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dcpv – mingão e rita lobo – tudo a ver

Número 407
13/01/2015

Mingão e Rita Lobo – Tudo a ver.

O Mingão apareceu por aqui numa destas terças da vida dizendo que tinha feito uma receita incrível de peixe no final de semana.

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Eu fiquei com isto na cabeça e por conta de falta de ideia do que fazer, resolvi perguntar pra ele, através do whatsapp, como se fazia?
Resultado? Teremos por aqui a primeira receita feita através desta tecnologia.

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E pra complementar, dei uma pesquisada no site Cozinha Prática, da Rita Lobo, até encontrar alguns pratos que se encaixariam com este calor saárico reinante nestes dias (e noites).

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Vamos lá, então, a este encontro inusual e bacana!

Entrada – Gaspacho

Esta receita é da Rita Lobo. E é tão fácil de fazer, quanto se encaixa neste clima veranesco.

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Para fazer, basta liquidificar 200ml de suco de tomate e 1 fatia de pão amanhecido.

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Enquanto isso, corte em pedaços meio pepino japonês e 1 rodela de pimentão vermelho. Coloque no liquidificador.

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Adicione um dente de alho descascado, ½ colher de sopa de vinagre de vinho tinto, ½ colher de sopa de azeite e bata por 2 minutos, até formar uma sopa lisa. Tempere com sal e pimenta do reino.

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Deixe gelar e sirva. Ficou realmente delicioso e combinando muito com a temperatura vigente.

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Pra melhorar, tomamos um bom espumante, o Prosecco Fantinel Extra Dry, que achamos “fresco, uvanel, balde“.

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Principal – Peixe no forno com farofa.

Como eu já citei lá em cima, esta eu peguei com o Mingão e através do watsapp:
Mandei a seguinte mensagem pra ele: fala, Dr. Estou procurando receitas e lembrei do seu peixe. Como é mesmo?
Ele respondeu: é só misturar farinha de rosca, mais ou menos 200g com 100g de queijo parmesão ralado e raspas de limão.

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O peixe é temperado antes (com sal e pimenta).

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É só passar em manteiga líquida e empanar bem na farinha e levar ao forno.

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Colocar bastante farofa na parte de cima porque fica uma delícia.

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Ah! Servi com um bom arroz basmati feito conforme manda a tradição, ou seja, somente com água fervente e finalizado com couve refogada.

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É simplesinho e gostosinho.

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Tá certo, Dr. Em ambas definições.

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Tomamos um bianchetto muito bom, o Sauvignon Blanc Santa Carolina 2014 que foi “éclair, sorvetoso, ferraz”.

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Sobremesa – Crocante de pêssego.

Mais uma da Rita Lobo (aquele programa dela, o Cozinha Prática do GNT é muito bom).

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Preaqueça o forno a 200°C. Passe os pêssegos em calda duma lata por uma peneira, lave bem em água corrente.

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Enquanto isso, numa tigela junte 50g de manteiga gelada, ½ xícara de chá de farinha de trigo e 3 colheres de sopa de açúcar demerara. Misture com a ponta dos dedos até formar uma farofa grossa.

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Transfira os pêssegos com a cavidade pra cima para um refratário e preencha com a farofa, levando pra assar por cerca de 20 minutos, até dourar.

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Sirva quente com sorvete de baunilha (feito em casa e de preferência, na Ferrari).

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Eis a opinião dos improvisadores:
Um luxo. O peixe estava sublime! (Edu)
Beleza, tudo ótimo! (Mingão)

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Pronto!

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Ficou provado mais uma vez que não é necessário ter um fio condutor pra que surja um menu inesquecível.

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Bastam boas receitas (e um pouco de química entre elas).

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Bye.

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dcpv – família, ê. família, a. família.

13 a 14/09/2014

Família, ê. Família, a. Família.

Se fosse definir a mim mesma com três palavras, certamente seriam família, amigos e Minas. Por isso estava tão feliz no sábado. Reuni família e amigos em torno da comida mineira.
Na família eles eram conhecidos como os amigos de São Paulo e Brasília. Ou os amigos do blog de gastronomia. Difícil, nesse caso, era explicar como cheguei a um blog de gastronomia. Eles conheciam minha família pelos casos que contava em nossos encontros ou nos textos que postava no blog.

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Este é o início de um depoimento que a Adriana, a Drix, deu no facebook pra explicar o que ela sentia quanto ao mais novo encontro desta nossa eclética turma.
E desta vez seria num final de semana em BH, iniciando num ótimo almoço mineiro e familiar.

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Chegamos todos juntos (a Dé, eu, a Regina e o Mingão de SP e a Lourdes e o Eymard de Brasília. Infelizmente, nem a Sueli e o Jorge e nem o Deo puderam comparecer).
Nos aboletamos nos nossos bons quartos no hotel Promenade Toscanini e fomos direto pro almoço.

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Chegamos e naturalmente nos enturmamos com a família da Drix.
E vimos os que pareciam personagens, tamanha a quantidade de informações e causos que tínhamos deles, irem aparecendo na nossa frente.

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O que falar da D. Cecília, a simpaticíssima mãe da Drix?
E da famosa tia Querida, que em alguns casos é justamente chamada de Tia Deliciosa?
E a Tia Celinha, uma figuraça daquelas carimbadas e que só carregam bom humor pra onde vão?

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Foi um verdadeiro desfilar de grandes pessoas e que fizeram com que tudo fosse mais do que especial, inesquecível.
É claro que a comida foi um dos elos de todo o encantamento.

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As moelas (ou seriam moelás?) que quase nenhum dos nossos previamente gostavam (com exceção deste que vos escreve), mas que todos comeram muito.
Até a Dé arriscou um pouquinho de pão com o encorpado molho que as acompanhava.

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E o saboroso pão de queijo? As linguicinhas?

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As mandiocas fritinhas, crocantes por fora e macias no seu interior?
Tudo estava absolutamente sensacional!

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Ainda mais acompanhados por uma boa invenção do nosso sommelier brasiliense que indicou um espumante rosé Luis Pato que sorvemos com muito prazer.

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A esta altura, todos éramos somente ouvidos para as histórias que a D. Cecília e a Tia Celinha contavam alternadamente e que nos davam tanto prazer, quanto a quantidade de risadas que dávamos.

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Parecia brincadeira, mas elas eram ainda melhores do que tudo aquilo que a Drix nos descrevia.
Em algum momento, teríamos que almoçar. E que almoço!

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Feijão tropeiro, lombinho, …

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Mais um montão de reminiscências deliciosas (assim como a comida) e estávamos prontos pra encarar a mesa de doces. Queijo da Serra da Canastra, doces de leite e de goiaba. Hummmmmm!

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Olha, foi difícil nos tirar de lá. Mesmo porque a esta hora já éramos da família, éramos os “mesmos” que vão sempre a estes encontros que realmente podemos chamar de familiares.

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O que sobrou no restante deste dia, quase noite?

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Irmos a Taberna Baltazar tomar litros e mais litros de água, além de comer bolinhos de bacalhau e uma batata frita.

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No domingo pela manhã, tomamos café com a presença ilustre do Riq e do Nick (VnV) e com exatamente um dos ídolos das matriarcas da família da Drix, o Giovanne do vôlei (vou pedir pra Drix contar a história do mundial da Argentina. Esta também é muito boa).

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Logo depois, demos uma inevitável passada no sex shop mineiro, o Verdemar

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… e fomos conhecer o Mercado Central de BH.

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Aproveitamos pra experimentar (e não aprovar, com exceção do Mingão) o prato típico dos bares de lá: fígado acebolado com jiló.

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Dali, rumamos pro almoço, que foi no restaurante A Favorita. Ainda estávamos com a festa de sábado nos nossos cérebros (e estômagos) e resolvemos experimentar somente o couvert e pratos principais.

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Risotto de cogumelos frescos, azeite trufado e queijo pecorino, …

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… Lombo de bacalhau com cebolada, tomates e azeite picual, …

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… Spaghetti com frutos do mar, …

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… Linguado ao molho cremoso de ostras com alho poró  …

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… e Ravioli com mozzarella de búfala, tomate e manjericão.

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Estes foram os pratos corretos que pedimos, além dum vinho branco argentino, o Torrontés Colomés.

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Pra adocicar tudo, duas sobremesas e sete colheres. Um canudo de mascarpone com sorvete de baunilha e calda de frutas vermelhas…

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… e uma Mousse de chocolate com tudo de chocolate.

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Daí pra frente, só a correria de chegar em tempo no aeroporto e embarcar de volta pros nossos lugares de origem.

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Sábado, em volta da mesa mineira, estávamos todos: família e amigos. “Os mesmos” dessa vida, acrescidos “dos mesmos” de vidas passadas, como disse Débora. Não comi moela, mandioca frita ou o feijão tropeiro. Mas alimentei minh’alma de alegria.

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É Drix, nós nos alimentamos de todas as formas.

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E espero que não demoremos tanto tempo pra ter estas recargas de felicidade.

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Inté o próximo ISB.

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dcpv – o dia em que eles fizeram (quase) tudo.

número 394
29/07/2014

O dia em que eles fizeram (quase) tudo.

Olha, manter esta confraria é muito divertido. Mas dá um belo trabalho.

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Afinal de contas, ter praticamente que rotineiramente pesquisar um menu e executá-lo, quase que uma vez por semana é, digamos, um pouco estressante.

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Tudo bem que após estas fases, o fato de encontrar com o Deo e com o Mingão e juntos, comermos tudo (não esquecendo do maravilhoso acompanhamento da Dé) dá uma satisfação e um prazer imensos.

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E nós (eu e a Dé) vivemos dizendo que seria interessante quando os dois, o Deo e o Mingão, assumissem as rédeas.

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Foi o que aconteceu. Um, o Mingão, se responsabilizou por fazer uma entrada enquanto o outro, o Deo, cuidaria do prato principal. Já pra sobremesa, eu daria um jeito, afinal de contas, ninguém é de ferro! J

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Vamos lá, então, ver o que aconteceu nesta inversão de papéis.

Entrada – Sopa Thai.

O Mingão, experiente que é, escolheu uma sopa e daquelas fumegantes pra ser a sua entrada.

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Este prato é muito saboroso e combinou perfeitamente com o clima invernal que estamos vivendo. Pra fazê-lo, basta fritar filés de peito de frango junto com cebolas e alhos cortados.

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Depois que aqueles estiverem corados, junte 1 maçã grande descascada e cortada em pedaços pequenos.

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Deixe tudo refogar e acrescente caldo de galinha o suficiente pra formar uma grande sopa. Coloque um pouco de curry, pimenta dedo-de-moça e tempere com sal e pimenta.

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Deixe apurar e coloque um pouco de manjericão cortado.

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Quando for servir, coloque um pouco de leite de coco por cima (diretamente da garrafinha) e aproveite este sabor incrível.

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É lógico que com um acepipe destes, só poderíamos acompanhar com um legítimo champagne Laurent-Perrier Brut que foi “original, também amam, brutal, moi aussie“.

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Principal – Camarões ao limão.

Esta foi o Deo que escolheu e executou.

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São camarões limpos, temperados com Fondor e passados em farinha de trigo.

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Logo após, são fritos em azeite.

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Enquanto isso, frite também lâminas de alho no azeite e reserve.

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Volte tudo (camarões e alho) para uma frigideira com pouco azeite e finalize adicionando um pouco de suco de limão.

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Como acompanhamento, fiz um tremendo purê na Bimby, com um toque de noz moscada.

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Ficou simplesmente perfeito.

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Tomamos um vinho branco, o Sauvignon Blanc Lagarde que foi “a la gordaça, a la petit, alagardaça, a la creveux“.

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Sobremesa – Romeu e Julieta DOP.

Devemos esta sobremesa a Drix.

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Afinal de contas, foi ela que trouxe todos os ingredientes (queijo de Minas e goiabada cascão) diretamente de BH.

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O meu trabalho foi somente cortar os dois …

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… e servir esta maravilha.

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Eis a opinião dos cozinheiros:
Nada como ser a rainha da Inglaterra. Tudo parfait! (Edu)
Assassinaram os camarões. (Mingão)
Se sinto gratificante! (Deo)

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Bom, foi isso.

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A comida esteve impecável e este formato parece que veio para ficar.

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Mesmo porque já marcamos pra que uma vez por mês a nossa reunião aconteça deste jeito.

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Vamos aguardar a próxima.

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Inté.

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dcpv – 3º isbh – conexão xaparis, a vingança final

15/03/11

3º ISBH – Conexão Xaparis, a vingança final.

Último dia em Belô (que me desculpem os mineiros, mas eu tinha que dizer isso).
Último dia dum encontro duma turma bacana, divertida, harmoniosa e muito, mas muito entrosada. Volto a dizer que parece mesmo que fomos muito íntimos em algum lugar do passado (uau, isto ainda vai dar um bom filme e do Woody).

Acordamos até que cedo depois daquela esbórnia butequística e fomos tomar café no hotel contando com a presença ilustre da nossa coordenadora turística, a Drix. Louve-se que ela se esforçou ao máximo pra que tudo acontecesse da melhor maneira possível.
E nós aproveitamos pra ficar “garradim” a ela, sô!

Esta manhã seria corrida, pois iríamos fazer um big citytour terminando com almoço de despedida com convidado ilustre e tudo o mais.

A van chegou no horário (eu tô falando que o trem era organizado) e zarpamos pro Belvedere.

Tudo pra ter uma vista imperdível de toda BH e …

… tirarmos mais uma foto oficial do nosso grupo.

E não é que um urubu que escolheu a cabeça da Regina, a mão da Lourdes e o meu braço pra fazer o “serviço” deixou tudo mais engraçado ainda? Dizem que dá sorte, né?

Passamos rapidamente pela famosa rua que quando sobe, desce; quando desce, sobe …

… e  pelo centro da cidade com direito a devaneio pela Praça da Liberdade, …

… a obervação de obras do grande (e redondinho) Niemeyer  e …

… rumamos pra região da Pampulha, onde além de vermos rapidamente o quão bacana é o entorno, …

… visitamos a Igreja São Francisco de Assis projetada pelo (oh, que novidade) Niemeyer.

Estávamos atrasados pro almoço no sensacional Restaurante Xapuri, …

…. um representante legítimo da genuína comida mineira.

É claro que fizemos questão de conhecer pessoalmenten a D. Nelsa, a grande dama da culinária mineirim e proprietária deste lugar tão aconchegante.

E no nosso caso especificamente, vimos pela primeira vez pessoalmente, a Lina do Conexão Paris, aquele blog maravilhoso que tanto ajuda a todos os que queiram saber tudo sobre a nossa cidade, a cidade-luz (as dicas e os guias dela foram preponderantes pro sucesso de todas as nossas viagens pra lá).

Com toda esta turma fantástica iniciamos o que seria um verdadeiro tour pela gastronomia mineira, aquela que você espera saborear quando está por lá.

Torresmos em profusão, …

… couves e ora-pro-nobis refogadas…

… carnes de porco que mais pareciam estar dançando can-can (alguma coisa a ver com Paris?), …

… pratos bonitos e saborosos. Era a representação do verdadeiro Espírito de Minas.

Era de verdade,  uma reencarnação dos banquetes coloniais e por incrível que pareça, o melhor ainda estava por vir: as sobremesas.

Todas oferecidas com grande variedade e num ambiente separado com direito a escolha individual. São doces e mais doces.

Cocadas, pés-de-moleque, brevidades, compotas de tudo o que é tipo, …

… enfim, um verdadeiro (doce) deleite.

Chegamos ao final da nossa maratona mineira. Despedidas, promessas e daí pra frente, seria ir direto pro aeroporto, embarcar e voar enquanto o Timão tomava na cabeça no campeonato paulista (oh! que novidade).

No mais é agradecer a Drix pela recepção fantástica e deixar em aberto aquilo tudo que ela, mineira orgulhosa que é, queria nos mostrar.
Por sinal, nos mostrou todos os graus da mineiridade.

Certamente ficamos encantados com tudo e aproveitaremos a próxima pra conhecermos intimamente os outros “trocentos” botecos que não vimos desta vez.

Quem sabe com o time completo, né Sueli e Jorge?

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dcpv – ISB BH – Era dia comum e virou festa. A gente põe nas coisas as cores que tem por dentro.

13 a 15/03/11

ISB BH: “Era dia comum e virou festa. A gente põe nas coisas as cores que tem por dentro

N.R. – Lá vamos nós pra mais um capítulo da novela ISB BH, ou melhor, ISBH, ou melhor ainda, o Inter dos Sem Blogs realizado em Belo Horizonte. Se na semana passada tivemos a visão lírica do Eymard, nesta, teremos a liriquíssima da mineira das mineiras, a Drix (também conhecida como Adriana).
Afinal de contas, não é qualquer um que consegue impunemente posar pruma foto oficial intitulada: Mineiridade ao triplo – Mineirinho, Mineira e Mineirão. 🙂

Da cachaça pro vinho. De Brasília para Pampulha. Do horizonte imenso para o belo horizonte… Assim terminei meu texto sobre nosso ISB em Brasília, dando um viva ao ISB BH. E ele, finalmente, chegou!

Mania de mineiro: construir capitais…

A transferência da sede do governo de Minas Gerais de Ouro Preto para Belo Horizonte não aconteceu sem conflitos. Mas em tempos de República, Ouro Preto representava um passado colonial. Era necessária a construção de símbolos que pudessem legitimar o novo regime. Belo Horizonte, considerada por muitos a primeira cidade planejada do país, teve no ideal positivista – ordem e progresso – a inspiração para seu traçado. Uma avenida – a do Contorno – funcionava como limite entre o centro administrativo e as chácaras. Em forma de elipse se aproximava do contorno de Paris, ainda que sua grande inspiração tenha sido La Plata, na Argentina, inaugurada alguns anos antes. Na zona urbana, o rígido quadriculado de ruas e avenidas diagonais. Para o Estado laico uma sede localizada, geograficamente, acima da Igreja Matriz. A arquitetura eclética com a presença de elementos neoclássicos, como o Palácio da Liberdade e as Secretárias ao seu entorno, simbolizava o rompimento com a arquitetura colonial. Para uma nova era, uma nova capital. Assim surgiu Belo Horizonte, naquele 12 de dezembro de 1897, cidade para ser “lida” e sentida em suas mais diversas dimensões.

A cidade e seus lugares

Era preciso escolher alguns lugares da cidade para levar os amigos que chegavam de São Paulo e Brasília. As escolhas são sempre pessoais e nos remetem a lembranças e sentimentos. Foram minhas lembranças e meus sentimentos que escolheram a Serra do Curral, a Praça da Liberdade e Pampulha, para nosso “city tour” de domingo. Além disso, em fim de semana de “Comida di Buteco” eles, os botecos, não poderiam ficar de fora.

“Em volta dessas mesas, uma cidade”

A relação de Belo Horizonte com os bares vem desde os tempos de sua construção. Em volta de suas mesas a sociabilidade mineira se preserva. Ao longo de sua história, a cidade viu seus bares, cafés e botequins se multiplicarem com um traçado próprio que integra mesa e rua, forma que encontrou de dizer que ali todos são bem-vindos. Estava decidido: sábado seria o dia – ou a noite – dos botecos! Quem chega de fora logo descobre que em BH “buteco” não é um lugar, é um estado de espírito. Decoração, tira gosto e cerveja gelada são importantes, mas não são o mais importante. Provamos isso… Um não era o mais confortável, o outro não tinha o melhor tira-gosto, em outro a cerveja não estava tão gelada, mas nos três nos divertimos muito e brindamos, três vezes, com copo Lagoinha, como por aqui é conhecido o copo americano, referência e homenagem da cidade tradicional à sua zona boêmia; comunhão do sagrado e do profano. Brindes ao sentimento que une esse grupo tão especial e nos faz cruzar esse país pela alegria do reencontro.

Serra do Curral, Praça da Liberdade e Pampulha: dia de “city tour”!

Moldura natural de Belo Horizonte, a Serra do Curral foi escolhida, pela população, símbolo da cidade. É ela que nos ensina que força e delicadeza não se excluem.  No alto das Mangabeiras podemos sentir sua força que protege e sua delicadeza que abraça. É onde me sinto mais mineira; onde li e reli trechos do “Livro dos Prazeres” ou “Uma aprendizagem”, de Clarice Lispector; onde choro e sorrio assistindo ao Grupo Galpão; onde converso comigo mesma e com Deus; de onde não me canso de ver a cidade.

Contornando a praça da Liberdade, o Palácio da Liberdade e as Secretarias de Governo, prédios da época da fundação da cidade, o Edifício Niemeyer e a Biblioteca Pública, modernismo de Niemeyer, da década de 60 e o pós-moderno “Rainha da Sucata”, da década de 90. Diversos estilos arquitetônicos nos ensinando que é possível a harmonia entre diferentes. Na praça da Liberdade nos apropriamos dos espaços da cidade, transformando suas alamedas, fontes e coreto, em cenário para a banda, o teatro, as caminhadas, as manifestações políticas, o encontro de amigos, a descoberta do amor, a cumplicidade entre pais e filhos nas primeiras pedaladas no dia 25 de dezembro. Como aquela praça se enche de bicicletas a cada 25 de dezembro!

Com a Pampulha, Belo Horizonte tornou-se referência internacional da arquitetura moderna. O Complexo da Pampulha – um cassino (hoje Museu de Arte Moderna), um clube (o Iate Tênis Clube), um restaurante (a Casa do Baile), e uma capela (a Igreja de São Francisco), margeando um lago artificial – antecipou Brasília, unindo JK, Niemeyer, Portinari, Ceschiatti e Burle Marx. Na impossibilidade de visitar todos os prédios escolhi a Igrejinha. Das linhas ainda desconhecidas de Niemeyer, uma sucessão de abóbadas parabólicas, em uma alusão às montanhas de Minas Gerais. Painéis, azulejos e Via Sacra de Portinari. De Ceschiatti, a pia batismal e os painéis em bronze. De Burle Marx, os jardins, de onde foi possível ver de longe o Mineirão – em obras para a Copa – e o Mineirinho. Pampulha nos ensina que é possível ser moderno sem perder o jeito de interior.

A cidade e seu entorno

Belo Horizonte, quase sempre, é cidade dormitório, para quem quer conhecer os encantos de Minas Gerais: suas cidades históricas – Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Sabará, Tiradentes, São João del Rei -,  suas grutas – na região de Cordisburgo, Lagoa Santa e Sete Lagoas – e, mais recentemente, Inhotim. Confesso que fico com o coração dividido, quando recebo alguém que ainda não conhece Ouro Preto. Não sei quantas vezes já estive na cidade, mas ainda me emociono quando chego e vejo, do alto, seus telhados e igrejas. Certamente iremos lá no próximo ISB BH. Mas esta foi a vez de Inhotim. E foi ótimo! A excursão de van, o almoço na “tavola redonda”, encantamento, surpresa, espanto, questionamentos, beleza, natureza, sentimentos, sentidos… Tudo o que já foi dito aqui antes de mim…

A cidade e seus sabores

Muito se fala da comida mineira. E justamente aqui o ISB teria um formato diferente, consequência de uma cozinha que tem quadros no lugar do exaustor e de uma mineira que desafiou as aulas de “Educação para o lar” no colégio de freiras e não aprendeu a fritar um ovo.

Mas as “entradeiras”, como bem definiu Edu, seriam em minha casa. E assim foi. Sexta-feira, depois da excursão ao Verdemar, o primeiro brinde. Estava lançado oficialmente o ISB BH.

Para aquela noite, escolhi o Vecchio Sogno, sabor italiano preparado por um chef mineiro premiado e estrelado. Além disso, carne, certamente, estaria no cardápio de domingo. Massas para quase todos, vinho, coca-cola (adivinha para quem, não é Edu?) e um festival de sobremesas compartilhadas, como tem sido em todos os ISB.

Sábado é dia de boteco. Não para meu pai, que sempre afirmou que boêmio profissional sai de segunda a quinta. Mas pelo que presenciei, Edu, Mingão e Eymard estão longe de serem amadores. :- ) Nesse dia, o sabor foi do norte de Minas. Explico! Para 2011, o “Comida di Buteco” tinha como ingredientes obrigatórios, alimentos típicos do norte de Minas: carne de sol, peixes do São Francisco, pequi, feijão andu, requeijão escuro, buriti, seriguela, rapadura, sementes de coentro fresco, manteiga de garrafa. E no nosso “Comida di Buteco” particular, acrescentamos a tudo isso torresmo, lingüiça, caldo de feijão, mandioca, lombinho, pão com alho e filet com fritas (adivinha para quem?).

No domingo, para finalizar a saga gastronômica – afinal tudo começou por causa de um blog que fala de gastronomia – a comida mineira. E quando se fala em comida mineira, fala-se em Xapuri. Pedidos variados, com acompanhamentos compartilhados. Couve, taioba, torresmo e lingüiça na chapa não poderiam faltar. E não faltaram. E doces em calda. Muitos doces. E queijo, porque doce em calda se come com queijo… de Minas, claro!

A cidade, a saudade, o desejo de novos belos horizontes.

Foi delicioso receber amigos tão queridos em BH. Como escreveu Antônio Marcos Noronha, “era dia comum e virou festa”. Vivemos momentos de intensa alegria e amizade carinhosa que deixaram saudade. Mas há também a saudade do não vivido: compartilhar esses momentos com Sueli, Jorge e Déo; compartilhar os amigos com Carlos.

Sou mesmo uma apaixonada por Minas e a trago no coração. Como escreveu professor Aires da Matta Machado, “Minas é um estado, assim mesmo, com inicial minúscula”.  Sou mesmo uma apaixonada por Belo Horizonte e sei que tenho o perdão das outras cidades, pois muitos são os que são apaixonados por elas. Meu amor não lhes faz falta. Mas minha paixão não me cega. Sei que conheceram uma BH especial, que para meu privilegio faz parte de meu cotidiano. Mas quando nos distanciamos desses locais nos quais passei minha infância, minha adolescência e vivo minha vida adulta a cidade se transforma. Nas praças a alegria não é inerente às crianças, as ruas e praças não são tão arborizadas, a mesa não é tão farta. Por isso meu desejo de que a Serra do Curral estenda seu abraço acolhedor a todos, sem distinção. Que a cidade, traçada pelo ideal positivista, encontre no ideal de liberdade e igualdade dos inconfidentes sua inspiração para se tornar, a cada dia, uma cidade melhor: mais alegre e mais democrática; uma cidade de novos belos horizontes para todos.

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dcpv – 3º isb em bh – as epopéias eymardianas.

13 a 15/03/11

3º ISB em BH – As epopéias eymardianas.

N.R. – E lá vamos nós com  mais um relato sobre o encontro da turma dos sem blogs, o famoso ISB. Neste caso, o  e teremos a versão bastante lírica do encontro com a ótica do sócio Eymard. Aproveitem e que “lo disfrute”.

Sou mineiro de nascimento. Mas as Gerais são muitas e só fui (re)conhecer Belo Horizonte, adulto. Estávamos em BH quando recebemos a confirmação da gravidez da Lourdes. À caminho, nosso filho mais velho. Seria isso um sinal?

O ISBcomeçou, para nós, um dia antes. Por compromisso profissional passaria parte da sexta feira em Belo Horizonte. União do útil ao agradável. Embarcamos na noite da quinta-feira. Chegada tranqüila. Vôo no horário. Hospedagem no hotel e … uma linda caixa no apto:  Lourdes, olha! O hotel nos deixou uma caixa de cortesia. Não era do hotel! Era a delicadeza de Adriana deixando mimos de boas vindas.

Vamos sair ou comer no próprio hotel? Vamos sair! Adriana escolheu o Baltazar. Escolha perfeita! Lugar bacana, um clássico aconchegante!  Bolinho de bacalhau de entrada e um delicioso arroz de bacalhau para os três. Na mesa ao lado um grupo de arquitetos e professores da PUC de Poços de Caldas. Lembro dos meus bons tempos de Poços de Caldas e de pessoas muito especiais que conhecemos lá. Mandamos um beijo para a Teresa Cristina e nem sabia que Teresa estava mesmo precisando do carinho desse beijo. São sinais? Não sei!

Sexta-feira. Vou para o meu compromisso profissional, enquanto Lourdes vai conhecer os museus ao redor da Praça da Liberdade. Frustração. São abertos ao público somente depois das 12 horas. O passeio pela praça, no entanto, valeu a manhã. Marcamos de nos encontrar, inclusive com Adriana, para almoçar no Parrilla del Patio no Shopping Pátio Savassi. Excelente o buffet e as carnes do local. Pratos generosos que degustamos com calma na gostosa companhia da Adrix. Como não poderia deixar de ser, fizemos um brinde aos presentes e ausentes.

Passeando pelo Shopping, olha o que eu encontrei! Uma exposição de antigos modelos de bicicleta. Volta ao passado: minha primeira Tigrão!! Eu achava que ela era enorme…..e sabe que não é? Seria outro sinal?

Depois do almoço pegamos o carro no andar roxo, que descobrimos ser verde (coisas de Minas) e fomos até o apartamento da Adriana. Local agradável. A cara dela. Com todas as referências de ontem, de hoje e de sempre! Cada coisa tem lá o seu lugar! Livros, fotos, ímãs de geladeira; uma máquina de costura Singer … nada está ali por acaso. Nem ao abandono!
Exceto … o fogão! Lembrou-me o “Ford Corcel” sempre novíssimo de um tio. Nunca saia da garagem e estava sempre limpo e brilhando. Prometi revelar e aqui revelo. A prova definitiva da falta de uso do fogão: o fio que o liga à tomada estava solto e Adrix teve uma certa “dificuldade” para dizer onde era a tomada.

Voltamos ao hotel para nos preparar para outro encontro. Agora com Adriana Pessoa e Márcio. Conhecemos Adriana Pessoa por intermédio do Conexão Paris e desde então, trocamos inúmeros pitakos. Por sugestão dela fomos a Casa Bonomi. Um belo lugar, na Avenida Afonso Pena, miolo da Savassi. Foi reconhecimento à primeira vista. A intimidade virtual ali materializada num encontro de velhos amigos. Transbordamos assuntos e trocamos nossas mineirices com a maior naturalidade. Poderíamos ficar ali horas proseando prazerosamente. A certeza é de que ainda vamos nos ver mais vezes!

Adriana e Márcio fizeram questão de nos levar até o Verdemar. Oportunidade também para conhecerem, ainda que rapidamente, toda a turma. Aí sim, começaria oficialmente o ISBBH. Encontro rápido e (re)encontro de toda a turma, ops, menos de Sueli e Jorge que, a esta altura todos já sabem, não puderam ir por motivo de força maior.

O Verdemar é tudo o que dele já se falou e mais. Desde a primeira vez que lá estive com Adriana para avaliar as “locações”, percebi a singularidade do local.  Passamos, sem delongas, para as degustações: pães, bolos, queijos. Ah, os queijos … Compramos e me arrependi de trazer um só. E chegamos ao creme de milho. Humm, àquela altura pareceu-nos um néctar dos Deuses. O que aconteceu depois? Bem, o meu ficou estatelado no chão. Estava prestes a pagar quando uma senhora esbarrou no meu braço e jogou longe a vasilha!!! Os demais? Não há notícias de que tenham devorado a iguaria até o final do ISB. Moral da história: se você não for o dono do supermercado, acredite, não vá com fome!

Dois espumantes para brindar na casa da Adriana. Vecchio Sogno para o jantar. Inhotim no sábado, logo cedo. Todos os segredos destes encontros, já devidamente revelados.

Caminho para Inhotim. Na direção, simpático motorista nos revela segredos de Minas. Adriana não acredita em GPS e desenha um mapa para auxiliar nossa chegada na Portaria A da PUC. Na hora marcada está lá. Elegantemente de chapéu à nossa espera. Rumo a Inhotim. No caminho uma cena me lembra “Sob o sol da Toscana”. Uma senhora coloca flores numa “capelinha” de beira de estrada. Estaria ali todos os dias? Um vez por semana? Que lembranças ela carrega? A estrada continua e sucedem cenas e flash’s. Mexeriqueiras carregadinhas; crianças brincando no quintal de terra; pessoas sentadas nas portas das vendas; no quintal de uma casa vejo que preparam bandeirinhas para enfeitar uma festa que acontecerá. Vejo a cadeira vazia ao pé da árvore à espera de alguém para amarrar o cordão! Gente simples que cumpre sua rotina e leva a vida. A saboreia?

Inhotim contrasta com o que vi no caminho. Ali é um outro mundo. A cada visita a certeza de que tudo só depende de nós. E dos nós a desatar. Ainda teremos o caminho de volta, atravessando Brumadinho!

Descemos no Estabelecimento. Bolinho de arroz com jiló e pescoço de peru.  Simples e delicioso como nosso encontro até ali. Sentados debaixo da mangueira, nos refazendo da maratona, parecemos crianças à espera daquela festa que estava a ser preparada no caminho de Inhotim!

E ainda teríamos ronda de botecos. Terminamos a noite no Oratório. Ó Deus salve o Oratório….Ó Deus salve o Oratório….nosso fundo musical, que deveria ser Lô Borges ou o pessoal do Clube de Esquina, foi todo costurado pelas músicas chamadas “brega” dos anos 60 a 80. O que insiste em nos remeter para nossa infância e adolescência?

Domingo da Graça. Adriana já estava à nossa espera para o tour final. Para desvendar um pouco mais dos mistérios de Belo Horizonte. Do topo do parc guell belorizontino à simplicidade das linhas de Niemeyer na Pampulha. Pelos olhos e mãos de Adriana pudemos desfrutar o mais sublime da capital mineira.   

Finalmente o almoço no Xapuri. Lina já nos aguardava. Um delicioso reencontro com quem, por vias transversas, reunira essa turma. Um blog, um post e alguns comentários depois, éramos amigos de infância.

A comida do Xapurié um espetáculo à parte e creio, ainda a ser revelado em detalhes de verve e fotos pelo Edu. De minha parte falo apenas de impressões. A comida mineira é substanciosa. Simples e verdadeira: o lombinho; a costelinha; o arroz branco bem soltinho; a couve finamente refogada; a crocância do torresminho … dois violeiros e a música que tocava todos os dias no final da tarde, no rádio do quintal da minha casa, na infância: moda de viola. Chorada. Sofrida. Milionário e José Rico:

 “… Este é o exemplo da vida,
para quem não quer compreender:
Nós devemos ser o que somos,
ter aquilo que bem merecer…”

Hora da despedida. De Lina, de Belo Horizonte, de Adrianas. Adriana segue conosco para um até breve no aeroporto.  

Voltando ao começo. Aos sinais. Querem dizer alguma coisa? Talvez pura coincidência. Percebo, durante o vôo de volta, que Minas nunca saiu de dentro de mim. A carrego para todos os lados. E sei agora, que ela representa um vínculo profundo de vales, montanhas e contrastes. Traço simples,  generoso, humano … Como nossa amizade construída de reconhecimentos! 

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dcpv – bh – inhotim, um lugar de primeiro mundo, sô! só faltou o buteco. quer dizer …

14/03/2011

BH –  Inhotim, um lugar de primeiro mundo, sô! Só faltou o buteco. Quer dizer …

 Acordamos cedo. Era o nosso segundo dia em Belo Horizonte e fomos experimentar o café da manhã do Quality. Competente e honesto como o hotel.

A van que nos levaria a Brumadinho, mais especificamente Inhotim, estava nos esperando no horário.

Só nos restou passar na PUC pra pegar a Drix (organizadora-mor deste 3º ISB) e partir pra aventura de conhecer um dos lugares mais encantadores do Brasil atualmente.

Este museu a céu aberto (acredito que chamá-lo de parque também seria correto) é um tanto quanto longe de BH (uns 50 km), o que aumenta consideravelmente a expectativa.

E ela é totalmente preenchida.

Já na chegada tudo surpreende. Pela grandiosidade, pela surpresa (apesar de tudo o que se fala de lá), pelo cuidado do tratamento, pela organização e especialmente pela criatividade.

Optamos por comprar o ingresso que dá direito a utilizar um transporte feito através de carrinhos de golfe e que é oferecido somente em alguns trechos especiais, especialmente nos mais distantes e íngremes.

Iniciamos o passeio por uma instalação no meio dos jardins, onde existem uns espelhos em que você se vê totalmente magro numa situação e absolutamente gordo em outra. Seria premonição?? 🙂

Continuamos planejando a visita e usando os carrinhos, subimos ao ponto mais alto e distante de Inhotim (não vou nem explicar que alguém se chamava Tim e que lá em Minas, senhor é nhô. Captou?).
Este lugar é de uma simplicidade e de uma beleza quase que indescritível.

Imagine você  entrar numa construção circular onde só se tem um buraco centralizado e ouve-se um som que é transmitido através de microfones instalados a 202 m da superfície ?

Isto mesmo. Além da visão ser totalmente estimulada (a vista de Inhotim é espetacular), todos os outros sentidos são utilizados, especialmente a audição. É realmente como se estivéssemos ouvindo o som da terra! Sem contar a película que foi instalada no vidro e que, dependendo de onde se está, você vê tudo embaçado!

Descemos mais um pouco e chegamos a uma construção geodésica e espelhada no meio do mato de autoria do Matthews Barney. Esta é de doer de tão bacana.

Uma pena a proibição de fotos internas (porque, Inhotim? Isto serviria pra divulgar ainda mais as tuas belezas!), mas fica a descrição breve: tudo se confunde nesta obra. Um trator todo enlameado que está lá dentro, a mata que está lá fora e que através dos vidros você a visualiza e que dependendo do ângulo e do reflexo, você vê tudo junto (inclusive você) e ao mesmo tempo, tanto lá fora, como dentro. Entendeu?
Qualquer que seja a resposta, você tem que ir lá. 

Ao menos, conseguimos umas “fotinhas”  do nosso grupo (e sem a participação tratorística).

Descemos mais um pouco (quase todos a pé) e aproveitamos pra conhecer mais duas instalações. Claro que esta teia não tinha nada a ver com alguma criação artística, a não ser algum tecelão bem natureba..

Uma delas, as instalações, era estranha e interessante (a da colombiana Doris Salcedo) que mais parecia uma sala vazia com algumas poucas telas metálicas (destas de construção) em alto relevo …

… e outra muito mais estranha do que interessante, com fotos meio down e sorumbáticas do Pelourinho.  Mas o prédio, uau!

Aproveitamos o embalo e fomos almoçar no restaurante Tamboril. Optamos pelo buffet por ser extremamente farto,variado e rápido, além de ter um visual incrível.

Tomamos um vinho branco (estava um calor!) e brindamos como se deve, com Coca (pra quem?) e cerveja regional Backer (pra quem?).

Aproveitamos, pois assim teríamos mais tempo pra visitarmos tudo. Conselho de amigo: separe pelo menos um dia pra conhecer o lugar que é muito grande. Você ficará decepcionado se não conseguir ver tudo. Como por exemplo esta “maluquice” do Tunga.

Continuamos visitando vários espaços diferentões. Mais construções espetaculares, …

… instalações malucas, …

… idéias absurdamente geniais (tais como te fazer passear por um labirinto com cacos de vidro no chão e logo após, tirar os sapatos pra sentir as texturas de ambientes totalmente vermelhos).

Pausa pra explicar o que é o paisagismo do lugar:  parece o Éden. Burle Marx e muitos outros capricharam em absolutamente tudo.

São lagos, …

… árvores frondosas, …

… verdadeiros agaves (poderíamos fazer uma tequila iessebiense! rs), …

… flores coloridas, enfim, …

… tudo feito pra que a natureza também seja, merecidamente, uma tremenda obra de arte.

Mais algumas visitas: um big caleidoscópio em plena mata …

… com belíssimas vistas.

A viagem dentro da viagem estava chegando ao fim. O divertimento do nosso grupo foi garantido (apesar de alguns estarem malucos pra tomar uns engasga-gatos) e ainda tivemos tempo de ouvir corais ingleses “enlatados”, …

… ver piscinas com agendas telefônicas em ordem alfabética, …

… tirar fotos temáticas (onde estão os Wallies?), …

… duma experiência muito bacana (vigas de ferro foram arremessadas de 45 m de altura sobre um berço de concreto. Do jeito que caíram, ficaram.) …

… passear por entre bolas de aço (vidro? cerâmica?) resplandescentes …

…  e nos divertirmos demais da conta. Inclusive, com direito a um bom bailinho!!

Infelizmente, só vimos os Fuscas Coloridos do Jarbas Lopes através de cartões postais, mas não dá nem pra perceber, né?

Estávamos pilhados; tanto que não resistimos e quando chegamos perto do hotel, pedimos ao motorista da van (um verdadeiro Nelson Rubens mineiro) pra nos deixar num boteco pra fazermos o nosso primeiro contato com o “Comida di Buteco“, um famso festival de guloseimas aqui em BH.

E em plena seis horas da tarde, o boteco Estabelecimento já estava lotado.

Conseguimos uma mesa ecológica (tinha uma árvore imensa no meio dela!) e partimos os sete pruma outra nova viagem.

O lugar é muito pitoresco. Não tem placa indicativa e é cheio de badulaques.

Pedimos o prato que está concorrendo, o falando abobrinha no sereno da madrugada, …

… pescoços de peru cozidos e bem temperados …

…mas, tão bem temperados que comi um montão deles, …

… e o bolinho de arroz com jiló (originalmente pedimos o da Lurdinha, mas estava em falta).

Trocamos de mesa, votamos no prato (este concurso é famoso em vários lugares do Brasil) e fomos embora felizes.
Destino? O hotel onde tomaríamos mais um banho rápido e continuaríamos a nossa exploração botecal. E o apê da Drix pra tomarmos uma “entradeira”.

O problema seria onde ir? Após várias pesquisas (ouvimos um montão de motoristas de taxi), chegamos a uma conclusão: vamos a mais um participante do Comida di Buteco, o famoso Bar do Antônio, o Pé-de-Cana. E neste caso, os tais pés são verdadeiros! Eles estão plantados na calçada (se bem que tinha um montão do outro tipo lá dentro também!).

Otimistas como sempre, achamos que encontraríamos mesas facilmente (apesar da Drix dizer que seria uma missão impossível).

O resultado foi que ficamos meia hora em pé (tudo bem que conseguimos experimentar o petisco participante, o Serenada no Pé-de-Cana, por sinal e já que é pra usar hífem, um tanto quanto meia-boca) …

 … e finalmente, fomos ao bar Oratório, o lugar originalmente indicado pela Drix. Calma, que não fomos exatamente rezar, se bem que o taxista que as levou pra lá, achava!

Olha, falamos, sorrimos e comemos muito. Pedimos um mix de petiscos, o Dois pra lá, Dois pra cá, …

Costelas ao molho de pinga, …

Caldinhos de feijão e mandioca, …

… deliciosos pães de alho (dica da Drix e que eram tão gostosos que nem sobraram pras fotos), Filé mignon com batatas e …

… pasmém, cantamos músicas bregas a noite toda (louve-se o conhecimento de todos, especialmente do sócio que já pode ser considerado um membro da AFMB). Você que chegou até aqui deve estar pensando: isto tudo aconteceu num mesmo dia?

Sim, ou melhor, quase por que já era uma da manhã e estávamos preocupados, pois teríamos que acordar cedo e fazer um city tour, almoçar no Xapuri, encontrar a Lina do Conexão Paris, etc .
Xiiiiiii, acho que amanhã será igualzinho a hoje.

Ôba! Ainda mais junto com esta turma!

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