Arquivo de janeiro \31\UTC 2012

dcpv – dia dues – barcelona – espanha – o barça passou como um segway por cima do osasuña.

04/01/2012

Dia dues – Barcelona – Espanha – O Barça passou como um Segway por cima do Osasuña.

Mais um belo dia em Barna.

E mais um passeio de Segway. Seria a nossa terceira experiência (vide Madrid e Roma), mas a primeira da Re.

Saimos correndo do hotel e nos encontramos com o nosso guia na Plaça Sant Jaume (local onde fica a prefeitura da cidade).

Após breve aclimatação às potentes máquinas, iniciamos o tour propriamente dito pelo Bairro Gótico.

Conhecemos as muralhas romanas antigas, …

…inclusive, um rascunho do que seria uma das 4 portas principais da cidade naquela época, …

… passamos pelo centro do bairro Gótico, …

… com suas vielas apertadas e sorumbáticas, …

… veneramos la Merced, a santa padroeira da cidade, …

… e que simplesmente é vista de todos os lugares possíveis e imagináveis.

Andamos bastante até chegar a zona portuária de Barcelona.

Port Vell, …

… com seus piers, …

… o símbolo da cidade feito pelo Gaudi, …

… vimos a lagosta que é um camarão,…

… e um dos novos ícones, o hotel W, …

… que foi construído num local em que seria impossível tal ato : …

… praticamente dentro do mar.

Segundo o nosso convicto catalão guia, muita propina foi distribuída pra que isso acontecesse.

E aí ele perguntou se este tipo de coisa acontecia no Brasil?

Nós repondemos em uníssono: Não! E demos muitas risadas.

O resto foi caminhar, …

… ops, dirigir, …

… ops, segwaynear de volta até o ponto de partida, ou seja a Plaça Sant Jaume.

Pra variar, saímos correndo, porque tinhamos um almoço reservado. E numa loja de souvenires.

Eu explico melhor no almoço de amanhã que será numa tinturaria, mas basicamente, o UrbanSecrets é um clube onde os restaurantes são camuflados e o que parece ser, não é.

Nete caso, é uma aparente lojinha chamada Chi-Ton bem em frente a Casa Millá, em que a vendedora/recepcionista vem te atender perguntando se você tem uma reserva. A partir do teu sim, ela te leva pro subsolo num elevador e você chega num espaço com 4 cozinhas e várias mesas em frente a elas.

Fomos alojados numa delas e informados que o menu do almoço do dia seria composto de, ou salada invernal ou arroz com gambas (o popular camarão) como entradas e magret de pato (os sócios iriam adorar) com purê de batata-doce ou rodovalho com tupinambur, como principais.

A Re escolheu a salada (normal, bem temperada e crocante) …

… e eu e a Dé, …

… o melhor arroz com gambas que comemos até hoje.

Isto tudo com o chef trabalhando e preparando bem na sua frente.

Tomamos um herbáceo vinho branco Perro Verde 2011.

Mais uma bela olhada no não menos lugar e os principais chegaram. O peixe pra Dé …

… e os magrets pra mim e pra Re.

E que magrets! Suculentos, saborosos e lindos.

Fomos presenteados com taças de cava …

… e a sobremesa única chegou: um saboroso creme de mascarpone com uma farofa de chocolate.

Certamente foi o melhor custo x beneficio da viagem (24€ por pessoa) …

… e só nos restou passear pela área onde o modernismo imperou.

Aproveitamos a proximidade da Avinguda Diagonal pra conhecer a Casa de les Punxes (chamada assim por causa das suas torres pontudas) , …

… o Palau Montaner (projetado por Domenech i Montaner) …

… e a Fundació Antoni Tàpies (também obra do Montaner).

Voltaremos amanhã pra fazer este circuito de verdade, mas o aperitivo foi bem legal.

Retornamos pro hotel e nos arrumamos com trajes de gala; vestimos os nossos uniformes do Timão.

Afinal de contas, iríamos assistir a um concerto futebolístico.

Fomos ao Camp Nou ver o Barça desfilar a sua técnica num jogo contra o Osasuna, pela Copa do Rey.

Se bem que as notícias não eram alvissareiras: Iniesta estava machucado e o grande Messi, voltando das férias argentinas e gripado.

Chegamos ao estádio, mas antes passamos na lojinha (lojona?) pra fazer umas compras básicas.

O Campo Nou é imenso (quase 100000 espectadores) e nos alojamos nos nossos ótimos lugares. A surpresa foi que o Messi estava na reserva.

Pensamos: se o jogo estiver difícil, o Guardiola coloca o “pulguinha” pra resolver.

Triste ilusão; com 20 minutos de jogo, o Barça já tinha enfiado 2×0 (dois gols de Fabregas, o segundo um golaço de cobertura) e a fatura estava liquidada.

Impressionante como o Barça joga muito e todo mundo fica só olhando (vide Santos).

O jogo virou e com 10 minutos do segundo tempo, se ouviu um burburinho no estádio. Não é que o Guardiola ia colocar o Messi pra jogar?

E foi mais uma aula de futebol. Veja se não?

Ele tocou umas dez vezes na bola. Fez 2 gols (um de cabeça e um colocando no cantinho com a magnífica esquerda), …

… deu duas cavadinhas (uma passou pertinho, a outra foi na trave) , …

… sofreu um penalti (que o ladrão espanhol não apitou) …

… e ainda deixou os companheiros na cara do gol.

Resultado? 4 x 0 pro Barça. É, o baixinho joga muito.

Ainda bem que estávamos por aqui. Estamos levando um relatório completo que facilitará muito a vida do Tite quando da final no Japão. :)

Ah! Tivemos um pequeno stress na volta, pois não imaginávamos como seria difícil encontrar um meio de transporte pra voltar pro hotel. Táxi? Impossível. Chegamos ao metrô, mas incrivelmente ele estava fechando (o jogo foi as 22:00 hs e o metrô fecha a meia-noite. Os cartolas de lá, gorjeiam como os daqui!).

O jeito foi esperar um ônibus extremamente lotado que nos deixou na Plaça de Catalunya.

Sabe que só assim conseguimos lembrar dum jogo do Timão?

Hasta.

Veja o outro dia da viagem:
Dia un – Barcelona – Espanha – Mercat de la Boqueria e Xocolateria Fargas; prazer em revê-los. Em todos os sentidos.

dcpv – tasca da esquina. 2×2 é igual a … ?

Tasca da Esquina. 2×2 é igual a … ?

Sexta, 09/12/11, início dos trabalhos do ISBFV. O Mingão e a Regina chegaram à praia por volta das 20:00 hs.

Tínhamos marcado uma reunião inicial no novo restaurante portuga de SP, o Tasca da Esquina do famoso chef Victor Sobral (que na verdade, não fica na esquina).

Passamos no hotel pra pegar a Lourdes (a Drix, a Sueli e o Jorge viriam somente amanhã), já que o sócio tinha uma festa de final de ano do escritório dele e tinha planejado nos encontrar no restô.
Reservei pras 21:00hs e neste horário, estávamos lá. O local é muito agradável com uma decoração despojada (muita madeira rústica) e uma interessante parede com vasos de ervas gastronômicas.

Estávamos em 5 (por enquanto) e todos optaram pelo menu degustação.

As mulheres escolheram o formado por 4 pratos (segundo o garçon “entrada, sopa, peixepeixe“). Eu e o Mingão fomos no de 5, ou seja, mais uma carninha além do peixepeixe.
Pedimos vinho tinto de Portugal, o branco Lavradores de Feitoria do Douro e começou o desfile.

Agrado do chefe, um creme de batata …

… entrada de casquinha de pastel com pato (o Eymard perdeu) e salada verde, …

… atum selado com purê de beringela e raspas de limão, …

… sendo que o da Dé foi linguado em vez do “Toro” …

… souflê de bacalhau …

… e pra mim e pro Mingão, um rabo de boi e cama de cogumelos de comer ajoelhados.

Como sobremesas, pedimos 2 mini-degustações variadas pra todos dividirem irmanamente.

E o sócio? Bom, ele atrasou e chegou bem na hora da sobremesa. Pedimos mais uma degustação e ele saciou a sua pretensa fome.

O que achamos do lugar? Bom, mas com um pouco de sobrepreço pra tal idéia de Tasca (que na verdade deveria ser quase que um botecão).

O serviço é bom, mas achamos inadmissível (rsrs) que praticamente nos mandassem embora de lá por ser meia noite, porque iria faltar a luz (puxa, que coincidência!) e por sermos os últimos clientes.

O que explica o meu nervosismo e a necessidade duma calculadora – coisa que nunca precisei – pra chegar ao valor que cada um deveria pagar. :)
Quer saber duma coisa? Voltaremos pra confirmar ou não esta impressão.

Até.

dcpv – giorno cinque – roma – itália – mamma mia na terra dela mesma.

12/11/2011

Giorno Cinque – Roma – Itália - Mamma Mia na terra dela mesma.

Parece brincadeira e coincidência, mas no mesmo no dia da renúncia do signore Berlusconi, o bungabunga, o sol continuou a brilhar.

Aproveitamos pra dormir um pouquinho mais (se anda muuuuito em Roma) e como iríamos ao teatro a tarde (e não era o de Marcello), subimos a pé pela Via del Corso (que se chama assim justamente por causa dos desfiles de carnaval que eram feitos nela) e entramos no Foro Romano.

Como o ingresso pro Coliseu (aquela beleza) vale também pro Forum e por dois dias, aproveitamos pra entrar e passear por uma autêntica aula de História.

Antes passamos pela Máquina de Escrever e pelo Capitolino, até seguirmos totalmente o passeio 3 do guia Roma – Roteiros pra você explorar a pé, intitulado o “Berço de Rômulo e Remo“.

Como escrito lá, “o antigo Forum era o centro político, econômico e religioso do Império Romano. Foi aqui dos seus púlpitos que figuras históricas como César falaram às massas, discutiram nos tribunais e moldaram o destino da Europa moderna“.

E não é que é exatamente isso?

Você anda pela Via Sacra e realmente se sente pisando no mesmo caminho dos imperadores triunfantes quando voltavam da guerra (é claro que violências à parte).

E vê a sigla SPQR (Senatus Populesque Romanus) e o antigo selo da República Romana em toda a parte.

Passa pelos famosos arcos de Settimio Severo e di Tito, …

… além de ver um tributo a Nero com direito a arvore genealógica (é, ele tinha mãe!) …

… a Casa das Virgens Vestais

… e fique pensando o tempo todo em “como foi que estes caras fizeram isto tudo naquela época?”.

Vê até rúculas selváticas floridas no meio de toda esta História. Será que o Nero gostava de rúcula? rs

Passamos também pelo Palatino, que tem uma vista linda da cidade, …

… circundamos o Coliseu …

… com a possibilidade de ver ângulos …

… diferentes …

… desta beldade …

… e cruzamos a Domus Aurea pra chegar ao teatro. Pra quem não sabe, a Domus Aurea é a mansão que o doido do Nero construiu do lado do Coliseu e num terreno onde ele optou por botar fogo pra fazer todo mundo sair de lá.

Pra ver a maluquice dele, basta ler este parágrafo do Guia: “o imperador Nero sucedeu a seu padrasto Cláudio aos 16 anos de idade, depois que a sua mãe, Agripina, envenenou o marido pra colocar o filho no poder. Mas ele foi mais do que ingrato e mandou matar a mãe com uma surra. Depois assassinou a esposa, encontrada com os membros amarrados e as veias cortadas dentro duma banheira. Ele se casou com a amante, mas matou-a a pontapés quando estava grávida”.

Ou seja, todos os romanos seriam suspeitos se ele tivesse sido morto, ao invés da suposto suicídio.

Finalmente chegamos ao Teatro Brancaccio. E pra ver a versão italiana do musical Mamma Mia!
Trocamos os ingressos reservados pela Internet e fomos almoçar numa trattoria próxima dali, a Monti.

Como não tínhamos reservado e não existiam mesas disponíveis, recebemos um “não” quando perguntamos se tinham algum lugar vago. Estávamos quase na rua quando o garçom veio nos avisar que uma senhora que estava sentada sozinha numa mesa pra quatro, dispôs de dois lugares.

Ela era da Estônia e pudemos conversar bastante. Disse que ficou com pena da gente, já que a comida da Monti é insuperável. E é mesmo!

Estávamos com pressa e a Dé pediu como entrada uma porção de fritos (flor de abobrinha, azeitonas e uma massa de milho) …

… e eu, um carpaccio de bacalhau.

Tomamos uma jarra de 1/2 litro dum Verdicchio e como principais, pedimos Fetuccine alla Bolonhesa pra Dé e …

… um tremendo espaguetti pra mim, que originalmente seria  com anchovas, mas que segundo o atendente, excepcionalmente seria com pulpitos. Bingo!

E a a estoniana estava certo. Tudo esteve absolutamente perfeito.
Saímos correndo pra entrar no teatro e tudo bem que não pudemos tirar fotos, mas foi muito legal.
A adaptação de tudo, a platéia totalmente lotada, a passionalidade italiana. Enfim, assistir a Mamma Mia! com os diálogos e as músicas em italiano, foi puro divertimento.
Aconselho firmemente assistir a algum espetáculo pra sentir o verdadeiro clima do lugar.
Voltamos ao hotel a tempo de nos preparamos pro jantar. E num restaurante próximo da Piazza Navona. Era na Osteria dell’Antiquario.

Como o próprio nome induz, é um lugar antigo, o que não seria nenhuma novidade em se tratando de Roma.

E especialmente, e você verá, tudo é old fashion.

Iniciamos com duas taças de Prosecco e um menu bem eclético pra fazermos as escolhas.

A Dé, que está fazendo uma pós em Caprese, escolheu uma quente temperada com azeite e manjericão.

Eu fui de camarões com caponata e raspas de limão siciliano.

Tudo fresco e muito bem feito. Tomamos uma meia garrafa dum bianchetto e pedimos os principais (é, Mamma Mia! dá fome!): a Dé optou por um Agnolotti à Matriciana e …

.. eu, por um Fetuccine ao ragu de lagosta, com a carcaça da própria adornando o prato.

Excelentes e com uma apresentação mais do que antigona.

O que resultou numa comida reparadora, de memória e muito saborosa.

Passamos direto pelas sobremesas, e devido a quantidade de comida digerida, resolvemos voltar a pé pro hotel.

Estava bastante frio, mas mesmo assim foi bacana passar pela Piazza Navona …

… e pelo Pantheon iluminados pela luz da lua …

… até ultrapassarmos a multidão de pessoas que ainda se aninhavam na região da Piazza da Spagna e …

… que se confraternizavam pelo término da era ítalo-bungabunganiana.

Arrivederci.

Acompanhe os outros dias desta viagem:
Giorno uno – Roma – Mucho gusto. Molto ‘Gusto.
Giorno due –Roma – A primeira (e a segunda, e a terceira, e a enésima) vez na Pizzerie Bafetto a gente nunca esquece.
Giorno Tre – Roma – Itália – Aquarela do Brasile nos jardins do Vaticano.
Giorno Cuatro – Roma – Itália – A biga moderna.

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45º IB – Carla e o Arroz de Minhoca no dcpv

31/12/2011
número 313

45º IB – Carla e o Arroz de Minhoca no dcpv.

N.R – Vamos a apresentação de mais um IB ( quer saber o que é?).
Desta vez a indicadora do menu totalmente português é a Carla Soar, uma curitibana que casou-se e mora em Portugal com um marido (o Jorge Miguel) que, além de cozinhar bem, gosta duma boa comida e com bons ingredientes.
Partindo deste princípio e após várias trocas de emails, ela decidiu sobre um jantar calcado em frutos do mar. Notem que até uma encomenda “legal” de sementes que ela me enviou, fez parte de todo o pacote.

Vamos lá, então, ao 45º Inter Blogs, o da Carla Soar do interessante blog Arroz de Minhoca.
PS – Eu escrevi tudo o que estiver grafado em azul. O restante e muito bacana,  foi a
Carla.

Olá Edu…
Conforme prometido, aqui vai a vossa “Ceia de Sabores Lusos”. Bem sabes que a minha cozinha é de “olho-intuitivo” o que significa poucas medidas e muito apetite.

Classifico-me como uma aprendiz de portuguesa com muita curiosidade e pouco medo de errar . :)

Meu blog, que nada mais é do que o meu livro de receitas virtual, não tem a intenção de divulgar receitas, mas sim, de guardar e sedimentar aquilo que aqui aprendo e aprecio… portanto, não prometo medidas, tempos e métodos. Antes, confio na intuição da tua colher de pau.

Porém, nada há nada a temer pois, como diz meu marido, com bons ingredientes não há como a comida ficar ruim.

Os azeites espanhóis e italianos são igualmente bons, mas com outras características de sabor que não se enquadram nos pratos portugueses.
Bom, dadas as devidas pré-instruções vamos ao que interessa. E é com uma receita do maridão, meu muso inspirador, que iniciamos.

Antes de mais nada, tomamos umas boas caipiroskas de limão pra que ocorresse a legítima integração luso-brasileira.

Entrada – Mexilhões em Molho de Pimentões Vermelhos

Estes mexilhões são “prata da casa” … orgulho da família e solicitação frequente dos amigos.

O molho deve ser rico em pimentões e picante o suficiente para fazer frente ao sabor marcante dos mexilhões… (Ter atenção aos tomates, para não se sobressaírem aos pimentões) – Não só tive, como o molho resultou maravilhoso. A Dé o sorveu as colheradas!

Ingredientes – Mexilhões em casca (0,5 kg), miolos de mexilhões (1 kg), azeite (1/2 xícara), cebola picada (1 xícara), pimentão vermelho picado (1 xícara), alho picado (6 dentes grandes), pimenta malagueta picada com ou sem sementes (1 unidade), tomates sem pele picados (2 xícaras), extrato de tomate (0,5 xícara) , gengibre fresco picados (3 colheres de sopa), vinagre balsâmico (1 a 2 colheres de sopa), coentros frescos picados (0,5 xícara), pão para acompanhar – O gengibre dá um charme total ao molho.

Modo de preparo – Aquecer o azeite numa panela e refogar as cebolas até começarem a ficar coradas. Juntar os pimentões e mexer até soltar os sumos (3 minutos). Acrescentar os alhos, a pimenta e mexer (2 minutos).

Juntar os tomates + extrato de tomate e alguma água (se necessário). Temperar com sal, pimenta preta + o gengibre picado.

Deixar apurar em fogo baixo por uns 10 minutos e triturar grosseiramente com o mixer ou liquidificador (o molho deve ficar espesso, com resquícios dos ingredientes) – Resolvi não triturar quase nada devido a qualidade de tudo!

Juntar os mexilhões, deixar cozer por uns 3 minutos, juntar os coentros e 1 a 2 colheres de vinagre balsâmico a gosto – Outro charme do molho!

Deixar cozinhar por mais 2 minutos.

Servir com pães variados (tipo italiano, ciabatta, rústico, etc) - Servi com ciabatta e italiano.

E pra deixar pra posteridade, foi, certamente, a maior quantidade de “oh”, “hummm”, “que gostoso”, “quero mais” que ouvi por aqui até hoje!

Acompanhamos este idílio gastronômico com um rosé Português, o Casal Mendes que foi “na rua, na chuva, na fazenda, na casinha de sapê“.

Prato principal – Bacalhau em Pão de Azeitona.

Criação do chef português Luis Américo e vencedor do prémio Cozinheiro do Ano 2004.

Uma verdadeira iguaria lusitana que contém os ingredientes mais marcantes da nossa cozinha (bacalhau, salpicão, coentros, pão, azeitonas e azeite). Favor creditar o autor do prato – Não só está devidamente creditado, como acredito que ele não gostará muito das pequenas mudanças que eu fiz! :)

Ingredientes – Lombos de Bacalhau, fatias de Salpicão cortadas longitudinalmente (presunto ou outro enchido defumado), tomates cortados em gomos, azeite, massa de pão rústico, azeitonas pretas, cebolas + alhos + coentros frescos em folhas.

Modo de Preparo – Preparar a massa de pão e deixar levedar enquanto prepara o bacalhau (qualquer massa é indicada – eu utilizo massas prontas para máquina de pão).

As azeitonas só são acrescentadas no final, na hora de moldar os pães - Esta parte eu passei. Optei por utilizar um pão de azeitonas já pronto e que valorizaria e muito, o belo conjunto do bacalhau.

Abrir os lombos de bacalhau (sem espinhas) formando enrolados de tomate, bacalhau e salpicão. Feche-os bem com palitos de dente e passe-os grosseiramente por farinha – Sabe que é fácil abrir os lombos de bacalhau?

Fritá-los em azeite por aproximadamente 2 a 3 minutos. Costumo aquecer 2 dedos de azeite numa frigideira pequena e frito por 1 minuto de cada lado.

Escorrer em papel absorvente e retirar os palitos. Abrir a massa de pão, juntar as azeitonas picadas (sem caroço) e formar pequenos pães recheados com o bacalhau. Xiiii!

Assar em forno quente (250ºC) por 15 min aproximadamente  (somente o suficiente para assar o pão e aquecer o bacalhau, pois o bacalhau já cozeu durante a fritura) -  Como eu não usei a massa, deixei os lombos no forno só pra dar uma leve dourada.
Enquanto o pão está a assar, preparar os molhos.

Aquecer um fundo de azeite numa frigideira e fritar as cebolas fatiadas em ½ luas finas. A cebola deve cozer no azeite (em fogo alto) soltando os sumos  até o ponto em que começa a ganhar cor - Estas cebolas brancas e roxas ficaram macias, doces e espetaculares.

Numa segunda frigideira, aquecer um fundo generoso de azeite (1 dedo) e saltear os alhos picados juntamente com os coentros (tomar cuidado para não queimar os alhos nem cozer demais os coentros) - Outra grande surpresa!

Servir os pães cortados ao meio, sobre cama de cebolada e regados com o molho de coentros. Eu servi do meu jeito (desculpaê, sr Luis Américo!).

Ou seja, montei com uma fatia do pão de azeitonas, …

… uma porção de cebolas carameladas, …

… pedaços do enrolado de bacalhau cobertos com o molho de azeite, alho e coentro, …

… além da surpresa da noite, as couves (aquelas das sementes) cozidas e resfriadas na água com gelo, coma posterior refogada numa base de azeite e pedaços de salame.

Simplesmente perfeito.

Tomamos um branquinho português, o Tons Duorum Douro 2010 que foi “remember, Jerrys, douradinho, cruisers“.

Sobremesas  - Formigos e Rabanadas.

Não há Natal português sem uma mesa farta de sobremesas… Pão de ló, bolo-rei, formigos e rabanadas estão sempre presentes. (Esqueci de dizer que este menu era pra ser feito no Natal e devido a uns problemas técnicos, só o fiz agora).
Ficamos aqui com as rabanadas e os formigos, pois um bom pão-de-ló é obra de Deus e bolo-rei dá um trabalho dos diabos. :)

Rabanadas

O pão que utilizamos aqui em Portugal é o chamado “bijou” , ou o “bundinha” em Sta Catarina, ou o “Pão d´água” no Paraná, e por aí vai… a melhor referência é mesmo ver a foto.
Daí que a gente tem que comprar o pão com 2 a 3 dias de antecedência e deixar os meninos secando no pacote… eles tem que ficar mesmo sequinhos, duros.
Depois de secos, cortamos e descartamos as duas carcaças exteriores. Dividimos então o miolo ao meio em 2 fatias.
Portanto, cada pãozinho rende 2 rabanadas.Tudo bem entendido até aqui? – Entendido, mas usamos o pão que eu achei mais parecido! rs

Ingredientes (para 9 pães) – 1/2 litro de leite (ou bebida de soja/leite de soja), 1 chavena de açúcar + pau de canela + casca de lima (limão), 4 ovos, canela em pó e açúcar para polvilhar.

Bater os ovos ligeiramente e reservar. Ferver o leite juntamente com o açúcar + pau de canela + casca de limão.
Aquecer a frigideira com óleo para fritar.

Atenção: Durante todo o processo, o leite tem que ficar em ponto de fervura em fogo bem baixo, tomando o cuidado para não queimar nem transbordar.

Molhar as fatias de pão no leite. É aqui que mora o perigo … temos que fazer o processo com precisão e rapidez. - A Dé, que fez esta sobremesa, disse que é aqui que mora o perigo! rs
A gente submerge o pão, conta até 3 e tira rapidamente (se demorarmos demais o pão se desfaz todo). – É isto mesmo.

Passar por ovo batido rapidamente, vindo do leite, devemos passar o pão pelo ovo e retirá-lo antes que ele se desfaça. A minha regra é conseguir transportá-lo com o garfo sem se desfazer. Tomando atenção claro, para que todo o pão esteja umedecido.

Fritar em óleo quente até dourar dos 2 lados.

Retirar da frigideira e, ainda quente, polvilhar com açúcar e canela. O ponto desejado é que nenhuma parte de pão escape ao molho.

Toda a rabanada deve estar úmida e apresentar a polpa sumarenta e adocicada. Nem sempre se acerta a primeira… algumas se desfazem, mas a gente frita na mesma… – Foi o que ela fez! rs

Algumas ficarão um pouco mais ressequidas, mas a gente come na mesma… É mesmo uma questão de persistência e prática. E ficaram deliciosas!

Ainda mais com o acompanhamento dum cálice de vinho do Porto.

Formigos

Basicamente, precisamos de uma boa variedade de frutos secos.

Ingredientes – (Avelãs, amêndoas, nozes, pinhões (pinólis) e uvas passas pretas + uvas passas brancas), Vinho do Porto, Canela + Gemas (4) e Açúcar (200 gr).
Picar os frutos grosseiramente e reservá-los (+ ou – 200 gr). Picar também o mesmo volume de miolo de pão (4 fatias) – Juntei tudo da despensa, até pistaches.

Umedecer o pão em 100ml de bebida de soja, leite ou água (reservar). Bater as gemas e misturar com 4 colheres de sopa de Vinho do Porto (reservar).

Levar ao fogo, o açúcar diluído em 100ml de água e deixar ferver até ao “Ponto Pérola” - Eu acho que o meu estava neste ponto!
Ai meu jesusinho!!! O tal do ponto pérola na calda de açúcar foi um fracasso sufoco… não vou mostrá-lo aqui, nan nan nan… é que ficou meio mais ou menos, percebem? Bom… à parte minha vergonha, a boa notícia é que, apesar de tudo, o resultado final ficou bom. Portanto, se errarem na calda, o meu conselho é: “Bola pra Frente” que todos os caminhos levam a Roma – Cheguei em Roma! rs

Atingido o ponto de açúcar necessário (ou outro qualquer) juntar os pães amolecidos misturando bem. De seguida, incorporar os frutos secos e deixar cozer por 1 a 2 minutos mexendo sempre.

Retirar a panela do fogo e juntar os ovos batidos, mexendo bem.Voltar a panela ao fogo e deixar cozer até engrossar a gosto (3 a 5 minutos).
Prontinho! Servir polvilhado com canela.

E ficou uma verdadeira delícia.

Olha que foi extremanente divertido fazer este Inter Blogs. Se o objetivo deste projeto é fazer uma interação entre os passageiros da blogosfera, ele foi mais do que cumprido.
Opiniões sobre as comidas? 

Que refeição espetacular! Tudo perfeito com destaque pra tudo. (Edu)
O melhor de Portugal!!! Delícia. (Mingão)
Harmonia do começo ao fim; delícias deliciosas. (Deo)

E, como a tradição manda, seguem as nossas flores pra virtuais pra Carla e pro Jorge Miguel com votos que tenhamos todos um Feliz 2012.

Pra nós promete e muito, já que começamos bem assim!

Foi um jantar bué fixe!

E o próximo Inter Blogs, o de fevereiro será o da Isadora do blog Receitas Fáceis. Pelo tema, a coisa promete!
Bye

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isbfv – e la nave (nesse caso la van) vá! (by Eymard)

8 a 10/12/12

E la nave (nesse caso La Van) ! (by Eymard)

Esse ISB foi a síntese!

Começou antes de começar e acabou antes de acabar. Explico: Todos estivemos juntos no trajeto de ida e volta de Van entre a “praia” e a Grande Ferraz e na execução (no sentido mais literal da palavra) dos pratos!

Antes e depois o grupo foi disperso.

Lourdes compartilhou, na sexta, com Regina e Mingão os prazeres da mesa com os Luz no restaurante português Tasca da Esquina. Cheguei ao apagar (literalmente) das luzes, mas a tempo de saborear a sobremesa, dar boas risadas e … bloquear  a capacidade matemática do nosso mestre calculator Edu. O efeito passou, mas não tão rapidamente.

Depois, nova dispersão com Déo, abandonando a Van. Mingão e Regina, fugindo para os bailes da vida. Eu e Lourdes a comemorar o aniversário de pessoa muito especial. Mas a síntese foi perfeita!

A Van deslizou entre SP e FV com impecável serviço de bordo. Cavas Freixenet bem geladinhas. Sem frango e sem farofa. Ao som das top Five e das incríveis piadas do Déo. Desculpem mas as piadas são impublicáveis.

Os grands chefs cederam seus lugares para os “improváveis” chefs Jorge, Eymard e Adriana.

Aprendi a amassar os bifes (que já estavam cortados) de modo a estraçalhar a carne. Em seguida, em frigideira bem quente com fio de azeite e dentes de alho, uma sapecada rápida apenas para selar a carne. Depois, tudo em uma panela com molho de tomates – já previamente preparado pelo chef Edu – e bastante rúcula para dar crocância ao molho. Modestamente, ficou um espetáculo.

A massa foi preparada por todos. Aos pares. Aos ímpares. Nunca imaginei que seria tão fácil fazer um macarrão de qualidade e gosto incomparáveis. Prometi repetir a dose em casa. Promessa para 2012 ainda não cumprida.

Tudo pronto, linha de montagem para os pratos. Mulheres à mesa e os homens ralando na cozinha.

Com a entrada, serviu-se um vinho branco Gran Reserva G. Rosa Etchart 2009 que foi “favo de mel, branquíssimo, estrambólico, exuberante, modesto, pear, fresco, ácido, lichioso, goiaboso

Com a massa e seus variados molhos (me servi de todos e, desculpe, não resisti e repeti), serviu-se um vinho tinto Cabernet Sauvignon Lazuli 2003 que foi “azulberante, bobolino, red, suficiente, mineiríssimo, blue velvet, rosso, tinha que ser chileno, ameixoso, saquinho de leite“.

Depois, para fechar com chave de ouro, a sobremesa já devidamente preparada pela Dé e que foi nota 1000 e, nas palavras de todos: Bendita seja!

A tarde passou gostosamente. Sem qualquer incidente ou perturbação. Todos concentrados no momento. Momento eternizado pelas fotos mas, especialmente, marcado na lembrança de cada um. A velocidade, de que falou Sueli. A simbiose poética de que falou Adriana. A comunhão, de que falou Edu.

Crianças no jardim de infância. Fiquei imaginando o que teria passado na cabeça de Flora, a competente assistente dos Luz, ao ver aqueles marmanjos rindo como crianças e fazendo aquela bagunça na cozinha.

Cumprida a prazerosa tarefa … rumo de volta a SP. Na Van, que não sendo amarela era meio cor de rosa, novas do Top Five. Quem se lembra da musica de maior sucesso de Claudia Barroso? E agora as 5 top Five….

Nao poderíamos retornar sem um enorme congestionamento que nos tirou do caminho e fez Regina quase perder literalmente o baile. Felizmente tudo foi resolvido com um corta caminho providencial.
Despedidas para Deo, que ficou no meio do caminho (e esqueceu todos os presentes que ganhou. Será que depois ele lembrou ou ainda estão a espera do próximo ISB para devolução?). Despedidas do casal Mingão e Regina que seguiram para um baile.

A noite é uma criança e nós não poderíamos perder tempo.

Tentativa, vã, de voltar à maravilhosa  pizzaria do grande Juscelino: a Maremonti que já tínhamos ido en petit comité! Teríamos que aguardar mais ou menos uma hora para obtermos uma mesa.  Sueli ameaçou ficar insandecida. Fomos rápidos e a solução valeu uma noite e tanto!
Bem em frente nada menos que  o Dalva e Dito.

Rumamos para lá e tivemos uma noite deliciosa finalizada com a presença do verdadeiro chef Atala. Descobri (pelo menos para mim foi uma surpresa) que aos sábados eles promovem uma galinhada depois da meia noite, com direito a se servir quantas vezes quiser diretamente das panelas. Tudo acompanhado de samba de verdade no salão do subsolo. Qualquer noite destas voltaremos lá, nao é mesmo Edu?

Domingo, dia de partir. Deixamos a turma porque tínhamos compromisso assumido com uma outra amiga muito especial. Mas essa é outra história!

No fundo, no fundo, a mesa sempre está posta para celebrar! Nesse caso, celebrar um encontro que seria impossível sem a internet e improvável sem que tivéssemos encontrado algum equilíbrio na desarmonia de nossas experiências de vida. Há alguma coisa que transforma um simples encontro em acontecimento. Nao sei o que é! Mas sei que ele existe.

E la nave vá!

PS: Como escrevi esse post depois de ler os relatos de Edu, Sueli e Adriana, confesso que quase nao me senti em condições de contar a mesma história sob a minha perspectiva. Eles foram muito felizes ao transmitir as idéias sobre o que sentiram. Mas é certo que cada um vê e dá ao mesmo fato uma atenção diferente. Nesse ISB, ao contrario do primeiro, nao me senti sem tempo ou como no filme koyaanisqatsi. Ao contrario do segundo, não me senti exaurido. Ao contrario do de BH, nao senti qualquer urgência. Simplesmente a síntese do que houve de melhor em todos os demais.

PS2 – Esta foi a versão do sócio, do Eymard, sobre o ISBFV. Acho que foi a última, já que o Mingão ainda não se manifestou. Acredito que seria mais prudente não aguardar!! :)

Quer acompanhar as outras visões da saga?
Edu - 
 ISBFV. Ou Inter dos Sem Blogs na grande Ferraz de Vasconcelos
Sueli4º ISB – Grande Ferraz de Vasconcelos, que nos legou Dé e Edu.
Drix ISBFV – “eu acredito na amizade e a exerço” ou “(…)a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada”

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dcpv – dia un – barcelona – espanha – mercat de la boqueria e xocolateria fargas; prazer em revê-los. Em todos os sentidos.

03/01/2012

Dia Un – Barcelona – Espanha - Mercat de La Boqueria e Xocolateria Fargas : prazer em revê-los. Em todos os sentidos.

Voamos pela Ibéria pra Barcelona.

Foi um tranquilo voo direto e seria muito mais, se os pais dum bebê gritão (isto mesmo, não é chorão!) tivessem tomado conta dele e assim, não atrapalhasse o sono de todo mundo (e olha que estávamos bastante longe do epicentro do tremor).

Chegamos de madrugada (4:30 hs da matina); o nosso transfer estava lá e com o trânsito livre, 20 minutos depois, chegamos ao hotel Casa Camper (pra ter um serviço mais do que vip, procure pela Fernanda, na recepção. Ela vai te ajudar em tudo o que é tipo de reserva, desde bons restaurantes até pro jogo do Barça)

O hotel é tudo aquilo que você imagina dum lugar diferentão. É muito bicho grilo, tem uma doutrina natura/ambientalista e, surpresa, é muito confortável.

Começa que cada quarto tem saletas complementares (e no outro lado do corredor) com um sofá, uma tv, uma mesa, vista pra rua  e pasmem, uma rede. É, uma rede daquelas nordestinas onde você pode deitar e descansar do seu dia estafante na capital da Catalunha.

Outro detalhe bacana: os quartos não tem frigobar. Em compensação, eles montaram um espaço chamado Tentempié, no térreo, onde além de ser o local pro café da manhã, é também o gigante frigobar de todos os quartos, já que ali você pode comer e/ou beber tudo, na hora que quiser, com exceção de bebidas alcoólicas que são pagas a parte.

O banheiro também é um caso a parte com a sua área de leitura e as instruções mais do que bem claras (aliás, todas as indicações são neste claríssimo formato).

Devido ao horário (por volta das 5:30 hs), resolvemos dar uma cochilada.

Acordamos meio que no susto e fomos tomar um bom café da manhã no tal espaço.

De lá partimos rapidamente pro magnífico Palau Música Catalana, uma obra prima arquitetônica do Domènech i Montaner, onde compramos tickets pra assistir a um espetáculo de música classica, As Quatro Estações do Vivaldi.

Missão cumprida, iniciamos um passeio pelas regiões próximas as Ramblas.

Antes disso, matamos as saudades da Xocolateria Fargas, …

… um lugar que conhecemos e adoramos na outra viagem pra cá (dica: quando você encontrar uma placa destas na frente dum estabelecimento; entre!), …

… a ponto da Re tirar uma foto ajoelhada em frente a esta loja extraordinária, tal a qualidade dos chocolates. Compramos algumas coisinhas (doces, caramelos) e …

… como tínhamos adquirido outras coisas na loja do Palau, resolvemos dar uma nova passada no hotel, pra depois …

… reconhecermos a região.

Passamos pelo MACBA, o museu de arte moderna …

… com os seus habituées hyppados e ravalizados (o Raval é o bairro trendy do lugar), …

… e suas interessantes obras externas.

Ameaçamos iniciar um tour a pé pelas Ramblas, mas …

… a fome apertou (eram 16:00 hs) e resolvemos ir direto pro Mercado de St Josep, mais  conhecido como La Boqueria.

No caminho, passamos pela CCCB – Centre de Cultura Contemporània de Barcelona  e vimos o quão bonita e misturada é toda a cidade.

E realmente mesclado, maravilhoso e bonito é La Boqueria.

Queríamos comer no bar Pinotxo (que descobrimos ser Pinóquio em português), mas estava muito cheio.

Enquanto olhávamos tudo …

… com …

… muito …

… carinho, …

… procuramos a alternativa, outro botequim, o Quim de La Boqueria, que estava muito cheio também.

O Boqueria vale, inclusive, um legítimo fotoblog:

Estávamos quase desistindo de comer no sex shop barcelonês, quando resolvemos voltar ao Pinotxo e, tivemos sorte, pois uma mesa vagou exatamente naquele momento.

E foi sensacional. O lugar não tem cardápio e comemos simplesmente o que tinham pra nos oferecer.
Ou seja, 3 copaças de cava …

… calamaritos com feijões brancos, …

… sardinhas à escabeche com uvas marinadas …

… e espinafre com batatas.

Tudo tão perfeito que deu pra entender o porque dos grandes chefs catalões (Adriá e Roncero inclusos) comerem sempre por aqui.

E ainda tivemos o upgrade do simpático sr Pinóquio vir nos servir pessoalmente.

Voltamos pro hotel, conhecemos (e compramos algumas outras coisinhas) na padaria Barcelona Reykjavik

…pois tínhamos que nos arrumar, já que o espetáculo no Palau começava as 18:00 hs.

Chegamos e não tivemos como nos maravilhar com esta maravilha (sic). O interior do Palau é ainda mais bonito que a parte exterior.

Aquele lustre central parece ter um imã que te obriga a ficar olhando indefinidamente pra ele.

Além de todos os detalhes que o Domènech fez questão de projetar.

Acrescente aí uma acústica perfeita que faz com que o som da orquestra chegue perfeito dos teus ouvidos e as Quatro Estações passaram rapidamente.

Extasiados, caminhamos de volta ao hotel, ainda mais com todo o clima natalino imperando na cidade.

Incrível como Barna (espero que ela me permita chamá-la assim) fica ainda mais bonita a noite.

E este primeiro dia só seria completo se tivéssemos uma grande refeição num grande restaurante. Foi o que aconteceu no Cinc Sentits.

A filosofia do lugar demonstra o que te espera  (por favor, leia em bom e claro catalão): “ Sense cap dubte, la clau d’un bon plat està en trobar i utilitzar ingredients de la millor qualitat. Hem buscat petits proveïdors de tota Catalunya i resta d’Espanya que comparteixin aquest sentiment: I per a gaudir de tots aquest ingredients, no rés millor que el format de degustació i deixar que cada plat ens aporti sensacions noves i estimulants”.

E como os menus são todos degustação, escolhemos o Sensacions, o mais completo, com 1 tapa , 2 entrantes, 1 pescado, 1 carne, quesos e 2 postres além da “maridatge” com vinhos top espanhóis. É, a turma estava animada. :)

O tour começou com um agrado do chef, um amuse com maple syrup, zabaione e flor de sal. Pra ser tomado num trago só. Foi e totalmente aprovado.

A sommelier nos serviu um vinho tinto, o Garnaxa Vella Teixar 2008 e nos disse pra só cheirá-lo, já que ele acompanharia o quinto prato. Ou seja, nos incitou a usar o sentido da olfação.

O primeiro prato oficial, o tapa, foi um crema de calabaza (abóbora) muito bem temperada com sementes torradas dela mesma e muitas especiarias, além de sálvia. Ótima e usamos bem os nossos olfatos e gustação novamente.

Antes disso, comemos um daqueles pães massudos e crocantes.

Continuamos com a segunda entrada, um foie gras micuit caramelizado sobre alho porró e aceto balsâmico.

Comi dois (a Re passou o dela), além de bebermos um ótimo e dos únicos late harvest espanhóis, o Caligo.

No terceiro, tivemos uma leve diáspora. Enquanto eu comia uma excelente codorniz defumada com pão de especiarias, creme de  castanhas e gelatina de Pedro Jiménez , …

… a Re e a Dé, experimentaram Huevo de Calaf, com setas silvestres (os famosos cogumelos), trufas negras e purê de batatas. Espetaculares.

As meninas tomaram um Champagne Billecart Salmon e eu entornei uma taça dum branco Tedetària.

O próximo prato foi servido em dois tempos. Um Bullit de Peix  separado …

… dum arroz seco sensacional.

Pra não deixar pra trás, experimentamos dois vinhos do mesmo produtor Ribeiro, o 1040 e o Salmeirás.

O último prato foi a pièce de resisténce, o Cochinillo Ibérico com maçã, avelã e aniz. Tive que comer um pouquinho do da Re (gracias).

O chef quebrou o galho da Dé e serviu vieiras (e que vieiras) no lugar do leitãozinho.

O vinho foi aquele tinto servido no início da refeição, o Garnatxa Vella Teixar 2008. Quesos artesanales vieram a seguir e acompanhados de cubo de amêndoas, laranja amarga e gelatina de mel.

Pra amenizar a salgadice, foi servido um sorvete de framboesa, creme de baunilha e biscoito de pistache.

Pra finalizar o nosso tour por todos os sentidos; chocolate. E quente, acompanhado de sorvete de azeite e macadâmia.

Harmonizado dum vinho de sobremesa muito rudimentar (e interessante), o L’hongares (acho que isto foi uma piada com os Tokaji).

Acreditem ou não, não pedimos os cafés, mas mesmo assim, as belas mignardises chegaram.

Resumo de tudo: foi um verdadeiro passeio pela audição, visão, olfato, paladar e tato. Toda nossa porção sensorial foi usada neste jantar.

Voltamos felizes e satisfeitos pro hotel, já pensando nos sentidos que usaremos nesta viagem a Barcelona.

Hasta.

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dcpv – charlô, of course

número 304
dia 04/10/2011

Charlô, of course.

Me responda uma coisa: comida tem idade? Você acha alguma receita muito datada?

Pois foi dando uma “geral” na minha biblioteca gastronômica da casa da praia que me veio esta dúvida.

Estava eu limpando tudo (ordens da coordenadora) e até liberando algumas coisas, quando me deparei com o livro Charlô, of course (editora DBAM).

É um livro modernoso (na medida do possível), com um projeto gráfico bem bacana, fotos legais, prefácio (excelente, como sempre) da Nina Horta e receitas. Muitas receitas.

Detalhe: ele foi editado em 1996. São 16 anos, o que hoje em dia pode significar uma eternidade.

É claro que eu li toda a história do Charlô Whately com “causos” muito bons e muitos detalhes sobre como o interesse gastronômico floresceu na vida dele.

O menu surgiu justamente da dúvida sobre a perenidade das receitas. Resistiriam a uma opinião “abalizada” como a nossa? :)

Veremos.

Bebidinha – Vodka Absolut.

Entradas - Salpicão de maçã e salsão/ Salada de espinafre com morangos.

Falar que salpicão tem muita idade parece até redundância. Levante a mão quem nunca comeu um belo exemplar deles nas priscas eras?
Este, por exemplo, foi feito com 2 xícaras de maçã picada, 1 xícara de salsão, 1/4 de xícara de pimentão vermelho, 1/2 xícara de cenoura ralada e 1/2 xícara de molho rosé (2 colheres sopa de catchup, 1 colher sopa de mostarda, 1 colher sopa de limão, molho inglês a gosto, 200g de maionese).

É só misturar tudo e levar à geladeira.
Quanto a salada, basta fazer um molho com 1/2 xícara de açúcar, 2 colheres de chá com mostarda em pó, 2/3 xícara de vinagre, 1 cebola pequena picada, 2 xícaras de óleo, sal e pimenta do reino, batendo tudo no liquidificador (é, naquela época se usava muito este eletrodoméstico) …

… e acrescentar 3 colheres de sopa de sementes de papoula (naqueles tempos, elas não eram proibidas).

Coloque um maço de espinafre, 1 xícara de uvas verdes sem sementes e cortadas ao meio, 2 laranjas em gomos, 1 xícara de morangos, 2 kiwis fatiados, 100 g de amêndoas num bowl …

,,, e tempere com o molho.

Formou-se uma beleza refrescante …

… e nos mostrou que comida é como saudade.

Não tem idade! :)

Pra melhorar tomamos um vinho branco grego (não estamos falando em antiguidadea?) Cuvée Prestige Skouras 2010 que foi “inacreditável, pontalete, aquoso, deaginoso“.

Principal – Jamboinneau de frango com funghi e Macarrão em rodelas.

Me fala se a palavra Jamboinneau não lembra realmente alguma coisa bem antiga?
Pois esta receita surpreende tanto pela simplicidade de execução, quanto e principalmente, pelo resultado final.

É muito saboroso e até mesmo estes frangos sem graça que andamos comendo (não parece que são alimentados por isopor?) se transformam em carne branca bem temperada e com a pele muito crocante.

Pra preparar o frango, tempere coxas e sobrecoxas desossadas com pimenta do reino e sal.

Rechei-as com funghi seco hidratado, cebola e pimentão vermelho picados.

Coloque numa assadeira (amarrei com linha) untada com óleo e asse em forno pré-aquecido a 180ºC por ~40 min até que a pele fique bem dourada.

Pro molho, refogue cebola picada em manteiga. Junte funghi seco desidratado (eu também coloquei cogumelos Paris porque tinha pouco funghi) e creme de leite fresco. Deixer ferver em fogo baixo por 10 minutos.

Pra servir, o Charlô pede pra retirar a pele do frango. É que claro que me insurgí e deixei, porque ela estava muito crocante e praticamente torresmenta.

Já o macarrão em rodelas também é bastante curioso.

Você cozinha 500 g de cabelo-de-anjo em 1 litro de leite com 1 cebola e 2 tomates sem pele e sem sementes picados até formar um creme grosso.

Coloca numa assadeira untada e deixa esfriar. Leva à geladeira por 1 hora. Recorta em rodelas (eu não quis perder nada e recortei em quadrados) e coloca numa travessa refratária.

Salpique presunto (usei mortadela italiana), queijo parmesão ralado e cubra com creme de leite fresco.

Leve ao forno com fogo médio (180ºC) por 15 minutos.

Perceba se este prato tem data?

Ficou muito bom e até o feedback dos marmitex foi altamente positivo (fonte : D Anina, D Vera e Sr Antonio).

Continuamos na Grécia, tomando um tinto Sant George Aghiorghitiko Nemea 2008 que foi “massácido, centenário, água vermelha, noblesse” segundo os antiquários, nós mesmos.

Sobremesa – Mangas marinadas com hortelã e cassis.

Preciso encontrar outra palavra além de simples pra descrever esta sobremesa.

Porque descascar uma manga, cortá-la em fatias, deixar de molho em licor de cassis e …

… servir com hortelã cortada finamente é mais que simples, né?

Mas é muito saborosa.

Esta é pra fazer constantemente em casa.

Sorvemos mais um pouquinho do legítimo Creme de Cassis da Provence com bastante gelo …

… e decidimos que o jantar foi:

Comida não tem idade. Simplesmente nova. (Edu)
Sixteen’s is also delicious. (Deo)
Comida desertante. Perfeição da  juventude. (Mingão)

A comida é realmente um pouquinho mais pesada que o normal mas, ao mesmo tempo, é bastante saborosa.

“A comida, atualmente, se distancia tanto de sua história, dos seus lugares, dos seus rituais, justamente do que a faz importante. Mas não para o Charlô, para ele, não. Fico encantada com a sua consciência de passado e de família, o respeito as raízes, a todos os que vieram antes” (Nina Horta).

Adoramos tudo e certamente faria este menu novamente.
Acredito que ficou claro que comida boa não tem idade. c.q.d.

Bye.

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dcpv – ISBFV – “eu acredito na amizade e a exerço” ou “(…)a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada” (by Drix)

8 a 10/12/2011

“Eu acredito na amizade e a exerço” (Jorge Amado) ou “(…) a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada.” (Guimarães Rosa)

Nosso grupo desafia até mesmo a professora que leciona as disciplinas “Redes Sociais” e “Gêneros Digitais”. Por ofício naveguei por chats, fóruns, blogs, Orkut, Facebook. Pelas mãos do Déo cheguei ao dcpv. Com carinho fui recebida por Edu, Mingão e Débora. Por prazer, fiquei. Por acaso – feliz acaso, nas palavras de Edu, no primeiro ISB – outros foram chegando: Eymard, Lourdes, Sueli, Jorge, Regina. Em julho de 2010 surgia, oficialmente e a partir da inveja de Eymard, Sueli e minha própria, o ISB: Inter dos Sem Blogs. Alguns mais extrovertidos, outros um pouco menos; uns cozinham, outros, não; muitos bebem, uma não; engenheiros, advogado, dentista, psicóloga, pedagoga, socióloga; paulistas, mineiros, carioca. Somos assim… diferentes.

Para cada encontro, um relato. Olhares distintos. Textos diferentes. Sentimentos comuns. De Neruda a Guimarães Rosa, iniciamos, em São Paulo, nossa travessia de sabores, saberes e amizades compartilhadas. Em Brasília, cumprindo o desejo de Niemeyer, fomos muito felizes. Em Belo Horizonte, “era dia comum e virou festa.” Era preciso manter neste post – síntese de todos os outros ISB – o estilo dos posts anteriores: citações, muitas citações, daí dois títulos se o editor assim o permitir. O ISB em Ferraz de Vasconcelos é a síntese de todos os outros ISBs, porque fechou um ciclo; síntese, porque estivemos todos juntos, o tempo todo; síntese, porque aconteceu onde tudo começou, ainda que virtualmente.

Introduzido o tema… (sim, isso foi só a introdução)

Sei que este é um blog gastronômico, que o “mote” dos encontros é a culinária, mas no ISBFV a comida, ainda que deliciosa, foi coadjuvante. O sorvete de parmesão, os ovos recheados e a salada caprese da entrada estavam deliciosos. A massa com molho de tomate com polpetinni acompanhada com o stracetti também (soube que o molho de abobrinhas estava divino, mas esse não experimentei). A crostatta di ricotta e pera com sorvete de baunilha uma maravilha. Mas a alegria, o carinho e a comunhão foram os atores principais.

A alegria

Talvez seja pleonasmo falar da alegria de um ISB. Ela está na essência de nossos encontros. Como definir o que aconteceu dentro daquela van, com seus brindes, as piadas do Déo, um GPS que insistia em apontar caminhos desconhecidos até mesmo pelos nativos, os memoráveis “Top 5” de Mingão, Edu e Déo, que aos poucos foram incorporados ao ISB?

E afinal, qual seria o Top 5 do ISB FV?
1. Claro que começaria com um mineiro: “amigo é coisa para se guardar. Debaixo de sete chaves, dentro do coração…”

2. Nossa faixa etária não deixaria Titãs de fora, afinal, “a gente não quer só comida, a gente quer a vida como a vida quer…”

3. E como somos contemporâneos, cantaríamos Gil: “Eu quero entrar na rede, promover um debate, juntar via Internet…”

4. E Vinícius nos lembraria como tudo isso começou: Há dias que eu não sei o que me passa. Eu abro o meu Neruda e apago o sol; misturo poesia com cachaça…”

5. Para finalizar, Gonzaguinha, com aquela que poderia ser a nossa trilha sonora oficial: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz…”

Se muito se comeu, se muito se bebeu, se muito se cantou, se muito se falou naquele dia, alegria foi o que transbordou na casa de Edu, Débora e Renata.

O carinho

Edu, para esse ISB, fez mais do que nos receber. Abriu sua cozinha para os leigos. O carinho com que passou o fogão para Jorge e Eymard fez do chef um professor. Acredito que só conseguimos ensinar alguma coisa a alguém quando demonstramos o prazer que aquele conhecimento nos proporciona. O resultado pode não vir na primeira aula, mas isso, ao professor não importa. Ele tem paciência. E não importou a Edu, “arriscar” nosso almoço, deixando que os alunos o preparassem. E os alunos não decepcionaram: o molho de abobrinha e os “bifinhos” foram aprovados por todos. Ponto para professor e alunos! Às vezes nos deparamos com alunos um pouco mais tímidos, que observam de longe, mas que também conseguem se deixar contagiar pelo prazer do conhecimento. Sinto que a cada ISB venho me aproximando do fogão. Mérito do professor, de seu carinho e sua “metodologia” de presentear seus alunos com máquinas de fazer macarrão!

O carinho esteve presente também em outros momentos, como na troca de presentes. Ali não havia amigos ocultos, só amigos declarados. Os presentes materializavam o carinho do pensar no outro, de preparar-se para o encontro. Muito carinho também no sorriso de Flora e Cleide, ao ver aquele grupo invadindo a cozinha e vestindo seus aventais, previamente selecionados pela Dé.

A comunhão

Está no dicionário…

Comunhão: ato ou efeito de comungar; ação de fazer alguma coisa em comum ou o efeito dessa ação.
Confraternização: com + fraternização.
Fraternização: fraternizar + ção
Fraternizar: unir-(se) como irmão

O dcpv começou da amizade de irmãos de sangue e de vida que, desafiando a correria do dia a dia, se confraternizam toda terça-feira. O ISB começou do desejo de confraternizar-se com novos amigos. O ISBFV selou a amizade, com uma confraternização em torno da mesa e da massa. Nada, nesse encontro, foi mais significativo para mim do que a massa preparada a vinte mãos. Um quilo de farinha de trigo 00, 10 ovos e 10 porções de amizade, misturados delicadamente, incorporando cada um dos ingredientes. Até a aluna tímida colocou a mão na massa, com a ajuda de Déo e sob o olhar atento e muito riso de todos os outros.

Esse foi nosso ISBFV: uma alegre e carinhosa comunhão de amigos. Assustei-me ao perceber que o relato desse ISB, síntese de todos os outros, ficara menor que os demais. Mas foi então que me lembrei de um provérbio chinês que diz: “Às vezes, as palavras mais significativas são aquelas que não são ditas”.

NR – Este foi o 3º relato sobre o encontro iessebeviano, o da Drix (os outros dois foram o meu e o da Sueli). Ainda restam o do Eymard e o do Mingão (que garantiu que vai escrever! rs). Aguardemmmmmmmm!

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dcpv – giorno cuatro – roma – itália – a biga moderna

11/11/2011

Giorno Cuatro – Roma – Itália – A biga moderna.

Incrível; mais um dia de sol em pleno outono romano.

Os próprios italianos estão surpresos com tanto calor pra esta época do ano.

E seria um dia totalmente dedicado à Roma antiga.

Pela manhã, um passeio pelo nosso queridinho Coliseu.

Tudo bem que o Pantheon é mais bem conservado. Mas, eu não sei exatamente o que o Coliseu tem pra nos deixar tão atraídos por ele?

Chegamos cedo e com o ingresso comprado pela internet (faça por que vale a pena furar aquela fila toda).

O resto é o de sempre.

Aquela opulência …

… aquela onipresença, …

… aquela história, …

… enfim, tudo te deixa curioso o suficiente pra pesquisar e verificar como era realmente a utilização daquele monumento pro que ele foi projetado.

Vimos até uma interação entre as pessoas da nossa época, dita turistas, com os temíveis gladiadores fumantes! :)

Todos sabemos que ele, o Colosseum, serviu pruma série de coisas não muito sérias, inclusive, pra tal politica do Pão&Circo, mas que impressiona; ah, impressiona.

Além dele ser extremamente fotogênico.

Tentamos entrar no Fórum Romano, mas adiamos pra amanhã (o ingresso do Coliseu vale pro Fórum e pro Palatino também e por dois dias), pois tinhamos que almoçar antes do nosso tour da tarde.

No caminho, verificamos a expansão do Império Romano …

… e passamos pelo pai dos supermercados (o do Trajano), …

Resolvemos subir até a Piazza Venezia e o monumento a Vittorio Emanuele (a famosa máquina de escrever, segundo os italianos).

E ali perto, escolhemos mais uma enoteca, desta vez a Corsi.

Mais um lugar italianíssimo com poucos turistas e muitos locais.

Simples, como a maioria delas, mas com comida de qualidade.

Pedimos uma lasagna de alcachofra pra Dé e …

bacalhau com batatas e tomates pra mim, …

… além duma jarra de vinho branco da casa (de Lazio) e curtimos a vista da rua já que estávamos praticamente nela.

Deu vontade de comer um pouco de açúcar. Optamos por uma fatia da torta da Nonna, uma massa saborosa com um creme maravilhoso e um gosto acentuado de limão.

E, no horário, fomos andar nas tais bigas. São bem modernas.

Na verdade, são Segway. Contratamos um passeio na Rome by Segway Tours com um guia que comentaria tudo em inglês, mas que por sermos somente eu e a Dé, optamos por comentários em italiano mesmo.

Fizemos a tal adaptação de 10 minutos (já tínhamos experiência do tour em Madri) e partimos pra seguir o roteiro pré-determinado.

Que por sinal, seria descer pela Via del Foro Imperiale e chegar ao Coliseu (olha ele aí de novo).

Como já tínhamos feito a visita interna pela manhã, a complementação das informações foi primordial.

Ficamos sabendo dum montão de coisas que o guia Ferdinando nos informou. Inclusive que, já naquela época as super-produções existiam a ponto de todos os espetáculos terem uma direção perfeita; leões entravam na arena na hora correta e até cenários selvagens eram montados lá dentro. It’s showtime!

Depois disso, passamos pelo Arco de Constantino

… e num bonus do guia, subimos toda a colina do Aventino onde além de termos a oportunidade de apreciar uma das mais belas vistas de toda a cidade, …

… ainda nos foi mostrado um segredo bem guardado.

Na embaixada de Malta existe um buraco no portão, o famoso olho mágico. Quando você olha através dele …

… tem um grande surpresa ao ver um jardim com um carramanchão perfeito em que centralizada, se vislumbra ao fundo, a cúpula da Basilica de São Pedro. Lindo! (Eu juro que ela está lá no fim da foto! rs)

Voltamos pro roteiro original, passando pelo Circo Máximo (o autódromo de fórmula 1 das bigas), …

… pelo Capitolino e seus Musei Capitolini, …

… e pela imagem símbolo da cidade, a Loba amamentando os gêmeos Rômulo e Remo; …

…subimos ao monte pra ter uma visão perfeita de todo o Forum Romano,…

… com tudo o que se pode imaginar.

3 horas depois, voltamos ao ponto inicial, satisfeitos com tudo o que nos foi passado.

Achamos o tour extraordinário. Ele é obrigatório pra quem está em Roma e quer entender a ascenção e queda dum grande Império.

Voltamos ao hotel e tínhamos resolvido trocar o restaurante reservado (escolhi o hyppado Dal Bolognese), quando pedi pra concierge cancelar a da outra enoteca que iríamos.

Ela não só me demoveu da idéia (o Dal Bolognese é overpriced, disse ela) como nos intimou a ir a Cavour 313.

E foi a nossa sorte.

O lugar é muito bom e pra variar, só trabalha com ótimos ingredientes.

Resultado? Comemos salumi e fromaggi com uma qualidade imensa.

Mussarela de búfala, lardo (uma das coisas mais gordurosas que experimentei na vida), salames, vários tipos de queijo …

…com destaque pra mussarela defumada e …

… pro excelente vinho branco Malvasia Rumon de Lazio. Foi uma verdadeira festa italiana.

Que como tal teria que acabar com uma ótima sobremesa: um tiramisu de lavanda com uma cobertura de chocolate branco. Um “spetaccolo”.

Pronto! Tivemos mais um dia romano típico.

E deu pra imaginar como é que seriam as corridas no Circo Máximo se os gladiadores usassem Segways em vez de bigas.

Será que o Da Vinci já não tinho antevisto a criação destes bichinhos?

Arrivederci.

Acompanhe os outros dias desta viagem:
Giorno uno – Roma – Mucho gusto. Molto ‘Gusto.
Giorno due –Roma – A primeira (e a segunda, e a terceira, e a enésima) vez na Pizzerie Bafetto a gente nunca esquece.
Giorno Tre – Roma – Itália – Aquarela do Brasile nos jardins do Vaticano.

 

dcpv – adriá by our own

13/12/2011
número 310

Adriá by our own.

Sou fã número 1 e inconteste do Paladar e das crônicas sobre restaurantes que o Luiz Américo Camargo publica por lá.

E em qualquer significado, seja no formato “sabor – essa iguaria não tem paladar; gosto, faculdade de apreciar belezas“; seja no formato caderno de jornal (vide Estadão as quintas-feiras).

Foi na quinta passada (8/12) que eu li a matéria das páginas centrais onde as repórteres Patrícia Ferraz, Janaína Fidalgo, Olívia Fraga e Lucineia Nunes (coadjuvadas pela Neusa, pelo ótimo Luiz Horta e pelo José Barattino, este, chef do restaurante do hotel Emiliano) reproduziram algumas das refeições do livro The Family Meal de autoria do não menos famoso Ferran Adriá.

Nele, ele indica as comidas que a brigada do extinto elBulli “traçava” nos intervalos dos inúmeros e exaustivos trabalhos (eu já encomendei o meu na Amazon.com).

Portanto, não espere muita comida molecular neste menu, já que toda vez que o Adriá é citado, a tal molecular vem atrás (sabe aquela história de aonde a vaca vai …)

Mas, pra não decepcionar os fãs dele e devido a exiguidade do cardápio, acrescentei uma legítima receita molecular ao menu.

Vamos lá, então.

Drink molecular – Caipirinha

Moléculas de Absolut com moléculas de limão = caipirinha molecular ! :)

Entradas – Gaspacho e Espuma de Maionese com Aspargos.

Parece um Gaspacho normal. Mas não é.

Existem alguns pulos do gato que valem a pena ser feitos já que o resultado é impressionante. Comece colocando um pouco de água numa panela e 3 dentes de alho descascados. Quando ferver, tire os alhos e jogue-os numa tigela com água e gelo.

Repita duas vezes o procedimento e leve ao liquidificador. Descasque e pique 2 cebolas, 60 g de pepino, 60 g de pimentão, 1 kg de tomates e junte ao alho no liquidificador.

Adicione 60 g de pão sem casca, 1/2 xícara de água, 1/2 xícara de azeite, 2 colheres de sopa de vinagre de Jerez e 1 colher de sopa de maionese.

Peneire e leve à geladeira.

Antes de servir, corte em cubos, 240g de pão branco sem casca e frite em duas xícaras de azeite.

Escorra, ponha sobre o gaspacho e seja feliz.

Quanto a espuma, misture 200 ml de óleo de girassol, 50 ml de azeite, 3 gemas, 2 ovos inteiros, 1 e 1/2 colher de chá de mostarda, 1 e 1/2 colher de chá de vinagre de Jerez, 1 e 1/2 colher de chá de sal num tigela e bata com um fuet até obter uma emulsão.

Peneire e encha o sifão utilizando um funil. Carregue a cápsula, sacuda bem (o sifão!) e mantenha aquecido em banho-maria a cerca de 65ºC.

Utilize aspargos em vidro (abusei um pouco e incluí baby-cenouras), salpique cascas de limão e folhas de hortelã.

Junte a maionese quente e …

… sirva imediatamente.

Ô entradinha bonita e gostosa, sô!

Tomamos, conforme indicado pelo Luiz Horta, uma taça de Jerez Fino Tio Pepe que foi “legal, … da bossa, josé macia, porresco” segundo os eletrónicos, nós mesmos.

Principal – Arroz negro

Inicie o processo todo pelo sofrito (calma, nada de sofrimento). Processe (procure o seu advogado!) uma cabeça de alho e refogue em duas colheres de chá de azeite numa frigideira até dourar. Adicione 1 e 1/3 xícara de cebola processada e frite um pouco.

Abaixe o fogo, junte 2 folhas de louro, um ramo de alecrim e outro de tomilho. Acrescente 190 g de purê de tomate, cozinhe por 30 min e tempere com sal e pimenta. Reserve.

Pra preparar a picada (será o fim?), triture 1 cabeça de alho, 1 colher de chá de açafrão, 2/3 de xícara de chá de salsinha, 2 colheres de sopa de azeite e 1 xícara de chá de avelã.

Já pro arroz, limpe 700 g de lula fresca (usei um pouquinho de polvo. Especialmente porque também sou filho de Deus! rs), corte em pedaços e frite em 1/3 de xícara de azeite até dourar.

Adicione o sofrito e cozinhe em fogo médio. Junte um pouco de água se grudar.
Ponha o arroz e refogue.

Coloque uma concha de caldo de peixe e mexa até absorver. Vá adicionando caldo suficiente até que o arroz cozinhe (o mesmo principio dum risotto) e a tinta de lula, até que escureça (o arroz!)

Adicione duas colheres da picada, cozinhe até o líquido ser absorvido e o arroz ficar macio.

Tempere com sal e sirva.

É uma delícia e com esta comida, até nós trabalhávamos de graça pro Ferran.

Seguimos o mestre Horta e tomamos um branco, o Douro Tons 2010 Portugal que foi “tchitchiliano, blanco, cores, mentolesco” segundo os neutrónicos, nós mesmos.

Sobremesa – Pão com chocolate.

Esta é a mais simples delas.

Basta levar ao forno seis fatias de pão italiano até dourar.

Enquanto isso rale chocolate 60% (eu só tinha o de 70%. rs)

Quando o pão estiver torrado, tire do forno e cubra cada fatia com o chocolate ralado, um fio de azeite e flor de Sal.

Legalzinho, mas também um pouco sem graça. Mesmo acompanhado dum bom conhaque.

Ainda bem que, assim como na experiência das meninas, nós tinhamos trazido um bom turrón espanhol de pistache. Este é dos bons!

Eis a opinião dos lavadores de pratos:

Ficamos “ferrados” por este banquete. Simplesmente “adriático”. (Edu)
Quero esse emprego, só pela refeição. (Mingão)
Eu também. (Deo)

Bom, esta experiência mostrou mais uma vez o porque do Paladar ser, certamente, a melhor publicação sobre gastronomia do Brasil (e é claro que o staff todo está no mesmo nível).

Afinal de contas, além de informar muito e bem, de ter um padrão estético incrível, ele te proporciona uma experiência como esta em que você pode se sentir, ao menos na hora da refeição, como um tripulante da nau elBulli, que espero conhecer quando da sua reinauguração (se bem que pelo que entendi, não será no mesmo formato anterior).

Portanto, faça este menu em casa também. Quem sabe o Ferran não chegue pra fazer uma visitinha e não traga alguma coisinha pra fazer um nham-nham? :)

Hasta.

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