Posts Tagged 'gastro pop'

dcpv – da cachaça pro vinho – gastro pop chinês

Uma “loucula”!
16/04/09

Gastro Pop
Stúdio 768 e Carla Pernambuco
Etapa I – 2009
Cozinha Chinesa
16 de Abril
Chef convidado – Thompson Lee

E voltamos aos Gastro Pop, agora com o início da edição 2009.
Pra quem não sabe, é uma iniciativa das Carla Pernambuco/Carolina Brandão (by Carlota) onde grandes chefs são convidados pra executar um menu típico de alguma cozinha/país/região.

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Desta vez, o escolhido foi o prof/chef Thompson Lee, especializado na culinária do país que mais cresce no mundo, a China.

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Estes eventos são realizados no Studio 768, um espaço bem em frente ao Carlota (rua Sergipe, 768 – Higienópolis) e sua característica principal é ter a cozinha sempre aberta pra interações com os chefs.

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Uma beleza, especialmente pra mim que sou curioso e gosto de “fuçar” bastante no trabalho de pessoas altamente especializadas.

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E tem mais. O Thompson Lee (como todos os chefs convidados até agora) é extremamente solícito e está sempre pronto a responder qualquer pergunta! Até receitas ele deixou à disposição.

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Só a apresentação do menu já valeria a noite. Tem explicações sobre as origens da culinária chinesa: “Na China, cozinhar é considerado uma arte e os grandes chefs são admirados por suas habilidades. Registros históricos relatam que durante a Dinastia Chou (1122-255 AC), os chefs de cozinha eram tão importantes que recebiam o título de oficiais da Corte Real”.

Exemplificando mais ainda,ficamos sabendo que os utensílios mais importantes da cozinha chinesa  são o cutelo oriental, o hock ( a concha), o vok-chan ( a espátula), o so-hok  (a peneira) e o khuai-chi (os palitos de bambu).

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Além, é claro, da Wok que é “provavelmente o utensílio de cozinha mais conhecido e utilizado em toda a Ásia. A palavra wok (viu, Michel) do dialeto cantonês significa “recipiente para cozinhar”. Teve sua origem a partir do princípio que seria necessário cozinhar rapidamente e eficientemente os alimentos numa época de difícil obtenção de energia combustível”.

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Portanto, vamos dar início ao nosso tour pela maravilhosa culinária chinesa!

Iniciamos pelos famosos Dim Sum

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… que foram servidos em 3 tipos e recheios diferentes: frango, frango/camarão e veggie.

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Deliciosos e extremamente reconfortantes. Continuamos com uma bela sopa, a Wonton. Um caldo extremamente leve e quente, com agrião fresquíssimo no fundo do prato e raviolis com recheio de camarões in-natura muito bem temperados que simplesmente explodiam na boca à cada mordida. Sensacional.

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Pronto, estávamos aquecidos e aptos a iniciar o passeio gastronômico pelas regiões da China.
Começamos por “Beijing, ao Norte da China, foi o centro cultural, comercial e político por vários anos. Era também residência do Império Chinês. Para lá foram levados os melhores chefs de toda a China. Pratos clássicos como o pato de Pequim tiveram sua origem nesta região. Trigo e soja são os principais grãos consumidos, principalmente sobre a forma de pães, macarrão e dumplings”.
Esta região foi representada pelo Pato Laqueado à moda de Pequim.

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O Thompson trouxe vários deles onde só os magrets foram utilizados!

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Continuamos passeando até chegar a “Shanghai, que se encontra no litoral da China com o rio Yangtze. É a maior cidade da China e também o principal representante da culinária desta região. Seus principais pratos são à base de peixes e frutos do mar, em que apresentações refinadas e molhos a base de shoyu adocicado, são as características da culinária de lá. Arroz e chá são presenças constantes nas refeições, assim como sopas , guisados e ensopados”.
Um exemplo da comida de Shanghai é um Robalo ao Molho de Feijão Preto.

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O molho tinha um gostinho de gengibre, pimenta dedo-de-moça, conhaque, molho de soja, glutamato e alho. Inebriante!
Seguindo o tour, chegamos a Canton, ao sul, possui o mais variado cardápio da cozinha chinesa. Isto se deve a abundância de riquezas naturais, bem como à queda da Dinastia Ming em 1644, quando muitos cozinheiros-chefs da casa Imperial refugiaram-se no sul levando suas principais receitas. Hoje, Canton produz os mais ricos, famosos e apreciados pratos da culinária chinesa.”
Como comida cantonesa, um Ninho de Frutos do Mar.

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Camarão, lula, vieira, kani num ninho de batata frita. Meu Deus! A Re só comeu o ninho; já eu e a Dé, tudinho!

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Terminamos o giro pela região por “Sichuan, província do interior da China. Possui um clima montanhoso. Tem como principal característica a combinação explosiva de sabores doce, salgado,azedo e apimentado em um único prato. Aqui, a pimenta vermelha é largamente utilizada, pois além de prevenir certas doenças, ajuda a suportar o clima severo”.
Como legítimo representante desta culinária, um Sichuan Beef.

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Uma mistura de vários legumes (cebola, cenoura, pimentões verde e vermelho, mini-milho e brócolis) acompanhava a carne. Delicioso!

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Finalizamos o “legabofes” com Bananas Carameladas. Uma sobremesa “manjada”, você diria!
Pois, estas bananas não!

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Pareciam bolas envernizadas!

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Crocantes, lindas e acompanhadas de sorvete de creme e um enfeite de caramelo, resultaram mais perfeitas ainda.

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Resumo da ópera: uma noite excelente onde o prof/chef Thompson Lee mostrou toda a sua técnica/simpatia e deixou aberta a possibilidade de visitar o restaurante dele lá em São Francisco Xavier, o Yoshi.
E mais uma vez o Gastro Pop cumpriu a sua missão.

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Ainda mais com uma bela banana caramelada como a distinta acima! 

Até a “plóxima” .

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dcpv – da cachaça pro vinho – gastro pop 9 – borgonha – emmanuel bassoleil

mais um
26/11/08

 dcpv – Gastro Pop 9 – Borgonha Emmanuel Bassoleil

Gastro Pop
Etapa 9
Cozinha Bourguignone
Studio 768 e Carolina Brandão ( a Carla estava viajando)
26 de novembro de 2008
Chef convidado : Emmanuel Bassoleil
Texto : Edu Luz ( eu mesmo)

Puxa, já estamos no 9º! Parece que foi ontem que começamos a ir aos Gastro Pop.

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Várias cozinhas foram representadas no Studio 768 (persa, caiçara, thai,  brasileira,indiana, peruana, japonesa, árabe) e agora chegou a vez da bourguignone através de seu legítimo e bem-humorado cidadão, o chef Emmanuel Bassoleil.
Ao contrário das outras vezes, nesta não foi distribuído um folheto explicativo sobre a culinária. Melhor ainda, o Emmanuel nos deu o seu livro, Os Sabores da Borgonha, e o autografou com direito a dedicatória e tudo o mais!

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O livro é muito bom! Se você quiser saber a história da Borgonha, ele tem. E, é claro, se quiser receitas da Borgonha e do Bassoleil, ele tem também!  Pra quem não sabe o Emmanuel é o chef responsável pela cozinha do Skye, o restaurante do hotel Unique (a melancia ) há um tempão.

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Com o Studio 768 completamente lotado, começamos como sempre dando uma bela olhada na cozinha e tomando um belo Kir Original (creme de cassis e vinho branco) feito pelo próprio Bassoleil.

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Conversa vai, conversa vem e conhecemos o Leandro e a Juliana, amigos da Priscila Forbes, sócia fundadora da LBV (ops, da Legião do Boa Vida!). Junto com ele, estava o Diogo e a Ana Paula. Vários assuntos em comum depois (viagens, gastronomia, hortas, sementes, etc)  e, como sempre nos Gastro Pop, a noite passou rapidamente.
Incrível como a Carla e a Carolina conseguem juntar pessoas que tenham tanto em comum e com tanto bom humor !! Ah! A Sheila Hara, a do Gastro Pop 8, o Sírio Libanês, também esteve lá!
Voltando a Borgonha, começamos experimentando um Caldo de Morilles e Gougeres. O pãozinho não é somente fotogênico. É delicioso!

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Não poderia faltar o foie gras. É uma das especialidades do Bassoleil. E esteve no Toast de Foie Gras cozido no Pinot Noir!

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Logo após, Nage de Camarões ao vinho branco de Rully! Tudo no ponto certo e com um prato esteticamente perfeito.

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A seguir, um clássico, um Beauf Bourguignon, um músculo que é cortado em cubos e cozido com cebola, cenoura, alho, extrato de tomate, vinho tinto, bouquet garni e caldo de carne. E acompanhado por cebolinhas, cubinhos de bacon e champigons de Paris. Delicieux!

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Sobremesa? Sopa de frutas vermelhas ao Beaujolais e Fromage Blanc e Pain D’Epice de Dijon. Realmente, uma grand finale!

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Vamos aproveitar e mostrar alguns trechos da entrevista  que o Bassoleil concedeu no seu próprio livro e entender melhor a sua filosofia:
Pergunta : O que ficou da Borgonha em você?
Bassoleil – É a minha região, é lá que está a minha família. Não estou trabalhando com gastronomia à toa: minha mãe é uma grande cozinheira  e meu pai me ensinou a degustar o vinho. Sou um chef de cozinha nascido no berço da gastronomia.
Pergunta : Quais são as suas primeiras lembranças?
Bassoleil – O escargot. Comecei a caçar escargots com meus pais quando tinha 5, 6 anos. Quando a caça era boa, pegávamos 80, 100, 120 escargots.

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Pergunta : Você caçava outros animais?
Bassoleil – Caçava rãs nas lagoas com o meu pai. Você corta a rã abaixo dos membros superiores e só come as coxas. Mas o curioso é que, depois de cortada, a rã continua se mexendo.                                              Pergunta : Com o vinho também costuma ser como o cassis?
Bassoleil – É, quando eu tinha 8 anos meu pai colocava vinho na minha água. Aos 12, punha água no meu vinho.E com 14 anos, eu tomava vinho. A vida era simples assim: você plantava, pescava, caçava, fazia o cassis, as conservas, tinha os vinhos. A Borgonha é um pouquinho de tudo isso! Não guardo apenas imagens: sinto o cheiro, o sabor da infância.

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Bacana, não? Como bacanas são todos os Gastro Pop.
Agora, como a Carolina nos informou, só no ano que vem! Espero que sejam tão interessantes como este do Bassoleil foi!
Au revoir !

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dcpv – da cachaça pro vinho – gastro pop 8 – cozinha sírio libanesa

11/10/08

dcpv – gastro pop 8 – cozinha sírio libanesa

Gastro Pop
Etapa 8
Cozinha Sírio Libanesa
Stúdio 768
11/10/08
Chef Convidado – Sheila Hara

Etapa 8 do Gastro Pop, o projeto da Carla Pernambuco e da Carolina Brandão, realizado no Stúdio 768 onde um chefe é convidado pra cozinhar ao vivo, as receitas de um tema definido.
Nós ( eu e a Dé ) fomos em 6 edições ( Persa, Brasileira, Thai, Caiçara, Japonês e Libanês ) e faltamos mas, gostamos em 2 ( Indiano e Peruano ). Portanto, o placar está 6 x 2 pra nós.

Este, o Sírio Libanês, cumpriu o que prometeu! A Carla convidou a Sheila Hara que não é chef profissional, mas se comportou como se fosse; e das melhores.
Na verdade, a Sheila é artista plástica, nascida no Líbano e atualmente pesquisa a multiplicidade da imagem, temporalidade e o movimento em vídeo e imagem digital. Eu prometo que vou pesquisar o que isso significa exatamente, mas de uma coisa nós temos certeza: ela cozinha muito, mas muito bem mesmo !


A Sheila e a Lia Chaia que também é artista plástica

E tem mais. O tal jantar Sírio Libanês, que a maioria dos brasileiros chamam erroneamente de “turco”, de “turco” não teve nada! (todas sabem da fama que os “turcos” tem de serem sovinas).
Uma abundância e variedade tal de comidas típicas foram servidas que, ficávamos olhando uns pra cara dos outros e dizendo: Meu Deus, como é bom!

Enquanto atacávamos as mezzés, fomos avisados pela própria Sheila que os pratos quentes seriam servidos logo, logo. E ficávamos pensando em como absorver tanta cultura e, principalmente, tanta comida boa!
Mas, vamos ao Menu Sírio Libanês:

Mezzes

Homos Bi T’Hine  pasta de grão de bico)

Baba Ghanouj ( pasta de beringelas)
Labné (Coalhada Seca)

Fattouche (salada de tomate, pepino, hortelã e pão sírio torrado)
Mujaddara (arroz com lentilhas e coalhada com hortelã seco e pepino)
Warak fnab bi Zeit (charutinho frio de folha de uva com recheio vegetariano)

Tabboulé (salada de ervas, trigo e tomates )

Pausa pra receita mais simples que eu já passei até hoje e que achamos o resultado sensacional:
1- Pegue um pão sírio. Corte em 4 e separe as faces.

2- Aqueça uns dois dedos de óleo numa frigideira .

3 – Frite o pão.

Pronto! Pãozinho crocante e pronto pra você comer com qualquer pasta, salada ou sem nada mesmo. Já fiz em casa e ficou demais!

Primeiro Prato

Samak Bi T’Hine ( peixe assado com molho tarator)

Principal

Kebab b’il Karaz (almôndega com molho de jaboticaba e pinolis fritos)

Mograbiyé ( cuscuz libanês com grão de bico e frango, guarnecido por cebolas fritas e pinolis)

Sobremesas

Khos haf Bil Miscmish (sopa de damasco fresca com amêndoas, pistaches e pinolis)

Rib Bil Halib (arroz doce a moda libanesa com água de flor de laranjeira e geléia de pétalas de rosas)

Maamail (amanteigado recheado de tâmaras)

Olha, nós não conseguimos destacar nada, pois estava tudo absolutamente perfeito (exceto o tamanho dos nossos estômagos).
Comida sensacional; a chef/artista plástica super simpática e atenciosa; o clima do Stúdio 768 estava tremendamente Sírio Libanês; o pessoal (mais uma vez) super alto astral e comunicativo e fica sempre a sensação de como a dupla Carla/Carolina (na verdade um trio, junto com o Carlos) conseguirão melhorar o nível no próximo, que será no dia 26/11 com a cozinha da Borgonha do Emmanuel Bassoleil.
Pra não perder a oportunidade, vamos a mais uma aula de história do dcpv :

Comparação entre a Síria e o Líbano (fonte : texto do Eduardo Logullo)
Síria : dizer que a história da Síria é muito antiga seria um pleonasmo. Arameus, assírios, persas, Alexandre III, selêucidas, romanos, Septímia Zenóbia (que nominho feio !), califado Omíada, Hamdanita, cruzados, otomanos, franceses e George W Bush (!) passaram por lá!
Líbano: Berço histórico dos fenícios. Alexandre Magno, Ptolomaico, selêucidas, romanos, bizantinos, cruzados, otomanos. Devido aos tumultos, muitos libaneses migraram para os USA, Argentina, Venezuela e Brasil.

Síria: zátar, frutas e grãos-de-bico açucarados, vegetais cristalizados, nougats recheados de pistache, sanduíches de omeletes de ervas, geléia de rosas, pasta de berinjela grelhada, ameixas verdes, quibes recheados com marmelo.
Líbano: mistura de ervas e  temperos, azeite de oliva, manteigas, legumes em cordão, azeitonas, trigos, lentilhas, favas, coalhadas feitas no pano, carnes em conserva, pão.

Síria: a esfiha surgiu lá. E quibe em árabe é kubbeh ou seja, bola. E mais, Maqluba, um prato com arroz que mistura carne e diversos ingredientes é tido como a receita que deu origem a paella espanhola!
Líbano: os libaneses amam a fartura à mesa e acreditam que oferecer comida é uma demonstração de afeto! E, no Líbano, o dono da casa ao receber alguém finge que não preparou nada especial. E o visitante finge que não vai comer nada. No final, todos se fartam .

Síria + Líbano = salve o Oriente Médio! Viva os prazeres da sua mesa!

Salam Aleikum !

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dcpv – da cachaça pro vinho – gastro pop peruano: não fomos de novo, mas … gostamos muito outra vez!

27/09/08

dcpv – gastro pop peruano: não fomos de novo, mas … gostamos muito outra vez!

Gastro Pop
Etapa 7
Cozinha Peruana
Stúdio 768 e Carla Pernambuco
27/09/08
Chefs convidados: Carla Pernambuco, Carolina Brandão e Carlos Siffert

Pra quem não sabe, Gastro Pop são eventos realizados no Stúdio 768 onde a Carla Pernambuco e a Carolina Brandão recepcionam chefs convidados pra executarem receitas com algum tema específico (Brasileiro, Japonês, Taillandês, Nordestino, Persa, Indiano).
Não é que justamente no Gastro Pop mais esperado por nós, o Peruano, não pudemos ir? E olha que eu já tinha até pago!
Mas, por razões familiares (a transferência da festa de aniversário da Re onde além do pai, eu ainda era o churrasqueiro responsável) cancelamos (e transferimos pro Árabe que acontecerá amanhã, sábado!) e ficamos na dependência de informações de quem foi.

Ainda bem que, como reporter especial dos Gastro Pop (está no contrato!), eu tenho como direito receber todos os informativos e a partir dele, consegui fazer um relato de como nós (eu e a Dé) acharíamos que foi a noite. Ah, com um detalhe: como a minha fornecedora especial de fotos, a Carolina,  estava muito ocupada cozinhando, tive que usar a imaginação (e as fotos do nosso arquivo)  pra ilustrar este post.

Vamos lá, então! A Noite Peruana que nós não fomos, mas… adoramos, contada a partir do informativo e com fotos que também não eram dos pratos. Puxa, isto aqui está parecendo um daqueles filmes do Quentin Tarantino! Ou estaria mais esquisita do que a história do desparecimento dos incas. Confira!

Texto do Eduardo Logullo/Comentários do Eduardo e Débora :
“Alguns iniciados colocam a cozinha peruana (pode nos incluir pois somos fãs) entre as experiências mais admiráveis na vida de um gourmet (e é mesmo! Super diferentona e saborosa!). Carla Pernambuco acaba de voltar de lá (ela nos disse que está maravilhada com tudo o que viu e comeu por lá!). Ela sabe que a imaginação dos amigos comensais voa longe (é, cada vez que vamos ao Stúdio 768, imaginamos o que vamos encontrar!).
O jantar de hoje se propõe a ser quase um manifesto pró-peruano (ôba, ou melhor, que pena!). Sim, o restaurante Carlota e o Stúdio 768 tem a honra de trazer o Peru à mesa.” (ainda bem que a piadinha de duplo sentido não foi minha).  


Planta peruana da gema (?)

Com esta introdução (ôpa!), o clima estava implantado. Só faltava começar a degustação peruana. Vamos aos acepipes incas:

BEBIDINHAS

Pisco Sour (este vai com a receita pois esta foto é verdadeira já que a fiz no último final de semana)

Xarope
1/2 xícara de açúcar
3 colheres de sopa de água
Leve ao fogo e faça um xarope claro.

Ingredientes
225 ml de Pisco
1/2 clara de ovo
75 ml de suco de limão
Gelo
Xarope
Leve tudo ao liquidificador e sirva.

Os incas surgiram como tribo e fundaram, por volta de 1200, na região de Cuzco, um legendário reino que absorveu todas as comunidades andinas.

Pisco Sour de Maracujá

COQUETEL

Tiraditos de Pescado

50 anos antes de Colombo desembarcar no Caribe, os incas começaram uma grande expansão do seu império.

Causa de Camarones em Salsa Criolla

Um século depois, os invasores espanhóis, com Francisco Pizzarro à frente, conquistaram a nação inca

Papa Rellenas

As revoltas foram tantas que obrigaram a Espanha a fundar em 1542, o vice-reino do Peru

Conchitas (vieiras) a la Parmesana

Em 1572, os incas foram dados como dizimados

BANQUETE  

Pato a la Moda de Chepén

O Império Inca dispunha de intrincados sistemas de irrigação e de terraços para plantio

Arroz com camarones

A batata mudaria por completo a dieta européia, desde aquela época, graças aos Incas que cultivavam mais de 2000 tipos

Purê de batata doce ao perfume de laranja

Foram 150 anos de presença espanhola que deram o contorno definitivo à cozinha peruana

Lomo saltado

SOBREMESAS

Postre colonial de Ponderaciones (espirais de massa crocante, preparadas em equipamento especial)

Também existem resquícios polinésios na culinária peruana devido a chegada de escravos dos arquipélagos de Tonga, Kiribati, Samoa e Polinésia Francesa

Manjar de yemas (doce de leite com gemas)

No início do séc 20, desembarcaram no Peru, mais de 18000 japoneses. E junto com eles o shoyo, o missô e peixes crus que originaram o ceviche

Suspiro de limeña

Resumão: deve ter sido um jantar espetacular (pelo menos, nós achamos!). Peruano ao extremo e com toda a bossa-nueva de sabores. Quase vimos Machu Picchu (tendo uma força tremenda de imaginação).


Veja a globalização! Por do sol em MachuPichu com antena de TV (?)

Último trechinho: ” Um século depois, a cozinha peruana passa a se chamar novo-andina. O que seria desta cozinha sem tantas influências? Sem os aji ( limo, amarillo, mirassol ). Quem resiste a frutas nativas com nomes sonoros ?( lúcuma, algaborro, quebranta, chirimoya, rocoto ). Quantas batatas são necessárias pra lembrar a importância da cultura inca ?( seca, chuño, olluco, canote)


Eu sei que está vencido! Mas, aji com data de validade?

As respostas se encontram no mapa do Peru, país formado pelo encontro das culturas antagônicas. Nação que tinha tudo pra gerar uma cozinha caótica, segmentada e sem cara. Que nada !  O Peru hoje levanta seu rosto de pedra, sacode o caldeirão dos 1000 sabores, dá muitas voltas por cima e pede passagem. Decifre-o e devore-o. “

Bueníssima! Hasta la vista!

PS – Como estou com todas as receitas, farei um Gastro Pop Peruano brevemente no dcpv. Este, nós não perderemos!

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dcpv – da cachaça pro vinho – gastro pop – mari hirata e a verdadeira culinária japonesa

lá vamos nós de novo
20/08/08

dcpv – gastro pop – mari hirata e a verdadeira culinária japonesa

Gastro Pop
Etapa 6
Cozinha Japonesa
Stúdio 768 e Carla Pernambuco
20 de agosto de 2008
Chef convidado – Mari Hirata

Devo admitir! Não somos (eu e a Dé) grandes admiradores da comida japonesa. Já tentamos algumas vezes incorporar estes sabores aos nosso hábitos, mas empacamos no que chamamos de simplificação: sushis e sashimis. Sempre pensamos: é claro que não pode ser só isso?
E foi com um prazer incontido que soubemos que o Gastro Pop, o projeto da Carla Pernambuco e da Carolina Brandão, traria a grand chef Mari Hirata pra preparar pratos da mais legítima cozinha nipônica.

Pensamos: puxa, é uma grande oportunidade pra mudar definitivamente este conceito! Mari Hirata …
Vamos aos fatos: chegamos um pouco atrasados (coisa rara!) e pela primeira vez, não tivemos tempo de conversar com a chef convidada.


A irmã dela e a Mari

Mas deu pra perceber claramente que esta noite nos marcaria pela diversidade e pelos princípios que norteiam a comida nipônica:
– Montagens feitas a partir de conceitos de ikebana e assimetria
– Arroz, peixes e frutos do mar
– Estética

– Comida feita com a alma
– Qualidade dos ingredientes
– Cozinha sem excessos

– Bem além do sushi e sashimi
– Harmonia
– Perfeição no tempo de cocção
– Preparação minuciosa

– Cozinha espelhada no comportamento
– Perfeição em cada corte
– Ingrediente sazonal
– Saudável

E não é que tudo isto estava lá? Vejam o que nos foi servido:

Petiscos

Chips de legumes japoneses (raiz de lotus, batata doce e abóbora)

Todos deliciosos com um destaque especial pro belo design natural da raiz de lotus.

Inago – pequenos gafanhotos que só comem arroz (do jeito que eu gosto de arroz, logo, logo, me transformarei num inago!), caramelizados e apimentados.

Os gafanhotos são parecidos com salgadinhos (Elma Chips). E a pimenta tem a particularidade de amortecer a boca (parece um pouco o jambu!).
Descobri depois com a colaboração do Marcelo Katsuki que esta pimenta se chama Hichimi (7 especiarias).
Veja o detalhe das perninhas deles, abaixo. A Dé experimentou, mas não achou muito bom, não! 🙂

Gomadoufu (tofu de gergelim)

Um tofuzinho com um belo molho de sakê, shoyo e dashi. Bom prato com um gosto bem acentuado.

Entrada 

Flan no vapor com creme de cogumelo shitake

Uma delícia. Uma mistura de creme de ovos com caldo de galinha. Como disse a Dé: esse eu comia todo dia!

Principais

Prato 1 – Tataki de atum, molho ponzu em gelée e salada japonesa

Pedaços de atum levemente grelhados e que se desmanchavam na boca. E uma salada japonesa (mizuna, shisô, negi) que estava crocante e muito bem temperada por um molho ponzo que é feito pelo próprio, vinagre de arroz, shoyo, mirim, suco de limão, alga e lascas de bonito.
Detalhe: tem muito ingrediente que eu não tenho a mínima idéia do que é? Mas que é muito bom, ah, isso é!

E ainda bebemos um belo vinho branco Paço de Teixeiró Minho 2006  Portugal que se “acoplou” muito bem ao atum!

Prato 2 – Costela de porco caramelizada coberta com gergelim e pimenta de sancho japonês com legumes japoneses (beringela, raiz de lotus e kabu)

Este prato, se é que existe isso, é o que podemos chamar de um experimento da culinária nipo-mineira. Uma costela com a carne soltando do osso (hummm!) e com um molho adocicado que deixava tudo muito gostoso.
A Dé (por motivos óbvios) não comeu a costela, mas adorou os legumes com destaque mais uma vez, pra beleza da raiz de lotus. O mais engraçado foi ver todo mundo comendo com as mãos, pois a costela parecia um brontossauro!

Continuamos, em tempos de Lei Seca, com o vinho branco. Uma pena, pois um “tintinho” cairia muito bem (é ou não é, Neide!)

Sobremesas

Cítricos japoneses(decopon, ponjan, kinkan, zabon) com gelatina de agar-agar e creme de anin (amêndoas amargas)

Colorido, citriquíssimo, refrescante e com uma laranjinha cristalizada que era um néctar dos deuses.
E Chiffon Cake de Matcha, certamente o bolo mais macio, leve e flexível que nós já comemos na nossa vida. Pra quem não sabe, Matcha é chá verde!

Ainda tomamos um chazinho verde digestivo, pois ninguém é de ferro! Hahaha
Pra variar, tudo muito bom e se o objetivo era nos transformar em fãs da comida japonesa: objetivo totalmente alcançado!
Vimos (e sentimos) nessa refeição todos os princípios citados lá em cima. E palmas pra Mari (e pra Carla e pra Carolina e pro Carlos Siffert) pelo tour gastronômico que nos proporcionou.

Pra não perder o costume, vou encerrar com um trechinho do texto que o Eduardo Logullo escreveu no folheto da noite :

Claro que o conhecimento culinário no Japão é resultado de um processo lento de aprimoramento técnico e da adição de infinitos detalhes. Tudo isso resultou em uma espécie de “design alimentar”. Sem nunca se julgar uma cozinha absoluta, ao longo do tempo o país moldou a sua cozinha até chegar a forma como agora é universalmente conhecida. Mais ainda: os japoneses fizeram da sua culinária uma linguagem cultural, que praticada de forma harmoniosa, traduz os comportamentos, formas de pensar a vida, interpretação dos alimentos. ”

Gochisosama !

PS – E como que por encanto, as pessoas que estavam lá também criaram um ambiente e uma harmonização impressionantes. E olhe como tinha craques: Mara Salles, Ana Soares, Nina Horta, Josimar Mello e os que sentaram conosco, Marcelo Katsuki (do Comes e Bebes), a Andréa Rizler (sócia da Nina), o Paulo Miranda que trocou informações sobre viagens e afins e que me prometeu dicas sobre a Toscana.
Ah! A Neide do Come-se também foi (um prazer encontrá-la novamente) e ainda nos presenteou com a foto abaixo. Pra variar, a Dé estava tirando fotos e eu, olhando pra comida !

E até o próximo que será no dia 27 de setembro, Peruano, a cozinha da onda e feito pelo trio CCC ( Carla, Carolina e Carlos).

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