Posts Tagged 'trufas'

dcpv – piemonte – dia cuatro – uma trinca quase perfeita: coppo, piazza duomo e vietti.

25/11/14

Dia cuatro – Uma trinca quase perfeita: Coppo, Piazza Duomo e Vietti.

É claro que o dia amanheceu broncolhão.

DSC07674

Mas nada nos impediria de comemorar (e bem) o nosso aniversário de casamento.

DSC07713

Maneiramos no café da manhã no hotel

DSC07677

… e zarpamos pra Canelli, onde marcamos uma visita para conhecer o prestigiado produtor de vinhos Coppo.

DSC07679

Chegamos lá e tínhamos um pequeno problema: aparentemente invertemos (inverti!) os horários das visitas das vinícolas, tanto do Coppo como do Vietti.

DSC07702

Mesmo assim, o Sr Paolo Coppo, o dono do negócio, quebrou o nosso galho e nos mostrou o porquê da excelência do vinho que ele produz.

DSC07680

Ele foi muito paciente e conseguimos visualizar todo o processo e como são produzidas pérolas como Camp Rouss e Pomorosso.

DSC07699

Eis o fotoblog da visita:

DSC07681

DSC07682

DSC07683

DSC07685

DSC07687

DSC07689

DSC07690

Fizemos uma degustação de 4 vinhos, já com o filho dele, o Luigi, ao final e ainda compramos alguma coisa pra trazer pro Brasil.

DSC07697

Saímos de lá debaixo de chuva e rumamos pra Alba, a terra das trufas.

DSC07780

Tínhamos uma reserva pra almoçar no Piazza Duomo, o restaurante gourmet (e três estrelas do Michelin) do chef Enrico Crippa.

DSC07728

O lugar é difícil de encontrar. Ele fica no segundo andar dum prédio em frente ao Duomo de Alba.

DSC07716

E é super-moderno e muito bonito.

DSC07706

São oferecidos vários tipos de menu-degustação, mas terminamos escolhendo uma entrada e um prato principal pra cada um.

DSC07727

Foi uma sábia escolha, pois nos foram oferecidos vários piccolos.

DSC07719DSC07721

E todos com muita qualidade e criatividade.

DSC07733DSC07734

Iniciamos a comemoração com flutes de espumante italiano pra todos.

DSC07708

Como entradas, a Lourdes e o Eymard escolheram cardo, uma verdura específica do Piemonte com trufas brancas, óbvio.

DSC07754

A Dé pediu uma creme de patate, lassam gauchinni.

DSC07753

Eu fui de Capesante (mais conhecido como vieiras) e radici.

DSC07758

Todos absolutamente perfeitos e acompanhados das indefectíveis trufas brancas.

DSC07759

Pra comer trufas também nos pratos principais, não pensamos todos em pedir o mesmo prato, o Agnolotti ao Plin de Fondutta.

DSC07765

Perfeito e extremamente trufado.

DSC07767

Como não poderia deixar de ser, escolhemos um ótimo Barbaresco, o La Spineta, pra acompanhar este perfumado prato.

DSC07760

No mais foi curtir um ótimo e diferente café …

DSC07778

… e todos os piccolos doces que o chef nos enviou.

DSC07773

Resumo da ópera: o Piazza Duomo Duomo é um lugar imperdível (apesar de algumas opiniões contrárias, né Jusça?) e que você não pode deixar de ir se estiver pelo Piemonte.

DSC07761

E já que a esperança é a última que morre, corremos mais um pouco pra chegar no Vietti e ver se conseguíamos fazer o tour.

DSC07781

Só que desta vez não deu certo.

DSC07783

A Sra Vietti nos atendeu e além de informar que seria impossível, nos disse que eles não tinham mais nenhuma reserva pro restante da semana.

DSC07782

Tudo bem que estávamos errados, mas que ela foi um pouco indelicada, ah, ela foi.

DSC07785

Só nos restou dar uma passeada em torno do Castello Falletti Di Barolo, …

DSC07786

… tirar umas fotos do magnífico entorno …

DSC07802

… descobrir a Cantina Comunale, um lugarzinho bacana que vende vinhos produzidos em Castiglione Falletti …

DSC07795

… e melhor, com um tasting de 3 tipos deles (um Barbaresco, um Dolcetto e um Barolo) …

DSC07798DSC07799

… acompanhado de salame e queijo.

DSC07796

Voltamos pro hotel, com a noite caindo e com uma neblina incrível (já eram 17:30 hs).

DSC07800

Marcamos uma happy hour no bar pra comemorarmos melhor o nosso 31º aniversário de casamento (com um presentinho da nossa amada Re) …

DSC07803

… e acompanhado dum legítimo representante francês, uma Krug, …

DSC07804

… e fomos jantar no bistrô do próprio hotel, já que com toda aquela neblina, seria impossível sair.

DSC07806

E não nos decepcionamos.

DSC07808

Todos escolhemos opções frugais. 🙂

DSC07809

A Lourdes e o Eymard dividiram tanto uma salada completa, …

DSC07819

… quanto um vitelo tonato bem diferente.

DSC07817

A Dé, como não poderi deixar de ser, também foi numa salada enquanto eu, escolhi um Penne com salsiccia.

DSC07815

Pra complementar e celebrar, tomamos um Barolo Gaja DOCG que caiu como uma luva com a temperatura baixa reinante.

DSC07821

Só sobrou tempo pruma foto coletiva e aproveitamos a proximidade do hotel pra rápidamente estar nas nossas caminhas.

DSC07828

Happy birthday to us!

DSC07825

Arrivederci.

Veja os outros dias desta viagem:
dia uno – Chegando e reconhecendo o Piemonte
Dia due – Barolo, a cidade.
dia tre – Piemonte – Olha que nome legal de cidade: La Morra.

PS – Não é porque é a minha filhinha, não, mas a Re criou um blog bem bacana, o Meu Desafio do Dunga (http://meudesafiododunga.wordpress.com) que trata dum “desafio” que ela se propôs que é fazer corridas de 5, 10, 21 e 42 Km, sim, uma verdadeira e real maratona em 4 dias seguidos na Disney e em 2018!

Pateta
Para tanto, ela posta sobre a sua preparação e ao mesmo tempo, nos passa informações muito curiosas e interessantes sobre tudo o que envolve o mundo deste tipo de corrida (e com textos, modéstia a parte, muito bacanas).
Dê um pulo lá e divirta-se!

.

 

 

 

dcpv – ny – dia five – compras, trufas e mais trufas.

16/10/2013

NY – Dia five  – Compras, trufas e mais trufas.

Tiramos estes dois dias pra praticar o esporte que consagrou os brazucas: comprar.

DSC08877

Fomos na Nike, na Bloomingdale’s, …

DSC08878

… na Victoria’s Secret e a muitos outros lugares.

DSC08895

Almoçamos no Le Train Bleu, restaurante da loja de deptos Bloomingdales. A comida foi Ok.

DSC08879

Especiais de frango e couscous pro Eymard e pra Lourdes, …

DSC08892

paillard de frango pra Dé …

DSC08888

… e moulles et frites para mim.

DSC08894

Tudo correto. apenas isso.

DSC08883

O acontecimento do dia seria no Eataly, o sex shop nova-iorquino. Faríamos uma aula/jantar sobre trufas.

DSC08902

E tudo começou assim: tivemos um pequeno frisson por conta do tempo de demora do trajeto do hotel até o Eataly.

DSC08899

Saímos com meia hora de adiantamento e conseguimos chegar com 10 minutos de atraso. A sala estava lotada e a organização era impecável.

DSC08903

Tudo se iniciou com explicações sobre o tubérculo dadas por um especialista, um produtor italiano (o que facilitou bastante a nossa compreensão, dado o inglês macarrônico dele).

DSC08906

Em seguida serviram o primeiro prato, bruschetta com ricota, abóbora, mel e trufa negra.

DSC08909

Era muito boa e foi acompanhada por um ótimo espumante italiano, o Contratto Millesimato Brut 2007.

DSC08908

Continuamos a conversa com algumas curiosidades sobre o mercado de trufas e mais um prato foi servido, a óbvia carne cruda con vinagrete al tartufo nero. Esta também estava muito boa e muito bem temperada.

DSC08911

A Dé comeu legumes empanados.

DSC08913

A harmonização foi feita com um vinho branco Pomino Marchesi Frescobaldi DOC 2012.

DSC08887

Era tempo de perguntas. E todas foram muito bem respondidas pelo especialista.

DSC08907

Enquanto isso, o prato que mais representa o movimento trufístico foi servido, um tagliatelle con burro ao tartufo, mais conhecido como tagliatelle com manteiga e trufa branca. Uma verdadeira pasta al dente que foi devorada por todos os presentes, inclusive nós.

DSC08917

Pra beber, nos serviram um vinho tinto do Langhe, um Nebbiolo Brandini DOC 2009. Frise-se que todos os vinhos eram excelentes.

DSC08923

Você pensa que acabou? Nananinaná. Terminamos tudo com um arrosto (eu disse arrosto!) com tartufo bianco, bietola e purê de verdura.
Os três pedaços de carne foram um certo exagero, mas ela estava deliciosa.

DSC08919

Já pra Dé (eles perguntaram quem não comia carne vermelha e ela prontamente levantou a mão) ofereceram Canelonni de cogumelos.

DSC08921

Olha, foi uma aula/jantar muito legal, bastante informativa e como não podíamos deixar de esperar, com uma comida de alto nível.
Recomendo bastante um evento deste tipo, caso você esteja passeando por esta maravilha que é o Eataly.

DSC08625

Ainda aproveitamos pra dar mais uma olhada na loja e compramos algumas coisinhas bastantes úteis.

DSC08619

Só nos restou, caçar literalmente um taxi, retornar pro hotel a tempo de tomarmos um Cremant gelado para relaxarmos um pouco mais.

DSC09043

New York, New York.

Leia sobre os outros dias desta viagem:
Dia one – New York, niu iorque.
New York – Dia two – Eeeeeéééé touchdown.
NY – Dia three – Linha alta; High Line. E Fiiiiiiiiiiiiígaro.

NY – Dia four – O rei MoMA.

.

dcpv – leo e a brisa de trufa.

sábadão
23/07/11

Leo e a brisa de trufa.

Nós tínhamos acabado de voltar da viagem de caça as trufas no Piemonte quando eu disse pro Leo (CEO do excelente e bissexto blog Leo_Trivial ) : sobrinho, vais comer umas trufas brancas incríveis! Vamos marcar o almoço?

É claro que ele respondeu: tio, é claro! Quando?

Bom, isto aconteceu em novembro de 2010. Não precisa nem dizer que o tempo passou, as trufas foram devidamente deglutidas e a nossa refeição/encontro era sempre assunto de troca de emails.
Agora vai! Xiiii, não vai dar! É sábado que vem! Puxa, vamos viajar!! Então é no sábado a noite. Não dá. Vou pro Rio.
P
or aí foi até que conseguimos finalmente agendar.

E aconteceu exatamente 8 meses após os contatos iniciais.

Fiquei pensando em como é que conseguiria dar pra ele a sensação de alguma coisa trufística? Ora, utilizando uma tartuffata, um azeite trufado e um mel trufado trazidos diretamente de Alba. Não é a mesma coisa, mas …
O sobrinho chegou com flores na mão e desejando um feliz casamento. Uma gracinha, não? 🙂

Ah! A Re também estava por aqui. Iniciamos os trabalhos traçando uma entradinha básica composta  de peito de pato defumado, parmegiano reggiano com molho de mel (uma homenagem do sobrinho aos Loguercio)…

radicchio frito

… e aspargos gratinados (especiais pra Dé). Por enquanto, nada de trufa!

Resolvi fazer uns ossobucos como prato principal, acompanhado de parafusos trufados.

Vamos por partes: os ossobucos foram feitos com receita “veramente” italiana. Cenouras, cebola e salsão foram cortados …

… e fritos junto com  a carne.

Esta após ser selada, foi cozida com vinho tinto italiano, caldo de legumes e tomates. Uma beleza.

O macarrão foi feito conforme instruções e misturado com o creme de trufas (descobri que ele contém muito mais cogumelos do que as próprias).

E pra dar mais veracidade, juntei uma legítima gremolatta italiana (uma mistura de salsinha e casca de laranja).

O prato todo ficou bem bacana e saboroso.

Tomamos um ótimo vinho uruguaio Syrah Alto de la Ballena 2009, uma lembrança da nossa viagem à  Punta del Este .

E nos aprontamos pra sobremesa, não sem antes conversarmos bastante pra compensar todo este tempo que não nos víamos ao vivo e em cores.

Já que a comida era italiana e simples, a sobremesa não destoou.

Queijo de cabra com mel trufado e pimenta rosa. Encontramos aí a melhor representação do sabor da trufa.

Pronto! Mais uma tarde agradável com a família.
Combinamos de marcar mais um almoço quando voltarmos com a “matulinha borgonhesa”. Espero que não demore tanto, né sobrinho ?
Ah! Ele também vai bolar um menu pra reproduzirmos conjuntamente lá na sede. Aguardem!

Ciao e au revoir

.

dcpv -piemonte – sesto giorno – um coppo cheio de trufas.

06/11/10

Piemonte – Sesto Giorno – Um Coppo cheio de trufas.

O dia começou bem cedo. E com uma expectativa daquelas.

Pela primeira vez, desde que chegamos ao Piemonte, veríamos como é isto tudo com o belos complementos da luz do sol e do nevoeiro .

E é como o esperado: lindíssimo.

As nuvens se movimentam numa velocidade estonteante e se num momento tudo está enevoado, …

… num outro tudo está iluminado e dum jeito tão especial que só nos resta agradecer ao Criador por tamanha beleza.

E ou não é de deixar o corpo e a mente num estado elevadíssimo?

Depois deste verdadeiro devaneio, pegamos a estrada pra nos juntarmos ao grupo e participarmos duma verdadeira caçada às trufas.

Encontramos com o Stefano Aprile, um verdadeiro trifulau que nos levou até o bosque onde ele encontra as pepitas de ouro do sabor.

Antes, ele nos explicou como e porque os tartufos (especialmente os brancos) nascem somente nesta região do mundo. Coisas de solo específico; de árvores específicas (ah! Este italianos…).

Mãos à obra.  Ou melhor, patas à obra já que a Kira (ou seria Kyra? Não perguntei), a cachorra que teve o seu faro treinado pra encontrar o tartufo, trabalhou bastante e encontrou um montão deles.

O trabalho é aparentemente simples. rs

A cachorrinha anda bastante, para e começa a cavar. O trufilau corre até onde ela está, cava mais um pouquinho e nos mostra a belezura.

Contabilizamos um montão (especialmente as não tão valorizadas negras), …

… passeamos um tempão apreciando a natureza,  …

… e o ar puro, além de nos divertirmos muito com as galochas e sapatos usados pra passearmos pela lama.

Realmente interessante e com uma cara daqueles passeios que você faz na África do Sul com aqueles leões “famintos”. Vocês entenderam, né?

Dali fomos pra cidade de Canelli conhecer a venerada vinícola Coppo.

E por incrível que pareça  o tour foi mais encantador ainda que o da Gaja.

O nosso guia foi o Edoardo (que belo nome!), genro de um dos sócios e aficionado pelos vinhos que eles produzem por lá.

Conhecemos todo o processo de criação dos produtos e nos envolvemos com os lugares onde isto tudo acontece.

Adegas antiqüíssimas (o Duto tirou umas fotos incríveis), …

… com ambientes rústicos …

… e história.

Muita história.

Pra melhorar ainda mais (se é que isso poderia acontecer), fizemos uma refeição exatamente igual a que a Dé disse que estava sentindo falta: o próprio Edoardo cortou salames cozido e cru,…

…, queijo parmeggiano regiano, …

… uns grissini espetaculares (cotação do guia Light’s: #####)  e que eu fiz questão de encher os bolsos com eles…

…  e vinhos Coppo. Ótimos vinhos Coppo.

Só nos restou comprar, cada um, uma caixa com 6 Pomorosso (né, sócio?) e irmos todos pra Alba, o centro comercial de toda a região.

E pra quem gosta de chocolate, especialmente do seu cheiro, Alba é o lugar.  Lá fica uma fábrica da Ferrero e a cidade cheira literalmente a chocolate. O dia todo!!

Passeamos e muito …

… pelo efervescente comércio, …

…compramos utensílios de  cozinha, ingredientes, vinhos, …

… um montão de coisas relacionadas ao tartufo na Tartufi & Co , a bela loja do Stefano o nosso trifulau  e, é claro,  …

… trufas.

Muitas trufas. (na verdade, umas duas!! 2500Euros o Kg 🙂 ).

Escureceu e voltamos ao hotel.

Tínhamos reservado uma mesa no Dulcis Vitis, o restaurante do chef Bruno Cingolani que conhecemos ainda em São Paulo, num jantar sobre trufas e exatamente no Piselli do grande Juscelino.

É, este mundo é uma ervilha mesmo! Ou seria uma grande abóbora?

E foi um desfilar de ótimos pratos e vinhos.

Os trabalhos foram abertos pela dupla prosciuto/brinde.

Logo após, a redescoberta do cardo, um vegetal com um gostinho de alcachofra que a Dé simplesmente adorou.

É claro que experimentamos os grissini (Guia da Lampâda : 19,5 lumens)

Na sequencia, uma salada fresquíssima com ovos com a gema mais alaranjada que já vimos e uma mussarela de búfala que derretia na boca.

Pra variar, comemos trufas (brancas e negras) de tudo o que foi jeito.

Na pasta e …

… no risotto (repare que estas foram as que “caçamos” de manhã com o pequeno apoio da Kira). 

Pausa pra mostrar um dos “n” vinhos que tomamos, todos chancelados pelo Cingolani e pelo Juscelino.

Comemos uns queijinhos (ê, gula! rs) e um pêssego em calda tão leve e saboroso que mesmo neste momento de puro fastio, pareceu ser uma me-ra-vi-glia!

Conversamos muito, trocamos cartões com o Duto e a Mônica (eles iriam embora na sexta) …

… e  fizemos um social com donos de vinícola (Coppo e Vietti) que estavam por lá, …

… além dum papo furado com alguns italianos e uma última saudação ao grande chef Bruno Cingolani.
Você quer falar o nome dele como ele falaria? Então diga bem espaçadamente: tchiiiiiiinnnngoolaaaaaaaaaaaani!

Pronto! Mais um dia chegava ao fim e tivemos e plena certeza que a comida é realmente o que representa melhor o espírito piemontês.

É através dela que amizades são reafirmadas, que inimizades são confirmadas e que, quem sabe, inimizades se transformam em amizades. O nosso caso, certamente foi o primeiro.

Ah! Estes italianos, tão passionais.

Arrivederci.

.

piemonte – quinto giorno – gaia now for the rain is falling

02/11/10

Piemonte – Quinto  Giorno – Gaia now for the rain is falling

Quem ama os vinhos, ama os Gaja.

Que é um dos melhores produtores (quiçá o melhor) de toda a Itália.

Barbarescos, Barolos, Nebbiolos, Brunellos; todas esta jóias são produzidas por lá. E foi uma grande emoção quando vimos que um dos passeios do tour seria justamente à esta vinícola.

Mas o dia começou com um passeio corriqueiro e constante em todas as nossas viagens.

Fomos ao mercatto de Alba. Tudo bem que a versão completa dele acontece aos sábados, mas este parcial/diário já foi o suficiente pra mostrar como são os ingredientes por aqui.

 Segue um “piccolo” fotoblog  sobre este pedacinho do paraíso:

  

   

    

Também compramos algumas galochas. Mas estas são pro próximo post.

Encontramos com o chef Bruno Cingollani do restaurante Dulcis Vitis (o conhecemos num jantar sobre trufas aqui no Piselli) e fomos tomar um café com a “figura”.

De lá rumamos pra Gaja. Ela fica na pequena cidade de Barbaresco e todo o tour é um encantamento só.

Antes de mais nada, deixe-me resolver uma questão. Quando se escreve Gaja, deve-se ler Gaia (assim como a música do Gil, só que o g no lugar do k).

O tour começou com uma explicação histórica e apaixonada sobre o porque da vinícola ser uma excelência e como ela se transformou nesta potência mundial.

A nossa guia, a Sonia é uma grande entusiasta pela marca. Nós percebemos claramente a emoção que ela sentia ao nos contar cada detalhe da solidificação do mito Gaja. Na verdade, deu pra ver o lacrimejar dos seus olhos (ah, estes italianos tão passionais).

Ao final, degustamos 3 jóias: o Gaja & Rey Langhe DOC, …

… o Barbaresco 2004 DOCG …

… e o Sperrs 1999 Langhe Nebbiolo DOC.

A mulherada ficou tão emocianada que até fez pose de time de futebol.

E tem mais uma coisa: o próprio Sr Angelo Gaja, uma lenda da vitivinicultura mundial, veio nos dar um “saluto” pessoalmente. Como diria o grande poeta, ninguém chega nesta posição por acaso.

Saímos de lá por volta das 13:30 hs (ninguém queria ir embora!) e fomos almoçar no restaurante La Ciau del Tornavento do chef Maurilio Garola.

O lugar é extremamente bonito e acolhedor além de ter uma vista de tirar o fôlego. É claro que esta informação foi mais um exercício de imaginação do que qualquer outra coisa.

Sentamos numa mesa pra sete (o Duto e a Mônica, nossos parceirões,  se juntaram ao nosso grupo) e a diversão começou.

Couvert, grissini (cotação do Guia 4 Lâmpadas : 88 w),..

focaccia de cebola, …

 …uma saladinha de (acredito) pato, …

… uns picolos saborosíssimos, …

…, lulas, tanto o corpitcho ….

… quanto os tentáculos numa embalagem sensacional, …

… uma carne cruda (estávamos com saudades) com muitas trufas,…

… uns agnolotti tartufados de chorar de tão bom (e que vieram no lugar de uns gnochões ruins demais e devolvidos por toda a mesa, Juscelino incluso), …

…  e um leitãozinho divino.

Simplesmente divino.

É claro que arriscamos nuns pedaços de queijos DOP bem acompnahados por um mel trufado.

Finalmente, a sobremesa que era bonita, mas não tão gostosa (se bem que eu acho que a esta hora já tínhamos comido demais! rs)

Senhores, foram mais de 5 horas de puro divertimento, pois além de todos aqueles vinhos degustados, trufas aos borbotões; …

…  o bom-humor da nossa mesa era uma característica que não passou desapercebida por  ninguém.

Como o Juscelino já tinha frisado, não deixamos passar em branco a possibilidade de visitar a adega do restaurante. Veja como ele é um verdadeiro brincalhão! 🙂

Agora, será que podemos chamar somente de adega aquele verdadeiro monumento? São mais de 50000 (sim, cinquenta!) garrafas com o tudo o que uma pessoa possa imaginar sobre a “propriedade” de vinhos. Fizemos uma conta por cima e chegamos facilmente a milhões de Euros!!

Lá encontramos Chateau d`Yquem, Margaux, Petrus, …

… coleções  horizontais e verticais de Vega Sicilía,…

       

…  Gajas de todos os anos e tamanhos, …

                 

… Barbarescos , Brunellos, Barolos ou seja, o que você pensar ou imaginar; está tudo ali.

Só não vimos nenhum vinho brazuca, mas o Maurilio disse que pretende reparar este erro brevemente. rs

Saímos de lá pro hotel com tempo de tomarmos um banho e nos prepararmos pro jantar. E no caminho de volta tivemos uma breve revolução com as generais Dé e Lourdes inquirindo ao Juscelino qual seria o menu noturno. Quando ele respondeu que eram algumas coisas como fígado e lingua, até nós, eu e o Eymard, simples soldados concordamos com o alto comando. 🙂

 

Fica claro que o melhor conselho pra quem quer vir passear por aqui é estar predisposto a incluir no seu roteiro passar pelo menos umas 8 horas por dia na mesa (no mínimo umas 4 pra cada uma das refeições). Por volta das 20:30, estávamos os 4 e mais o nosso guru Juscelino, no saguão e prontos pra mais uma jornatta gastronômica.

Que neste caso teve a adição da arquitetura. Afinal de contas, não é todo dia que se janta num verdadeiro castelo perfeitamente preservado, o Verduno.

A proprietária veio nos receber (por sinal, ela era extremamente sorumbática) e nos levou à nossa mesa.

Todo o ambiente é misterioso e antigo, muito antigo.

Graças ao bom Deus ( e as meninas) chegamos a um consenso e fizemos uma refeição equilibrada (pros padrões piemonteses): um “piccolo”de pimentão,…

… uma sopinha de zucca com trufas negras, …

… uma faraona (a famosa “tô fraco”) com uvas e …

… um bonet, a nossa já conhecida sobremesa piemontesa.

Mais três vinhos pro nosso caderninho …

… e quando saímos percebemos o clima enigmático da cidadezinha de Verduno.

Ainda tivemos tempo de passar em Serralunga d’Alba e participarmos da beleza e do encantamento de tudo.

Do castelo, do povoado e do céu estrelado que vimos pela primeira vez na nossa estada.

Amanhã finalmente iremos caçar trufas.
E o sol promete fazer com que tenhamos a nossa visão ampliada pra encontrarmos o adorado tubérculo.

Às trufas.

.

piemonte – primo giorno – ô dia agitado, sô: turim, combal.zero, eataly…

29/10/10

Piemonte – Primo Giorno  – Ô dia agitado, sô: Turim, Combal.Zero, Eataly…

Este foi um daqueles primeiros dias de viagem pra não esquecer.

Encontramos com o sócio e a esposa, a Lourdes em Cumbica e seguimos pro nosso destino.

Vôo sossegado da TAM e chegamos tranquilamente a Milão. Pegamos os carros (grato Europcar pelos upgrades) e rumamos diretamente pra Turim.

Na verdade, aproveitamos pra dar uma parada em Vercelli, uma cidade muito conhecida pelos apreciadores de risotto já que é lá que a maioria dos grãos são cultivados.

O caminho todo foi uma sucessão de “olha aquilo” e “veja isso”.

Afinal de contas, estamos em pleno outono o que significa folhas nos mais variados tons.

Chegamos  por volta das 14:30 hs e consequentemente, encontramos a maioria dos restaurantes fechados.

Só nos restou apelar e almoçar no único café aberto, o Leòn.
Dois risottos, duas cotolettas (acho que da Sadia) e quatro arrependimentos depois, estávamos rumando definitivamente pra  Turim.

Chegamos ao hotel Le Méridien Turin Art+Tech (um achado do Eymard), fizemos o check-in e  confirmamos que a área em que o hotel se localiza (Lingotto) é uma verdadeira maravilha pois além dum montão de atrações, ela tem a mãe dos sex shops, o Eataly.

 

                                             

Trata-se dum estabelecimento espetacular com o máximo de ingredientes  fantásticos  que você possa imaginar e melhor, com aquele clima que só a tutela do Slow Food poderia  chancelar.

Vimos a loja muito rapidamente (é claro que voltaremos) e fomos nos trocar pra primeira grande refeição da viagem.

Seria no Combal.Zero do genial chef  Davide Scabin , uma figuraça da cozinha italiana. O restaurante fica em Rivoli e numa região lindíssima.

Dá pra imaginar o seguinte cenário: um castelo no topo da montanha que é um museu de arte contemporânea?

               

Chegamos atrasados por culpa duma obstrução de trânsito e percebemos  a organização que um estabelecimento deste nível tem que ter.

Ele é surpreendentemente grande e absolutamente espetacular.

Olhamos tudo e nos encaminhamos pra nossa mesa que era a mais central de todo o restaurante.

Demos uma bela passeada pelo menu tomando um champagne (nada como brindar ao início duma viagem) e partimos pro “sacrifício”.

A Dé e a Lourdes escolheram à la carte. Eu e o Eymard fomos diretamente no degustação, o que significava 10 pratos.

Como sempre, amuses foram servidos e estes além de bonitos e plásticos eram deliciosos. Constavam de várias versões de salumi imperdíveis.

Conversamos e rimos muito. Enquanto isso, os pratos começaram a chegar. Albese di merluzzo com pomodoro cuore di bue alla birra. Isto mesmo, cerveja das encorpadas compunha o molho e nos foi servida pra acompanhar.

Seguiu-se ostriche al lemongrass e peperoncino, ananás marinato, uma epopéia de frutos do mar em que parecia que se estava ingerindo um pouco de água salgada. Perfeito!

Mais um das profundezas: impettata de seppie, capesante e polpo alla Luciana ou seja, lula, viera e o polvo mais crocante e com sabor diferente que já comi na vida.

Seguiram-se, matrioska di tropea, uma cebola roxa desconstruída onde entre cada camada foi colocada uma especiaria e ela foi remontada logo após cozida, …

macedônia di pasta alle cinque espécie e bisque d`astice (uma mistura de massas dos mais variados tipos e cozidas al dente em caldos de especiarias),…

foie gras d`oca poché, shitake, pak choi, dashi, língua, emulsione di olio extravergine di oliva (uma mistura asiática intrigante e instigante), …

maialino ao caffe (um porquinho gordo com um molho e uma crosta de café), …

… e a o que seria a consagração da noite: a patata horizontale. 🙂

Só o teaser do prato já valeria a visita.

São 6 formas de apresentação do vegetal adorado por todos (e especialmente pela família). Creme parmantier, carbone, gnocchi, cruda, buccia fritta e “casey”purê. Tudo muito saboroso e ficamos, eu e o Eymard, passando pedaços  das iguarias pras nossas mulheres.

Enquanto isso elas já tinham comido os pratos delas: ambas pediram um gazpacho que estava sublime, …

…, a Dé foi de maccheroni, quase um suflê de queijo parmeggiano 16 anos que mais parecia literalmente uma obra de arte (mesmo porque foi servido num quadro) …

… e a Lourdes experimentou um legítimo risotto ao limone com farofa de noz pecan.

Ufa! E ainda tínhamos as sobremesas: fusiones a freddo, uma salada de frutas com um sorbet na sua base que reagiria quimicamente com a adição de água com gás e …

… um microparfait di cioccolato bianco, salsa al cioccolato fondente 70% guanaja.

A Dé pediu um maccheroni souflé, zuppa di gelato alle noci pecan caramellate, arancio.

E a Lourdes um parfait au grand marnier, coulis di cachi.

Acrescentando-se uma torre de trufas (as de chocolate) foi covardia.

Tudo absolutamente perfeito.

Conseguiu ficar mais ainda quando fomos convidados a conhecer toda a cozinha do Combal e melhor, conversar com o chef e a simpática Manuela.

Sentamos numa mesa lá dentro, tomamos um drinque que nos foi oferecido (vodka, água tônica e rodelas de limão) e a surpresa maior foi perceber que o chef estava interessado em saber não somente como foi o nosso jantar além de nos perguntar quais os dois pratos do menu não seriam servidos se nós fôssemos os chefes!
Também perguntou quais os dois pratos que faríamos em qualquer hipótese. Ou seja, quais foram imperdíveis na nossa opinião.
Muito interessante e difícil de se ver uma atitude dessas por aí!

Ainda ganhamos um brinde, uma lata personalizada de molho de tomate com a assinatura do Davide e relativa ao melhor prato da noite.

Não é por acaso que o Combal está entre os 50 melhores restaurantes do mundo.

Ah! A Dé e o Eymard tomaram uma xícara daquele café, o Kopi Luwak, o que passa pela digestão do animal. Resultado?
15 Euros a menos em cada uma das nossas carteiras e risadas aos montes.

                

Era quase 3:00 hs. Frio, caminho de volta pro hotel e uma boa noite de sono.

Prum primeiro meio-dia de viagem estava mais do que satisfatório.

Arrivederci. Amanhã passearemos por Turim.

 .


É só inserir o seu email, clicar no botão "Seguir" e a cada novo post publicado aqui, você receberá uma mensagem com o link. É fácil, qualquer criança brinca, qualquer criança se diverte! :)

Junte-se a 640 outros seguidores

Blog Stats

  • 1,332,302 hits
maio 2017
S T Q Q S S D
« abr    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

Atualizações Twitter