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dcpv – TAMos aí!

número 282
04/01/2011

TAMos aí!

Sabe do que eu me dei conta? Que já faz um tempão que eu não publico nenhum post no formato original do DCPV?
E pra quem não lembra (ou nunca viu?), antigamente, nas priscas eras, todos os post sobre as nossas reuniões (vejam que já são 290) se resumiam a eu transcrever o que o Déo escreveu como introdução sobre a noite, os nomes das receitas, algumas fotos de viagens acompanhadas das devidas explicações e os nossos pareceres “exóticos” sobre os vinhos e o menu.
Eu mesmo só me lembrei porque ainda tenho tudo registrado em cadernos (moderno, não?). Todas as edições dos nossos encontros estão escritas com caneta BIC.

Portanto, prometo que voltarei brevemente a postar alguma coisa naquele formato, o old fashion!

Ah! Este noite é sobre o concurso que a TAM fez com os seus clientes tendo como tema: Uma receita, Uma história.
Fiz o menu somente com as receitas vencedoras ( Torta de Ricota com Frutas Vermelhas – Andreia Polidoro; Escondidinho de Carne Seca com Batata Baroa – Thaysa Godoy e Salmão com Risotto de Maracujá– Luiz Frederico) que foram publicadas na excelente Revista TAM nas nuvens deste mês e que trouxemos pra casa depois da viagem pra Punta.

É claro que esta revista tinha tudo pra ser boa. Afinal de contas, você só a lê (especialmente no nosso caso) quando está viajando. Ora, esta equação é fácil de resolver: revista+fatos de viagem=prazer total.
Enquanto isso fique com uma amostra dos textos do Déo: TAMos então nessa terça voando nas asas da gastronomia! Pinçando idéias “aéreas”, vamos aterrissar na mesa das delícias! Versatilidade faz parte do “savoir faire” e o talento com as panelas do chef só auspicia deliciosas ansiedades gustativas. Rolim rolou, nós vamos rolar goela abaixo!

Entrada –Escondidinho de Carne Seca com Batata-baroa.

E quem amou esta entrada foi o Mingão. Afinal de contas, escondidinho é a praia dele.

Esta receita foi bolada pela Thaysa Godoy, uma design de interiores que sempre gostou muito de culinária.

Pra fazê-la basta preparar um purê de mandioquinha (a famosa batata-baroa): cozinhe 1 kg dela e amasse bem.
Misture 1 cx de creme de leite, 200 ml de leite, 2 colheres de sopa de requeijão, sal e leve ao forno até formar um creme.

Enquanto isso, dessalgue e desfie 500 g de carne seca. Refogue 150 g de bacon, 1 cebola ralada, 2 dentes de alho picados, 3 tomates sem pele picados e a carne seca.

Acrescente caldo de carne (pra ficar um pouco úmido), cheiro verde e reserve.

Monte em tigelinhas e em camadas.

Purê + recheio + purê e finalize com mussarela.

Olha, não foi só o Mingão que gostou.  

Tomamos um vinho branco Reserva Chardonnay Casa Silva 2009 Chile que foi“watá, didi, silva de lá, espectador”.  

Principal – Salmão com Risotto de Maracujá.

Sabe o que é legal na revista (pelo menos o que eu acho)?
É quando ela traz algumas reportagens/indicações sobre o lugar pronde você está indo. Neste caso, tinha alguma coisa sobre o onipresente Conrad (ôoo, ôo, ôoo …)

Quanto ao salmão, tive um problema técnico. Eu achava que tinha o bicho no freezer, mas quando fui procurar só achei o camarão. Paciência! rsrs

Esta receita é do Luiz Frederico (nada a ver com o mago dos doces, Mr Flávio Federico). A receita é fácil, especialmente pra  quem sabe fazer risottos (próximo passo, heim sócio?).
O bicho é feito na sequencia normal (cebola, arroz, vinho e caldo de legumes quente).

A diferença é que aos 10 minutos, você adiciona a polpa de 2 maracujás. E continua o processo todo, finalizando com queijo ralado e manteiga.

Prontíssimo! Mais um belo prato com uma curiosidade: as sementes do maracujá ficam basatntes secas e com gosto e crocância daquelas nozes salgadas.

Ôpa, esqueci dos camarões. Basta grelhá-los no azeite e adicionar um pouco de shoyo.

Perfeito.      

                                          

Harmonizamos com um velho conhecido, o branco Jacobs Creek Chardonnay 2009 Australia que foi ¨big brother, maracugina, jacobs picos, personalíssimo”.  

Sobremesa – Torta de Ricota com Frutas Vermelhas

Esta receita, da Andreia Polidoro, foi a vencedora do concurso (sabe que eu não sei qual foi o prêmio?). Ela pretende estudar gastronomia e acha que seria um grande incentivo ganhar o concurso.
É uma torta aparentemente normal.

É formada por uma massa (150 g de farinha, 100 g de manteiga gelada, 1 pitada de sal, 30 g de açúcar, 45 ml de água gelada) sem manipular muito, colocada numa forma com fundo removível e levada ao forno até dourar (170ºC).
Pra fazer o recheio, basta misturar 200 g de ricota, 2 ovos, 100 g de creme de leite, 1 pitada de de sal , 75 g de açúcar, 5 ml de essência  de baunilha e 75 g de frutas vermelhas.

Já pro creme, bata uma gema com 25 g de açúcar e 2 gotas de essência de baunilha. Coloque 100 ml de creme de leite pra ferver e junte com as gemas. Monte colocando o recheio sobre a massa e adicionando o creme. Finalize com geléia de morango.

Ficou boa, mas não sei se votaríamos na torta pra ser a vencedora.

Eis a opinião dos aeronautas:

Comida literalmente nas e das nuvens! (Edu)
Um vôo de sabores maravilhosos. (Mingão)
Santos Dumont perdeu essa. (Deo)

“Cozinheiros amadores, mas cheios de talento, os finalistas co concurso Uma receita , uma História promovido pela TAM entre seus passageiros, reproduzem aqui delícias que marcaram as suas vidas”. Este foi o lema do concurso.

E você? Qual receita enviaria prum concurso com este tema?

Apertem os cintos e boa viagem .

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dcpv – dia cinco e último – punta – “tranquijo” e sereno

    16/01/11
    Punta Dia Cinco e Último – “Tranquijo” e Sereno
     Sabe aqueles dias da viagem que você deixa pra não fazer nada ou quase nada?
    Pois foi esse domingão. A Dé queria levar a D. Vera pra fazer algumas comprinhas.
    Então aproveitamos pra fazer o programa regular deste pequeno tour:  acordar cedo, passear pela redondeza (deixa eu explicar mais uma vez: acho um tremendo charme além duma total e completa personalidade, as casas terem nome em vez de números aqui em Punta) e tomar um lauto café da manhã.

    Logo após, fizemos um passeio despretensioso pelo centro a fim de conhecermos o farol da região da Península e a singela Iglesia de la Candelaria (que parece com a Nossa Sra Aparecida aqui de Ferraz) ….

    … onde vimos o comprovado menor hotel do mundo!

    Seguimos em direção a La Barra pra procurar onde almoçar. Aproveitamos pra conhecer as casas maravilhosas da região do hotel L’Auberge  …

    … e pensamos em como seria legal morar numa rua com nomes de grandes poetas/escritores.

    Escolhemos a deli-café Baby Gouda, que fica em Manantiales .

    O lugar (mais uma dica da Carla Pernambuco) é bichogrilesco e porralocoso ao extremo.

    Fica praticamente de frente pro mar e tem uma aura daqueles restôs que você chama de seu.

    O calor estava insuportável  (44ºC, comprovados), …

    … aproveitamos pra sentar numa sombra e tomamos um excelente vinho branco Juanicó.

    Pedimos como entradas uma salada de verdes, …

    …  e um ceviche que estava ao ponto, ou seja, com bastante limão e o peixe bem fresco.

    Como principais, espaguette no wok (quase um Pad Thai) pra  Dé e pro Sr Antonio, …

    … ojo de bife pra D Vera …

    … e um espaguete com frutos do mar pra euzinho que estava de chorar.

    Trocamos a sobtremesa de lá por legítimos sorvetes do Freddo e melhor, …

    … com uma vista de tirar o fôlego, além da delícia comprovada daquele doce de leite! rs

    Fala a verdade se não é bonita?

    Voltamos ao hotel, demos uma olhada na cansada feira de artesanato da praça Artigas …

    … e fomos jantar no restaurante do hotel Hotel Serena. Aí começou o nosso pequeno drama!

    De repente, o tempo mudou bruscamente (a temperatura caiu dos 44ºC pra 20ºC), o céu ficou muito nublado e começou a chover forte.

    Tanto que o pessoal do hotel ligou pra dizer que a nossa mesa que estava marcada pra ser lá fora (e de frente pra La Mansa) teve que ser transferida pra dentro do salão. Como marcamos bem na hora do por-do-sol, sobrou a frustação de sabermos que aquele sol esperado não estaria brilhando.
    Pra piorar mais um pouquinho, esqueci de colocar a bateria na câmera. Pronto, nem tinha como registrar o jantar que, se o tempo não nos permitiria admirar nenhum por do sol, certamente  a comida nos proporcionaria uma grande prazer.

    Improvisamos e usamos o celular como câmera. Estávamos comemorando com 4 taças de champanhe quando um estranho fenômeno aconteceu. Aquele céu totalmente cinzento se abriu somente numa estreita faixa do horizonte e o sol começou a aparecer.

    Começou timidamente, mas depois foi tomando corpo e resultou em colorações espetaculares. Aquele pedaço do céu ficou tingido dos mais diferentes tons de laranja,

    Enfim, uma noite pra não esquecermos jamais. Ainda mais pela comida que esteve absolutamente perfeita.
    Pedimos duas entradas pra compartilhar (o fenômeno Piemonte estava se manifestando, ou seja, estávamos empanturrados ): uma caprese …

    … e um trio de ceviches no ponto. Todos os peixes (salmão, linguado e brótola) frescos e muito bem temperados.

    Tomamos 2 vinhos Don Pascual: um tinto Cabernet Sauvignon e um branco Chardonnay.

    Os principais chegaram e em homenagem a grande matéria-prima de Punta, todos fomos de frutos do mar. A D Vera foi de peixe no vapor. Uma tremenda brótola cozida com limão.
    O Sr Antonio pediu o peixe com molho do chef. Muito bom e acompanhado dum arroz mais molhado ainda.
    A Dé pediu o linguado da casa e eu, pra variar, fui de polvo na brasa com um molho de azeite apimentado que estava digno do espetáculo do poente (não precisa nem dizer que as fotos ficaram uma eca!).

    Só nos restou pedir 2 taças de sorvete e terminarmos a viagem com o sabor mais marcante de toda a viagem na boca: a doçura e o equilíbrio do dulce de leche do Freddo (uau, será que vicia?).

    Pronto, quando o Diogão dos Destemperados nos indicou este lugar (“pra fazer um happy hour no bar da piscina pra ver o por do sol e depois espichar pra um jantar imperdível no Serena “), eu já tinha planejado tudo. Seria uma despedida em alto estilo com tudo o que a situação merece.
    A lei de Murphy deu o seu sinal e nós a aproveitamos pra garantir que mesmo quando as coisas parecem que não darão certo, cabe a você transformar tudo num acontecimento agradável.

    Tudo bem: a natureza colaborou muito, mas certamente tivemos um espetáculo tão diferente e único, que acho que dificilmente o repetiremos.
    Cá pra nós: é pra isso que viajamos, né?

    Hasta.

    Siga esta viagem toda através destes outros links:

    Dia uno – Encantados com o L’Incanto

    Dia dos – La table de dulce de leche

    Dia tres – Jose Ignacio, um lugar pra devanear

    Dia quatro – Rodando muito e encontrando bom vinho em Punta

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dcpv – dia quatro – rodando muito e encontrando bom vinho em punta del este.

Dia quatro Rodando muito e encontrando bom vinho em Punta del Este.

O dia amanheceu nublado. O que não nos impediu de dar uma boa caminhada pela praia Mansa.

Mais precisamente do Conrad até o Porto, passando pelas palafitas praianas de Punta.

Tentamos encontrar o efusivo mercado de peixes, mas só achamos umas raras e parcas caixinhas de pescados.

Voltamos pro hotel e planejamos o dia. Que bela bruma, não?

Fomos primeiro ver a cult Mão do Afogado.

Que é uma obra do chileno Mario Irarrazabal, famosíssima em Punta. Ele pensou numa obra que significasse “a presença do homem na natureza”. Na verdade, todo mundo faz a associação a uma pessoa afogada!

Interessante e acredito que ninguém passe pelo balneário sem ao menos tirar um par de fotos por lá.

Seguimos para La Barra e no caminho fomos conhecer o Parque El Jagüell.  Quer dizer, demos uma passeadinha de carro pois o lugar é bem feinho e com umas estátuas super-bizarras de bichos em madeira e sem muito propósito.

Dali fomos pro Museo del Mar que fica ao lado do Museu dos Insetos, recém inaugurado. Ambos são muito bons  e por razões distintas.

O de insetos é arquitetonicamente esquisito já que é um galpão de madeira retangular parecido com um container.

E é interessante ao extremo pois contém a coleção completa de 3 malucos com tudo o que é tipo de besouro e …

… de todas as cores.

Até insetos carnavalescos nós vimos (provavelmente desfilaram pela Beija Flor).

Já o do Mar é estranho, pois ele leva a ferro e fogo o estereótipo do museu: coisas velhas em profusão.

Tudo bem que tem um montão de esqueletos de baleias, …

… vários exemplares (uma pena que empalhados) das galinhas do mangue, …

… cabeças de jacarés gigantes, …

… cavalos-marinhos vivíssimos …

… e até um fundo do mar espetacular e em 3D (ai, que saudades da Disney).

O problema mesmo foi o cheiro de mofo!
De qualquer maneira, é um combo Mar+Insetos muito interessante.

A partir daí, começou o nosso drama. Ou melhor, o meu pois tinha reservado um daqueles restaurantes escondidos que existem em Punta, o Lo de Miguel na Finca Narbona que é uma filial duma vinícola orgânica muito boa do Uruguai.

Rodei um montão e pra todos os lados de La Barra. E nada de encontrar a tal Finca. Fomos até ao novo hotel Fasano que, por sinal, é loooooonge demais de tudo.
É claro que se eu tivesse lido este post do mago Diogão dos Destemperados teria achado facilmente. Paciência, fica pra próxima.
Resultado: após termos passado meia hora da reserva, resolvemos deixar pra lá e comer no Fish Market, um botecão de frutos do mar em Manantiales.

E a escolha se mostrou correta: o lugar é despojadíssimo com um jeitão de lanchonete, mas com uma comida saborosa e extremamente competente. Louve-se uma trilha sonora de fazer inveja a muito lugar da moda.

Pedimos um pouco de cada: batatas fritas,…

… empanada, …

…. salada de abóbora, …

… sanduba de peixe, …

… bolinhos de arroz, …

…um peixinho frito e polenta assada (esta foi especialmente pra Dé).

Tudo no ponto correto, muito bem temperado e no tamanho certo.
Acompanhamos com um belo Leyda Sauvignon Blanc 2009.

Pra encerrar, traçamos 2 ótimos affogattos ….

… e um sorvete de frutillas.

Certamente o melhor custo x beneficio do tour.

Além daquela vibe de fazer você parecer um habituée da própria praia Bikini.

Voltamos, demos uma passaeada de bike na região do AWA e fomos nos preparar pro tour enológico na Bodega Alto de la Ballena.

Mais uma dicaça do Luiz Horta. Li no Paladar que ele está apaixonado pelos vinhos uruguaios, acabei entrando em contato e perguntei se ele conhecia alguma vinícola boa em Punta.

Ele não pestanejou e disse: Alto de la Ballena. Ainda me passou o site, aproveitei e reservei a visita pras 19:00 hs. E foi verdadeiramente emocionante.

Chegamos (fica a uns 30 km de Punta) surpreendentemente no horário e fomos recebidos pela Paula (proprietária ) e pela Maria, que trocou e-mails comigo quando da reserva.

Éramos só nos seis. E foi muito legal ver que pessoas apaixonadas por vinho, como a Paula e o marido dela, ainda conseguem fazer um grande produto com entusiasmo e aquele brilho nos olhos de quem ama aquilo que produz.

O lugar é absolutamente lindo. Planícies, lagos, montanhas e por-do-sol.

E que por-do-sol.

Iniciamos com a Paula nos mostrando  um parreiral de Syrah, …

… inclusive, com uvas próximas da colheita que seria feita em março (elas enviaram um e-mail avisando que a festa da Vindimia seria no dia 12/03).

Perguntei um montão de coisas e depois fomos pro lugar onde faríamos a degustação, tanto dos vinhos da bodega, como de queijos uruguaios e grissini (19,5 na cotação do Guia Óleoluz).

Tomamos um ótimo rosé, …

… um excelente cortado de cabernet franc, outro de tannat e merlot, um cabernet franc varietal diferentaço, um charmoso merlot e finalmente, um syrah potente.

A esta hora, a descontração era total e conversamos bastante sobre o mundo dos vinhos. A Paula nos deu altas dicas de como proceder pra produzir excelentes exemplares (é,sócio. Parece que pintou mais um negócio na LoNgueluz!)

E ainda tivemos um bônus track: um maravilhoso por-do-sol. Com direito a ouvir o som do vento e a comungar com todos numa paz absoluta.

Só nos restou comprar algumas garrafas e nos despedirmos dos nossos anfitriões (se quiserem experimentar, passem na D’olivino  que é o importador oficial dos vinhos Alto de la Ballena por aqui e procure pela Tatiana).

Terminamos a noite comendo churros do  Manolo (um clássico em Punta) …

… e dando uma passada pra faturar “algum” no Conrad.

That’s all, folks.

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dcpv – dia tres – punta del este – josé ignacio, um lugar para devanear.

Dia tres Punta del Este José Ignacio, um lugar para devanear.

Mais uma manhã perfeita. E desta vez fomos dar uma boa andada pela vizinhança do hotel.

Foi um belo começo do dia: caminhar por entre  casas poéticas (este negócio de colocar nomes em vez de números é um ótimo achado!)  e em meio a natureza no seu mais puro estado.

Muito verde, passarinhos cantando e se aproximando, além do ar puríssimo.

Depois disso, tomamos mais um ótimo café da manhã (o do hotel AWA é muito bom) e rumamos pra José Ignacio que é o povoado do momento aqui em Punta .

É lá que a maioria dos milionários constroem as suas casas e consequentemente, levam com eles toda a infra necessária  pra sua subexistência (iates, lojas bacanas, carrões, etc).

José Ignacio fica uns 30 km a oeste de Punta e o passeio pra lá já vale a viagem.

Passa-se primeiro por La Brava, uma praia bacana e com casas (na verdade, mansões) bacanérrimas e com uma particularidade: elas tem uma topografia forçada nos terrenos de maneira que as portas e janelas ficam escondidas atrás de montes de areia cobertas por grama. Um charme!

Logo após, La Barra e a sua curiosa ponte com corcovas (se você dirigir um pouco mais rápido por ela, sentirá um leve friozinho na barriga) …

… e chegamos a José Ignacio propriamente dita.

Um lugar bem rústico com um farol antigo, mas com lojas e restaurantes muito bons.

Dentre eles o Parador La Huella (algo como pegadas em  espanhol). Fiz a reserva através duma dica do Luiz Horta (do excelente suplemento do Estadão, o Paladar).
O lugar tem o espírito de Jose Ignácio. E foi justamente por isto que fiz uma matéria pro Diogão já publicada nos Destemperados.
É um tanto quanto puerraloca com muita gente bonita, …

… uma vista espetacular do mar (fica no principio da Praia Brava de lá) …

… e um ambiente super agradável.

É um restaurante de praia (com a correspondente areia), mas ao mesmo tempo tem uma cara de lugar sofisticado/pobretão, sabe como é?

Ainda bem que fizemos uma reserva, pois a quantidade de gente querendo comer por lá sem elas era muito grande.

Chegamos e já pedimos um clericó. Olhamos o cardápio e rapidamente escolhemos tudo.

O Sr Antonio é um viciado em saladas (praticamente só come “elas”). Pediu uma com um tempero diferentão, adorou e dividiu com a D Vera.

Eu fui de pulpito, um tentáculo super saboroso de polvo temperado com páprica, azeite e cebolinha e acompanhado por batatas. Perfeito e fotogênico (como sempre). A Dé amou as duas características.

Continuamos olhando e respirando a aura do lugar.

Os principais chegaram: uma brótola assada no carvão pro Sr Antonio,…

… lagostins pra D Vera, …

… ravioli de siri pra Dé (ela não gostou muito, pois estavam um pouco pesadões) e …

… um lomito com batata escrachada pra mim.

Esta batata foi um acontecimento já que ela tem uma casca dura e combina perfeitamente com a textura de purê de seu interior. Como diria um grande porteño: exquisita!

Sorvetes de sobremesa e pronto!

Um almoço praticamente perfeito num lugar absolutamente perfeito!

Pagamos a dolorosa (incrível como Punta com aquele monte de gente com grana ainda oferece valores de refeições bacanas inferiores aos de SP) e fomos dar uma volta pelo centro de Jose Ignácio que tem umas galerias muito bacanas com obras de arte de deixar qualquer um maluco.

Demos uma esticada até a balsa que atravessa pra Garzon (se é que podemos chamá-la de balsa) e …

… voltamos pra Punta. Nâo sem antes vermos exatamente onde este maluco estacionou o MiniCooper dele. 🙂

Descansamos providencialmente (sim, senhores) e já estávamos prontos pra derrubar o orçamento do Mr Conrad.
E não é que desta vez quem quebrou a banca foi a Dé: ela sentou pra jogar nas máquinas caça-níqueis com U$8 e saiu com U$91. Ou seja, obteve uma rentabilidade de ~ 1150%.

A continuar deste jeito, quebraremos o cassino mesmo! rs
Ainda deu tempo de curtir o por-do-sol.

E que por-do-sol.

Quando sentamos numa das mesas do tradicional restaurante Lo de Tere ainda era possível ver o todos os tons de laranja do poente..

E fomos informados que por termos reservado pra antes das 21:00 hs teríamos um desconto de 20% no total da conta (as 4 primeiras mesas da noite tem direito a 40%. Imagine se os pais do Seinfeld e do George Constanza morassem por aqui?) .

Pedimos um Sauvignon Blanc Juan Carrau (uruguaio), degustamos o excelente couvert e resolvemos dividir cada uma das duas entradas escolhidas entre os casais.

Uma salada de atum fresco com batatas pros meus sogros (eles não gostaram muito) e …

… um outro pulpito pra mim  (este a Dé só deu uma bicadinha).

O lugar todo é bem bacana, muito bem posicionado (em frente ao porto de Punta) e tem um cardápio muito interessante e poético.
Me diz se uma descrição deste prato de lulas não te faz escolhê-lo logo de cara?

Foi o que aconteceu comigo. E pra variar, acertei em cheio ao pedir o Mi amigo el vasco, tremendas lulas refogadas em cebolas, alhos e vinho branco.

A Dé pediu uma corvina blanca com batatas e queijos. Segundo ela, absolutamente perfeita.

O Sr Antonio foi de vitela com crosta de pão e saladas. Ele fez tututu/tatata ou seja, comeu tudo,

E a D Vera pediu um nhoque assado muito leve e providencial pro horário.

Conversamos muito sobre quanto ganharemos no cassino amanhã e pedimos as sobremesas: sorvetes de limão e doce de leite pra eles e um gaspacho de melão pra nós.

Olha, o clássico Lo de Tere foi, certamente e até agora, uma das melhores comidas de Punta.

Amanhã descobriremos se Punta tem vinhos de qualidade. Faremos uma visita-degustação a vinícola Alto de la Ballena !

Hasta,

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dcpv – día dos – punta del este – la table de dulce de leche

13/01/2011

Dia Dos – Punta del Este – La Table de Dulce de Leche.

Acordamos com o sol a pino.  E isto as 7:30 de la matina.

Tínhamos planejado dar uma bela caminhada que foi devidamente adiada por motivo de força maior, ops, calor maior.

Tomamos um reforçado e ótimo café da manhã no hotel e rumamos pro Tambo el Sosiego.

Pra quem não sabe, é lá que o famoso doce de leite Lapataia (aquele da vaquinha) é feito.

O lugar é bem bacana com um restaurante legal, uma área de produção minúscula pra visitação, …

… vários animais, …

… hortas orgânicas (do tamanho da produção de dulce de leche), …

… e lojinha …

…, além dum montão de passageiros de cruzeiros.

 Que pareciam uma nuvem de gafanhotos destruindo tudo o que é doce de leite que viam pela frente.

Conseguimos escapar da invasão e fomos pra Casapueblo, o museu-hotel-stúdio que o grande artista uruguaio Carlos Páez Vilaró projetou e construiu.

Lembra daquela música “era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada” do grande Vinícius?  Pois dizem que ela foi feita na Casapueblo, justamente no período em que ele estava no exílio e morando junto com o amigo Villaró.

Realmente é um lugar marcante e que você tem que ir pelo menos uma vez na vida.
Ela tem muita semelhança com uma vila grega pois é toda branca e fica encravada nos penhascos.

Internamente, tem infinitas salas batizadas e ruas com vários nomes de amigos de Vilaró (alguns bem conhecidos por nós), …

… e muito níveis, escadas  e sacadas. Belísssimas sacadas.

Além das tremendas vistas do oceano (que na verdade é o Rio da Prata!)

Muitas obras de arte do proprietário estão expostas (e à venda) nas inúmeras lojinhas.

E quase todos os cantinhos são aprazíveis.

É um lugar mágico. E o Vilaró é um exemplo de tenacidade pois ele teve um filho envolvido num acidente de avião (aquele do time de rugby) e ele insistiu tanto que eles poderiam estar  vivos (o acidente foi na Cordilheira dos Andes) que mesmo após 3 meses do acontecido, ele conseguiu  convencer pessoas a continuar com o resgate e finalmente, rever o filho.

Demos mais uma volta pela ruta panorâmica (aquela em que parece que o carro vai mergulhar no oceano) …

… e resolvemos almoçar na Península, bem no centrão onde os restaurantes caça-turistas proliferam.

Escolhemos um até que conhecido, o Virazon.

Sentamos na parte aberta e de frente pro mar.

Tomamos um clericot (praticamente uma sangria adocicada com vinho branco) e comemos muito bem.

A D Vera e o Sr Antonio pediram camarões; um arroz com eles e …

… eles ao alho e óleo.

A Dé foi de brótola com batatas, um peixe branco e exclusivo daqui que caiu nas graças da família.

Eu, pra variar, testei  os mexilhões uruguaios e à provençal. Absolutamente deliciosos.

Sobremesa? Sorvetes do Freddo. E no Freddo.

Dulce de Leche em profusão.

 Voltamos ao hotel, demos uma descansada e nos preparamos pra faturar um montão de grana.

Fomos ao Conrad (ooô, oô, ooô!).

 E a D Vera e o Sr Antonio conseguiram o milagre de ver o seu investimento multiplicado por 60% em apenas 5 minutos! (Sim, este painel é do Vilaró.)

Tudo bem que eles jogaram U$5, mas imaginem se fossem U$500.000 ? 🙂

Saímos correndo pois tínhamos reservado uma “table” no Table de Jean Paul. Esta também foi uma bela dica do Diogo Destemperados.

Este restaurante é pertinho do hotel e é o novo endereço do afamado chef Jean Paul Bondoux (dono também do La Bourgogne e único Relais&Chateaux de Punta).

Reservei pras 20:30 hs. Cedo, muuuuito cedo pros padrões puntísticos. Tão cedo que tivemos a impressão que todo este belo restaurante trabalhou somente pra nós.

O lugar é a expressão de Punta: sofisticado e despojado; rústico e chique; metido e simples. Escolhemos comer na parte externa, pois estava bem quente e a brisa ajudava bastante. Além do dia estar claro, claríssimo (maravilha, o sol se põe as 21:00 hs! )

Couvert corretíssimo com pães quentinhos e um belo trio de tomates temperados, maionese caseira   e caviar de beringelas.

Também serviram um azeite especial, o Punta Lobos, feito por aqui mesmo em Maldonado. Apimentado e fresco, acompanhou muito bem  todo o nosso nham-nham.

Como entradas, um mix de quesos e …

… um de salumi. Ambos misturando produtos das tables francesas e uruguaias.

O menu do Table é bastante conciso e com sotaque eminentemente francês. Apenas 2 pratos de peixes, que o a D Vera e o Sr Antonio escolheram, o peixe do dia com legumes e manteiga de manjericão ( o dela, um linguado e o dele, uma brótola); …

… um peito de frango com arroz de limão pra Dé (numa apresentação bacanésima) e …

… um bifão de cordeiro com batatas e tomate confitado  pra mim.

Todos os pratos estavam excelentes, porém bem grandes (me pareceram com influências mallmannianas).
O sommelier (muito bom assim como todo o staff) resolveu a equação quase insolúvel  nos propondo um Pinot Noir neozelandês Vicar’s Choice que fluiu  bem com tudo, tendo, inclusive, contado com a participação ativa da D Vera na brincadeira.

Ficamos mais um tempão admirando a lua e todo o entorno do restaurante.

Frise-se que a decoração das mesas era muito original com a farta utilização de luz negra pra evidenciar a beleza de tudo.

Só nos restou ir embora com a certeza que o Table é verdadeiramente uma mesa pra chamar de sua. Valeu, Diogão!
Até amanhã,  quando exploraremos o lado mais selvagem de Punta, Jose Ignacio.  E retornaremos ao Conrad com a intenção clara de quebrar a banca novamente.

Nos aguarde, Amaury! (ooô, oô, ooô)

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dcpv – día uno – punta del este – encantados com o l’incanto

12/01/11

Día Uno – Punta del Este Encantados com o L`Incanto.

Voo tranqüilo da TAM pra Montevideo.

 O stress (como o usual) foi protagonizado pelo pessoal da PF brazuca que resolveu trabalhar no esquema baiano, ou seja, beeem devagarinho e acarretando num congestionamento monstro na hora do embarque. Nossa Senhora das Copas do Mundo que nos ajude.

Chegamos (a Dé, eu, a D. Vera e o Sr Antonio, meus sogros) em Montevideo e fomos pegar a Captiva alugada da Europcar. Sossegado e demorado também.

Com o tempo muito bom (um tremendo sol), rumamos pra Punta . São uns 140 km (quase duas horas) de puro prazer pois a paisagem é bacana e a excelente estrada também ajuda bastante.

Por volta das 16:00 hs estávamos fazendo checkin no bonito e cheiroso AWA boutique +  design hotel.

Quartos espaçosos com móveis de grife, obras de arte, …

…  um lounge ao lado do restaurante e da piscina bastante agradável  além um staff pra lá de amistoso são alguns dos predicados do estabelecimento.

Estávamos com fome e resolvemos fazer uma boquinha no restaurante do hotel mesmo. Como a cozinha tinha fechado, só nos restou comer alguns pratinhos corriqueiros.

Os meus sogros foram de milanesa de lomo com fritas.

A Dé de sanduíche de pão árabe com salmão, abacate e dill. Taí uma mistura bem criativa.

Eu de chivito, o famoso sanduba mata-fome uruguaio com bife, ovo, bacon e otras cositas menos votadas. Além das ótimas papas fritas.

Tudo dentro da normalidade,ou seja, muito bom. Enquanto a D Vera e o Sr Antonio descansavam um pouco, eu e a Dé aproveitamos  pra reconhecer a área do hotel.

Fomos dar uma caminhada pela região e chegamos até a praia La Brava. Foi uma andada tranqüila com direito a altos visuais…

… e uma passada por bairros com casas bonitas e com nomes. Esta é uma particularidade bacana e lírica em Punta: as casas não tem números; cada uma tem o seu nome e conseqüente personalidade. Qual nome você daria pra sua casa?

Inclusive, acredito que a família Federico ( Sódoces) aportou por lá. 

As 20:30 hs (horário cedíssimo pra ferveção puntística), chegamos ao restaurante L’Incanto (uma dica comum da república dos gaúchos, representada pelo Diogão Destemperados e pela Carla Carlota Pernambuco).

Frise-se que o sol se põe por volta das 21:00hs, horário muito conveniente pra quem gosta de ver o por dele (nós mesmos) e pra turistada (nós mesmos, again!)

O lugar é bacanésimo com uma decoração ao mesmo tempo despojada e chic (coisa rotineira em Punta).

Cadeiras de grife se misturam a madeira de demolição além das muito bem sacadas aberturas no teto .

Confesso que ao ver o menu, pensei que seria a maior roubada. Afinal de contas ele continha tudo o que você possa imaginar. Comida italiana, japonesa, uruguaia, francesa e até caipirinhas!

Mas a medida que as coisas foram chegando, percebemos que a finalidade da casa é fazer com que você volte mais vezes pra experimentar tudo.

Começamos devorando o couvert e pedindo umas bruschettas de tomate e uma salada de rúcula com parmesão. Absolutamente perfeitos.

Enquanto isso, uma garrafa dum Juan Carrau Chardonnay 2009 foi aberta e era tão boa que até a D Vera bebeu a parte dela (coisa rara).

Como principais, duas brótolas alle erbe pros meus sogros com batatas com ervas e tomatinhos confitados. Uma beleza! (NR – Brótola é um peixe branco oceânico característico dos mares azuiis-celestes).

A Dé pediu uns saborosos ravioli verdi com um molho noisette e sálvia frita,

Eu, um tagliatele ao ragu de carne verdadeiramente vero.

Uns sorvetinhos (dulce de leche, pistache e creme) selaram a noite com chave de ouro. Além do limoncello, uma simpática cortesia da casa.

Este primeiro dia (e o da viagem) terminou com um passeio de carro pela orla e também com o nosso primeiro contato com o famoso Conrad (ooô, oo, ooô, … ).

Amanhã entraremos lá no cassino com o pensamento numa vitória.

 Quem sabe uns 1000 Pesos (ou melhor, 100 Reais?) 🙂 .

Hasta,

.


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