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dcpv – ny – dia seven – per che, per se.

18/10/2013

NY – Dia Seven – Per che, Per Se.

Mais um dia de compras e de refeições.

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E desta vez, fomos de compras pra casa, na Bed Bath&Beyond.

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Inclusive, realizei o sonho de ter a própria Ferrari, uma legítima Kitchen Aid vermelha.

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Logo depois desta aventura shopaholic, nós preparamos pro que deveria ser a melhor refeição de toda a viagem.

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E ela aconteceria no Per Se, o restaurante do estrelado chef Thomas Keller, que fica no complexo Time Warner.

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Iniciamos com um pequeno problema técnico: o dress code do lugar indica que todo cliente tem que vestir paletó.

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É claro que o Eymard e eu não estávamos com tal costume na hora do almoço, ainda mais depois de passarmos na BBB.

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Tivemos que pegar as “jackets” emprestadas lá mesmo e até que não ficamos tão mal assim.

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O restante foi admirar a vista do restaurante e curtir tudo.

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A escolha do comida foi simples: todos fizemos o menu degustação do chef de 5 pratos, com exceção da Dé, que escolheu a mesma quantidade de pratos, só que do vegetariano (que novidade!).

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Pra iniciar (e jogar o barco definitivamente nas pedras) chamamos uma Taitinger fresquíssima.

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Antes dos pratos definidos nos menus, o chef nos enviou dois piccolos (por sinal, deliciosos).

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O menu veggie da Dé foi composto de Caramelized Sunchoke Velouté, …

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Tuscan Kale Stuffed Peppers, …

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Grilled Globe Artichokes, …

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Roasted Butternut Squash Agnolotti

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… e assortiment of desserts (na verdade, 3 sobremesas).

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Pra nós (Lourdes, Eymard e eu) foram servidos Oysters and Pearls, …

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Salad of Grilled Sunchokes, ….

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Beets and Leeks, …

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Snake River Farms Calotte de Boeuf

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… e assortiment of desserts (mais 3 sobremesas).

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Agora, pra você imaginar, pense que todos os pratos estavam muito mais gostosos do que o visual deles.

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Ou seja, tudo foi absolutamente perfeito e na medida certa.

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Tomamos uma garrafa dum vinho branco californiano e …

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… nos embasbacamos com os docinhos…

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… e os chocolates que acompanhavam os cafés (vejam a expressão da Lourdes!).

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Ou seja, foi certamente a melhor refeição (celebração?) que fizemos em toda a Big Apple.

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Voltamos pro hotel, fomos fazer mais algumas comprinhas e nós preparamos pra encontrar a nossa sobrinha, a Carla (filha do Deo) junto com o Adriano, o marido dela que estavam, naquele momento, morando em NY.

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E por incrível que pareça, encontramos casualmente com ela pela manhã no Central Park, quando estava passeando com os cachorros deles, o George e o Jambom.

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Quanto ao jantar (que tínhamos marcado anteriormente) seria no Cafe Fiorello, um italiano próximo do Lincoln Center.

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E tudo foi excelente, com exceção da comida que esteve bem fraquinha.
Inicialmente, pedimos um tinto do Langhe e uma tremenda burrata pra dividirmos.

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Como principal, todos escolhemos a especialidade da casa, a Lasagna, que mais parecia uma pizza apastelada.

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Gostosinha e só isso.

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Como sobremesa, um Tiramisu; mais parecia um bolo de aniversário. 🙂

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Resumo da ópera bufa: o lugar estava cheio, mas a comida deixou bastante a desejar.

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De qualquer maneira, foi muito divertido, porque encontrar a Carla e o Adriano é sempre um tremendo prazer.

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E além do mais, depois de comer no Per Se, tudo pareceria brincadeira de criança.

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Bye.

Leia sobre os outros dias desta viagem:
Dia one – New York, niu iorque.
New York – Dia two – Eeeeeéééé touchdown.
NY – Dia three – Linha alta; High Line. E Fiiiiiiiiiiiiígaro.

NY – Dia four – O rei MoMA.
NY – Dia five – Compras, trufas e mais trufas.
NY – Dia six – Mais uma bola de três.

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45º IB – Carla e o Arroz de Minhoca no dcpv

31/12/2011
número 313

45º IB – Carla e o Arroz de Minhoca no dcpv.

N.R – Vamos a apresentação de mais um IB ( quer saber o que é?).
Desta vez a indicadora do menu totalmente português é a Carla Soar, uma curitibana que casou-se e mora em Portugal com um marido (o Jorge Miguel) que, além de cozinhar bem, gosta duma boa comida e com bons ingredientes.
Partindo deste princípio e após várias trocas de emails, ela decidiu sobre um jantar calcado em frutos do mar. Notem que até uma encomenda “legal” de sementes que ela me enviou, fez parte de todo o pacote.

Vamos lá, então, ao 45º Inter Blogs, o da Carla Soar do interessante blog Arroz de Minhoca.
PS – Eu escrevi tudo o que estiver grafado em azul. O restante e muito bacana,  foi a
Carla.

Olá Edu…
Conforme prometido, aqui vai a vossa “Ceia de Sabores Lusos”. Bem sabes que a minha cozinha é de “olho-intuitivo” o que significa poucas medidas e muito apetite.

Classifico-me como uma aprendiz de portuguesa com muita curiosidade e pouco medo de errar . 🙂

Meu blog, que nada mais é do que o meu livro de receitas virtual, não tem a intenção de divulgar receitas, mas sim, de guardar e sedimentar aquilo que aqui aprendo e aprecio… portanto, não prometo medidas, tempos e métodos. Antes, confio na intuição da tua colher de pau.

Porém, nada há nada a temer pois, como diz meu marido, com bons ingredientes não há como a comida ficar ruim.

Os azeites espanhóis e italianos são igualmente bons, mas com outras características de sabor que não se enquadram nos pratos portugueses.
Bom, dadas as devidas pré-instruções vamos ao que interessa. E é com uma receita do maridão, meu muso inspirador, que iniciamos.

Antes de mais nada, tomamos umas boas caipiroskas de limão pra que ocorresse a legítima integração luso-brasileira.

Entrada – Mexilhões em Molho de Pimentões Vermelhos

Estes mexilhões são “prata da casa” … orgulho da família e solicitação frequente dos amigos.

O molho deve ser rico em pimentões e picante o suficiente para fazer frente ao sabor marcante dos mexilhões… (Ter atenção aos tomates, para não se sobressaírem aos pimentões) – Não só tive, como o molho resultou maravilhoso. A Dé o sorveu as colheradas!

Ingredientes – Mexilhões em casca (0,5 kg), miolos de mexilhões (1 kg), azeite (1/2 xícara), cebola picada (1 xícara), pimentão vermelho picado (1 xícara), alho picado (6 dentes grandes), pimenta malagueta picada com ou sem sementes (1 unidade), tomates sem pele picados (2 xícaras), extrato de tomate (0,5 xícara) , gengibre fresco picados (3 colheres de sopa), vinagre balsâmico (1 a 2 colheres de sopa), coentros frescos picados (0,5 xícara), pão para acompanhar – O gengibre dá um charme total ao molho.

Modo de preparo – Aquecer o azeite numa panela e refogar as cebolas até começarem a ficar coradas. Juntar os pimentões e mexer até soltar os sumos (3 minutos). Acrescentar os alhos, a pimenta e mexer (2 minutos).

Juntar os tomates + extrato de tomate e alguma água (se necessário). Temperar com sal, pimenta preta + o gengibre picado.

Deixar apurar em fogo baixo por uns 10 minutos e triturar grosseiramente com o mixer ou liquidificador (o molho deve ficar espesso, com resquícios dos ingredientes) – Resolvi não triturar quase nada devido a qualidade de tudo!

Juntar os mexilhões, deixar cozer por uns 3 minutos, juntar os coentros e 1 a 2 colheres de vinagre balsâmico a gosto – Outro charme do molho!

Deixar cozinhar por mais 2 minutos.

Servir com pães variados (tipo italiano, ciabatta, rústico, etc) – Servi com ciabatta e italiano.

E pra deixar pra posteridade, foi, certamente, a maior quantidade de “oh”, “hummm”, “que gostoso”, “quero mais” que ouvi por aqui até hoje!

Acompanhamos este idílio gastronômico com um rosé Português, o Casal Mendes que foi “na rua, na chuva, na fazenda, na casinha de sapê“.

Prato principal – Bacalhau em Pão de Azeitona.

Criação do chef português Luis Américo e vencedor do prémio Cozinheiro do Ano 2004.

Uma verdadeira iguaria lusitana que contém os ingredientes mais marcantes da nossa cozinha (bacalhau, salpicão, coentros, pão, azeitonas e azeite). Favor creditar o autor do prato – Não só está devidamente creditado, como acredito que ele não gostará muito das pequenas mudanças que eu fiz! 🙂

Ingredientes – Lombos de Bacalhau, fatias de Salpicão cortadas longitudinalmente (presunto ou outro enchido defumado), tomates cortados em gomos, azeite, massa de pão rústico, azeitonas pretas, cebolas + alhos + coentros frescos em folhas.

Modo de Preparo – Preparar a massa de pão e deixar levedar enquanto prepara o bacalhau (qualquer massa é indicada – eu utilizo massas prontas para máquina de pão).

As azeitonas só são acrescentadas no final, na hora de moldar os pães – Esta parte eu passei. Optei por utilizar um pão de azeitonas já pronto e que valorizaria e muito, o belo conjunto do bacalhau.

Abrir os lombos de bacalhau (sem espinhas) formando enrolados de tomate, bacalhau e salpicão. Feche-os bem com palitos de dente e passe-os grosseiramente por farinha – Sabe que é fácil abrir os lombos de bacalhau?

Fritá-los em azeite por aproximadamente 2 a 3 minutos. Costumo aquecer 2 dedos de azeite numa frigideira pequena e frito por 1 minuto de cada lado.

Escorrer em papel absorvente e retirar os palitos. Abrir a massa de pão, juntar as azeitonas picadas (sem caroço) e formar pequenos pães recheados com o bacalhau. Xiiii!

Assar em forno quente (250ºC) por 15 min aproximadamente  (somente o suficiente para assar o pão e aquecer o bacalhau, pois o bacalhau já cozeu durante a fritura) –  Como eu não usei a massa, deixei os lombos no forno só pra dar uma leve dourada.
Enquanto o pão está a assar, preparar os molhos.

Aquecer um fundo de azeite numa frigideira e fritar as cebolas fatiadas em ½ luas finas. A cebola deve cozer no azeite (em fogo alto) soltando os sumos  até o ponto em que começa a ganhar cor – Estas cebolas brancas e roxas ficaram macias, doces e espetaculares.

Numa segunda frigideira, aquecer um fundo generoso de azeite (1 dedo) e saltear os alhos picados juntamente com os coentros (tomar cuidado para não queimar os alhos nem cozer demais os coentros) – Outra grande surpresa!

Servir os pães cortados ao meio, sobre cama de cebolada e regados com o molho de coentros. Eu servi do meu jeito (desculpaê, sr Luis Américo!).

Ou seja, montei com uma fatia do pão de azeitonas, …

… uma porção de cebolas carameladas, …

… pedaços do enrolado de bacalhau cobertos com o molho de azeite, alho e coentro, …

… além da surpresa da noite, as couves (aquelas das sementes) cozidas e resfriadas na água com gelo, coma posterior refogada numa base de azeite e pedaços de salame.

Simplesmente perfeito.

Tomamos um branquinho português, o Tons Duorum Douro 2010 que foi “remember, Jerrys, douradinho, cruisers“.

Sobremesas  – Formigos e Rabanadas.

Não há Natal português sem uma mesa farta de sobremesas… Pão de ló, bolo-rei, formigos e rabanadas estão sempre presentes. (Esqueci de dizer que este menu era pra ser feito no Natal e devido a uns problemas técnicos, só o fiz agora).
Ficamos aqui com as rabanadas e os formigos, pois um bom pão-de-ló é obra de Deus e bolo-rei dá um trabalho dos diabos. 🙂

Rabanadas

O pão que utilizamos aqui em Portugal é o chamado “bijou” , ou o “bundinha” em Sta Catarina, ou o “Pão d´água” no Paraná, e por aí vai… a melhor referência é mesmo ver a foto.
Daí que a gente tem que comprar o pão com 2 a 3 dias de antecedência e deixar os meninos secando no pacote… eles tem que ficar mesmo sequinhos, duros.
Depois de secos, cortamos e descartamos as duas carcaças exteriores. Dividimos então o miolo ao meio em 2 fatias.
Portanto, cada pãozinho rende 2 rabanadas.Tudo bem entendido até aqui? – Entendido, mas usamos o pão que eu achei mais parecido! rs

Ingredientes (para 9 pães) – 1/2 litro de leite (ou bebida de soja/leite de soja), 1 chavena de açúcar + pau de canela + casca de lima (limão), 4 ovos, canela em pó e açúcar para polvilhar.

Bater os ovos ligeiramente e reservar. Ferver o leite juntamente com o açúcar + pau de canela + casca de limão.
Aquecer a frigideira com óleo para fritar.

Atenção: Durante todo o processo, o leite tem que ficar em ponto de fervura em fogo bem baixo, tomando o cuidado para não queimar nem transbordar.

Molhar as fatias de pão no leite. É aqui que mora o perigo … temos que fazer o processo com precisão e rapidez. – A Dé, que fez esta sobremesa, disse que é aqui que mora o perigo! rs
A gente submerge o pão, conta até 3 e tira rapidamente (se demorarmos demais o pão se desfaz todo). – É isto mesmo.

Passar por ovo batido rapidamente, vindo do leite, devemos passar o pão pelo ovo e retirá-lo antes que ele se desfaça. A minha regra é conseguir transportá-lo com o garfo sem se desfazer. Tomando atenção claro, para que todo o pão esteja umedecido.

Fritar em óleo quente até dourar dos 2 lados.

Retirar da frigideira e, ainda quente, polvilhar com açúcar e canela. O ponto desejado é que nenhuma parte de pão escape ao molho.

Toda a rabanada deve estar úmida e apresentar a polpa sumarenta e adocicada. Nem sempre se acerta a primeira… algumas se desfazem, mas a gente frita na mesma… – Foi o que ela fez! rs

Algumas ficarão um pouco mais ressequidas, mas a gente come na mesma… É mesmo uma questão de persistência e prática. E ficaram deliciosas!

Ainda mais com o acompanhamento dum cálice de vinho do Porto.

Formigos

Basicamente, precisamos de uma boa variedade de frutos secos.

Ingredientes – (Avelãs, amêndoas, nozes, pinhões (pinólis) e uvas passas pretas + uvas passas brancas), Vinho do Porto, Canela + Gemas (4) e Açúcar (200 gr).
Picar os frutos grosseiramente e reservá-los (+ ou – 200 gr). Picar também o mesmo volume de miolo de pão (4 fatias) – Juntei tudo da despensa, até pistaches.

Umedecer o pão em 100ml de bebida de soja, leite ou água (reservar). Bater as gemas e misturar com 4 colheres de sopa de Vinho do Porto (reservar).

Levar ao fogo, o açúcar diluído em 100ml de água e deixar ferver até ao “Ponto Pérola” – Eu acho que o meu estava neste ponto!
Ai meu jesusinho!!! O tal do ponto pérola na calda de açúcar foi um fracasso sufoco… não vou mostrá-lo aqui, nan nan nan… é que ficou meio mais ou menos, percebem? Bom… à parte minha vergonha, a boa notícia é que, apesar de tudo, o resultado final ficou bom. Portanto, se errarem na calda, o meu conselho é: “Bola pra Frente” que todos os caminhos levam a Roma – Cheguei em Roma! rs

Atingido o ponto de açúcar necessário (ou outro qualquer) juntar os pães amolecidos misturando bem. De seguida, incorporar os frutos secos e deixar cozer por 1 a 2 minutos mexendo sempre.

Retirar a panela do fogo e juntar os ovos batidos, mexendo bem.Voltar a panela ao fogo e deixar cozer até engrossar a gosto (3 a 5 minutos).
Prontinho! Servir polvilhado com canela.

E ficou uma verdadeira delícia.

Olha que foi extremanente divertido fazer este Inter Blogs. Se o objetivo deste projeto é fazer uma interação entre os passageiros da blogosfera, ele foi mais do que cumprido.
Opiniões sobre as comidas? 

Que refeição espetacular! Tudo perfeito com destaque pra tudo. (Edu)
O melhor de Portugal!!! Delícia. (Mingão)
Harmonia do começo ao fim; delícias deliciosas. (Deo)

E, como a tradição manda, seguem as nossas flores pra virtuais pra Carla e pro Jorge Miguel com votos que tenhamos todos um Feliz 2012.

Pra nós promete e muito, já que começamos bem assim!

Foi um jantar bué fixe!

E o próximo Inter Blogs, o de fevereiro será o da Isadora do blog Receitas Fáceis. Pelo tema, a coisa promete!
Bye

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39º Inter Blogs – entre panelas holandesas no dcpv

número 390
26/04/2011

39º Inter BlogsEntre Panelas holandesas no dcpv.

A maioria das pessoas que participam dos IB (quer saber o que é? ) dizem que é quase como ter um bebê. Afinal de contas, normalmente entro em contato com pelo menos um ano de antecedência (poderiam ser facilmente 9 meses).

A partir daí, todos ficam pensando (ou esquecem! rs) em como será o menu até que o Dr Edu, eu mesmo, entra em contato avisando: chegou o dia!

E aí alguns me mostram o que pensaram; outros falam “nooooossssa! Já!” , mas no geral, todos nos divertimos bastante.

Neste caso específico, o da Carla Duclos do excelente blog Entre Panelas, a geração foi praticamente de gêmeos já que além do menu (a Carla é super-organizada e me mandou as receitas testadas por ela mesmo num formato bacana e muito explicativas); ela e o Daniel, o esposo, coincidentemente encomendaram a filha deles, a BabyDuc.

E não é que ela nasceu praticamente agora, na semana passada?. Ah! se quiser acompanhar como foi toda a geração da BabyDuc, conheça o Ducs Amsterdam, o blog do Daniel, que é muito interessante e tem dicas quentíssimas sobre o país da Laranja Mecânica.

Bom, só nos resta dar os parabéns pra eles (nós sabemos bem o quão bom é ter uma “filha-mulher”) e aproveitar esta oportunidade de degustar comidas holandesas (eles moram lá na Holanda) de primeiríssima qualidade.

Vamos lá e repare que este menu tem uma profusão de receitas começadas com H (em Dutch).
Em tempo: tudo o que estiver em escrito em vermelho é obra minha. O restante é obra da
Carla.
Vooruit?

Entrada – Croquete Holandês e Cole Slaw
Criei uma receita nova baseada em duas que encontrei online e na experiência de ter testado a receita. Baseada no resultado que tive, adaptei mais um pouco para que fique mais próximo do croquete holandês.

Ingredientes
Para a carne: 500 gramas de carne (acém), 2 cebolas pequenas ou 1 grande, 1 dente de alho, tomilho seco, 1 folha de louro.
Para a massa: 150 gr de manteiga, 300 g de farinha de trigo, 1.5 litros de caldo de carne.
Modo de preparo:
Cozinhar a carne e fazer o caldo:
A carne pode ser cozida na panela de pressão (30 minutos na pressão) ou normal (cerca de 2 horas). Você irá precisar de 1,5 litros do caldo onde a carne for cozida.
Coloque na panela a carne (não refogue), a cebola, o alho, o tomilho seco (usei o acessório para chá) e o louro. Quando a carne estiver cozida, retire-a do caldo, pique em pedacinhos bem pequenos (aproximadamente 3 por 3 milímetros) e reserve. Coe o caldo e reserve-o.

Preparar a massa:
Derreta a manteiga. Adicione a farinha de trigo e frite por alguns minutos.

Adicione o caldo de carne reservado aos poucos e cozinhe por mais alguns minutos. Fica um creme espesso. Junte a carne picada e misture. Deixe esfriar.

Modele e frite os croquetes
Após completamente frio modele os croquetes em formato de pequenos troncos com 10 cm de comprimento e 3 cm de diâmetro.

Para empanar, prepare 3 pratos: 1 com farinha de trigo, 1 com ovo batido e 1 com farinha de rosca. Passe o croquete pela farinha de trigo, pelo ovo e então pela farinha de rosca.
Frite os croquetes por imersão em óleo. Eu gosto de colocá-los sobre papel toalha ao retirar da panela.

Sirva o croquete acompanhado de um pouco de mostarda de boa qualidade e do cole slaw. Que é uma salada feita com repolho picado, cenoura ralada, uva passa, ovo cozido, cebolinha verde e …

… com um molho a base de vinagre branco, açúcar, maionese, sal e pimenta.

Fala a verdade! É um verdadeiro e chic botecão holandês.

E neste clima, é claro que não poderia faltar a famosa cerveja holandesa, a La Trappe Blond (Betty??) Holland . Achamos “maltada, lantejoulista, luxuosa“.

Curiosidade sobre a gastronomia holandesa – O croquete holandês é algo que não poderia faltar num menu holandês. Os holandeses são loucos por ele. Nos restaurantes das empresas por exemplo, o croquete é uma opção sempre presente, todos os dias. Eles adoram.
Uma pesquisa com holandeses que moravam fora da Holanda perguntou qual a comida de casa que eles mais sentiam falta e o ganhador foi o croquete. Em holandês, croquete é kroket.

Ele é comumente acompanhado de mostarda e pode ser comido puro ou no pão. Para compor o menu, sugeri acompanhá-lo com uma salada, mesmo que essa não seja a maneira típica de serví-lo, achei que cairia melhor como parte de um jantar. O cole slaw é uma salada muito popular nos Estados Unidos, mas também consumida aqui. Uma coisa que eles consomem muito por aqui são saladas com coisas picadas e temperadas. É um estilo de salada comum e achei que faria sentido um tipo desses compor o menu, embora o cole slaw não seja uma salada tradicional holandesa. Além disso, o nome em inglês vem do holandês, da palavra “ koolsla”, onde koll significa couve e sla, salada. Repolho em holandês é chamado de witte kool, que em português seria couve branca. Daí o kool em koolsla.

Prato Principal – Hutspot & Hachee

Hachee
Ingredientes: 900 g de alcatra, 3 cebolas picadas, 3 colheres de sopa de farinha de trigo, 5 xícaras (aproximadamente) de caldo caseiro de carne, 2 colheres de sopa de melado, 2 maçãs descascadas e picadas, tomates sem pele picados, 1 ramo de alecrim fresco, 2 folhas de louro, tomilho fresco a gosto, 4 cravos, 10 grãos de pimenta do reino preta, manteiga, sal e pimenta do reino a gosto.

Modo de preparo:
O ideal é preparar o Hachee num Dutch oven. Eu preparei numa Le Creuset.
Corte a carne em cubos de aproximadamente 2,5 cm e seque-os com papel toalha.

Tempere a carne com sal e pimenta do reino moída na hora. Aqueça a manteiga e doure os cubos de carne. Faça em partes sem encher muito a panela. Quando estiverem bem dourados, reserve.
Coloque a cebola na panela e refogue-a até estar ligeiramente dourada e translúcida. Volte os cubos de carne para a panela e misture com a cebola.

Adicione a farinha de trigo, mexa e deixe cozinhar por 1 minuto. Junte os tomates, misture e deixe incorporar por alguns minutos e adicione caldo de carne até cobrir a carne. Junte a maçã picada, o tomilho, o cravo, os grãos de pimenta, o louro e o alecrim. (o cravo, os grãos de pimenta e o louro serão removidos no final).

Adicione o melado. Coloque um pouco de sal a gosto. (deixe para acertar o sal no final)
Aguarde ferver. Então tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por cerca de 2 a 3 horas. Vá acompanhando e mexendo de tempos em tempos. Após 3 horas, cheque a quantidade de caldo. Se o caldo estiver muito líquido (muito aquoso), deixe destampado apurando no fogo até engrossar. Acerte o tempero.

O Hachee está pronto para ser servido!

Curiosidades sobre a gastronomia holandesa – O Hachee é um cozido de carne holandês bem tradicional. Pode-se dizer que é a versão holandesa do boeuf borguignon. Segundo a Wikipedia, há descrição do Hachee em buffets medievais (não sei se isso é verdade). Infelizmente não sei muito mais sobre este prato. A primeira vez que experimentei foi num restaurante de comida holandesa em Amsterdam, o Moeders, e achei uma delícia.

Hutspot
Ingredientes – 370 g de batatas descascadas e cortadas em pedaços de mesmo tamanho, 370 g de cenoura picada em pedaços de aproximadamente 2,5 cm, 180 g de cebola picada em pedaços grandes, 1 colher de sopa de manteiga e mais manteiga para fazer o purê, caldo de legumes, curry a gosto, sal e pimenta do reino moída na hora a gosto.

Modo de preparo:
Leve as batatas para cozinhar numa panela com água fevendo e sal. Em outra panela, coloque a manteiga. Quando a manteiga estiver derretida, adicione as cebolas e refogue-as até estarem translúcidas.
Adicione o curry a gosto (cuidado para não deixar muito forte, a idéia é adicionar sabor, mas não ressaltar o curry) e cozinhe mais 1 minuto. Junte as cenouras e mexa envolvendo tudo. Coloque o caldo de legumes.

Tanto as batatas quanto as cenouras devem demorar uns 20 minutos cada uma para ficarem cozidas. Quando as batatas estiverem macias, escorra a água e reserve.
Quando as cenouras também estiverem macias, reserve um pouco do caldo onde elas foram cozidas (para ser usado, se necessário, quando estiver fazendo o purê) e escorra o resto.

Agora vamos fazer o hutspot:
Junte tudo numa tigela (as batatas e as cenouras com cebola). Adicione um naco de manteiga, um bom tanto de pimenta do reino moída na hora e amasse tudo junto fazendo um purê.

Se o purê estiver muito seco, use um pouco do líquido do cozimento. Acerte o sal. O purê não deve ser muito seco, mas tem que ter uma certa consistência. Não é pra se muito mole.

Hachee + Hutspot = Harmonioso e Holandês. Muito bom, Carla.

Como o Déo tinha dado mais uma mancada (olha o jubilamento!), aproveitamos pra continuar cervejando. Entornamos uma Trappistes Rochefort Belgica que foi “amendoada, campari light, amaretto dell’orso” segundo os tamanquistas juramentados.

Curiosidades sobre a gastronomia holandesa – A batata é o carboidrato base da alimentação holandesa. Ela está para a culinária holandesa como o arroz para a brasileira. É curioso que no site para compras online de um supermercado aqui na Holanda, na seção de vegetais e frutas há três categorias: batatas, vegetais e frutas. Tem uma categoria dedicada pra batata, só pra ter uma noção da presença dela por aqui.

Hoje em dia com as influências culturais de outros países, outros carboidratos foram introduzidos e são também consumidos pelos holandeses, como o arroz, massas, couscous marroquino e outros. Mas, pra se ter uma idéia, em alguns supermercados você encontra o arroz na seção de produtos “exóticos”, que são produtos típicos de outros países.
Sendo a batata a base, um prato muito típico e tradicional na Holanda é o Stampot, um purê que é feito amassando-se a batata junto com algum vegetal. Há várias versões de stampot, com couve, escarola, endívia, etc. O Hutspot sugerido neste menu é uma das versões do stampot, feita com cenoura e cebola. O stampot é consumido principalmente no outono e inverno e é comumente acompanhando por uma linguiça/salsicha holandesa defumada, chamada em holandês de rookworst. Mas pode ser também acompanhado de carne.

Sobremesa – Hangop
Ingredientes – 4 xícaras de iogurte natural integral, 1 xícara de creme de leite fresco, 5 colheres de sopa de açúcar, 1 fava grande de baunilha, frutas ou castanhas para servir com o Hangop (Minha sugestão está no final da receita).
Modo de preparo – Drene o iogurte, colocando um pano de prato limpo sobre um escorredor de massa ou peneira. Coloque esse escorredor sobre uma tigela funda. Despeje o iogurte sobre o pano e dobre o pano por cima cobrindo o iogurte.

Leve à geladeira e deixe sorando por pelo menos 4 horas. O ideal e deixar da noite pro dia. (usei o presente pollyshopiano da minha sogrinha, o Top Therm ).

Prepare o chantily, batendo o creme de leite fresco com o açúcar até o ponto de chantily.

Prepare o Hangop, colocando o iogurte que foi drenado numa tigela grande. Abra a fava de baunilha, tire as sementes, junte-as ao iogurte e misture bem (a fava não é utilizada).

Adicione o chantily e vá misturando e incorporando ao iogurte delicadamente.

Seu Hangop está pronto. Leve à geladeira até a hora de servir.

Curiosidade da culinária holandesa Minha sugestão para acompanhar o Hangop são frutas frescas, morango especialmente. Mas fica a gosto do freguês. Pode ser compota ou calda de frutas também, só recomendaria que não fosse muito doce se não o conjunto todo fica muito doce e se a compota for muito presente ela anulará o sabor do Hangop.

Eu conheço muito pouco sobre a história dessa sobremesa. Conforme o artigo onde encontrei a receita, o Hangop é uma receita holandesa muito antiga e tradicional. Morando na Holanda, sei que há versões industrializadas vendidas nos supermercados e sei que os holandeses comem o Hangop como sobremesa. É encontrado em menu de restaurantes e foi inclusive como provei a primeira vez.

É comum também os holandeses comerem apenas o iogurte de sobremesa e outra popular entre eles é o vla, um creme semelhante ao danete que há no Brasil.
Eles gostam muito desse tipo de sobremesa cremosa. Selecionei o Hangop, pois achei uma maneira interessante de incluir o iogurte no menu holandês, mas de uma maneira mais rica e preparando uma sobremesa clássica e antiga. Os laticínios daqui são deliciosos e os holandeses se orgulham disso. Uma das imagens comuns quando pensa-se em Holanda são as famosas vacas holandesas.
Achei que uma sobremesa láctea seria perfeita pra levar um pouco da cultura gastronômica holandesa para vocês.

Caramba, Carla. Esta foi uma verdadeira aula de gastronomia, cultura e adoramos tudo. Como não poderiam faltar, seguem as nossas famosas flores virtuais pra você …

… e pra BabyDuc também.

Eis a opiniãos dos mirindinhas:

Cruyff, Neeskens e Carla. A laranja mecânica desfilou a alta gastronomia na grande FV. (Edu)
Jantar digno da Casa de Orange!!! Nobilíssimo (Mingão)

Doei.

PS – E os IB continuam em maio com o menu apresentado pela Patricia e a Isabel do blog Memórias Gastronômicas. Aguardem que vem coisa boa por aí !

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Lima – Rafael, uma pintura de restaurante

uau! que jantar
16/10/09

Lima – Rafael, uma pintura de restaurante.

“Você não pode deixar de ir ao Rafael!”
Foi assim que a Carla Pernambuco (restaurante Carlota) respondeu ao meu pedido de dicas sobre o Peru. E olha que ela  entende tudo de gastronomia peruana.

E eu, que não sou bobo, nem nada, fui atrás!
Deixa eu explicar melhor como foi que eu fechei o restante da viagem peruana (já que uma parte dela foi num pacote especial da Teresa Perez). Conheci a Gouté,  uma agência especializada em viagens diferenciadas que se propõe a fazer roteiros com tudo aquilo que o seu cliente almeja.

Nós almejávamos história, conhecimento e boa gastronomia. Eu já tinha um montão de lugares que estava interessado. Resumindo tudo (após uma montanha de e-mails, palpites e acertos), chegamos a um roteiro onde a Tati, uma das sócias, confirmou as reservas de passeios (bike, Pachacámac, mercado de Surquillo com aula de culinária) e de restaurantes (La GloriaPescados CapitalesAstrid & Gastón, Wa Lok, Huaca Pucllana).

É claro que o Rafael, restaurante do chef Rafael Osterling constava do cardápio da viagem. E, certamente, foi o acontecimento gastronômico dela.
Primeiro porque era a grande dúvida já que optei por um menu-degustação composto de 4 pratos mais a sobremesa (a Dé tinha reclamado pacas, pois ela tem traumas com este tipo de menu. É muita comida, diz ela).

Segundo, porque faríamos este jantar justamente na noite em que voltaríamos e voaríamos (de avião, óbvio) da altitude de Cusco para Lima. Ou seja, estaríamos “pregados”!
Chegamos lá as 20:30 hs ( no horário da reserva) e o nosso lugar já estava pronto.
E, acreditem ou não, foi tudo tão rápido, em porções compatíveis com  a aflição da Dé (ou seja pequenas) e tão boas que certamente compartilhamos da opinião da Carla: o Rafael é mesmo imperdível.

Começamos o nosso passeio pela gastronomia peruana com um A Virgem e o Menino, ou melhor, um Tiradito Nikkei de Atum com Yuzu, Mirin, Guacamole e Ajojnjole Humeante que é como um sashimi de atum com saquê, óleo de gergelim defumado e creme de abacate. Literalmente, uma pintura.

Pedimos um vinho branco, um Alamos, e pensamos: o tal Rafael Osterling é bom mesmo. A descrição do estilo dele que diz que ele gosta de aproveitar os ingredientes mais frescos e fazer uma culinária simples e fusion é correta!

Como segundo prato a Santíssima Trindade ou Inmensas Conchas a la Parrilla a la Mantequilla de Limon y Ajo Crocante. Em bom português, imensas (não tão imensas assim, mas saborosas) vieiras grelhadas com manteiga de limão, mel e alho crocante. Mais uma obra de arte e o caldinho que se formou nas conchas é um verdadeiro néctar.

Continuando o nosso tour de force, o terceiro prato,  a Criação de Eva da Costela de Adão ou Tempurá de Atum com Salsa Akishizo de Mirim sobre Ensalada de Pepino, Mango, Palta y Nueces Cajun. Algo como tempurá de atum com molho akishizo ( este, nem no google eu achei!!) sobre salada de pepino, manga, abacate e castanhas de caju. Do jeito que a coisa anda, viraremos fãs do atum tamanha a precisão do Rafael ao utilizá-lo nos pratos.

Finalizando a parte salgada e com um serviço cronometrado já que bastava colocarmos os talheres nos pratos, o garçon se aproximava e perguntava se poderia servir o próximo, chegamos ao quarto prato: Ressurreição de Cristo ou Mero Akishizo Sellado a la Grilla y Horneado com Poros Bebe, Portobello y Arroz frito al Ajonjoli. Esta foi a verdadeira obra de arte do Rafael (qual dos dois?). Traduzindo: garoupa fresquíssima grelhada e assada  com alho poró baby, cogumelos e arroz frito ao óleo de gergelim. Sabores impronunciáveis surgiram no prato.

 

Faltavam as sobremesas e era uma degustação também. Podemos chamá-la de DeusPai ou Torta queimada de limão taiti, panna cota de maracujá e  creme brulée de laranja e grapefruit. Tudo delicioso e destaque-se que era o quinto prato e estávamos com o estômago e a alma saciados.

Rafael, célebre pintor do Resnascimento italiano é o autor das obras grifadas em vermelho. Rafael Osterling, célebre chef peruano tem os seus pratos grifados em azul e cria cada prato com se criasse uma saborosa obra de arte!

Portanto, prepare-se pra vir ao Rafael, o restaurante, como se viesse a um museu. Você comerá verdadeiras pinturas de sabor!!

Hasta!

PS – Este post é a versão completa do que foi publicado na semana passada pelo nosso guru, o Diogão lá nos Destemperados.

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