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dcpv – sixième jour- borgonha – frança – chablis, conexão pra paris.

01/05/12

Borgonha – Sixième jour – Borgonha – França – Chablis, conexão pra Paris.

Dia de ir pra Paris.

Acordamos no horário normal (7:00hs) e lá pelas 9:00hs estávamos todos tomando café.

Entre arrumar todas as malas (e tralhas), acabamos saindo duas horas depois do hotel.

E pensamos em conhecer cidades pequenas e bacanas no caminho até Chablis, a região que produz grandes vinhos brancos.

A primeira parada foi em Epoisses, a cidade que produz o excelente queijo homônimo.

Demos uma boa olhada em tudo, vimos a centro histórico e não encontramos nenhuma fromagerie aberta.

Frize-se que as estradinhas (escolhemos a opção sem pedágios na Marie, o nosso GPS) são lindas, …

… com destaque pras inúmeras plantações de canola…

… que dão um tom verde-amarelo (seria uma homenagem?) …

…pra tudo.

Próxima parada? Noyers.

Só que pra chegarmos lá, cruzamos com Guillon, este sim, um lugar pra chamar de seu.

São casinhas a beira-rio que tem um jeitão bem bucólico …

…e paisagens de calendário.

Parece um cenário de filmes de Hollywood.

Mais uma vez a estrada se transformou em ator principal, …

… e finalmente, chegamos a Noyers (a cidade onde as ruas tem nomes bonitos), …

…que por incrível que pareça, é mais bacana do que todas as cidadezinhas bonitas que vimos.

A entrada da cidade fortificada é incrível e o portão dá a dimensão do que você encontrará por lá.

O centro medieval é muito intrigante e encontramos um restaurante tão interessante que resolvemos não almoçar em Chablis.

Preferimos conhecer o Les Millésimes (um dos empreendimentos das Organizações Maison Paillot) e curtir o que de melhor a Borgonha pode te proporcionar.

Toda a família trabalha no estabelecimento (pai, mãe e filhos) e você sente o carinho com que eles encaram o negócio.

Escolhemos as combinações (entrada+principal+sobremesa).

Antes disso e pra variar, nos serviram ótimas gougères.

A Dé e a Lourdes foram de Galantine d’Ecrevisse, …

… o Eymard de Tourte a l’Epoisse

… e eu, num prato da mais original charcuterie.

Tudo isto escoltado por um Pouilly-Fuissé Les Carrons Domaine Robert-Denogent, …

… servido duma forma muito bacana (será que foi o Pierre ou o Vincent que nos serviu?), …

… e aberto dum jeito mais ainda.

Continuamos nos maravilhando com tudo e enquanto isso, os principais chegaram.

A Dé experimentou o Filet de Cabillade, um peixe branco muito bom.

O Eymard pediu um Jambom au Chablis, que são fatias enroladas do mesmo com o acompanhamento de vegetais crocantes.

A Lourdes e eu fomos num Boeuf a Bourguignon muito bom, bem condimentado e escoltado por um purê de batatas (o famoso “pirrê”).

Como sobremesas, Tiramisu

… e os aguardados queijos.

Pedimos cafés (estes cogumelos de madeira são vendidos. Compramos um e estou procurando o danado até agora! rs), …

….que seriam tomados lá fora e ao sol.

Pagamos a conta …

…e, finalmente, rumamos pra Chablis.

Quando estávamos indo embora, vimos o nosso atendente servindo uma bebida destilada num formato inusitado…

… e é claro que resolvemos pedir também.

Parecia uma grapa que combinava muito bem com o cheiro e o resto do café que estava na xícara.

Como já era tarde (próximo das 16:00hs), e quase tudo estava fechado, optamos por passar numa boa vinícola, a William Fevre, e comprarmos alguns Grands Crus.

Note-se que a cidade é muito bonita (que novidade!) e…

… tem um jeitão bem simpático.

Pegamos os possantes e zarpamos pra Paris.

São 200km e quase duas horas dum passeio em excelentes estradas.

Chegamos ao nosso botel, o W, na capital francesa, com a perspectiva de encontrar um lugar moderno, …

… transado …

…e hype.

Encontramos tudo isso, e pior, no nosso caso, quartos minúsculos (o da Lourdes e do Eymard era bem maior) onde mal cabiam as nossas malas (dromedário incluso).

Tentamos em vão trocar de categoria de quarto, mas conseguimos após um certo mal estar, mudar pra um quarto um pouquinho maior. Não seria isto que estragaria a nossa noite/estada.

Assim sendo, fomos jantar no restaurante do próprio hotel, o Pica Pica do chefe espanhol Sergi Arola (o mesmo do hotel Tivoli de SP).

E nos divertimos muito. O lugar é muito cool, trendy e extremamente bem decorado.

Ele leva o nome a sério, ou seja, todos os pratos foram criados pra serem servidos em pequenas porções e com o intuito de que o cliente “tapeie” a vontade.

Caímos de cabeça e chamamos um champagne pra abrir os trabalhos.

Escolhemos 10 dos pratos: sardines (sardinhas marinadas servidas com azeite de tomates secos) …

bacalao (com azeitonas pretas e caviar da fazenda), …

canelones (a la barcelonina, recheados com frango, porco e vitela e molho bechamel) , …

artichokes (baby-alcachofras servidas com maionese de limão), …

green aspargus (aspargos fritos num tempurá com molho Romesco), …

las bravas de Arola (as famosas batatas bravas, apimentadas e recheadas com aioli) …

vine rapes tomatoes (tomates secos servidos como salada, com azeite, Bonito defumado e azeitonas pretas), …

octopus (ele, o polvo a la brasa, com batata confitada e pimentón a la Vera) …

crabs (salada de galinha do mangue com pão preto tostado) e …

oysters (ostras preparadas de 3 formas: escabeche, fritas e com molho Ponzu)

Ah! Tivemos como couvert uma verdadeira lição de como preparar um genuíno pa amb tomaquet, ou seja, o famoso pão com tomate (pão tostado, tomate esfregado, azeite e flor de sal).

Tomamos mais um grande Cru, o Chateau Grenouiles, que casou perfeitamente com tudo. É um formato bem bacana de se fazer uma refeição.

E como estávamos um pouco cansados, optamos por ir dormir em vez de cair na balada do bar do Hotel.

Quem sabe amanhã? rs

Au revoir.

Leia sobre os outros dias desta viagem:
Premier journée – Borgonha – França – Visitamos o hospício de Beaune.
Borgonha – França – Deuxième jour – Pisando no solo do Romanée-Conti.
Troisième jour – Beaune – França – Cozinhando na Borgonha
Quatrième jour – Borgonha – França – Duvido que você conheça (ou tenha ouvido falar) de Quarré-les-Tombes?
Cinquième jour – Borgonha – França – Com minha besta, abati a Abadia de Fontenay.

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dcpv – cinquième jour – borgonha – frança – com minha besta, abati a abadia de fontenay.

30/04/2012

Cinquième jour – Borgonha – França – Com minha besta, abati a Abadia de Fontenay

O dia amanheceu malucamente. Estava sol, frio e parecia que choveria.

Tomamos café da manhã e zarpamos em direção a Abadia de Fontenay que fica perto da cidade de Montbard.

Nós tínhamos conversado na noite anterior sobre a quantidade de cidades pequenas e bacanas que havia pelo caminho.

Portanto, o roteiro estava doido pra ser quebrado.

E foi só passarmos por Semur-en-Auxois pra isto acontecer.

Como não se apaixonar por este lugar tão bacana e encantador.

O centro medieval é muito interessante …

… e te leva a experimentar a sensação de como seria morar há uns 200 anos.

Além do mais, aqui dá pra entender o porque dos castelos serem construídos no topo das montanhas.

Até promenades, os aristocratas tinham pra espairar a mente.

Continuamos mais um pouco, até chegarmos a Abbaye de Fontenay.

Ela é um monumento tombado pela UNESCO e um dos mosteiros cirstercienses mais antigos da Europa.

Data de 1118 e te permite ver como viviam os monges naquela época.

A Igreja, …

…os modestos quartos,…

…a forja, …

…a padaria, …

…a enfermaria, …

…enfim, todo o conjunto é absorvido com a maior emoção.

Os jardins também são épicos, …

… e você entra no personagem.

É um passeio imperdível.

De lá, fomos direto pra Flavigny-sur-Ozerain. Esta cidade, certamente, você já viu, …

… se assistiu ao filme Chocolate com a Juliette Binoche e o Johnny Dep.

Como estávamos com fome e eram 14:00 hs, optamos por almoçar no lugar mais destacado do Tripadvisor (só depois ficamos sabendo que ele era o primeiro duma lista de um! rs). O Restaurant de l’Abbaye é pequenino e simpático.

O que não nos impediu de fazermos a, certamente, pior refeição do nosso tour (e uma das mais engraçadas). Vejam, se não?

O menu é enrolado e o serviço mais ainda. Não sabiam explicar nada.

Tanto que após várias tentavivas de explicação (inclusive, chamaram um “figura” que disse falava inglês e que pra explicar de qual parte do boi era a carne; fazia mímica e apontava pra costela!), a Lourdes acabou escolhendo um prato com um ingrediente que ela destesta: rim!
E este parecia um picadão, mas tinha um cheiro muito ruim (sem trocadilhos).

A Dé pediu o prato do jour, um Dourade ao molho de Epoisses com legumes e batata rosti. Este foi o único bom.

Eymard e eu, resolvemos escolher o gado Charollais que é o xodó dos borgonheses. E chegaram dois bonitos pedaços deles, que se mostraram praticamente crus quando experimentados.

O jeito foi pedir ao chefe que passasse um pouco mais a carne, mas s resposta dele foi lacônica e o prato retornou praticamente igual. Restou-nos comer um pouco do ótimo pão! 🙂

Pra piorar, tomamos uma garrafa dum vinho tinto Chambolle-Musigny (Lourdes, Eymard e eu) e a Dé, uma meia garrafa dum branco Sancerre, que eram somente corretos (o tinto acredito que até estava um pouco passado).

A Borgonha estava começando a nos dever, gastronomicamente falando.

Pagamos a conta e fomos passear na cidade que é a capital do bombom de anis e não do chocalate.

O mais bacana é que a cidade é a mesmíssima do filme.

Estão lá a Igreja,…

… a vista da igreja (que no filme mais se assemelhava ao El Khazneh em Petra), …

… e a loja de chocolates, que hoje é uma imobiliária (você acredita que nem vendem ao menos um chocolatinho por lá?).

Só faltaram mesmo a Juliete e o Johnny.

Com a proximidade, fomos conhecer Alise-Sainte-Reine , outra cidade bacana, com uma excelente área arqueológica galo-romana e com explicações muito boas sobre a vitória do marechal francês Vercingétorix sobre o romano Júlio Cesar.

Como o ingresso também incluia o novíssimo MuséoParc, passamos lá.

E é um passeio bem sem-graça, com uma demonstração de luta duns representantes tanto dos galos como dos romanos.

A parte arquitetônica impressiona, mas o espetáculo é muito fraco e nem as crianças se interessaram muito.

E pior, um canastrão fica fingindo que é um general e grita comandos de ordem tais como “iacultetá” (que deve significar, saia da frente e vá pra trás em algum dialeto! rs).

Não fosse pelo entorno, seria um passeio dispensável.

Ainda deu tempo de passarmos em Pouilly-en-Auxois e Chateauneuf-en-Auxois, cidades bacanas que tem como caracteristicas fazer parte do famoso canal onde barcaças percorrem os caminhos molhados da Borgonha.

E molhados ficamos nós, porque caiu um verdadeiro dilúvio.

Tínhamos um bom plano pro jantar que seria fazer um piquenique borgonhês no quarto com vinhos, queijos e pães.

Como era uma segunda, véspera de feriado, tudo fechou muito cedo. E é claro que quando chegamos em Saulieu, não tinha mais nenhuma loja aberta.
Restaurante, então, nem pensar!

Só sobrou o do hotel, mas de manhã tínhamos cancelado a nossa reserva automática (hóspedes tem essa primazia!).
Tentamos reverter esta situação, já que o restaurante estava lotado.

Quando tudo caminhava pro desastre total, o gerente do Relais nos perguntou se seria possível nos servir umas saladas e uns queijos numa sala especial?

Olhamos uns pros outros e demos muitas risadas, porque ele praticamente estava nos propondo o nosso piquenique particular!

E depois de nos trocarmos, nos encontramos na sala onde Gerard Depardieu comeu e começamos a nossa refeição com uma ótima salada de cenoura, alface, presunto de Parma e um tremendo molho vinagrete, …

… acompanhado dum vinho branco Domaine Fèvre Grand Cru Chablis 2009.

O assortimento de queijos chegou depois …

… e resolvemos jogar a barcaça no canal, abrindo um tinto 1er Cru espetacular, o Domaine Jean-Marc Bouley Pommard 2009. Foi uma refeição tipicamente borgonhesa e deliciosa.

Melhor, continuamos sonhando quando fomos dormir.

Au revoir.

Leia sobre os outros dias desta viagem:
Premier journée – Borgonha – França – Visitamos o hospício de Beaune.
Borgonha – França – Deuxième jour – Pisando no solo do Romanée-Conti.
Troisième jour – Beaune – França – Cozinhando na Borgonha
Quatrième jour – Borgonha – França – Duvido que você conheça (ou tenha ouvido falar) de Quarré-les-Tombes?

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dcpv – quatrième jour – borgonha – frança – duvido que você conheça (ou tenha ouvido falar) de quarré-les-tombes?

29/04/12

Quatrième jour – Borgonha – França – Duvido que você conheça (ou tenha ouvido falar) de Quarré-les-Tombes?

Mais um dia climaticamente maluco na Borgonha.

Tivemos todas as estações do ano nele.

Sol, …

… muito sol, …

… chuva …

… e muita chuva.

Isto ao longo dele todo. Bom, vamos começar do princípio.

Tomamos um café da manhã (simples e incrivelmente barato!) no próprio hotel e nos preparamos pra ir conhecer algumas pequenas cidades da Borgonha.

A primeira foi Quarré-les-Tombes. Fica bem próxima de Saulieu, a nossa sede e além de ser uma cidade bem bonitinha, estava acontecendo nela um evento muito especial.

Era uma Feira de Exposição Artesanal, em comemoração aos 25 anos do próprio evento.

Chegamos cedo e nos surpreendemos com a quantidade de automóveis (e pessoas) presentes. Não tinha lugar pra estacionar!

Conseguimos um lugarzinho perto da interessante igreja, …

…demos uma olhada no petit (zinho) marché, …

…e partimos pra conhecer a exposição, …

…que, por sinal, é única. A nata da artesania da região estava por lá.

O que significava ótimos foie gras, queijos, …

… vinhos de má qualidade (acreditem, isto existe na região), utensílios de madeira, …

…e facas.
Que foram devidamente compradas.

Nos despedimos do evento, ficando com a certeza de que este tipo de acontecimento vale a pena ser conhecido por qualquer turista.

Continuamos o tour dando uma passada em Avallon

… e achando a cidade um tanto quanto sem graça.

Se bem que o nosso destino seria Vèzelay.

Primeiro pra almoçar no estrelado restaurante L’Esperance do Marc Meneau (uma dica dos queridos Beth e Dodô)…

…e segundo, pra conhecer propriamente a cidade.

Chegamos ao restaurante no horário e sentimos, logo de cara, a beleza do lugar.

Ele fica numa casa campestre, muito bem iluminada, com mesas e cadeiras muito confortáveis, além de ser pra lá de amistoso.

Como não estávamos com muita fome, optamos pela única alternativa, que seria o menu degustação de almoço.

A Dé e o Eymard tomaram uma flute dum Champagne Caudalien Rosé (eu estava meio devagar, acredito que por culpa de alguns escargots e a Lourdes absteve-se) …

… e logo após, foi servida uma entradinha contendo um salsão fresquinho.

Nos alojaram na nossa mesa num salão muito colorido.

Os pratos começaram a chegar.

Abrimos com um Oeuf a la Neige, Bouillon d’Asparge 

…e um Chardonnay2009 fraquinho da região de Vèzelay.

Esta entrada estava muito gostosa e correta.

Na sequência, um peixe foi servido, o Fillet de Cabillaud Rôti, Encornets, jus de Cresson. Também um prato gostoso e correto.

Por enquanto, estávamos gostando de tudo.

O terceiro prato foi um Noix de Gigot d’Agneau aux Herbes Fraiches, Yorkshire Pudding (que a Dé passou) e que estava bonzinho (mas não entusiasmante) e que, aí, sim, pior, …

…foi acompanhado por um medíocre Pinot Noir da região de Vèzelay. Note que todos os vinhos estavam incluídos no menu, ou seja, foram escolhidos pelo próprio restaurante.

Ou seja, na terra dos Pinot, tiveram a pachorra de nos servir péssimos vinhos.

Daí pra frente, a coisa desandou.

A sobremesa bonita, Coque Meringuée, Fraises Rhubarbe, …

… estava um pouco enjoativa …

…e ainda nos ofereceram uma travessa de doces muito, mas muito doces.

Conversamos um pouco, criticamos mais um pouco, pagamos a (alta) conta e nos despedimos do L’Esperance com a certeza de que não existe estabelecimento infalível (já que a Beth e o Dodô gostaram tanto).

Uma pena, mas não ficamos plenamente satisfeitos, apesar da experiência e do divertimento terem sido pra lá de agradáveis.

Saímos de lá e fomos conhecer Vèzelay.

Que é uma bela cidade no topo duma montanha, …

…com grandes vistas pro vale …

…e uma catedral imponente …

… e bastante antiga.

Como o tempo estava virando mais uma vez, optamos por ir embora pra conhecer o Château de Bazoches.

Foi lá que viveu o grande Maréchal de Vauban, um engenheiro genial (sem corporativismo!) que usou muito a sua criatividade.

Iniciamos a visita pela parte interna (a última entrada é as 18:00 hs). Conhecemos várias salas, …

… os quartos do Vauban e da esposa (que ficavam muito separados), …

…a biblioteca, …

…a sua árvore genealógica …

…e os seus grandes projetos (foi dele a idéia de criar cidades planejadas com quarteirões regulares dentro de muralhas).

 

De quebra, ficamos com a linda visão externa do castelo …

… e da região.

Aproveitamos pra entrar em cidades pequenas quando da nossa volta pro hotel …

… e fomos brindados com arcos-iris (sim, no plural).

Chegamos bem tarde (por volta das 20:00hs), e fomos nos arrumar pra jantar. Não queríamos comer novamente no hotel, mas foi a única solução, já que Salieu não tinha viv’alma.

Como não tinha tu, vai tu mesmo. E fizemos um jantar espetacular.

Optamos por racionalizar e pedir somente os principais. É claro que alguns amuses (e agrados) foram servidos, …

… além duma singela sopa de batatas.

E como o cardápio era limitado, as mulheres optaram por um peixe, o Sandre a la peau, crostillant et fondue d’echalote, sauce au vin Rouge, um dos clássicos do Loiseau…

… e os homens, por um filet de Boef AOC Charolles en cocotte, tartare au borgeon de cassis, carré jardinier de legumes et pousses muito bom.

Desta vez não bobeamos e escolhemos os vinhos. Uma garrafa dum Meursault Domaine Rémi Joubard 2009  de primeira, o e duas taças dum Nuits Saint Georges Premier Cru

… que não deixaram dúvidas sobre as qualidades dos borgonheses da verdadeira Borgonha (sic).

E esta refeição, comparando com a regular do almoço, foi memorável.

É isto que nós todos, Lourdes, Eymard, Dé e eu viemos procurar por aqui. E encontramos.

Au revoir.

Leia sobre os outros dias desta viagem:
Premier journée – Borgonha – França – Visitamos o hospício de Beaune.
Borgonha – França – Deuxième jour – Pisando no solo do Romanée-Conti.
Troisième jour – Beaune – França – Cozinhando na Borgonha

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dcpv – troisième jour – beaune – frança – cozinhando na borgonha

28/04/12

Troisième Jour – Beaune – Cozinhando na Borgonha.

Taí um sonho que sempre tivemos: aprender a cozinhar na Borgonha, uma região francesa tida como um paraíso dos grandes ingredientes.

O primeiro passo foi encontrar uma escola que parecesse bacana.

 The Cook’s Atelier, da Marjorie Taylor tinha esta qualidade, além de ser muito bem cotada no TripAdvisor.

O próximo passo seria vender esta idéia pra Lourdes e pro Eymard. Esta foi fácil, porque eles são muito legais e topam tudo.

O restante foi entrar em contato, acertar tudo e aguardar.
Começamos este dia tomando café da manhã no hotel e saindo pra encontrar com ela na melhor loja gourmand de Beaune, a Fromagerie Hess.

Aproveitamos, pra antes dar uma passada na parte de não-alimentos do marchè de sábado, pois sabíamos que a Marjorie nos levaria ao mesmo lugar, só que na parte destinada aos alimentos.
Que por sinal é muito interessante, já que eles vendem de tudo um pouco.

Olhamos muito rapidamente (o Eymard chegou a comprar um CD de músicas dum artista famoso francês da região, que eu não nunca tinha ouvido falar!) e fomos pro nosso ponto de encontro.
Chegamos no horário, nos apresentamos (ela nos contou brevemente a sua história. Tinha um restaurante nos USA e em 2006 foi pra Borgonha visitar a filha. Está lá até hoje! rs), demos uma olhada rápida na loja e partimos pra comprar os ingredientes pra nossa aula.

Conhecemos os melhores fornecedores de tudo o que é tipo de produto: salames, …

… patos (o Eymard quase ficou maluco), …

…frangos (os de Bresse são especiais), …

…pães, …

… queijos, …

…tomates, …

… e de todos os tipos, …

… foie-gras (é claro que compramos) …

… e muitas outras coisas.

Passeamos bastante e nos maravilhamos com tudo. Vale um belo fotoblog:

Depois desta verdadeira viagem, partimos pro apartamento dela, onde a aula seria ministrada.

E a surpresa foi que ela morava exatamente ao lado do nosso hotel!

Iniciamos tudo colocando os aventais …

… e percebendo a beleza borgonhesa do lugar.

Janelas amplas, que permitiam uma luz incrível sobre os ingredientes/pratos, …

… uma decoração simples e muito francesa, …

…além da franca (ops) simpatia de toda a família da Marjorie, já que a filha dela, a Kendall, também estava lá e a gracinha do filho desta, também.

Começamos tudo pelo final, fazendo a sobremesa, uma torta de maçã.

Antes de mais nada, vou explicando que nenhum dos pratos teve receita. Fizemos tudo quase que no olho, o que tornou a aula mais interessante ainda.

Como a massa já estava pronta, fizemos todos os 4, o recheio. Pelamos as maçãs, cortamos em cubos e colocamos numa panela pra cozinhar com açúcar e fava de baunilha.

Enquanto isso, cortamos o que pareciam ser mini-nabos e batatas,…

… sendo que estas foram ao forno com bastante azeite, flor de sal e um pouco de tomilho fresco.

Já os nabos foram cozinhados em água e sal.

A Marjorie comprou aspargos frescos no marché (brancos e verdes) …

…que também foram limpos por todos…

… e cozinhados em água quente.

Fizemos como entradinhas, uma especialidade borgonhesa, as famosas Gougéres.

Elas parecem uma carolina, só que são salgadas, …

… extremamente leves (também parecem com um “pão de queijô light”) …

… e neste caso, o trabalho principal foi da Lourdes e do Eymard.

O negócio ficou tão bom que a própria “professeur” denominou o Eymard como “monsieur Gourgéres”.

Ainda faltava cortar a ave, a Pintade.

 Este trabalho foi feito por mim, que gosto muito da atividade, …

… além de a ter temperado (com sal e pimenta) …

…  e ter selado os seus pedaços numa frigideira.

Na sequência, a Marjorie os colocou no forno.

E a Dé? (esta foto foi da Marjorie)

Onde entra nesta história?

Entra nestas magníficas fotos, já que em alguns momentos ela tinha que usar 3 máquinas fotográficas ao mesmo tempo!

Daí pra frente foi só curtir o astral e comer bem.

Iniciamos o tour degustando as nossas Gougéres (ficaram maravilhosas)…

… com um bom Cremant, o espumante preferido da Borgonha (e do casal brasiliense).

Enquanto isso, a Marjorie e a Kendall montavam a entrada.

Aspargos com presunto cru, ovos com a gema bem mole, pequenos rabanetes e um pão “daqueles”.

Tomamos um Chardonnay Cuvée Sainte-Jehanne de Chantal 2009 muito competente.

Seguimos com o prato principal, o Pintade com batatas assadas, mini-nabo cozido e um tipo de couve como berço. Sensacional!

Acompanhamos com o tinto do mesmo produtor que a Marjorie soube escolher muito bem.

Enquanto isso, dávamos um montão de risadas, nos maravilhávamos e ficamos cada vez mais íntimos de tudo.

Era a hora os queijos. Como os franceses gostam de queijos!
Experimentamos 3 deles, sendo um o Époisses, o mais característico da região.

Ah! Me esqueci dizer como acabamos a torta de maçã.

Cortamos finamente mais delas descascadas e finalizamos com as fatias, depois de colocarmos o recheio.

E a torta foi servida como parte daquela que seria certamente a melhor refeição da viagem e feita por pessoas da maior categoria.

Enfim, esta aula vale todo o sonho que se tem.

Nos despedimos da Marjorie e família, pois já tínhamos estourado o limite do late-checkout.

Zarpamos direto pra Saulieu.

É uma cidadezinha famosa gastronomicamente, especialmente pelo restaurante do Bernard Loiseau.

Ele é aquele chefe que se suicidou há 9 anos, segundo dizem, porque antevia a perda de estrelas do Michelin, coisa que nunca aconteceu. Após esta tragédia, a esposa dele, a Dominique, tomou conta dos negócios e tudo prosperou.

Inclusive, ela montou o hotel pra onde estávamos indo, o Relais Bernard Loiseau.

O caminho todo é muito bucólico e interessante.

Se vê muita vegetação rasteira, …

… muitas cidadezinhas pequenas …

…e muitos castelos.

Depois de uma hora, chegamos ao hotel. Ele é muito curioso, pois tem uma fachada simples, mas ao mesmo tempo é extremamente luxuoso por dentro.

Conseguimos um upgrade e o nosso quarto era quase uma suite presidencial. Muito espaçoso, com uma vista incrível …

.. uma sala moderna, …

… banheiros confortáveis (eram 3) …

… e luxo dos luxos, o quarto num mezanino.

Aproveitamos o final da tarde pra conhecer Saulieu.

É uma cidade pequena e charmosa, …

…com vários comércios pequeninos, charmosos e interessantes, …

… uma maravilhosa igreja românica do sec 12 …

…e um entorno agradável e passível de se caminhar muito.

Voltamos ao hotel e fomos dar uma descansada, pois tínhamos uma reserva confirmada pro jantar, justamente no restaurante dele.

Descemos no horário e aproveitamos pra experimentar a Enomatic do bar, aquela máquina que serve doses exatas de vinho. Dá pra imaginar o estrago que uma delas não faz no seu bolso aqui na Borgonha.

Logo após, fomos alojados na nossa mesa e como tínhamos feito o pedido quando da experimentação dos vinhos, eles não demoraram pra chegar.

É claro que antes nos serviram um creme de tupinambur bem reconfortante.

A Lourdes pediu um peixe, o Filé de sole, cogumelos morilles e batatas fondant que estava muito bom.

A Dé foi duma mistura curiosa do St Peter, coração de alcachofra com um caldo de Garam Masala. Exótico e excelente.

Eu fui de . Ela é uma das especialidades do restaurante e veio acompanhada de purê de alhos e molho de salsinha.

 O Eymard se decepcionou pois o carré d’Agneau com polenta, cenouras e mil-folhas de alcachofra dele ficou devendo. Estava muito borrachudo e mais parecia um chiclete.

Inclusive, ele acompanhou o prato dele com uma taça dum Pinot Noir, enquanto nós pedimos uma garrafa dum Puligny Montrachet Louis Carrillon & Fills 2008 sensacional.

Resolvemos dividir duas sobremesas. Sábia decisão já que tanto os morangos com “algodão doce” dos Loguercio …

… como os vários formatos de laranja cosanguínea dos Luz foram as estrelas da noite.

Só nos restou pedir a “dolorossa” (literalmente) e subir um andar pra dormirmos o sono dos justos num tremendo apartamento.

Au revoir. Que dia!

Leia sobre os outros dias desta viagem:
Premier journée – Borgonha – França – Visitamos o hospício de Beaune.
Borgonha – França – Deuxième jour – Pisando no solo do Romanée-Conti.

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dcpv – borgonha – frança – deuxième jour – pisando no solo do romanée-conti.

27/04/12

BorgonhaFrançaDeuxième jourPisando no solo do Romanée-Conti.

Surpreendentemente o dia amanheceu ensolarado.

Após o estado chuvoso e intermitente de ontem, isto seria praticamente impossível. Mas foi o que aconteceu.

Tomamos o café da manhã no hotel e atravessamos Beaune a pé pra fazer uma visita à vinícola Bouchard Père & Fils.

Ela é muito antiga, como a maioria delas por aqui, e fica num chateau nas muralhas da cidade.

Ou seja, é espetacular.

O Eymard conseguiu este tour através duma vendedora de vinhos em NY, a Ana Paula.

Chegamos lá no horário e o tour começou imediatamente (éramos nós quatro e mais dois ingleses).

A nossa guia a Sandra, nos levou as caves e lá podemos perceber a proporção de tudo.

Pra se ter idéia, 2500000 de garrafas estão armazenadas no local.

Ela também nos contou toda a história do estabelecimento, a sua filosofia e o tamanho da empresa.

Andamos bastante embaixo da terra.

Vimos garrafas raras (algumas chegam a custar 10000€), partimos pra degustação …

… e 6 vinhos depois, estávamos prontos pra escolher o que levar pro Brasil.

Fechamos a compra e rumamos em direção a Dijon.

Pra quem não sabe, este pedaço se chama Cote de Nuits e contém os lugares mais famosos do mundo do vinho.

Passamos primeiro por Aloxe-Corton, uma comuna que tem uma particularidade: produz tanto vinhos tintos como brancos que são Grand Cru, a melhor classificação que um deles pode ter (as outras são, por ordem decrescente de qualidade, 1er grand cru, village e demais) …

Nuits Saint Georges, …

… e o lugar histórico que é o Domaine Romanée-Conti.

Este merece um destaque especial.

Afinal de contas, não é todo dia que se tem a oportunidade de ver onde é produzido o vinho mais caro do mundo. E a surpresa é grande ao perceber que o tal terroir tem o tamanho dum quarteirão!

É verdadeiramente mágico. Que me desculpem os puristas, mas eu trouxe um pequeno pedregulho de lá! 🙂

Continuamos no sentido de Dijon.

Conhecemos Vougeot e o famoso e lendário Château du Clos-de-Vougeot.

Tentamos almoçar pela região, mas nem pensar. Já tinha passado das 14:00hs e a essa hora vale a lei do Soup Nazi do Seinfeld: no soup for you!

A saida foi passar rapidamente em Gevrey-Chambertin e …

…. tentar comer alguma coisa em Dijon.

Conseguimos achar uma “bueca de puerco” aberta, chamada Le Rabelais, …

… onde, devido a necessidade,  todos pedimos croques monsiers

…  e uma garrafa dum bom vinho branco Saint-Véran (sem corporativismo).

Descobrimos quase sem querer, por pura sorte, que estávamos ao lado do Palais des Ducs, …

… um ponto turístico famoso da cidade, além da catedral de Notre-Dame,   …

… ambos integrantes do circuito das corujas, …

… um roteiro bem demarcado pelas mesmas através de placas no chão e que leva a lugares curiosos da cidade.

Tinha cancelado uma reserva pras 13:00 hs, no restaurante Le Pré aux Clercs (devido a impossibilidade de chegarmos no horário) e qual não foi a nossa surpresa ao percebermos que alguém tinha pedido pra Dé tirar fotografias do próprio restaurante e, justamente com o chef, o Jean-Pierre Billoux , sendo um dos fotografados!

Andamos mais um pouco e retornamos pra Beaune.

Tentamos, no caminho, fazer um passeio pelo Château du Clos-de-Vougeot, mas ele estava fechando, já que haveria um casamento por lá.

Chegamos ao hotel, nos arrumamos e partimos com destino a Puligny-Montrachet, o berço dos vinhos brancos, onde teríamos um jantar-degustação (dica da Márcia e do Vianney).

O lugar, o La table d’Olivier Leflaive é muito charmoso.

Fica numa cidade tranquilíssima e melhor, numa praça bonita e calma.

Fomos sentando e o sistema funciona da seguinte maneira: o menu é fixo.

É claro que iniciamos tudo com as indefectíveis gougères.

Todos comemos persillé de atum ao chardonnay com salmão defumado, …

frango com tapenade com vegetais e arroz pilaf, …

queijos variados

… e mousse de chocolate.

O que variou é que a Lourdes e a Dé escolheram fazer uma degustação (Formule Iniciation) composta de 5 vinhos (Borgogne  Les Setiles 2010, Saint-Romain Sous Le chateau 2009, Puligny Montrachet 2006, Puligny Montrachet 1er Cru Garennes 2007 e Pommard 2005)

… enquanto nós, Eymard e eu optamos por 10, com a repetição de quatro dos delas e o acréscimo de mais seis (Chassagne Montrachet 2008, Mersault 2008, Chassagne Montrachet 1 er Cru Dents de Chien 2007, Chassagne Montrachet 1er Cru Clos Saint- Marc 2007, Volnay 1er Cru Mitans 2008 e a estrela da noite, o Corton Charlemagne Grand Cru 2007).

Todos estes vinhos foram comentados por um sommelier que nos passou as características e as particularidades de cada um deles.

E tem mais, o próprio  M. Leflaive veio conversar conosco e afirmou o quanto gostava do Brasil, em especial, da Bahia (xiiii, de novo! rs).

Demos muitas risadas, nos divertimos muito e certamente indicamos este passeio-refeição na casa do  M. Leflaive. Pra finalizar com chave de ouro, pedimos mais duas taças dum Bâtard-Montrachet Grand Cru 2007, mais um grande exemplar de vinho branco borgonhês. A “petit grand-mère” teve que nos “aguentar”! 🙂

Pronto. Voltamos pro hotel pra, finalmente, dormimos o tranquilo sono dos justos.

E degustar todos estes vinhos certamente colaborou pra isso.

Au revoir.

Veja o primeiro dia desta viagem:
Premier journée – Borgonha – França – Visitamos o hospício de Beaune.

.

dcpv – premier journée – borgonha – frança – visitamos o hospício de beaune.

25 e 26/04/12

Premier Journée – Borgonha – França – Visitamos o Hospício de Beaune.

Partimos de SP pra Paris num voo noturno da TAM. Nos encontramos com a Lourdes e o Eymard por volta das 20:30 hs.

Quem via o aeroporto de Cumbica tão tranquilo, até imaginaria que tudo correrá tranquilamente  na Copa do Mundo.

Voamos muito bem e chegamos na capital francesa perto das 16:00 hs. Estava tudo nos conformes, até toparmos com os serviços da Europcar.
Porque será que toda vez que você reserva um carro, o modelo escolhido não está disponível?

Isto me lembra até um episódio do Seinfeld em que o Jerry discute com a atendente tentando explicar pra ela o que seria realmente uma reserva (alguém assistiu?).

Uma hora depois, estávamos os dois casais sem os carros que reservamos, mas com similares tão bacanas quanto.
Partimos com destino a Beaune, no coração da Borgonha.

Seriam quase 3 horas de viagem, se o trânsito periférico de Paris não estivesse parecendo o da Marginal nos dias de chuva forte.

Perdemos mais de uma hora nesta brincadeira e, finalmente, rumamos pro nosso destino, o hotel Le Cep.

É claro que demos uma parada pra abastecer os nossos estômagos num Autogril, uma destas redes de postos de gasolina.

Comemos sanduíches muito bons, tomamos capuccinos e continuamos a viagem.

O caminho é todo muito bonito, com visível destaque pras inúmeras plantações floridas de canola.

Guardadas as devidas proporções, elas tem o mesmo papel das lavandas na Provence.

Chegamos ao hotel mais do que atrasados pra cumprir com a nossa reserva do restaurante estrelado do próprio, o Loiseau des Vignes. Como ele já estava fechado, a atendente foi supersimpática e improvisou uma refeição particular pra nós.

Foie gras (e que foie gras) com torradas, …

salada fresquíssima, …

… uma tábua com queijos espetaculares, …

… um bolo de chocolate com frutas  vermelhas, …

… e, óbvio, um tremendo vinho tinto, o Pommard Hospices de Beaune 1997.

Pronto, o nosso dia (ou seria a nossa noite?) estava ganho e só nos restou dar uma passeada pela linda e vazia cidade de Beaune.

Acordar no outro dia foi um pouco difícil. Afinal de contas, 5 horas de fuso mais uma chuva fina e frio seriam o suficiente pra te fazer ficar na cama.

Mas não aqui em plena Borgonha.

Preferimos tomar um bom café da manhã no hotel (que pães e que suco) …

… e rumarmos pra conhecer a Côte de Beaune, a parte mais ao sul da famosa região vinícola.

A primeira parada foi em Pommard, a 3 km de Beaune.

Tenha em conta que as cidades, quase vilarejos, são muito perto uma das outras por aqui.

E Pommard é a terra do famosíssimo Chateau de Pommard.

Tínhamos a obrigação de conhecê-lo e melhor, fazer uma visita guiada.

Só os jardins do lugar já valeriam o passeio.

Até vimos como os escargots se alimentam bem e por isso, são tão gostosos. 🙂

Enquanto esperávamos o nosso tour começar, demos uma boa olhada em tudo, …

… especialmente nas obras de arte.

Muitos Dali, …

… Josepha, …

… e uma mostra especial sobre arte moderna.

Conhecer o local onde vinhos memoráveis são feitos é inesquecível.

O nosso guia nos levou pra vermos as seculares videiras, …

… nos mostrou a diferença da composição de solos que teoricamente deveriam ter o mesmo formato (são próximos uns dos outros) …

… e nos levou na cave onde 250000 garrafas descansam a espera de bebedores, como nós.

É claro que finalizamos com uma big degustação com 5 vinhos top.

Compramos algumas coisinhas e tocamos pra próxima parada.

Que seria Volnay, mais uma região famosa por seus vinhos tintos.

Next stop? Meursault, que obviamente, dispensa comentários.

Incrível como numa distância de 10 km lineares, você encontra grandes ícones da vitivinicultura mundial.

A esta altura do dia, estávamos com fome.

E o jeito foi tocar pro Lameloise, um restaurante 3 estrelas do Michelin, que fica em Chagny, no hotel homônimo.

O lugar é bastante elegante e sóbrio.

Fomos alojados na nossa mesa e enquanto a Dé e a Lourdes escolhiam pratos do menu a la carte, eu e o Eymard nos decidimos pelo menu déjeuner (entrada+principal+sobremesa+vinhos por um preço fixo).

O couvert é uma belezura.

É claro que o chefe nos mandou um pequeno agrado, uma  “nuvem” de creme com salmão e um caldo fresco de aspargos.

Enquanto as  nossas entradas chegavam, ravioli de escargots com mini nabos e um bouillon fantástico de cogumelos pra mim …

… e foie gras e ris de veau, com geléia de hidromel pro Eymard, as meninas escolhiam os seus vinhos. A Dé optou por um branco Chassagne Montrachet Domaine Fontaine-Gagnard e a Lourdes por um tinto Volnay Domaine Jean Marc Bouley 2009.

Conversa vai, conversa vem e chegaram os principais.

A Lourdes experimentou costeletas d’agneau com batatas caramelizadas, …

… a Dé um turbot cozido lentamente nos seus sucos e um caldo aromatizado com trufas, …

… o Eymard e eu optamos por beauf charolais com legumes acompanhados de um purê de batatas com carne desfiada (podemos chamar de escondidinhô!) e um creme de mostarda.

Ainda bem que os nossos vinhos estavam incluídos (um Bourgogne Hautes-Côtes de Beaune e um Rully Maison Lameloise). Vejam só o tamanho da carta!

Tudo excelente e muito, mas muito bem acabado.

Como tínhamos direito a sobremesa, eu e o Eymard gostamos muito da competente tarte tatin com sorvete de batata doce que nos foi servida.

Tão aí 3 estrelas mais do que merecidas.

Ainda demos uma passada pela região onde são feitos os melhores brancos do mundo, Montrachet.

Foi bem rápido, mesmo porque amanhã faremos uma megadegustação no Olivier Leflaive.

Aproveitamos a tarde pra passear pelo centro aprazível de Beaune.

Ela é certamente a cidade pra se ficar quando se está na Borgonha.

Além do mais, o lugar é repleto de caves, lojas gastronômicas, restaurantes, ou seja, tudo o que a Borgonha representa no imaginário de qualquer fã.

E também visitamos o l’Hotel Dieu, mais conhecido como Hospices de Beaune.

Calma lá que não tem nada a ver com o que chamamos de hospício.

É um hospital muito antigo (seculo XV) que funcionou para servir aos pobres da região.

Teve como mecenas o Nicolas Rolin e sua esposa e a grande curiosidade é que ele foi restaurado pra que tenhamos uma noção de como eram a coisas há seculos.

Estão lá a  sala dos doentes, …

… a enfermaria, …

… a farmácia, …

… a cozinha …

… e a lojinha, óbvio.

Voltamos caminhando pro hotel (este lugar é ótimo pra isso) e ainda tivemos tempo pra tomar algumas flutes de champagne.

Apressadamente, pois tínhamos uma reserva pra jantar no Jardin des Remparts, um restaurante muito bonito e que fica exatamente próximo das muralhas, em francês, as tais “remparts”.
Beaune é uma cidade cercada por muralhas e uma boa parte delas ainda está preservada.

Sentamos e todos optamos (a reserva foi feita através do La Fourchette) por comer alguma coisa leve e a la carte.

Todos escolhemos somente pratos principais e contendo peixes. Segue um bom conselho: quando estiverem por aqui, peçam o necessário, porque todos os chefes costumam mandar muitos pequenos presentes.

E neste caso não foi diferente.

Começamos com um falso sorvete de espuma de mostarda, escargot (que a Lourdes e a Dé comeram) com manteiga de ervas, persilade (o presunto recheado tipico da Borgonha) e gougéres (uma espécie de pãozinho recheado com queijo e mais típico ainda).

Pãozinhos foram servidos (volto a frisar, como são bons os pães daqui) …

… e escolhemos um vinho branco de responsa, um Pulligny-Montrachet 2008.

Mais um plus nos foi enviado. Um creme de couve-flor com pinolis. Soberbo.

A Dé e o Eymard receberam o peixe deles, o Cabillaud, légumes et émulsion de bourgeons de noisetier.

A Lourdes foi de Turbot rôti et croustillant de pied de couchon

… e eu de Mulet, endive e berre fumé.

Todos muito saborosos (e escritos em francês, ficaram melhores ainda! rs).

Como estávamos cansados, quase pulamos as sobremesas, não fosse o Eymard pedir uma Baba (o doce! rs) com sorvetes 

…e o chefe nos ter enviado mais uma espuma de abacaxi com creme de frutas vermelhas.

Pronto! O nosso dia terminou na mais absoluta harmonia e com mais um presentinho do chefe, uma caixinha com alguns bolinhos típicos pra comermos no caminho.

Ufa! Consegui provar que é melhor se concentrar na hora de pedir comida aqui na Borgonha?

Au revoir que amanhã é dia de Romanée-Conti.

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