasategui
Dia nueve – Espanha – Nós fomos as touradas de Madrid
Dia diez – Espanha – Madrid – Tour de tapas. Comestíveis, claro!

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dcpv – a suécia de jamie oliver

número 302
30/08/2011

A Suécia de Jamie Oliver.

Quem passa por aqui, sabe que eu não morro de amores pelo Jamie Oliver. Eu o acho um tanto quanto falastrão, meio porquinho (não asseado pros politicamente corretos) e até com alguns problemas de identidade (cazzo, eu nunca vi um cara querer ser tão italiano quanto ele!).

Mas sou obrigado a dizer que acho os livros dele muito bons. Todos tem um grande projeto gráfico, são charmosos e sempre trazem algumas informações incríveis acopladas às receitas. Portanto, quando vi o Jamie Viaja (Editora Globo) na livraria, foi paixão a primeira vista. Tudo bem que lá estavam as manjadas França, Espanha, Itália (ela de novo, Jamie?), mas em compensação, também continha Marrocos, Grécia e a … Suécia.

Suécia? É isto mesmo. Também achei estranho, mas li o capítulo inteiro e depois disso, Estocolmo entrou num lugar de gala na nossa wish list.

O lugar parece bem bonito e melhor, tem uma gastronomia bastante interessante com ingredientes exclusivos e com formatos diferentes de preparar as receitas.

Não precisa nem dizer que escolhi algums delas pra fazer um menu sueco da gema aqui no dcpv.

Vamos lá, então!

Entradas – Sopa de ervilha  e Camarão na Torrada.

“Os suecos se alimentavam desta sopa de ervilha desde a Idade Média. Antigamente, todos enchiam a barriga com esta sopa na quinta-feira, para passar pelo jejum da sexta-feira. Com lembrança desta tradição, quinta ainda é o dia da sopa de ervilha no Exército e na Marinha”.

Aqui em Ferraz, a tradição será criada a partir de hoje. Todas as terças, sopa de lentilha.E porque lentilha? Porque eu não tinha ervilha amarela aqui em casa. 🙂

Mas ficou boa do mesmo jeito. Veja: ponha uma panela grande em fogo baixo. Frite salsão e cebola bem picados e um pouco de ervas secas (tomilho e orégano) num fio de azeite e deixe cozinhar por cerca de 10 minutos, mexendo de vez em quando até os legumes estiverem macios. Junte a lentilha (500g), 1 pedaço de 250 g de presunto defumado cozido e acrescente 1,5 litros de caldo de galinha. Quando começar a ferver, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 50 minutos.

Tire o pedaço de presunto e corte-o em pedaços.Esmague grosseiramente as lentilhas,  junte os pedaços do presunto e tempere com pimenta e sal.

Sirva bem quente com um pouco de azeite e uma boa porção de mostarda de Dijon. É uma delícia e que as cidades vizinhas da grande SP se preparem pra nossa invasão!

Já o Skagen, mais conhecido como Camarão na torrada, é “o equivalente sueco do coquetel de camarões … que emprega quantidades generosas de limão e endro na maionese“.

Esta é facílima de fazer. Misture num bowl, 500 g de camarão limpo e cozido, 1/2 cebola ralada, 1/2 maço de endro bem picado, 3 colheres de sopa de azeite e  4 colheres de sopa  de creme azedo (faça com creme de leite misturado com algumas gotas de limão e deixado em lugar aquecido por algumas horas).

Tempere com sal e pimenta. Misture e sirva em fatias de pão branco grossas e colocadas numa frigideira bem quente …

… com pedaços de manteiga …

… até torrarem.

Refrescantes …

… e certamente poderiam ser até pratos principais, pois tem sustância.

O vinho tinto brasileiro Coletânea Lidio Carraro 2009 caiu muito bem e foi “corpo, saravá, cassiano, surpreendente”.

Principal – Almôndegas suecas.

Mesmo pessoas que não sabem muito da culinária sueca já ouviram falar ou até experimentaram este grande prato, as almôndegas suecas, especialmente depois que a Ikea se espalhou pelo mundo (ouvi dizer que vendem muito desses bolinhos em suas lojas)”.

Bom, enquanto não temos Ikea no Brasil e imagino que na Tok&Stok não deva ter também; o negócio é pegar esta receita aqui mesmo e experimentar em casa.

As almôndegas são feitas de 300 g de carne de porco moída, 300 g de carne bovina moida, …

… 1 punhado ervas frescas picadas (se tiver dill, inclua-o), 1 ovo grande, 100 ml de leite, 75 g de farinha de rosca, 1 colher de chá de pimenta da Jamaica (importante) …

… sal, pimenta do reino e duas mãos.

As suas mãos que serão utilizadas pra misturar, enrolar e moldar as almôndegas.

Que ficarão numa forma untada na geladeira por uma hora e logo após, fritas com um pouco de azeite numa panelona com fundo grosso.

Após estarem bem douradas, retire-as e faça o molho.

Junte suco de 1/2 limão siciliano (cuidado.Vai espirrar muito!), 300 ml de caldo de carne, 1 colher de sopa farinha de trigo, 60 ml de creme de leite e 1 colher bem cheia de geléia vermelha (usei de Blueberry). Deixe ferver, baixe o fogo até reduzir e ficar com uma consistência que vá aderir as almôndegas.

Volte as almôndegas pra panela e mexa bem.

Eu servi acompanhado dum arroz branco frito em manteiga noisette, com um pouco de amêndoas torradas e ervas frescas picadas.

O Jamie não disse nada, …

… mas este saboroso prato (o sabor da pimenta da Jamaica é demais) serviria pra matar a fome de vários soldados!

Como estávamos verificando a qualidade dos produtos Lidio Carraro, abrimos um Quorum 2005, o top deles. O achamos “pepper, fanta, formidable,quedadíssimo“.

Sobremesa – A torta de frutinhas mais rápida.

“Esta receita pode parecer estranha, mas a combinação de sabores e texturas funciona muito bem. Esta é basicamente uma torta de frutinhas espalhadas a esmo, para criar uma sobremesa incrivelmente deliciosa de fazer”.

De vez em quando, o Jamie dá uma escorregada na denominação das suas receitas. E também de vez em quando, as traduções destes livros dão uma derrapada. Esta é uma delas.

Resumidamente é uma torta com uma massa bem gostosa formada por farinha de trigo, açúcar de confeiteiro, manteiga, ovo e leite.

E um recheio de açúcar de baunilha (aquele da fava), creme de leite fresco, raspas de casca de laranja, frutas silvestres (no nosso caso, o máximo de silvestres que conseguimos foram morangos. Que saudades do sex shop!), suspiros partidos (o doce, não o ato de suspirar) e acúcar de confeiteiro pra polvilhar.

O erro crasso foi não ter batido o creme do formato certo. Resultado? Ficou mole demais  e a torta, apesar de gostosa, ficou parecida com lava de vulcão (tem na Suécia?).

Como upgrade, um novo Spirits by Flávio Federico Dolci, desta vez o de Rosa&Lichia que foi servido com um pouco de frutas silvestres, ops, morangos esmagados.

Eisa opinião dos loiros altos, bonitos e sensuais:

Malmoe, Edstron, Estocolmo: Suécia na cabeça. (Edu)
“Estou col mo” eu, de barriga forrada. (Déo)
Síndrome de Estocolmo (estou sequestrado). (Mingão)

Como diria o grande Jamie, “não quero apenas que este livro o liberte das velhas dúvidas sobre o que vai fazer para o jantar. Quero que ele injete em você um pouco de impulsividade, porque seu propósito é mostrar como é fácil, compensador, estimulante pegar o carro, um trem, um onibus, ou um avião e mergulhar em outra cultura.”

Pode deixar. Vamos explorar as terras próximas (Poá, Suzano, Mogi, Guaianazes??) e nos divertir muito, além de aumentar a nossa cultura.

Ah! Mr Oliver, bem que o senhor podia ser assim na TV também, né?

Till och med.

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dcpv – dia cuatro – santiago – chile – nada como visitar a concha y toro junto com don melchor

20/08/2011

Dia cuatro – Santiago – Chile – Nada como visitar a Concha y Toro junto com Don Melchor.

O dia amanheceu magnificamente.

Muito sol e com o frio bem comedido.

Tomamos o nosso café da manhã numa sala especial e …

… com cara de Philippe Starck.

Hoje iríamos conhecer a famosa vinícola e quase brazuca, Concha y Toro.

Ela fica a quase uma hora do centro de Santiago e com o tempo bom, a Cordilheira é a sua visível e onipresente companheira na ida pra lá.

Chegamos e optamos pelo tour completo.

Ele dá direito a visita costumeira com degustação de 2 vinhos (um Casillero del Diablo e um Dom Melchor), a taça de cristal, uma aula especial com experimentação de 4 vinhos Marques da Concha (uma linha Premium) com queijos e pães, além do acompanhamento da sommelier.

Iniciamos pontualmente as 11:00 hs com um passeio pela vinícola.

Vimos a magnífica casa dos Concha y Toro

… e as videiras pioneiras e antiquíssimas.

Também passamos pela cave …

…  e conhecemos a verdadeira história do Casillero del Diablo (pra quem não sabe, o lugar onde se guardavam os melhores vinhos e que pra evitar roubos, diziam pros pretensos ladrões que o Diabo morava lá).

Depois disso, fomos pra tal degustação especial num espaço dentra da loja, onde uma mesa estava elegantemente montada com 4 tipos de vinhos diferentes (Merlot, Carmenere, Syrah e Cabernet Sauvignon).

A idéia seria percebermos todas as características organolépticas de cada um deles. Deu tudo certo, com exceção da atuação do sr Antonio, que se comportou como o verdadeiro Don Melchor, alterando a ordem das coisas a bel prazer e divertindo todo mundo.

A Salomé, a sommelier achou muito engraçado assim como todos os presentes (nós quatro e mais um casal de paulistanos).

Finda a degustação dirigida (ah, ganhamos também a tábua em que os queijos estavam apoiados) …

… passamos pela lojinha pra detonar o dromedário.

Compramos um montão de coisas e voltamos pro hotel, pois precisávamos almoçar, ainda que levemente.

E escolhemos o Olivia, um restaurante ítalo/mediterrâneo.

Como precisávamos de rapidez (todo mundo estava cansado), pedimos saladas. Duas genovesas (pra D Vera e pro Don Melchor), …

… uma caprese (as mussarelas de búfala daqui não mugem como as do sex shop) pra Dé e …

pintxos de camarão e polvo pra mim (a foto não ficou legal). Água pra todos e tacinhas de Pinot Noir e de Sauvignon Blanc pra nós.

A comida foi corretíssima. E o lugar é uma belezura.

Voltamos pro hotel pra dar uma descansada (este slow travel está nos cansando! rsrsrs) e fomos nos preparar pra estréia da D Vera e do Sr Antonio na comida molecular. Será que eles gostarão?
Espero que todos nos perdoem por estarmos levando figuras tão queridas pro mau caminho!

Mas, ainda antes do jantar resolvemos dar uma explorada no hotel.

Passamos pelas lojas do térreo (Brooks Brothers, North Face, Bang Olufsen) e subimos até o 21º andar onde fica a piscina.

E dá só uma olhada no visual!

Ainda mais com esta conjunção perfeita do por do sol com a cordilheira.

Caramba! Que maravilha!

Pronto. Depois desta grande homenagem da mãe natureza, só nos restou aplaudir e ir conhecer o restaurante Sukalde do chefe Matias Palomo Reyes.

Tudo se inicia pelo slogan do lugar: el saber do sabor!

Achamos tudo muito simples prum restaurante dito de vanguarda, quase molecular, o que seria um ótimo sinal.

E como a idéia era jogar o barco nas “piedras”, todos optamos pelo menu-degustação de seis tempos.

Quer dizer, sete porque este amuse chegou rapidamente.

O primeiro prato foi Ostiones rosados patagónicos com papas nativas e textura de hinojo. A textura e o sabor desta vieiras cor de rosa eram sensacionais.

Ah! Optamos pelo menu harmonizado de vinhos. Ou seja um vinho pra cada prato (bendito seja o taxi).

O segundo, Langostino austral em quinoa negra e bisque de Merquen. Podemos dizer o mesmo do lagostim quanto a frescura e sabor.

Mais um vinho, desta vez o ótimo Morandé Carmenere.

O terceiro, El Caldillo de Neruda … Caldillo de congrio com velos de letras (homenagem especial a Drix e a Isla Negra onde iremos amanhã). Duas verdadeiras obras-primas reunidas: o poema do Neruda e o do Martim. Este prato foi o resumo da noite. Só o formato poético dele já valeria a visita.

Afinal de contas, foram muitos detalhes que não poderiam passar desapercebidos: as letras esculpidas em batata e cenoura; o poema impresso num chip enorme de batata; o congrio fresco, macio e saboroso; o caldillo perfeito e ultra saboroso!

Se parássemos por aqui, estaríamos mais do que felizes.
O quarto, Plateada de Motes e setas, papas nativas confitadas e salsa de vino. Uma carne muito saborosa. Mas depois do Congrio …

A Dé recebeu um atum no lugar da carne. É claro que eu também comi!

E fomos ao vinho, um perfeito Malbec JBouchon Reserva 2006.

O quinto seria uma sobremesa muito bem bolada. Um caldo espesso duma fruta vermelha patagônica com um tronco de mandioca e mousse de chocolate.

O sexto e último, huevos de desayuno. Tivemos um certo receio antes de provarmos essa. Afinal de contas, já tínhamos tomado 5 vinhos e comido um montão de coisas. Será que aguentaríamos?
Mas a surpresa foi total e a aprovação, geral. Os ovos feitos dum creme levíssimo de coco e uma esfera de manga eram uma delícia. E os brioches de canela acompanhavam muito bem.

Ainda recebemos de “regalo”, uma dose dum vinho groselhal rosé muito bom. Se gostamos?
Adoramos e completamente.

Nos divertimos muito, conversamos bastante, demos muitas risadas e principalmente, comemos bem.

A questão toda é que não importa o formato, mas sim, se a entrega do esperado foi cumprida.

E neste caso, palmas pro Matias que soube transformar tão bem idéias criativas em pratos admiráveis. Sem contar que ele próprio apareceu na mesa pra conversar conosco e dizer como gostava do Brasil e dos seus amigos brasileiros (Atala, incluso).

Enfim, como diria o nosso amigo, o Benito de Paula do acordeão de Valpa, o jantar foi “impecable“.

Hasta.

Siga os dias anteriores desta viagem:
dia primero – santiago – chi-chi-chi-le-le-le. viva chile.
dia dos – chile – santiago – o museu que está na moda. e na neve.
tercero dia – chile – santiago – casas del bosque, a verdadeira viña del mar

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dcpv – vito ou vitóra?

10/09/2011

Vito ou Vitóra?

Foi mais um daqueles jantares marcados e remarcados n vezes.

A Lu Bettenson do excelente blog  Rosmarino e outros temperos e o Mike, esposo dela, são pessoas que brevemente se tornam os seus melhores amigos. Sabe quando o papo flui fácil e você não vê o tempo passar? (mais uma vez aquela lei de “que quando você está se divertindo, o tempo passa rapidinho” prevaleceu)
Pois foi exatamente isso o que aconteceu. Já tinhamos saído algumas vezes juntos e até um IB fizemos, o 31º , lá na casa de praia e com a presença ilustre da Marcie e do Ciro.

O problema é que já fazia um bom tempo que estávamos programando uma nova exploração a um bom restaurante. E neste caso, um dos dramas além das agendas, era escolher um lugar bacana. Amadeus? Cosi? Oryza? Picchi?

Do nada lembrei do Vito Restaurante. Se bem que não foi bem do nada, pois já tínhamos ido lá  há um tempão, mais precisamente em 2008  num encontro da turma da LBV e ficamos com uma ótima impressão da comida do André Miffano (foi bem antes dele ter ganho o prêmio de chef revelação da Vejinha em 2009 ).

Combinamos, a Lu reservou (é bom fazê-las quando quiser ir) e as 20:30 hs estávamos lá (é cedo, mas a turma que dorme com as galinhas, leia-se Dé e Mike, exigiu este horário).
Surpreendentemente chegamos antes (prepare-se pra grandes emoções pois o Vito não tem estacionamento e muito menos o famigerado vallet) e percebemos que visualmente o lugar permanece o mesmo. Bastante pequeno, aconchegante e com o André pilotando pessoalmente as panelas.

Conversamos muito sobre tudo: viagens, filhos, planos e enquanto isso, escolhemos os pratos dum menu pra lá de interessante.

O André andou se especializando em porcos e os pratos giram em torno dele. A barriga, que ele faz de várias maneiras, se tornou uma referência do Vito.
Lu  já sabia disso e afirmou que teria que experimentar.

Portanto, resolvemos pedir duas entradas pra dividirmos. Uma com um prato de salumeria feito no próprio restaurante …

… e a outra, a tal barriga de porco cozida ao leite e com sálvia (pancetta al late e sálvia).
Uau! Esta barriga é praticamente um “tanquinho”. Gostosa, com a quantidade certa de gordura e com a capa pururucada. Uma verdadeira delícia.

Os principais também estavam escolhidos e aí, de acordo com a minha participação no ótimo suplemento do Estadão, o  Paladar (estou ficando chic. E ilha de Caras que nos aguarde! rs), pedimos a presença da sommelier pra nos indicar  um vinho apropriado. Ela foi nos mostrando a carta e o segundo vinho era um tinto Centine IGT justamente do Castelo Banfi, um lugar marcante  tanto numa viagem nossa (ficamos hospedados lá), como da Lu e do Mike que foram almoçar na La Taverna  junto com um grupo de amigos.
Resultado da consulta? Um vinho perfeito. Tanto que tomamos duas garrafas!

É claro que os principais seriam massas. Ainda mais sabendo que elas são feitas todas na casa.
A Lu escolheu um (eu acho que foi) Ravioli de Maile con Pistacchi, tremendos raviolis de carne  de paleta suina e pistache em molho de vinho tinto, mascarpone e cogumelos .

A Dé foi num prato que não está no menu, mas que através duma dica do amigão Flávio Federico, nós pedimos. Um spaghetti alla arrabiatta saboroso e com a pimenta na medida certa.

O Mike foi conservador e escolheu um Fettuccine ao Ragu Bolognesi Tradizionale.

E eu, coincidentemente, pedi o mesmo prato de 3 anos atrás (ops): uma massa fresca de agrião recheada com rabada em seu próprio molho, os Ravioli aperti di coda. .

Sabe o que que é bem legal no Vito? O André tempera as comidas e coloca o “dele” na reta, coisa que normalmente não se vê por aí. Me diga quantas vezes você foi a um restaurante e teve que ficar colocando sal no prato?

Conversamos mais um montão, bebemos mais um pouquinho, marcamos o próximo jantar e pedimos duas sobremesas no famoso esquema 4 (colheres) x  2 (doces). Um, o recomendado Torta dolce di zucchine, um bolo de abobrinhas com mascarpone, azeite e um toque especial de limão siciliano …

… e o outro, pé-de-pinoli, já que é um pé-de-moleque só que que com pinoli no lugar de amendoins. É mais conhecido como Crocante di Pinoli.

Tudo muito bom mesmo.
Nos despedimos (não se esqueça que a Dé e o Mike eram quase que a maioria! rs) tendo acerteza de que o Vito é realmente um lugar pra ser visitado constantemente e pra fazer o que eu fiz: comer o mesmo prato e perceber o quanto a comida do André evoluiu e tende a apresentar resultados cada vez melhores.

Até a próxima, Lu e Mike.

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dcpv – dia diez – espanha – madrid – tour de tapas. comestíveis, claro!

30/06/2011

Dia diez – Espanha – Madrid – Tour de tapas. Comestíveis,claro!

Acordamos até que cedo, tomamos o café da manhã e fomos ao museu. E este é muito fácil de se visitar. Ele fica no subsolo do hotel.

O proprietário da cadeia hoteleira Derby tem como hobby colecionar arte, especialmente egípcia. Neste caso,ele guarda uma parte do seu acervo tanto na decoração dos quartos, como neste museu.

Logo após, fomos passear pela região da Puerta del Sol.

A primeira parada foi na Casa de Diego, fundada em 1858 e especializada em fazer leques e paraguas. Não precisa nem dizer que compramos algumas coisinhas. E nem o que é um paraguas, né?

E como era o primeiro dia das rebajas, a famosa liquidação, tentamos dar uma passada no El Corte Inglés, o Mappin espanhol. Claro que não encontramos muita coisa legal (como na maioria destes eventos), além da muvuca ser imensa.

Preferimos continuar explorando a região e passando pelos cartões postais. A estátua do Urso e do Medronheiro era um deles. Não se asssuste, medronheiro é somente uma árvore típica que dá uns frutinhos vermelhos que servem pra fazer licores, aguardentes e conservas. E pelo visto, os ursos gostam bastante deles.

Voltamos ao hotel e nos preparamos pra almoçar no restaurante do chef David Munhoz, o DiverXo.

Ele faz uma cozinha fusion (quase peruviana) e tem uma característica que no nosso caso seria quase que impeditiva pra ir lá: não permite tirar fotos de qualquer prato. Eu particularmente acho uma política errônea, mas como o estabelecimento é dele e está sempre cheio, não sei não …
O sistema de reservas feito somente através da Internet também é muito interessante. Dizem que não se consegue lugar antes de um mês. Esta experiência foi tão bacana que será melhor descrevê-la separadamente (xiiii, teaser de novo?).

Depois deste excelente e surpreendente almoço, resolvemos fazer um passeio a pé pela região do Prado que constava do Guia Visual da Folha.

Descemos a rua do hotel (o Congresso fica bem na frente), …

… passamos pela Fonte de Neptuno, …

… pelo Museo del Prado (não entraríamos hoje) …

… e belíssima região, …

… “secamos” o hotel Ritz, …

… o Parque del Retiro (o Ibirapuera deles, guardadas as devidas proporções), …

… a Puerta de Alcalá e voltamos  pro hotel (não se esqueça que em Madrid os quarteirões são imensos) …

… pois tínhamos marcado um passeio turisticão ao extremo: um Tour de Tapas com duração de aproximadamente 4 horas.

O encontro com o nosso guia seria as 20:00 hs (portanto, com sol a pino) bem em frente a estátua do Urso e do Medronheiro que é uma  famosa referência na capital espanhola.

E o começo foi muito bom, pois estranhamente chegamos adiantados e o comandante, o Jorge, ligeiramente atrasado. As apresentações foram feitas (éramos 10: 3 irlandeses, 5 americanos e 2 ferrazenses).

A primeira parada foi numa sidreria, a El Escarpin.

É um lugar extremamente antigo com detalhes do século passado e muito interessante.

Experimentamos a tal sidra que, cá pra nós é bem ruinzinha. O truque pra deixá-la um pouco melhor, ou menos ruim, é tomá-la logo após ser servida desta maneira:

Ou seja, com a maior distância possível da garrafa ao copo. Segundo explicações, deste jeito criam-se bolhas e ela parece um espumante. Doce ilusão! 🙂
Pra ver se a coisa descia, comemos umas tapitas de chouriço, batatas bravas e pãozinho.

Até os irlandeses, páreo duro quando se fala em bebida, recusaram a segunda dose.

Continuamos, passeando pela elegante Plaza Mayor …

… por lugares bacanas no centro (o guia informava bastante sobre história e arquitetura) …

… e registramos o marco zero da Espanha, de onde são medidas todas as distâncias rodoviárias espanholas e que fica na Puerta del Sol.

O nosso próximo destino seria um bar especializado em sherry, ou melhor, jerez. Este é mais antigo que o anterior e freqüentado somente por madrilenhos antigos e da “chemma”.
O La Venencia estava cheio e com muita dificuldade, conseguimos uma mesa bem lá no fundo.

As fotos eram proibidas, mas como a chance dos proprietários nos processarem era muito pequena, a Dé usou alguns “no te compreendo” e tirou algumas.

Experimentamos dois tipos de jerez (que são bastante secos e viciantes): um fino e um amontillado.

Foram acompanhados de excelentes azeitonas verdes (elas são quase cruas e totalmente diferentes das que estamos acostumados a comer) …

… salames às pencas, pães e amendoinzinhos.

Tudo muito bom e o tour começava a ganhar corpo. Próxima parada, o Meson el Lacòn, um genuíno e verdadeiro bar de tapas.

A entrada é bem definida.

E a subida também.

Tomamos um excelente vinho tinto Roble Ribera del Duero Protos 2009.

E experimentamos um montão de tapitas. Croquetas de jamon (guia 4quetas = 10) e de setas, os famosos cogumelos (guia 4quetas : 9), morcillas saborosas, …

… pimentão recheado com bacalhau, …

… aspargos fresquíssimos (mais um que a Dé adorou) …

… e pasmem, tripas ou melhor dizendo, dobradinha e das boas.
Nesta eu suplantei os irlandeses e fiquei com uma cumbuquinha só pra mim. Os meus conceitos sobre dobradinha foram revistos. A próxima vez que estivermos em Madrid, como de novo! 🙂

O lugar é incrível. Também com um horário destes de funcionamento.

Próxima e última parada do Tour de Tapas; segundo o guia iríamos jantar.
A Dé fez menção de ir embora. Eu estava quase capitulando quando ouvi a palavra mágica: Pulpo!

E lá fomos nós todos pro restaurante Terra Mundi praticar aquilo que os espanhóis fazem tão bem que é comer e conversar (não necessariamente nesta ordem).

Começamos tomando um vinho branco Albarinho de Rias Brancas. O nosso guia que era um xenófobo militante disse que Portugal era o quintal da Espanha quando eu citei que esta uva era tipicamente portuguesa.

Ele fez o pedido. Legumes crocantes,…

… huevos revueltos, …

… e o tal Pulpo a Gallega que realmente era o melhor que eu já comi (e ninguém pode me acusar de não ter experimentado!).

Ainda tínhamos as sobremesas. Castanhas com um tipo de brigadeiro …

… e excelentes panquecas de queijo..

Uau! Só nos restou nos despedir da nossa turma (acreditem que os irlandeses ainda tinham nos convidado pra tomar umas caipirinhas!) e andar até o nosso hotel pra fazer a digestão.
Que com este visual, complementou magnificamente a noite. Nada mal, né não?

Hasta.

Acompanhem os dias anteriores da viagem:
Dia Uno – Espanha – La Rioja – Marques de Riscal, o hotel.
Dia Dos – Espanha – La Rioja – Museu do Vinho e cidadezinhas bacanas
Dia Tres – Espanha – La Rioja – Bodegas maravilhosas e arquitetura não menos
Dia Cuatro – Espanha e França – La Rioja e Bordeaux – Final de semana em Martillac
Jour Cinc – France – Bordeaux – Passeando e entrando no mundo dos Premieres Grands Crus
Dia Sei – França e Espanha – País Basco – Você sabe o que é euskera? Pintxo você sabe, né?
Dia Siete – Espanha – País Basco – Guggem..heim?
Adendo do dia siete – Espanha – País Basco – Restaurante Mugaritz
Dia Ocho – Espanha – País Basco – San Sebastian do Rio de Janeiro?
Almoço do dia ocho – Espanha – País Basco – Mais um top 50. Martín Berasategui
Dia nueve – Espanha – Nós fomos as touradas de Madrid

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