Arquivo de junho \30\UTC 2012

dcpv – ava na guila, ava na guila, ava na disney…

25/05/2012

Ava na guila, ava na guila, ava na disney…

Eu sempre tive curiosidade em saber como é a comida dos judeus.

Toda vez que passo no sex shop, tenho vontade de trazer coisas que tenham a ver com a preparação pro Shabat (dia do descanso, comemorado a partir do entardecer de sexta-feira até o final de sábado); pro Yom Kipur (o dia do perdão); pro Pessach (a Páscoa judaica, que celebra a saída dos judeus do Egito, liderados por Moisés) ou pro Rosh Hashaná (o ano novo judaico, comemorado durante dois dias entre o final de setembro e meados de outubro, conforme o calendário judaico).

E até mesmo experimentar os alimentos kosher (que em hebraico significa bom e próprio).

A oportunidade veio com a compra de mais um daqueles livrinhos de R$ 2,99 da coleção Cozinha do Mundo da Abril, o sobre Israel.

As babe, como são chamadas as avós em dialeto iídiche, são as grandes responsáveis pela preservação da culinária judaica. Passadas de mãe para filha, as receitas sobreviveram ao longo dos séculos, mesmo dispersas por vários países. Não por acaso, enquanto chefs do mundo todo são na maioria homens, as mulheres permanecem as grandes chefs da gastronomia judaica”.

Vamos lá, pois.

Bebidinhas – Caipirinha de caju

Uma batida contendo uma simples fruta representante da mais autêntica culinária judaica, o caju. 🙂

Entrada I – Cebola frita.

Mais simples, impossível.

Coloque 4 cebolas grandes cortadas em cubos pequenos numa panela com 600 ml de óleo frio.

Ligue o fogo na temperatura máxima e frite as cebolas por 30 minutos, ou até ficarem bem douradas, mexendo sempre.

Depois, tire-as do óleo e escorra-as em papel toalha. Sirva em seguida.

Entrada II – Tzimes de cenoura.

Outra muito simples.

Refogue 4 cenouras cortadas em rodelas na manteiga numa frigideira de borda alta, mexendo sempre, por 2 minutos.

Adicione sal, diminua o fogo e acrescente suco de 1 laranja e 2 colheres de sopa de mel, misturando pra que tudo fico dissolvido.

Cozinhe com a frigideira tampada por 25 minutos, ou até as cenouras estarem macias. Sirva em seguida.

Entrada III – Salada de batata com especiarias.

Pra variar, esta receita também é muito fácil.

Cozinhe 6 batatas médias com casca em água e sal por 20 minutos. Escorra-as, descasque-as e corte-as em cubos pequenos, enquanto ainda estiverem quentes.

Numa vasilha, misture- as com 1/4 xícara de chá de azeite de oliva, 1/2 xícara de suco de limão, 1 colher de chá de pimenta da Jamaica, 1 colher de chá de cominho, 1 colher de chá de pimenta branca moída na hora, sal, cebolinha francesa e salsinha cortadas finamente a gosto.

Disponha as batatas temperadas numa travessa , junte 2 ovos cozidos cortados grosseiramente, mexa e sirva.

Entrada IV – Salada de pepino com creme azedo.

Fácil de novo.

Prepare o creme azedo da seguinte maneira: bata 500 ml de creme de leite com suco de 1/2 limão até obter uma mistura cremosa.

Enquanto isso prepare a salada: numa vasilha junte suco de 1 limão, 2 colheres de sopa de dill fresco, 1/2 colher de chá de pimenta do reino moída, sal e o creme azedo. Bata até obter um molho homogêneo.

Acrescente 2 pepinos cortados em lâminas e deixe na geladeira por 4 horas antes de servir.

Resultado final da equação : I + II + III + IV = delícia total.

É um prato muito saboroso, especialmente pros veggies. A Dé adorou!

Tomamos uma ótima cava espanhola pra acompanhar, a Cava Raventos i Blanc Gran Reserva 2006.

Principal – Frango assado com ervas e mel.

Esta receita é a menos fácil de todas as que formam este menu.

Pra fazê-la, basta temperar 4 coxas e sobrecoxas de frango com pele, com 1 colher de chá de páprica doce, 2 dentes de alho picados, sal e pimenta a gosto.

Coloque o frango numa assadeira, adicione ramos de tomilho …

… e cubra com papel-alumínio.

Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC, por 30 minutos.

Tire do forno, retire o papel-alumínio e coloque 2 xícaras de chá de vinho branco, o mesmo de caldo de frango e 2 batatas grandes cortadas em cubos.

À parte, misture 1/2 xícara chá de mel e suco de 1 limão.

Regue o frango com esta mistura e retorne a assadeira ao forno por mais 30 minutos ou até que o frango fique bem dourado. Sirva em seguida.
E olhe; ficou uma delícia.

Acompanhamos com um tinto chileno delicioso, o Special Edition Cordillera Maipo 2010.

Sobremesa – Bolo de semolina com damasco.

Este bolo tem realmente um jeitão daqueles de antigamente. Prepare a massa numa vasilha: misture 1 e 1/2 xícara de chá de semolina, o mesmo de farinha de trigo, 1 colher de chá de fermento em pó e 1/2 xícara de chá de açúcar.

Mexa bem e acrescente 200g de margarina, 1 copo de iogurte e 1/2 xícara de chá de coco. Mexa novamente até formar uma massa homogênea.

Coloque esta mistura numa forma retangular e leve ao forno pré- aquecido a 180ºC por 25 minutos.

Prepare uma calda com 3 xícaras de água e 1 xícara de açúcar. Acrescente suco de 1 limão.

Despeje esta calda sobre o bolo e decore com damascos.

“A história de um povo pode ser contada por seus hábitos à mesa. E para os judeus, que até 1948, ano do estabelecimento do Estado de Israel, não contavam com um país, a culinária sempre representou um forte ponto de identidade. Por esse motivo, a gastronomia judaica, além de saborosa, é temperada de simbolismos e tradições”.

Sabe que eu nunca tinha visto por este ângulo? Experimente a cozinha judaica. Você não se arrependerá (ops).

Lehitra’ot.

Nota da redação – Aconteceu um pequeno problema com as fotos originais deste post. Acontece que, sem querer, eu apaguei as que fizemos na noite da confraria.

E como ficamos de fazer um almoço pro pessoal que iria (na verdade, já estão lá há um mês) trabalhar na Disney (Guilherme, Mari, Aline,Marcelo, Rafa e a Re), resolvemos repetir o mesmo menu e assim, aproveitar as fotos deste domingo.
De qualquer forma, fica a brincadeira de encontrar os Hidden Mickeys, certo?

Bye.

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dcpv – paris – frança – septième jour – flanando pela cidade luz (especialmente por saint germain)

2/05/2012

Paris – França – Septième Jour – Flanando pela Cidade Luz (especialmente por Saint Germain).

Planejamos toda esta parte da viagem parisiense  pensando em flanar.

A idéia seria passar cada dia numa região conhecida e andando o máximo possível.

Sendo assim, deixamos espaço nesta quarta pra andarmos pela região de St Germain, localidade em que a Lourdes e o Eymard são especialistas.

E se chovesse?

Talvez fôssemos em alguns museus, mas mesmo assim insistiríamos em flanar.

Começamos o broncolhão dia com um café da manhã no restaurante da L’Opera, que fica bem em frente ao hotel (o nosso quarto tem vista pra ela).

O café foi honesto e valeu muito por conhecermos o projeto arquitetônico do lugar.

Ele é todo vermelho …

… e tem um mezanino com estilo da casa dos Flintstones, que foi executado no amplo salão de pé-direito duplo.

Enfim, uma beleza.

Dali começamos efetivamente o nosso tour.

Atravessamos a Place Vendôme, …

…o Jardin des Tuileries, …

… o Louvre, …

… o Sena e …

… subimos a rue de Seine, com destino a Saint Germain.

Lá passamos no Pierre Hermé, …

… no Marché Saint-Germain-des-Prés, (este vale o fotoblog)…

… na afamada Boulangerie Poilâne, …

… e na Grande Epicerie, um verdadeiro e completo sex shop (este vale mais um fotoblog).

Ah, vocês acreditam que o Eymard, grande presidente que é, foi reconhecido por uma fã dele e do Conexão Paris em pleno mercado?

Como tínhamos uma reserva e estávamos com fome, partimos pro restaurante L’Epi Dupin, que fica ali pertinho.

Ele é um bistrô pequeno e muito bem apessoado.

A casa estava cheia e ainda mais, com a chuva que começou a cair.

O cardápio é daqueles bem tipicões em que tudo o que pode ser servido está numa lousa.

Resumindo: todos pedimos o menu du jour composto de entrada+principal.

A Lourdes pediu cone de canard

… e bacalhau.

A Dé, aspargos brancos

… e dorade.

O Eymard, aspargos brancos

… e coxa confitada de pato com batatas.

Eu, cone de canard

… e outra coxa de pato confit (estávamos treinando pro La Tour d’Argent).

Ou seja, todos pedimos excelentes combinações dos pratos disponíveis. Tomamos um correto vinho tinto Margaux 2008.

Tudo esteve absolutamente perfeito e no ponto certo, seja em quantidade, seja em qualidade.

Como sobremesas, nos demos de presente, jóias comestíveis do Hermé.

Voltamos no sentido do hotel, apesar da chuva continuar intermitente.

Passeamos muito e ainda conhecemos superficialmente um museu pequeno, mas muito interessante, o de Letras e Manuscritos.

Ele fica quase que escondido e o princípio é mostrar ao público uma série de manuscritos famosos e melhor, autênticos.

Como a chuva ameaçou apertar, nós também apertamos o passo.

E devido a coincidência de percurso, aproveitamos pra conhecer a Maison Angelina, uma confiteria anunciada como a que faz o melhor chocolate do mundo.

Todos experimentamos e a conclusão é que o chocolate poderia ser menos doce, um pouco mais líquido e um pouco menor.

Ou seja, apesar do lugar classudo, …

… está longe de ser o melhor que tomamos nas nossas vidas!

Continuamos o passeio e resolvemos passar na Editions de Parfums Frederic Malle, uma loja especializada neles e que tem somente 18 fragrâncias exclusivas pra oferecer aos seus clientes.

Você faz vários testes (foi que todos fizemos ) até conseguir encontrar a ideal. A partir daí, você tem um perfume pra chamar de seu e caso precise de refil, eles despacham pra sua casa.

A chuva apertou mais ainda e não tivemos outra saída a não ser voltar pro hotel.

Frize-se que ele foi recém-inaugurado e talvez seja por isso que a equipe seja tão atrapalhada. Isto não é normal pro padrão W a que estamos acostumados (era um tal do simpático concierge português Thiaguinho dizer “midisssculpi” pra cá, “midisssculpi” pra lá).

E por causa destas trapalhadas, quase ficamos sem a nossa reserva pro jantar.

Ela foi caçada no laço e após tentarmos uma série de estabelecimentos, conseguimos uma mesa no Maison Blanche.

Ele fica na Av Montaigne e tem como trunfo, além da boa comida, uma vista espetacular da Torre Eiffel (tome nota: só no terraço!).

Como o tempo não estava bom, fomos alojados numa mesa interna que não tinha a tal vista.

Mesmo assim nos divertimos muito. Pedimos somente os pratos principais. E esta tática é muito boa, já que a grande maioria dos restaurantes mandam vários amuses como “agrados”.

Aqui não foi diferente.

Vieram um creme de aspargos com queijo e uma sopinha de alcachofra com crocante de bacon.

Optamos todos por comer peixes, pois assim pediríamos um bom vinho branco. A Lourdes e a Dé foram de Saint Pierre com tapenade de algas e abobrinhas, polenta e coulis de tomates, …

… o Eymard de Lotte e purê de batatas com leite de coco e páprica doce, …

… e eu, de Truta defumada e crocante com coulis de manjericão e caviar de truta.

Todos ótimos e harmonizados com o não menos, Mersault Domaine Michel Lafarge.

Ainda experimentamos duas sobremesas iguais pra todo mundo dividir: ruibarbo tempurá, creme brulée e sorvete de queijo.

Como desculpa pra subir ao terraço, pedimos dois cafezinhos …

… e tivemos, como brinde, estas vistas.

Demais, né?

É de perder o fôlego …

… e dá vontade de passar a noite toda lá.

Terminamos este devaneio no mais alto astral. Até tiramos fotos com os pezinhos levantados, como se estivéssemos na Ilha de Caras. 🙂

Au revoir.

Leia sobre os outros dias desta viagem:
Premier journée – Borgonha – França – Visitamos o hospício de Beaune.
Borgonha – França – Deuxième jour – Pisando no solo do Romanée-Conti.
Troisième jour – Beaune – França – Cozinhando na Borgonha
Quatrième jour – Borgonha – França – Duvido que você conheça (ou tenha ouvido falar) de Quarré-les-Tombes?
Cinquième jour – Borgonha – França – Com minha besta, abati a Abadia de Fontenay
Sixième jour- Borgonha – França – Chablis, conexão pra Paris.

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dcpv – barcelona – espanha – a fúria ferrazense

número 312
10/01/2012

BarcelonaEspanhaA Fúria Ferrazense

Como é de praxe, toda reunião logo após o nosso retorno de alguma viagem é calcada no que poderíamos chamar de “excesso de bagagem”.

E desta vez não seria diferente.

Afinal de contas, ninguém passa inúmeras vezes por estabelecimentos consagrados (vide Fargas e La Pineda) ou mesmo por La Boqueria sem agregar um peso valioso às coisas adquiridas.

Então, só me restou transformar tudo numa verdadeira taverna, com os respectivos tapas.

Vamos lá!

Bebidinhas – Tinto de Verano

Começamos os trabalhos tomando belíssimos Tintos de Verano, que por ser inverno na Península Ibérica, não vimos nem a cor e muito menos o cheiro.

Tapas – Variados

Iniciei tudo por uma receita clássica: batatas bravas.

Cozinhei um pouco as batatas, tirei a pele e cortei em pedaços irregulares.

Depois fritei em azeite quente.

O molho, o grande segredo, foi feito com tomates pelados, muita páprica picante e um pouquinho de vinagre.

Juntei os dois e tínhamos um legítimo representante da culinária catalã. Vimos inúmeras apresentações e interpretações deste prato lá em Barcelona.

Assim como as tortillas também de batatas. Pra fazer, basta cortá-las em finas fatias e fritá-las lentamente em azeite junto com cebolas cortadas também em fatias.

Quando começarem a ficar crocantes, adicione ovos batidos o suficiente pra fazer como uma torta.

Tempere com sal e pimenta do reino e faça o malabarismo de virá-la pra que fique tostada uniformemente.

Parece uma pizza de batatas e ovos.

Abri também um pacote de anchovas frescas temperadas,

 uma lata de pimientos de piquillo, …

…e machas que estavam deliciosas.

Não poderia faltar o pa amb tomaquet, mais conhecido como pão com tomate.

Utilizei pão italiano torrado (quase uma heresia!! rs), …

… tomates doces e ligeiramente batidos, …

… azeite e flor de sal, além de acompanhar com presunto de Parma e queijo Manchego.

Uma delícia.

Pra completar, uma receita que a Dé adorou: ovos esfarelados. Ovos cozidos, …

… amassados com um garfo …

… e adicionados a uma pasta de aliche e alho.

Simples e muito bom, como as tapas devem ser.

Não poderíamos deixar de tomar uma boa cava, a Segura Viudas Lavit que foi “esburacada, segura peão, messiânica, loco abreu”, segundo os espanholitos, nós mesmos.

Sobremesa – Crema Catalana (de canela).

Esta “canelada” na crema foi por minha conta. Deixa eu explicar o porquê.

Peguei uma receita em que se pedia canela em pau pra utilizar no concepção do crema.

Como eu não tinha, usei em pó, só que com uma quantidade, digamos, exagerada.

Resultado? Inventei o Crema Canelana.

E ficou muito bom, com direito a maçarico e tudo o mais.

Eis a opinião dos adoradores do Messi:

Comida buena. E viva a España! (Edu)
Como diria Gaudi: petáculo! (Mingão)
Me “quedei” a los sabores simples e majestosos. (Deo)

Bom, parece que um novo tipo de efeméride está surgindo por aqui.

Aquela que  mostra que a cada vez que voltamos duma viagem, a influência gastronômica também nos acompanha (além do peso das malas), o que nos obriga a fazer uma degustação temática.

Hasta, si us plau!

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dcpv – sixième jour- borgonha – frança – chablis, conexão pra paris.

01/05/12

Borgonha – Sixième jour – Borgonha – França – Chablis, conexão pra Paris.

Dia de ir pra Paris.

Acordamos no horário normal (7:00hs) e lá pelas 9:00hs estávamos todos tomando café.

Entre arrumar todas as malas (e tralhas), acabamos saindo duas horas depois do hotel.

E pensamos em conhecer cidades pequenas e bacanas no caminho até Chablis, a região que produz grandes vinhos brancos.

A primeira parada foi em Epoisses, a cidade que produz o excelente queijo homônimo.

Demos uma boa olhada em tudo, vimos a centro histórico e não encontramos nenhuma fromagerie aberta.

Frize-se que as estradinhas (escolhemos a opção sem pedágios na Marie, o nosso GPS) são lindas, …

… com destaque pras inúmeras plantações de canola…

… que dão um tom verde-amarelo (seria uma homenagem?) …

…pra tudo.

Próxima parada? Noyers.

Só que pra chegarmos lá, cruzamos com Guillon, este sim, um lugar pra chamar de seu.

São casinhas a beira-rio que tem um jeitão bem bucólico …

…e paisagens de calendário.

Parece um cenário de filmes de Hollywood.

Mais uma vez a estrada se transformou em ator principal, …

… e finalmente, chegamos a Noyers (a cidade onde as ruas tem nomes bonitos), …

…que por incrível que pareça, é mais bacana do que todas as cidadezinhas bonitas que vimos.

A entrada da cidade fortificada é incrível e o portão dá a dimensão do que você encontrará por lá.

O centro medieval é muito intrigante e encontramos um restaurante tão interessante que resolvemos não almoçar em Chablis.

Preferimos conhecer o Les Millésimes (um dos empreendimentos das Organizações Maison Paillot) e curtir o que de melhor a Borgonha pode te proporcionar.

Toda a família trabalha no estabelecimento (pai, mãe e filhos) e você sente o carinho com que eles encaram o negócio.

Escolhemos as combinações (entrada+principal+sobremesa).

Antes disso e pra variar, nos serviram ótimas gougères.

A Dé e a Lourdes foram de Galantine d’Ecrevisse, …

… o Eymard de Tourte a l’Epoisse

… e eu, num prato da mais original charcuterie.

Tudo isto escoltado por um Pouilly-Fuissé Les Carrons Domaine Robert-Denogent, …

… servido duma forma muito bacana (será que foi o Pierre ou o Vincent que nos serviu?), …

… e aberto dum jeito mais ainda.

Continuamos nos maravilhando com tudo e enquanto isso, os principais chegaram.

A Dé experimentou o Filet de Cabillade, um peixe branco muito bom.

O Eymard pediu um Jambom au Chablis, que são fatias enroladas do mesmo com o acompanhamento de vegetais crocantes.

A Lourdes e eu fomos num Boeuf a Bourguignon muito bom, bem condimentado e escoltado por um purê de batatas (o famoso “pirrê”).

Como sobremesas, Tiramisu

… e os aguardados queijos.

Pedimos cafés (estes cogumelos de madeira são vendidos. Compramos um e estou procurando o danado até agora! rs), …

….que seriam tomados lá fora e ao sol.

Pagamos a conta …

…e, finalmente, rumamos pra Chablis.

Quando estávamos indo embora, vimos o nosso atendente servindo uma bebida destilada num formato inusitado…

… e é claro que resolvemos pedir também.

Parecia uma grapa que combinava muito bem com o cheiro e o resto do café que estava na xícara.

Como já era tarde (próximo das 16:00hs), e quase tudo estava fechado, optamos por passar numa boa vinícola, a William Fevre, e comprarmos alguns Grands Crus.

Note-se que a cidade é muito bonita (que novidade!) e…

… tem um jeitão bem simpático.

Pegamos os possantes e zarpamos pra Paris.

São 200km e quase duas horas dum passeio em excelentes estradas.

Chegamos ao nosso botel, o W, na capital francesa, com a perspectiva de encontrar um lugar moderno, …

… transado …

…e hype.

Encontramos tudo isso, e pior, no nosso caso, quartos minúsculos (o da Lourdes e do Eymard era bem maior) onde mal cabiam as nossas malas (dromedário incluso).

Tentamos em vão trocar de categoria de quarto, mas conseguimos após um certo mal estar, mudar pra um quarto um pouquinho maior. Não seria isto que estragaria a nossa noite/estada.

Assim sendo, fomos jantar no restaurante do próprio hotel, o Pica Pica do chefe espanhol Sergi Arola (o mesmo do hotel Tivoli de SP).

E nos divertimos muito. O lugar é muito cool, trendy e extremamente bem decorado.

Ele leva o nome a sério, ou seja, todos os pratos foram criados pra serem servidos em pequenas porções e com o intuito de que o cliente “tapeie” a vontade.

Caímos de cabeça e chamamos um champagne pra abrir os trabalhos.

Escolhemos 10 dos pratos: sardines (sardinhas marinadas servidas com azeite de tomates secos) …

bacalao (com azeitonas pretas e caviar da fazenda), …

canelones (a la barcelonina, recheados com frango, porco e vitela e molho bechamel) , …

artichokes (baby-alcachofras servidas com maionese de limão), …

green aspargus (aspargos fritos num tempurá com molho Romesco), …

las bravas de Arola (as famosas batatas bravas, apimentadas e recheadas com aioli) …

vine rapes tomatoes (tomates secos servidos como salada, com azeite, Bonito defumado e azeitonas pretas), …

octopus (ele, o polvo a la brasa, com batata confitada e pimentón a la Vera) …

crabs (salada de galinha do mangue com pão preto tostado) e …

oysters (ostras preparadas de 3 formas: escabeche, fritas e com molho Ponzu)

Ah! Tivemos como couvert uma verdadeira lição de como preparar um genuíno pa amb tomaquet, ou seja, o famoso pão com tomate (pão tostado, tomate esfregado, azeite e flor de sal).

Tomamos mais um grande Cru, o Chateau Grenouiles, que casou perfeitamente com tudo. É um formato bem bacana de se fazer uma refeição.

E como estávamos um pouco cansados, optamos por ir dormir em vez de cair na balada do bar do Hotel.

Quem sabe amanhã? rs

Au revoir.

Leia sobre os outros dias desta viagem:
Premier journée – Borgonha – França – Visitamos o hospício de Beaune.
Borgonha – França – Deuxième jour – Pisando no solo do Romanée-Conti.
Troisième jour – Beaune – França – Cozinhando na Borgonha
Quatrième jour – Borgonha – França – Duvido que você conheça (ou tenha ouvido falar) de Quarré-les-Tombes?
Cinquième jour – Borgonha – França – Com minha besta, abati a Abadia de Fontenay.

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dcpv – valentine’s day na grande FV

especial, né bem?
12/06/2012

Valentine’s Day na grande FV

Hoje seria dia de comemorar do jeito costumeiro: jantar “fora”.

Nós resolvemos inovar e fazer uma bela refeição “dentro”.

Nada de filas; nada de dúvidas sobre ir num restaurante novo ou tradicional; nada de reclamar de tudo (do trânsito, da conta, do manobrista, etc).

Deixaríamos as responsabilidades pros de sempre: a Dé enfeitaria tudo e eu cozinharia (aproveitamos que o Mingão estaria em Botucatu e o Deo, sabe-se lá em que lugar do Pará!)

E cá pra nós, com uma data destas, um friozinho convidativo e esta companhia, ficar em casa e comer de acordo com o “figurino” (esta é nova! rs) é um grande prazer.

Vou dar um conselho (pros maridos, claro!): faça um jantarzinho destes pra sua esposa, e em qualquer data. Ela vai adorar.

Vamos lá.

Entrada – Salada de fava, aspargo e vagem com molho de mostarda. 

Esta receita modesta é do talentoso Jamie (aquele porquinho da tv).

Basta juntar quantidades iguais de fava (usei feijões brancos em lata), …

… aspargos aparados, …

… além de vagens também aparadas …

… e ambos cozidos levemente.

Tempere com um molho especial de mostarda feito com uma colher de sopa cheia de Mostarda Dijon, …

… 2 colheres de sopa de suco de limão, 5 colheres de sopa de azeite do bom e 1 colher de chá de pimenta-do-reino moída na hora.

Pronto! Taí uma entradinha que agrada as mulheres.

Você já vou alguma delas não gostar de saladas?

E como a data requere, tomamos um Champagne verdadeiro, o Laurent-Perrier que acrescentou “buinhas” ao nosso namoro.

Principal – Risotto di salmone e mascarpone

É claro que você tem que pesquisar e encontrar alguma receita que seja interessante.

Mas é mais claro ainda que esta receita se encaixe nos ingredientes que você ja tem. Foi o caso do mascarpone e do salmão defumado.

Eles estavam disponíveis aqui em casa e só tive o trabalho de lembrar como encaixá-los numa criação do Boseggia. Vamos a mais uma aula risotística (estas quantidades são pra dois pombinhos).

Doure 1/4 de colher de sopa de cebola picada em um pouco de manteiga e 1/2 colher de sopa de azeite.

Junte 100 g de salmão defumado em tiras …

… e flambe com 1/8 de xícara de vodka (quanto mais bebida, melhor!). Reserve.

Numa outra panela, doure 1/2 colher de sopa de cebola picada em um pouco de manteiga e 1/2 colher de sopa de azeite. Junte 90g de arroz carnaroli e regue por alguns minutos.

Adicione caldo de peixe aos poucos e quase em ponto de fervura.

Cozinhe por aprox 18 minutos, mexendo de vez em quando (a medida que o arroz for secando, coloque mais caldo).

Experimente e veja se o arroz está al dente.

Acrescente o salmão e 100g de mascarpone.

Misture delicadamente (cuidado com a delicadeza! rs), polvilhando com 1 colher de sopa de cebolinha em pedaços.

Deixe descansar um pouquinho e sirva. Putz! Ficou uma delícia.

E como a ocasião pedia, tomamos um Grand Cru, o Corton-Charlemagne Bouchard Père et Fils 2008 que upgradeaou tudo.

Sobremesa – Cuscuz doce 

Mais uma do little pig.

Só que desta vez escolhida sobre medida pra Dé. Ela é fã de cuscuz.

A idéia principal é hidratar 100g de cuscuz marroquino numa panela média, junto com 275 ml de leite e 1 colher de sopa de mel, mexendo de vez em quando. Não cozinhe demais, pois o objetivo é obter uma consistencia bem líquida.

Enquanto isso, coloque 100g de damasco seco picado numa vasilha com raspa de uma laranja. Encha com água fervendo apenas na quantidade suficiente para cobrí-los.

Coloque esta mistura num liquidificador, adicione o suco de metade duma laranja e bata até formar um purê.

Torre 1 punhado de pistaches descascados …

… e ao final, coloque uma colher de sopa de mel.

Monte colocando o purê de damasco e os pistaches “melizados” sobre o cuscuz..

Delicioso.

Eis a opinião dos pombinhos:

O amor é lindo. (Dé)
O amor é lindo. (Edu)

Bom é isso! Fuja da bagunça do Dia dos Namorados e faça um belo jantar na sua casa.

A sua namorada, noiva, patroa, esposa, companheira ,whatever vai adorar.

Faça e não se arrependerá! Né, Dé?

É sim! Bchos

Hasta.

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dcpv – o brasil vai lançar um foguete, cuba também vai lançar …

03/04/12
número 319

O Brasil vai lançar um foguete, Cuba também vai lançar

Mais uma curiosidade será desvendada. Sempre quis saber como é a alimentação dos cubanos, com todas as limitações de ingredientes que lhes são impostas.

A imagem que se tem é que por lá existe uma comida com estilo caribenho, misturando doce/salgado e coisas exóticas.

A verdade é que por causa da colonização espanhola, restaram poucas lembranças dos hábitos culinários anteriores dos cubanos.

E junte-se a esta, a influência da culinária africana (proveniente dos escravos), além da necessidade de se fazer uma comida com sustância, por razões óbvias.

Com esta mistura toda, surgiu a cozinha criola que nada mais é do que a combinação da cozinha hispânica com produtos mais característicos de Cuba.

Vamos então preparar (e experimentar) pratos representativos da comida cubana.

Entradas – Milho frito salteado.

“Bolinho de milho talvez fosse o nome mais adequado pra esta entrada, mas em Cuba, costuma-se chamar de fritura tudo o que passa pela frigideira”

Eis os passos pra prepará-los: refogue 1 cebola grande, 1 dente de alho e 2 pimentões verdes – todos picados bem fininhos – numa frigideira com azeite.

Mantenha em fogo baixo até que estejam macios.

Adicione 250 g de tomates triturados, tempere com 1 colher de sopa de salsa, pimenta-do-reino e sal, e refogue em fogo baixo por mais 15 minutos. Reserve.

Enquanto isso, escorra 500g de milho em conserva e bata no liquidificador.

Acrescente 3 ovos batidos, 3 colheres de sopa do refogado, bata mais até obter uma massa uniforme e leve ao fogo para engrossar. Deixe esfriar.

Faça bolinhas com esta massa, passe-as pelo fubá e frite em fogo baixo, até ficarem douradas. Escorra em papel absorvente.

Coloque o restante do refogado numa panela larga e baixa com 400 ml de água, 1 colher de sopa de orégano, 1 colher de sobremesa de cominho e deixe levantar fervura.

Acrescente 150 ml de vinho branco; espere voltar a ferver.

Tampe a panela, abaixe o fogo e mantenha o cozimento por 5 minutos, antes de acrescentar as bolinhas de milho.

Ajuste o sal, cozinhe por mais 5 minutos e sirva.

Entrada II – Abóbora ao forno

“Existem receitas mais ousadas do que esta, com combinações bem mais exóticas; no entanto, nenhuma outra representa melhor a tradicional comida caseira cubana, típica dos almoços de domingo”

Descasque 800g de abóbora, corte-a em pedaços e coloque num tabuleiro untado. Tempere e reserve.

Doure 2 cebolas cortadas em tiras bem fininhas, 2 maços de salsa picadas e 2 dentes de alho picados numa frigideira com pouco azeite.

Tempere com 1/2 colher de sopa de hortelã, a mesma medida de manjericão fresco, pimenta-do-reino e sal. Espalhe sobre a abóbora.

Cubra-as com tomates cortados em rodelas. Tampe com papel alumínio e leve ao forno a 200ºC por 40 minutos.

Retire o papel, polvilhe com queijo ralado e deixe gratinar até que o queijo derreta ou fique dourado.

As duas entradas combinadas deram um panorama bacana do que é a culinária cubana. Meu domingo, alegre vai ser …

Demos um jeitinho na aduana e tomamos um espumante “brasileño”, o DA’DIVAS Lidio Carraro que foi “chorinho, fidedigno, maria callas, fenomenal”.

Principal – Frango bêbado

“Não é pra ninguém  assustar. Na verdade, o frango não está propriamente bêbado, apenas um pouco “tocado”

Eu acho que tocados ficamos nós. Frite 200g de chouriço (eu usei salame) cortado em rodelas numa panela larga, com 1 colher de sopa de azeite até que fique dourado. Retire-os e coloque 8 fatias de bacon, cortado em tirinhas. Doure e reserve.

Lave e seque cuidadosamente um frango de 1,5 kg cortado em pedaços. Esfregue a carne com sal e pimenta-do-reino e frite-os, na mesma gordura do bacon.

Coloque o frango frito, o chouriço/salame e o bacon em outra panela. Acrescente 50ml de rum branco e flambe.

Acrescente 300ml de vinho branco, tampe e cozinhe em fogo baixo por 40 minutos.

Ajuste o sal e a pimenta, dê uma ultima fervura …

… e sirva com um arroz (no nosso caso basmati, em homenagem a multiculturalidade cubana) …

… frito em azeite aromatizado com alho.

Ficou maravilhoso e impressionou pelo resultado final duma receita tão simples.

Acompanhamos com um vinho tinto alemão (dá-lhe ONU!!), o Württemberg Dornfelder que foi “wurttoso, cuboalemão, cubalançou, cubão”.

Sobremesa – Pudim de abacaxi

O abacaxi chegou, enfim, as sobremesas. Depois de suas participações especiais em pratos salgados, aqui está ele, afinal, num terreno mais familiar a todos: o dos doces”

Misture 3 copos de suco de abacaxi, 3 copos de leite, 1 fava de baunilha, 1 canela em pau e 150g de açúcar. Coloque em fogo baixo e deixe ferver, até obter uma calda não muito grossa. Deixe esfriar.

Acrescente 7 ovos inteiros à calda. Bata com um mixer até homogeneizar. Passe por um peneira e coloque numa forma caramelizada (usei forminhas individuais).
Coloque as formas pra cozinhar em banho-maria, por uma hora, no forno pré-aquecido a 180ºC.

Retire do forno, deixe esfriar e desenforme.

Mais uma delícia cubana. E esta capa de caramel é divertimento puro.

Leia a opinião dos guerrilheiros:

Será que o camarada Fidel come assim? Se for deste jeito, viva la revolución! (Edu)
O Brasil lançou um foguete. Cuba lançou uma espetacular culinária cubana! (Mingão)
Ai que tener ternura! (Deo)

“Poucas cozinhas foram tão cantadas e evocadas com profunda nostalgia como a cubana – uma culinária marcada pela distância , por vezes, pelo esquecimento. A gastronomia cubana conseguiu, como nenhuma outra, conservar o ar delicado e distinto que define a cozinha colonial. Em Cuba, encontraremos uma sinfonia de sabores, aromas, cores e recordações que servem de fundo musical para uma cozinha nascida na mestiçagem. Nela, o chinês convive com o africano. Esta é uma cozinha alegre e original que brilha a cada vez que nos aproximamos das iguarias das ilhas e arquipélagos que fazem a fama do Caribe”.

É isto mesmo. A comida cubana é bastante diferente e multifacetada, além de parecer realmente com aquelas comidas caseiras que a mamãe cubana faz pros seus filhinhos cubaninhos, quando elas enconfram os ingredientes, claro?

Hasta.

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dcpv – cinquième jour – borgonha – frança – com minha besta, abati a abadia de fontenay.

30/04/2012

Cinquième jour – Borgonha – França – Com minha besta, abati a Abadia de Fontenay

O dia amanheceu malucamente. Estava sol, frio e parecia que choveria.

Tomamos café da manhã e zarpamos em direção a Abadia de Fontenay que fica perto da cidade de Montbard.

Nós tínhamos conversado na noite anterior sobre a quantidade de cidades pequenas e bacanas que havia pelo caminho.

Portanto, o roteiro estava doido pra ser quebrado.

E foi só passarmos por Semur-en-Auxois pra isto acontecer.

Como não se apaixonar por este lugar tão bacana e encantador.

O centro medieval é muito interessante …

… e te leva a experimentar a sensação de como seria morar há uns 200 anos.

Além do mais, aqui dá pra entender o porque dos castelos serem construídos no topo das montanhas.

Até promenades, os aristocratas tinham pra espairar a mente.

Continuamos mais um pouco, até chegarmos a Abbaye de Fontenay.

Ela é um monumento tombado pela UNESCO e um dos mosteiros cirstercienses mais antigos da Europa.

Data de 1118 e te permite ver como viviam os monges naquela época.

A Igreja, …

…os modestos quartos,…

…a forja, …

…a padaria, …

…a enfermaria, …

…enfim, todo o conjunto é absorvido com a maior emoção.

Os jardins também são épicos, …

… e você entra no personagem.

É um passeio imperdível.

De lá, fomos direto pra Flavigny-sur-Ozerain. Esta cidade, certamente, você já viu, …

… se assistiu ao filme Chocolate com a Juliette Binoche e o Johnny Dep.

Como estávamos com fome e eram 14:00 hs, optamos por almoçar no lugar mais destacado do Tripadvisor (só depois ficamos sabendo que ele era o primeiro duma lista de um! rs). O Restaurant de l’Abbaye é pequenino e simpático.

O que não nos impediu de fazermos a, certamente, pior refeição do nosso tour (e uma das mais engraçadas). Vejam, se não?

O menu é enrolado e o serviço mais ainda. Não sabiam explicar nada.

Tanto que após várias tentavivas de explicação (inclusive, chamaram um “figura” que disse falava inglês e que pra explicar de qual parte do boi era a carne; fazia mímica e apontava pra costela!), a Lourdes acabou escolhendo um prato com um ingrediente que ela destesta: rim!
E este parecia um picadão, mas tinha um cheiro muito ruim (sem trocadilhos).

A Dé pediu o prato do jour, um Dourade ao molho de Epoisses com legumes e batata rosti. Este foi o único bom.

Eymard e eu, resolvemos escolher o gado Charollais que é o xodó dos borgonheses. E chegaram dois bonitos pedaços deles, que se mostraram praticamente crus quando experimentados.

O jeito foi pedir ao chefe que passasse um pouco mais a carne, mas s resposta dele foi lacônica e o prato retornou praticamente igual. Restou-nos comer um pouco do ótimo pão! 🙂

Pra piorar, tomamos uma garrafa dum vinho tinto Chambolle-Musigny (Lourdes, Eymard e eu) e a Dé, uma meia garrafa dum branco Sancerre, que eram somente corretos (o tinto acredito que até estava um pouco passado).

A Borgonha estava começando a nos dever, gastronomicamente falando.

Pagamos a conta e fomos passear na cidade que é a capital do bombom de anis e não do chocalate.

O mais bacana é que a cidade é a mesmíssima do filme.

Estão lá a Igreja,…

… a vista da igreja (que no filme mais se assemelhava ao El Khazneh em Petra), …

… e a loja de chocolates, que hoje é uma imobiliária (você acredita que nem vendem ao menos um chocolatinho por lá?).

Só faltaram mesmo a Juliete e o Johnny.

Com a proximidade, fomos conhecer Alise-Sainte-Reine , outra cidade bacana, com uma excelente área arqueológica galo-romana e com explicações muito boas sobre a vitória do marechal francês Vercingétorix sobre o romano Júlio Cesar.

Como o ingresso também incluia o novíssimo MuséoParc, passamos lá.

E é um passeio bem sem-graça, com uma demonstração de luta duns representantes tanto dos galos como dos romanos.

A parte arquitetônica impressiona, mas o espetáculo é muito fraco e nem as crianças se interessaram muito.

E pior, um canastrão fica fingindo que é um general e grita comandos de ordem tais como “iacultetá” (que deve significar, saia da frente e vá pra trás em algum dialeto! rs).

Não fosse pelo entorno, seria um passeio dispensável.

Ainda deu tempo de passarmos em Pouilly-en-Auxois e Chateauneuf-en-Auxois, cidades bacanas que tem como caracteristicas fazer parte do famoso canal onde barcaças percorrem os caminhos molhados da Borgonha.

E molhados ficamos nós, porque caiu um verdadeiro dilúvio.

Tínhamos um bom plano pro jantar que seria fazer um piquenique borgonhês no quarto com vinhos, queijos e pães.

Como era uma segunda, véspera de feriado, tudo fechou muito cedo. E é claro que quando chegamos em Saulieu, não tinha mais nenhuma loja aberta.
Restaurante, então, nem pensar!

Só sobrou o do hotel, mas de manhã tínhamos cancelado a nossa reserva automática (hóspedes tem essa primazia!).
Tentamos reverter esta situação, já que o restaurante estava lotado.

Quando tudo caminhava pro desastre total, o gerente do Relais nos perguntou se seria possível nos servir umas saladas e uns queijos numa sala especial?

Olhamos uns pros outros e demos muitas risadas, porque ele praticamente estava nos propondo o nosso piquenique particular!

E depois de nos trocarmos, nos encontramos na sala onde Gerard Depardieu comeu e começamos a nossa refeição com uma ótima salada de cenoura, alface, presunto de Parma e um tremendo molho vinagrete, …

… acompanhado dum vinho branco Domaine Fèvre Grand Cru Chablis 2009.

O assortimento de queijos chegou depois …

… e resolvemos jogar a barcaça no canal, abrindo um tinto 1er Cru espetacular, o Domaine Jean-Marc Bouley Pommard 2009. Foi uma refeição tipicamente borgonhesa e deliciosa.

Melhor, continuamos sonhando quando fomos dormir.

Au revoir.

Leia sobre os outros dias desta viagem:
Premier journée – Borgonha – França – Visitamos o hospício de Beaune.
Borgonha – França – Deuxième jour – Pisando no solo do Romanée-Conti.
Troisième jour – Beaune – França – Cozinhando na Borgonha
Quatrième jour – Borgonha – França – Duvido que você conheça (ou tenha ouvido falar) de Quarré-les-Tombes?

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