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dcpv – da cachaça pro vinho – savourez le québec

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número 289
12/04/11

Savourez le Québec

A Dé ganhou um calendário de presente do Valtinho.

Ele, por motivos particulares, vai constantemente ao Canadá e sabedor das nossas aventuras gastronômicas, nos trouxe além de sementes de manjericão thai (eles tem um gosto acentuado de limão), uma “folhinha” muito bacana. E olha que folhinha tem tudo a ver com o Canadá.

Quem produziu este belo exemplar foi uma rede concorrente nossa, a IGA. 🙂

Todos os meses são representados com uma foto dum prato (que vou tentar reproduzir) e melhor, com as receitas deles.

Além do tremendo charme de estarem todas escritas em francês, as receitas vem agrupadas na página central, picotadas pra que você as destaque e utilize com facilidade.

Não precisa nem dizer que este menu estava gritando pra mim: Fais-moi!

E “J’ai fait“.

Allez.

Août – Bleuets du Québec

“Source reconnue d’antioxydants, la répoutation du bleuet n’est plus à faire. Célébrez l’éte en dégustant cette aux accents du Québec!”.

Fala a verdade; só esta explicação já te deixa com vontade de experimentar, né? Ainda mais que é anti-oxidante! rs

Blueberry, vinho branco, água com gás Perrier (faça com ela!), suco de cramberry e hortelã.

Refrescante e com os sabores de Quebec.

Janvier – Trilogie de Crevettes, avocat et mangue.

“Pêchée das les eaux froides de l’estuaire du Saint-Laurent, la crevette nordique offre une saveur plus délicate et une teneur en ómega-3 plus importante que les autres crevettes. Un aliment noble à servir avec fierté en toute occasion!”

Tirando o fierté (alguma coisa como orgulho), eu compreendi tudo.

Faça um purê com abacate maduro, coentro e suco de 2 limões.

Coloque num bowl, os camarões cortados e levemente cozidos junto com manga cortada em cubos e suco de limão pra terminar de cozinhar e marinar.

Monte tudo numa taça com o purê por baixo, …

… os camarões  e a manga por cima …

… e finalize com coentro e camarão inteiro.

Realmente delicioso e todo mundo, sem exceção, aprovou (a Dé carimbou).

Mars – Verdures avec Effiloché de Canard confit et vinaigrette crêmeuse à l’orange.

“Reoutée das le monde entier, l’entreprise Canards du Lac Brome est reconnue pour son savoir-faire familial inégalé depuis 1912. Résultat: une chair plus savoureuse et plus faible ne gras … véritablement le nec plus ultra du canard. Un incontournable!”

Putz, esta é um pouquinho mais difícil. Mas “incontournable”, “savoir-faire” e “nec plus extra” são demais, né não?
Na verdade, toda esta pompa é pra indicar uma ótima salada de verdes.

Formada por aspargos, ervihas tortas e em grãos, espinafres, cebolinhas e ciboulettes.

Alguns crus, outros ligeiramente cozidos (aspargos, ervilhas tortas e espinafres).

Com o acréscimo dum molho de iogurte, azeite (huile d’olive), suco de laranja, aceto balsâmico, mel e zest de laranja além de sal e pimenta. Este molho é especial.

Desfie o pato confitado e frito (Lourdes?, sócio?) e monte cada uma das belas cumbuquinhas.

Esta entrada aparenta ser francesa moderna, ou seja, é verdadeiramente canadense (puxa, deu saudade da confreirinha, da Fabrícia e do Mohamed).

Na verdade, tomamos a Sangria neste momento. E ela foi “Pilot, canadeno, quebecleza, parfumesco” segundo os apreciadores de maple, nós mesmos.

Mai – Risotto aus Asperges et chips de Prosciutto.

“Tendres et exquises, les premières asperges québécoises se pointent le bout du nez dès le début du mois de mai. Peu caloriques, elles sont une vraie mine d’antioxydants et ajountent une touche de grâce et d’élégance à la présentacion de vos plats”.

A Dé gostou muito de saber que os aspargos, que ela adora, são “peu” calóricos.

E eu confirmo que utilizá-los realmente dá uma graça e muito mais elegância a um prato.

Ainda mais neste risotto que não tem segredo algum, a não ser o cuidado ao fazê-lo e deixar o arroz bem al dente.

O processo é o mesmo: cebola e alho fritos no azeite e na manteiga, com o acréscimo do arroz, do vinho branco e do caldo de galinha feito em casa  e bem quente.

Adicione os aspargos cortados em pedaços e guarde algumas pontas para a finalização.

Enquanto isso, leve ao forno fatias de presunto italiano cobertos com papel manteiga até que fiquem bem crocantes.

Pronto. Finalize o risotto com manteiga, parmesão e coloque os chips de prosciutto.

Perfeito, franco-canadense e espanhol, já que o presunto era um “lerrítimo” Pata Negra.

E o vinho também. Um tinto Roble Miros Ribera del Duoro 2007 que se mostrou “cotcha seca, draceiro, sorim, gambito“.

Avril – Sirop d’Erable du Québec

“Richesse du patrimoine historique québécois, le sirop d’érable est inimitable et sans égal. Sans colorant ni additifs, c’est un sucre naturel au goût unique auquel nul ne peut résister”.

E nós não resistimos a doçura diferente do maple.

Frutas (abacaxi, peras, ameixas, bananas) ligeiramente grelhadas no George Foreman e caramelizadas com uma mistura de maple, cravos, canela e gengibre.

Foram servidas com uma bola de sorvete de baunilha (ainda aquele do Vitor Hugo) e um “peu” de maple sirop.

Um verdadeiro espetáculo.

Eis a opinião das cavaleiros da guarda montada:

God bless the Canada! (Edu)
Que marravilha!!! O Canadá é aqui! (Mingão)
Je suis very deliciado! (Deo)

Relacionar o mês em que o produto está na sua plenitude com um calendário é mesmo uma grande ideia. Colocar receitas com estes produtos e indicar como utilizá-los é mais bacana ainda.

Camarão, queijos, pato, maple, aspargos, lagosta, morango, blueberry, legumes, cerveja, beterraba, cordeiro, enfim, tudo o que existe de melhor por lá está relacionado com estes meses de intensa e qualitativa produção (pode contar: são 12).

É o primeiro mundo, minha gente.

Au revoir!

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dcpv – da cachaça pro vinho – o dia em que a internet se materializou

incrível
21/12/08

dcpv – O dia em  que a Internet se Materializou ( ou tem Sopa Vermelha no dcpv)

Quem acompanha o dcpv, sabe que quando fomos ao Canadá, mais precisamente a Montreal, nos encontramos com o simpaticíssimo casal Fabrícia e Mohamed (by Sopa Vermelha) pra nos divertirmos profundamente vendo/cheirando/comendo as gostosuras do mercado Jean Talon.

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Lá mesmo, selamos o compromisso que quando eles viessem ao Brasil, nos encontraríamos novamente na grande metrópole de Ferraz de Vasconcelos, onde a dupla faria um belo menu tunisiano pra nós.

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Pois bem. O tempo passou e chegou a hora de nossos confrades (o Inter Blogs Tunisiano feito por eles foi um sucesso!) cumprirem a promessa.

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Dia 21/12, domingo, lá estavam eles tocando a campainha aqui de casa. E não é que eram mesmo a Fabrícia e o Mohamed?
Cá estavam pra fazermos um leve churrasquinho no almoço e um belo menu tunisiano no jantar.

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O churrasco correu às mil maravilhas. Apesar de eu ter esquecido de tirar as fotos, comemos asas de frango apimentadas, linguiças temperadas by sex shop, picanha no sal grosso e na pancetta, batatinhas com ervas e ao curry.

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Antes que eu me esqueça de citar, o Mingão e a Regina, a esposa dele também estavam por aqui.
Barriguinha forrada, conversa colocada em dia, o próximo passo foi preparar o jantar (vida de gourmand é muito triste!).

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Comprei um belo pernil de cordeiro e o Mohamed fez questão de fazê-lo como manda o figurino (esta é nova) tunisiano: marinado e assado lentamente. Acompanhado de batatas e azeite, muito azeite no forno.

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Antes disso, como entrada um fricassé da Tunísia mais conhecido como acarajé tunisiano (e não é que parece mesmo).

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Uma bela massa frita e ….

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… recheada com uma mistura de atum, ovo cozido, azeitonas pretas, alcaparras e batatas cozidas amassadas.

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Todos os acarajés foram comidos com o acompanhamento de harissa e de um belo claret up.

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Ah! Comemos também as famosas tâmaras recheadas de manteiga e açúcar gay que tanto sucesso fizeram no Inter Blogs dos confrades.

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E bebemos um coquetel, o Diabolo Menthe (0eu não sabia o nome, mas os os confrades me salvaram!) composto de licor de menta, soda e muito gelo.

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Voltando ao pernil, ei-lo!

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Lindo e desmanchando na boca.

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Veja que o Mohamed não teve o mínimo trabalho pra cortá-lo.

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E nem nós pra comê-lo!

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A sobremesa ficou por conta da Fabrícia.
É, nós ( eu, a Dé, o Mingão e a Regina) ficamos como sus-chefs tentando fazer com que tudo corresse às mil maravilhas (se bem que o chef Mohamed reclamou que eu não o tinha abastecido com Coca Cola ! rs).
E a Fabrícia fez uma Harissa Bel Louz (bolo de sêmola com amêndoas)

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Uma mistura de farinha de amêndoas, tâmaras, açúcar, sêmola, ovos, zest de laranja, ovos, manteiga, leite, essência de baunilha, água de flor de laranjeira, fermento em pó, açúcar baunilhado e sal!

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Estava delicioso e a Fabrícia nos disse que ficaria melhor no outro dia (esta previsão se confirmou!).
Pronto! Tudo devidamente degustado .
Só nos restou dormir, pois todo mundo estava pregado (nós pelo baile de formatura da Re, a Fabrícia e o Mohamed pela viagem).

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Até a fumadinha do narguilé ficou pra próxima, mas pelo menos tivemos a consultoria gratuita do Mohamed, um expert no assunto que nos ensinou como utilizar corretamente o “bichinho”.
Foi um prazer imenso receber um casal tão simpático, divertido e com um montão de coisas boas pra falar.

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Como agora a bola está conosco, prometo que daremos um jeito de fazermos uma escala em Montreal numa próxima viagem e irmos jantar juntos.

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Até a próxima!

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dcpv – da cachaça pro vinho – 9° interblogs – sopa vermelha no dcpv

número 190
10/09/08

dcpv – 9º interblogs – Sopa Vermelha no dcpv

Denominação oficial – República da Tunísia
Capital – Tunis
Chefe de Estado – Zine El Abidine Ben Ali
Litoral – 1300 km
População – 9.300.000 habitantes
Clima – mediterrâneo (médias de 12°C no inverno e 29ºC no verão)
Moeda – dinar tunisiano ( ~0,75 euros)
Língua – oficial, o árabe. Mas o francês é falado por quase toda a gente!
Cidadãos ilustres – Fabrícia e Mohamed

Ôpa, aula de geografia? Não, é o nosso 9°interblogs (Quer saber ?) e consequente 9º capítulo do nosso futuro livro que por sinal foi uma ideia da Fabrícia do excelente blog tunísio/canadense/brasileiro Sopa Vermelha .
Sim, além de sugerir fazermos o livro (e que se tudo der certo, virará realidade após a realização do 25° Inter Blogs ), a Fabrícia e o Mohamed (que é o seu maridoco) indicaram pra gente um legítimo menu tunisiano.


A Fabrícia, o Mohamed e o histórico

Vou contar a história desde o princípio (a do Inter Blogs, não a da Tunísia ) porque vale à pena: até briefing canadense nós fizemos!
Tudo começou quando, logo após a realização do 4º Inter Blogs com a Fer do Chucrute com Salsicha , a Fabrícia comentou:
Parabéns. Ficou tudo perfeito. Quem sabe, não teremos em breve a Tunísia ou a província de Quebec… ahahah!”

Comentário que foi prontamente respondido por mim:
Fabrícia, a iniciativa só é boa quando tem blogueiros legais do outro lado. Está marcado, em novembro teremos a comida Tunisiana do Sopa Vermelha!”

A partir daí, trocamos vários e-mails. Leiam alguns trechos dos mesmos:
A sobremesa ainda é um mistério. Tenho uma em mente… talvez seja perfeita… bem tradicional.
Especificamente, não conheço quase nada da comida tunisiana mas já imagino os temperos, as especiarias, talvez o couscous!”.
Um dos vinhos que gostaríamos de sugerir, pra acompanhar o prato principal, seria o Chateau Mornag“.

Pronto, estava montado o esqueleto de toda a noite. E aproveitando a nossa viagem pro Canadá, marcamos de nos encontrar no Marché Jean Talon em Montreal, cidade onde eles moram. Além da conversa super agradável e do lugar ser espetacular, a Fabrícia e o Mohamed nos trouxeram uma “cesta básica tunisiana” de primeira contendo vinho, couscous (que na verdade não era!), temperos, incenso, chá verde, copos,semolina além de um histórico completo com tradições, receitas e tudo o mais pra tornar a nossa noite inesquecível.
Caramba, a responsabilidade aumentou bastante, mas ao mesmo tempo, tive a certeza que o evento seria muito bom, pois foi a primeira vez que antes de fazermos o interblogs, tivemos um contato pessoal com os mentores. E criamos tanta afinidade que combinamos recebê-los por aqui no final do ano, onde o chef Mohamed terá a oportunidade de mostrar os seus dotes culinários numa versão ao vivo dos interblogs. Estamos aguardando.

Portanto, vamos à mística Soirée Tunisiana:

MENU TUNISIEN

Pra vocês que já estão acostumados e esperando por tal, criei uma caipiroska tunisiana formada por laranja pera, Absolut Vanilia, açucar e água de rosas.
O Mingão fez no maior capricho e putz, ficou muito boa mesmo!

Começamos, seguindo  o ritual ao pé da letra e ouvindo a agitada e contagiante música tunisiana que eles nos mandaram.
Logo em seguida, todos os convidados (o Mingão, o Déo, eu e a Dé) tiveram as boas vindas no formato tunisiano, ou seja,  cada um colocou um pouco de água de rosas nas mãos, esfregou e passou no seu rosto além de beber um pouco de água bem gelada temperada com água de rosas. Ficamos cheirosos por fora e por dentro!

Continuando, comemos amêndoas confeitadas, pois elas segundo a tradição, trazem sorte aos donos da casa. Ôba!

Ainda aproveitei pra servir tâmaras recheadas com manteiga e cobertas com açúcar (olha o açúcar colorido de novo !) já que no Ramadã (e estamos nele), os tunisianos quebram o jejum com um copo de leite e as próprias. Eu ainda dei uma “inventadinha” e recheei algumas com Io Io Crem. Olha, é tão simples mas tão gostoso e reconfortante que o único conselho que eu posso dar pra vocês é que as façam.
Não vão se arrepender!

Entrées 

Antes de mais nada, a Fabrícia me autorizou a dizer que quem estiver interessado na versão integral das receitas, é só mandar um e-mail pra ela.
Primeiramente, fiz o Kobz F’tir, um pão bérbere à base de semolina de trigo. Quer dizer, eu não fiz nada neste pão, só comi! A Dé fez a massa que consistiu de semolina, sal, água morna e azeite.

O  Déo abriu com a espessura perfeita.

O Mingão dobrou em 3 e fritou numa frigideira untada com azeite. Um espetáculo e além de delicioso, o pão serve de talher nas refeições tunisianas, pois ao comer com as mãos, na verdade ,o pão é o meio pra levar a comida do prato à boca! E a equipe dcpv brilhou!

Pra comer com o Kboz F’tir, fiz a Omek Houreya, um purê de cenouras, harissa, cominho, tabel karouia, azeite (muito azeite), sal e pimenta do reino .

 

E a salada Méchouia, que é formada por legumes (pimentões verdes, tomates maduros, cebolas inteiras, dentes de alho assados e triturados (mas não muito) e temperados com cominho, harissa, azeite (muuito azeite), pimenta do reino e sal.

 

Ambas devem são servidas como cervejas bem geladinhas. E aqui cabe uma explicação já que ela, a harissa, vai participar constantemente deste jantar. Ela, a harissa, é um purê de pimentas vermelhas secas ao sol junto com uma mistura de especiarias. E os temperos que eu usei foram preparados pela sogra da Fabrícia (a mãe do Mohamed). Um luxo e muito gostosos ( os temperos, é claro !).
Segundo os próprios tunisianos, a harissa dá “força pra trabalhar” e “abre o apetite mesmo quando faz calor”.
Compondo o prato, azeitonas temperadas com harissa e azeite ( muito …)

 

Esta entrada foi eleita unanimemente, a melhor que comemos até hoje! E olha que não foi somente o Mingão que falou!

Procurei dar uma harmonizada com um espumante rosé Pinot Noir Codorniu Espanha que foi “refrescante e delicado, trilha vinífera, oasístico, arabesco” segundo os bárbaros bérberes, nós mesmos! (Olha o Zeca Baleiro de novo aí!).

Como a Fabrícia escreveu, o “incontornável” Brick é uma referência na comida tunisiana.

E o Brick é um pastelzinho de massa phyllo recheado com purê de batatas e atum temperado com alcaparras, azeitonas, coentro e cebolas picados, sal, pimenta e azeite.

Depois é só colocar no forno (ou fritar, depende do tunisiano!) e comer. Este também fez parte da entrada genial e é pra fazer em casa! E continuamos tomando o espumante.

Couscous a la Tunisienne

Eu adoro couscous e faço constantemente. Mas, confesso que este modo de fazer o deixa muito mais gostoso e temperado além do sabor ser muito mais intenso.


 Este é o caldo (o perfume) depois de coado.

Pra chegar neste resultado, o processo é bem mais demorado que o usual já que o caldo que hidratará o couscous será proveniente do cozimento do cordeiro que terá uma base de alho, salsão, alho poró, cebolinha, harissa em pó (o felfel), coentro em pó e endro. E de vários legumes (pimentão verde, abóbora moranga, repolho verde (usei o roxo), cebolas, cenouras, batatas) além de extrato de tomate, grão de bico e água quente.

 

Separados a carne e os legumes, a hidratação se dará na proporção 1/1 = um copo de caldo para cada copo de couscous.

E aí está a grande diferença: o sabor deste caldo temperado é transferido diretamente pro couscous. E sem mentira nenhuma, este caldo poderia ser vendido como perfume tamanha a concentração de odores e sabores.  Quem sabe o nome Soirée Tunisien não ajudaria a alavancar as vendas? Sublime!

Tomamos um belíssimo vinho tinto Chateau Mornag 2002 Tunísia (sim , o mesmo dos e-mails iniciais e que a Fabrícia e o Mohamed nos enviaram na cesta básica) que disse em bom e belo francês: Je suis – “incensado, narguilado, tamaresco, tunisiano“.  Bon c’esta ça!

Dessert

Yoyo

Este docinho é tão gostoso que o nome justifica: você come tanto deles que parece que se está brincando com um ioiô, tamanha a quantidade de vezes que ele vai do prato pra boca.

São bolinhos feitos de ovos, óleo, suco e raspas de laranja, açúcar de baunilha, farinha de trigo, fermento em pó e frito em óleo . Depois é só mergulhá-los numa calda de açúcar, limão, água e água de flor de laranjeira.

Seguindo o cerimonial, tomamos um chá vert  com bastante espuma, pois esta é proporcional a distância que o bule tem da xícara quando o chá é servido. Para os tunisianos, este chá é uma tradição milenar. Eles o tomam até mesmo quando a temperatura está acima dos 40°C . Pra dar um pouco mais de sabor, coloca-se pinoli ou amendoim dentro do copo e algumas folhas de hortelã.
Olha, foi uma grande experiência cultural e já que a demonstração de alegria e felicidade, é chamada de you you, a Dé aproveitou pra emitir um som alto e agudo, já que só as mulheres produzem este som: youuuuuuuuu, youuuuuuuuuuu….

Aproveitamos pra acender o incenso (bkhour) que normalmente tira o mau-olhado e as energias negativas além de perfumar e defumar o ambiente.

E pra não perder a ocasião, fumamos um narguillé básico com fumo de maçã, como a Fabrícia e o Mohamed indicaram,  já que nem tínhamos estreado o souvenir (e que eu achava que era um berimbau!) da nossa viagem à Dubai!

   

Que banquete! Que soirée! Parabéns Fabrícia e Mohamed!

Veja o opinião dos tunisianos, desde criancinhas :

Ferraz se transformou em Tunis. Aromas, sons, sabores e as tâmaras… Espetáculo! (Edu)
De alfa a ômega, perfeição! Uma sinopse digna das 1001 noite tunisianas. (Mingão)
Comida en’tunisia’stica! (Déo)

Chegou a hora das flores pra Fabrícia e que por serem também pro Mohamed, são ….. comestíveis já que ele é um dos nossos, ou seja é um “draga” ou melhor, um “trator de esteira”!
Sendo assim, flores pra Fabrícia e comidinha pro Mohamed :


Flores de nirá, cebolinha e capuchinha

Agradecemos especialmente pela acolhida, pela dedicação, pelo interesse e podem ter certeza, que vocês, como membros honorários do dcpv, participaram ativamente desta celebração tunisiana tantas as vezes em que foram citados nominalmente no jantar!
Ficou mais do que claro que este interblogs nos possibilitou (assim como todos os outros) aumentar em muito a nossa cultura e também ajudou a aumentar a nossa nacionalidade que agora é  angolana/lusa/pernambucana/californiana/indiana/francesa/tunisiana além de brasileira, é claro!

Au revoir!

PS – O próximo Inter Blogs será moquequístico. A extrovertida Aline (do Moqueca com Pimenta) vai nos mostrar o caminho.
E com a adesão do Prof Michel, da Amorinha, da Odete e da versão Quebecois da Fabrícia, já estamos com a programação fechada até julho de/09. Faltam 6 vagas pra participar do nosso livro! Quem se habilita?

A cozinha me transporta pra distantes doçuras. Como se, no embaciado dos seus vapores, se fabricasse não o alimento , mas o próprio tempo” – Mia Couto.

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dcpv – da cachaça pro vinho – montreal/ mercado (marché) jean talon

Belle
25/07/08

dcpv – Montreal/ Mercado (Marché) Jean Talon

Montreal é uma cidade bastante cosmopolita. Imagine um lugar onde se fala predominantemente francês; em que o autódromo de F-1 é numa ilha (a Ile de Notre Dame), onde você pega o seu carro alugado (como nós pegamos) e dá voltas no circuito que é de rua (e olha que a pista estava escorregadia!!). E melhor, um passeio totalmente gratis!

Onde existem restaurantes excelentes (Toque, Tru, Au Pied Couchon) e que, por uma das coincidências da vida, nós acabamos não indo em nenhum deles mas em compensação, aproveitamos pra comer um sanduíche de carne defumada num sujinho chamado Schwartz que é um espetáculo.

Ah! A Vila Olímpica também é imperdível.

E a Biodome, o ex-velódromo olímpico,  é um lugar fantástico que reproduz vários ecossistemas do mundo, inclusive a floresta amazônica e por incrível que pareça, onde  conseguimos ver pela primeira vez na vida um … mico leão dourado! Pô, esta é pra não esquecer.

O Jardim Botânico, que é ao lado da Vila, é uma ilha de tranquilidade onde você passa a não acreditar que aquilo tudo tem que ser recomposto ano a ano devido ao frio rigorosíssimo.

 

Tem também um mercado, o Jean Talon, que nos foi apresentado pela Fabrícia (do blog  Sopa Vermelha) e pelo seu esposo, o Mohamed.
Marcamos um encontro lá em Montreal através de e-mails e deu tudo certo. E como deu!


 A Fabrícia e o Mohamed

Vimos uma variedade imensa de frutas …

 

… belas e ….

 

… este pesseguinho tortinho aí de cima é uma delícia.
Também vimos e cheiramos ervas gastronômicas , cenouras roxas …

… cebolas (e que cebolas !!) e tomatinhos.

 

Passamos numa linguiçaria (existe este nome ?) de primeira.

Comemos, através das dicas dos dois, um belíssimo sanduíche de Merguéz (uma linguiça de carneiro muito boa e ardida) …

… com umas belas (e as melhores de lá, segundo o Mohamed) batatas fritas, que estavam crocantes e deliciosas.

Ainda aproveitamos pra fazer uma reunião “comercial”: a Fabrícia e o Mohamed nos entregaram uma “cesta básica tunisiana” contendo uma garrafa de vinho tinto tunisiano, temperos e especiarias, cuscus, dragées, chás e copos pros mesmos, etc.
Além disso tudo, um histórico completo sobre a Tunísia com 3 menus diferentes e 2 cds com a legítima música tunisiana.

Tudo isto pra compor o nosso interblogs que será feito em 10 de setembro (depois de amanhã). Um luxo só! Esperem e verão!

Resumindo: foi uma visita superagradável e mais agradável ainda foi ter conhecido este casal tão bem humorado e tão alto astral.
Esperamos retribuir esta acolhida quando eles estiverem por aqui no final do ano. Desde já, eles tem o título de confrades honorários do dcpv!


Mohamed (com a cesta básica), a Fabrícia, a Dé, eu e a Re.

E o Mohamed, se morasse por aqui, seria um dos nossos confrades pois ele é um “draga” igual a nós!
Pelo visto o  caldo está engrossando pois tanto o Mohamed como o Diogo (dos Destemperados que por sinal acabaram de lançar o excelente Guia Gastronômico de Porto Alegre) tem a nossa principal característica, são “fominhas” também (e apreciadores da boa gastronomia, é claro!)

Até depois de amanhã !

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