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dcpv – noite peruviana na cebicheria la mar

14/09/2011

Noite Peruviana na cebicheria la mar.

Parece incrível, mas o final do ano se aproxima.

E o trabalho nas Organizações LongueLuz está cada vez mais pesado. São reuniões e mais reuniões.

Não preciso nem dizer que fizemos mais uma. Desta vez na cebicheria la mar (rua Tabapuã, 1410 – Itaim Bibi) onde aconteceria o jantar intitulado Experiência Peruana. A idéia toda seria mostrar a culinária daquele país, mas com alguns detalhes brazucas.

Recebi o email, percebi que o sócio estaria na praia e obtive o “sim” da Re e da Dé. Pronto; foi só reservar e aguardar o desfilar dos grandes chefs Fábio, Thomas e Flávio.
O local (pra quem não conhece) é muito bonito. Você sente realmente que está num lugar de grife; uma franquia dum empreendimento do atual enfant terrible da gastronomia, ou seria niño extraño, o peruano Gastón Acurio.

Enquanto esperávamos o Eymard chegar, pedimos um  legítimo Pisco Sour pra alegrar a nossa noite.

O sócio aportou, juntamente com a primeira incursão do grande Flavio Federico (por sinal, parabéns pra ele por mais um merecido prêmio da Vejinha/2011) à nossa mesa.

Estávamos “listos” pra iniciar a nossa viagem inca. Começamos bebendo um Prosecco Bottega Poeta 

… e comendo Panzanella, quinua e lula.

Quer dizer, pra alguns, já que a Re discretamente despachou as lulas (divididas irmanamente entre os sócios). De qualquer forma, os moluscos estavam muito bons e este prato foi criado pelo Fábio Barbosa, chef da própria la mar.

Quem fez a segunda entrada foi o Thomas Troisgros (do CT e do Olympe. Logo, logo o Claude será o pai dele! rs).

Um espetacular Lagostin com camote dorado, um adocicado lagostim envolto em batata doce frita e apoiado numa lâmina cozida de batata doce roxa legitimamente peruana.

Muito bom mesmo e acompanhado pelo branco sulafricano Chardonnay Gran Carlou, que conseguiu ser melhor ainda.

Conversamos bastante, estabelecemos as metas pra 2012 (a conselheira Lourdes será advertida pela nova falta. rs) e experimentamos um Nhoque de abóbora e aji amarelo (outra obra do Fábio). Pra quem não conhece, o aji é um tipo de pimenta bem leve e um tanto quanto adocicada.
Ou seja, dá pra imaginar o gosto que esta pseudopimenta dá pra tudo, né?  O vinho branco neo-zelandsês Gewurstraminer Saints Clair Godfreys Creek cumpriu bem o seu papel.

Mais conversas, mas risadas, mais balancetes, com inclusive, alguns convites pra intercâmbio e partimos pro último principal. E é claro que com o lobby do sócio, o ingrediente principal seria … pato.

O Thomas ouviu as preces e serviu um ótimo Magret de pato com purê de lúcuma. Vamos a mais um momento dcpv também é cultura: lúcuma é uma fruta peruana estranhona e com um gosto doce e bem diferente, quase uma mistura de caqui com plástico. Xiiiii!

O purê foi comido por todos. Mas a Re e a Dé doaram novamente o magret pra sociedade, que não recusou em hipótese alguma. Desta vez, o tinto chileno Petit Syrah Medala Real Santa Rita 2005 só faltou emitir um qüen-qüen.

Era chegada a hora do Flávio Federico entrar em ação. E foi com um sublime Suspiro Limeño com damascos.

Uau! Que doce! Uma conjunção perfeita entre a polpa do damasco, o suspiro cremoso e o Moscatel Santa Rita Late Harvest.

Suspiramos todos ao experimentar, assim como nos petit fours peruanos que o Flávio preparou: brigadeiros de aji amarelo e macarons de pisco sour, as especialidades que não poderiam faltar.

Resumo da ópera: esta “Experiência Peruana” foi totalmente positiva. Os sabores se “misturaram(os gastrônomos perceberam o trocadilho) com uma tremenda “acuracidade (mais um! rs).

E fica também uma reflexão: será que não temos ingredientes diferentes suficientes pra dar uma identidade pra comida genuinamente brasileira assim como existem os peruanos? Ou precisamos dum “lerrítimo” Gaston Acurio nestas plagas?

Hasta.

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dcpv – experiência peruana na La Mar

22/11/10
cucurrucucu, ceviche!

Experiência Peruana na La Mar

Uma caravana de chefes brasileiros foi ao Peru recentemente por ocasião da Mistura, uma feira que visa divulgar a gastronomia peruana, uma das mais inusitadas do atual cenário mundial.

Não precisa nem dizer que tem a mão do Gaston Acurio nesta história já que ele é o bigboss por lá..
É claro que esta visita além de atualizar tecnicamente todas estas feras da cozinha também geraria uma bela confraria e um provável encontro bacana.
Daí surgiu o “Experiência Peruana“, um jantar onde cada um deles mostraria um prato com a sua visão e interpretação da culinária inca e com um cunho assistencial em favor da AACD .

Ficamos sabendo de tudo através do amigão Flavio Federico (da excelente Sódoces) e deixamos anotado na agenda.
Dia 22/11 (uma segunda!) as 20:30 hs, na Cebicheria La Mar.

E lá fomos nós em plena segundona, fazer o trajeto grande Ferraz de Vasconcelos/Capital. Adivinhe se não choveu muito e colaboramos com o maior congestionamento do ano em SP?
Após 4 hs no trânsito, finalmente chegamos (a Re, a Dé e eu) . Ou seja, estávamos atrasados 1,5 horas e por sorte, a tempo de aproveitar tudo, já que todo mundo sentiu o trânsito pesado.

Apresentações feitas, estávamos numa mesa com a amigona Ângela (esposa do Flávio), com o André Razuk (uma cara extremamente agradável e um grande papo além de ser o responsável por fazer os dólmãs de todos os grandes chefes de SP. Acho que vou comprar um dele! rs) e, por incrível que pareça e especialmente pra mim, o Sr (prometo que é a última vez que chamo de Sr) Ennio Federico, o pai do Flávio e um dos meus ídolos jornalísticos/enolíticos.

Ainda lembro dos aúreos tempos do JT onde eu lia artigos muito bem escritos pelo Ennio  e regularmente versando sobre vinhos e gastronomia. E isto há mais de 30 anos. O homem sempre foi um precursor das grandes ondas e amante das coisas boas da vida.
Refeito do prazer de jantar com pessoas tão agradáveis, começou efetivamente o tour peruano.

Iniciamos com um prato do Tsuyoshi Murakami (Kinoshita), um Sunomono de Ceviche com perfume de wasabi fresco, yuzu e shisso.

Foi uma instigante mistura do tradicional ceviche com traços da culinária japonesa. Esperado, vindo do Murakami e muito saboroso como a maioria dos bons ceviches.

Logo após um ceviche de vieiras com tamarilo e esfera de aji amarelo e ouriço, um prato da Bel Coelho (dui).

Bonito, gostoso, moderno (vide a esfera) e com a utilização da vieira, uma covardia. Espetacular.

Próximo prato: peixe (e a Re, surpreendentemente comendo tudo!). Um mil folhas de palmito pupunha com tiradito de pargo, mousse de haddock e vinagrete de limão siciliano feito pelo Thomas Troisgros (66 bistrô). É claro que o indefectível caviar de tapioca estava por lá.

Estes 3 primeiros pratos foram harmonizados com um vinho branco alemão, o Fritz Haag Riesling Trocken que foi bem com tudo (inclusive com a ilustre concordãncia do Ennio).

A conversa estava cada vez melhor (imagine saber do Ennio o que são extamente os puttonyos dos Tokaji?) e chegou o atum com coentro, pimentões e cebola do roxa do Raphael Despirite (Marcel).

Talvez tenha sido, por incrível que pareça, o prato mais peruano da noite. Suave e com um leite de tigre de se tomar com colher.

Intervalo! E nada melhor do que alguma coisinha pra limpar as papilas gustativas. Uma raspadinha de uvaia com pisco, feita pelo Flávio Federico. Foi o suficiente pra recarregarmos todas as baterias.

E lá veio um nhoque de batata e maiz morado em molho de panca-tomate e huacatay feito pelo anfitrião, o Fábio Barbosa (La Mar).  Prato bonito, mas um pouco, digamos, pesado pro meu gosto. A Re e a Dé adoraram.

Estes três pratos foram harmonizados com um tinto Leyda Pinot Noir Reserva que por unanimidade foi considerado fraquinho e um tanto quanto sem graça.

Frango? Também teve e um galeto marinado em cascas de limão, aji e coentro em grãos, acompanhado de bolinhos grelhados de batata e milho; da Renata Braune (Chef Rouge).

Foi o prato menos gostoso da noite (de novo pro meu gosto, já que não sou muito franguístico). Se fosse servido sozinho numa refeição, acho que faria sucesso, mas com este padrão de comparação …

Ufa! Chegou a vez do Henrique Fogaça (Sal). Costela de porco assada com pisco em baixa temperatura ao chutney de manga e aji com broto de salsão.

Costelinha gordinha e desmanchando na boca, chutney com um sabor agridoce perfeito e o conjunto da obra mereceu aplausos.
Adivinhem se a Dé não jogou a dela pra mim? E adivinhem se eu não comi?

O final da parte salgada seria do Rodrigo Oliveira (Mocotó). E com uma especialidade dele, uma carne de panela à moda de Cuzco com purê de fava amarela e pimenta de bico. O André disse: é o melhor da noite e eu estava quase concordando quando o Ennio frisou: não tá um pouquinho salgada? E estava mesmo (ah! estes especialistas).

O Santa Rita Medalla Real Cabernet Sauvignon era bem melhor que o vinho anterior. Harmonizou bem com os pratos mais pesados.

As sobremesas (é isto mesmo, no plural) também estavam por vir. Flávião estava montando tudo como num balé.

A primeira foi pastel de choclo com compota de chirimoya, araticum, rapadura e algarrobina. Tudo excelente e com um belíssimo destaque pra bala de rapadura que é pra comprar no Sódoces e guardar no cofre. rs

Mais uma, a última, uma torta de lúcuma com coco e figos ao porto. Perfeita com o creme de lúcuma bem particular e os figos caramelizados e muito gostosos.
A Dé que é uma figóloga ululante aprovou.  Harmonizou perfeitamente com o Muscat dês Beaumes Delas Freres.

E chegamos ao final do banquete limeño.
É claro que comendo os insuperáveis macarons, desta vez de Pisco Sour e brigadeiros de Butiá que o Flávio confeccionou.

Conversamos mais um pouquinho, o Ennio e o André prometeram nos convidar prum pratinho de frutos do mar que o chef Alencar (Santo Colomba) fará sobre medida pra ocasião além da degustação que faremos com alguns vinhos especiais e centenários da adega do Ennio! rs

O resto é desejar vida longa a este projeto e que, ao menos, eles se reunam algumas vezes pra prepararem mais jantares deste nível.

Pelo que observamos, todo mundo se divertiu muito. Inclusive, os chefs.

Adiós!

PS –

1 – Se você não conhece muitos dos ingredientes citados nos pratos acima, está no hora de dar um bela Googlada e entrar no mundo da culinária peruana.
2 – Se você chegou até aqui e está se perguntando onde está o post do sócio sobre o 2º ISB, saiba que não foi publicado por problemas técnicos. Não sei, não, mas eu acho que cabeças irão rolar no alto comando do DCPV. 🙂

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dcpv – a drix é do peru.

número 265
28/09/10

A Drix é do Peru.

A Adriana, a Drix é uma fervorosa fã  do Verdemar, uma rede de sex shops de BH. E eles editam uma excelente revista.
Vira e mexe, ela nos envia exemplares delas contendo muitas matérias interessantes e acompanhadas de ótimas receitas e fotos.

A Dé sempre dá uma bela observada nelas, as revistas, pois este tipo de material é um dos sonhos de consumo da nossa diretora de marketing, ela mesmo!

Este exemplar, o de nº 20, já tinha aportado aqui em casa há um tempão e versava sobre o Peru. Intitulava-se “Surpreenda-se, Peru Especial – ceviche+pisco+Machu Picchu+abacate” e, como coincidentemente a Drix tem uma “certa” veia peruana, ele ficou guardado pra ser usado em algum momento de recaída inca (a nossa viagem pra lá ainda é lembrada através das várias experiências pra lá de gastronômicas).

Juntando tudo isso, formou-se o menu desta noite.
Eu aproveitei pra desestereotipar a comida peruana dos famosos ceviches, lomos saltados, causas, suspiros limeños e até dos Pisco Sour.

Portanto, prepare-se pra conhecer bem mais da gastronomia que está invadindo o mundo.

Adelante!

Bebidinha – Sky Blue (nome tipicamente peruano!! Não poderia se chamar Cielito Azul?)

Um belo coquetel com o sabor forte do Pisco.

Bata 1 dose de Pisco, 1 de suco de laranja, 1 toque de suco de limão e gelo. Despeje numa taça de martini, adicione 1/2 dose de curaçao blue e 1 lance de groselha. O “lance” é fazer com que a groselha se deposite no fundo da taça.

Entradas Salada de abacate, tomate e aipo; Taça criolla e  Conchas a la parmesana

As duas primeiras são variações do mesmo tema: o abacate.

A salada é simples demais. Basta misturar um talo de salsão picado, 1/2 abacate maduro em cubos, tomatinhos-cereja a gosto, 2 colheres de pistache numa saladeira e temperar com azeite, sal, limão e um toque de orégano.

É extremamente refrescante e saborosa.

Já a Taça Criolla é um pouco mais trabalhosa, mas vale o esforço.
Comece fazendo o creme de pimentão: tire a pele e a semente de 2 pimentões amarelos (coloque-os no forno e envoltos em papel-alumínio) e bata no liquidificador com 1/2 pimenta dedo-de-moça, 200 ml de caldo de carne e sal.

Corte 1 abacate em cubos médios.
Faça um vinagrete com 1/2 cebola roxa picada, 1 pimentão amarelo em cubos, azeite, caldo de limão, hortelã e coentro picados. Tempere com sal.

Aí é só montar: distribua o creme no fundo dos copos.

Coloque os cubos de abacate e cubra com o vinagrete.

Pra melhorar ainda mais, salpique amendoim torrado e coloque uma pimenta biquinho pra dar uma colorida. Fantástico! Todos precisamos aprender a usar melhor o abacate.

Finalizando o início, as conchas.  Que nada mais são do que vieiras (eu e a Dé adoramos vieiras).
Elas são marinadas com sal, molho inglês e vinho branco. Depois, colocadas cada uma numa colher de porcelana , cobertas com parmesão ralado e levadas ao forno pra gratinar.

A sensação de comê-las numa colherada só é indescritível. Experimente!(Drix, esta o Carlos vai adorar).

O conjunto todo se mostrou harmonioso e não tinha como não limpar o prato com o pão italiano que a Dé nos ofereceu.

Up-grade? Sim, com o vinho branco Chardonnay Sibaris Undurraga 2008 Chile que  foi “festivo, suspiro limeño, cilibrino, frutal” segundo os usuários de poncho e conga, nós mesmos.

Principal – Cerdo com Algorrobina (mais conhecido como lombo de porco com maple syrup).

Outra receita facílima e surpreendente.
Corte um belo lombo em fatias e tempere com sal e pimenta. Cuide pra que ele não tenha muita gordura. Doure-os numa frigideira quente com azeite de oliva.

Acrescente pisco e flambe. É claro que chamei quem estava presente pra ver o espetáculo pirotécnico!
Retire a carne e agregue maple syrup, caldo de legumes e deixe reduzir.

Adicione creme de leite e misture. Tempere com um pouco de canela em pó!

Pra acompanhar, um arrozinho Basmati básico com um pouco de pimentão amarelo picado. Vamos chamá-lo de Lisoto Luz!

Prataço! E o lombo fica com aparência de quem fez bronzeamento artificial.

Sabores inconfundíveis e hermosos.

Já a harmonização não funcionou muito (amargo, avesso do avesso,  caozesco, swerdine). O tinto Cabernet Sauvignon Sibaris 2008 Undurraga era muito áspero pra suavidade desta carne.

Sobremesa – Creme de abacate com cassis.

Sim , é uma variação do manjado creme de papaia, famoso nas “parrillas brasileñas”.
E no nosso caso, a variação foi maior ainda pois eu não tinha Licor de Cassis em casa.

A solução foi improvisar. Portanto, fiz o creme batendo 1 abacate maduro, 4 bolas de sorvete de creme e leite condensado a vontade.

E descemos os 3 (a Dé já tinha se recolhido) pra escolher qual licor combinaria mais com o creme.

Eu escolhi o Monin Granny Smith. Ficou bonito e bem saboroso.

O Déo escolheu um legítimo Licor de Jenipapo Crioulo. Ficou bonito e não muito saboroso.

O Mingão escolheu o Baileys. Ficou não muito bonito e não muito gostoso. rs
Prometo que da próxima vez compro o Licor de Cassis.

Leia a opinião dos incas não-venuzianos:

É du Pirú? É do Peru! Hermoso! (Edu)
Que Gaston que nada! Grande Edu! (Mingão)
Astecamente delicioso. (Deo)

Todos sabemos que o Peru é o país da moda, especialmente no binômio gastronomia/turismo.
Ingredientes diferentes, misturas inusitadas e acima de tudo, uma comida saborosa e marcante que integram o caldeirão desta cultura. 

Basta a nós aprendermos com eles e sabermos utilizar com sabedoria aquilo que a mãe natureza nos propicia.
Quem sabe logo, logo não estejamos escrevendo sobre os segredos (ainda pra nós) que a Amazônia, o Cerrado, os Pampas e até o nosso quintal escondem!

Adiós.

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Lima – Mercado de Surquillo e a aula

camu-camu? aguaje? tumbo?
18/10/09

Lima – Mercado de Surquillo e a aula.

Mais uma atividade do nosso mini-roteiro gourmet no Peru: conhecer o mercado municipal de Lima, o Surquillo e degustar vegetais e frutas  diferentões além de comprar ingredientes pra aprendermos a fazer o nosso próprio ceviche.

Vamos por partes:

I – A Visita guiada ao Surquillo

O nosso guia, o Adrián Macedo, nos mostrou (literalmente) todos os sabores do Peru.

Bancas com frutas exóticas …

… legumes malucos  (não são pézinhos!)…

 e pimentas (ajis) doidas; …

… milhos deliciosos, …

 

… batatas dos mais variados tipos …

… açougues um tanto quanto malucos …

… e peixarias mais ainda já que não existia refrigeração alguma.

Vamos aos melhores momentos do SPFW dos FLV:

Pitajaya – esta é conhecida por aqui.

Aguaymanto  – a famosa physallis. 

Aguaje – parece uma manga dura.

Sachatomate – é um tomate japonês.

Lúcuma – parece uma abóbora seca, bem seca.

Chirimoya – parente da fruta-do-conde.

Granadilla – quase um maracujá.

Tumbo – é quase uma maracujino. Ou seria um pepicujá?

Pepino – engraçado, mas é quase um melão.

Yacón – quase uma batata doce com bastante líquido.

Huaypo – não tenho a menor idéia. Parece uma esponja pra tomar banho!!

Rocoto – um pimentão mais apimentado.

Moraya ou chuño – são simplesmente batatas desidratadas.

É ou não é um espetáculo?

II – A compra

Logo depois, o Adrian nos deu 50 Soles  (~R$ 35), uma lista de ingredientes e 10 minutos pra comprarmos o necessário pra fazermos um bom ceviche: linguado, cebola roxa, ajis amarelo e vermelho, limões verdes, batata doce e milho.

Gastamos 10 Soles ou seja, R$ 6,00 . É  claro que demos uma “yapa” ou seja, uma bela chorada e ganhamos mais alguns ingredientes além de termos ficado com o troco. 

III – A aula

Continuamos o tour saindo do mercado e indo pro restaurante Señorio de Sulco onde teríamos a nossa aula.

 

Tomamos os nossos Pisco Sour, vestimos os nossos aventais (um brinde) e começamos a trabalhar duro! rsrs

Aprendemos alguns belos truques pra se fazer um ótimo ceviche (e fizemos!):

1 – A cebola roxa cortada deve ficar um tempo de molho em água fria.

2 – O peixe tem que ser extremamente fresco.

3 – Ele deve ficar um tempo somente em contato com sal fino (bastante).

4 – O limão tem que ser espremido na hora de servir o prato pra evitar a oxidação.

Também fizemos causas que são, basicamente, purê de batatas temperados com ajis e montadas de várias maneiras intercalando recheios (camarão, frango, carne, vegetais) e com palta (o nosso famoso abacate).

Continuamos a aula, aprendendo a fazer Lomo Saltado, uma carne cortada em tiras e salteada com vários ingredientes (tomates, cebolas, ajis, alho, shoyo, vinagre, azeite, caldo e batatas fritas) numa wok. 
É um prato com uma grande influência chinesa.

IV – O almoço

Não vale a pena ter uma aula deste tipo onde o aluno come a lição?

E ainda como bonus, um belo Suspiro de Limeña.

Uau, quem me dera que todas as escolas fossem assim!

Enfim, um passeio agradável, saboroso, instrutivo e claro, imperdível!

 

Hasta.

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Astrid y Gaston – o melhor restô de Lima?

não sei, não!
16/10/09

Astrid y Gaston – o melhor restô de Lima?

Você sabe o que é déjà vu?
Pois foi o que nós (eu e a Dé) sentimos quando nos deparamos com o restaurante Astrid & Gastón, do Gaston Acúrio, dono dele  e de um montão de outras coisas em Lima (La Mar, Bembos, Cafe del Museo, etc).

Marcamos justamente prum sábado a noite porque a expectativa era muito grande (pra quem não se lembra, fomos ao de Santiago do Chile e achamos espetacular).
Ele se localiza a uma quadra do excelente hotel Casa Andina Private Collection. É claro que fomos andando e imagindo o grande céu estrelado que deveria estar bem acima das nuvens do fog limeño.

Estava cheio, mas como tínhamosuma reserva (feita através da Gouté) nos sentamos imediatamente.

O couvert é bem parecido com o de Santiago: pãezinhos e grissinis com pastas e azeite. E tão bonito e gostoso quanto.

 

Pedimos um vinho branco Catena 2008 e começamos a estudar o bonito cardápio.

Como estávamos com fome, optamos por pedir um belo ceviche de linguado, o Elegância, na versão clássica como entrada. Fresquíssimo e do jeito que um ceviche tem que ser: bem temperado, apimentado e com um leite de tigre saboroso.

Como principal, a Dé foi de Lenguado de las playas de Chancay en caldo de cogumelos e gengibre. Este peixe é cozido na sua frente quando o garçon joga óleo de gergelim fervente sobre ele. Tem um sabor delicado e bem andino.

Eu fui de Chita. Calma pessoal da Sociedade Protetora dos Animais.  Não é a parente do leopardo e muito menos, a macaca.
Chita é um peixe típico do mar do Pacífico, é branco e tem um sabor bem particular. Fazia parte do prato El arroz jugoso do mar com vôngole y conchas  negras y redución de cebiche a la piedra.

Um arroz molhadinho e cremoso. Extremamente confortável. Quase um risotto andino, um “lerrítimo risueto”.
De sobremesa, uma especialidade do Gaston: Arroz com Limão. Cremoso, denso e docinho. Uma delícia.

Terminamos e ficou uma dúvida. O Astrid é o melhor restaurante de Lima? (conforme cravamos no de Santiago?)

Um dos melhores, certamente. O melhor, levando em consideração toda a experiência e a nossa opinião, foi o Rafael.

Eu acho melhor pedirmos o menu-degustação da próxima vez que formos lá (deixa a Dé saber disso!).

Hasta.

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lima – pachacámac e wa lok, a chifa

vá chifa!
17/10/09

Lima – Pachacámac e Wa Lok, a chifa

Acordamos relativamente cedo e estávamos tomando café quando ouvimos um : Yuuuhuuuuuu! Era alto e a voz era de uma pessoa conhecida.

Era a Soledad (aqui estan mis credenciales). Ôba, pensamos!
Era a certeza de termos muitas e boas informações sobre Pachacámac.

 No caminho, vimos construções curiosíssimas feitas sobre morros de areia.

A cidadela fica a 40 km de Lima e foi habitada de 200 a 1533 dC. Lá ficava um oráculo homônimo, Pachacámac, tido como um verdadeiro conselheiro e opinador sobre todos os problemas que assolavam os povos peruanos. Vejam que estou falando de povos peruanos e não somente de incas.

A cidade é bastante grande (a visita é feita de van) com várias ruínas espetaculares, se bem que um pouco degradadas devido a constante depedração.
Mesmo assim até hoje é possível ver pedaços de cerâmicas, tecidos, cabelos e até mesmo, ossos. E humanos.

Conhecemos construções antigas e pré-incas tais como o Templo Pintado (vejas as cores desgastadas, mas vermelhas) e o Templo Viejo.

E também as do período Inca, como o templo del Inti (o Sol) …

… e El Acllahua, a casa das Garotas Escolhidas que era onde ficavam as meninas apontadas desde pequenas pra serem as futuras esposas do Inca, o grande imperador. 


No retorno a Lima, e sem a companhia da Soledad, fomos conhecer uma chifa, a Wa Lok.

Chifas, pra quem não sabe, são restaurantes populares peruanos em que, devido a influência da grande colônia chinesa por lá, se mistura esta culinária com a peruana. A famosa cozinha fusion.

O lugar é estranhíssimo já que fica num andar acima de um cassino (bem mambembe, por sinal).

E parece muito com aqueles restaurantes chineses que temos por aqui. Ah! A comida também.

Comemos Jakzo e Siu Mai, dunplings de camarão e carne.

Arroz chaufa que é um arroz frito preparado ao estilo cantonês.

Sahofa, um talharim de arroz salteado com vegetais chineses em molho de ostras.

Kam Lu Wantan, carne com wantan frito num molho de tamarindo.

E chá verde, pois só ele pra dar um refresco já que a quantidade de comida servida daria pra alimentar todo o exército inca!

Ah! Os bolinhos da sorte também foram servidos e diziam: calma, meus filhos. Essa refeição vai acabar já, já. rsrsrs

Era tanta comida que ao final, achamos esta refeição a mais “marromeno” de toda a viagem.

Valeu pela curiosidade. E cá pra nós! Na próxima, procuraremos uma chifa mais comedida! Repare que a família que almoçou conosco também não estava muito animada!

Hasta!

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Lima – Rafael, uma pintura de restaurante

uau! que jantar
16/10/09

Lima – Rafael, uma pintura de restaurante.

“Você não pode deixar de ir ao Rafael!”
Foi assim que a Carla Pernambuco (restaurante Carlota) respondeu ao meu pedido de dicas sobre o Peru. E olha que ela  entende tudo de gastronomia peruana.

E eu, que não sou bobo, nem nada, fui atrás!
Deixa eu explicar melhor como foi que eu fechei o restante da viagem peruana (já que uma parte dela foi num pacote especial da Teresa Perez). Conheci a Gouté,  uma agência especializada em viagens diferenciadas que se propõe a fazer roteiros com tudo aquilo que o seu cliente almeja.

Nós almejávamos história, conhecimento e boa gastronomia. Eu já tinha um montão de lugares que estava interessado. Resumindo tudo (após uma montanha de e-mails, palpites e acertos), chegamos a um roteiro onde a Tati, uma das sócias, confirmou as reservas de passeios (bike, Pachacámac, mercado de Surquillo com aula de culinária) e de restaurantes (La GloriaPescados CapitalesAstrid & Gastón, Wa Lok, Huaca Pucllana).

É claro que o Rafael, restaurante do chef Rafael Osterling constava do cardápio da viagem. E, certamente, foi o acontecimento gastronômico dela.
Primeiro porque era a grande dúvida já que optei por um menu-degustação composto de 4 pratos mais a sobremesa (a Dé tinha reclamado pacas, pois ela tem traumas com este tipo de menu. É muita comida, diz ela).

Segundo, porque faríamos este jantar justamente na noite em que voltaríamos e voaríamos (de avião, óbvio) da altitude de Cusco para Lima. Ou seja, estaríamos “pregados”!
Chegamos lá as 20:30 hs ( no horário da reserva) e o nosso lugar já estava pronto.
E, acreditem ou não, foi tudo tão rápido, em porções compatíveis com  a aflição da Dé (ou seja pequenas) e tão boas que certamente compartilhamos da opinião da Carla: o Rafael é mesmo imperdível.

Começamos o nosso passeio pela gastronomia peruana com um A Virgem e o Menino, ou melhor, um Tiradito Nikkei de Atum com Yuzu, Mirin, Guacamole e Ajojnjole Humeante que é como um sashimi de atum com saquê, óleo de gergelim defumado e creme de abacate. Literalmente, uma pintura.

Pedimos um vinho branco, um Alamos, e pensamos: o tal Rafael Osterling é bom mesmo. A descrição do estilo dele que diz que ele gosta de aproveitar os ingredientes mais frescos e fazer uma culinária simples e fusion é correta!

Como segundo prato a Santíssima Trindade ou Inmensas Conchas a la Parrilla a la Mantequilla de Limon y Ajo Crocante. Em bom português, imensas (não tão imensas assim, mas saborosas) vieiras grelhadas com manteiga de limão, mel e alho crocante. Mais uma obra de arte e o caldinho que se formou nas conchas é um verdadeiro néctar.

Continuando o nosso tour de force, o terceiro prato,  a Criação de Eva da Costela de Adão ou Tempurá de Atum com Salsa Akishizo de Mirim sobre Ensalada de Pepino, Mango, Palta y Nueces Cajun. Algo como tempurá de atum com molho akishizo ( este, nem no google eu achei!!) sobre salada de pepino, manga, abacate e castanhas de caju. Do jeito que a coisa anda, viraremos fãs do atum tamanha a precisão do Rafael ao utilizá-lo nos pratos.

Finalizando a parte salgada e com um serviço cronometrado já que bastava colocarmos os talheres nos pratos, o garçon se aproximava e perguntava se poderia servir o próximo, chegamos ao quarto prato: Ressurreição de Cristo ou Mero Akishizo Sellado a la Grilla y Horneado com Poros Bebe, Portobello y Arroz frito al Ajonjoli. Esta foi a verdadeira obra de arte do Rafael (qual dos dois?). Traduzindo: garoupa fresquíssima grelhada e assada  com alho poró baby, cogumelos e arroz frito ao óleo de gergelim. Sabores impronunciáveis surgiram no prato.

 

Faltavam as sobremesas e era uma degustação também. Podemos chamá-la de DeusPai ou Torta queimada de limão taiti, panna cota de maracujá e  creme brulée de laranja e grapefruit. Tudo delicioso e destaque-se que era o quinto prato e estávamos com o estômago e a alma saciados.

Rafael, célebre pintor do Resnascimento italiano é o autor das obras grifadas em vermelho. Rafael Osterling, célebre chef peruano tem os seus pratos grifados em azul e cria cada prato com se criasse uma saborosa obra de arte!

Portanto, prepare-se pra vir ao Rafael, o restaurante, como se viesse a um museu. Você comerá verdadeiras pinturas de sabor!!

Hasta!

PS – Este post é a versão completa do que foi publicado na semana passada pelo nosso guru, o Diogão lá nos Destemperados.

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