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dcpv – da cachaça pro vinho – 27º interblogs – nana do manga com pimenta

numero 253
04/05/10

dcpv – 27º interblogs – Nana do Manga com Pimenta

Este Inter Blogs (quer saber o que é?) começou como os outros.
Entrei em contato com a Nana que naquele tempo (26/01/09 ), tinha um blog chamado Manga com Pimenta. Hoje, este blog  se tornou um site (e dos bons) com ótimas informações e praticamente de utilidade pública.

Ela tinha combinado que faria um menu baseado nas receitas da Ofélia. A Nana, inclusive, sempre foi uma grande admiradora dela.

Só que neste intervalo de tempo, a Nana foi contatada pelo responsável pela utilização da marca “Ofélia” e ela decidiu parar as suas experiências particulares com as reproduções das receitas dessa saudosa culinarista.

Resultado: a Nana mudou o foco das receitas e foi melhor pra nós, pois num arroubo de criatividade, nos brindou com receitas das vovós.
Receitas simples, saborosas e que certamente entrariam em qualquer lista de memórias gastronômicas.
E tem mais. São receitas com sustância, aquelas que as vovós faziam e que comíamos muito. Mas muito mesmo e com vontade!

Portanto, é com enorme prazer que anuncio o 27º interblogss (e consequente capítulo do nosso livro) com a cozinha caseira das receitas de antigamente. Perceba ,no canto da foto, que tivemos presenças importantes!

Avanti, Nana!

PS – O texto que ela me mandou ficou tão legal que vou transcrevê-lo integralmente por aqui e me limitarei a comentar alguma coisa.
Estes comentários e tudo o que eu escrevi estarão grafados em vermelho.

Inciamos o jantar com um belo aquecimento: rabos de galo!

Não é comida de avó, mas muito vovô bebia! Vamos, então, à saborosa (literalmente) matéria da Nana:
Edu vamos lá, aproveitar que hoje a minha noite está calma. rs
Bem, entradas:
Eu pensei nas famosas batatinhas bolinhas de casamento, receita de família. É  colocar dois litros de água na panela para ferver. Normalmente eu uso 1 quilo de batatinha bolinha aqui em casa; dá para 4 pessoas comerem e serem felizes! (fiz exatamente igual! E fomos bastantes felizes)

Lavo as batatas, furo com a faca e coloco na água já fervendo. Sal é a gosto, mas eu coloco um bom punhado (não recomendável para quem tem pressão alta) (graças a Deus, ninguém tem pressão alta por  aqui!).
Depois adiciono o vinagre de vinho branco, se for usar medidas, em torno de 50 a 100 ml, mas vó que é vó coloca tudo no olho (até parece que eu sou avó. hahaha. Nem mãe eu sou ainda) (nem nós também. A Re disse que não estava nos planos imediatos dela. Muito menos nos da Dé. Ufa! rs). 

Mas vamos ser sinceros? Esse é o segredinho da vovó 🙂 Depois que as batatas estiverem cozidas, você pode adicionar aquelas cebolinhas pequenas e salsinha (eu facilitei um pouco e coloquei aquelas cebolinhas em conserva. Desculpe, vovós!).

Deixe cozinhando até as cebolas ficarem transparentes e coloque em um pote com tampa, espere esfriar e geladeira para o dia seguinte. Claro que vó sempre faz salada de alface, com tomate, ervilhas e palmitos para acompanhar as batatinhas (ou caso contrário, depende da clientela da sua casa) (ô, se fiz !).

Mas você pode servir também sem (cá pra nós, não dá pra servir umas temperadas batatas-bolinhas sem uma bela salada da Nona!
E o prato ficou lindo e gostoso. Todo mundo disse que pararia por aqui).

É claro que era mentira, pois a carne estava cheirando muito bem. Por que será que comida de vó cheira tão bem?
Vinho? A ocasião merecia um belo espumante. E italiano, pra corporativar o óbvio. Um Prosecco Carpenè Malvolti que foi “ fresquíssimo, ritapavonesco, pinnodonnaggiano, vittoriogassmeso” segundo os netinhos queridos da vovó, nós mesmos.

Agora, o  prato principal:
Eu tenho medo de errar na combinação, mas era isso que tinha na casa da avó, você terá que deixar o lado gourmet “xisque” de ser para outra blogueira ou blogueiro rs  (achamos muito original a tua indicação. Além de formar um menu, porque não dizer, chiquérrimo!)

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Porque vó que é vó quer os netos bem alimentados. hahaha
Arroz de forno: faz o arroz do seu modo (até porque, eu fugi dessa aula no curso de gastronomia e eu não gosto de arroz, mas esse prato eu amo) (o arroz estava na geladeira e foi feito com antecedência pela Flora.)

Adiciona molho de tomate (vovó fazia assim:  refogava 1 cebola e 3 dentes de alhos, adicionava um pouco de água, cortava cinco tomates na metade, tirava os olhos do tomate, colocava na  panela, tampava e esperava 5 minutos. Tirava a pele, esmagava o tomate com o garfo, deixava ele cozinhando durante alguns minutos, adicionava um copo de água e colocava quatro colheres de sopa de extrato de tomate para o molho ficar bem vermelhinho (veja como o meu molho também ficou.)

Deixava cozinhando por dez minutos – mas quando ela não tinha paciência, era molho de tomate pronto mesmo), uma lata de ervilha, uma lata de milho, azeitonas e misturava (como não sou a vovó, coloquei uma bela lata de tomate pelado italiano no lugar de tudo isso!)

Como a salada já tem palmito, deixei de fora, mas ela colocava também. Depois colocava um pouco de arroz na travessa, queijo mussarela e presunto. Novamente arroz, queijo e presunto, até chegar na ultima camada de arroz, finalizando com queijo mussarela (só mudei o formato. pois fiz o arroz de forno em forminhas e finalizei com um pouco de Parmeggiano Reggiano).

Ia para o forno durante alguns minutos (eu deixo uns vinte minutos, sem pré-aquecer o forno) e servia (e acabei montando num formato até bacana, né não?) 

Carne Assada: esse também você fará na véspera, ela comprava uma peça inteira (acho que era colchão duro ou fraldinha, não lembro, mas é carne para assar) (lagarto na mão!), pegava papel alumínio, adicionava sal, alho picado e vinho tinto (aqueles tipo sangue de boi, também na quantidade que ela achava que estava bom, mas esse vou deixar para você combinar) (sem chance de usar Sangue de Boá por aqui!! rs).

Fechava o papel alumínio e deixava na geladeira para assar no dia seguinte. Uma coisa que ela fazia, mas falam que não é bom (bem, eu aprendi isso no curso), que é furar a carne e ela normalmente furava e colocava esse tempero nesses buracos da carne (essa eu segui e furei!! Me desculpem os puristas!).
Olha, eu nunca achei a carne dela ressecada (e esta também não ficou. Pelo contrário!).

No dia seguinte, ela pegava uma faca e furava ao meio da peça (em horizontal) e nesse furo ela colocava uma cenoura ou linguiça calabresa, sinceramente? (sinceramente? Coloquei a linguiça (opa!) e a carne ficou com uma cara de galantine).

Com linguiça calabresa fica mais gostoso (olha, ficou demais! Faça em casa!)
Outras vezes, nos buracos (que ela fazia no dia anterior), ela aprofundava mais e adicionava azeitonas sem caroço (esta eu não fiz. Ainda não consigo gostar muito de azeitona. É uma falha, eu sei!)

Ela assava primeiro a carne no papel alumínio fechado durante duas horas e depois abria o papel (não tirava para não sujar a forma), deixando a carne dourar durante meia hora a uma hora (sempre regando com o molho que a carne soltava) (e este molho além de ser uma delícia, é extremamente fotogênico. A Dé adorou. A fotogenia, claro.)

Veja que beleza!

E belo também foi o vinho tinto Elegance de Lesparre Bordeaux 2004 que disse “maresia, decadence avec…, vovó diet, rabodegalesco” aos netinhos que tomam vinho na mamadeira desde criancinhas.

Sobremesa: Sagu com vinho

Bem, nada de anormal, mas como você usou vinho (Sangue de Boi rs) na carne, aproveita o vinho para fazer sagu (não usei o Sangue de Boá mesmo!! rs).
A receita é uma 1 xícara de sagu, 4 xícaras de água, 3 xícaras de vinho tinto, 1 xícara de açúcar, 1 pau de canela e 4 cravos da índia. Você vai colocar a água para ferver em uma panela, quando estiver fervendo, coloque o sagu e cozinhe em fogo baixo (normalmente é 30 min). Mexer sempre para não grudar no fundo da panela (tem que tomar cuidado pro sagu não grudar!).

Em outra panela, coloque o vinho, cravo e canela, ferva durante 10 minutos, despeje a mistura do vinho na panela de sagu e cozinhe até as bolinhas ficarem transparentes (sempre mexendo). Veja se não precisará de mais água, caso sim, coloque água fervente também para não quebrar o cozimento do doce. Quando estiver cozido, acrescente o açúcar, ferva por um minuto, retire do fogo, deixe esfriar e coloque na geladeira (cuidado. Não se esqueça que sagu é … sagu! rs).

Faça também no dia anterior desse banquete, já que esse doce é muitoooo bom no dia seguinte bem gelado (essa eu falhei. Fiz no mesmo dia, mas ficou gostoso demais).

Meu Deus, senti que esse banquete será hiper kitsch, então já sabem, a decoração tem que ser super carregada hahaha com direito a jarra de suco em formatos de frutas. (Nana, não foi não. A Dé repaginou tudo e deixou a mesa com cara daquelas vovós bem modernosas!! rs)

Ahhh um suco de abacaxi vai bem né?  (Até iria, mas optamos por beber vinho até o final desta agradabílissima noite.)

Para completar o circulo kitsch total rs (e fica uma reflexão. O que é exatamente kitsch? O que é comida confortável? O que é comida com memória?)

 

Espero que gostem, por favor, veja se existe dúvida. (Nana, não só gostamos, como além disso curtimos muito o envolvimento, pois conversamos muito sobre os sabores de antigamente e como as pessoas ganhavam em qualidade de vida ao se sentarem e comerem tranquilamente sem nenhuma traquitana eletrônica pra atrapalhar.)

Já que é comidinha de vó e nem os livros antigos tem as quantidades são exatas (é isto mesmo: a comida inexata das vovós tem uma exatidão. A de nos deixar sempre pensando em como seria bom ter aquele tempo que não volta mais, de volta.  E nesta noite, Nana, além de uma big refeição, você nos fez voltar a tempos de outrora! Coloca o LP (?!)do Francisco Petrônio na vitrola).

Gratíssimo mais uma vez e seguem as nossas flores virtuais que só poderiam ser rosas vermelhas. 

Ah! A opinião dos netinhos mimados:
Comida saborosa e com lembranças. Ma che Ofélia, que nada! (Edu)
O importante é que emoções eu vivi. (Mingão)
Lembranças revividas, deliciosamente. (Déo) 

Bjss (pra você também).

NanaManga com Pimenta.

PS – Os Inter Blogs continuam no final de maio com o menu praiano da Débora e do Fernando do Brincando de Chef. Eles irão degustá-lo ao vivo, em cores e na areia do dcpv, aqui em Ferraz de Vasconcelos.

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dcpv – da cachaça pro vinho – roberta sudbrack, cozinhando no dcpv

número 238
17/11/09

dcpv – Roberta Sudbrack, cozinhando no DCPV

Ela foi a primeira chef do Palácio do Alvorada! Calma, é claro que não foi na dinastia Lula!

Na verdade, ela ficou 7 anos pilotando a cozinha de lá, mostrando o seu talento pra família Henrique Cardoso e por tabela, pra reis, rainhas, presidentes e outros menos votados.

Desde 2001, ela comanda a cozinha do seu próprio restaurante, o Roberta Sudbrack, o RS no RJ, onde faz uma comida que poderíamos definir como robertasudbrackiana ou seja, extremamente personalizada e com uma brasilidade incrível, além de usar métodos completamente usuais (chapas, mixers, etc) obtendo resultados vanguardísticos.

E tem mais uma: a sudequipe comandada por ela, estuda exaustivamente ingredientes (maxixe, chuchu, mangarito, etc) a fim de obter sabores/texturas/formatos inimagináveis.

Com este currículo, só faltava ela cozinhar aqui no dcpv!
Portanto, prepare-se: a descrição das cenas que virão a seguir são fortes e podem causar um fenômeno estranho: você babará!! rsrsrs

Esta é a noite da RS no dcpv. Acho que nós nunca mais seremos os mesmos!
Abrimos os trabalhos com uma bela caipiroska de Morango com Limão Siciliano. Ela precisava descontrair!

Entrada – Canelone de Atum e Tartare de Chuchu

A própria Roberta disse: “não temos cardápios fixos. Alternamos todos os dias a partir do que encontram de melhor”.

E coisa boa e barata aqui em Ferraz de Vasconcelos é o chuchu! Dá em qualquer cerca!
Portanto, aproveitamos a matéria-prima pra comer uns belos caneloni. Com um pequeno detalhe: os caneloni são de atum mesmo!

Escalopes de atum são achatados com um batedor de carne até obter uma lâmina fina.

Obviamente, não vou poder passar as receitas completas aqui por uma questão de copyright (se me pedirem por baixo dos panos, eu passo! rs)
Continuando, este canelone de atum é recheado com chuchu em cubinhos refogados em água e sal e temperados com azeite, sal, açúcar e peperoncino em flocos moído.

E montados sobre uma farofinha de pão com amêndoas e um vinagrete de melado de cana (ele e azeite) ligando tudo!

Lindo e extremamente saboroso! A crocancia da farofa e a doçura do melado fazem o chuchu brilhar!

Nos sentimos como ex-presidentes!
Acompanhamos este prato excepcional com a nova onda do momento (sic), um tinto de verano, formado pelo Quinta do Seival 2005 Campanha Br, uma fatia de limão siciliano, H2O limão, muito gelo e uma gota de vermouth.

Como diria o grande Lula: Crise? Que crise!

Principal – Lagostins em lâminas de chuchu e leite de amendoim

A Roberta estava preocupada com a qualidade do peixe. Na verdade, ela iria fazer um Pargo Pochê em Vinagrete Crocante de Maxixe.

Mas como ela mesmo falou “não sou eu que decido qual peixe será servido e sim o mar e o pescador!”. Portanto, Jorge, o nosso vizinho pescador nos trouxe uns belos lagostins, que foram devidamente servidos em lâminas de chuchu e leite de amendoim.

Outro espetáculo de sabores. O chuchu é cortado em lâminas e grelhado até ficar um pouco chamuscado.
Logo depois, enrolamos estas lâminas nos lagostins, temperamos com Flor de Sal (xô, proibição!)  e cozinhamos no steamer até ficarem rosados.

São servidos sobre uma paçoquinha líquida (amendoim torrado moído, uvas passas e manteiga) e finalizados com uma infusão de amendoim (amendoim fervido com leite integral, creme de leite, coado e temperado com sal e açúcar).

Todo mundo pirou quando este prato foi servido. O amendoim que estava tanto na paçoquinha como na infusão elevou o lagostim e o chuchu a uma potência desconhecida por nós.

Ficamos todos de joelhos e dissemos: Ave, Roberta!!

Continuamos bebendo o tinto de Verano em pleno Verão (com um patrocínio dos supermercados Veran).

Sobremesa – Consomé de Chocolate, Pele de Leite e Rapadura

“Algo muito mais do que comida, algo que transforma cada cotidiano mutante e irracional em experiências sensoriais e emoções íntimas. Um lugar de sensações e lembranças para se viver a experiência do gosto!”
É isto mesmo! Foi isto o que sentimos ao comer um dos últimos experimentos da Roberta. Um belíssimo Consomé de Chocolate (chocolate amargo 70% derretido em creme de leite) …

… com uma pele de nata (nata reduzida a uma camada fina e congelada)…

… acompanhado duma casquinha de rapadura  (biscoitinhos finíssimos de rapadura, manteiga, clara de ovo e farinha de trigo)…

… finalizado por quinoa frita e polvilhado por açúcar de confeiteiro.

Ge-ni-al! Só isso!

Ainda mais acompanhado de um branco alemão, o Riesling Spätlese 2004 Selbach que foi aquele cara que abre a porta do carro pra sua acompanhante. Sacou?

Eis a opinião dos seguidores da seita RS:

Altíssima gastronomia. RS arrasou em SP, ou melhor, em FV. (Edu)
Perfeito! Fernando Henrique é que era feliz. (Mingão).
Dudu Sudbrack é bom mesmo! (Déo)

Lá no RS, a Roberta tem um espaço chamado Teacher&Diner onde ela ensina, uma vez por mês, ou melhor, incentiva todos os participantes a vivenciarem o processo da execução das receitas e mostra pra todo mundo como pode ser divertido experimentar a cozinha.

E é claro que ela não veio aqui (seria um sonho se viesse!).
Na verdade, ela veio dar uma aula no Wilma Kövesi, o wkcozinha e eu e a Dé fomos lá pra ver “o que que a Roberta tem?”
Uma boa parte das fotos foi feita lá e outra, do jantar que realmente fiz (a Dé fez a sobremesa)) por aqui.
Resumindo, a Roberta é tudo isso o que falam dela (simpática, gosta do que faz, entusiasta) e melhor, dá gosto ver alguém tão apaixonado pelo seu trabalho.

Fica só um desejo que precisamos realizar: conhecer o que ela faz lá no RS (o Diogão dos Destemperados já foi!).
E melhor ainda, conseguir um belo desconto ao marcar esta visita através do Twitter (ela é uma twitteira e tanto e costuma deixar todo mundo que a segue com água na boca ao informar os pratos que vai fazer/está fazendo no restaurante).

Quem sabe na próxima temporada dos mangaritos??

Até.

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dcpv – da cachaça pro vinho – 22º interbBlogs – gourmandise no dcpv

01/12/09
Número 238

dcpv – 22º interblogs – Gourmandise no dcpv

“Oi, Edu. Que bom que gostaram! Tentamos montar receitas com poucos ingredientes e de fácil execução, assim todos que lerem o seu blog poderão fazer em casa também. Imaginei que estaria calor na época da execução dos pratos, por isso pensamos em fazer um menu com coisinhas refrescantes”.

Foi assim que a Nina respondeu ao meu e-mail sobre as impressões deste 22º interblogs (quer saber o que é?).

E pela resposta dá pra imaginar o que foi que eu escrevi sobre o jantar!

Vamos ao princípio: em 16/09/08, convidei a Nina e o Marcel do excelente blog Gourmandise pra indicarem um menu pra nós. Tivemos algumas idéias (comida japonesa, utilização de um ingrediente comum a todas as receitas, etc) e de repente, já que a conversa versava sobre legumes; porque não fazer um menu veggie?

Daí foi um pulo pra eles pensarem em usar chá em todas as receitas, agregados a um conceito ovo-lácteo-vegetariano.

Pronto! O tempo passou (mais de um ano) e o menu foi enviado por eles. Ele tem uma simplicidade e um toque tão pessoal que só de ler, já dá pra imaginar como ele é bom!

Os pratos são de rápida confecção mesmo e utilizam chás e infusões.
Antes de mais nada, deixa eu definir a exata diferença entre este dois: Chás  – são compostos apenas por Camellia Sinensis em água quente. Infusões – quando são elaborados com flores, frutas, ervas e outros líquidos.

É claro que esta definição foi da Nina e que aproveitei (interblogs também é cultura!) pra aprender e divulgar pros meus pares!
Portanto, com este clima zen e com a característica de ter uma comida saudável, leve e saborosa; vamos ao 22º interblogs, o Gourmandise no dcpv (e consequente 22º capítulo do nosso livro).

Bebidinha – Mojito de Capim Santo.

Facílimo de fazer e refrescante : macere capim santo com açúcar e junte H2O limão. Coe e encha um copo com muito gelo. Pronto!

Antepasto – Tomates frescos e Cidreira.

Este prato é instigante pois o contraste dos legumes com o mel e a pimenta dedo-de-moça além da junção  do chá de cidreira, o tornam inesquecível.

Basta fazer uma infusão com 2 saquinhos de cidreira, espremer os saquinhos e reservar. Antes disso, corte cebola em brunoise e deixe de molho em água fervente por 15 minutos.

Aí é só misturar o tomate sem pele e sem sementes também em brunoise (em bom português, em cubinhos), alho amassado, coentro e salsa picados, sal, mel, dedo-de-moça picada e juntar à infusão de cidreira.
Sirva com finas fatias de baguete torrada.

Iniciamos o serviço tomando uma bela água com gás saborizada com rodelas de laranja pera, hortelã e muito gelo (mais uma indicação deles).

Salada de pepino, queijo de cabra e hortelã.

Como a própria Nina disse, estes pratos são refrescantes e leves, compatíveis com o calor reinante. E são mesmo!
Uma salada de pepino japonês cortado em rodelas …

… queijo de cabra esfarelado …

… e um molho fotográfico ao extremo composto de azeite, vinagre de framboesa (uma delícia), mel, sal e folhas de hortelã branqueadas rapidamente pra logo após, frear a cocção através duma banho na água gelada.

  

Acabei montando os dois, tanto o antepasto como a entrada num prato só.
Foi aprovadíssimo e louve-se que a Dé já incorporou as duas receitas ao menu aqui de casa.

Continuamos com a água saborizada e abrimos um vinho branco com a uva indicada pelo Marcel, a Sauvignon Blanc, o De Los Man 2004 Chile, que foi “delicado, bicho grilo, insípido, que vinho?” segundo os animados ovo-lácteo-vegetarianos, nós mesmos.

Principal – Pasta alla Carbonara Veggie.

O primeiro prato que elaboramos pra este menu foi o principal, o Pasta alla Carbonara Veggie. No lugar do guanciale, usamos o LapSang Souchong, um chá preto chinês defumado. O aroma lembra muito o do bacon, mas o paladar é muito mais leve e já que a referência dele era italiana, achamos que seria plausível utilizar a mesma linha pros outros pratos”.

Parece simples, né não? E é, além de ser extremamente confortável e saboroso!
A grande sacada foi usar o chá como especiaria. Neste caso ele é triturado no almofariz.

No restante, é uma Pasta alla Carbonara comum só que com a utilização de ótimos ingredientes: gemas de ovos caipira ( veja a cor)…

… creme de leite fresco, Parmegiano Reggiano italiano, sal, pimenta e espaguete grano duro.

Todo mundo amou e comeu duas vezes. Inclusive a Dé que estava maravilhada com o sabor, a cremosidade e a delicadeza do prato.

Tomamos, seguindo uma pista do Marcel, um tinto italiano, o Colle Secco Montepulciano D’Abruzzo 2005 que além de ter uma bela e bojuda garrafa, foi “coadjuvante, italianaço, bello antonio potente, que vinho!” segundo os macrobióticos, nós mesmos.

Sobremesa – Panna cotta com Earl Grey.

A panna cotta é um clássico da confeitaria italiana, só recebeu um toque de Earl Grey (composto por chá preto e bergamota) para perfumar”.
Foi assim que a Nina indicou o princípio da receita que a Dé executou. E o doce ficou perfeito.

A Panna Cotta contém leite integral, creme de leite fresco, acúcar, gelatina incolor e a infusão (aprendi!) Earl Grey.

Ela ainda fez um Crème anglaise (leite integral, gema de ovo, açúcar e fava de baunilha).

Finalizei com uma farofinha de biscoito Amaretti (by sex shop) e que coroou esta magnífica noite ovo-láctea-vegetariana-italiana-infusionada.

Terminamos tomando (e o Marcel me permita desviar das indicações dele) um tremendo Anisete feito pela D. Anina. S-pe-ta-co-lo!!

Eis a opinião dos bichos-grilos:

Simples e uma super-produção. Ovo-lácteo-saboroso! (Edu)
Espetacular! Bela produção. (Mingão)
Majestoso ( simples e “amplo”). (Déo)

E aí vão as nossas famosas flores virtuais (eu juro que elas são ovo-lácteas-vegetarianas. rs)

Nina e Marcel, foi o maior prazer ter a participação de vocês aqui no dcpv e prazer maior ainda  verificar que o simples é cada vez mais delicioso desde que acompanhado de grandes ideias e ingredientes.
Como vocês podem, perceber, nós gostamos muito de tudo e espero que todos que estejam nos lendo tenham a oportunidade de reproduzir este menu em casa! Vão adorar!

Gratíssimo e até o próximo (semana que vem), que fechará o ano e será um mini Thanksgiving light (ôba, o que será isso?) indicado pela divertidíssima Cris do excelente From Our Home to Yours.

Abs a todos!

PS – Os capítulos 36º e 37º do nosso livro serão escritos pelos menus da Re e da Fran do Frango com Banana e do Vitor Hugo do Prato Fundo. Aguardem pois serão janeiro/fevereiro de 2011.

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dcpv – da cachaça pro vinho – o julie & julia do dcpv

vamos fazer receitas? dum livro inteiro?
29/09/09

dcpv – O Julie & Julia do DCPV

Quem já leu/viu Julie & Julia, o livro/filme sobre a missão que Julie Powell se impôs (fazer em um ano todas as 524 receitas do livro de culinária francesa da Julia Child, o Mastering the Art of French Cooking, o MtAoFC) simplesmente adorou!

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Vou confessar uma coisa: estou com o livro na mão (a Re já leu, a Dé ainda não) e comecei a ler. Só comecei e prometo que o lerei até o fim. Inclusive,  já descobri que a Julia era o que poderia se chamar literalmente de um mulherão pois tinha 1,88 m de altura  e era ruiva .

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Parece muito interessante, mas não vou fazer a besteira de ler correndo como um maluco. É um livro que merece ser degustado como um grande vinho: devagar, com calma e melhor, aproveitando cada segundo. Certamente postarei sobre e as receitas que estão contidas nele.

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Adaptando a ideia da Julie (neste mundo, nada se cria …), aproveitei pra consultar a minha Barsa (antigo, não?) culinária, o livro 400 g escrito pelos grandes chefs Betty Kovesi, Carlos Siffert, Carole Crema, Gabriela Martinoli (convidada especial – Mara Salles) e escolhi as receitas que eu gostaria de reproduzir nesta noite.

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Como assim? Você achou esta adaptação bastante diferente da que a Julie fez?
Eu também achei, mas optei pelo minimalismo. Quatro receitas, uma noite! Capisce ?

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Mesmo porque se eu fizesse as receitas do livro inteiro, aí sim, eu não teria a mínima originalidade.

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De qualquer maneira, espero que o resultado seja muito bom e quem sabe, no ano que vem, ver o lançamento do  livro/filme Betty, Carlos, Carole, Gabriela & dcpv em todas livrarias/cinemas do mundo e obviamente, faturar com a venda dos direitos! rs

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Tapetes vermelhos, nos aguardem! Vamos à noite J & J no dcpv!

Bebidinha –  Caipiroskas

De jaboticaba e pitanga. Do meu quintal, claro!

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Entrada –  Basler Mehlsuppe ( pag 123)

Uma sopa básica e simples. Que é típica da cidade da Basiléia, no norte da Suiça. Ela é servida no inverno, na época do carnaval (suiço?) e depois da folia (suiça?) pra restaurar a força dos foliões (suiços?).

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Os ingredientes são mais básicos ainda: manteiga, farinha, cebola, vinho tinto (usei o mesmo que tomamos), caldo de carne e queijo pra cobrir no final.

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Olha, o carnaval suiço deve cansar, pois esta sopa é bem “sustante” mesmo. E cai melhor ainda  com o friozinho que está fazendo hoje.

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Com um vinho tinto, então! E foi o que fizemos: tomamos um  ºC Celsius Cabernet Sauvignon, Malbec, Syrah Argentino que foi “parceiro, abre-alas, cromaqui, discreto“, segundo os Julies, nós mesmos.

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Principal : Vieiras a la Nage Thai com Maxixe Refogado e arroz jasmim (pags 166 e 277)

Maxixe?
É, escolhi maxixe porque nunca comi e achei que acompanharia perfeitamente um prato de frutos do mar. E maxixe deve ser simples, né mesmo?

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Facílimo de fazer, basta raspar os espinhos do maxixe com uma faca , cortar em rodelas finas e refogá-las numa base de alho picado e cebola “suados” com o acréscimo de pimenta dedo-de-moça temperadas com sal e pimenta.

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E as vieiras também são fáceis de fazer.  Exatamente como a Julia adorava.
Só não sei se ela gostaria do sotaque thai que o prato tem. Mas até aí, nesta noite sou quem escolhe! Então …

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Aqueça óleo numa wok, salteie 4 fatias de gengibre, 1 cebola roxa pequena em fatias, 1 pimenta dedo-de-moça sem sementes e fatiada e 1 talo de capim-limão até ficarem macios.Junte 1 xícara de shitake fatiado e salteie por mais 3 minutos.

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Tempere e deglaceie (raspe as sobras da wok) com 60 ml de nam pla ( o espetacular molho de peixe thai).

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Reduza à metade, junte 900 ml de caldo de frango e deixe evaporar um pouco.

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Acrescente suco de 1 limão e tempere com sal. Junte algumas folhas de manjericão ( usei o thai do meu quintal que tem um gostinho muito bom de aniz) e 1/4 xícara de cebolinha picada.

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As vieiras são douradas na chapa, temperadas com sal e pimenta e adicionadas ao caldo na última hora.

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Existe uma outra opção pra fazer a vieira “a la nage” que significa, segundo o livro, “escalfar um alimento, em geral peixes ou frutos do mar, num court bouillon e serví-lo nesse líquido, guarnecido de vegetais” que em bom português significa cozinhar a vieira num caldo.
Optei pelos dois (democracia!). Dourei de um lado na frigideira  e cozinhei ” a la nage”  do outro.

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Aí foi só montar esta beleza de prato com o maxixe refogado (parece uma pepino light se é que isso é possível! rs), o arroz jasmim, o molho bem ralo e temperado e elas, as Julie & Julia da noite, as vieiras.

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Sensacional e com um sabor thai acentuado e perfumado.
Acompanhamos com um vinho branco Chapel White Robertson 2007 South African que nos disse em alto e bom francês. Je suis “marítimo, chapéu de bombeiro, perna-curta, M.P.”.

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Sobremesa – Creme Caramel  (pag 477)

Não tem jeito. Esta sobremesa é uma clara e despudorada homenagem a JulieJulia e o MtOaFC. Creme Caramel ou, Pudim de Leite, é uma sobremesa manjada, mas deliciosa.

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Coloquei nos ramequins, que estavam devidamente caramelados, o líquido formado por leite, fava de baunilha, açúcar, gemas e ovos. Depois disso, levei pra assar em banho-maria por ~35 minutos e deixei esfriar.

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Um pudinzão de leite docinho e francês, bem francês.
Um cálicezinho dum vinho Sauté Foy Bordeaux 1998 e estávamos prontos pra dar a nossa opinião sobre  esta cinematográfica noite.

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Leia a opinião dos grandes tietes tanto da Júlia, como da Julie:

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Julie, Julia, Bety, Carlos, Carole, Gabriela, Mara: estavam todos por aqui! (Edu)
The best of my Paladar! O melhor do sabor! ( Mingão)
Julísticamente Duzístico! (Deo)

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Uma grande noite pruma grande ideia (a da Julie, não a minha); pruma grande cozinheira, a Julia e prum grande filme pois estamos doidos pra ir ver!
Nós vemos na tela!
The End.

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PS – Chic! Chiquíssimo! Este post participou junto com os Blogs Prato Fundo e Amuse  Bouche, da matéria da capa do excelente caderno de gastronomia do Estadão, o Paladar!
Que beleza! Justo o Paladar que tanto admiramos!! Tá lá: Edu&Betty&Carlos&Carole&Gabriela, nas telas!

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