Posts Tagged 'noroeste'

dcpv – os sabores do piemonte

número 271
28/09/2010

Os Sabores do Piemonte.

Resolvemos passear no Piemonte.
E melhor, aproveitar e conhecer a região na sua época mais apetitosa: a do tartufo bianco, a do tuber magnatum, a da trufa branca.

Com esta idéia, apareceu aquilo que eu acho mais interessante numa viagem: o seu planejamento. O que vamos fazer por lá? Pacote ou por conta própria? Quando? Quantos dias?

E aí iniciou-se a pesquisa. Se bem que neste caso a idéia central já estava definida: iríamos num pacote especial da Gouté (e a consequente aprovação dos estatutos da nossa sociedade por lá, né Eymard?) e aproveitaríamos pra completá-lo com alguns dias antes em Turim e alguns depois em Milão.

Uma das dificuldades que encontrei foi justamente a literatura sobre o lugar. Nos grandes guias (Folha, LP, Frommers, etc), a região toda aparece mais como coadjuvante.

Pesquisei, mas não encontrei nada muito específico.
Por sorte, o sócio me indicou este livro, Sabores do Piemonte escrito pelo Rudolf Tretzer onde além de algumas excelentes informações ainda se encontra receitas da mais tradicional comida piemontesa.

Ingredientes frescos, receitas seculares, ótimos queijos, vinhos espetaculares: tudo isto faz parte do jeito diferente que o italiano do noroeste tem.

Portanto, como primeiro mergulho desta próxima viagem, farei alguns pratos da região considerada como um dos celeiros da gastronomia mundial.

Avanti, ragazzi.

L’Aperitivo – Prenúncio culinário.

Campari e Grappa.

Campari+Grappa. Camppa? Grapari? Na verdade, ruim e bom!!

Gli Antipasti – Início grandioso – Frittata alle herbe

“Saborosas e fáceis de preparar são as frittate nas quais podemos usar vários ingredientes. Ovos e ervas ou ainda legumes adequados encontram-se à nossa disposição a maior parte do ano”.

Como toda receita tradicional italiana esta também é muito fácil de fazer.

Pique bem uma cebola. Refogue no azeite e junte espinafre cortado em fatias finas.
Bata ovos, cheiro-verde picado, queijo parmesão, sal e pimenta numa tigela.

Acrescente o espinafre acebolado.

Frite como um omelete e doure dos dois lados.

Corte em porções como torta e sirva-as quente ou frias.

Otro antipasto – Petto di pollo in Carpione

Esta receita é muito curiosa. E atípica!
Corte filés de peito de frango em viés e em tiras de 4 cm de largura.

Tempere com sal e pimenta. Passe-os em ovos batidos e na sequencia na farinha de rosca. Frite em azeite quente até ficarem dourados.
Coloque-os numa forma refratária.

Faça uma marinada da seguinte maneira: refogue no azeite e ligeiramente cebola, dentes de alho, salsão, cenoura e folhas de sálvia, todos cortados finamente. Acrescente alecrim a gosto.
“Apague” a fritura com vinagre de vinho branco e o próprio seco, deixando cozinhar por 5 minutos em fogo baixo. Tempere com sal e pimenta.
Passe este vinagrete numa peneira e despeje sobre o frango empanado. Deixe marinar em lugar fresco durante pelo menos um dia.

O resultado é espetacular. Você consegue imaginar o sabor deste frango gelado?

Junto com a frittata, formam uma belíssima entrada.

Aproveitamos pra beber um tinto sul-africano, o Pinotage Club dos Sommeliers 2009 South Africa que foi “fred, vero rosé, leve e solto, ……..” segundo os camponeses.

I risotti – As variantes culinárias do grão miúdo – Risotto alla Piemontese

Esta também é boa! Nos mostra um jeito diferente de fazer um risotto. E o resultado é, pra variar, excelente.

Pique bem uma cebola. Derreta manteiga e refogue-a. Acrescente o arroz (carnaroli) e refogue em fogo baixo por 2 minutos.

         

“Apague” a fritura (adorei este termo!) com o caldo de carne quente, mexa bem e tape a panela.

                    

Controle o líquido de tempo em tempo. Caso necessário, acrescente mais um pouco de caldo e mexa suavemente com uma colher de pau tornando a tampar. (Esta é a grande diferença. Você não precisa ficar mexendo no arroz o tempo todo!)
Após uns 15 minutos e quando o arroz estiver al dente, retire do fogo, adicione manteiga e parmesão, mexendo delicadamente.

Tempere com sal, pimenta e uma pitada de noz moscada. Na verdade, faltou um último ingrediente: o tartufo bianco. Vou ficar devendo, mas prometo suprir esta lacuna brevemente!

I Secondi – Carnes de panela – Faraona al Rosmarino

Faraona é galinha d’Angola. E eu não encontrei a penosa por aqui (não tínhamos ido ao sex shop). Adaptei (e bem) usando perdizes.

                   

Cortei-as em 4 partes.

          

Fritei os pedaços em azeite numa panela refratária até dourar. Acrescentei alecrim picado, temperei com sal e “apaguei” a fritura com vinho tinto.

Levei pra assar no forno pré-aquecido a 200ºC com a panela tampada.

Retirei os pedaços das perdizes, reduzi e engrossei o molho com manteiga gelada.

                     

Os dois juntos, o risotto e as perdici nos teletransportaram diretamente pra Alba.

Tentei introduzir o Brasil na conversa ao abrir um vinho tinto de renome, o Lidio Carraro Tannat 2004. Ele até estava bom (“quem vê cara, não vê coração, raimunda, gaúcho, salvo pelo gongo”), mas estava muito opaco. Muito estranho!

I Dolci – O doce finale – Bonèt

Bonèt é boina. E é justamente uma referência ao tipo de forma que era usada pra se preparar esta sobremesa.
Bata 4 ovos em espuma dissolvendo 4 colheres de açúcar na mistura.
Acrescente 2 colheres de sopa de cacau em pó, 50 g de amaretti (adaptei e usei os cantuccini que a Dé fez), 2 colheres de sopa de rum e 1/2 litro de leite integral. Mexa até formar uma massa homogênea.

Coloque 2 colheres de açúcar numa panela pequena pra caramelizar até adquirir uma cor castanho-dourado, diluindo num pouco d’água até formar uma calda espessa.
Distribua a calda nos lados e fundos duma forma retangular (eu não tenho nenhuma em forma de boné), despeje a massa e asse em forno pré-aquecido à 180ºC, em banho-maria, por 30 minutos.

Sirva em fatias.

E, segundo eu que sou um italiano da gema,  com um pouco de maple, confeitos de lavanda e uma geléia de trufas.

Sensacional e é um pudim-bolo. Ou seria um bolo-pudim?

Tomamos mais uma grappinha e estávamos prontos pra ir pros braços de Morpheu.

Eis a opinião dos sonhadores:

Piedmonte! Aos montes. (Edu)
Piemonte! Nas alturas. (Mingão)
Piemontese! Bravo. (Déo)

” Uma refeição pode ser comparada a uma longa viagem de aventuras. O que vale não é a meta, mas um caminho cheio de surpresas”.

“No Piemonte, comer e beber são consideradas atividades por demais importantes e prazerosas para que fiquem relegadas apenas a função de regeneração física”.

“Comer não é apenas alimentar-se, com também tirar prazer, alegria, cultura, felicidade, amizade e respeito pelas próprias raízes”.

Estamos com você, Rudolf e não abrimos.

Arrivederci!

.

Anúncios

É só inserir o seu email, clicar no botão "Seguir" e a cada novo post publicado aqui, você receberá uma mensagem com o link. É fácil, qualquer criança brinca, qualquer criança se diverte! :)

Junte-se a 658 outros seguidores

Posts recentes

Comentários

Blog Stats

  • 1.423.453 hits
setembro 2019
S T Q Q S S D
« ago    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Arquivos

Atualizações Twitter

Anúncios