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dcpv – jantar do dia siete – país basco – restaurante mugaritz

noite de 27/06/2011

Jantar do dia siete – País Basco – Restaurante Mugaritz

Fomos jantar no Mugaritz, considerado o 3º melhor restaurante do mundo. Você já ouviu falar?

Se não (ou se sim) prepare-se pruma experiência totalmente sensorial.
Começa que pra achar o lugar você tem que ser de circo. Nem endereço completo tem. Você coloca as coordenadas no GPS, sai de San Sebastian e uns 20 minutos depois está lá, numa casa de campo bacana e muito bonita localizada em Errenteria.

Chegamos e fomos recepcionados pelo Rafa Costa, …

… um carioca que é sub-chef do Andoni Luis Aduriz, o afamado chef basco.

Ele nos mostrou a cozinha (e que cozinha. Tem cara de centro cirúrgico, né não?) com absolutamente tudo…

… e todos que a compõe.
Pronto, começou o que chamamos (a Dé concordou e comeu quase tudo) de uma viagem à DisneyWorld da gastronomia.

Iniciamos tudo liricamente e recebendo dois cartões com envelopes.

Num estava escrito: 150 min…Sométete. E internamente: 150 minutos para sentir, imaginar, rememorar, descubrir. 150 minutos para contemplación.
No outro: 150 min … rebélate. E no cartão: 150 minutos para incomodarte, alterarte, impacientarte. 150 minutos para padecer.

Estávamos prontos pra contemplar e padecer na experiência mugarística.
Pra equilibrar tudo só poderíamos tomar champanhe …

… e um vinho branco d’Equilibrista. Redundância e acerto total.

Vamos pela ordem:

prato 1 – cerveja de legumes tostados e tapa de azeitonas. A azeitona era feijão e a cerveja era um caldo legumoso com espuma. Surpreendente e instigante.

prato 2 – pedras comestíveis. Parecia uma pedra, tinha textura exterior de pedra, …

… mas eram batatas cozidas à precisão. Um verdadeiro purê com casquinha!

prato 3 – placa fina de caramelo com praliné e corais de crustáceo. Uma finíssima e crocante casquinha doce com sabor daquele coral vermelho da vieira. Já comeram?

prato 4 – focaccia de amido com purê concentrado de tomate. Crocante e viciante.

prato 5 – muçarela (ou mussarela, ou mozzarella, viu sócio?)  caseira com o seu soro emulsionado em chá defumado. Um prato estranho, pois o queijo parecia um chiclé e o molho era bastante gorduroso. Se comemos? Claro que sim.

Até aqui não tínhamos usado nem garfo, nem faca.

prato 6 – este se chama: Shhhh … !Muérdete la lengua! É um ninho bem fino de cebola e carne cortados na mesmíssima espessura.

Inclusive, foi feito um suspense pelo atendente sobre qual seria a carne?
Como comemos tudo, a Dé pode colocar no currículo dela que experimentou e gostou de língua bovina.

prato 7 – sopa no pilão com especiarias, sementes, caldo de peixe e ervas frescas. Esta também é muito legal: eles te trazem socadores, …

… pilões com gergelim, pimentas, esepeciarias variadas, …

… e você mexe com vigor até que tudo libere aroma. Aí o atendente coloca ervas frescas da horta do próprio restaurante …

… e o caldo.

Está pronta a sopa. É uma experiência muito legal e facílima de se reproduzir em casa!

prato 8 – noodles de carne com extrato de arraitxikis e arroz pipoca. O macarrão carnoso japonês é servido com um molhinho herbáceo junto daquele arroz que foi frito e parece mesmo uma pipoca. Bastante saboroso e estranho ao mesmo tempo.

prato 9 – ragu de alcachofras e tutano servido num pão de kuzu.

Neste, o ragu saboroso (e não é que a Dé também comeu tutano e nem sabia?) é servido num pão que tem a textura de pão de forma. Todos lamentamos ter que devolver uma boa parte do pão. As alcachofras foram devidamente comidas pela Dé.

prato 10 – sopa melosa de carne de caranguejo aromatizada com folhas de gerânio. Uma simples, saborosa e perfumada sopinha de galinha do mar.

prato 11 – merluza servida num molho “lechoso”. Esta foi uma daquelas encorpadas onde o molho parecia que tinha colágeno. Sabe aquele molho de rabada das boas? rs

prato 12 – texturas de peixe de rocha.

Um peixe macio servido com casquinhas dele fritas como se fossem torresminhos. Uma verdadeira delícia.

prato 13 – pedaço de carne com emulsão de carne assada. Já neste, a carne macia e suculenta, …

… ganha um upgrade com o acréscimo duma maionese de carne assada. É isto mesmo. Eu não estou delirando! 🙂

prato 13a – É claro que a Dé não comeu o prato acima. E como o Rafael já tinha pego as dicas, mandou pra ela um pescado com manteiga de cabra e talos crocantes de acelga. A Dé já estava abrindo o bico, mas comeu tudo (isto também é combinado no início do jantar. Se você estiver satisfeito, avise que eles não servem mais. Senão, só param quando você der o sinal).

prato 14 – armagnac de codornas. A Dé queria parar por aqui, mas o chefe nos mandou este prato (drink?).

Que na verdade é um copo aromatizado com conhaque e preenchido com um caldo das “penosas” que tem a cor e a densidade dum bom conhaque. Boa idéia, não?

prato 15 – este veio só pra mim.

Rabo de porco, folhas crocantes e tartar de sementes assadas. Simplesmente maravilhoso. São pedacinhos de porco crocantes e com um suco de carne saboroso.

A Dé ficou a espera das sobremesas. É com “s” mesmo já que eram 3.
prato 16 – a primeira sobremesa.
Este também não é exatamente o que parece. São nozes verdadeiras e falsas com sorvete de leite de cabra e gelatina de conhaque.

Se a idéia foi limpar o paladar como se fosse um sorbet; objetivo cumprido.

prato 17 – um creme bem frio (não é sorvete) de limão com nabo curtido em açúcar. Simples e delicioso.

prato 18 – cucurucho de flores e cravos.

Lindos e saborosos cucuruchos (que acredito ser algum tipo de pirulito basco).

Pronto. Foi incrível e por mais incrível que possa parecer, curtimos absolutamente tudo sem ter a aquela sensação do “não agüento mais nada!”.

Realmente é uma “viagem lisérgica” que qualquer pessoa que gosta de gastronomia tem que experimentar pelo menos uma vez na vida.

Nós já temos este carimbo no passaporte.

Agur.

AtençãoEu fiz um post mais condensado pro Diogão dos Destemperados sobre esta experiência.
E lá, as discussões foram bastantes acaloradas. Algumas pessoas desceram a lenha (especialmente pelo preço: 220 Euros per capta); a maioria escreveu a favor.

E você? O que acha?

Acompanhe os dias anteriores da viagem:
Dia Uno – Espanha – La Rioja – Marques de Riscal, o hotel.
Dia Dos – Espanha – La Rioja – Museu do Vinho e cidadezinhas bacanas
Dia Tres – Espanha – La Rioja – Bodegas maravilhosas e arquitetura não menos
Dia Cuatro – Espanha e França – La Rioja e Bordeaux – Final de semana em Martillac
Jour Cinc – France – Bordeaux – Passeando e entrando no mundo dos Premieres Grands Crus
Dia Sei – França e Espanha – País Basco – Você sabe o que é euskera? Pintxo você sabe, né?
Dia Siete – Espanha – País Basco – Guggen … heim?
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