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dcpv – piemonte – decimo e ultimo giorno – o emocionante il coriandolo.

07/11/2010

Piemonte – Decimo e  Ultimo Giorno – O emocionante il Coriandolo.

Último dia da viagem.

E normalmente este último dia é praticamente perdido. Arrumação de malas, organização de tudo, expectativa da volta pra casa; enfim tudo te faz dar uma desanimada e querer acabar logo com este negócio de peso das malas+aeroporto+avião+ freeshop.

Mas coroando uma excelente viagem, ainda aproveitamos e bem este domingão. Afinal de contas, o vôo seria somente as 20:00 hs.
E olha que o dia começou broncolhão e chuvoso.

Mesmo assim, fomos dar uma volta pela região do Duomo…

… e de lá, seguimos pra Coin, onde além de um montão de coisas, ainda existe uma filial do sex shop ideal, o Eataly.

Adivinhem se não compramos um montão de coisas novamente (pastas, vinhos, azeites, etc)?

Voltamos a tempo de passarmos no hotel pra descarregarmos tudo e comermos num lugar indicado pelo nosso mestre Juscelino: o Il Coriandolo, um restaurante especializado em frutos do mar e localizado na região de Brera, ao ladinho do hotel.

Ele, o Juscelino, tinha nos dito na noite anterior que comeu lá o melhor spaghetti com vôngole da vida dele e que tinha se emocionado e, inclusive, lembrado da família.

Não precisa nem dizer que eu e Eymard pedimos o tal Vero Spaghetti al Vôngole. Que por sinal é de emocionar mesmo. A pasta é cozida al dente e o sabor dos vôngoles é de tirar qualquer um do sério.

As meninas pediram  um tagliolini com tomates e queijo pecorino que não ficou atrás das nossas quanto ao sabor.

Um branco do nosso amigo Angelo Gaja, um Rossj Bass 2009 (como são baratos os vinhos por aqui!) acompanhou tudo e …

… após 3 sobremesas e 4 colheres nos despedimos realmente da cozinha ítalo/piemontesa.

Ainda demos uma última passadinha na La Rinascente e bye, bye, Milano!

Ficam os seguintes ensinamentos:

a – Todos os italianos são grandes gourmets e muito bem-humorados.

B – A comida de toda esta região é imperdível.

C – Todos os ingredientes utilizados são de primeira qualidade.

D – Os vinhos são demais.

E – O outono é muito lindo por aqui.

F – Todos os chefs estavam em seus restaurantes e melhor, conversando com todos os clientes pra saber sobre o seu produto final, a comida.

G – Tivemos um guia que foi muito mais um companheiro (pelo menos não fomos ao Crippa) nos acompanhando o tempo todo e com um conhecimento que potencializou todos os ótimos momentos.

H – As trufas. Ah! As trufas.

Enfim, a satisfação foi garantita. E controlatta.

Arrivederci.

PS – Satisfação garantida também foi fazer este tour (de force) com os amigões Lourdes e Eymard. Sabe aqueles entrosamentos perfeitos em que parece que já viajamos juntos tantas vezes que nem percebemos que foi a primeira vez e garantimos aguardar ansiosamente pelas próximas!

Serviço especial – Os links dos outros dias da viagem estão abaixo:

Primo – https://eduluz.wordpress.com/2010/11/16/piemonte-primo-giorno-o-dia-agitado-so-turim-combal-zero-eataly/
Secondo – https://eduluz.wordpress.com/2010/11/18/piemonte-secondo-giorno-andando-muito-em-turim/
Terzo – https://eduluz.wordpress.com/2010/11/25/piemonte-terzo-giorno-voce-sabe-o-que-e-uma-cornucopia/
Quarto –  https://eduluz.wordpress.com/2010/12/01/piemonte-quarto-giorno-o-mundo-e-um-pisello/
Quinto – https://eduluz.wordpress.com/2010/12/09/piemonte-quinto-giorno-gaia-now-for-the-rain-is-falling/
Sesto – https://eduluz.wordpress.com/2011/01/07/dcpv-piemonte-sesto-giorno-um-coppo-cheio-de-trufas/
Septimo – https://eduluz.wordpress.com/2011/01/20/dcpv-piemonte-septimo-giorno-cabras-e-outros-bichos-ate-estrela-da-musica-pop/
Ottavo – https://eduluz.wordpress.com/2011/01/25/dcpv-piemonte-ottavo-giorno-il-luogo-di-aimo-i-nadia-que-lugar/
Nonno – https://eduluz.wordpress.com/2011/02/05/dcpv-piemonte-nonno-giorno-o-reencontro-com-velhos-amigos-maria-franco-e-leonardo/

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dcpv – piemonte – nonno giorno – o reencontro com velhos amigos (maria, franco e leonardo)

05/11/10

Piemonte – Nonno Giorno –  O reencontro com velhos amigos (Maria, Franco e Leonardo)

Estamos em Milão. E sem aquela “responsa” de acompanhar o grupo; horário pra isso e pra aquilo; ter que comer demais!

Acordamos cedo e fomos ao Cenacolo Vinciano ver e apreciar a A Última Ceia do Leonardo da Vinci.

É sempre um imenso prazer degustar um trabalho tão primoroso. (Aviso aos navegantes: não se esqueçam de reservar os ingressos pela internet, pois se deixarem pra última hora, provavelmente não conseguirão entrar).

A visita é curtíssima e os compulsórios 25 minutos passaram muito rapidamente.
Se bem que eu acredito que todo o charme está nisso!

Tínhamos marcado um encontro com a Maria (lembram da nossa outra reunião?) na Santa Maria delle Grazie, mas preferimos caminhar até o belíssimo Castello Sforzesco e nos encontrarmos lá.

Não sabíamos exatamente o que estava acontecendo (desfile cívico, memórias de alguma guerra Mundial, etc), mas tinha um montão de gente das Forças Armadas Italianas ali.

Fanfarras, gente armada, agentes secretos e camuflados (muito bem camuflados. 🙂 )…

Nos divertimos muito vendo a pretensa organização de tudo e quando a Maria e o Franco, o esposo dela chegaram, resolvemos dar uma volta.

Rumamos pro Centro, caminhando pelo Quadrilátero da Moda e adjacências. Vimos vitrines espetaculares (e saborosas)…

… e fomos comer umas coisinhas no Bar do Peck. Comidinha ligeira e em pouca quantidade pra felicidade da mulherada!
Salada caprese, …

… risoto, agnolotti, …

… spaghetti e polvo (adivinhem pra quem?).

Passamos também pelo sex shop, o Peck e achamos bom, mas bem mais fraquinho (se é que podemos falar isso) que o Eataly.

Tanto que optamos por comprar algumas coisinhas num mercatto pequeno ao lado dele que a Maria nos indicou. Castanhas (segredo de estado pra fazê-las e na medida daquelas que você compra assadas: dê um cortezinho e cozinhe no microondas!!. Tentei fazer e não deu muito certo! rs),  tupinambor (plantei aqui em casa e já estão brotando) e….

… aqueles famosos produtos que já conhecemos.

Nos despedimos duplamente. Uma vez da Maria e do Franco (foi o maior prazer conversar de novo com eles) e do nosso guru Juscelino que embarcaria pra São Paulo.

Voltamos ao centro (é, o dia está bem tranqüilo) e enfrentamos o tráfego pesado na la Rinascente.
Caramba, é igualzinho as Galeries Lafayette de Paris. Tem uma história bacana do Duto sobre uma brasileira que estava na Lafayette  em plena liquidação. De repente, ela subiu num espécie de banquinho e devido a multidão presente, gritou: Me acuuuuuuudam! E em português! 🙂

Tentamos e compramos algumas coisas, mas prevaleceu o bom senso e resolvemos comer umas mussarelas de búfala e …

… uma tábua de frios …

… no Obiká, um espetacular bar de mussarelas de origem. (eu não consigo escrever muçarelas! rs)

Voltamos ao hotel, pois  tínhamos que arrumar as malas e nos preparar pra despedida oficial da esbórnia gastronômica.

Também iríamos jantar no Gold, o restaurante dos estilistas Dolce&Gabbana.

A reserva era pras 20:30 hs e chegamos uns 10 minutos atrasados. Foi o suficiente pra termos que esperar um pouco tomando um belo espumante.

E foi muito bom. Ficamos como o Statler e o Waldorf, os velhinhos do Muppet Show, ou seja, observando toda a fauna por um tempão e comentando sobre todo mundo.

Cerca de 40 minutos depois fomos alojados na nossa mesa no salão principal. Rimos muito; o salão estava praticamente vazio!

O espaço todo fica no limite do kitsch, mas ao final você se convence de que é perfeito pra situação (é o mínimo que se espera dum estabelecimento dolcegabbaniesco).

Ainda mais com este banheiro! Certamente, o mais bonito que usamos na vida!

Os pedidos foram feitos. Eu fui de flor de abobrinha recheada com ricota.

O Eymard pediu uma burrata com uns tomates excepcionais e um vinho branco muito bom.

Para os principais, um Ravioli com molho e manjericão pra Dé, um  Spaghetonni (??) pra mim, …

… um Maltagliati com legumes pro Eymard e um Pasta feita em casa pra Lourdes (que arriou e não comeu praticamente nada),

É claro que não pedimos sobremesa, mas mesmo assim ainda ficamos um bom tempo apreciando o belo ambiente.

E quer saber duma coisa? O que aparentemente parecia ser uma mistura explosiva (restaurante de estilistas+gente jovem e bonita+lugar de moda), se mostrou um lugar competentíssimo e com um resultado altamente positivo.

Foi a melhor comida da viagem? Não.

Foi a pior? É claro que não (teve aquele risotto com nuggets da Sadia em Vercelli rs).

Que por sinal estava mais do que terminando e com um ótimo resultado final. Só faltava mais meio dia em Milão e em pleno domingo.

Arriverdeci.

dcpv – piemonte – ottavo giorno – il luogo di aimo e nadia: que lugar!

05/11/10

Piemonte – Ottavo Giorno –  Il Luogo di Aimo e Nadia: que lugar!

Depois de ficarmos praticamente despreocupados quanto a programação, voltamos a ser responsáveis por ela.

E uma vez estando em Milão, nada melhor do que caminhar.

Iniciamos o dia tomando um lauto café da manhã no hotel. Logo em seguida, fomos passear  e rumamos sentido Duomo.

Passamos pelo lendário Teatro alla Scala, palco de grandes espetáculos e vimos um pessoal literalmente carregando o piano.

Atravessamos a Galleria Vittorio Emanuel II, uma maravilha da arquitetura italiana e…

… um lugar muito charmoso.

Mais uma pequena andada e estávamos no Duomo, talvez o lugar mais representativo da cidade.

Ele é altamente impactante tanto externamente …

… quanto internamente.

Visto por baixo se tem uma boa impressão de como ele é …

… e da cobertura, te dá a absoluta certeza do porque dele ter demorado tanto tempo pra ser construído.

É impressionante a quantidade de detalhes e …

… fica mais fácil ainda imaginar a pesquisa,  o trabalho e o sacrifício que foram feitos pra finalização do projeto..

Pra harmonizar mais um pouco, passeamos ao som duma banda de fuzileiros com direito a exposição de aviões e …

… viaturas das mais antigas. Curioso!

Fomos almoçar numa trattoria legitimamente milanesa, a Milanese.

E degustamos alguns bons exemplos da culinária local: ossobuco com risoto a milanesa,…

… troffie com vagem e pesto e …

… ravioli ao molho de burro.

Um vinhão da casa e …

… a mais absoluta certeza se abateu sobre nós: não é a toa que os nossos irmãos italianos valorizam tanto uma boa refeição.
Continuamos o tour passando pela Ladurée (o Eymard não resistiu, viu pessoal do Conexão Paris), …

… pela Princi, uma padoca toda estilizada e …

… com um visual de fazer qualquer um perder a cabeça e a linha.

Seguimos de volta com o glamour do quadrilátero da moda: são lojas e mais lojas das grifes mais famosas do mundo na Via Montenapoleone.

Todas espetaculares e com preços proporcionais.

Mas Milão, especialmente nesta região, é um grande passeio antropológico pois se vê absolutamente de tudo. Carros, máquinas, malucos, turistas …

Voltamos ao hotel  pois faríamos o jantar de despedida do grupo (não se esqueçam: nós 4 e o Juscelino) no famoso restaurante Il Luogo di Aimo e Nadia.

Chegamos por lá com aquela sensação que acontece nestas situações: mais um jantar e se bobear, com os mesmos (bons) pratos italianos da gema.

O lugar é extremamente bonito. A estrutura é simples e chique. O toque especial é dado pela colocação de obras de arte coloridas nas paredes.

O Sr Aimo estava nos aguardando e vimos qual seria o nosso menu-degustação. Era curto pros padrões italianos (a Dé a e Lourdes adoraram), mas mostrava-se muito interessante.

É claro que os famosos grissini não poderiam faltar (Inlight Guides : 19,5).

Começamos com um piccolo: um caldinho com aliche fresco e um toque de pomodoro. Simples e um néctar.

Assim como o vinho branco Bussiolo 2005 do Aldo Conterno. Outra jóia!

Em seguida, uma sopa light (??) de bacalhau com feijão branco, grão de bico e tripa. Tripa? Sim e tão gostosa que a Dé comeu (só ficou sabendo depois!)  e eu aproveitei pra retornar este ingrediente à lista dos que eu aprovo.

A conversa rolava solta (o nosso amigo Juscelino estava terminando de nos contar a sua saga); o Sr Aimo passava constantemente na nossa mesa pra receber os louros por suas obras-primas. Foi  quando chegou a masterpiece: um spaghetti  di grano duro varietá senatore Cappelli ao cipolotto e peperoncino. Um espaguete com cebola e pimenta.

Olha, era só isso, mas de repente se descortinou aquilo tudo o que você sonha numa comida: conforto, sabor, carinho e memória.

Sabe aquele prato que você nunca comeu, mas que você tem quase certeza que já experimentou? E que gostou.

Um pratinho de frutos do mar chegou como um brinde, um agrado. Ôpa, o jantar frugal já não estava tanto assim.

Mais um vinho branco e evoluímos pruma rabada desfiada com purê de batatas que simplesmente complementou a excelência de tudo.

Por incrível que pareça e após comer bem em tantos lugares, viemos encontrar uma das melhores refeições de todas as que provamos aqui no Aimo.
Ainda experimentamos as sobremesas : um bolo, um hot pie de chocolate (todo mundo adorou) e…

… um sorbet de uva com chips de laranja que simplesmente relembrou todos os sabores que experimentamos neste tour.

Que noite! Que refeição! Só na Itália mesmo!

E como a ocasião merece, um brinde ao  D Nadia e o Sr Aimo por manterem  este amor e esta paixão pela nobre arte da gastronomia.

Nós todos agradecemos.

Arriverderci.

dcpv – piemonte – septimo giorno – cabras e outros bichos (até estrela da musica pop)

04/07/10

Piemonte – Septimo Giorno – Cabras e outros bichos (até estrela da música pop) .

Último dia no Piemonte propriamente dito.

E seria de grandes atrações e maiores locomoções.

Fizemos checkout cedinho e zarpamos pra Casale Monferrato.

Antes, uma breve parada pra tirar umas fotos da região do hotel e aproveitar pra pegar algumas mudas de uvas pra plantar em Ferraz.

Quem sabe não surgirá um super Barolo em plena ZL paulista?

Fomos direto pra visitar a Sinagoga de Casale e um museu judaico adjacente a ela. Não me pergunte o porque deste passeio estar incluído num roteiro gastronômico/enológico?

Segundo o Juscelino, foi o pessoal do Castelo di Gabbiano, mais precisamente a Sra Delfina, a administradora que indicou por achar tudo muito interessante.

E ela tem razão, já que como disse o Eymard, visitar uma sinagoga num país tão católico quanto a Itália já é por si só, muito excêntrico.

De qualquer forma Casale é bonita e o museu, através dos seus experientes e espirituosos guias, nos mostrou muitas particularidades do povo judeu.

Continuamos o tour conhecendo uma fazenda de queijos de cabra, a Casa Costa (acho que lá não tem site, não!).

É um lugar muito bucólico e bastante, digamos, selvático.

Vimos as cabras, …

… o lugar onde elas são ordenhadas/alimentadas …

…  e fizemos uma rápida degustação na lojinha onde pudemos comprar alguns produtos (devidamente degustados onde nascerá um super Barolo).

Andamos um pouco mais. Na verdade muito mais pois a nossa guia, a italiana Kátia estava um pouco perdida (ô Kátia, compre uma Maria adequada)…

 … e chegamos ao Castello di Gabbiano, que data do século VIII e é incrível.

Fizemos um ótimo almoço por lá com direito a grissini (cotação do Guia Josimar Luz : 5 mordidas), …

… comidas piemontesas (esta foi provavelmente a 18º carne cruda que experimentamos), …

… salames, …

… fritatta de salame e queijo, …

… cardo (o preferido da Dé),…

… vitela cozida com polenta,…

… vinhos da casa, …

… e um passeio pelos arredores do castelo.

O dono do castelo, Giacomo Cattaneo nos recebeu e falando em português/carioquês (ele nasceu no Rio), nos explicou o objetivo dele em produzirr grandes vinhos e nos descreveu cada (foram cinco). Arrrrrrazou, mérmão!

Aproveitamos pra  fazer um tour pelo exterior e …

… pelo interior do castelo. Acho que o Cattaneo é Mengão! rs

A cozinha é muito bacana, …

… a sala de jogos mais ainda (bola 7 na caçapa 1), …

… e até tivemos direito a conhecer um dos apartamentos que estão em fase de acabamento pra alugar pra hóspedes que queiram participar desta experiência única.

Voltamos à mesa pra degustarmos uma bela torta (já estávamos com fome! rs),…

… alguns queijos (não somos de ferro), …

…. um vinho de sobremesa, um café e darmos uma olhada pela lojinha que também é muito bonita.

De lá, fomos direto pra Milano. Iniciamos a nossa adaptação, pegando um belo congestionamento na chegada.

Fizemos o check in no Hotel Bulgari, que por sinal é um espetáculo e além de conhecer o quarto, ainda cruzamos com o Sr Gordon Sumner no bar .

Tomamos um banhão e descemos pra comer algumas coisinhas no próprio bar.

Prosciutos,..

.. mussarela de búfala, bruschettas de anchovas, …

…  e grana padanno foram deglutidos durante (mais uma) conversa muito interessante.

Tomamos uns “Aperols” (grato, Lourdes) e ficamos olhando a fauna.

Ah! O mr Sting continuava no bar e nunca estivemos tão perto dum ídolo (e durante umas duas horas).

Só em Milão mesmo.

Arrivederci.

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dcpv -piemonte – sesto giorno – um coppo cheio de trufas.

06/11/10

Piemonte – Sesto Giorno – Um Coppo cheio de trufas.

O dia começou bem cedo. E com uma expectativa daquelas.

Pela primeira vez, desde que chegamos ao Piemonte, veríamos como é isto tudo com o belos complementos da luz do sol e do nevoeiro .

E é como o esperado: lindíssimo.

As nuvens se movimentam numa velocidade estonteante e se num momento tudo está enevoado, …

… num outro tudo está iluminado e dum jeito tão especial que só nos resta agradecer ao Criador por tamanha beleza.

E ou não é de deixar o corpo e a mente num estado elevadíssimo?

Depois deste verdadeiro devaneio, pegamos a estrada pra nos juntarmos ao grupo e participarmos duma verdadeira caçada às trufas.

Encontramos com o Stefano Aprile, um verdadeiro trifulau que nos levou até o bosque onde ele encontra as pepitas de ouro do sabor.

Antes, ele nos explicou como e porque os tartufos (especialmente os brancos) nascem somente nesta região do mundo. Coisas de solo específico; de árvores específicas (ah! Este italianos…).

Mãos à obra.  Ou melhor, patas à obra já que a Kira (ou seria Kyra? Não perguntei), a cachorra que teve o seu faro treinado pra encontrar o tartufo, trabalhou bastante e encontrou um montão deles.

O trabalho é aparentemente simples. rs

A cachorrinha anda bastante, para e começa a cavar. O trufilau corre até onde ela está, cava mais um pouquinho e nos mostra a belezura.

Contabilizamos um montão (especialmente as não tão valorizadas negras), …

… passeamos um tempão apreciando a natureza,  …

… e o ar puro, além de nos divertirmos muito com as galochas e sapatos usados pra passearmos pela lama.

Realmente interessante e com uma cara daqueles passeios que você faz na África do Sul com aqueles leões “famintos”. Vocês entenderam, né?

Dali fomos pra cidade de Canelli conhecer a venerada vinícola Coppo.

E por incrível que pareça  o tour foi mais encantador ainda que o da Gaja.

O nosso guia foi o Edoardo (que belo nome!), genro de um dos sócios e aficionado pelos vinhos que eles produzem por lá.

Conhecemos todo o processo de criação dos produtos e nos envolvemos com os lugares onde isto tudo acontece.

Adegas antiqüíssimas (o Duto tirou umas fotos incríveis), …

… com ambientes rústicos …

… e história.

Muita história.

Pra melhorar ainda mais (se é que isso poderia acontecer), fizemos uma refeição exatamente igual a que a Dé disse que estava sentindo falta: o próprio Edoardo cortou salames cozido e cru,…

…, queijo parmeggiano regiano, …

… uns grissini espetaculares (cotação do guia Light’s: #####)  e que eu fiz questão de encher os bolsos com eles…

…  e vinhos Coppo. Ótimos vinhos Coppo.

Só nos restou comprar, cada um, uma caixa com 6 Pomorosso (né, sócio?) e irmos todos pra Alba, o centro comercial de toda a região.

E pra quem gosta de chocolate, especialmente do seu cheiro, Alba é o lugar.  Lá fica uma fábrica da Ferrero e a cidade cheira literalmente a chocolate. O dia todo!!

Passeamos e muito …

… pelo efervescente comércio, …

…compramos utensílios de  cozinha, ingredientes, vinhos, …

… um montão de coisas relacionadas ao tartufo na Tartufi & Co , a bela loja do Stefano o nosso trifulau  e, é claro,  …

… trufas.

Muitas trufas. (na verdade, umas duas!! 2500Euros o Kg 🙂 ).

Escureceu e voltamos ao hotel.

Tínhamos reservado uma mesa no Dulcis Vitis, o restaurante do chef Bruno Cingolani que conhecemos ainda em São Paulo, num jantar sobre trufas e exatamente no Piselli do grande Juscelino.

É, este mundo é uma ervilha mesmo! Ou seria uma grande abóbora?

E foi um desfilar de ótimos pratos e vinhos.

Os trabalhos foram abertos pela dupla prosciuto/brinde.

Logo após, a redescoberta do cardo, um vegetal com um gostinho de alcachofra que a Dé simplesmente adorou.

É claro que experimentamos os grissini (Guia da Lampâda : 19,5 lumens)

Na sequencia, uma salada fresquíssima com ovos com a gema mais alaranjada que já vimos e uma mussarela de búfala que derretia na boca.

Pra variar, comemos trufas (brancas e negras) de tudo o que foi jeito.

Na pasta e …

… no risotto (repare que estas foram as que “caçamos” de manhã com o pequeno apoio da Kira). 

Pausa pra mostrar um dos “n” vinhos que tomamos, todos chancelados pelo Cingolani e pelo Juscelino.

Comemos uns queijinhos (ê, gula! rs) e um pêssego em calda tão leve e saboroso que mesmo neste momento de puro fastio, pareceu ser uma me-ra-vi-glia!

Conversamos muito, trocamos cartões com o Duto e a Mônica (eles iriam embora na sexta) …

… e  fizemos um social com donos de vinícola (Coppo e Vietti) que estavam por lá, …

… além dum papo furado com alguns italianos e uma última saudação ao grande chef Bruno Cingolani.
Você quer falar o nome dele como ele falaria? Então diga bem espaçadamente: tchiiiiiiinnnngoolaaaaaaaaaaaani!

Pronto! Mais um dia chegava ao fim e tivemos e plena certeza que a comida é realmente o que representa melhor o espírito piemontês.

É através dela que amizades são reafirmadas, que inimizades são confirmadas e que, quem sabe, inimizades se transformam em amizades. O nosso caso, certamente foi o primeiro.

Ah! Estes italianos, tão passionais.

Arrivederci.

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dcpv – outono in piedmonte

sem número
19/10/10

Outono in Piedmonte

Não precisa nem dizer que estamos naquela fase de “entrar no clima” pra viagem.

E nada melhor do que comprar livros gastronômicos sobre o lugar a ser visitado. Todos sabemos que a gastronomia é sempre acompanhada pela história, pelos costumes e dá o tom da personalidade dum povo.

Autumn in Piemonte, da Manuela Darling-Gansser é uma das poucas publicações sobre o fecundo norte da Itália (como é difícil encontrar muitas informações, mesmo na Internet, sobre a região).

E melhor, o livro todo é baseado em experiências pessoais dela no Piemonte. Dicas de restaurantes (especialmente em Turim), de vinícolas, de lugares a se visitar são frequentes e tem um jeitão de serem muito especiais (iremos em algumas brevemente. Prometo confirmar se são ou não?)

Apesar de ser em inglês, você consegue entender muita coisa e as fotos são especialmente bacanas.

A cada capítulo, a Manuela indica receitas que formarão vários cardápios genuinamente piemonteses.

Vamos então ao banho piemontês de imersão. Percebam que não é só um banho.

Bebidinhas e nota do autor.

Não tivermos bebidinhas pois neste jantar, participamos somente a Dé e eu. Digamos que foi um petit comité!

Entradas – Olive Fritte, Grissini com Prosciutto e Frittata Gialla e Verde.

Como no livro, não darei as medidas das receitas. Ora, estamos no Piemonte.
Pra olive, a azeitona, basta pegar algumas sem os caroços, recheá-la com anchovas, …

… passá-las no ovo e na farinha de rosca (feita com pão italiano velho) e fritá-las até dourarem.

                     

O grissini é muito mais difícil. 🙂

Comprei o tal (o famoso biskui) de alta qualidade no sex shop e enrolei um prosciutto nele.

Simples e piemontês.

Já para fazer a frittata você precisará de muuuita concentração.
Bata ovos até ficarem cremosos e frite-os numa frigideira com manteiga deixando-os bem fininhos (como se fossem panquecas).

Dê um “susto” em espinafres frescos e cortados.

Frite cebola e echalotas até ficarem transparentes. Adicione anchovas.

Coloque tudo num processador e junte atum  em lata a gosto.

                   

Monte a frittata como se fosse um wrap. Recheie com prosciutto, patê, espinafre e enrole.

Corte na diagonal e … pronto.
Esta entrada é rústica como se espera duma comida piemontesa. E saborosa como a mesma esperança!

Tomamos um Freixenet Cordon Negro que foi “brisa piemontesa, encorpado” segundo o casalzinho italiano, nós mesmos.

Principal – Sofilina e Patate Arrosto com Funghi porcini.

Estas batatas são corriqueiras na região de Alba (ainda bem).
Tire a pele e corte as batatas em 4.

Escolha uma forma que caiba todos os pedaços confortavelmente, coloque azeite de oliva e logo após as batatas.

Hidrate cogumelos porcini, guarde a água e adicione às batatas.

Junte 12 dentes de alho (capriche pois eles parecerão caramelos!) e 15 folhas de sálvia. Finalmente retorne com a água dos cogumelos e coloque um pouco de manteiga.
Asse no forno por uns 30 m inutos, mexendo a forma de vez em quando. Tempere com sal e pimenta somente na hora de servir.

Os alhos ficam tão macios e caramelizados que quase parecem chicletes.
Já os escalopinhos estão na imaginação de quem tenha ouvido falar na cozinha do Noroeste da Itália (pelo menos na minha! rs).
Bata os bifinhos até ficarem bem finos.

Passe a carne e na sequencia, em farinha de trigo, ovos batidos e pão italiano ralado grosseiramente.

Aqueça uma frigideira com azeite, coloque folhas de sálvia e frite os escalopinhos até ficarem dourados.

Faça uma bela saladinha de tomates e alguns verdes.

Com a junção das batatas formam um daqueles pratos inesquecíveis. Como diria o grande Juscelino “Piselli” Pereira (nosso guia piemontês): ma-ra-vi-lho-so!

Ainda mais com o tinto Barbera d’Asti Camp de Rouss Coppo 2006 que foi “potenza norttista, CG” segundo il enamorati! Este será degustado no lugar de origem!

Sobremesa – Pasteizinhos e Ossi di Morti

Pra esta, eu apelei. Iria fazer Baci della Mamma, ou melhor dizendo, beijos da mamãe.
O nome da receita é inspirador. Mas como não tivemos tempo, acabou ficando pra próxima. Quem sabe depois do próprio Piemonte?

De qualquer maneira, peguei dois pasteizinhos que a minha mãe faz (eles tem uma massa bem sequinha e são recheados com uma pasta de uva), que são viciativos e acrescentei uns ossi di morti by Sódoces do amigão Flavio Federico.

Frescurites à parte (geleinha de pimenta, aceto balsâmico de qualidade) e experimentamos um pouco da brisa piemontesa.

Com Nespresso e tudo o mais.

Eis a opinião dos colombinhos:

Ai, ai, aiai. Está chegando a hora! (Edu)
Envolvente! Italiano. (Dé)

“O Piemonte, literalmente “aos pés das montanhas” fica no longínquo noroeste da Itália. Mais exatamente ao oeste da França, ao norte da Suiça e ao leste das planícies da Lombardia e da cidade de Milão. Algumas das mais ricas e pitorescas terras férteis da Itália são encontradas por aqui e o resultado é uma série dos melhores produtos do mundo”.

“O outono é o período do ápice da viticultura piemontesa, a temporada dos cogumelos selvagens e das trufas, dos arrozais das terras do rio Pó e da chegada dos novos queijos das ricas montanhas verdejantes. Para os amantes da comida e do vinho italiano é o período perfeito pra experimentar as delícias da região”. (até que o meu inglês não está tão ruim?).

Caramba! Veremos tudo isto, sócio? Ou melhor, experimentaremos!

Arrivederci.

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piemonte – quinto giorno – gaia now for the rain is falling

02/11/10

Piemonte – Quinto  Giorno – Gaia now for the rain is falling

Quem ama os vinhos, ama os Gaja.

Que é um dos melhores produtores (quiçá o melhor) de toda a Itália.

Barbarescos, Barolos, Nebbiolos, Brunellos; todas esta jóias são produzidas por lá. E foi uma grande emoção quando vimos que um dos passeios do tour seria justamente à esta vinícola.

Mas o dia começou com um passeio corriqueiro e constante em todas as nossas viagens.

Fomos ao mercatto de Alba. Tudo bem que a versão completa dele acontece aos sábados, mas este parcial/diário já foi o suficiente pra mostrar como são os ingredientes por aqui.

 Segue um “piccolo” fotoblog  sobre este pedacinho do paraíso:

  

   

    

Também compramos algumas galochas. Mas estas são pro próximo post.

Encontramos com o chef Bruno Cingollani do restaurante Dulcis Vitis (o conhecemos num jantar sobre trufas aqui no Piselli) e fomos tomar um café com a “figura”.

De lá rumamos pra Gaja. Ela fica na pequena cidade de Barbaresco e todo o tour é um encantamento só.

Antes de mais nada, deixe-me resolver uma questão. Quando se escreve Gaja, deve-se ler Gaia (assim como a música do Gil, só que o g no lugar do k).

O tour começou com uma explicação histórica e apaixonada sobre o porque da vinícola ser uma excelência e como ela se transformou nesta potência mundial.

A nossa guia, a Sonia é uma grande entusiasta pela marca. Nós percebemos claramente a emoção que ela sentia ao nos contar cada detalhe da solidificação do mito Gaja. Na verdade, deu pra ver o lacrimejar dos seus olhos (ah, estes italianos tão passionais).

Ao final, degustamos 3 jóias: o Gaja & Rey Langhe DOC, …

… o Barbaresco 2004 DOCG …

… e o Sperrs 1999 Langhe Nebbiolo DOC.

A mulherada ficou tão emocianada que até fez pose de time de futebol.

E tem mais uma coisa: o próprio Sr Angelo Gaja, uma lenda da vitivinicultura mundial, veio nos dar um “saluto” pessoalmente. Como diria o grande poeta, ninguém chega nesta posição por acaso.

Saímos de lá por volta das 13:30 hs (ninguém queria ir embora!) e fomos almoçar no restaurante La Ciau del Tornavento do chef Maurilio Garola.

O lugar é extremamente bonito e acolhedor além de ter uma vista de tirar o fôlego. É claro que esta informação foi mais um exercício de imaginação do que qualquer outra coisa.

Sentamos numa mesa pra sete (o Duto e a Mônica, nossos parceirões,  se juntaram ao nosso grupo) e a diversão começou.

Couvert, grissini (cotação do Guia 4 Lâmpadas : 88 w),..

focaccia de cebola, …

 …uma saladinha de (acredito) pato, …

… uns picolos saborosíssimos, …

…, lulas, tanto o corpitcho ….

… quanto os tentáculos numa embalagem sensacional, …

… uma carne cruda (estávamos com saudades) com muitas trufas,…

… uns agnolotti tartufados de chorar de tão bom (e que vieram no lugar de uns gnochões ruins demais e devolvidos por toda a mesa, Juscelino incluso), …

…  e um leitãozinho divino.

Simplesmente divino.

É claro que arriscamos nuns pedaços de queijos DOP bem acompnahados por um mel trufado.

Finalmente, a sobremesa que era bonita, mas não tão gostosa (se bem que eu acho que a esta hora já tínhamos comido demais! rs)

Senhores, foram mais de 5 horas de puro divertimento, pois além de todos aqueles vinhos degustados, trufas aos borbotões; …

…  o bom-humor da nossa mesa era uma característica que não passou desapercebida por  ninguém.

Como o Juscelino já tinha frisado, não deixamos passar em branco a possibilidade de visitar a adega do restaurante. Veja como ele é um verdadeiro brincalhão! 🙂

Agora, será que podemos chamar somente de adega aquele verdadeiro monumento? São mais de 50000 (sim, cinquenta!) garrafas com o tudo o que uma pessoa possa imaginar sobre a “propriedade” de vinhos. Fizemos uma conta por cima e chegamos facilmente a milhões de Euros!!

Lá encontramos Chateau d`Yquem, Margaux, Petrus, …

… coleções  horizontais e verticais de Vega Sicilía,…

       

…  Gajas de todos os anos e tamanhos, …

                 

… Barbarescos , Brunellos, Barolos ou seja, o que você pensar ou imaginar; está tudo ali.

Só não vimos nenhum vinho brazuca, mas o Maurilio disse que pretende reparar este erro brevemente. rs

Saímos de lá pro hotel com tempo de tomarmos um banho e nos prepararmos pro jantar. E no caminho de volta tivemos uma breve revolução com as generais Dé e Lourdes inquirindo ao Juscelino qual seria o menu noturno. Quando ele respondeu que eram algumas coisas como fígado e lingua, até nós, eu e o Eymard, simples soldados concordamos com o alto comando. 🙂

 

Fica claro que o melhor conselho pra quem quer vir passear por aqui é estar predisposto a incluir no seu roteiro passar pelo menos umas 8 horas por dia na mesa (no mínimo umas 4 pra cada uma das refeições). Por volta das 20:30, estávamos os 4 e mais o nosso guru Juscelino, no saguão e prontos pra mais uma jornatta gastronômica.

Que neste caso teve a adição da arquitetura. Afinal de contas, não é todo dia que se janta num verdadeiro castelo perfeitamente preservado, o Verduno.

A proprietária veio nos receber (por sinal, ela era extremamente sorumbática) e nos levou à nossa mesa.

Todo o ambiente é misterioso e antigo, muito antigo.

Graças ao bom Deus ( e as meninas) chegamos a um consenso e fizemos uma refeição equilibrada (pros padrões piemonteses): um “piccolo”de pimentão,…

… uma sopinha de zucca com trufas negras, …

… uma faraona (a famosa “tô fraco”) com uvas e …

… um bonet, a nossa já conhecida sobremesa piemontesa.

Mais três vinhos pro nosso caderninho …

… e quando saímos percebemos o clima enigmático da cidadezinha de Verduno.

Ainda tivemos tempo de passar em Serralunga d’Alba e participarmos da beleza e do encantamento de tudo.

Do castelo, do povoado e do céu estrelado que vimos pela primeira vez na nossa estada.

Amanhã finalmente iremos caçar trufas.
E o sol promete fazer com que tenhamos a nossa visão ampliada pra encontrarmos o adorado tubérculo.

Às trufas.

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